A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
237 pág.
Curso de Direito Financeiro e Tributário - Ricardo Lobo Torres

Pré-visualização | Página 9 de 50

da importância da fiscâ 
Estado. 
Com o posterior predomínio do 
que rejeitavam os julgamentos de valor 
fez crescer, trazendo para o seu camp 
tuia objeto da meditação jurídica e coris 
Presentemente a Teoria Ecomárni. 
positivismo, eis que se torna uma ciênt 
nbada em emitir juízos de valor e destit 
vismo e do utilitarismo, 
portância da Economia só 
studo o que antes consti-
cional. 
á conseguindo superar o 
ltada para a Ética, empe-
de neutralidade. 
o Direito Financeiro e a 
o como do fenomênico. 
°lírica influenciou o pen-
Já se encontra em Adam 
e para a problemática do 
27 
‘sa- 
zt 
intuitivo que assumindo a Econornia-a, postura de ciência valora-
tiva, teria que 
se abrir à pesquis'a interdisciplinar e se relacionar mais 
estreitamente com o direito, até corno consequência da superação da 
dicotomia antes existente no plano objetivo entre Direito e Economia 
ou da consideração daquele como superestrutura desta. É assunto dos 
nossos dias o estudo da Teoria Econômica do Direito, que desborda o 
método e o objeto da Teoria Jurídica da Economia. 
Essas ideias no carnpo da Economia trouxeram um novo enfoque 
da fiscalidade — que sempre foi considerada como fenômeno econô-
mico. Da história do pensamento dos grandes economistas, indusive 
dos contemporâneos, extrai-se uma autêntica "Filosofia dos Tributos". 
Novas disciplinas econômicas como a Public Choice, a New Public 
Economic e a New Public Finance encontram nos tributos e na reparti-
ção dos custos dos serviços públicos o seu tema principal. A teoria da 
justiça econSinica passara ter na justiça tributária um de seus aspectos 
mais controvertidos." - 
A toáa evidência que o denominador axiológico domum faz com 
que o Direito Financeiro mantenha com a Economia Política um vín-
culo muáo estreito. Desde os problemas especificamente' econômi-
cos, como os da extrafiscalidade, do desenvolvimento e dos irnpostos 
conjunturais; passando' pelos temas gerais do feder-RU.5Mo fiácal, do 
sistema tributário, da redistribuição de rendas, até as perguntas bási-
cas sobre a legitimidade e a reforma da Constituição Financeira, tudo 
depende da integração e do relacionamento êntre ás duas disciplinas. 
A construção jurídicaáo sistema tributário nacional tem que se 
fazer sob a perspectiva do seu relacionamento com os principais pro-
blemas estudados pela Economia, como sejam o pleno emprego, a re-
distribuição de rendas, a fixação de preços, a conservação dos recursos 
nacionais, a saúde das empresas, o controle da inflação etc. 
As relações com a Economia são igualmente relevantes no plano 
do federalismo financeiro. O problema do equilíbrio entre a alocação 
de recursos aos entes públicos e a eficiência e o dinamisrno da econo-
mia deve ser resolvido pela pesquisa interdisciplinar. O desenvolvi-
mento econômico e o intervencionismo estatal são temas comuns às 
duas disciplinas, que nem a economia nem a teoria do constituciona-
lismo fiscal conSeguem, sozinhas, responder às indagações básicas do 
federalismo financeiro. 
O difícil problema do equilíbrio orçamentário é também interdis-
ciplinar, dependendo da colaboração entre Economia e Direito Finan- 
ceiro: 
Em síntese, as opções básicas da Economia, assim do ponto de 
vista objetivo que científico — intervencionismo, mercado livre, eco-
nomia social de mercado, socialismo, liberalismo etc. — envolvem 
sempre aspectos financeiros e fiscais. 
5.5. Ciência das Finanças 
Depois de algumas tentativas no sentido de dar autonomia à 
Ciência das Finanças, retornou essa disciplina ao convívio com a 
Eco-
nomia 
Política, como consequência da interação entre os fenômenos 
financeiros e econômicos no plano objetivo. 
De modo que a Ciência das Finanças, como a Economia 
Politica, 
também ostenta a característica de ciência normativa e valorativa, em 
íntima ligação com o Direito Financeiro. A tese da incomunicabilidade 
ou do reducionismo entre Ciência do Direito Tributário e Ciência das 
Finanças, defendida com tanto ardor pelos. positivismos, que negavam 
à ciência jurídica a função valorativa reservada às Finanças, ficou pre-
judicada pelo coeficiente de norrnatividade em ambas presente. 
Com efeito, tomou-se insustentável a teoria causalista da tributa-
ção, que reduzia a Ciência do Direito Tributário à descrição das nor-
mas reguladoras das relações jurídicas privadas, que forneceriam as-
sento aos tributos, na forma proposta pela Ciência das Finanças ou 
pela Política Financ eira. Trotabas (Finances Publiques, 
cit., p. 6) colo-
Cava o direito financeiro e fiscal em pé de igualdade com a economia 
financeira e com a politica financeira, eis que as três compunham, 
cada qual sob o seu âmbito próprio 
de estudo, o conjunto maior da 
Ciência das Finanças (Science des Finances). 
Griziotti (op. cit., p. 6) 
estabelecia entre a Ciência das Finanças e o Direito Financeiro a rela-
ção de complementariedade, cabendo à prirneira estudar a essência, as 
funções e os efeitos da atividade financeira, enquanto o Direito Finan-
ceiro estuda as normas legais que governam a atividade financeira e os 
princípios para sua aplicação. Explicitavam aqueles juristas e financis-
tas que a Ciência do Direito Financeiro não emite 
juízos de valor nem 
tem propósitos políticos, já que toda a valoração politica deve ser re-
servada à Política Financeira, disciplina que ora colocavam no conjun-to maior da Ciência das Finanças ao lado da Ciência do Direito Finan-
ceiro, ora colocavam paralelamente à Ciência do Direito Financeiro e 
à Ciência das Finanças. No Brasil Aliornar Baleeiro, jurista por forma-
ção, derivou para a Ciência das Finanças em busca de conteúdos axio-
lógicos que não encontrava no Direito Financeiro. De observar que a 
79 
28 
pio, objeto de vários estudos nos nitri 
rimáveis para a apreciação do papel do 
to Financeiro elaborada no decurso d 
quela tendência global. 
Relevante igualmente a história 
nanceiros para a grandeza das nações 
Da mesma forma, a história do pe 
vista que algumas las ideias financeá 
nas os economistas 
Finalmente, as grandes etapas ) 
devem ser levadas consideração: o pa 
cameralismo e o liberalismo. 
nos, fornece subsídios ines-
tivismo na Teoria do Direl-
século, mero detallhe 
omica, pois os aspectos 
-do objeto de finas análises 
nto econômico, tendo em 
ais brilhantes elaborararn- 
ória das finanças públicas 
onialismo, o absolutismo, o 
6. A CODIFICAÇÃO 
O Direito Financeiro é pouco c 
maior parte, de legislação casuística e 
a despesa, o crédito e o patrimônio sã 
últimos a_nos passam a ser objeto de 
sua modernização. 
A exceção é o Direito Tributário, 
cional, aprovado pela Lei 5.172, de' 
inicial de Sistema Tributário Nacion 
xado pelo art. 72 da Lei Compleme 
grande mérito, embora já careça de m 
Nacional serviu de divisor de águas no 
Brasil. Na Alemanha o Código Tributa' 
benordnung, depois Abgabenordnun 
Becker, e foi reformado em 1977 (A 
cido grande influência sobre todas as 
ve a nossa. Importante também é a 
nha, de 2003. Trabalho relevante pela 
codificações futuras foi o Modelo de 
ca Latiria. 
O Direito Tributário brasileiro c 
ções. A_s leis formais dos impostos m 
IS S etc.) são consolidadas por decr 
(RIR, RIPI, RICMS, RISS etc.), com 
diversos dispositivos legais. 
cado. Compõe-se, em sua 
ada. As leis que regulam 
arsas e incoerentes, e só nos 
cupação do legislador pela 
. 
osso Código Tributário Na-
0.66, com a denorrúriação 
e o seu nome definitivo 
'2 36 de 13.3.67. Obra de 
ações, o Código Tributário 
do do Direito Financeiro no 
giu em 1919 (Reichsabga-
lo trabalho do jurista Enno 
nordnung, 77), tendo exer-
cações posteriores, inclusi-
eneral Tributaria da Espa-
ência que projetou sobre as 
go Tributário para a Améri- 
e ainda diversas consolida-
portantes (IR, IPI,