A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
237 pág.
Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

Pré-visualização | Página 8 de 50

transformação do ato político em ato de produção 
de normas jurídicas. 
4.9. Direito tomparadó _ 
É importantíssimo o estudo do Direito Comparado, a.ver as in-
fluências-recebidas pelo nosso Direito Financeiro dos textos.. positivos 
de outras nações cultas. Advirta-se que não se trata de subserviência 
cultural ou de cópia de textos positivos, mas de diálogo indispensável 
entre experiências jurídicas semelhantes, servindo a ciência estrangei- 
de pretexto para o início do processo de crítica ou de ensaio-e-erro. 
ra Merece consideração também o problema dos tipos nacionais, ou 
seja, da tendência para a formação de determinados tipos de pensa-
mento nas nações cultaá, que acabarn por dominar o sistema científico 
de outros povos. Contribuiu sensivelmente para o fortalecimento do 
positivismo na Teoria Constitucional Tributária brasileira o entusias-
mo pela teoria italiana, escancaradamente positivista. A influência do 
Direito Constitucional americano sobre a obra de Rui Barbosa permi-
tiu-lhe arrostar por alguns anos-o predomínio positivista. O francesis-
mo positivista e estruturalista também tem prejudicado o progresso 
da cultura brasileira. O diminuto conhecimento da obra dos grandes 
constitucionalistas alemães do após-guerra, marcadamente antipositi-
vista, bem como a dos financistas, orientada para a Política Fiscal, blo-
queia o desenvolvimento da Teoria da Constituição Tributária no sen-
tido da abordagem de temas como os da liberdade, das limitações do 
poder tributário, do federalismo e da justiça. O afastamento das fon-
tes norte-americanas e inglesas, tão importantes no Império e na 12 
República, constitui também motivo para o entorpecirnento do Direi- 
to Financeiro, rnormente guando se considera que os constitucionalis-
tas americanos estão conseguindo superar o realismo e o positivismo, 
e os financistas desenvolvem cada vez mais a Fiscal Policy. 
A influência do Direito Constitucional Financeiro estrangeiro é 
irrecusável, porque os problemas constitucionais e humanos são uni-
versais. A Constituição Tributária brasileira mantém até hoje a in-
fluência americana no campo das imunidades e das proibições de 
desigualdade. A Constituição Orçamentária no texto de 1988 de-
nota a inspiração na Constituição de Bonn. O Banco Central ganhou 
estatura constitucional, como já acontecia no estrangeiro (Alemanha 
e Portugál).. 
É absolutamente indispensável a comparação de sistemas, inclusi- 
ve para a recepção de novos tributos ou novas técnicas, objeto da elu-
cubração da ciência alienígena. O imposto sobre o valor acrescido, por 
exemplo, produto da elaboração dos teóricos franceses e alemães, in-
corporou-se ao nosso sistema sob a forma do ICMS e do IPI. O impos-
to de renda, surgido na Inglaterra e, após, na Alemanha ingressou em 
todas as legislações tributárias. 
O correto manejo dos instrumentos do Direito Comparado serve 
também à crítica da recepção de tributos e doutrinas. A transplanta-
ção do imposto sobre o valor acrescido da França para o Brasil, sem 
maiores cuidados no que concerne à organização unitária daquela e ao 
federalismo brasileiro, levou a inúmeros impasses na aplicação do tri-
buto, pela falta de harrnonia entre o sistema tributário nacional e o 
federado. A influência dos tipos nacionais científicos deve ser conside-
rada com atenção: a exagerada adrniração dos tributaristas brasileiros 
e latino-americanos pela ciência cultivada na Itália, de índole positi-
vista, que reproduzia com equívocos certa doutrina alemã, inspirou 
a codificação do sistema tributário de diversos países da América 
Latina. 
O estudo do Direito Comparado serve também para quebrar cer-
to sentido mágico que adquirem os sisternas estrangeiros, tanto obje-
tivos que científicos, ao aparecerem como modelos de perfeição. Bas-
ta que se leiam atentarnente os juristas mais lúcidos para ver que os 
sistemas tributários da Alemanha, da Itália, da França e dos Estados 
Unidos, por exemplo, vêm sendo acusados de complicados, caóticos, 
excessivamente casuísticos, injustos e ineficientes, 
enquanto a respec-
tiva teoria é taxada de incoerente e irracional. 
25 
24 
Rn- kÇõES COM rniTROc Fig.NÔMENOS DISC/PLINAS 
Filosofia 
HOW/C no pensamento ocidental urna longa tradição filosófica em 
torno das questões financeiras de caráter geral. De Santo Tomás de 
Aquino até Suarez predominou a meditação sobre o justo tributário. 
Hobbes e Montesquieu escreveram páginas profundas sobre o assun-
to. Bodin disse que as finanças eram o nervo do governo. 
Com a onda positivista, que'tentava o cientificismo no conheci-
mento do jurídico e do social, a Filosofia do Direito perdeu a impor- 
tância e abdicou, em favor da Economia e da Ciência das Finanças, do 
exame do problema do justo tributário. 
Sucede que, de uns -ános a esta parte, talvez mais precisamente 
depois do tér-Mino da 2?- Grande Guerra, houve o renascimento da 
Filosofia do' Direito, com a retomada da meditação sobre a natureza 
das coisas e sobre o método jurídico, o que repercutiu intensamente • 
sobre o Direito Financeiro. Dentre os assuntõs que passaram'a ocupar 
a atenção dos filósofos do direito e dos tributaristas com preocupações 
filosóficas sobressai a teoria da justiça, com' especial atenção para o 
aspecto tributário; nos últimos anos publicaram-se alguns livros fun-
damentais, com a recuperação da abordagem filosófica cLà justiça fis-
cal. Já se fala ern uma Filosofia do Direito Tributário. 
A Filosofia Política., se relaciona de modo muito intenso com o 
Direito Financeiro. Novas ideias sobre a essência do político, das for- 
mas de governo e das instituições públicas passam necessariamente 
pela fiscalidade. 
O Direito Financeiro se aproxima também da Ética, posto que o 
Estado Ético tem como uma de suas diinensões o Estado Social Fiscal. 
A Filosofia das Ciências também trouxe novas luzes para o estudo 
do Direito Financeiro, especialinente no que concerne ao pluralismo 
metodológico e à superação das teses da neutralidade científica. 
5.2. Política 
O Direito Financeiro guarda o relacionamento o mais intimo com 
a Filosofia Política, corno acabarnos de ver. Até porque, no plano obje- 
tivo, problemas corno os da democracia ou do totalitarismo envolvem 
opções financeiras. 
2(5 
Pequena, todavia, é a influência 
-CtOS aeraiç Pretendendo ser uma ci. 
ta-lhe o coeficiente axiológico que Ui 
disciplina essencialmente norrnativa qli 
as relações se tornam mais próximas 
lei ordinária, especialmente quando 5' 
menores; o estudo do processo eleitor 
co e da resistência às imposições fis 
pode trazer subsídios para a complemd 
Outro assunto que tem merecido a até 
atividades dos grupos de presSão e a 
disciplinas modernas próximas da C" 
Choice, perrnitem a reestruturação 
rendas em função das escolhas e dos 
torno dos serviços públicos essenciais 
5.1 Sociologia 
ência Politica ern seus as-
de realidade e neutra, fal-
rmita se relacionar com a 
Direito Financeiro. Onde 
posição dos tributos pela 
a de tributação dos entes 
demanda de serviço públi-
bjeto da Ciência Politica, 
o dos sistemas tributários. 
da Ciência Política é o das 
guração do lobby. Certas 
a Política, como a Public 
anjo da discriniinação de 
-os dos contribuintes em 
O que se disse da Política vale 
porque aquela costuma revestii- a forná 
ciologia não projeta influência, de mo 
por já trazer em si a visão positivista 
Estado Fiscal. Pode merecer alguma 
pesquisa concreta sobre tópicos dos s 
da Sociologia Financeira. 
ém para a Sociologia, até 
Sociologia Politica. A So-
bre o Direito Financeiro, 
tensamente neutralista do 
deração no que pertine à 
as tributários, sob a égide 
5.4. Ecoriomia 
Da maior relevância as relações 
Economia, tanto do ponto de vista cie 
Desde os seus pránórdios a Econ 
sarnento acerca da Constituição Finan 
Smith o exarne