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Farmacologia- Antidepressivos

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Farmacologia – Tratamento medicamentoso 
1 Ana Luiza Azevedo de Paula Farmacologia 
 FARMACOLOGIA 
CASO 03- ANTIDEPRESSIVOS 
AUTOESTIMA X DEPRESSÃO 
Autoestima e depressão possuem um vínculo 
significativo. 
Entendemos a autoestima como um conjunto de 
sentimentos que geram o autoconceito. Dessa 
forma, enquanto o autoconceito abrange 
basicamente todo esse conjunto de ideias e 
crenças que definem a imagem mental de quem 
somos, a autoestima é, acima de tudo, um 
componente emocional básico para o bem-estar 
humano. 
Uma baixa autoestima nos faz sentir mal com 
nós mesmos, gera desconexão, desânimo e uma 
grande vulnerabilidade no desenvolvimento de 
diversos transtornos psicológicos. 
As depressões geralmente têm uma origem 
bastante difusa e multifatorial, sem esquecer os 
fatores endógenos que nem sempre 
conseguimos controlar. No entanto, ninguém 
pode ignorar que toda mente revestida pela 
baixa autoestima resulta em uma baixa 
efetividade para enfrentar e gerenciar os 
problemas mais simples. Além disso, a pessoa 
com baixa autoestima observa o mundo através 
de lentes muito escuras. 
A grande diferença entre a depressão e baixa 
autoestima está neste fato inegável. A depressão 
já é considerada pela Organização Mundial da 
Saúde (OMS), como a doença do século, assim 
como a ansiedade. 
Ela é um distúrbio que afeta não apenas a saúde 
e o funcionamento mental: ela causa 
complicações físicas graves, que interferem 
diretamente e muitas vezes fazem que o 
paciente não consiga seguir sua vida, impedindo 
ele de trabalhar, estudar e se relacionar, por 
exemplo. 
Diferente da baixa autoestima, a depressão 
precisa ser cuidada com diversos tipos de 
tratamento, que vai desde o medicamentoso 
para tratar os sintomas físicos e controlar a 
química cerebral até a realização de terapia para 
trabalhar as causas. 
Apesar de suas diferenças, a depressão e baixa 
autoestima estão correlacionadas, e a falta de 
autoestima pode sim agravar um quadro 
depressivo. 
A autoestima é um mecanismo de enfrentamento 
psicológico, que nos ajuda a construir e 
fortalecer a base para nos aceitarmos e lidarmos 
com diferentes situações. 
Se já existe uma pré-disposição, ou se está em 
um início de quadro depressivo, a baixa 
autoestima pode levar a mais pensamentos 
negativos e autocríticas que podem piorar os 
sintomas da doença. 
TRÍADE COGNITIVA DE BECK 
Aaron Temkin Beck é um 
psiquiatra norte-americano e 
professor emérito do 
departamento de psiquiatria 
na Universidade da 
Pensilvânia. Beck é conhecido 
como pai da Terapia Cognitiva 
e inventor das vastamente 
utilizadas Escalas de Beck, 
incluindo a Escala de 
Depressão de Beck e Escala de Ansiedade de 
Beck. 
 A teoria cognitiva da depressão deriva da vasta 
experiência clínica de Beck com pacientes 
depressivos. Ele notou que esses indivíduos 
tendiam a ter uma visão negativa dos eventos e 
uma elevada autocrítica. A visão negativa 
disfuncional é o que caracteriza os transtornos 
depressivos. 
Ana Luiza Azevedo de Paula Medicina 
2 Farmacologia – Antidepressivos 
 
A tríade cognitiva é composta por três padrões 
cognitivos na forma como o indivíduo vê a si 
mesmo, o mundo e o futuro. 
A tríade cognitiva da depressão envolve 
pensamentos negativos automáticos, 
espontâneos e aparentemente incontroláveis 
sobre o eu, o mundo (ou meio ambiente) e o 
futuro. 
• O modelo da vulnerabilidade 
De acordo com o modelo da vulnerabilidade, 
existem pessoas com um perfil de personalidade 
caracterizado por uma baixa autoestima. 
Segundo esse ponto de vista, esse padrão 
psicológico processará os acontecimentos da 
vida de maneira negativa. Da mesma forma, 
também faltará uma habilidade tão básica quanto 
a resiliência. 
Autoestima e depressão estão relacionadas no 
modelo da vulnerabilidade para indicar aquelas 
pessoas sem resiliência e com baixa solvência 
emocional. 
O modelo da vulnerabilidade é, portanto, aquele 
que todos devemos ter em mente. De alguma 
forma, também se encaixa no modelo da tríade 
cognitiva de Beck sobre as pessoas com maior 
risco de depressão. 
• O modelo da cicatriz 
O modelo da cicatriz tem a visão oposta do 
modelo da vunerabilidade. Algo que também 
pode ser visto no estudo longitudinal é que a 
própria depressão frequentemente pode moldar 
a baixa autoestima. Toda essa gama de 
sentimentos desesperados, negativos e 
desgastantes que orbitam na mente depressiva 
são aqueles que minam diretamente a 
autoestima. 
 
NEUROTRANSMISSORES ENVOLVIDOS 
NA DEPRESSÃO 
Os neurotransmissores representam os 
mensageiros do cérebro. Eles são substâncias 
químicas que permitem que os neurônios 
passem sinais entre si e para outras células do 
corpo, o que os torna importantíssimos em 
nossas funções vitais. Há muitas funções e 
muitos neurotransmissores, mas um deles 
merece destaque: a serotonina. 
A serotonina é um 
neurotransmissor produzido 
no tronco encefálico, no 
núcleo da rafe, e 
desempenha papel em 
muitas partes do organismo. 
A depressão não significa, exatamente, a falta de 
serotonina em nosso organismo. 
Os principais neurotransmissores envolvidos na 
depressão são a serotonina e a noradrenalina. 
Quando há um desequilíbrio na produção delas, 
a doença se instala. 
O que acontece em casos de depressão, 
ansiedade e outros distúrbios afetivos, é que a 
transmissão de serotonina não está tão efetiva 
quanto deveria. 
Os antidepressivos podem ser classificados de 
acordo com a estrutura química ou as 
propriedades farmacológicas. A estrutura cíclica 
(anéis benzênicos) caracteriza os 
antidepressivos heterocíclicos (tricíclicos e 
tetracíclicos). Os ADTs se dividem em dois 
grandes grupos: as aminas terciárias 
(imipramina, amitriptilina, trimipramina e 
doxepina) e as aminas secundárias 
(desmetilimipramina, nortriptilina e protriptilina). 
Maprotilina e amoxapina são antidepressivos 
tetracíclicos. 
Ana Luiza Azevedo de Paula Medicina 
3 Farmacologia – Antidepressivos 
 
Os antidepressivos com estruturas químicas 
diferentes possuem em comum a capacidade de 
aumentar agudamente a disponibilidade 
sináptica de um ou mais neurotransmissores, 
através da ação em diversos receptores e 
enzimas específicos. 
Apesar de essencial, este efeito não explica a 
demora para se obter resposta clínica (de 2 a 4 
semanas em média), sugerindo que a resolução 
dos sintomas da depressão requeira mudanças 
adaptativas na neurotransmissão. 
A principal teoria aceita para explicar tal demora 
é a da subsensibilização dos receptores pós-
sinápticos. O aumento dos níveis de 
neurotransmissores por inibição da MAO ou 
bloqueio das bombas de recaptura de 
monoaminas resulta nesta subsensibilização, 
cuja resolução se correlaciona com o início da 
melhora clínica. 
Acredita-se também que o efeito antidepressivo 
se dê devido um aumento da disponiilidade de 
neurotransmissores no SNC, notadamente da 
serotonina (5-HT), da noradrenalina ou 
norepinefrima (NE) e da dopamina (DA). Ao 
bloquearem receptores 5HT, os antidepressivos 
também funcionam como antienxaqueca. 
 
 
ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS E 
I(S)RS 
INIBIDORES DA DEGRADAÇÃO DE 
SEROTONINA 
A atividade da enzima monoaminoxidase (MAO) 
está inibida. Os subtipos da MAO, A e B, estão 
envolvidos no metabolismo de serotonina, 
noradrenalina e dopamina. Isocarboxazida, 
fenelzina e tranilcipromina são IMAOs não 
seletivos que se ligam de forma irreversível às 
MAOs A e B. 
A redução na atividade da MAO resulta em 
aumento na concentração desses 
neurotransmissores nos locais de 
armazenamento no sistema nervoso central 
(SNC) e no sistema nervoso simpático. 
O incremento na disponibilidade de um ou mais 
neurotransmissores tem sido relacionado à ação 
antidepressiva dos IMAOs. A inibição não 
seletiva dos IMAOs fenelzina,