CIDADANIA[3699]
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA 
Faculdade Mineira de Direito
	
Aline Martins Nonato,
Ana Paula Santana de Sousa Santos.
CIDADANIA
Belo Horizonte
2019
Aline Martins Nonato,
Ana Paula Santana de Souza Santos.
CIDADANIA
Trabalho final, apresentado a Disciplina de Formação do Mundo Contemporâneo do curdo de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 1° período.
Orientador: Prof. Dr. André Mascarenhas Pereira
Belo Horizonte
2019
Sumário 
1-	INTRODUÇÃO	4
2-	CONCEITO DE CIDADANIA CONTEMPORÂNEO E SUA RELATIVIDADE AO LONGO DA HISTÓRIA	5
3-	RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE CIDADANIA E CONSUMO	7
4-	CIDADANIA, NEOLIBERALISMO E CONSUMO	9
4-1 CIDADANIA	9
4-1-1 CIDADANIA NO BRASIL	10
4-2 NEOLIBERALISMO	10
4-2-1 NEOLIBERALISMO NO BRASIL	12
4-4 RELAÇÕES ENTRE CIDADANIA, NEOLIBERALISMO E CONSUMO.	13
4-4-1 MUNDO	13
4-4-2 BRASIL	14
5-	PONTO DE VISTA DOS AUTORES	16
6-	CONCLUSÃO	17
7-	REFERÊNCIA	18
1- 
2- INTRODUÇÃO
O trabalho desenvolvido tem como objetivo abordar sobre o tema \u201cCidadania, neoliberalismo e consumo\u201d. A partir disso, será feito uma breve exposição sobre cada termo, com o objetivo de direcionar o leitor ao pleno entendimento da pesquisa. Além disso, o trabalho apresentara a relação histórica existente entre os termos abordados e, mais que isso, será feita uma relação entre eles patenteando as problemáticas que surgem para o cidadão numa sociedade com o alto grau de consumismo no século XXI no Brasil, que por sua vez é gerado pela ideologia neoliberalista.
Dentre as problemáticas geradas por essa relação tridimensional, está no fato de que o processo para alcançar a cidadania plena no Brasil se torna mais penosa com doutrina neoliberal, pois a partir dela os indivíduos se tornam anestesiados aos reais problemas do país, deixando de lado a luta pelos direitos políticos, civis e principalmente sociais, pela luta de querer se tornar um consumidor em potencial. Assim, o consumismo gerado pelo sistema neoliberal retira a identidade dos indivíduos fazendo-os se tornarem meros consumidores que mantêm o marcado capitalista e se fecham para as questões sociais a serem enfrentadas.
Portanto, o objetivo específico do trabalho é apresentar como a ideologia neoliberal tem corrompido o sentido do que é ser cidadão. Para efeitos didáticos o trabalho será dividido em seis partes que primeiramente irão traçar alguns momentos históricos da cidadania, neoliberalismo e consumo no Brasil. Também será apresentada a relação histórica entre cidadania e consumo e por fim a relação que se faz problemática entre cidadania, neoliberalismo e consumo. 
O trabalho terá como principal referencia os autores José Murilo de Carvalho (Cidadania no Brasil: o longo caminho), Nestor Garcia Canlclini (Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização) e James Holston (Cidadania insurgente: disjunções de democracia e da modernidade). Além do mais, no tópico cinco, será abordado o ponto de vista de cada autor \u2013 baseado em seus textos- sobre o tema central do trabalho: a relação problemática entre cidadania, neoliberalismo e consumismo.
3- CONCEITO DE CIDADANIA CONTEMPORÂNEO E SUA RELATIVIDADE AO LONGO DA HISTÓRIA
A cidadania de acordo com o jurista Dalmo de Abreu Dallari significa conjunto de direitos e deveres que dá uma pessoa à oportunidade de participar da vida e do governo do seu povo. Esse conceito constantemente se renova ao decorrer dos séculos, em conformidade com as transformações sociais, evolução histórica e com a necessidade do povo. 
 	No livro Cidadania no Brasil de José Murilo de Carvalho conta-se que a cidadania recebeu atributo de \u201cgente\u201d, de como a cidadania precisasse de algo para se erguer. Depois do golpe do estado que durou até 1985 e uma nova Constituição Federal que promulgou em 1988, a qual chamou de Constituição Cidadã, havia uma crença que traria direitos igualitários. 
	O direito é ligado instantaneamente à concepção de cidadania, porque é relacionada a quatros tipos de direitos: civis, políticos e sociais
	Os direitos civis garante a vida em sociedade, os direitos políticos tem a ideia do autogoverno, garantindo a participação do individuo no governo com partidos e um parlamento livre e representativo. Os direitos sociais têm como garantia a participação à educação, ao salário justo ao trabalho, à saúde e à aposentadoria. O principal foco do direito social é acabar com a desigualdade que é produzida pelo capitalismo. 
	O sociólogo Marshall estabelece três aspectos ao conceito de cidadania; civil, político e social. Ele utilizou como base para o seu conceito de cidadania, a Inglaterra. Primeiro surgiu os direitos civis, no século XVIII que significa direito à liberdade. Depois os direitos políticos no século XIX que seria o direito de participar no exercício do poder político e por último o direito social que foi alcançado somente no século XX que traria o bem estar social. Desse modo a cidadania seria um direito que só poderia ser concedido àqueles que são membros integrais de uma comunidade, e quem possuem o status são iguais em direitos e obrigações. E além desses direitos serem conquistados na comunidade por ordem cronológica, é também por lógica. 
	Não podemos comparar o modo que os ingleses conquistaram a cidadania com os demais países, pois cada um segue o seu próprio caminho como no Brasil que tem uma maior ênfase nos direitos sociais, que surgiu logo quando suspenderam os direitos políticos e de redução de direitos civis. E logo depois que precederam os outros. 
	Segundo José Murilo de Carvalho, a construção da cidadania tem a ver com a relação das pessoas e com a nação. E de como a sociedade passou a se organizar para garantir os direitos e os privilégios distribuídos pelo estado, pois ocorrem de forma desigual. 
James Hoston em seu livro Cidadania insurgente sugere que as democracias prometem cidadanias mais igualitárias, mas que ocorreriam conflitos entre os cidadãos, por causa da democratização e urbanização do século XX. Que no Brasil teria o tipo de cidadania que as outras nações desenvolveram, 
Uma cidadania que administra as diferenças sócias legalizando-as de maneira que legitimam e reproduzem a desigualdade. A cidadania brasileira se caracteriza, além disso, pela sobrevivência de seu regime de privilégios legalizados e desigualdades legitimadas. (HOSTON, 2013, p.22)
4- RELAÇÃO HISTÓRICA ENTRE CIDADANIA E CONSUMO
A cidadania tem a função de abrigar direitos e deveres civis, políticos e sociais de um indivíduo, o consumidor que também é o individuo, mas aquele que consome, podendo ser aquele que compra ou que demanda bens e serviços proporcionados por um produtor.
Para interligar a cidadania e o consumo, precisamos desconstruir a concepção deste, o consumo não sendo apenas como algo supérfluo e influenciado pelo marketing e sim como um bem necessário para o indivíduo. E a cidadania não como algo exclusivamente de questão política e que os cidadãos votam por obrigação, porque o conceito de cidadania vai, além disso, pois abrange os direitos civis e sociais, como liberdade de expressão e educação.
	Não podemos dizer apenas que o consumidor é aquele que tem poder aquisitivo e nem que o cidadão é aquele que goza de direitos e deveres, mas que todos os consumidores têm direito ao acesso a bens e serviço essenciais.
	A advogada Ana Paula Oriola de Raeffray vê diferenças entre o consumidor e o cidadão, porque o cidadão é aquele titular de direitos civis, políticos e sociais dentro de seu território que adota os preceitos da democracia de origem, desse modo o cidadão pode ser ou não ser consumidor. Entretanto para ser o consumidor tem que preencher as condições previstas no artigo 2°, do Código de Defesa ao Consumidor, 
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se ao consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações