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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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ao Estado que à sociedade, tanto aos organismos financeiros su-
pranacionais quanto às entidades não-governamentais. É princípio de 
legitimidade do Estado Democrático- e Social de Direito e às vezes se 
inclui como subprincípio do princípio da responsabilidade (vide p. 
127). Cresceu de irnportância nos últimos anos em decorrência da 
globalização e da formatação do Estado Subsidiário. 
A globalização, como processo eminentemente econômico e polí- 
tico, vem trazendo extraordinárias vantagens para a humanidade no 
campo do desenvolvimento tecnológico, da afirmação da democracia 
e do respeito aos direitos humanos. Mas, sendo ambivalente, produz 
desvantagens à sociedade e ao Estado em escala planetária, principal-
mente sob a forma de aurnento da pobreza e do incremento dos riscos 
125 
124 
ambientais, das drogas, do crime organizado, do terrorismo e, sem 
dúvida, dos riscos fiscais. Estes últimos, que são os riscos do desequi-
líbrio do orçamento e cias contas públicas, apresentam uma dupla 
face: são provocados tanto pelo próprio Estado (irresponsabilidade na 
gestão dos recursos públiccs, desrespeito aos direitos fundamentais 
do contribuinte, corrupção dos agentes públicos e opacidade nas in-
formações financeiras) quanto pelos cidadãos e pelas empresas (elisão 
abusiva, sigilo fiscal para encobrir atos delituosos, corrupção ativa). 
Cumpre ao direito, nesta fas:e, minimizar os riscos fiscais, criando me-
canismos, sob a inspiração do princípio ético e jurídico da transparên-
cia, para coarctar as práticas abusivas e fortalecer os direitos funda-
mentais. A reforrna, como não poderia deixar de ser em época de 
globalização, é universal: iniciou-se em outros países e começa a che-
gar, com muita resistêikia, ao Brasil. 
Na ve4ente dos riscos provocados pelo contribuinte são impor-
tantíssiroasa norma antielisiva trazida pela LC 104/01 (vide p. 161) 
e as normas antissigilo bancário estatuídas pela LC 105/01 (vide p. 
323). 
• 
Quanto aos riscos provocados pela própria Fazenda Pública inú-
meros são os instrumentos para evitá-los ou minimizá-los. 
Já adotamos a importante Lei de Respons. abilidade Fiscal (LC 
101/2000.), que, inspirada n.a legislação da Nova Zelândia e de outros 
países Membros da OCDE, tem defeitos grandes no plano das medi-
das macroeconômicas, mas apresenta elogiável esforço no controle da 
gestão do dinheiro extraído do bolso do povo. A transparência se defi-
ne no art. 12 e será assegurada por instrumentos de gestão fiscal (art. 
48), inclusive mediante incentivo à participação popular e realização 
de audiências públicas. 
Está em andamento no Congresso Nacional o Código de Defesa 
do Contribuinte, que, inspirado na Declaração de Direitos do Contri-
buinte publicada nos Estados Unidos em 1996 (Taxpayer Bill of Rights) e na Lei de Direitos e Garantias do Contribuinte, de 1998, da 
Espanha, visa a fortalecer os direitos fundamentais do contribuinte e 
resguardá-lo contra a ação irresponsável da Fazenda credora (Projeto 
iniciaL 646/1999; Projeto ern andamento: PLP 38/2007). 
O combate à corrupção dos agentes do Fisco se insere também no 
quadro das medidas tendentes a assegurar a transparência. No Brasil o 
problema é particularmente grave, tendo em vista que não consegui-
mos, nem mesmo com as reformas constitucionais da década de 90, 
proceder ao desmonte do Estado Patrimonial; e, como se sabe, o patri- 
rrionialismo gera uma ética própria, 
alma e com a felicidade garantida pelOi 
da das questões da fiscalidade e do ore 
defesa da transparência administratii; 
meçam a ser adotadas, como aContece 
Administração e o Código de Condut 
221: 343, 2000). 
A CF traz outra novidade no art. 
pio da transparência fiscal, obiligando" 
que os consumidores sejam esclarecid 
dem sobre mercadorias e serviços. A P 
cia e servirá para coarctar abusos do le 
aumentar os impostos incliretos, que & 
reação popular, do que majorai- os trilq 
incidem sobre pessoas de maior capa 
sujeitos a lobby e a resistência,de inte 
ção sobre a carga tributária incident 
maior controle por parte do contrib 
O princípio da transparência 
transparência ou clareza orçartientária 
segundo o qual o orçamento será aco 
gionalizado do efeito, sobre as recei 
isenções, anistias, remissões, subsídio 
ceira, tributária e creditícia (art. 165,, 
com o controle interno e externo das & 
tas (art. 70) e com a regra de que qua 
ção de base de cálculo, concessão d. 
remissão, relativos a impostos, taxas 
concedidos mediante lei específica, 
que regule exclusivamente tais maté, 
ou contribuição (art. 150, § 6'2, da CF 
de Responsabilidade Fiscal (LC 101 
princípio da transparência na gestão O 
copada com a salvação da 
ado, inteiramente divorcia-
ento. Algumas rnedidas de 
e combate à corrupção co-
as inumas sobre a ética na 
Alta Administração (RDA 
§ 52, ao incorporar o princi-- 
a determinar medidas para 
erca dos impostos que inci-
ência é da maior importân-
dor, que muita vez prefere 
visíveis e causam pequena 
diretos e prog,ressivos, que 
de contributiva mas ficam 
dos; agora, com a informa-
re as mercadorias, haverá 
eleitor: 
se complementa com o da 
bém proclamado pela CF, 
do de demonstrativo re-
desPesas, decorrentes de 
enefícios de natureza fina.n-
medida que se compagina 
enções renúncias de recei-
subsídio ou isenção, redu-
dito presumido, anistia ou 
ntribuições, só poderão ser 
al, estadual ou municipal, 
o correspondente tributo 
redação da EC 3/93). A Lei 
destaca a importância do 
entária (vide p. 182). 
41. RESPONSABILIDADE FISCAL 
O princípio da responsabilidade, 
nanceiro anglo-americano, adquire e 
mos anos na legislação da Nova Zela 
longa tradição no direito fi-
rdinária relevância nos 
de outros países da OCDE. 
126 
127 
Mas a ponderação desborda o campo específico da metodologia e 
da aplicação do direito para ganhar foros de princípio jurídico. Corne-
ça a doutrina a se preocupar não só com a ponderação de princípios 
mas também com o princípio da ponderação_ 
O princípio da ponderação tem subida relevância na temática do 
orçamento, eis que permite que se sopesem todos os outros prindpiOS 
jurídicos pertinentes à lei de meios, tanto os princípios fundantes 
quanto os vinculados às ideias de liberdade, justiça e segurança jurídi-
ca. O princípio da ponderação conduz à escolha dos princípios que 
devem prevalecer diante dos interesses sociais em ebulição, assim no 
momento da elaboração do orçamento e da alocação de verbas, que na 
fase da gestão discricionária e do próprio controle da execução orça-
mentária. O Estado Orçamentário, além de 
Estado Subsidiário, é 
também Estado de Ponderação. 
43. RAZOABILIDADE 
O princípio da razoabilidade, de inspiração americana, ancorado 
no dite process of law, tem grande relevância na temática da interpre- 
tação e da aplicação do direito financeiro. 
Mas transcende esse aspecto hermenêutico para se situar no pla- 
no abstrato de uma lógica do razoável. 
A razoabilidade, da mesma forma que o princípio da ponderação, 
perpassa todos os princípios constitucionais vinculados à liberdade, à 
justiça e à segurança jurídicas. 
Imanta os princípios tributários da capacidade contributiva, cus- 
to/benefício e solidariedade, bem como as imunidades e as proibições 
de desigualdade, que todos devem ser razoáveis. Influi na elaboração 
do orçarnento, ao governar as escolhas trágicas e as opções pela aloca-
ção de verbas. Informa a própria legitimidade orçamentária, que deve 
resultar do equilíbrio razoável entre legalidade e economicidade. 
44. SIMPLIFICAÇÃO 
No mundo nosso contemporâneo, corri a emergência da globaliza-
ção, da informática e da Sociedade de Risco, cresce a massificação do 
direito tributário, que passa a necessitar de novos instrumentos para a 
preservação da igualdade e para a prOmoCãO, 
nos limites