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Inflamaçao e Hipertensão - Imunologia

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Imunologia – Inflamação e Hipertensão 
1 Ana Luiza Azevedo de Paula Imunologia 
 IMUNOLOGIA 
CASO 05 – SISTEMA IMUNE E 
HIPERTENSÃO 
 
A inflamação é definida como uma reação dos 
tecidos vascularizados a um agente agressor 
caracterizada morfologicamente pela saída de 
líquidos e de células do sangue para o interstício, 
sendo a resposta inflamatória uma das 
principais tipos de reação da imunidade inata, 
além dos mecanismos imunes antivirais. 
 
Os Agentes inflamatórios promovem a síntese de 
moléculas sinalizadoras que induzem os 
mediadores inflamatórios, resultando em saída 
de plasma e leucócitos dos vasos e em estímulos 
para reparar os danos produzidos pelas 
agressões. 
 
 
É dividida em aguda e crônica.A aguda é a 
resposta inicial alesão celular e tecidual, 
predominando fenômenos de aumento de 
permeabilidade vascular e migração de 
leucócitos, particularmente neutrófilos. 
Localmente caracteriza-se pelos sinais cardinais 
da inflamação e o exemplo mais claro é o 
abscesso. 
 
Se a reação for intensa, pode haver 
envolvimento regional dos linfonodos e resposta 
sistêmica na forma de neutrofilia e febre, 
caracterizando a reação da fase aguda da 
inflamação. 
Neutrofilia - é a condição na qual uma pessoa 
possui no sangue um número aumentado de 
granulócitos neutrófilos. 
 
Todas estas respostas são mediadas por 
substâncias oriundas do plasma, das células do 
conjuntivo, do endotélio, dos leucócitos e 
plaquetas, que regulam a inflamação e são 
chamados de mediadores químicos da 
inflamação. 
 
A inflamação aguda tem como objetivo principal 
a eliminação do agente agressor, ocorrendo 
frequentemente destruição tecidual. Os 
fenômenos agudos, como o próprio nome diz, 
são transitórios, havendo posteriormente a 
regeneração ou cicatrização da área envolvida, 
ou cronicidade do processo se o agente agressor 
não for eliminado. 
COMPONENTES DO PROCESSO 
INFLAMATÓRIO 
Embora os processos de resposta inflamatória 
dependam da natureza precisa do estímulo 
inicial e de sua localização no corpo, todos 
compartilham um mecanismo comum, que pode 
ser resumido da seguinte forma: 
 
▪ Receptores de Padrões Moleculares (PRRs) 
 
São moléculas fundamentais para respostas 
imunes inatas ao reconhecerem danos celulares 
e patógenos, e que são expressos na superfície 
celular, em vesículas (endossomos) e no 
citoplasma. 
Ana Luiza Azevedo de Paula Medicina 
2 Imunologia – Inflamação e Hipertensão 
Eles podem ser: 
• Transmembrânico: alocados na membrana 
celular. 
Ex.: TLRs (Toll –Like Receptors); 
 
• Citoplasmáticos: alocados no citosol. 
Ex.: NLRs (NOD – Like Receptors) e RLRs (RIG-
Like Receptors). 
 
 
PRRS E APOPTOSE 
 
A Apoptose ou Morte Celular Programada é um 
tipo de "autodestruição celular" que requer 
energia e síntese protéica para a sua execução. 
Está relacionado com a homeostase na 
regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, 
exercendo um papel oposto ao da mitose. 
A ativação das proteases endógenas 
compromete a integridade do citoesqueleto, 
provocando verdadeiro colapso da estrutura 
celular. Em resposta à contração do volume 
citoplasmático, a membrana celular forma bolhas 
e se altera o posicionamento de seus lipídios 
constituintes. 
 
A necrose difere da apoptose por representar um 
fenômeno degenerativo irreversível, causado por 
um agressão intensa. Trata-se pois da 
degradação progressiva das estruturas celulares 
sempre que existam agressões ambientais 
severas. 
 
Diferentes insultos patológicos como isquemia, 
hipoxia, hipertermia, irradiação e metabólitos 
tóxicos podem levar à perda abrupta da 
integridade da membrana plasmática (citólise) e 
à alteração de seus gradientes eletroquímicos. 
Ademais, a liberação dos constituintes 
intracelulares para o meio extracelular estimulam 
a resposta inflamatória e ampliam a lesão 
tecidual. 
 
 
CLASSES DE FAMÍLIAS DE PRRS 
INCLUEM: 
 
• Receptores Toll (TLRs) 
 
Os receptores Toll-Like são moléculas de 
superfície, presentes nas células de defesa do 
hospedeiro, responsáveis pelo reconhecimento 
de estruturas microbianas e na geração de 
sinais, que levam à produção de citocinas 
proinflamatórias essenciais para a ativação das 
respostas imunes inatas. 
 
Embora os receptores Toll-Like desempenhem 
um papel primordial na defesa do hospedeiro 
contra os processos infecciosos e inflamatórios, 
deve haver um equilíbrio entre a ativação e 
inativação destes receptores para evitar uma 
resposta inflamatória ou imunológica excessiva, 
como ocorre nas doenças crônicas inflamatórias 
e autoimunes sistêmicas, como o lúpus 
eritematoso sistêmico e a artrite reumatóide. 
 
O fator de diferenciação mieloide 88 (MyD88) e 
o fator de macrófago associado ao tumor (TAM) 
medeiam a transmissão de sinais, após 
reconhecimento de PAMPs e DAMPs por 
receptores TLRs. 
TLRs ativam cascatas de sinalização 
intracelulares que levam à translocação nuclear 
de AP-1 e NF-κB ou IRF3, que regula a resposta 
inflamatória. 
 
• Ativam fagócitos. 
• Induzem a liberação de citocinas e 
quimiocinas. 
• Reconhecem padrões moleculares, 
geralmente, por interação direta com as 
moléculas de superfície. 
 
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3 Imunologia – Inflamação e Hipertensão 
Ex. TLR4 macrofágico + CD14 = reconhecimento 
de LPS→ via NFkB→produção sistêmica de 
TNF-α. 
 
Os receptores Toll-Like 1, 2, 4, 5, 6 estão 
presentes na membrana plasmática, de modo 
que eles contêm domínios intracelular, devido à 
presença de proteínas do tipo TIR (MyD88, 
TIRAP, TRIF e TRAM) e extracelular (repetições 
ricas em leucina - LRR), enquanto que os 
receptores Toll-Like 3, 7, 8, 9 e 10 estão 
localizados intracelularmente, ou seja, nos 
endossomos e não possuem domínio 
extracelular. 
O domínio TIR é 
requerido para 
iniciar a geração 
dos sinais 
intracelulares, visto 
que a proteína 
MyD88 está 
presente em todos 
os receptores, 
exceto no TLR3. 
Cada receptor Toll-Like tem sua própria via de 
sinalização intrínseca e induz respostas 
biológicas específicas contra micro-organismos. 
Quando algum PAMP é reconhecido por algum 
receptor Toll-Like específico, a proteína MyD88 
recruta as cinases associadas ao receptor da 
interleucina-1(IRAK-1 e IRAK-4) para ativar o 
fator associado ao receptor do fator de necrose 
tumoral (TRAF6). Este ativa o fator de 
crescimento β associado à cinase 1 (TAK1), que, 
por sua vez, promove a ativação do complexo 
IKK formado por duas subunidades catalíticas 
(IKKα e IKKβ) e por uma subunidade regulatória 
(NEMO/ IKKγ). Este complexo promove a 
fosforilação do IκB e a sua degradação resulta 
no fator de transcrição nuclear (NF-κB), que será 
translocado ao núcleo para induzir a expressão 
das citocinas inflamatórias e das moléculas de 
adesão. 
As citocinas liberadas em resposta à ativação 
dos receptores Toll-Like pelos micro-
organismos, como exemplo a IL-1 produzida 
pelos macrófagos e células epiteliais, promovem 
o recrutamento de leucócitos e outros 
macrófagos para o local da infecção. A IL-2 
liberada pelos linfócitos Th1 promove a ativação 
dos linfócitos B e a proliferação de células T. As 
IL-4 e IL-5 produzidas pelos linfócitos Th2 
induzem a produção da IgE (permite a 
degranulação de mastócitos e basófilos, com a 
liberação de histamina, fatores quimiotáticos 
para eosinófilos e neutrófilos, além de induzir 
reações de hipersensibilidade imediata). A IgA 
(permite a opsonização de parasitas facilitando a 
fagocitose pelo macrófago e ativação do 
complemento) respectivamente pelos linfócitos 
B. A IL-12 produzida por macrófagos e células 
dendríticas, promove a diferenciação dos 
linfócitos T em Th1 e a ativação das células NK, 
ambas responsáveis em secretar o interferon-γ 
(IFN-γ), que atua na ativação de macrófagos e 
dos linfócitos TCD8+. 
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