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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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geradores futuros (RE 
101.963, Ac. 6.4.84, RTJ 109/ 1279). O STJ recusou-se a aplicar 
retroativamente o disposto nos arts. 3° e 4° da LC 118/05 (AgRG no 
REsp 727.200, AC de 1° T, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 28.11.2005). 
A norma penal tributária de natureza benigna também retroage. 
Diz o CTN, no art. 106, II, que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, 
"tratando-se de ato nãiísdefinitivamente julgado: a) quando deixe de 
defini-lo colho infração.; 1?) cluando dei3ce de tratá-lo como contrário a 
qualquer,exigência de ação ou omissão, desde que não te_nha sido frau-
dulentole não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) 
quandolhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vi-
gente a&tempo da sua prática". Não obstante restrinja o CTN a retro-
atividade ao "ato não defitivamente julgado'', parece-nos que a eficá-
cia retrooperante da lex mitier, sendo princípio de Direito Penal, deve 
se aplicar inclusive nos casos de existência de decisão definitiva admi-
nistrativa ou de coisa julgada, salvo para o efeito de restituição da 
multa, eis que sempre se entendeu entre nós ser aquele princípio de 
justiça superior ao da res jildicata; aliás, o próprio Código Penal decla-
ra: 'A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória 
transitada em julgado". 
Possui também eficácia retroativa a declaração de inconstitucio-
nalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal na via da ação dire-
ta, que opera com as mesmas características da lei. Retroage igual-
mente a decisão do STF proferida na via- da exceção, desde que o 
Senado Federal suspenda a execução da lei estadual ou federal (vide 
p. 57). A declaração de inconstitucionalidade, no nosso sistema jurídi-
co, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, opera ex tunc, atin-
gindo os efeitos-dos atos praticados sob o império de lei anulada. Mas 
o art. 27 da Lei n(2 9868, de 10.11.99, passou a permitir que o Supre-
mo Tribunal Federal, tendo em vista razões de segurança ou de excep-
cional interesse social, restrinja os efeitos da declaração de inconstitu-
cionalidade ou decida que ela só tenha eficácia a partir de seu tãnsito 
em julgado ou de outro momento que 
de inconstitucionalidade encontra ala 
e ,^c tune eis que prevalecem certas p 
decadência e a prescrição; esses 
legislações da Alemanha e da Itália e s 
o nosso sistema jurídico. 
8. EFICÁCIA PRORROGADA 
Uma última hipótese é a eficácia 
zada como ultra-atividade ou sobre 
acontece, por exemplo, com a lei trib 
produzir consequências quanto aos f 
gência, mesmo que não tenham sido 
o CTN (art. 144) que "o lançamento 
do fato gerador da obrigação e rege-se 
posteriormente modificada ou revoga 
Dá-se a prorrogação da eficácia, t 
orçamentária não é aprovado pelo Co 
do exercício financeiro. Prorroga-se, 
anterior, na razão de 1/12 das dotaçõe 
Esta solução, que é a mais democráti 
trizes Orçamentárias (Lei 1.3.2 7.800, 
saída, no sentido de considerar aprova 
adotou-se no Brasil ao tempo do auto 
II. EFICÁCIA NO ESPAÇO 
9. O PRINCÍPIO DA TERRITORL4 
O princípio fundamental para tr. 
ceiras no espaço é o da territorialida 
território de jurisdição do ente pUblic 
derações subjeti-v-as a respeito do con 
sejam a nacionalidade ou o lugar clO 
critério para a eficácia da lei no espaç 
do lugar ern que se produzem os ren 
dos bens. 
a a ser fixado. A declaração 
outros lirnites em. seu efeito 
sôes como a coisa julgada., a 
eramentos adotam-nos as 
enamente compatíveis com 
rrogada, também caracteri-
da norma jurídica. Assim 
a revogada, que continua a 
ocorriolOs durante a sua vi-
estivamente apurados. Diz 
orta-se à data da ocorrência 
lei então vigente, ainda que 
érn, quando o projeto da lei 
sso Nacional antes do início 
o, a eficácia do orçamento 
é que o novo seja publicado. 
i adotada pela Lei de Dile-
0.7.89 — art. 50). A outra 
projeto de lei do Executivo, 
ismo (vide p. 180). 
a eficácia das normas finan-
de p. 100). A lei incide no 
dependentemente de consi-
uinte ou do obrigado, como 
cimento dentro do País. O 
da residência, do domicilio, 
ntos ou do local da situação 
133 139 
1 
10.LEI FEDERAL 
A lei federal produz efeitos em todo o território nacional e corta 
a eficácia da lei estadual que com ela contrastar, respeitados os repec-
tivos campos de competência. Mas, como já virnos a propósito do con-
ceito material de lei (p. 108), há uma certa zona de penumbra em 
torno da competência concorrente dos entes públicos no federalismo, 
o que conduz a solução do problerna para o campo da interpretação. 
Não existe urna reserva de competência federal que coincida magica-
mente com o limite de igual reserva em favor de Estados e Municípios. 
Quando a lei federal tem por objetivo regular matéria de interes-
se comum da União, dos Estados e dos Municípios recebe a denomi-
nação de lei nacional. O Código Tributário Nacional e a Lei 4.320/64, 
sobre a atividade finar4ira, são os melhores exemplos. 
A lei federal financeira se aplica a todos os brasileiros e aos estran-
geiros ti sesidentes (CF — art. 59 e não pode discriminar entre 
Estados e Municípios (CF art. 151, I). 
11.LEI ESTADUAL OU MUNICIPAL 
A lei estadual ou municipal financeira se aplica nos limites terri-
toriais do Estado ou do Município, respectivamente. Só pelos convê-
nios pode adquirir extraterritorialidade (CTN — art. 102). Subordi-
na-se ao princípio da unifoimidade geográfica, não podendo estabele-
cer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, 
em razão de sua procedência ou destino (CF — art. 152). 
.. A pessoa jurídica de direito público, que se constituir pelo des-
membramento territorial de outra, sub-roga-se nos direitos desta, cuja 
legislação tributária aplicará até Que entre em vigor a sua própria 
(CTN — art. 120). 
Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais 
e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os 
impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos munici-
pais (CF -- art, 147). 
12.LEI ESTRANGEIRA 
A lei estrangeira não se aplica no territOrio brasileiro. 
Só o tratado internacional, desde que aprovado pelo Congresso 
Nacional, passa a produzir efeitos internos, suspendendo, inclusive, a 
eficácia da lei tributária nacional (CTN — art. 98). 
Mas o Direito Tributário Internacional conhece diversos princí-
pios e instrumentos para eliminar a dupla irnposição da renda e para 
permitir a justa tributação das mercadorias no comércio internacional. 
Não só os tratados e as convenções, mas também as leis de diversos 
países, buscain, no âmbito das respectivas jurisdições, harmonizar a 
tributação da renda ou do comércio externo. Assim é que as legisla-
ções modernas procuram, quanto aos impostos sobre o valor acresci-
do, aliviar a incidência na exportação, para permitir que o pais de 
destino capte uma parcela da riqueza em circulação internacional. No 
imposto de renda ora prevalece a incidência de acordo com a fonte, o 
que beneficia os países mais pobres, ora a incidência pelo domicílio 
das empresas, o que é melhor para os países ricos. 
NOTAS COMPLEMENTARES 
I. Bibliografia: NOVELLI, Flávio Bauer. Anualidade e Anterioridade na Constituição 
de 1988. Revista de Direito Administrativo 179/80: 19-50, 1990; REALE, Miguel. 
Lições Preliminares de Direito. São Paulo:. Saraiva, 2009; ROUBIER, Paul. Le Droit 
Transitoire. Paris: Dalloz & Sirey, 1960; SAMPAIO DÓRLA, Antonio Roberto. Da Lei 
Tributária no Tempo. São Paulo: Ed. Obelisco, 1968; XAVIER, Alberto. Direito Tributá-
rio Internacional do Brasil. São Paulo: Forense, 2010. 
II. Direito Positivo: Lei de Introdução ao Código Civil — arts. 19 a 79; CTN — arts. 101 
a 106; Ley General Tributária da Espanha — 2003, arts_ 10 a 11. 
III. Jurisprudência: Súmula da Jurisprudência