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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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191, 192 e 565). Por se expres-
sar em linguagem norrnativa, carecia ela própria de interpretação. A 
partir de 1° de janeiro de 2005, por força do art. 103-A da CF, intro-
duzido pela EC 45, de,2004, ficou o Supremo Tribunal Federal auto-
rizado a avv3var, por 213, súmula que vincule o Poder Judiciário e a 
Administrãção, bern-corno a fazer a sua revisão. A súmula terá por 
objetiv&-á Vtalidade, a interpretação e a eficácia de normas determina-
das, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciais ou 
entre eSes e a administração pública que acarrete grave insegurança 
jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questões. idênti-
• cas (art. 103-A, § 1°, da CF): Do ato administrativo ou decisão judicial . 
que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a'aplicar, ca-
berá reclamação ao STF que, julgando-a procedente, anulará o ato 
administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará 
que outra seja proferida ctom ou sem aplicação da súmula, conforme o 
caso (art. 103-A, § 3°, da CF). As súmulas de jurisprudência se espa- 
lharam por outros Tribunais e instâncias (STJ e CARF), embora sem 
eficácia vinculante, 
Se a jurisprudência pacífica não,constitui fonte do Direito Finan-
ceiro, nem por isso pode ter minimizada a sua importância. A Fazenda 
Pública deve, em homenagem à segurança jurídica e à economia pro-
cessual, seguir a orientação dos Tribunais, sempre que lhe pareça sufi- 
- cientemente estável a jurisprudência: são inúmeros os casos, na práti-
ca jurídica brasileira, em que o Presidente da República e os Governa-
dores de Estados -aderiram às decisões, para evitar conflitos entre o 
Fisco e os contribuintes em questões massificadas (vide p. 60). O 
mesmo deve acontecer com o Legislativo, que editará a lei interpreta-
tiva ou revogará a que for objeto de crítica judicial intensa, não con-
substanciada em declaração formal de inconstitucionalidade. 
Há, todavia, dois casos em que a jurisprudência se transforma em 
fonte formal do Direito Financeiro, como a seguir veremos: ria ação 
direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou es-
tadual e na ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato nor-
mativo federal. A reforma do Judiciário, trazida pela Emenda Consti-
tucional 45, de 2002, deu a seg-uinte redação ao art. 104 § 2°, da CF: 
"As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal 
Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade ou nas ações dire-
tas de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito 
vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à 
administração pública direta ou indireta, na esfera federal, estadual ou 
municipal". As súmulas vinculantes do STF podem ser incluídas tam-
bém entre as fontes formais (art. 103-A da CF, acrescentado pela EC 
45/2004). 
26. DECLARAÇÃO INCIDENT'AL DE INCONSTMJCIONALI-
DADE 
A declaração de inconstitucionalidade da lei federal, estadual ou 
municipal proferida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de um 
qualquer processo judicial não é fonte do Direito Financeiro, pois só 
vale inter partes. 
Para que adquira generalidade e passe a valer erga omnes é neces-
sário que o Senado Federal com ela concorde e suspenda a execução 
da lei declarada inconstitucional (art. 52, X, da CF). Mas, ai, a fonte 
do Direito Financeiro será a resolução do Senado Federal e não a deci-
são do Supremo Tribunal Federal, posto que aquela Casa do Congres-
so não está obrigada a adotar a orientação jurisprudencial. A modula-
ção dos efeitos das decisões do STF pode se aplicar também no con-
trole incidental (RE 559.882-9, Ac. do Tribunal Pleno de 12.06.08, 
Rel. Min Gilmar Mendes, DJ 14.11 .2008). 
27. DECLA_RAÇÃO DE INCONSTITLICIONALIDADE NA 
&CÃO DIRETA 
O Supremo Tribunal Federal pode também declarar a inconstitu-
cionalidade da lei ou do ato normativo federal ou e.stadual na ação 
direta proposta pelas pessoas indicadas no art. 103 da Constituição. 
A decisão, nesse caso, tanto que publicada no Diário Oficial, se 
torna fonte do Direito Financeiro, por adquirir eficácia erga (manes e 
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efeito vinculante. Duas teorias explicam a eficácia da declaração de-
inconstitucionalidade: a alemã, derivada dos ensinamentos de Kelsen, 
de que só um ato da mesma ratureza da lei pode anular uma lei for-
mal, donde resulta que se a decisão judicial anula a lei estadual ou 
federal é porque age corno se fosse lei; a americana, de que a decisão 
opera ipso jure, declarando a ineficácia ab initio da lei que nunca che-
gou a existir, por inconstitucicnal. 
O Supremo Tribunal Federal tem entendido, na linha da tradição 
americana, que a eficácia da declaração de inconstitucionalidade é ex 
tuim., anulando a lei desde o se:u nascimento- (p. 138). Em consequên-
cia, a lei anterior que regulava a matéria e que fora revogada pela 
norma declarada inconstitucional tem restaurada a sua eficácia. Mas a 
Lei n2 9869, de 10.11.99 (art. 27), introdUziu a possibilidade de se 
separar a declaração de1pconstitucionalidade da decretação de invali-
dada d_a lei/momo faz ddireito alemão, autorizando o STF a modular 
os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou a decidir que ela 
só tengegeácia a partir do si=u trânsito em julgado ou de outro mo-
mento que venha a ser fi3cado (vide p. 60). Mesmo quando dotada de 
eficácikex tunc a decisão do STF encontra limite na coisa julgada e na 
prescrição. 
28. AÇÃO DECLARATORIA, DE CONSTITUCIONALIDADE DE 
LEI OU ATO NORMATIVO FEDERAL 
A Emenda Constitucional n2 3, de 1993, trouxe uma novidade 
que não encontra paralelo no constitucionalismo contemporâneo: a 
ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo fede-
ral. Ao revés de controlar a lei inconstitucional, que é uma das garan-
tias processuais da liberdade mais importantes das democracias oci-
dentais, o Supremo Tribunal Federal pode ser convocado para procla-
mar a constitucionalidade da lei, em decisão com eficácia declaratória 
positiva. A nova ação tem por objetivo evitar a multiplicidade dos 
processos contra o Governo Federal, máxitne as relativas às questões 
tributárias, como aconteceu após a CF 88 em decorrência do caos 
legislativo que se criou no País. Mas é flagrantemente prejudicial à 
defesa dos direitos fundamentais, pois elimina a possibilidade de aces-
so dos contribuintes à Justice. em busca da anulação das leis inconsti-
tucionais; demais disso, reflete uma contradição insuperável, pois o 
próprio Presidente da República, que sanciona a lei sob a presunção de 
sua legitimidade constitucional, ou o S! 
dos, que a elaboram, é que estão legith 	 
da constitucionalidade do ato de que p 
As decisões definitivas de mérito,1 
bunal Federal nas ações declaratórias 
ato normativo federal, constituem aut 
ceiro, eis que possuem atributo típico á. 
cia contra todos e efeito vinculante, re 
do Poder Judiciário e ao Poder Execu 
§ 2°, da CF, na redação da BC 3/93, a 
o e a Câmara dos Deputa-
s a solicitar a confirmação 
iparam. 
fericias pelo Supremo Tri-
atitucionalidade de lei ou 
a fonte do Direito Finan-
forrnal: "produzirão eficá-
amente aos demais Órgãos 
, como já dizia o art. 102, 
a_mpliada pela EC 45/04. 
29. DECLARAÇÃO DE INCONST 
OMISSÃO 
ONALIDADE POR 
O Supremo Tribunal Federal pod4 
cionalidade por omissão de medida p 
tucional. Dará, então, ciência ao Podeg 
providências necessárias e, eni se t_ra 
para fazê-lo em trinta dias (art. 103., § 
A decisão judicial, nessa hipótese 
ceiro, pois não cria a norma aplicável. 
bém declarar a inconstitu-
mar efetiva norrna consti-
petente para a adoção das 
de órgão administrativo, 
F). 
é fonte do Direito Finan- 
30. MANDADO DE INTUNÇÃO 
Figura de difícil compreensão é o 
concedido "sempre que a falta de norm 
vel o exercício dos direitos e liberdadeS 
tivas inerentes à nacionalidade, à