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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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Memão de 1919; Trotabas, o francês que 
defendia que "as regras do direito civil não influem necessariamente 
nas modalidades de aplicação da lei fiscal" (op. cit., p. 53); Vanoni, o italiano que se sensibilizou com a doutrina da interpretação econômi-
ca, aceitando a coincidência dos conceitos na maioria dos casos, mas 
recusando a identidade absoluta entre os objetivos do direito privado e do direito tributário. O Modelo de Código Tributário para a América 
Latina, por influência dos'nrgentinos, filiou-se à mesma orientação: 
'Art. 82 — (balido a norma relativa ao fato gerador se referir a situa-
ções definidas por outros ramos do direito, sem se remeter nem se 
apartar expi:essamente delas, o intérprete pode atribuir-lhe o signifi- 
cado que mais se adapte à realidade considerada pela lei ao, criar o 
tributo". 
b) Primado do Direito Civil. A tese oposta é a do primado do Direito Civil, defendida pelos juristas de índole positivista, que se 
apegam ao maior poder de conceptualização do Direito Civil e que 
desenvolvem o argumento de que o Direito Tributário não deve se 
afastar das definições elaboradas pelos civilistas, com o que descurarn 
da consideração da capacidadé contributiva e se mostram menos aten-
tos à justiça e à igualdade. Essa teoria reduz o poder tributário à rela-
ção jurídica de natureza obrigacional, em tudo semelhante ao vinculo 
de direito privado. Do ponto de vista hermenêutico, a tese do primado 
do direito civil desemboca na defesa da interpretação literal e na recu-
sa da teleológica. 
Integram essa corente de ideias, entre outros: Geny, que enten-
de deva o juiz respeitar os conceitos do direito civil, quando a lei tri-
butária não os tenha modificado expressamente; A. D. Giannini, que 
dá especial ênfase à extrapolação das disposições sobre o nascimento, 
a modificação e a extinção da relação de direito privado para a relação tributária (rapporto d'imposta). 
No Brasil, onde a corrente positivista sempre foi predominante, deu-se a adesão à teoria do primado do direito civil, especialmente pela influência dos italianos_ Rubens Gomes de Souza (op. cit., p. 35) entende que "já estando certos conceitos definidos e denominados 
19 
pelo direito civil, comercial etc. cuja e 
tributário, compreende-se que este til 
mos conceitos, adote, por uma questão 
mas denominações e definições já con, 
trário à interpretação econômica. 
ver monografia sobre o conceito de e 
"legitimidade jurídica da elisão fiscarl 
afirma que as "expressões têm dentro 
significado que possuem no outro ramor 
te entraram no mundo jurídieo" (op. á: 
contém uma norrna — a do art. 110 -= 
brasileiro' sob a regência do direito cis 
pretação não têm eficácia jurídica e p{ 
norma confusa e que carece ela mesm 
c) Equilíbrio. A terceira posição, 
plinas jurídicas, parece-nos ser a quê 
representando ainda um ponto de equ 
madas. Os conceitos de direito tribu 
tributo, são os mesmos elaborados pel 
unidade que deve imperar na formaç 
ditos conceitos de direito civil sejam o 
ou de excesso de forrnalismo; o que I 
tributária abusiva. A tese está em in 
sistêmica, pois, além de manter a uru 
ramos da ciência jurídica, o direito 
para as ciências extrajurídicas; especi 
ças. Demais disso, no plano da hermen 
valorização da interpretação teleológica 
tacão literal, bem como permite seja r 
fiscal, eis que aproveita as colaboraçõ 
interpretação, da hermenêutica filosó 
No que concerne aos sistemas objetive{ 
de se aproxima da compreensão do trib 
nia tributária e, ao mesmo tempo, conk 
sujeita ao império da lei. Entre os mai 
corrente está K. Tipke, que já tem o 
tributários e sobre a analogia, e que se 
conceito dos civilistas é apto para expil 
micas sobre as quais incide a tributação 
de lado nos casos de abuso de forrna ju, 
tungsmiiglichkeiten), nos quais estará 4 
pela contradição teleológica entre as dis 
ação precedeu à do cifreito 
ao se referir àqueles mes-
clareza e precisão, as mes-
s", manifestando-se con-
paio Dória chegou a escre-
e elisão, concluindo pela 
cit., p_ 141). A. A. Becker 
ireito Tributário o mesrno 
reito, onde originalmen-
111). Até mesmo o CTN 
só não irnobilizou o direito 
que as regras sobre inter-
e o citado art. 110 é uma 
erpretação. 
voga a interação das disci-
Ihor resolve o problema, 
entre as duas teses extre-
sobre os quais repousa o 
to civil, em homenagem à 
direito, a menos que os 
de deformação, de abuso 
a a se caracterizar a elisão 
relação com a apreciação 
m os conceitos dos outros 
o deve se abrir também 
e a Economia e as Finan-
a, a tese da unidade leva à 
ovo conceito da interpre-
ada a analogia em matéria 
ais recentes da teoria da 
da tópica e da linguística. 
ese da interdisciplinarida-
omo emanação da sobera-
lação jurídica obrigacional 
tos representantes dessa 
xtensa sobre os sistemas 
e do argumento de que o 
todas as situações econô-
o que só deve ser deixado 
(Missbrauch von Gestal-
rada a unidade do direito 
nas. 
1 9 
4.3. Direito Administrativo 
As relações entre o Direito Financeiro e o Administrativo são 
muito estreitas, mas se afinnam no sentido inverso ao das relações 
entre aquele e o Direito Civil: quem é autonomista na problemática 
das relações entre Direito Tributário e Direito Civil tende a defender 
o primado do Direito Administrativo; os que apregoam a prioridade 
do Direito Civil defendem a autonomia frente ao Direito Administra-
tivo. Tudo porque o relacionamento entre Direito Tributário e Direito 
Administrativo gira em torno dos problemas da relação jurídica obje-
tiva e da interpretação jurídica. Também aqui podem ser indicadas 
três direções principais: a do primado do Direito Administrativo, a da 
autonomia do Direito Tributário e a da interclisciplinaridade e equili- 
brio. 
a) Prirnadoedo Direito Administrativo. Os juristas que defendiam 
a ideia de que a relaçãciiribritária é uma relação de poder teriam que 
concluir:pai-a guardar a coerência, que o Direito Tributário se diluía 
no Direito Administrativo. Myrbach-Rheinfeld, por exemplo, falava 
de um Dir.éito Administrativo Financeiro que, ao lado do Direito 
Constitucional Financeiro, regulava a totalidade da relação tributária. 
b) Autonomia do Direito- Financeiro. A tese opósta é a da autono-
mia do Direito Financeiro frente à Ciência do Direito Administrativo: 
Quando o pensamento jurídico se encaminhou no sentido de definia- a 
relação tributária como urn vínculo de natureza obrigacional, a relação 
de poder passou a um segundoplano, transformada em mera "potestade 
administrativa" de lançamento. A Ciência do Direito Financeiro queria 
se preocupar apenas corri o Direito Civil, deixando ao Direito Adminis-
trativo o aspecto secundário do lançamento, algumas vezes até transferi-
do para o Direito Processual. Amilcar de Araújo Falcão (op. cit., p. 15) 
insistiu em que a autonomia era uma consequência do fato de o lança-
mento representar "apenas o aspecto formal da relação jurídica tributá-
ria", que "há de pressupor a preeminência lógica e estrutural do direito 
substantivo que disciplina a relação jurídica indicada". 
c) Equilíbrio. Também aqui a melhor solução é a da interdiscipli-
naridade, que representa uma posição de equilíbrio. O Direito Finan-
ceiro se relaciona- intiátamente com o Direito Administrativo, posto 
que o fenômeno da tributação emana do poder tributário contempla-
do em sua divisão tripartida, na qual se inclui o poder administrativo. 
Demais disso, os conceitos de Direito Administrativo utilizados pelo 
legislador coincidem com os do Direito Tributário, salvo nos casos de 
abuso da forrna jurídica. Necessário não se perder de vista que o obje-
tivo e o método do Direito Financeiro e do Administrativo são dife-
rentes: a atividade de administração da Fazenda Pública, própria do 
Direito Financeiro, é puramente instrumental e totalmente vinculada