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1 Coordenadores: Prof. João Carlos de Aquino Almeida Profª. Adriana Jardim de Almeida Mediadores à Distância: Emilane Pinheiro da Cruz Lima Giseli dos Santos Ferreira MÓDULO 1: INTRODUÇÃO À PARASITOLOGIA 2 1 - INTRODUÇÃO À PARASITOLOGIA Parasitologia é a ciência que estuda os parasitas, seus hospedeiros e as relações entre eles. Engloba o filo Protozoa (protozoários), do reino Protista e os filos Nematoda (nematódeos), Annelida (anelídeos), Platyhelminthes (platelmínteos) e Arthropoda (artrópodes), do Reino Animal. Os protozoários são unicelulares, enquanto os nematódeos, anelídeos, platelmintos e artrópodes são organismos multicelulares (Figura 1). Figura 1: Exemplos de parasitas humanos. A - protozoário Trypanosoma cruzi; B - verme nematódeo Ascaris lumbricoides (nome vulgar: lombriga) C – anelídeo Hirudo medicinalis (nome vulgar: sanguessuga); D - verme platelminto Taenia saginata (nome vulgar: tênia); E – artrópode Pediculus humanus capitis (nome vulgar: piolho). Fonte: Google. Ao iniciar o estudo da parasitologia é conveniente que você se lembre de alguns conceitos básicos, tais como: Agente etiológico - é o agente causador ou o responsável pela origem da doença. Pode ser um vírus, bactéria, fungo, protozoário ou um helminto. Contaminação - o contato do parasita com o corpo do hospedeiro ou com seus alimentos, roupas, objetos, etc. Endemia - quando o número esperado de casos de uma doença é o efetivamente observado em uma população em um determinado espaço de tempo. Doença endêmica - aquela cuja incidência permanece constante por vários anos, dando uma ideia de equilíbrio entre a população e a doença. Epidemia - é a ocorrência, numa região, de casos que ultrapassam a incidência normalmente esperada de uma doença. https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doenca-de-chagas/ https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/doenca-de-chagas/ 3 Incidência – é a frequência com que ocorrem novos casos de parasitose em determinado período de tempo. Exemplo: números de casos registrados por ano. Incubação - é o tempo decorrido entre a infestação e a manifestação dos primeiros sintomas da doença. Infecção - é a colonização de um organismo hospedeiro por uma espécie estranha. Numa infecção, o organismo infectante procura utilizar os recursos do hospedeiro para se multiplicar (com evidentes prejuízos para o hospedeiro). O organismo infectante interfere na fisiologia normal do hospedeiro e pode levar a diversas consequências. Infestação - é a invasão do organismo por agentes patogênicos macroscópicos. Vetor - organismo capaz de transmitir um parasito entre os hospedeiros. Hospedeiro - organismo que serve de habitat para outro que nele se instala encontrando as condições de sobrevivência. Hospedeiro definitivo - é o que apresenta o parasito em fase de maturidade ou em fase de reprodução sexuada. Hospedeiro intermediário - é o que apresenta o parasito em fase larvária ou em fase assexuada. Profilaxia - é o conjunto de medidas que visam à prevenção, erradicação ou controle das doenças ou de fatos prejudiciais aos seres vivos. Pandemia - é uma epidemia de âmbito mundial. Morbidade - é a taxa de portadores de uma determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento. Prevalência - número total ou a proporção de casos existentes em uma determinada população e em um determinado momento temporal. 1.1 - O Conceito Ecológico de Parasitismo Em todos os ecossistemas, há populações de diferentes espécies que vivem em relação de interdependência direta ou indireta. Tais relações podem estar relacionadas à alimentação, à reprodução, à proteção, ao território e podem implicar benefício ou prejuízo para os associados. O parasitismo, se não é a relação mais difundida entre as espécies, pelo menos é a mais estudada. De fato, não existem seres vivos que não tenham parasitas, o que acontece 4 inclusive com bactérias, que podem ser atacadas por vírus especiais, conhecidos como bacteriófagos. O parasitismo é uma associação entre seres de espécies diferentes, na qual há benefício unilateral: um dos seres, o parasita, abriga-se e alimenta-se à custa de outro, o hospedeiro. Parasitas e hospedeiros, ao longo de milhares de anos de evolução, desenvolveram importantes adaptações que lhes garantem maior eficiência: o parasita aproveita-se melhor do hospedeiro, sem matá-lo enquanto o hospedeiro protege-se melhor da espoliação (retirada de substâncias do organismo, enfraquecendo-o). O tratamento eficiente das doenças parasitárias, bem como a prevenção e o controle de cada uma delas, exige bom conhecimento dos fenômenos ecológicos que envolvem o homem, os parasitos que os invadem e, eventualmente, os hospedeiros intermediários ou vetores desses parasitos. O conceito de parasitismo deve, portanto, estar baseado na interpretação ecológica e bioquímica das relações parasito-hospedeiro. 1.2 - Os Conceitos Relacionados ao Parasitismo A seguir serão apresentados alguns termos comumente empregados quando tratamos as parasitoses de acordo com a modalidade de parasitismo: A) EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE HOSPEDEIROS: Parasita monoxeno: aquele que efetua o ciclo em apenas um hospedeiro. Parasita heteroxeno: aquele que efetua o ciclo obrigatoriamente em dois ou mais hospedeiros. B) EM RELAÇÃO AO TEMPO DE PERMANÊNCIA: Parasita permanente: realizam todo o seu ciclo vital em um hospedeiro. Parasita temporário: alojam-se no hospedeiro apenas durante uma parte da sua vida. C) EM RELAÇÃO À ESPECIFICIDADE PARASITÁRIA: Parasitas estenoxeno: só admitem uma espécie de hospedeiro, ou espécies muito próximas. Parasita eurixeno: admitem grande variedade de hospedeiros possíveis. D) EM RELAÇÃO À LOCALIZAÇÃO: Ectoparasita: parasita que se fixa externamente ao corpo do hospedeiro. 5 Endoparasita: parasita que se aloja em órgãos internos do hospedeiro. E) EM RELAÇÃO AO TIPO DE HOSPEDEIRO: Hospedeiro definitivo: o organismo que apresenta o parasita na sua fase adulta, capaz de efetuar a reprodução sexuada. Hospedeiro intermediário: o organismo que abriga a fase larvária do parasita. F) EM RELAÇÃO AO VETOR: (Vetor: o organismo que transmite o parasita de um hospedeiro para outro). Biológico: vetor no qual se passa, obrigatoriamente, uma fase do desenvolvimento de determinado agente etiológico. Erradicando-se o vetor biológico, desaparece totalmente a doença que ele transmite. Mecânico: vetor acidental que constitui somente uma das modalidades de transmissão de um agente etiológico. Sua erradicação retira apenas um dos componentes de transmissão da doença. 1.3 - O Conceito de Zoonose A despeito do significado etimológico da palavra zoonoses ser “doença animal”, a definição estabelecida pelo comitê da Organização Mundial de Saúde é muito mais abrangente: “Doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos”. Cada detalhe desta definição possui um significado próprio: a dualidade doenças ou infecções foi introduzida para incluir as situações em que ocorrem infecções inaparentes, ou seja, animais vertebrados que se comportam como portadores, pois albergam e eliminam os agentes etiológicos das doenças transmissíveis, sem apresentar qualquer sinal clínico que indique alteração de saúde. Portanto, conceitua-se zoonose como o conjunto de doenças de animais transmissíveis ao homem, bem como aquelas transmitidas dos homens aos animais. Admite-se que as zoonoses ocorram desde os tempos pré-históricos da humanidade. No entanto, foi no período neolítico, a partir de oito mil anos antes de Cristo, que as condições favoráveis para transmissão de agentes de doenças transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos se ampliaram, pois foi nesta ocasião que se iniciou a estruturaçãoda agricultura, a domesticação dos animais e houve o início da vida urbana 6 organizada em aldeias. Neste grupo de doenças transmissíveis, usualmente os responsáveis pela perpetuação dos agentes etiológicos são os animais vertebrados em suas diferentes categorias: selvagens, domésticos produtores de alimento, trabalho ou companhia. 1.4 - A Ação dos Parasitas sobre os Hospedeiros Pode-se pensar que os parasitas sempre têm uma ação rápida e mortal sobre seus hospedeiros. No entanto, isso geralmente não acontece, pois a morte dos hospedeiros (que garantem a alimentação, a reprodução e, portanto, a sobrevivência da espécie parasita) também provocaria a morte dos próprios parasitas. Desde a infestação até o término do ciclo vital dos parasitas, suas ações podem provocar no corpo dos hospedeiros inúmeros efeitos prejudiciais: desde um simples incômodo, como no caso dos ectoparasitas, até problemas mais graves, que podem ser letais. Os parasitas podem provocar: obstruções intestinais (lombrigas) e linfáticas (filárias); perfurações na pele e em órgãos internos (esquistossomo e ancilóstomo); ulcerações (ameba e leishmania); necrose de tecidos por ação enzimática; irritação de mucosas, prurido na região perianal (larvas de lombriga e oxiúro); ação tóxica (lombrigas e bactérias); espoliação, com enfraquecimento e anemia (ancilóstomo e plasmódio, causador da malária); febre (bactérias, vírus e o plasmódio) e infecções locais ou generalizadas (bactérias e fungos). Desta forma podemos classificar a ação dos parasitas em: A) ESPOLIADORA: o parasita apodera-se das substâncias nutritivas do corpo do hospedeiro. B) TÓXICA: o parasita produz secreções ou excreções, sejam enzimas ou produtos proteicos, que constituem o metabolismo do agente invasor. C) IRRITATIVA: consiste na irritação tecidual causada pela presença do parasito; a fibrose é o tipo final de lesão ocasionada pela presença de vermes, larvas ou ovos nos tecidos. Ao redor do parasito, o tecido fibroso forma uma cápsula extremamente resistente, dura e isolada, dentro da qual as células de defesa podem remover os tecidos lesados e, eventualmente, o próprio parasita ser destruído. 7 D) MECÂNICA: os parasitos, mesmo sem lesar diretamente os tecidos, perturbam as funções mecânicas dos órgãos. E) TRAUMÁTICA: caracterizada pelo esgarçamento do tecido ou órgão que o agente parasitário causa ao se implantar no hospedeiro para obter sustento e abrigo. A ação dos parasitas pode sofrer influência de determinados fatores atribuídos ao hospedeiro, tais como: virulência, carga parasitária, idade, estado nutricional e imunidade. Portanto, para existir doença parasitária, há necessidade de alguns fatores: A) INERENTES AO PARASITO: número de exemplares, tamanho, localização, virulência, metabolismo. B) INERENTES AO HOSPEDEIRO: idade, nutrição, nível de resposta imune, intercorrência de outras doenças, hábitos, uso de medicamentos. 1.5 - As Adaptações dos Parasitas Os parasitas são organismos extremamente adaptados anatômica, fisiológica e até bioquimicamente aos seus respectivos hospedeiros, para os quais apresentam em geral, grande especificidade. Eles buscam em seu hospedeiro a fonte de alimentação e a oportunidade de se reproduzir. As suas adaptações são basicamente de dois tipos: as reduções (simplificações de órgãos e sistemas inteiros) e as acentuações (maior desenvolvimento de estruturas). Muitos parasitas não possuem órgãos locomotores e alguns não apresentam sistema digestório (como as tênias). Em compensação, ao longo do processo evolutivo, desenvolveram aparelhos bucais de perfuração, corte e sucção, além de ganchos e ventosas de fixação. Há também parasitas capazes de resistir às enzimas digestivas e ao ácido clorídrico do estômago. Pode-se destacar ainda a produção de ovos, que chega a milhares por dia em muitos vermes, e o sincronismo com os ritmos vitais do hospedeiro. Nas filárias, por exemplo, as larvas migram em massa para a circulação periférica, nas horas do dia em que os insetos transmissores costumam picar. 8 1.6 - As Adaptações dos Hospedeiros Simultaneamente à evolução das adaptações dos parasitas, os hospedeiros também desenvolveram adaptações que os tornaram capazes de equilibrar e até reduzir a ação parasitária. Nos casos mais simples, como o de muitos ectoparasitas, os hospedeiros podem simplesmente efetuar movimentos para eliminá-los. Lembrem-se dos tremores da musculatura da pele e o balançar da cauda executados pelo gado para afastar insetos. Outros hospedeiros desenvolveram estruturas protetoras e impermeabilizantes da pele e até comportamentos que dificultam a infestação. Grandes mamíferos africanos, como os hipopótamos e elefantes, por exemplo, enlameiam-se e deixam secar sobre sua pele uma camada de lama que os protege do ataque de artrópodes parasitas (Figura 2). Há casos também em que os hospedeiros produzem secreções especiais que afastam possíveis parasitas. Figura 2: Tomando banho de lama, os elefantes afastam parasitas, protegendo o corpo com um repelente natural. Fonte: Google. Mais importante, especialmente em relação aos microrganismos parasitas, foi o desenvolvimento eficiente de um mecanismo de proteção, representado pelo sistema imune (caracterizado pela produção de anticorpos e pela fagocitose). Outro exemplo de mecanismo protetor implica na produção de cápsulas fibrosas e calcárias para isolar e bloquear o parasita que se fixa no interior de alguns órgãos, como as larvas das tênias. 1.7 – Referências Bibliográficas 1. BRITO, L.F.M – Segurança aplicada as instalações hospitalares, 4ª edição. SP – Editora SENAC, 2014. 9 2. COELHO, C & CARVALHO, A.R – Manual de Parasitologia Humana, 2ª edição – Editora ULBRA, 2005. 3. FORRATINI, O.P – Culicidologia médica – Volume 1. SP – USP 5. MACIEL, J.M - Microbiologia e Parasitologia – 3ª edição – Editora ULBRA. 4. MACIEL, J.M – Microbiologia e Parasitologia – 3ª edição – Editora ULBRA 5. REY, L – Parasitologia, 3ª edição. RJ – Guanabara Koogan S.A, 2001. 6. http://www.ufrgs.br/biomedicina/biomedicina-2/habilitacoes/parasitologia. Acesso em: 09/05/2016. http://www.ufrgs.br/biomedicina/biomedicina-2/habilitacoes/parasitologia