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Crime Continuado Modalidades

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DIREITO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Direito Penal 
Tema: Requisitos do crime continuado 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
O tema concurso de crimes é disciplinado entre os arts. 69 a 76 do Código Penal, 
sendo possível encontrar, nos citados dispositivos, os institutos do concurso material; 
concurso formal; crime continuado; erro na execução; resultado diverso do pretendido; 
bem como o limite máximo e a unificação do tempo de cumprimento de pena. 
No presente texto serão abordadas as modalidades do crime continuado. 
 
 
O crime continuado é previsto no caput do art. 71 do Código Penal, o qual dispõe 
o seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
No artigo acima é possível estabelecer três modalidade do crime continuado: o 
simples, qualificado e o especifico. 
Em todas modalidades o sistema adotado para aplicação da pena foi o da 
exasperação. 
O crime continuado simples é aquele em que as penas cominadas aos delitos 
são idênticas. Cita-se, como exemplo, a prática de três crimes de furto em continuidade. 
Nesse caso, será aplicada a pena de um só dos crimes, aumentada de 1/6 (um sexto) a 
2/3 (dois terços). 
Por sua vez, há crime continuado qualificado quando as penas cominadas aos 
crimes são diferentes. Imagine o seguinte exemplo: “A” pratica um furto simples 
consumado e um furto simples na forma tentada em continuidade delitiva. Nessa 
hipótese, será aplicada, tão somente, a pena do crime mais grave, exasperada de 1/6 
(um sexto) a 2/3 (dois terços). 
Conforme ensina a doutrina, o aumento da pena irá variar de acordo com o 
número de infrações. Esse entendimento é aplicado tanto para o crime continuado 
simples quanto o qualificado. 
 
 
1. CONCURSO DE CRIMES 
2. MODALIDADES DO CRIME CONTINUADO 
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da 
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem 
os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, 
se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. 
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único 
do art. 70 e do art. 75 deste Código. 
Direito Penal 
Tema: Requisitos do crime continuado 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
Observe o quadro abaixo: 
 
Vale registrar que, no entendimento do STF (informativo nº 791), se não for 
possível estabelecer com precisão o número de infrações cometidas em continuidade 
delitiva, será permitido aplicar o aumento da pena em sua fração máxima - 2/3 (dois 
terços), mas desde que haja indicativos de terem sido vários os crime praticados ao 
longo do tempo. Veja: 
 
 
 
 
 
 
Superado esse ponto, passa-se a última modalidade: o crime continuado 
específico. 
O crime continuado específico é previsto no parágrafo único do art. 71 do Código 
Penal: 
 
 
 
 
 
Essa modalidade resta caracterizada nos crimes dolosos cometidos contra 
vítimas diferentes com violência ou grave ameaça à pessoa, sendo aplicada a pena de 
qualquer dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diferentes, aumentada até o triplo. 
Importante observar que o Código Penal não indicou qual seria o percentual 
mínimo do aumento da pena, mas, apenas, o percentual máximo – até o triplo. 
 
 Número de crimes Aumento da pena 
2 (dois) 1/6 (um sexto) 
3 (três) 1/5 (um quinto) 
4 (quatro) 1/4 (um quarto) 
5 (cinco) 1/3 (um terço) 
6 (seis) 1/2 (metade) 
7 (sete) ou mais 2/3 (dois terços) 
(...) Consignou, ademais, que o aumento de 2/3 da pena se harmonizaria com a jurisprudência pacífica 
da Corte, no sentido de que o “quantum” de exasperação da pena, por força do reconhecimento da 
continuidade delitiva, deveria ser proporcional ao número de infrações cometidas. Considerou, por fim, 
que a imprecisão quanto ao número de crimes praticados pelo paciente não obstaria a incidência da 
causa de aumento da pena em seu patamar máximo, desde que houvesse elementos seguros, como 
na espécie, que demonstrassem que vários seriam os crimes praticados ao longo de dilatadíssimo lapso 
temporal. (HC 127158/MG, rel. Min. Dias Toffoli, 23.6.2015). 
Art. 71. (...) 
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a 
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único 
do art. 70 e do art. 75 deste Código. 
Direito Penal 
Tema: Requisitos do crime continuado 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
A doutrina, em consonância com o entendimento do STF, elucida que o 
percentual mínimo a ser utilizado é o de 1/6 (um sexto) previsto no caput do art. 71 do 
CP. 
Nesse sentido, o STF expôs que: 
 
 
 
 
 
Por fim, cabe registrar que em qualquer das modalidades, o crime continuado 
constitui-se em causa obrigatória de aumento da pena, incidindo na terceira fase de 
aplicação da pena. Ademais, a pena do crime continuado não poderá exceder a que 
seria resultante do concurso material, conforme a parte final do parágrafo único do art. 
71. 
A doutrina e a jurisprudência dos Tribunais – inclusive a desta Suprema Corte – acentuam que, no 
delito continuado específico (cometido, dolosamente, com violência à pessoa), previsto no art. 71, 
parágrafo único, do Código Penal, a exasperação da pena varia de um sexto (limite mínimo) até o 
triplo (limite máximo), calculada, quando desiguais as sanções cabíveis, sobre a pena cominada para 
o delito sujeito à punição mais grave. (HC 70.593/SP, rel. Min. Celso de Mello, 1.ª Turma, j. 05.10.1993, 
noticiado no Informativo 448) 
Então, qual é o percentual 
mínimo? 
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	CRIME CONTINUADO - MODALIDADES.pdf