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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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estatura constitucional no Estado de Direi- 
to. O princípio da capacidade contrib 
constitucional; discutiu-se, no Brasil, s 
recido em virtude da sua omissão nal 
vozes mais autorizadas, entretanto, qu 
dade contributiva permanecia Como u 
constitucionalismo, apesar de não se h. 
que se continha no art. 202 do texto 
superado, diante do art. 145 da CF 88 
também é materialmente 
ele princípio havia desapa-
a de 1967; concluíram as 
lautação segundo a capaci-
s pontos cardeais do nosso 
repetido expressamente o 
946; hoje o problema está 
6. CARACTERÍSTICAS 
As principais características da Cd 
dez, a abertura e o pluralismo. 
A Constituição Financeira é rígi 
segundo os pressupostos e formalidade 
texto básico, nomeadamente a' emend 
É aberra porque não expréssa um 
lacunas, mas um sistema incompleto 
lacunoso. A abertura se relaciona com 
através do órgão dotado de poder con 
deslimitar do texto constitucional, sub 
pressivas da linguagem e levado a efei 
pelo trabalho criador da jurisprudênc 
nada tem que ver com a quantidade d 
dade e textura. 
A Constituição Financeira vive nd 
ciona-se com todas as outras Subcons 
Social etc. Desdobra-se em urna plura 
tário, orçamentário etc. 
uição Financeira são a rigi- 
rque a sua reforma se faz 
viarnente estabelecidas no 
titucional. 
unto completo ern si, Serrl 
definição, problemático e 
nças, que se não fazem 
te, mas representam urn 
do às possibilidades ex- 
la interpretação jurídica e 
abertura, por outro lado, 
as, mas com a sua quali- 
iente do pluralismo. Rela-
es — Política, Econômica, 
e de subsistemas — tribu- 
7 . SUBSISTEMAS 
A Constituição Financeira, que 
Estado Democrático e Social de Direi 
de de subsistemas, sendo os principai 
priamente dito e o orçamentário. Pode 
a) Constituição Tributária, que c 
tado Democrático e Social Fiscal e qu 
dividindo-se, por seu turno, em inume 
a das Subconstituições do 
vide-se em uma pluralida-
"butário, o financeiro pro-
alar, assim, em: 
i na via dos tributos o Es-
screve nos arts. 145 a 156; 
utros subsistemas; 
38 
39 
b) Constituição Financeira propriamente dita, que disciplina o 
relacionamento financeiro intergovernamental, o crédito público e a 
moeda (arts. 157 a 164); 
c) Constituição Orçamentária, que regula o planejamento finan- 
ceiro, o orçamento do Estado e o controle de sua execução (arts. 70 a 
75 e 165 a 169). 
O quadro geral da Constituição Financeira pode ser assim es- 
boçado: 
Constituição 
Tributária 
7 
Sistema Tributário Nacional 
Limitações Constitucionais 
butar (arts. 150 a 152) 
Sistema Tributário " 	Federado 
(arts. 145 a 149) 
ao Poder de Tri- 
Sistema de Impostos da 
União (arts. 153 e 154) 
Sistema de Impostos dos 
Estados (art.155) 
Sistema de Impostos dos 
Municípios (i-rt. 156). 
Sistema de Repartição das Receitas Tributárias i 
(arts. 157 a 162) 
Sistema dos Empréstimos Públicos (art. 163) 
Sistema monetário (art. 164) 
Sistema dos Orçamentos farts. 165 a 169) 
{ Sistema da Fiscalização Contábit Financeira e 
. Orçamentária (arts. 70 a 75). 
.8. AS coNsTrruiçõfs DOS ESTADOS-MEMBROS 
A própria Constituição Federal estabelece as regras básicas para a 
integração vertical cio poder financeiro, seguindo-se daí que o-poder 
constituinte financeiro dos Estados-membros já nasce limitado por 
aquelas regras de harmonização. Demais disso, a formação centrifuga 
do nosso federalismo faz com que as Constituições dos Estados conte-
nham poucas inovações comparativamente à Federal, ao contrário do 
que ocorre em ou-trás Federações, como os Estados Unidos e a Alema-
nha, em que até a compreensão dos direitos fundamentais está sendo 
ampliada pela obra dos constituintes: locais ou pela interpretação das 
Constituições Estaduais. Acrescente-se, ainda, que os ciclos de autori-
tarismo no Pais têm desmotivado o afastamento do modelo federal. 
Daí por que algumas Constituições estaduais trataram sucintamente 
da matéria financeira, limitando-se a declarar que o sistema tributário 
é o previsto na CF. 
O poder constituinte estadual, conseguintemente, é urn poder 
derivado, que deve sujeitar-se às normas constitucionais da União e às 
normas legais federais. O poder constituinte originário estadual nunca 
é, numa federação, autônomo, visto que se sujeita aos princípios e ao 
modelo federal. A autonomia do Estado reside no poder de se consti-
tuir, mas de se constituir dentro da Federação. 
De modo que o poder constituinte financeiro estadual depara, de 
início, com três limitações básicas: a) as normas sobre a independência 
e harrnonia dos Poderes insertas na Constituição Federal; b) o sisterna 
tributário nacional e o orçamentário modelados pela União; c) a auto-
nomia municipal. 
III. O PROCESSO LEGISLATIVO 
9. EMENDA CONSTITUCIONAL 
Sendo rígida a Constituição Financeira, a revisão dos seus disposi-
tivos deve se fazer sempre por emenda, na forma prevista no art. 60 da 
CF 88. A proposta de emenda poderá ser feita pelos membros da 
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal (um terço, no mínimo), 
pelo Presidente da República ou por mais da metade das Assembleias 
Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada urna 
delas, pela maioria relativa de seus membros. 
A emenda constitucional não poderá. levar à abolição da forrna 
federativa do Estado, da separação de Poderes e dos direitos e garan-
tias individuais (art. 60, § 42, CF). Assim sendo, não poderá ser objeto 
de deliberação a proposta de emenda que vise a abolir o sistema de 
discriminação de rendas, a separação horizontal do poder financeiro 
ou as imunidades fiscais, que constituem formas de garmtia dos direi- 
tos fundamentais. 
Nem sempre se faz necessária a emenda constitucional para que 
se leve a efeito a reforrna tributária. Nos casos de modificações meno-
res na ordern legal prescinde-se dela. Porém, quando se aprofunda a 
reforma, quando se rnodificam as expectativas, quando se altera a es-
trutura dos tributos, torna-se indispensável a revisão do contrato cons-
titucional. Ainda mais quando a Constituição Tributária é 
minuciosa 
Constituição 
Financeira 
Propriamente Dita 
Constituiçá 
Orçamentária 
40 
A lei complementar, da competência da União, é de fundamental 
importância para a concretização do direito financeiro, que na Consti-
tuição se expressa em normas sucintas e abertas. A referência à lei 
complementar surgiu na CF 67/69, mas já a CF 46 cogitava de lei 
federal para dispor sobre- normas gerais de direito financeiro. Nos paí-
ses em que inexiste a figura da lei de hierarquia superior, a matéria 
financeira de interesse nacional é reg 'tilada pela União com fundamen-
to nos poderes implícitos ou na cláusula do comércio interestadual. A 
lei complementar brasileira não tem paralelo no direito comparado: a 
Áustria conta com a lei constitucional financeira (Finanzverfassungs-gesetz), de eficácia superior, destinada a regular a partilha tributária, 
matéria sobre a qual é omissa a respectiva Constituição; a França pos-
sui a ki organique, com processo legislativo próprio, que talvez seja o 
modelo mais próximo do nosso. 
As leis complementares, ;aprovadas pela maioria absoluta do Con-
gresto Nacional (art. 69 da Cf' 88), têm extraordinária relevância para 
o direi co tributário e orçamentário. 
42 
como a brasileira. A reforma tributária instituída pelo Código Tributá- 
rio Nacional (Lei n2 5.172/65), por exemplo, foi precedida da revisão 
constitucional da Emenda 18/65. 
De notar que 2 reforma tributária pode vir no bojo de uma revisão 
total da Constituição, sem que isso implique em urna renovação de 
todo o sistema tributário nacional. A reforma tributária global é utópi- 
ca: a revolução fiscal há que se fazer dentro da Constituição, respei-
tando-lhe os princípios gerais. 
Às vezes a emenda