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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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sujeitos ao princípio da anualidade que ve-
nham a ser objeto de medida provisória publicada no início do ano. O 
Supremo Tribunal Federal, em casos excepcionais, vem declarando a 
inconstitucionalidade de medidas provisórias que desrespeitam a 
cláusula de relevância e urgêtscia 
(ADIN 1.753-2-DF, Ac. de 16:4.98, 
-Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 12.6.98). 
14. DECRETO LEGISLATIVO 
O decreto legislativo é fonte do Direito Financeiro na medida em 
que se presta para resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou 
atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos 
ao patrirnônio (art. 59, VI, c.c. art. 49, I, CF). É o decreto legislativo, 
portanto, que internaliza os tratados e os toma aptos a criar direitos e 
obrigações na ordem nacional. 
15. RESOLUÇÁO 
As resoluções das Casas Legislativas, especialmente as do Senado 
Federal, têm grande importância para o Direito Financeiro. O Senado 
Federal, de acordo com a CF, através de resolução, dispõe, autoriza ou 
decide sobre: a) operações externas de natureza financeira, de interes-
se da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos 
Municípios (art. 52, V); b) limites globais para o montante da dívida 
consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
pios, beto como para as operações de crédito e a concessão de garan-
tias (art. 52, VI, VII e VIII); c) suspensão da execução, no todo ou em 
parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Su-
premo Tribunal Federal (art. 5Z, X); d) aliquotas do imposto sobre a 
transmissão causa monis 
e doação (art. 155, § 12, IV); e) alíquotas 
aplicáveis ao ICMS (art. 155, § 22, IV e V). 
16. TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS 
Os tratados e convenções internacionais assinados pelo Executivo 
transformam-se em fonte do Direito Financeiro, desde que aprovados 
pelo Congresso Nacional. 
É particularidade do Direito Tributário brasileiro reconhecer a 
prevalência do tratado internacional sobre a legislação nacional. Diz o 
art_ 98 do CTN que "os tratados e as convenções internacionais revo- 
Ag 
48 
gani ou modificam a legislacic tributária interna, e serão observados 
pela que ihes sobrevenha". Observe-se que não se trata, a rigor, de 
revogação da legislação interna, rnas de suspensão da eficácia da nor-
ma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir 
efeitos se e quando o tratado for denunciado. 
Essa característica do Direito Tributário brasileiro não se estende 
a outros ramos do Direito, nem mesmo ao Financeiro, pois o Supremo 
Tribunal Federal não generalianu a tese do primado do Direito Inter-
nacional; admitiu, pelo contrário, que a nonna internacional sobre le-
tras de câmbio e notas promissórias, incorporada à legislação interna, 
fosse revogada por lei ordinária federal posterior (RE 80.004, Ac. do Pleno, de 1.6.77, Rel. Min. Cunha Peixoto, RTJ 83/809). 
A União pode conceder isenções de tributos estaduais através 
de tratados e convenções,„internacionais, nos quais age como titular 
da soberaniateis que não' se aplica a tal hipótese a vedação de outor- 
ga de isenções hetertiriomaS prevista no art. 151, III, da Constituição Federal. it. 
Quando os tratados e convenções internacionais sobre, direitos 
humanos"do contribuinte forem aprovados, em cada Casa do Congres-
so Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (art. 5°, 5 3°, 
da CF, na redação da EC 45, dei 2004), e corrio tais revogarão ou mo- 
dificarão a legislação tributária interna e serão observados pela que 
lhes sobrevier. 
17. CONVÊNIOS INTERESTADUAIS DO ICMS 
'Figura estranha é a do Convênio ICMS, criado pela reforma tri-
butária que instituiu o imposto não-cun-iulativo e que perdura até 
-hoje (art. 155, MI, g, CF) para a concessão e a revogação de isenções, incentivos e benefícios fiscais. 
O Convênio 1CMS foi regulamentado pela Lei Complementar n2 24/75, que exige. a sua aprovaçã:o por unanimidade. A sua eficácia só 
se inicia após a noticia de sua ratificação nacional, publicada no Diário 
Oficial da União. - 
A União pode conceder isenções de tributos através de tratados e convenções internacionais, nos quais age como titular da soberania, eis 
que não se aplica a tal hipótese a vedação de outorga de isenções hete-
rônomas prevista no art. 151, da Constituição Federal. 
A Lei Complementar ry° 24/7z), e_ 
toritarismo político, dispensou a rati 
convênios assinados pelos Secretários 
pria competência dos Governadores. 
denunciando a inconstitucionalidade d 
pio da legalidade. A EC 3/93 não reso 
não a enfrentou a EC 33/2001. 
Discutiu-se muito, no regime con 
nio poderia dispor sobre outras mat 
Complementar 24/75 estendeu-os a Th. 
cão ou de dirninuição da carga fiscal. 
dizendo que cabe à lei complernentar r 
deliberação dos Estados e do Distrito 
benefícios fiscais serão concSdidos 
11.12.2001, introduziu os §§ 4Q e 5Q ná 
que as regras necessárias à aplicação dá 
ICMS sobre os combuitiveis :líquido 
seja a sua finalidade, inclusive às rela 
fixação das aliquotas, serão eátabeleci 
Estados e do Distrito Federal, com 
competência dos convênios interestad 
daquela EC 33/01 que os convênioS 
provisoriamente a matéria, enquanto ri 
Mentar competente. 
As isenções concedidas por conve 
se revogam por outro convênio, eis qué 
se esgota a autorização coletiva. 
Os convênios interestaduais conce 
se confandem com outros convênios 
mentares das leis estaduais (art. 100, 
remos. - 
Outra questão muito polêmica fo 
regular matéria de lei complementar. 
posições Constitucionais Transitórias rp 
60 dias contados da promulgação da C 
lei complementar necessária à institn 
Distrito Federal, mediante convêniá 
Complementar 24/75, fixariam norrn 
a matéria. Em consequência, foi celeb 
regulando por inteiro o tributo e subst 
ossibilidade de o convênio 
t. 34, § 82, do Ato das Dis-
eleceu que, se no prazo de 
ituição, não fosse editada a 
do ICMS, os Estados e o 
brado nos terrnos da Lei 
a regular provisoriamente 
o Convênio ICMS 66/88, 
do as normas do Decreto- 
s de isenção do ICMS não 
e tornam normas comple-
o CTN), como adiante ve- 
onal anterior, se o convê-
s além da isenção. A Lei 
er mecanismo de exonera-
CF esclareceu a situação, 
r a forma como, mediante 
ral, isenções, incentivos e 
ogados. Mas a EC 33, de 
155 da CF, determinando 
ma de incidência única do 
brificantes, qualquer que 
apuração, à destinação e à 
mediante deliberação dos 
se arnpliou o quadro da 
estabeleceu ainda o art. 4° 
estaduais poderão regular 
trar em vigor a lei comple- 
ainda que autorizativo, só 
to de conceder o benefício 
a em pleno veríodo de au-
ao pelas Assembleias dos 
zenda, atribuindo-a à pró-
riria, com justa razão, vem 
dida, por afrontar o princí- 
a contradição, assim como 
5 1 
Os regulamentos constituem importante fonte secundária do Di-
reito Financeiro. Classificam-se em regulamentos de execução e regu-
lamentos autônomos. Os regulamentos de execucão têm por finalida-
de estabelecer as normas complementares à lei formal, permitindo a 
sua aplicação e esmiuçando-lhe as determinações. Regulamento autô-
nomo é o baixado pela Administração na matéria não sujeita ao princí- 
pio da legalidade. As normas regulamentares podem ser veicnladas pelos decretos, 
portarias ou resoluções das autoridades adrninistrativas. 
Questão difícil é a do limite do poder regulamentar. O Executivo 
fica subordinado à lei financeira formal e não pode invadir a compe-
tência do legislador. Sucede que, como veremos (p. 109), inexiste o 
campo material de atuação da lei formal claramente delimitado, o que 
traz como consequência a inexistência de contorno rígido do poder 
regulamentar. Há uma certa zona de penumbra no relacionamento 
entre regulamento