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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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os tributos, realçando o aspecto interven-
cionista!do Estado. 
dão se deve confundir, entretanto, a destinação pública do tribu-
to com a destinação específica em favor de órgãos, fundos ou despe-
sas, que lhe não desnatura o conceito, como proclama o art. z1=' 
CTN. 
V. OS PRINCÍPIOS GERMS E A LEGMMIDA_DE DO ESTADO 
FINANCEIRO 
Questão extremamente controvertida é a da legitimidade, objeto 
de abordagens da sociologia, da ciência politica, da filosofia e do direi-
to. Entendemos por legitimidade o consenso, a aceitação e a justifica-
tiva do próprio Estado. Tem base na harmonia, na ponderação e no 
equilíbrio entre os valores jurídica e entre os princípios gerais do 
direito. 
A legitimidade do Estado Financeiro, por conseguinte, se funda 
no equilíbrio entre a justiça e a segurança e entre os princípios delas 
derivados. A harmonia entre capacidade contributiva e legalidade, por 
exemplo, é fundamental para a sobrevivência do Estado Fiscal. Se há 
contradição entre princípios financeiros, deve o aplicador da lei elimi-
na-los, pela interpretação ou pela correção; se, entretanto, a antino-
mia for inconciliável, toma-se ilegítima a própria ordem financeira e 
fenece o Estado que nela SC apoia, na via da revolução fiscal ou da 
desobediência (vide p. 164). 
37. EQUILÍBRIO ORÇAMENTAR' 
O princípio do equilíbrio orçame 
deve ser equalizada em suas receitas e 
expressamente, embora o recomend 
O tema entrou formalmente na C 
cão contábil, financeira, orçamenta' 
cluanto à legalidade, legitimidade e ec. 
ntimidacie é o que se exerce sobre a te 
execução financeira e orçamentária. 
Democrático de Direito não se abre 
legalidade, senão que e-Adgem tambéni 
de resultados e a apreciação da justiçá 
cidadão realmente obtém a contrapart 
O aspecto da legitimidade, portanto,, 
cionais orçamentários e financeiros, (Ti 
jurídica ou de justiça, que sirnultanea 
vos do controle. A análise do exato cu 
pacidade contributiva, que manda co 
situação de riqueza de cada uni, do pr, 
das, que proclama a necessidade da juS 
do equilíbrio financeiro/que pbstula á 
pesa para a superação das criseS provoc 
co, por exemplo, participam dO contro 
A legitimidade do Estado Finance 
pios formais, destituídos de conteúdd, 
res e harrnonizam todos os outros prin 
rio, a igualdade e o due process of lazó, 
bilidade fiscal, ponderação e razoabili 
Esses princípios de legitimidade s 
de legitimação ou justificação, quançi 
formais que viabilizam a positivação cl 
herdade, justiça e segurança jurídica) ei! 
financeiro dos princípios fundamenta S 
(soberania, cidadania, dignidade da p 
iniciativa e pluralismo político); b) p 
voltados para o sopesamentd dos p. 
diante dos interesses emergentes. 
ário significa que a lei anual 
eSpesas. A CF não o consigna 
'diversos dispositivos. 
nsformam em: a) princípios 
sualizados como princípios 
alores morais e jurídicos (li-
irradiação pelo ordenamento 
Seclarados no art. 1° da CF 
ta humana, trabalho e livre 
ípios de aplicação, quando 
c-pios dotados de conteúdo 
8: o art. 70 prevê a 
, operacional e patrimonial 
nucidade. O controle da le-
:dacte e a econatnicidade da 
finanças públicas do Estado 
áenas ao exame formal da 
oontrole de gestão, a análise 
b custofbenefício, a ver se o 
de seu sacrifício econômico. 
.oba os princípios constitu-
ados da ideia de segurança 
n_re são princípios informati-
.Limento do princípio da ca-
impostos de acordo com a 
io da redistribuição de ren-
a redistributiva, do prindpio 
quação entre receita e des- 1 
; pelp endividamento públi- 
dá Legitimidade. 
aseia-se ern grandes princi- 
impregnarn todos os valo- 
os: o equilíbrio orçamentá- 
arência fiscal, responsa, 
122 
123 
O princípio do equilíbrio orçamentário, ainda- quando inscrito no 
texto constitucional, é meramente 'formal, aberto e destituído de eficá-
cia vinculante: será respeitado pelo legislador se e enquanto o permitir a 
conjuntura econômica, mas não está sujeito ao controle jurisdicional. 
Não pode a Constituição determinar obrigatoriamente o equilíbrio orça-
mentário, pois este depende de ciréunstâncias econômicas aleatórias. 
Alguns economistas, entretanto, defendem a eficácia do princípio. 
Nada obstante, a CF fez a opção pelo princípio do equilíbrio eco-
nômico, sob a reserva do possível. O princípio era clássico nas finanças 
públicas. A teoria econômica de Keynes é que passou a recomendar os 
orçamentos deficitários nas épocas de recessão, para possibilitar o ple-
no emprego e a conquista do equilíbrio econômico geral. Com a crise 
financeira dos últimos anos e o excessivo endividarnento das nações, 
voltam juristas e economistas a defender o equilíbrio econômico, o 
controle,do deficit piililico, a contenção de despesas e a limitação dos 
empréitimos. A CF, induvidosamente, aderiu à ideia da necessidade 
do eibilihrio econômico, a se viabilizar através da legislação ordinária; 
mas não lhe pretendeu atribuir eficácia vinculante, pois perrnitiu o 
endividamento, ainda que limitado. 
Sobre já não haver a explícita previsão de déficit, desaparecida 
em 1969, a CF contém inúmeras norrnas que inclinem o equilíbrio 
• 	 . 	 •••• 	•• 	•• 	• 	 • 	 • 	 • orçamentário, como a Unificação dos orçamentos (art. 165, § 58), a 
transparência dos incentivos (art.165, § 69, a proibição de o Banco 
Central conceder empréstimos ao Tesouro (art. 164, § 22) , a reserva 
da lei específica para as renúncias de receita e para a concessão de 
subsídios (art. 150,...§ na redação da EC 3/93) e a limitação de 
gastos dos municípios e percentuais indicados pela própria CF (arts. 
29 e 29-A, na redação da EC 58/2009). 
38. IGUALDADE 
O princípio da igualdade, como vimos diversas vezes (cap.. IV, item 
III ), é vazio. Informa todos os outros prhicípios constitucionais, assim os 
vinculados à justiça que os vinculados à segurança. Penetra, ainda, nos 
direitos da liberdade. E necessário que o tributo seja cobrado de acordo 
com aiigual capacidade contributiva, da mesma forma que o juiz deve 
assegurar às partes a igualdade de tratamento e as imunidades são reco-
nhecidas em função de igual liberdade dos cidadãos. Ern virtude dessa 
característica formal é que a igualdade se transforrna ela própria ern di-
reito fundamental (art. 5Q, CF), passando a ser uma das condições essen-
ciais para a legitimidade do Estado Financeiro. 
39. DEVIDO PROCESSO LEGU, 
A claúsula do due process of law, do direito americano (14aEmen-
da), é princípio de legitimidade do Estado, com extensão semelhante 
ao do nosso princípio da igualdade, que informou a história constitu-
cional do Brasil De sorte que a transmigração dessa cláusula para a CF 
88 (art. 52) representa uma demasia. 
Devido processo legal, do ponto de vista da segurança jurídica, 
era, na Inglaterra, o direito que o cidadão possuía de ser ouvido pelo 
juiz e de obter julgamento imparcial de acordo com as leis. Nos Esta-
dos Unidos esse princípio, de natureza tipicamente processual (proce-
durai due process of law), passou a servir também de meio de controle 
do Legislativo e da Administração. 
Ulteriormente a cláusula estendeu-se para perrnitir o controle 
substancial da lei, vale dizer, a possibilidade de a jurisdição controlar 
não só a forma como o conteúdo do discurso do legislador. Era o subs- 
tantive due process of law. 
Fala-se hoje no structural due process. Os órgãos da jurisdição não 
controla_m apenas a forrna ou o conteúdo de justiça ou liberdade, se-
não que exercem a vigilância sobre a própria estrutura do Govemo e 
sobre o processo de decisão legislativa e de partilha dos bens públicos. 
.40. TRANSPARÊNCIA FISCAL 
A transparência fiscal é um princípio constitucional implícito. Si-
naliza nc; sentido de que a atividade financeira deve se desenvolver 
segundo os ditames da clareza, abertura e simplicidade. Dirige-se as-
sirn