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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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Orçamentária 
A Constituição Orçamentária carece de cornplementação legislati-
va para que possa se concretizar. Cabe à lei complementar, de acordo 
com o art. 165, § 92, (I) dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os 
prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretri-
zes orçamentárias e da lei orçamentária anual e (II) estabelecer normas 
de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta, 
bem. corno condições para a instituição e funcionamento de fundos. 
É tendência universal a complementação da normas constitucio-
nais orçamentárias por leis de caráter geral ou leis orgânicas, embora 
sem grau hierárquico superior. A Alemanha tem a sua Lei do Orça-
mento Federal (Bundeshaushaltsordnung — 
BHO), de 1969, rnodifi- 
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cominação de penalidades para as a-
dispositivos; as hipóteses de =lusa 
tos tributários, ou de dispensa ou e 
CTN). 
Fenômeno interessante que vem 
deslegalização, ou seja, a permissão 
Executivo, obedecidos os parâmetró 
formal, expeça normas sobre a base! 
guns impostos, especialmente dacpà 
diante de dificuldades conjunturais 
ca. A CF (art. 153, § P2) permite 
condições e os limites estabelecido 
impostos sobre a importação, a exp 
dos (IPI) e as operações de :crédit 
títulos ou valores mobiliários: (JOE). 
Quanto ao orçarnento, só a lei f 
lo. O art. 167 da CF traz a enume 
prévia autorização legiSlativa,; como 
mentar ou especial; a transpdsição, 
cia de recursos de umá categoria de 
órgão para outro; a utilização de re 
seguridade social para suprir necessi 
sas, fundações e fundos; a indtituiçã 
12. LEI DELEGADA 
As leis delegadas, que são as ela 
blica por delegação do Congresso N 
portante do direito financeiro, pois! 
reservada à lei complementar nem s 
zes orçamentárias e orçamentos (art: 
petência tributária é indelegável (ari 
13.MEDIDA PROVISÓRIA 
A medida provisória veio subst 
constitucional, tendo em vista que a 
tárias, caíra sob crítica violenta da 
omissões c,ontrárias a seus: 
casão e eyatinção de crécli- 
o de penalidades (art. 97 du 
rrendo aqui e alhures é o clà 
gislador para que o próprio 
s limites desenhados na lei 
c-ulo ou as alíquotas de al-
que exigem medidas ágeis 
tureza política ou econômi-
der Executivo, atendidas as 
ei, alterar as aliquotas dos 
o, os produtos industrialiZa-
bio e seguro, ou relativa a 
pode aprová-lo ou modificá-
dos diversos atos sujeitos à 
a abertura de crédito suple-
ejamento ou a transferên- 
ção para outra ou de um 
s dos orçamentos fiscal e da 
s ou cabril' déficit de empre-
dos de qualquer natureza 
as pelo Presidente da Repti-
al, não constituem fonte irn-
podem versar sobre matéria 
s planos plurianuais, diretri-
CF). Demais disso, a com-
o CTN). 
o decreto-lei na nova ordem 
por suas conotações autori-
biela Constituinte. Mas a 
cada em 1971 e 1980, a Espanha possui a Ley General Fresupuestaria, e a França, a Loi Organique relative Aux. Lois de Finances. 
Outra tendência que se firrna é a da edição, nas Federações, de leis 
gerais que disciplinem a atividade orçamentária dos Estados-membros, 
com vista à criação de urn sistema de coordenação e de equilíbrio entre 
as finanças dos entes públicos. A lei complementar a que se refere o art. 
165, § 92, será obrigatória para Estados e Municípios. 
A lei complementar orçamentária não chega a constituir novidade, 
pois já existia no regime anterior, embutida na ideia de normas gerais de 
direito financeiro, que se consubstanciavam na Lei n2 4,320, de 17.3.64, 
até hoje vigente. A edição de normas orçamentárias por lei complemen-
tar, corno determina a CF, tem a vantagem de tomá-las irrevogáveis por 
lei ordinária, o que não acontece no direito estrangeiro. 
10.3. Lei ContPlementar Financeira 
- 
A CR'coriliece ainda a lei complementar financeira, que tem por 
objetivo estabelecer normas gerais de finanças públicas, entendidas no 
sentido qi3e excede as questões orçamentárias e tributárias, com-
preendendo, segundo o art. 163: dívida pública externa e interna, in-
cluída a das autarquias, fundações e demais entidades controladas 
pelo Poder Público; concessão de garantias pelas entidades públicas; 
emissão e resgate de títulos da dívida pública; fiscalização financeira 
da administração pública direta e indireta; operações de câmbio reali-
zadas por órgãos e entidades. da União, dos Estados, do Distrito Fede-
ral e dos Municípios; Compatibilização das funções das instituições 
oficiais de crédito da União, resguardadas as características e condi-
ções operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional. 
A lei complementar relativa às finanças públicas não se confunde 
com as leis complementares que regulam o sistema financeiro nacio-
nal, que congrega as instituições privadas sob o controle do Banco 
Central (art. 192 CF, na redação da EC 40/03). 
11. LEI ORDINÁRIA 
A lei ordinária é a fonte por excelência para a criação de tributos. No taxation without representation. 0 direito tributário fica inteira-
mente sujeito ao discurso do legislador. Só a lei formal pode estabele-
cer a instituição de tributos; a definição do fato gerador da obrigação, 
principal; a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo; a 
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medida provisória, emb.ora um pouco menos contundente que o de-
creto-lei, ainda é instrumento autoritário, quando utilizado no regirne 
presidencialista. Diante dos abusos cometidos nos últimos anos, com 
o aumento exagerado do número de medidas provisórias e com as 
sucessivas reedições, resolveu o Congresso Nacional promulgar a 
Emenda Constitucional ri2 32, de 11.9.2001, que introduziu diversas 
providências para democratizar o anômalo instrurnento legislativo. 
Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República po-
derá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-
las de irnediato ao Congresso Nacional. E vedada a edição de medidas 
provisórias sobre as seguintes matérias de cunho financeiro: planos 
plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais 
e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3'2, CF, isto é, os 
créditos extraordinárioSvara atender as despesas imprevisíveis e ur-
gentes, comeras decorrektes de guerra, comoção interna ou calamida-
de pública/hipótese érn gine a medida será adotada de acordo com o 
art. 62 clatr; detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou 
qualquer outro ativo financeiro; reservada a lei complementar, o que 
vem encetrar a polêmica sobre a poásibilidade de a medida 'provisória 
alterar a lei complementar se fosse aprovada com o quorurn próprio 
daquela; já disciplinada em projeto aprovado pelo Congresso Nacional 
e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. Medida 
provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto 
os previstos nas arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, da CF só produzirá 
efeitos no exercício financsiro seguinte se houver sido convertida em 
lei até o último dia daquele em que foi editada. No regime de 67/69 
discutiu-se muito sobre a possibilidade de o decreto-lei criar tributo, 
matéria decidida afirmativamente pelo Supremo Tribunal Federal, 
diante da autorização constitucional para que o Presidente da Repúbli-
ca o utilizasse para disciplinar as finanças públicas. 
As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 do 
art. 62 da CF, perderão eficácia, desde a edição, se não forem conver-
tidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual 
período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legis- 
lativo, as relações jurídicas delas decorrentes. 
Embora a necessidade de relevância e urgência seja um conceito 
indeterminado, pode se subordinar à tutela jurisdicional sempre que 
for flagrante a inexistência daqueles requisitos, como acontece, por 
exemplo, com os tributos