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ECA

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público, as instituições e os empregadores propiciarão condições 
adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a 
medida privativa de liberdade. Ainda, os serviços de unidades de terapia 
intensiva neonatal deverão dispor de banco de leite humano ou unidade de 
coleta de leite humano (Art. 9º, §2º, ECA). 
 O art. 7º-A do Estatuto da Advocacia, Lei n. 8.906/94 e o art. 313 do CPC, 
passou a garantir a advogada gestante, lactante ou adotante os seguintes 
direitos: 
 
Art. 7o-A. São direitos da advogada: 
I - gestante: 
 
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a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e 
aparelhos de raios X. 
b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais; 
II - lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche, onde houver, 
ou a local adequado ao atendimento das necessidades do bebê; 
III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem 
das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada 
dia, mediante comprovação de sua condição; 
IV -adotante ou que der à luz, suspensão de prazos processuais 
quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por 
escrito ao cliente. 
§ 1o Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se 
enquanto perdurar, respectivamente, o estado gravídico ou o período 
de amamentação. 
 
 Além do Estatuto da Advocacia, no Código de Processo Civil prevê no art. 
313, inciso IX e X, que o processo fica suspenso durante o período do parto ou 
pela concessão de adoção, se a advogada constituir única patrona da causa. 
Mesma regra aplica-se aos advogados que se tornam pais. 
 Outras ampliações às garantias de direitos fundamentais como a saúde, 
trazidas pela Lei da 1ª Infância, cabe destacar os §§1º e 2º, do artigo 11, o qual 
reforça a garantia de atendimento sem discriminação ou segregação de crianças 
e adolescentes com deficiência e o dever de oferecer gratuitamente: 
medicamentos, órteses, próteses e outras tecnologias assistivas relativas ao 
tratamento, habilitação ou reabilitação para crianças e adolescentes. Nesse 
sentido, a obrigação de promover assistência médica, odontológica e vacinação, 
de acordo com o artigo 14, §§2º e 3º, ECA. 
 Ainda quanto ao direito à vida e a saúde, importante observar e 
compreender a redação do artigo 13, §2º, ECA, também uma inovação trazida 
pela lei da 1ª Infância, na qual reflete o princípio da prioridade absoluta, dando 
ênfase às crianças da primeira infância (até os 6 anos de idade), quando forem 
vítimas de qualquer tipo de violência, deverão ser atendidas pelos órgãos da 
rede de garantias de direitos, de forma prioritária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO FUNDAMENTAL: À LIBERDADE, AO RESPEITO E À 
DIGNIDADE (Art. 15 a 18-B): 
 
O capítulo II do Estatuto da Criança e do Adolescente, traz em sua 
redação que as crianças e os adolescentes têm direito à liberdade, ao respeito 
e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como 
sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição Federal 
e nas leis esparsas, assim como, nos tratados internacionais. 
 O direito à liberdade, de acordo com o artigo 16, ECA, corresponde: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Os artigos 18-A e 18-B, do ECA, foram introduzidos pela Lei n. 
13.010/2014, inovação legislativa para estabelecer o direito da criança e do 
adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de 
tratamento cruel ou degradante. Nos casos de suspeita ou confirmação de 
castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança 
ou adolescente, serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar (art. 
13, caput, ECA), que deverá tomar as providencias necessárias, sob pena de 
sanções, caso não faça a notificação (art. 245, ECA). 
 Em suma, os artigos tratam do direito de ser educado sem o uso de 
castigo físico e tratamento cruel ou degradante, como formas de correção. 
Especificando, ainda, qual o entendimento sobre cada um deles: 
 
a) CASTIGO FÍSICO: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com 
o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em: 
 sofrimento físico. 
 lesão. 
 
b) TRATAMENTO CRUEL OU DEGRADANTE: conduta ou forma cruel de 
tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: 
 humilhe. 
 ameace gravemente. 
 ridicularize. 
 
Além disso, é dever dos pais, integrantes da família ampliada, 
responsáveis, agentes públicos ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de 
crianças e adolescentes, de trata-los, educa-los ou protege-los de castigo físico 
ou tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, disciplina, estando 
sujeitos às sanções pelo Conselho Tutelar, como (art. 18-B): 
a) encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família. 
b) encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico. 
c) encaminhamento a cursos ou programas de orientação. 
d) obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado. 
e) advertência. 
 
 
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DIREITO FUNDAMENTAL: À EDUCAÇÃO, CULTURA, AO 
ESPORTE E AO LAZER (Arts. 53 a 59) 
 
A criança e o adolescente têm direito à educação, visando o pleno 
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e 
qualificação para o trabalho. O artigo 53, inciso V, do ECA assegura o acesso 
à escola pública e gratuita próxima de sua residência, e o artigo 54, do ECA, 
elenca rol de deveres do Estado, dentre os quais: 
a) de ensino fundamental, obrigatório e gratuito (para qualquer idade e 
como oferecimento de material didático-escolar, transporte, 
alimentação e assistência à saúde). 
b) ensino médio. 
c) ensino educacional especializado aos portadores de deficiência. 
d) atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a cinco anos. 
e) oferta de ensino noturno. 
f) de acesso ao ensino mais elevado, da pesquisa e criação artística. 
 
Os pais ou responsáveis são obrigados a matricular seus filhos ou pupilos 
no ensino regular. Os pais podem contestar critérios avaliativos, organizar e 
participar de entidades estudantis, de forma democratizada. 
Aos educadores e dirigentes de estabelecimento de ensino, cabe o dever 
de comunicar maus-tratos, reiteração de faltas injustificadas, evasão escolar, 
elevados níveis de repetência, segundo o artigo 56, do ECA. 
Além disso, conforme Art. 58, no processo educacional respeitar-se-ão os 
valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e 
do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às 
fontes de cultura. E os municípios, com apoio dos estados e da União, 
estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações 
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culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude, conforme 
artigo 59, do ECA. 
De acordo com a jurisprudência, é possível solicitar reparação moral, se 
evidenciar elementos constitutivos da responsabilidade civil do Estado em 
decorrência da negligência de servidores, quando não tomam providências 
necessárias para impedir a prática de bullying dentro da escola (Lei 
13.185/2015). 
 
DIREITO FUNDAMENTAL: À PROFISSIONALIZAÇÃO E À 
PROTEÇÃO AO TRABALHO (Art. 60 a 69): 
 
 O direito à profissionalização e ao trabalho protegido estão assegurados 
somente para os adolescentes. Isto porque, o trabalho infantil é proibido, 
mas o trabalho do adolescente é permitido, desde que atenda