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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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e lei, posto que inexiste uma reserva regulamentar 
a coincidir magicamente com a reserva da lei ordinária. O art. 99 do 
CTN diz que "o conteúdo e o alcance dos decretos restringern-se aos 
das leis em função das quais sejam. expedidos", mas ressalva- "deter-
minados com observância das regras de interpretação estabelecidas 
nesta lei". Quer dizer: transforrnarse em problema de interpretação 
estabelecer o exato limite do exercício do poder regulamentar. Os 
regulamentos tipificadores, que vêm preencher os tipos abertos in- 
cluídos na lei tributária, começam a aparecer no direito brasileiro, 
como aconteceu com os Decretos ri2s 356, de 1991, 612, de 1992, e 
2.173, de 1997, que regulamentavam as leis instituidoras da contri- 
buição ao seguro de acidentes do trabalho (SAT) e que receberam o 
beneplácito do STF (RE 343.446-SC, Ac. do Pleno, de 20.03.03, Rel. 
Min. Carlos Venoso, RDDT 93-167, 2003), embora sob o rótulo de 
"regulamento delegado nitra legem, 
condizente com a orgem jurídico- 
constitucional". Em face do fenômeno da deslegalização ou do afrouxamento do 
princípio da legalidade (vide p. 106), passou à competência regula-
mentar, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, a 
faculdade de alterar as alíquotas dos impostos de importação e expor- 
tação, IPI e IOF (art. 153, § 19, da CF). 
As normas reg,ulamentares vinculam as autoridades a,dministrati- 
vas, inclusive aquelas que as expedem. Quando se tratar de Direito 
Tributário, a sua obsen-ância pelo contribuinte exclui a imposição de 
penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor mo- 
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lei 406/68, que tinha a natureza de lei ,complementar. Pareceu-nos 
legitimo o procedimento- dos Estados, assim porque exerciam a com-
petência plena, se inexistia lei federal sobre normas gerais (art. 24, § 
32, da CF), como porque era problema de interpretação saber se e 
quais foram as normas do DL 406/68 recepcionadas pelo sistema do 
novo imposto. Quando, porém, a norma do Convênio ICMS 66/88 
vinha a conflitar com expressa disposição do DL 406/68, prevalecia a 
regra da lei complementar federal (Cf. RE 149922-2, Ac. do Pleno do 
STF, DJU 29.4.94). A questão hoje perdeu em parte o interesse, pela 
superveniência da Lei Complementar 87/97. 
18. ORÇAMENTOS 
Os orçarn" entos constituem fonte importantíssima do Direito Fi-
nanceiro, pois estabelecern o planejamento da vida financeira, a previ-
são das 14ceitas e a autorização das despesas. 
A regidamentação dos orçamentos na CF 88 é e3rtremamente 
compleaià, mas bem ajustada às necessidades atuais do Estado: Cons-
tituem fontes do Direito Financeiro: a) a lei que instituir o.plano plu-
rianual (art. 165, § 19; b) a lei de diretriieS orçam.. entárias (art. 165, § 
29; c) a lei orçamentária anual, compreendendo o orçamento fiscal 
referente aos poderes da União, o orçamento de investimento das em-
presas estatais e o orçamento da seguridade si:ciai (art. 165, § 52). 
A questão mais intrineada na problemática do orçamento como 
fonte do Direito Financeiro é a de saber se tern ele natureza material-
mente legislativa ou se apenas é lei do ponto de vista formal. A doutri-
na majoritária, como veremos no capítulo dedicado ao assunto (p. 
176), conclui no sentido de que é lei apenas no sentido formal, posto 
que tem a natureza de ato-condição" que, aprovado pelo Legislativo, 
circunscreve-se a autorizar a realização de despesa e a prever o mon-
tante da receita, sern criar direitos subjetivos para terceiros. 
IV— O PROCESSO ADMINISTRATIVO 
19. REGULAMENTO 
O regulamento é o conjunto de normas baixadas pelo Poder Exe-
cutivo para a complementação da lei. 
netário da base de cálculo, se vierem a ser posteriormente modificadas 
eu revogadas, ainda que por c:onflitarem com a lei; tal solução- sernpre 
foi muito discutida na doutrina, pois envolvia certo enfraquecimen- 
to do principio da legalidade tributária, rnas preValeceu na redação 
do CTN (art. 100, parágrafo único). 
20. DECRETO 
Decreto é o ato no 	 ativo baixado pelo Chefe do Poder Executivo: 
Presidente da República, Governador do Estado e Prefeito Municipal. 
Os regulamentos dos principais impostos (RIR, RIPI, R1CMS, 
RISS) são aprovados por decreto. 
E imenso o campo.tie aplicação dos decretos em matéria financei-
ra, estenderra-se da interpretação de dispositivos da legislação tribu-
tária até a/abertura de. créditos suplementares ou especiais, desde que - 
precedida de- prévia autorização legislativa. 
21. RESOLUÇÕES E OUTROS ATOS-NORMA- TIVOS 
Há inúmeros outros atos normativos das autoridades administra- 
tivas que constituem fonte secundária ou complementar do Direito 
Financeiro. 
As resoluções do Ministro da Economia ou dos Secretários de 
Fazenda nos Estados são instrumentos para o exercício do poder regu-
lamentar, cabendo-lhes estabelecer norrnas no âmbito da autorização 
ou do.espaço aberto pela lei e pelo decreto. 
Descendo na escala hierárquica encontram-se ainda as portarias, 
as instruções normativas, as ordens de serviço e diversos outros atos 
emanados de autoridades menos graduadas, todos subordinados à lei, 
ao decreto e à resolução. 
22. DECISÕES NORMATIVAS 
As decisões dos órgãos singulares ou coletivos, de jurisdição admi-
nistrativa, a que a lei atribua eficácia normativa, também constituem 
fonte secundária do Direito Financeiro (art. 100, II, do CTN). 
PARECER_ES NOR1vIATIVOS 
Os pareceres normativos, especia 
da Receita Federal, constituern igualm 
to Financeiro. 
Parecer norrnativo, a rigor, é uma c 
a sua característica é a de ser apenas o 
parecer norrnativo fixa a orientação d 
contribuinte que o adota contra as ult 
pretaçáo da matéria. 
te os exarados pelos órgãos 
'cinte secundária do Direi- 
cuiicno in terminis, eis que 
" -o. De qualquer foima, o 
enda Pública e protege o 
es modificações na inter- 
24. CONVÊNIOS 
Os convênios que entre si celebre 
to Federal e os Municípios são tambe 
leis, dos tratados e das convenções inte 
100, IV, do CTN). Têm por objetivo 6 
das rendas públicas e servem de inst 
comuns tributárias, principalmente no 
ções acessórias. 
Esses convênios, quando complem 
se confundem com os convênios intere 
do ICMS, que antes examinamos (vide 
nião, os Estados, o Distri-
nnas complementares das 
"onais e dos decretos (art. 
o mútuo na fiscalização 
o para a adoção de normas 
po das c_hamadas obriga- 
es das leis estaduais, não 
concessivos de isenção 
V — O PROCESSO JUDICIAL 
25. A JURISPRUDÊNCIA DOS TRIB 
A sentença judicial não é fonte 
produz efeitos inter partes. Kelsen ani 
ma, mas de norma individual, aplicável 
da pelo juiz. 
Nem mesmo a jurisprudência est 
corno conjunto das decisões proferidas' 
de julgamento, é fonte do Direito Fina 
grau inferior e não se integra à legisla 
sociológico, representado no Direito T+. 
los adeptos da consideração econômica 
Trotabas e Griziotti), é que defendial 
ireito Financeiro, pois só 
e a característica de nor-
arnente à questão aprecia- 
dos Tribunais, entendida 
s órgãos judiciais coletivos 
o. Não vincula os iuízes de 
-O positivismo de cunho 
rio pelos causalistas e pe-
ato gerador (Ermo Becker, 
jurisprudência fonte do 
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Direito Financeiro, exercendo o juiz função criadora, tudo o que era 
consequência de as normas jurídicas surgirem dos fatos. 
A Súmula da Jurisprudência Predominante do Supremo Tribunal 
Federal, embora repositório de grande utilidade para uniformizar a 
prestação jurisdicional e para guiar a atividade do juiz singular, tam-
bém não era fonte do Direito Financeiro Não vinculava os juízes e 
tribunais inferiores e nem mesmo o próprio Supremo Tribunal Fede-
ral. Era revogável, como já acontecera com diversos verbetes sobre 
matéria financeira: repetição de indébito (números 71 e 546); nature-
za da penálidade pecuniária (números