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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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dupla imposição sobre o comércio internacional. Significa, sob a inspi-
ração da ideia de justiça e do princípio maior da capacidade contribu-
tiva, que a tributação deve ser deixada para o país onde serão consu-
midos os bens. O princípio do país de destino opera através dos se-
guintes mecanismos: na vertente da exportação, pela isenção do im-
posto com a anulação de todas as incidências internas anteriores ou 
pela cobrança do tributo com a restituição das importâncias pagas em 
todas as etapas do processo de circulação; na vertente da importação, 
pela incidência. do imposto compensatório, capaz de igualar o preço da 
mercadoria estrangeira ao da nacional. 
14. PRINCÍPIO DO PAIS DE FONTE 
É típico da incidência internacional do imposto de renda. Prevale-
cia entre nós por beneficiar as economias importadoras de capital. 
Aponta para a tributação pelo pais onde se encontra a fonte do rendi- 
mento. 
Contrapõe-se ao principio do pais de residência ou domicilio da 
erapresa que aufere o rendimento, mais apropriado às econornias ex-
portadoras de capital. 
1 0 i 
100 
A tendência atual é no sentido do equilíbrio entre os dois pi inci-
pios. 
15. PRINCÍPIO DO NON OLET 
O princípio do non olet (--= não cheira) ingressou no direito tribu-
tário por influência de Vespasiano, que, defendendo-se da crítica for- 
mulada por seu filho Tito, insistiu na cobrança de imposto sobre os 
mictórios públicos, pois o dinheiro "não cheira". 
Significa, modernamente, que o tributo deve incidir também so-
bre as atividades ilícitas ou imorais. É princípio de justiça cobrar o 
imposto de quem tem capacidade contributiva, ainda que proveninen-
te do jogo, do lenocinid;,,bu de outra atividade proibida, sob pena de se 
tratar prefefencialmenteios. autores dos ilicitos frente aos trabalhado-
res e dentais contribuintes COM fontes honestas de rendimentos. O 
princípiO do non olet é admitido na legislação brasileira e defendido 
pela maior parte da doutrina, embora em alguns países haja :reserva 
sobre a sua legitimidade, por contrastar com os princípios 'do direito 
penal. 
III. PRINCÍPIOS 'VINCULADOS À EQUIDADE 
16. A EQUIDADE FINAIZ,CEIRA 
A equidade é princípio extremamente importante no direito fi-
nanceiro, Pode aparecer na interpretação, sendo forma de adoçar a 
aplicação das normas de natureza penal (p.: 160), na integração, ser- 
vindo para a criação do justc. concrefn'se houver lacuna (p. 160), e na 
correção, levando à superação da lei escrita que se torna iníquano caso 
emergente Cp. 165). 
Mas a equidade tem enorme importância também para a criação 
legislativa. Significa que na elaboração das nornias de direito financei-
ro deverá ser observada a maior discrirninação possível entre as situa-
ções individuais, a fim. de que os princípios abstratos de justiça (capa-
cidade contributiva, custo/benefício, redistribuição de rendas etc.) al-
cancem o máximo de concretude já na fase da promulgação da noinia 
geral. Não basta que a legislação financeira seja justa; é necessário que_ 
seja também equitativa, tributando ou beneficiando as pessoas de for- 
ma bem individualizada, a fim de a 
excepcionalidades. A equidade, com 
legislativa, é quase privativa dos dire 
ressonância no direito privado nem 
processo legislativo se consubstanciai 
peito do fato gerador, do sujeito pais 
cálculo, das isenções e dos subsídios, a 
rações casuísticas, ao fito de obter a 
regiões do País, os entes federados e a 
A equidade vertical está vincula 
em tratar desigualmente aos desiauai 
lam, para se alcançar a maior igualdael 
tical postula o casuístico discrime nal 
Do lado dos tributos chegou ao seu p 
tar Social, com o princípio da prog 
imposto de renda. 
De alguns anos para cá a equida 
ristas e financeiros começam a defe: 
toma necessário preservar a equidade 
tar iguaLmente os iguais, do que re 
deve se aproximar da proporcional, r 
sividade 
rtical perde o prestígio. Ju-
o ponto de vista de que se 
zontal, que consiste em tra-
gue a imposição equitativa 
do-se as faixas da progres- 
nder as singularidades. e as 
ncipio válido para a criação 
especiais, não encontrando 
reito penal. A equidade no 
puarnente nas regras a res-
, das alíquotas, da base de 
do pela técnica das enume-
igualdade possível entre as 
ações. 
stiça distributiva e consiste 
medida em que se desigua-
al possível. A equidade ver-
tação e nos gastos públicos. 
smo no Estado de Bem-Es-
dade, especialmente a do 
17. EQUIDADE ENTRE REGIÕE§ 
Compete ao orçamento à legis1 
ver a equidade entre as regiões do Par' 
no constitucionalismo hodierno. Ap4 
§ 72, que reza que os orçamentos fisd 
com o plano plurianualterão entre s; 
dades inter-regionais, segundó critér, 
za também em outros dispositivos da 
único, que se refere à lei complemen 
ração entre a União, os Estados, o Ei 
do em vista o equilíbrio do desenvol 
bito nacional; o art. 151, I, que excl 
cessão de incentivos fiscais destinad 
tributária garantir e promo-
princípio de suma relevância_ 
explicitamente no art. 165, 
as estatais, compatibilizados 
nções a de reduzir desigual-
pulacional. Mas se concreti-
88, como o art. 23, parágrafo 
ara fixar normas para coope-
o Federal e Municípios, ten-
nto e do bem-estar, em âm-
proibição de discrime a con-
promover o equilíbrio do de- 
102 
103 
senvolvimento sóciq-econômico entre as diferentes regiões do País; o 
art. 163, VII, que recomenda a compatibilização das funções das ins-
tituições oficiais de crédito da União, resguardadas as características e 
condições operacionais plenas voltadas ao desenvolvimento regional; o 
art. 170, itern VII, que coloca entre os princípios gerais da atividade 
econômica a redução das desigualdades regionais e sociais 
Os tributos, os estímulos fiscais, as participações sobre a arreca-
dação e os investirnentos das estatais, necessariamente incluídos no 
orçamento, devem corresponder ao princípio da equidade, assim en-
tre cidadãos que entre pessoas de direito público. Existe certo consen-
so em torno da necessidade de tratamento desigual conforme as dife-
renças existentes entre regiões, pelo que os benefícios maiores para as 
áreas pobres ficam pldh:amente justificados. 
18. EQUIDADE VERTICAL NO FEDERALISMO 
O problema da equidade entre União, Estados e Municípios se 
diversifica 'conforme se trate dereceita. ou^ de de" sPésa.. 
Do lado da receita a solução é de Direito Constitucional Tributá-
rio, pouco influindo o orçamento. As leis materiais dos tributos, baixa-
das de conformidade corn a discriminação constitucional de rendas, é 
que fazem a equitatiVã distribuição da riqueza nacional. A CF de 1988 
aquinhou melhor os Estados e Municípios no que concerne a impostos 
e participações na arrecadação, enfraquecendo a excessiva centraliza-
ção-oecirridà rio períôdo autoritário. 
De lado dos gastos públicos o problema é basicamente orçamentá-
rio, pois inexiste urna clara e minuciosa discriminação das despesas 
públicas. A CF declara da competência comum da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios a execução da inúrneros serviços, desde 
a saúde pública até a proteção do meio ambiente (art. 23). A discrimi-
nação constitucional de rendas não corresponde a discriminação de 
despesas, que possa levar à justa partilha de responsabilidade adminis-
trativa, a permitir o equilíbrio fiscal e financeiro. Porém a dificuldade 
não ocorre apenas no Brasil. Nos Estados Unidos e na Alemanha os 
financistas vêm denunciando a impossibilidade de se chegar ao equilí-
brio financeiro se inexiste a justa repartição de encargos. Na Suíça a 
possibilidade de -ama discriminação constitucional de despesas públi-
cas tomou-se tema polêmico por ocasião da revisão total da Constitui-
cão. Nos últimos anos já se nota no Brasil a te-ndência de se incluirem 
na Constituição normas sobre a divisão de responsabilidades financei-