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Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

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ras concernentes às políticas públicas de educação (EC 14/96), saúde 
(EC 29/00) e combate e erradicação da pobreza (EC 31/00), que 
ainda carecem da legislação complementar. 
Embora não haja um sistema constitucional de discriminação de 
despesas, é certo que os entes públicos exibem vocação para assumir 
determinados encargos, alguns até mesmo previstos na CF. A União 
assume os encargos da segurança nacional e dos investimentos na in-
fraestrutura econômica. Os Estados garantem a administração da jus-
tiça, a policia de segurança, a saúde pública e a educação primária. Aos 
ivlimicípios, finalmente, incumbe a prestação de serviços locais 
A equidade no federalismo depende, portanto, da política orça-
mentária e da opção por certos princípios constitucionais. A política 
intervencionista e desenvolvimentista leva à concentração de recursos 
e tarefas no Governo Federal, enquanto a política de bem-estar e de 
atendimento às necessidades imediatas do cidadão privilegia o Muni-
cípio. A CF atribuiu a Estados e MUnicípios fatia maior do bolo tribu-
tário; resta que se redistribuam as despesas na via orçamentária à luz 
da equidade. 
19. EQUIDADE ENTRE GERAÇÕES 
A equidade entre gerações significa que os empréstimos públicos 
e as despesas governamentais não devem sobrecarregar as gerações 
futuras, cabendo à própria geração que deles se beneficia arcar com o 
ônus respectivo. Outrora prestigiado, o princípio perdeu em parte a 
sua importância. É que a translação de compromissos financeiros para 
as gerações futuras se compensa corra a transmissão de bens culturais e 
de equipamentos e obras públicas criados pelas gerações precedentes. 
Mas é inegável que o endividamento excessivo repercurte sobre o fu-
turo, transferindo a carga fiscal para outra geração, motivo por que o 
art. 167, III, vedou, em homenagem à equidade, os ernpréstirnos que 
excedam o montante das despesas de capital. 
105 
104 
IV PRINCÍPIOS VINCULI,DOS PI_ IDE DE SEGURANÇA 
JUR/DICA 
20. A SEGURANÇA_ FINANCEIRA 
O direito financeiro, como acabamos de ver, se deixa informar 
por diversos princípios vinculados às ideias. de justiça e de equidade. 
Mas também se subordina a. outros princípios derivados da ideia de 
segurança jurídica, que muitas vezes se equilibram dramaticamente 
com os da justiça. Não basta a lei financeira justa, senão que é neces-
sário ser ela também segura. 
Segurança jurídica, portanto, é uma das ideias fundamentais do 
direito. Abstrata como.qualquer valor, a segurança jurídica não apare-
ce diretamente no dis&rso normativo, eis que vai ganhar positividade 
através deárnimeros.prinoípios constitucionais. A segurança jurídica é 
a própria(paz social. Não se confunde com a segurança nacional (do 
EstadoYnem com a segurança social (= seguridade social). Visa à ga-
rantia dos direitos fundamentais do cidadão e do contribuinte, 
A segurança jurídica no direito financeiro adquire cdncretitude 
através de princípios tributários (tipicidade, anterioridade etc.) ou or-
çamentários (exclusividade, não-afetação etc.). Alguns deles vincu-
lam-se à interpretação e complementa.Cão (proibição de analogia), en- 
quanto outros dirigem-se à criação das norrnas (anterioridade, publici-dade etc.). 
21. LEGALIDADE 
O princípio da legalidade é um dos pontos cardeais do Estado 
Financeiro. Aparece na vertente triblitária e na orçamentária. 
A legalidade tributária vem expressamente consagrada no art. 150, I. Ao tempo do patrimonialismo estaniental a tributação, tempo-
rária e esporádica, estava sujeita aos pedidos do rei às cortes, na medi-
da das necessidades públicas eventuais, com a renovação anual, não 
constituindo vera legalidade, pois expressava muito mais o ajuste de 
interesses entre a realeza, 2 nobreza e o clero. No absolutismo e no 
Estado de Polícia do séc. XVIII o tributo passa a ser exigido com fun-
darnento na Razão de Estado. Só com o liberalismo afirma-se em sua 
plenitude a legalidade tributária, descolada do princípio da anualida-
de, identificando-se corn a: representação: no taxation without re- 
presentation. 	..egalmade 	esLar, 
outros princípios constitucionais tribU 
lácios à ideia de justiça, como a capaci 
dade não é um princípio absoluto e feic 
opera também através de cláusulas geri 
tipOS, tornando-se aberta à interpreth 
cial. O princípio da legalid a de do oti 
intensidade a partir da instauração da 
Direito, desde quando se deu a, bifurca 
e a orçamentária. Antes o orçamento 
para cobrança de tributos quei de ins 
I da Administração. 
Três subprincípios auxiliarn a con 
dade: a superlegalidade, a reset-va da 
uilflario permanente corri 
, especialmente os vincu-
contributiva. Mas a legali-
o, posto que a lei tributária 
rincípios indeterminados e 
e à complementação judi- 
n o sê afirmou com maior 
m liberal e do Estado de 
entre a legalidade tributária 
ia mais à autorização anual 
ento legislativo de controle 
ação do princípio da legali-
o primado ckt lei. 
21.1. Superlegalidade 
O subprincipio da superlegalidadei 
Constituição. Significa que todo o direi 
mas constitucionais, tomando-se susc 
contraste entre as regras financeiras e 
Superlegalidade tributária é o s 
forrnal vinculada às normas superiore 
vendo o legislador respeitar o sistemaj 
princípios gerais da imposição 'fiscal. i 
Superlegalidade orçamentária é 
quação entre o orçamento e a. Const 
pios estruturais do ordenamento jure 
dos. A separação de poderes, por ex 
elaboração da lei de meios, não po 
papel constitucional dos outros Pode 
do orçamento. 
princípio que exige a ade-
o. Assina, inúmeros princí-
devem ser por ele respeita-
, é princípio que governa a 
o Legislativo minimizar o 
u arvorar-se em coexecutor 
ode com o da supremacia da 
anceiro se subordina às nor-
de controle jurisdicional o 
texto fundamental. 
cípio que indica estar a lei 
onstituição Tributária, de-
scriminação de rendas e os 
O subprincipio da reserva da le 
formal (ou a medida provisória, qu 
mental- tributo. A linguagem constit 
sinônimos os termos exigir, instituir 
o princípio, coloca sob a reserva da 1 
21.2. Reserva da Lei 
utária significa que 56 a' lei 
cabível) pode exigir ou au-
al brasileira emprega corno 
retar. O CTN, ao explicitar 
art. 97, a definição do fato 
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gerador, a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo, a 
cominação de penalidades e as hipóteses de exclusão, suspensão e ex-
tinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalida-
des. O princípio da reserva da lei não é absoluto; os positivismos ten-
taram, através cla teoria da lei material, dar conteúdo específico às 
normas baixadas pelo legislador, mas não o conseguiram, pois o di-
reito tributário, utilizando as cláusulas gerais, princípios indetermi-
nados e tipos, não pode ter na lei formal o fechamento total dos seus 
conceitos. 
O subprincipio da reserva da lei orçamentária significa que ape-
nas a lei formal pode aprovar os orçamentos e os créditos especiais e 
suplementares. O art. 167, em seus 9 itens, cuida exaustivamente da 
matéria reservada à lei. As medidas provisórias não têm aptidão para 
esse mister, tendo em :Wsta que,- de acordo com o art. 62 da CF, só a 
urgência asfustifica, o que obviamente não ocorre com o orçamento, 
salvo noscasps de guerra, comoção interna ou calamidade pública (art. 
167, § 31. 
O subprincípio da reseria da lei se estende também àlei comple-
mentar dr- çamentária e tributária (vide p. 45). O art. 165, 9Q, da CF 
colocou sob a reserva da lei complementar as normas gerais sobre o 
plano plurianual, a lei de diretrizes Orçamentárias^ e a gestão finanéeira 
e patrimonial. Igualmente, toda a matéria tributária enumerada, entre 
outros, nos arts. 146, 148, 155, XII, fica reservada à competência do 
Congresso Nacional e será decidida pelo quorum especial do art.