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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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foram comuns na antiga
I
I 
e no estrangeiro. 
Excetua-se do principio da exclust 
tura de créditos suplementares e a con 
to, ainda que por antecipação 'de rece 
autorização para a abertura de crédito 
natureza dos da despesa respectiva, pe 
estranho no orçamento. 
Quanto às operações de crédito, t 
meios, eis que os empréstirnos, ainda q 
a natureza de uma antecipação da rece 
ela não se confundam, perderam o cará 
ingressam no orçamento fiscal. 
37. UNIVERSALIDADE DO ORÇ 
Segundo o principio da universali 
todas as receitais e despesas da União; 
dência ou destino, inclusive a dos fund 
sidios. É principio da maior importânc 
que se concretiza na norma do art. 165 
diversas Constituições modernas. 
m não desnaturam a lei de 
médio ou longo prazo, têm 
rçamentária e embora com 
e medida extraordinária e 
- 
• 
de a autorização para aber-
ção de operações de crédi-
art. 165, § 82, in fine). A 
lernentares tem a mesma 
ue não constitui elemento 
clusividade o orçamento 
da receita e à fixação da 
caudas orçamentárias, os 
, o Bepackung (empacota-
aisquer dispositivos de lei 
e receita ou autorização de 
ca constitucional no Brasil 
O 
, o orçamento deve conter 
qualquer natureza, proce-
os empréstimos e cios sub-
a o equilíbrio financeiro, 
9 da CF 88 e que info a 
34. NÃO-AFETAÇÃO DA RECEITA' 
O principio da não-afetação tem 
da ao legislador, de vincular a receita 
ce explicitamente no art. 167, item ry, 
proíbe a vinculação de receita de into0 
ressalvadas a repartição do produto da 
nunciado a vedação, dirigi-
a a certas despesas. Apare-
, na redação de EC 42/03, 
a órgão, fundo ou despesa, 
cadação dos impostos (art. 
118 
119 
158 e 159), a destinação de recursos para as ações e serviços públicos 
de saúde (art. 198, § 2°), para manutenção e desenvolvimento do en-
sino (art. 212 ) e para realização de atividades da administração tribu-
tária (art. 37, XXII), a prestação de garantias às operações de crédito 
por antecipação de receita (art. 165, § 82) e a prestação de garantia ou 
contragarantia à União ou o pagamento de débitos para com esta com 
a vinculação da receita própria gerada pelos impostos dos Estados e 
Municípios (arts. 155 e 156). As vinculações das receitas de impostos 
têm a desvantagem de engessar o orçamento público, e, se não reser-
vadas à garantia de direitos fundamentais, tornam-se meras políticas 
públicas indevidamente constitucionalizadas, como aconteceu com 
boa parte das despesas com a saúde e a educação nos últimos anos. 
A EC 42/03 acrescentou o parágrafo único ao art. 204 da CF, 
facultando aos Estadose ao Distrito Federal vincular a programa de 
apoio à inclusão e proníOção social até cinco décimos por cento de sua 
receita tributária líquida; vedada a aplicação desses recursos no paga-
mento dé: despesas com pessoal e encargos sociais; Il - serviços da 
dívida; III - qualquer outra despesa corrente não vinc-ulada direta-
mente-aos investimentos ou ações apoiados". Acrescentou, ainda, o 
§6° ao art. 216 da CF, autorizando, com as mesrnas ressalvas feitas no 
art. 204, paragráfo único, que Estados e Distrito Federal vinculem a 
fundo estadual de fomento à cultura até aná, decimos por cerito de 
sua receita tributária líquida. 
A EC 31/2000 já havia instituído, para vigorar até o ano de 2010, 
o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, com a vinculação de 
parcelas da arrecadação de diversos tributos federais (arts. 79 e 80 do 
ADCT). Os Estados e Municípios estão autorizados a criar também 
Fundos de Combate à Pobreza, com a vinculação de até dois pontos 
percentuais na alíquota do ICMS incidente sobre os produtos e servi-
ços supérfluos ou de até meio ponto percentual na alíquota do IS S, 
respectivamente (art. 82 do ADCT, 'com a redação da EC 42/03). A 
EC 53/2006 autorizou a criação, no âmbito de cada Estado e do Dis-
trito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvirriento da 
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - 
FINDEB, de natureza contábil, com a vinculação de diversos tributos 
estaduais e distritais. 
Há regras transitórias no direito constitucional financeiro brasileiro 
que têm desvinculado parcelas da arrecadação federal com o objetivo de 
garantir o superávit primário e sustentar o pagarnento da dívida externa, 
nos termos dos compromissos assumidos pelo Brasil COM os órgãos mo-
netários internacionais (FMI, Banco Mundial, etc.). Criou-se, de início, 
o Fundo Social de Emergência (Emenda Constitucional de Revisão n° 1, 
de 1994), depois apelidado de Fundo de Estabilização Fiscal (EC 
10/96). Instituiu-se, mais tarde, a DRU (desvinculação da-s receitas da 
União), que, em sua última versão, trazida pela EC 56/07, deu nova 
redação ao art. 76 do ADCT, para desvincular de órgão, fundo ou despe-
sa, no período de 2008 a 2011, vinte por cento da arrecadação da 
União de impostos, contribuições sociais e de intervenção no domínio 
econômico, já instituídos ou que vierem a ser criados no referido perío-
do, seus adicionais e respectivos acréscirnos legais. 
O princípio da não-afetação se restringe aos irnpostos, ao contrá-
rio do que ocorria no regirne de 1967/1969, quando abrangia todos os 
tributos. Está permitida, portanto, a vinculação, a órgãos ou fundos, 
da receita proveniente: 
a) das taxas, sendo que o pióprio art. 98, § 2°, da CF, na redação 
da EC 45/04, determina que "as custas e emolumentos serão destina-
dos exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades especí- 
ficas da justiça"; 
b) das contribuições sociais e econômicas, nas quais a destinação 
ao grupo de que faça parte o contribuinte compõe a própria finalidade 
desses tributos causais. 
35. ESPECIALIDADE DO ORÇAMENTO 
Os orçamentos devem discriminar e especificar os créditos, os ór-
gãos a que tocam e o tempo em que se deve realizar a despesa Esse é o 
princípio da especialidade, que pode ser: a) quantitativa — 
determina a 
fixação do montante dos gastos, proibidas a concessão ou utilização de 
créditos ilimitados (art. 167, VII) e a realização de despesas que exce-
dam os créditos orçamentários ou adicionais (art. 167, II); b) qualitativa 
— veda a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos 
de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, 
sem prévia autorização legislativa (art. 167, VI); c) temporal — limita a 
vigência dos créditos especiais e extraordinários ao exercício financei-
ro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for pro-
mulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, 
reabertos nos limites dos seus saldos, serão incorporados ao orçamento 
do exercício financeiro subsequente (art. 167, § 
36. DESTINAÇÃO PÚBLICA DO TRIBUTO 
Outro importante princípio é o da destinação pública do tributo, 
que vem a significar que a arrecadação de impostos, taxas e contribui- 
1 91 
1 2 0 
ções deve se destinar exclusivamente a atender às necessidades públi-
cas. A receita tributária visa precipuamente a financiar os gastos gerais 
e especiais de Administraçã o, o que não impede que tenha o tributo 
conotações extrafiscais, isto é, que atenda a objetivos políticos ou eco-
nômicos do Estado, inibindo ou estimulando as atividades de empre-
sas e cidadãos. 
O princípio da destinação pública pode também levar à conclusão 
de que só é tributo a prestação pecuniária que se destine a suportar os 
gastos essenciais do Estado ou as despesas relacionadas com as ativida-
des específicas do Estado de Direito. Do conceito de tributo se estre-
marn os ingressos que não tenham finalidade fiscal, como o preço pú-
blico, que renurnera serviço não essencialmente estatal. Mas há certa 
indefinição sobre o que seja a essência da estatalidade, de modo que as 
contribuições sociais 61:econômicas, às vezes, domo acontece na CF 88, 
podem sér incluídas entre