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Teorias	do	Envelhecimento
O	 envelhecimento	 foi	 definido	 cronologicamente	 pela	 passagem	 do	 tempo	 —	 subjetivamente,	 da
maneira	 pela	 qual	 a	 pessoa	 se	 sente,	 e	 funcionalmente,	 como	 nas	 alterações	 na	 capacidade	 física	 ou
mental.	As	muitas	teorias	do	envelhecimento	tentam	fornecer	uma	estrutura	para	que	se	compreenda	o
envelhecimento	a	partir	de	diferentes	perspectivas.	Cada	teoria	é	útil	para	o	clínico	porque	fornece	uma
estrutura	 e	 a	 visão	 sobre	 as	 diferenças	 entre	 os	 pacientes	 idosos.	 Além	 das	 teorias	 biológica,	 de
desenvolvimento	 e	 sociológica	 do	 envelhecimento,	 Miller	 (2009)	 desenvolveu	 a	 teoria	 das
consequências	 funcionais,	 que	 desafia	 as	 enfermeiras	 a	 considerar	 os	 efeitos	 das	 alterações	 normais
relacionadas	 com	 a	 idade,	 bem	 como	 o	 dano	 decorrente	 da	 doença	 ou	 fatores	 de	 risco	 ambientais	 e
comportamentais,	 quando	 do	 planejamento	 do	 cuidado.	 Miller	 sugere	 que	 as	 enfermeiras	 podem
alterar	 o	 resultado	 para	 os	 pacientes	 através	 de	 intervenções	 de	 enfermagem	 que	 abordem	 as
consequências	 dessas	 alterações.	 As	 alterações	 relacionadas	 com	 a	 idade	 e	 os	 fatores	 de	 risco	 podem
interferir	negativamente	nos	resultados	do	paciente	e,	na	realidade,	podem	comprometer	a	atividade	e
a	qualidade	de	vida	do	paciente.	Por	exemplo,	as	alterações	normais	na	visão	relacionadas	com	a	idade
podem	 aumentar	 a	 sensibilidade	 ao	 ofuscamento.	 As	 alterações	 no	 ambiente	 que	 reduzem	 o
ofuscamento	podem	aumentar	o	conforto	e	a	segurança	do	paciente.	Em	contraste,	o	desenvolvimento
da	 catarata,	 que	 não	 é	 uma	 alteração	 normal	 relacionada	 com	 a	 idade,	 também	 pode	 aumentar	 a
sensibilidade	 ao	ofuscamento.	A	 enfermeira	deve	diferenciar	 entre	 as	 alterações	normais	 relacionadas
com	a	idade	que	não	podem	ser	revertidas	e	os	fatores	de	risco	que	podem	ser	modificados.	Fazer	isso	é
útil	 na	 idealização	 das	 intervenções	 de	 enfermagem	 apropriadas	 que	 possuem	 um	 impacto	 positivo
sobre	 os	 resultados	 do	paciente	no	 caso	de	 idosos	—	de	modo	mais	 importante,	 para	 a	 qualidade	de
vida.
Alterações	Relacionadas
com	a	Idade
O	bem-estar	das	pessoas	idosas	depende	de	fatores	físicos,	psicossociais,	mentais,	sociais,	econômicos	e
ambientais.	 Um	 exame	 completo	 inclui	 uma	 avaliação	 de	 todos	 os	 principais	 sistemas	 orgânicos,	 dos
estados	 social	 e	 mental,	 e	 da	 capacidade	 de	 uma	 pessoa	 para	 funcionar	 de	 maneira	 independente,
apesar	de	ter	uma	doença	crônica	ou	incapacidade.
Aspectos	Físicos	do
Envelhecimento
Conforme	já	mencionado,	o	envelhecimento	intrínseco	(a	partir	do	interior	da	pessoa)	refere-se	àquelas
alterações	causadas	pelo	processo	de	envelhecimento	normal,	as	quais	são	geneticamente	programadas
e	 quase	 universais	 dentro	 de	 uma	 espécie.	 A	 universalidade	 é	 o	 principal	 critério	 empregado	 para
diferenciar	 o	 envelhecimento	 normal	 a	 partir	 das	 alterações	 patológicas	 associadas	 à	 doença.	 No
entanto,	 as	 pessoas	 envelhecem	 de	modo	 bastante	 diferente	 e	 em	 ritmos	 diferentes,	 de	modo	 que	 a
idade	cronológica	é,	com	frequência,	menos	preditiva	das	características	de	envelhecimento	óbvias	que
outros	fatores,	como	a	genética	e	o	estilo	de	vida	da	pessoa.	Por	exemplo,	o	envelhecimento	extrínseco
resulta	 de	 influências	 externas	 à	 pessoa.	 A	 poluição	 do	 ar	 e	 a	 exposição	 excessiva	 à	 luz	 solar	 são
exemplos	 de	 fatores	 extrínsecos	 que	 aceleram	 o	 processo	 de	 envelhecimento	 e	 que	 podem	 ser
eliminados	ou	reduzidos.
As	alterações	 celulares	 e	 extracelulares	da	velhice	provocam	uma	mudança	na	aparência	 física	 e	um
declínio	na	função.	Ocorrem	alterações	mensuráveis	no	formato	e	constituição	do	corpo.	A	capacidade
do	corpo	para	manter	a	homeostasia	torna-se	cada	vez	mais	diminuída	com	o	envelhecimento	celular,	e
os	sistemas	orgânicos	não	conseguem	funcionar	com	eficiência	plena	por	causa	dos	déficits	celulares	e
teciduais.	As	células	tornam-se	menos	capazes	de	se	substituir,	e	acumulam	um	pigmento	chamado	de
lipofuscina.	Uma	degradação	da	elastina	e	do	colágeno	faz	com	que	o	tecido	conjuntivo	se	torne	mais
rígido	e	menos	elástico.	Essas	alterações	 resultam	em	capacidade	diminuída	para	a	 função	do	órgão	e
vulnerabilidade	aumentada	à	doença	e	ao	estresse.
A	Tabela	 12.2	 resume	os	 sinais	 e	 sintomas	 das	 alterações	 no	 funcionamento	 dos	 sistemas	 orgânicos
relacionadas	com	a	idade.	Informações	mais	aprofundadas	sobre	as	alterações	relacionadas	com	a	idade
podem	ser	encontradas	nos	capítulos	 relativos	a	cada	sistema	orgânico.	As	especificações	das	doenças,
tratamentos	clínicos	e	cirúrgicos,	bem	como	as	intervenções	de	enfermagem,	também	são	apresentados
nos	capítulos	correlatos.
Sistema	Cardiovascular
A	cardiopatia	 é	 a	principal	 causa	de	morte	nos	 idosos.	A	 insuficiência	 cardíaca	 é	 a	principal	 causa	da
hospitalização	 entre	 os	 usuários	 do	 Medicare,	 e	 também	 é	 uma	 causa	 importante	 de	 morbidade	 e
mortalidade	 entre	 a	 população	 idosa	 nos	 EUA.	 As	 alterações	 relacionadas	 com	 a	 idade	 reduzem	 a
eficiência	 do	 coração	 e	 contribuem	 para	 a	 complacência	 diminuída	 do	 músculo	 cardíaco.	 Essas
alterações	incluem	a	hipertrofia	miocárdica,	que	altera	a	força	e	a	função	ventricular	esquerda;	fibrose	e
estenose	das	valvas;	e	células	marca-passo	diminuídas	(Neal-Boylan,	2007).	Em	consequência	disso,	as
valvas	cardíacas	tornam-se	mais	espessas	e	mais	rígidas,	e	o	músculo	cardíaco	e	as	artérias	perdem	sua
elasticidade,	resultando	em	um	volume	sistólico	reduzido.	Os	depósitos	de	cálcio	e	gordura	acumulam-
se	dentro	das	paredes	arteriais,	e	as	veias	se	tornam	cada	vez	mais	tortuosas,	aumentando	a	resistência
arterial;	isso	aumenta	o	esforço	cardíaco.
É	difícil	 diferenciar	 entre	 as	 alterações	na	 função	 cardiovascular	 relacionadas	 com	a	 idade	 e	 aquelas
relacionadas	 com	 a	 doença	 por	 causa	 da	 influência	 significativa	 dos	 fatores	 comportamentais	 sobre	 a
saúde	cardiovascular.	Quando	são	realizados	estudos	culturais	cruzados,	as	alterações	cardiovasculares
que,	no	passado,	eram	creditadas	como	relacionadas	com	a	idade	não	aparecem	de	maneira	consistente.
Por	 exemplo,	 a	 pressão	 arterial	 mais	 elevada	 encontrada	 em	 idosos	 nas	 sociedades	 ocidentais	 não
acontece	em	países	menos	desenvolvidos	e	podem	ser	uma	consequência	de	diferentes	comportamentos
de	 estilo	 de	 vida	 em	 lugar	 de	 alterações	 normais	 relacionadas	 com	 a	 idade	 (Miller,	 2009).	 Sob
circunstâncias	 normais,	 o	 sistema	 cardiovascular	 pode	 adaptar-se	 às	 alterações	 normais	 relacionadas
com	 a	 idade,	 e	 uma	 pessoa	 idosa	 não	 está	 ciente	 de	 nenhum	 declínio	 significativo	 no	 desempenho
cardiovascular.	No	entanto,	quando	solicitado,	o	sistema	cardiovascular	de	uma	pessoa	 idosa	é	menos
eficiente	sob	condições	de	estresse	e	exercício	e	quando	há	necessidade	de	atividades	de	sustentação	da
vida.
A	avaliação	cuidadosa	das	pessoas	idosas	é	necessária	porque	elas	frequentemente	se	apresentam	com
sintomas	 diferentes	 daqueles	 observados	 nos	 pacientes	 mais	 jovens.	 É	 mais	 provável	 que	 as	 pessoas
idosas	tenham	dispneia	ou	sintomas	neurológicos	associados	à	cardiopatia,	podendo	elas	experimentar
alterações	no	estado	mental	ou	relatar	sintomas	vagos,	como	fadiga,	náuseas	e	síncope.	Em	lugar	da	dor
torácica	 subesternal	 típica	 associada	à	 isquemia	miocárdica,	os	pacientes	 idosos	podem	relatar	dor	 em
queimação	ou	dor	ou	desconforto	agudo	em	uma	área	da	parte	superior	do	corpo.	O	fato	de	que	muitos
pacientes	 idosos	 apresentam	 mais	 de	 uma	 doença	 subjacente	 complica	 a	 avaliação.	 Quando	 um
paciente	se	queixa	de	sintomas	relacionados	com	a	digestão	e	respiração	e	de	dor	no	membro	superior,
a	doença	cardíaca	deve	ser	considerada.	A	ausência	de	dor	torácica	em	um	paciente	idoso	não	constitui
um	indicador	confiável	da	ausência	de	cardiopatia.
A	hipotensão	pode	ser	um	problema.	O	risco	de	hipotensão	ortostática	e	pós-prandial	aumenta	muito
depois	 de	 75	 anos	 deidade	 (Miller,	 2009).	 Um	 paciente	 que	 experimenta	 hipotensão	 deve	 ser
aconselhado	 a	 se	 levantar	 lentamente	 (a	 partir	 de	 uma	 posição	 de	 decúbito	 para	 a	 posição	 sentada	 e
para	 a	 posição	 em	 pé),	 evitar	 fazer	 força	 quando	 defeca	 e	 considerar	 a	 realização	 de	 cinco	 ou	 seis
pequenas	refeições	por	dia,	em	lugar	de	três,	a	fim	de	minimizar	a	hipotensão	que	pode	ocorrer	depois
de	uma	grande	refeição.	Os	extremos	na	temperatura,	incluindo	banhos	quentes	de	chuveiro	e	banhos
de	hidromassagem	quentes,	devem	ser	evitados.
Tabela	12.2 	ALTERAÇÕES	NOS	SISTEMAS	ORGÂNICOS	RELACIONADAS	COM	A	IDADE	E
ESTRATÉGIAS	DE	PROMOÇÃO	DA	SAÚDE
Alterações Achados	Objetivos	e	Subjetivos Estratégias	de	Promoção	da	Saúde
Sistema	Cardiovascular
Débito	cardíaco	diminuído;	capacidade
diminuída	para	responder	ao	estresse;
frequência	cardíaca	e	volume	sistólico	não
aumentam	com	a	demanda	máxima;	taxa	de
recuperação	cardíaca	mais	lenta;	pressão
arterial	aumentada
Queixas	de	fadiga	com	o	aumento
da	atividade
Maior	tempo	de	recuperação	da
frequência	cardíaca
Pressão	arterial	ótima	#	120/80
mmHg
Pré-hipertensão	>	120	a	139/80	a	89
mmHg
Hipertensão	$	140/90	mmHg
Exercitar-se	regularmente;	compassar	as	atividades;	evitar	fumar;
ingerir	dieta	hipolipídica	e	hipossódica;	participar	nas	atividades	de
redução	do	estresse;	verificar	regularmente	a	pressão	arterial;
adesão	à	medicação;	controle	de	peso
Sistema	Respiratório
Aumento	no	volume	pulmonar	residual;
diminuição	na	força	muscular,	resistência	e
capacidade	vital;	troca	gasosa	e	capacidade	de
difusão	diminuída;	eficiência	da	tosse
diminuída
Fadiga	e	falta	de	ar	com	a	atividade
sustentada;	excursão	respiratória	e
expansão	tórax/pulmão	diminuídas
com	menos	expiração	efetiva;
dificuldade	de	expectorar	as
secreções
Exercitar-se	regularmente;	evitar	fumar;	ingerir	os	líquidos
adequados	para	liquefazer	as	secreções;	receber	a	vacina	anual
contra	gripe	e	vacina	pneumocócica	com	65	anos	de	idade;	evitar	a
exposição	às	infecções	do	trato	respiratório	superior
Sistema	Tegumentar
Tecido	adiposo,	líquido	intersticial,	tônus
muscular,	atividade	glandular,	receptores
sensoriais	diminuídos	resultando	em	redução
da	proteção	contra	o	trauma	e	exposição
solar,	e	extremos	de	temperatura;	secreção
diminuída	dos	óleos	naturais	e	da	sudorese;
fragilidade	capilar
Pele	seca,	enrugada	e	fina;	queixas
de	lesões,	equimoses	e	queimadura
solar;	queixas	de	intolerância	ao
calor;	a	estrutura	óssea	é
proeminente
Limitar	a	exposição	solar	a	10	a	15	min	diários	para	a	vitamina	D
(usar	roupas	de	proteção	e	filtro	solar);	vestir-se	adequadamente
para	a	temperatura;	manter	uma	temperatura	segura	em	ambientes
fechados;	tomar	banho	de	chuveiro,	em	vez	de	banho	de	banheira,
quando	possível;	lubrificar	a	pele	com	loções	que	contenham	óleo
mineral	ou	petrolato
Sistema	Reprodutor
Feminino:	Estreitamento	vaginal	e	elasticidade
diminuída;	secreções	vaginais	diminuídas
Masculino:	Testículos	menos	firmes	e	produção
de	espermatozoide	diminuída
Masculino	e	Feminino:	Resposta	sexual	mais
lenta
Feminino:	Relação	sexual	dolorosa;
sangramento	vaginal	após	o
intercurso;	prurido	e	irritação
vaginais;	orgasmo	retardado
Masculino:	Ereção	e	obtenção	do
orgasmo	retardadas
Pode	precisar	de	reposição	de	estrogênio	vaginal;	acompanhamento
ginecológico/urológico;	usar	um	lubrificante	na	relação	sexual
Sistema	Musculoesquelético
Perda	da	densidade	óssea;	perda	da	força	e
tamanho	musculares;	cartilagem	articular
degenerada
Perda	de	peso;	propenso	a	fraturas;
cifose;	dor	nas	costas;	perda	da
força,	flexibilidade	e	resistência;	dor
articular
Exercitar-se	com	regularidade;	ingerir	uma	dieta	rica	em	cálcio;
limitar	a	ingestão	de	fósforo;	tomar	suplementos	de	cálcio	e
vitamina	D,	quando	prescritos
Sistema	Geniturinário
Masculino:	Hiperplasia	benigna	da	próstata Retenção	urinária;	sintomas
miccionais	irritativos,	incluindo
frequência,	sensação	de
esvaziamento	vesical	incompleto;
múltiplas	micções	noturnas
Masculino:	Limitar	a	ingestão	de	líquidos	à	noite	(p.	ex.,	bebidas
cafeinadas,	álcool);	não	esperar	longos	períodos	entre	a	micção	e
esvaziar	a	bexiga	por	completo	quando	eliminar	a	urina
Feminino:	Músculos	perineais	relaxados,
instabilidade	do	detrusor	(incontinência	de
Síndrome	da	urgência/frequência,
“tempo	de	advertência”	diminuído,
Feminino:	Usar	roupas	fáceis	de	manipular;	ingerir	os	líquidos
adequados;	evitar	irritantes	vesicais	(p.	ex.,	bebidas	cafeinadas,
urgência),	disfunção	uretral	(incontinência
urinária	por	estresse)
gotas	de	urina	eliminadas	com	a
tosse,	riso,	mudança	de	posição
álcool,	adoçantes	artificiais);	exercícios	da	musculatura	pélvica,
aprendidos	preferivelmente	por	meio	de	biofeedback;	considerar	a
pesquisa	urológica
Sistema	Gastrintestinal
Sensações	de	sede,	olfato	e	paladar	diminuídas;
salivação	diminuída;	dificuldade	de	deglutir	o
alimento;	esvaziamento	esofágico	e	gástrico
retardado;	motilidade	gastrintestinal	reduzida
Risco	de	desidratação,	distúrbios
eletrolíticos	e	de	ingestão
nutricional	deficiente;	queixas	de
ressecamento	da	boca;	queixas	de
plenitude,	pirose	e	indigestão;
constipação	intestinal,	flatulência	e
desconforto	abdominal
Usar	lascas	de	gelo,	colutório;	escovar,	passar	fio	dental	e	massagear
as	gengivas	diariamente;	receber	os	cuidados	dentários	regulares;
ingerir	refeições	pequenas	e	frequentes;	sentar	e	evitar	a	atividade
intensa	depois	da	alimentação;	limitar	os	antiácidos;	ingerir	uma
dieta	rica	em	fibras	e	pobre	em	gorduras;	limitar	os	laxativos;	fazer
a	higiene	íntima	regular;	ingerir	líquidos	adequados
Sistema	Nervoso
Velocidade	reduzida	na	condução	nervosa;
confusão	aumentada	com	a	doença	física	e
perda	dos	indícios	ambientais;	circulação
cerebral	reduzida	(fica	tonto,	perde	o
equilíbrio)
Mais	lento	para	responder	e	reagir;	o
aprendizado	demora	mais	tempo;
fica	confuso	com	a	internação;
vertigem;	quedas	frequentes
Compassar	a	velocidade	do	ensino;	com	a	hospitalização,	incentivar
as	visitas;	aumentar	a	estimulação	sensorial;	com	a	confusão	súbita,
investigar	a	causa;	incentivar	levantar-se	lentamente	da	posição	de
repouso
Sentidos	Especiais
Visão:	Capacidade	diminuída	de	focalizar	em
objetos	próximos;	incapacidade	de	tolerar	o
ofuscamento;	dificuldade	de	ajustar-se	às
alterações	da	intensidade	da	luz;	capacidade
diminuída	de	diferenciar	as	cores
Segura	objetos	em	um	ponto
afastado	da	face;	queixa-se	de
ofuscamento;	visão	noturna	ruim;
confunde	as	cores
Usar	óculos,	usar	óculos	de	sol	quando	em	ambiente	externo;	evitar
mudanças	súbitas	do	escuro	para	o	iluminado;	usar	a	iluminação
adequada	em	ambientes	fechados	com	luzes	de	área	e	luzes
noturnas;	usar	livros	com	letras	grandes;	usar	lupa	para	a	leitura;
evitar	dirigir	à	noite;	usar	cores	contrastantes	para	a	codificação	por
cores;	evitar	o	ofuscamento	de	superfícies	brilhosas	e	a	luz	solar
direta
Audição:	Capacidade	diminuída	de	ouvir	sons
de	alta	frequência;	afilamento	da	membrana
timpânica	e	perda	de	sua	elasticidade
Fornece	respostas	inadequadas;
pede	às	pessoas	que	repitam
palavras;	esforça-se	para	ouvir
Recomendar	um	exame	da	acuidade	auditiva;	reduzir	o	ruído
ambiental;	ficar	de	frente	para	a	pessoa;	pronunciar	com	clareza;
falar	com	tom	de	voz	baixo;	usar	indícios	não	verbais
Paladar	e	olfato:	Capacidade	diminuída	do
paladar	e	olfato
Usa	açúcar	e	sal	em	excesso Incentivar	o	uso	de	limão,	condimentos,	ervas
Recomendar	a	cessação	do	tabagismo
Sistema	Respiratório
O	sistema	respiratório	é	o	sistema	que	parece	ser	o	mais	capacitado	a	compensar	as	alterações	funcionais
do	 envelhecimento.	 Em	 geral,	 idosos	 saudáveis,	 não	 tabagistas,	 mostram	 muito	 pouco	 declínio	 na
função	 respiratória;	 no	 entanto,	 existem	 variações	 individuais	 substanciais.	 As	 alterações	 relacionadas
com	 a	 idade	 que	 realmente	 acontecem	 são	 sutis	 e	 graduais,	 sendo	 os	 idosos	 saudáveis	 capazes	 de
compensar	 essas	 alterações.	 A	 eficiência	 respiratória	 diminuída,	 bem	 como	 as	 forças	 inspiratória	 e
expiratória	 máximas	 diminuídas,	 pode	 acontecer	 como	 uma	 consequênciada	 calcificação	 e
enfraquecimento	 dos	músculos	 da	 parede	 torácica.	 A	massa	 pulmonar	 diminui	 e	 aumenta	 o	 volume
residual	(Bickley,	2007).
As	condições	de	estresse,	como	a	doença,	podem	aumentar	a	demanda	por	oxigênio	e	afetar	a	função
global	de	outros	sistemas.	Como	as	doenças	cardiovasculares,	as	doenças	respiratórias	manifestam-se	de
forma	mais	 sutil	nos	 idosos	que	nos	adultos	 jovens	 e	não	 seguem	necessariamente	o	padrão	 típico	de
tosse,	 calafrios	 e	 febre.	 Os	 idosos	 podem	 exibir	 cefaleia,	 fraqueza,	 letargia,	 anorexia,	 desidratação	 e
alterações	do	estado	mental	(Miller,	2009).
O	tabagismo	é	o	 fator	de	risco	mais	significativo	para	as	doenças	respiratórias	e	para	outras	doenças.
Portanto,	 um	 importante	 foco	 das	 atividades	 de	 promoção	 da	 saúde	 deve	 ser	 sobre	 a	 cessação	 do
tabagismo	 e	 prevenção	 do	 fumo	 passivo.	 A	 pneumonia	 e	 a	 gripe,	 juntas,	 constituem	 a	 quinta	 causa
principal	 de	 morte	 em	 pessoas	 com	 mais	 de	 65	 anos	 de	 idade	 (NCHS,	 2006).	 A	 educação	 para
promover	o	uso	das	vacinas	recomendadas	é	uma	intervenção	de	enfermagem	essencial.	Está	disponível
uma	 vacina	 pneumocócica	 que	 impede	 85	 a	 90%	 de	 todos	 os	 casos	 de	 pneumonia	 e	 é	 efetiva	 na
prevenção	de	75%	dos	casos	nas	pessoas	com	65	anos	de	 idade	ou	mais.	A	vacinação	para	 influenza	 é
menos	 efetiva	 na	 prevenção	 da	 influenza	 nos	 idosos	 que	 na	 população	mais	 jovem,	mas	 ela	 reduz	 as
mortes,	hospitalizações	e	outras	complicações	relacionadas	com	a	influenza	(Miller,	2009).
As	 atividades	 que	 ajudam	 as	 pessoas	 idosas	 a	 manter	 a	 função	 respiratória	 adequada	 incluem	 o
exercício	regular,	a	ingestão	de	líquido	adequada,	a	vacinação	pneumocócica,	as	vacinações	anuais	para
influenza,	 e	 evita	 a	 hospitalização	 das	 pessoas	 que	 adoecem.	 Os	 idosos	 hospitalizados	 devem	 ser
frequentemente	 lembrados	 de	 tossir	 e	 realizar	 respirações	 profundas,	 principalmente	 no	 período	 pós-
operatório,	 porque	 sua	 capacidade	 pulmonar	 diminuída	 e	 a	 eficiência	 da	 tosse	 diminuída	 são	 fatores
que	os	predispõem	à	atelectasia	e	às	infecções	respiratórias.
Sistema	Tegumentar
As	 funções	 da	 pele	 incluem	 a	 proteção,	 regulação	 da	 temperatura,	 sensibilidade	 e	 excreção.	 Com	 o
envelhecimento,	ocorrem	alterações	que	afetam	a	função	e	a	aparência	da	pele.	Há	uma	diminuição	da
proliferação	epidérmica,	e	a	derme	torna-se	mais	delgada.	As	fibras	elásticas	são	reduzidas	em	número
e	o	colágeno	torna-se	mais	rígido.	O	tecido	adiposo	subcutâneo	diminui,	principalmente	nos	membros,
mas	aumenta	de	forma	gradual	em	outras	regiões,	como	no	abdome	(homens)	e	nas	coxas	(mulheres),
levando	a	um	aumento	global	na	gordura	corporal	nas	pessoas	idosas	(Tabloski,	2006).	As	quantidades
diminuídas	 de	 capilares	 na	 pele	 resultam	 em	 aporte	 sanguíneo	diminuído.	 Essas	 alterações	 provocam
uma	 perda	 da	 maleabilidade	 e	 o	 enrugamento	 e	 flacidez	 da	 pele.	 A	 pele	 torna-se	 mais	 seca	 e	 mais
suscetível	 a	 queimaduras,	 lesão	 e	 infecção.	 A	 pigmentação	 dos	 pelos	 pode	 modificar-se	 e	 ocorrer	 a
calvície;	 os	 fatores	 genéticos	 influenciam	 fortemente	 essas	 alterações.	 Tais	 mudanças	 no	 tegumento
reduzem	a	tolerância	aos	extremos	de	temperatura	e	à	exposição	ao	sol.
É	provável	que	as	práticas	do	estilo	de	vida	tenham	um	grande	impacto	sobre	as	alterações	cutâneas.
Por	conseguinte,	as	estratégias	para	promover	a	 função	da	pele	 incluem	não	 fumar;	evitar	a	exposição
ao	sol;	usar	um	fator	de	proteção	solar	(FPS)	de	15	ou	mais;	usar	cremes	cutâneos	emolientes,	contendo
vaselina	 ou	 óleo	mineral;	 evitar	 embebições	 quentes	 na	 banheira;	 e	manter	 a	 nutrição	 e	 a	 hidratação
ótimas.	Os	 idosos	devem	ser	 incentivados	a	passar	por	exame	de	qualquer	alteração	na	pele,	porque	a
detecção	e	o	 tratamento	precoces	de	 lesões	pré-cancerosas	ou	cancerosas	 são	essenciais	para	o	melhor
resultado.
Sistema	Reprodutor
A	sexualidade	não	é	mais	considerada	como	pertinente	apenas	ao	jovem.	No	entanto,	a	pesquisa	sobre
a	 sexualidade	 entre	 os	 idosos,	 em	 especial	 nas	 mulheres,	 não	 foi	 extensa.	 A	 produção	 ovariana	 de
estrogênio	e	progesterona	cessa	com	a	menopausa.	As	alterações	que	acontecem	no	sistema	reprodutor
feminino	incluem	o	adelgaçamento	da	parede	vaginal,	juntamente	com	um	encurtamento	e	uma	perda
de	 elasticidade	 da	 vagina;	 diminuição	 das	 secreções	 vaginais,	 resultando	 em	 ressecamento	 vaginal,
prurido	e	acidez	diminuída;	 a	 involução	 (atrofia)	do	útero	e	dos	ovários;	 e	 a	diminuição	do	 tônus	do
músculo	 pubococcígeo,	 resultando	 em	 relaxamento	 da	 vagina	 e	 períneo.	 Sem	 o	 uso	 de	 lubrificantes
hidrossolúveis,	 essas	 alterações	 podem	 contribuir	 para	 o	 sangramento	 vaginal	 e	 para	 o	 intercurso
doloroso.
Nos	homens	idosos,	o	testículo	torna-se	menos	firme,	mas	homens	até	90	anos	de	idade	continuam	a
produzir	espermatozoides	viáveis.	Em	torno	de	50	anos	de	idade,	a	produção	de	testosterona	começa	a
diminuir	(Tabloski,	2006).	A	libido	diminuída	e	a	disfunção	erétil	podem	desenvolver-se,	mas	são	mais
prováveis	 de	 se	 associar	 a	 fatores	 diferentes	 das	 alterações	 relacionadas	 com	a	 idade.	Esses	 fatores	 de
risco	 incluem	 a	 doença	 cardiovascular,	 distúrbios	 neurológicos;	 diabetes;	 doença	 respiratória;	 dor;	 e
medicamentos,	como	vasodilatadores,	agentes	anti-hipertensivos	e	antidepressivos	tricíclicos.
Nos	 homens	 e	 mulheres	 idosos,	 pode	 levar	 mais	 tempo	 para	 que	 ocorra	 o	 despertar	 sexual,	 mais
tempo	 para	 completar	 a	 relação	 sexual	 e	 mais	 tempo	 antes	 que	 o	 despertar	 sexual	 possa	 acontecer
novamente.	 Embora	 uma	 resposta	 menos	 intensa	 à	 estimulação	 sexual	 e	 um	 declínio	 na	 atividade
sexual	 ocorram	 com	 o	 avançar	 da	 idade,	 o	 desejo	 sexual	 não	 desaparece.	 Os	 homens	 podem
experimentar	 um	 declínio	 na	 função	 sexual	 relacionado	 com	 as	 patologias	 ou	 com	 a	 interferência
decorrente	das	medicações.	As	mulheres	podem	perder	seu	parceiro;	a	ausência	de	um	parceiro	é,	com
frequência,	o	principal	 fator	causador	da	 falta	de	atividade	sexual.	Muitos	casais	não	estão	cientes	das
causas	da	diminuição	da	libido	ou	da	disfunção	erétil	e,	com	frequência,	relutam	em	discutir	a	função
sexual	 diminuída.	 Existem	muitos	métodos	 para	melhorar	 a	 qualidade	 das	 interações	 sexuais,	mas	 a
avaliação	 e	 a	 comunicação	 requerem	 sensibilidade	 e	 o	 conhecimento	 especializado	 no	 campo	 da
disfunção	sexual.	Quando	a	disfunção	sexual	está	presente,	pode	estar	assegurada	a	referência	para	um
ginecologista,	urologista	ou	terapeuta	sexual.
Sistema	Geniturinário
O	 sistema	 geniturinário	 continua	 a	 funcionar	 adequadamente	 nas	 pessoas	 idosas,	 embora	 exista	 uma
diminuição	na	massa	renal,	principalmente	por	causa	de	uma	perda	dos	néfrons.	No	entanto,	a	perda
de	néfrons	geralmente	não	se	 torna	significativa	até	em	torno	de	90	anos	de	 idade,	e	as	alterações	na
função	 renal	 variam	muito;	 cerca	 de	 um	 terço	 das	 pessoas	 idosas	 não	 exibem	 diminuição	 na	 função
renal	 (Tabloski,	 2006).	 As	 alterações	 na	 função	 renal	 podem	 decorrer	 de	 uma	 combinação	 de
envelhecimento	 e	 condições	 patológicas,	 como	 a	 hipertensão.	 As	 alterações	 observadas	 com	 maior
frequência	 incluem	uma	taxa	de	 filtração	diminuída,	 função	tubular	diminuída,	com	menos	eficiência
em	reabsorver	e	concentrar	a	urina,	e	uma	restauração	mais	lenta	do	equilíbrio	acidobásico	na	resposta
ao	 estresse.	 Além	 disso,	 os	 idosos	 que	 recebem	 medicamentos	 podem	 experimentar	 graves
consequências	 devido	 ao	 declínio	 na	 função	 renal	 por	 causa	 da	 absorção	 comprometida,	 redução	 da
capacidade	de	manter	o	equilíbrio	hidreletrolítico	e	diminuição	da	capacidade	de	concentrar	a	urina.
Determinados	distúrbios	geniturinários	são	mais	comuns	em	idosos	que	na	população	em	geral.	Pelo
menos	1	em	cada	10	adultos	idosos	nos	EUA	sofre	de	incontinência	urinária,	e	as	mulheres	têm	maior
probabilidade	 que	 os	 homens	 de	 apresentar	 essedistúrbio.	 Infelizmente,	 essa	 condição	 é
frequentemente	 visualizada	de	maneira	 errônea	 como	uma	 consequência	normal	 do	 envelhecimento.
De	modo	dispendioso	e	incômodo,	ela	deve	ser	avaliada,	porque,	em	muitos	casos,	é	reversível	ou	pode
ser	tratada	(Specht,	2005).	A	incontinência	urinária	é	discutida	em	maiores	detalhes	no	Capítulo	45.	A
hiperplasia	 benigna	 da	 próstata	 (próstata	 aumentada),	 um	 achado	 comum	 nos	 idosos,	 provoca	 um
aumento	gradual	na	retenção	urinária	e	a	incontinência	por	hiperfluxo.
As	alterações	no	trato	urinário	aumentam	a	suscetibilidade	às	infecções	do	trato	urinário.	O	consumo
adequado	dos	 líquidos	 é	 uma	 importante	 intervenção	de	 enfermagem	que	 reduz	o	 risco	de	 infecções
vesicais	e	também	ajuda	a	diminuir	a	incontinência	urinária.
Sistema	Gastrintestinal
A	digestão	do	alimento	é	menos	influenciada	pelas	alterações	relacionadas	com	a	idade	que	pelo	risco
da	nutrição	deficiente.	As	pessoas	idosas	podem	ajustar-se	às	alterações	relacionadas	com	a	idade,	mas
podem	ter	dificuldade	de	adquirir,	preparar	e	apreciar	suas	refeições.	A	sensação	do	olfato	diminui	em
consequência	 das	 alterações	 neurológicas	 e	 dos	 fatores	 ambientais,	 como	 tabaco,	 medicamentos	 e
deficiências	de	vitamina	B12.	A	capacidade	de	reconhecer	alimentos	doces,	azedos,	amargos	ou	salgados
diminui	 com	o	passar	do	 tempo,	mudando	o	prazer	de	alimentar-se.	O	 fluxo	 salivar	não	diminui	nos
adultos	 saudáveis,	mas	 aproximadamente	 30%	 das	 pessoas	 idosas	 podem	 experimentar	 boca	 seca	 em
consequência	 de	 medicamentos	 e	 doenças	 (Miller,	 2009).	 As	 dificuldades	 com	 a	 mastigação	 e
deglutição	geralmente	estão	associadas	à	doença.
Os	 especialistas	 discordam	 da	 extensão	 das	 alterações	 gástricas	 que	 acontecem	 como	 resultado	 do
envelhecimento	normal.	No	 entanto,	 parece	haver	um	discreto	 retardo	da	motilidade	 gástrica,	 a	 qual
resulta	em	esvaziamento	retardado	do	conteúdo	gástrico	e	saciedade	precoce	(sensação	de	plenitude).
A	secreção	diminuída	de	ácido	gástrico	e	pepsina,	aparentemente	o	resultado	de	condições	patológicas
em	 lugar	do	 envelhecimento	normal,	 reduz	 a	 absorção	de	 ferro,	 cálcio	 e	 vitamina	B12.	A	 absorção	de
nutrientes	no	 intestino	delgado,	principalmente	de	cálcio	e	vitamina	D,	parece	diminuir	com	a	 idade.
As	 funções	 do	 fígado,	 vesícula	 biliar	 e	 pâncreas	 geralmente	 são	 mantidas,	 embora	 a	 absorção	 e	 a
tolerância	 à	 gordura	 possam	 diminuir.	 A	 incidência	 de	 cálculos	 biliares	 e	 de	 cálculos	 no	 ducto	 biliar
comum	aumenta	progressivamente	com	o	avançar	da	idade.
A	dificuldade	na	deglutição,	ou	disfagia,	aumenta	com	a	idade	e	é	um	problema	de	saúde	importante
nos	pacientes	idosos.	O	envelhecimento	normal	altera	alguns	aspectos	da	função	de	deglutição	e	é	uma
complicação	 frequente	 do	 acidente	 vascular	 cerebral	 e	 um	 fator	 de	 risco	 significativo	 para	 o
desenvolvimento	 da	 pneumonia.	 Essa	 grave	 patologia	 pode	 comportar	 risco	 de	 vida.	 É	 causada	 pela
interrupção	 ou	 disfunção	 das	 vias	 neurais,	 como	pode	 acontecer	 com	o	 acidente	 vascular	 cerebral.	A
disfagia	 também	pode	 resultar	da	disfunção	dos	músculos	estriados	e	 lisos	do	 trato	gastrintestinal	nos
pacientes	com	doença	de	Parkinson	e	naqueles	com	transtornos	como	a	esclerose	múltipla,	poliomielite
e	esclerose	lateral	amiotrófica	(p.	ex.,	doença	de	Lou	Gehrig).	A	broncoaspiração	de	alimento	ou	líquido
é	a	complicação	mais	grave	e	pode	acontecer	na	ausência	da	tosse	ou	asfixia.
A	 constipação	 intestinal	 é	 uma	 condição	 patológica	 comum	 que	 afeta	 até	 80%	 das	 pessoas	 idosas
institucionalizadas	 e	 45%	 dos	 idosos	 moradores	 na	 comunidade	 (Miller,	 2009).	 Os	 sintomas	 da
constipação	 intestinal	 branda	 são	o	desconforto	 abdominal	 e	 flatulência;	 a	 constipação	 intestinal	mais
grave	leva	à	impactação	fecal	que	contribui	para	a	diarreia	ao	redor	da	impactação,	incontinência	fecal	e
obstrução.	Os	fatores	predisponentes	para	a	constipação	 intestinal	 incluem	a	 falta	de	volume	na	dieta,
uso	prolongado	de	laxativos,	uso	de	alguns	medicamentos,	inatividade,	ingesta	insuficiente	de	líquidos
e	gordura	excessiva	na	dieta.	Ignorar	a	urgência	para	defecar	também	pode	ser	um	fator	contribuinte.
As	 práticas	 que	 promovem	 a	 saúde	 gastrintestinal	 incluem	 a	 escovação	 regular	 dos	 dentes	 e	 a
utilização	de	 fio	dental;	 receber	cuidados	dentários	 regulares;	 ingerir	 refeições	pequenas	e	 frequentes;
evitar	a	atividade	intensa	depois	da	alimentação;	ingerir	uma	dieta	rica	em	fibras	e	hipolipídica;	ingerir
líquidos	 suficientes;	 e	 evitar	 o	 uso	 de	 laxativos	 e	 antiácidos.	Compreender	 que	 existe	 uma	 correlação
direta	entre	a	perda	da	percepção	de	olfato	e	paladar	e	que	a	 ingesta	alimentar	ajuda	os	cuidadores	a
intervir	para	manter	a	saúde	nutricional	dos	pacientes	idosos.
Saúde	Nutricional
As	 funções	 social,	 psicológica	 e	 fisiológica	 da	 alimentação	 influenciam	 os	 hábitos	 nutricionais	 das
pessoas	idosas.	A	idade	crescente	altera	os	requisitos	de	nutrientes;	o	idoso	precisa	de	menos	calorias	e
uma	dieta	mais	saudável,	rica	em	nutrientes,	em	resposta	às	alterações	na	massa	corporal	e	a	um	estilo
de	vida	mais	sedentário.	As	recomendações	incluem	reduzir	a	ingestão	de	gorduras,	enquanto	consome
proteína,	 vitaminas,	minerais	 e	 fibras	 nutricionais	 suficientes	 para	 a	 saúde	 e	 prevenção	 da	 doença.	A
atividade	 física	 diminuída	 e	 uma	 taxa	 metabólica	 mais	 lenta	 reduzem	 a	 quantidade	 de	 calorias
necessárias	 pelos	 idosos	 para	 manter	 um	 peso	 ideal.	 Conforme	 dito	 anteriormente,	 as	 alterações
relacionadas	com	a	idade	que	modificam	o	prazer	na	alimentação	incluem	uma	diminuição	no	paladar
e	olfato.	É	provável	que	as	pessoas	 idosas	mantenham	um	paladar	para	doce,	mas	exijam	mais	açúcar
para	um	sabor	doce.	Elas	também	podem	perder	a	capacidade	de	diferenciar	os	sabores	azedo,	salgado
e	 amargo.	Apatia,	 imobilidade,	depressão,	 solidão,	pobreza,	 conhecimento	 inadequado	 e	 a	 saúde	oral
deficiente	também	contribuem	para	a	 ingesta	subótima	de	nutrientes.	As	restrições	orçamentárias	e	as
limitações	físicas	podem	interferir	com	a	compra	do	alimento	e	a	preparação	da	refeição.
A	 promoção	 da	 saúde	 inclui	 incentivar	 uma	 dieta	 variada,	 a	 qual	 seja	 pobre	 em	 sódio	 e	 lipídios
saturados	e	rica	em	vegetais,	frutas	e	peixe.	A	educação	relacionada	com	os	alimentos	saudáveis	versus
alimentos	com	nutrientes	inadequados	é	valiosa.	A	incidência	da	obesidade	em	norte-americanos	com
80	 anos	 de	 idade	 alcançou	 proporções	 epidêmicas,	 e	 isso	 aumenta	 muito	 a	 incidência	 de	 doença
crônica,	como	o	diabetes	e	as	doenças	cardiovasculares.
Não	mais	que	30%	das	calorias	da	dieta	devem	ser	consumidas	como	gordura.	A	ingesta	proteica	pode
precisar	 ser	 aumentada	 em	 um	 período	 mais	 tardio	 na	 vida	 adulta,	 de	 modo	 a	 manter	 o	 equilíbrio
nitrogenado	 adequado	 (DiMaria-Ghalili	 &	 Amella,	 2005).	 Os	 carboidratos,	 uma	 fonte	 de	 energia
importante,	devem	suprir	55	a	60%	das	calorias	diárias.	Os	açúcares	simples	devem	ser	evitados,	sendo
incentivados	os	 carboidratos	 complexos.	Batatas,	 cereais	 integrais,	 arroz	 integral	 e	 frutas	 são	 fontes	de
minerais,	vitaminas	e	 fibras,	devendo	ser	 incentivados.	Recomenda-se	a	 ingestão	de	2	a	2,5	ℓ	de	água
por	 dia,	 a	menos	 que	 contraindicado	 por	 uma	 condição	médica.	 Um	multivitamínico	 diário	 ajuda	 a
satisfazer	 às	necessidades	nutricionais	diárias.	Adultos	 com	mais	de	50	anos	de	 idade	devem	 ter	uma
ingesta	diária	de	cálcio	de	1.200	g	e	de	600	UI	de	vitamina	D	para	manter	a	saúde	óssea	(Miller,	2009).
A	 subnutrição	 também	pode	 ser	um	problema	para	os	 idosos;	 tanto	quanto	40	 a	 60%	dos	pacientes
hospitalizados	 e	 40	 a	 85%	 daqueles	 em	 clínicas	 de	 repouso	 estão	 desnutridos.	 Uma	 perda	 de	 peso
recente	não	planejada	pode	ser	consequência	de	uma	doença	ou	de	outros	 fatores,	como	a	depressão,
que	 podem	 ter	 graves	 consequências	 e	 afetar	 a	 capacidade	 de	 uma	 pessoa	 para	 mantera	 saúde	 e
combater	 a	 doença	 (Martin,	 Kayser-Jones,	 Stotts,	 et	 al.,	 2007).	Muitas	 pessoas	 não	 estão	 cientes	 dos
déficits	nutricionais.	As	enfermeiras	se	encontram	em	uma	posição	 ideal	para	 identificar	os	problemas
nutricionais	 entre	 seus	 pacientes	 e	 para	 trabalhar	 dentro	 da	 estrutura	 de	 conhecimento	 do	 próprio
paciente	a	respeito	de	seu	estado	de	saúde	para	melhorar	os	comportamentos	de	saúde.	O	Capítulo	5
fornece	mais	informações	sobre	a	avaliação	nutricional.
Sono
Os	 distúrbios	 do	 sono	 afetam	 mais	 de	 50%	 dos	 adultos	 com	 65	 anos	 de	 idade	 ou	 mais.	 Os	 idosos
tendem	 a	 precisar	 de	 mais	 tempo	 para	 adormecer,	 despertam	 com	 mais	 facilidade	 e	 frequência,	 e
passam	 menos	 tempo	 em	 sono	 profundo.	 Por	 conseguinte,	 podem	 achar	 que	 seu	 sono	 é	 menos
satisfatório	(Miller,	2009).	Embora	os	idosos	precisem	de	tanto	sono	quanto	as	pessoas	mais	jovens,	eles
podem	experimentar	variações	em	seus	ciclos	de	sono-vigília	normais,	e	a	falta	do	sono	de	qualidade	à
noite	frequentemente	cria	a	necessidade	de	cochilos	durante	o	dia.	As	pessoas	idosas	são	mais	prováveis
de	despertar	por	causa	de	fatores	como	ruído,	dor	ou	noctúria.
A	incidência	da	apneia	do	sono	(um	transtorno	do	sono	caracterizado	por	breves	períodos	em	que	as
respirações	 estão	 ausentes)	 aumenta	 com	 a	 idade.	 A	 combinação	 de	 sintomas	 de	 insônia	 e	 um
transtorno	 relacionado	 com	 o	 sono	 (ronco,	 sufocação	 ou	 pausas	 na	 respiração)	 está	 associada	 a
comprometimento	 significativo	 do	 funcionamento	 diurno	 e	 a	 tempos	 de	 reação	 psicomotora	 mais
prolongados	 do	 que	 cada	 uma	 dessas	 condições	 isoladamente	 (Cole	 &	 Richards,	 2007;	 Gooneratne,
Gehrman,	Nkwuo,	et	al.,	2006).	A	apneia	do	sono	é	discutida	em	maiores	detalhes	no	Capítulo	22.
A	 enfermeira	 é	 o	 cuidador	 que	 observa	 os	 pacientes	 enquanto	 eles	 estão	 dormindo.	 A	 enfermeira
pode	observar	problemas	e	também	recomendar	os	comportamentos	de	higiene	do	sono,	como	evitar	a
utilização	 do	 leito	 para	 atividades	 diferentes	 de	 dormir	 (ou	 sexo),	manter	 uma	 rotina	 de	 horário	 de
dormir	 consistente,	 evitar	 ou	 limitar	 os	 cochilos	 diurnos,	 limitar	 a	 ingestão	 de	 álcool	 a	 um	 ou	 dois
drinques	por	dia,	e	evitar	a	cafeína	e	a	nicotina	durante	a	noite.
Sistema	Musculoesquelético
Os	sistemas	neurológico	e	musculoesquelético	intactos	são	essenciais	para	a	manutenção	da	mobilidade
segura,	desempenho	das	atividades	de	vida	diária	 (AVD)	 (atividades	de	 cuidados	pessoais	 básicos)	 e
das	 atividades	 instrumentais	 de	 vida	 diária	 (AIVD)	 (atividades	 que	 são	 essenciais	 para	 a	 vida
independente),	permitindo	assim	que	os	idosos	permaneçam	seguros	e	vivam	de	maneira	independente
na	comunidade.	As	alterações	relacionadas	com	a	idade	que	afetam	a	mobilidade	incluem	alterações	na
remodelação	óssea,	 levando	à	densidade	óssea	diminuída,	perda	da	massa	muscular,	deterioração	das
fibras	musculares	e	membranas	celulares,	e	a	degeneração	na	função	e	eficiência	das	articulações.	Esses
fatores	são	discutidos	em	detalhes	na	Unidade	15.
Sem	 exercício,	 uma	 diminuição	 gradual	 e	 progressiva	 na	 massa	 óssea	 começa	 antes	 de	 40	 anos	 de
idade.	A	cartilagem	das	articulações	 também	deteriora	de	modo	progressivo	na	meia-idade.	A	doença
articular	degenerativa	é	encontrada	na	maioria	dos	adultos	com	mais	de	70	anos	de	 idade,	e	a	dor	na
articulação	 de	 sustentação	 de	 peso	 e	 nas	 costas	 constitui	 uma	 queixa	 comum.	 A	 perda	 excessiva	 de
densidade	óssea	resulta	em	osteoporose,	o	que	leva	a	fraturas	vertebrais	e	de	quadril	com	potencial	para
a	alteração	da	vida.	A	osteoporose	é	passível	de	prevenção.
O	 axioma	 “use	 ou	 perca”	 é	 muito	 relevante	 para	 a	 capacidade	 física	 dos	 idosos.	 As	 enfermeiras
desempenham	um	importante	papel	ao	 incentivar	os	 idosos	a	participar	em	um	programa	de	exercício
regular	 (Quadro	 12.1).	Não	podem	 ser	 subestimados	 os	 benefícios	 do	 exercício	 regular.	Os	 exercícios
aeróbicos	constituem	a	base	dos	programas	de	condicionamento	cardiovascular,	mas	os	treinamentos	de
resistência	e	força,	bem	como	os	exercícios	de	flexibilidade	são	componentes	essenciais	de	um	programa
de	exercícios.	Mesmo	tardiamente	na	vida,	nos	adultos	que	são	muito	idosos	ou	frágeis,	geralmente	se
acredita	que	o	exercício	tem	os	benefícios	de	aumentar	a	força,	a	capacidade	aeróbica,	a	flexibilidade	e	o
equilíbrio	(Fahlman,	Topp,	McNevin,	et	al.,	2007).
QUADRO
12.1
PESQUISA	DE	ENFERMAGEM
Exercício	Estruturado
Fahlman,	M.	M.,	Topp,	R.,	McNevin,	N.,	et	al.	(2007).	Assessing	the	benefits	of	an	aerobic	plus	resistance	training	program.
Journal	of	Gerontological	Nursing,	33(6),	33–39.
Finalidade
Esse	 estudo	 examinou	 os	 efeitos	 de	 um	programa	 de	 exercícios	 de	 16	 semanas	 destinado	 a	 aumentar	 a	 capacidade
aeróbica,	 força	muscular	 e	 a	 resistência	 entre	 adultos	 idosos	 residentes	 na	 comunidade.	 Os	 participantes	 relataram	 e
demonstraram	capacidade	funcional	 limitada,	como	ser	 incapaz	de	subir	26	degraus	em	menos	de	12,6	s	(a	velocidade
média	para	pessoas	com	65	anos	de	idade	ou	mais).
Metodologia
Os	79	adultos,	com	uma	idade	média	de	75	anos	(faixa	de	65	a	92	anos),	não	tinham	participado	anteriormente	em	um
programa	de	exercícios.	Eles	foram	divididos	aleatoriamente	em	um	grupo	de	exercício	e	um	grupo-controle.	No	grupo-
controle,	o	programa	de	exercício	estava	atrasado,	enquanto	no	grupo	de	exercício	os	participantes	empreendiam	uma
caminhada	 em	 grupo	 por	 25	 min	 e	 dois	 conjuntos	 de	 12	 repetições	 de	 13	 exercícios	 de	 resistência	 diferentes,	 3
vezes/semana	durante	16	semanas.	A	distância	que	os	participantes	eram	capazes	de	caminhar	em	um	período	de	6	min
foi	empregada	para	medir	a	resistência	e	o	teste	de	força	foi	realizado	nas	pernas	e	nos	braços.
Achados
Os	 achados	 demonstraram	 que	 um	 programa	 de	 exercícios	 estruturado	 de	 16	 semanas	 nos	 idosos	 com	 capacidade
funcional	limitada	levou	a	um	aumento	na	capacidade	funcional,	como	a	resistência	e	força,	quando	comparados	com	o
grupo-controle.	Os	participantes	no	grupo	de	exercício	aumentaram	sua	distância	de	caminhada	em	6	min	em	12%,	sua
força	nas	pernas	em	9%	e	sua	força	nos	braços	em	6%	na	comparação	com	as	medições	basais.
Implicações	de	Enfermagem
Esse	estudo	sustenta	o	valor	do	exercício	para	manter	a	capacidade	funcional	basal	e	demonstra	que	os	idosos	podem
aumentar	 sua	 capacidade	 funcional	 para	 a	 força	 muscular	 e	 para	 a	 resistência	 com	 um	 programa	 de	 exercícios
estruturado	 regular.	Manter	 a	 força	muscular,	 a	 resistência	 cardiovascular	 e	 o	 equilíbrio	 possibilita	 que	 a	 pessoa	 idosa
mantenha	 a	 independência	 na	 velhice.	 As	 enfermeiras	 podem	 ser	 proativas	 mantendo	 os	 pacientes	 fora	 do	 leito	 e
movimentando-se,	 recomendando	o	exercício	continuado	para	pacientes	 idosos	e	 identificando	os	pacientes	que	estão
demonstrando	um	declínio	 funcional	 e	 referindo-os	para	os	programas	de	exercício	moderado	produzidos	 visando	os
idosos.
Sistema	Nervoso
A	homeostasia	é	difícil	de	manter	com	o	envelhecimento,	porém	a	maioria	das	pessoas	idosas	funciona
adequadamente	e	 retém	sua	capacidade	cognitiva	e	 intelectual	na	ausência	das	alterações	patológicas;
no	entanto,	 as	alterações	do	envelhecimento	normal	no	 sistema	nervoso	podem	afetar	 todas	as	partes
do	corpo.
A	estrutura	 e	 a	 função	do	 sistema	nervoso	mudam	com	a	 idade	 avançada,	 e	uma	 redução	no	 fluxo
sanguíneo	 cerebral	 acompanha	 as	 alterações	 no	 sistema	 nervoso.	 Os	 relatos	 da	 perda	 das	 células
nervosas	são	altamente	variados,	com	variações	na	perda	de	neurônios	em	diferentes	regiões	encefálicas
(Mauk,	2006).	A	perda	de	células	nervosas	contribui	para	uma	perda	progressiva	da	massa	encefálica.
Além	 disso,	 a	 síntese	 e	 o	 metabolismo	 dos	 principais	 neurotransmissores	 também	 são	 reduzidos.
Como	 os	 impulsos	 nervosos	 são	 conduzidos	 de	 forma	 mais	 lenta,	 as	 pessoas	 idosas	 demoram	 mais
tempo	para	responder	e	reagir.	O	sistemanervoso	autônomo	atua	de	modo	menos	eficiente,	podendo
acontecer	a	hipotensão	postural,	que	faz	com	que	as	pessoas	percam	a	consciência	ou	se	sintam	tontas
quando	se	 levantam	rapidamente.	As	alterações	neurológicas	podem	afetar	a	marcha	e	o	equilíbrio,	o
que	pode	interferir	com	a	mobilidade	e	a	segurança.	As	enfermeiras	devem	aconselhar	as	pessoas	idosas
a	permitir	mais	tempo	para	responder	a	um	estímulo	e	para	se	mover	de	forma	mais	deliberada.
Esse	tempo	de	reação	lentificada	coloca	os	idosos	em	risco	para	quedas	e	lesões,	bem	como	para	erros
ao	dirigir	veículos.	Ainda	que	os	idosos	passem	menos	tempo	dirigindo	em	comparação	com	as	pessoas
mais	 jovens,	 os	 idosos	 são	 igualmente	 mais	 prováveis	 de	 envolver-se	 em	 colisões	 de	 veículos
motorizados	que	resultem	em	lesão	grave	ou	morte.	As	pessoas	 idosas	que	dirigem	de	 forma	 insegura
devem	 passar	 por	 uma	 avaliação	 sobre	 sua	 adequação	 para	 conduzir	 veículos	 (Miller,	 2009).	 Com
frequência,	esta	é	administrada	por	um	terapeuta	ocupacional	em	conjunto	com	um	neurofisiologista,	o
qual	realiza	os	exames	cognitivos	mais	detalhados.
A	função	mental	é	ameaçada	por	estresses	físicos	ou	emocionais.	Um	início	súbito	da	confusão	pode
ser	o	primeiro	sintoma	de	uma	infecção	ou	alteração	na	condição	física	(p.	ex.,	pneumonia,	infecção	do
trato	urinário,	interações	medicamentosas	e	desidratação).
Sistema	Sensorial
As	 pessoas	 interagem	 com	 o	 mundo	 por	 meio	 de	 seus	 sentidos.	 As	 perdas	 sensoriais	 associadas	 ao
envelhecimento	afetam	 todos	os	órgãos	 sensoriais,	podendo	 ser	devastador	não	 ser	 capaz	de	enxergar
para	 ler	ou	ver	 televisão,	ouvir	uma	conversa	 suficientemente	bem	para	 se	 comunicar,	ou	discriminar
bem	o	paladar	para	apreciar	o	alimento.	Quase	metade	dos	homens	idosos	e	33%	das	mulheres	idosas
relatam	dificuldade	de	 audição,	 sem	um	aparelho	 auditivo.	Dezesseis	 por	 cento	dos	homens	 idosos	 e
19%	 das	 mulheres	 idosas	 relatam	 dificuldade	 de	 visão,	 mesmo	 com	 lentes	 corretoras	 (Federal
Interagency	 Forum	 on	 Aging-Related	 Statistics,	 2008).	 Uma	 alteração	 da	 perda	 sensorial	 não
compensada	afeta	negativamente	a	capacidade	funcional	e	a	qualidade	de	vida	do	idoso.
Perda	Sensorial	versus	Privação	Sensorial
A	 perda	 sensorial	 pode	 ser	 frequentemente	 compensada	 por	 dispositivo	 assistivo,	 como	 óculos	 e
aparelhos	auditivos.	Em	contrapartida,	 a	privação	 sensorial	 é	 a	 ausência	de	 estímulos	ambientais	ou	a
incapacidade	de	interpretar	os	estímulos	existentes	(talvez	em	consequência	de	uma	perda	sensorial).	A
privação	sensorial	pode	levar	ao	tédio,	confusão,	irritabilidade,	desorientação	e	ansiedade.	Um	declínio
no	estímulo	sensorial	pode	 imitar	um	declínio	na	cognição,	o	qual,	na	realidade,	não	está	presente.	A
estimulação	 sensorial	 significativa	 fornecida	 ao	 idoso	 é,	 com	 frequência,	 valiosa	 para	 corrigir	 esse
problema.	Em	algumas	 situações,	um	 sentido	pode	 substituir	outro	na	observação	 e	 interpretação	dos
estímulos.	As	 enfermeiras	 podem	aumentar	 a	 estimulação	 sensorial	 no	 ambiente	 com	cores,	 quadros,
texturas,	sabores,	odores	e	sons.	Os	estímulos	são	mais	significativos	quando	eles	são	interpretados	para
os	idosos	e	quando	são	mudados	com	frequência.	As	pessoas	com	comprometimento	cognitivo	tendem
a	responder	bem	ao	tato	e	à	música	que	lhes	são	familiares.
Visão
À	medida	que	novas	células	 se	 formam	na	superfície	externa	do	cristalino	do	olho,	as	células	centrais
mais	 antigas	 se	 acumulam	 e	 ficam	 amareladas,	 rígidas,	 densas	 e	 turvas,	 deixando	 apenas	 a	 porção
externa	 do	 cristalino	 com	 elasticidade	 suficiente	 para	 a	 mudança	 de	 formato	 (acomodação)	 e
focalização	para	as	distâncias	próximas	e	afastadas.	À	medida	que	o	cristalino	se	torna	menos	flexível,	o
ponto	 próximo	 do	 foco	 fica	 cada	 vez	 mais	 distante.	 Essa	 condição,	 presbiopia,	 em	 geral	 começa	 na
quinta	década	de	vida	e	exige	que	a	pessoa	use	óculos	de	leitura	para	ampliar	os	objetos.	Além	disso,	o
cristalino	 amarelado	 e	 turvo	 faz	 com	 que	 a	 luz	 se	 espalhe	 e	 torna	 a	 pessoa	 idosa	 mais	 sensível	 ao
ofuscamento.	A	capacidade	de	diferenciar	o	azul	do	verde	diminui.	A	pupila	dilata-se	lentamente	e	de
maneira	 menos	 completa	 por	 causa	 da	 rigidez	 aumentada	 dos	 músculos	 da	 íris,	 de	 tal	 modo	 que	 a
pessoa	idosa	leva	mais	tempo	para	se	ajustar	ao	entrar	em	ambientes	iluminados	e	escurecidos	e	ao	sair,
além	de	precisar	de	iluminação	mais	intensa	para	a	visão	próxima.	As	condições	visuais	patológicas	não
fazem	 parte	 do	 envelhecimento	 normal,	 mas	 a	 incidência	 de	 doença	 ocular	 (com	 maior	 frequência
catarata,	glaucoma,	retinopatia	diabética	e	degeneração	macular	relacionada	com	a	idade)	aumenta	nas
pessoas	idosas.
A	degeneração	macular	relacionada	com	a	idade	é	a	principal	causa	de	perda	da	visão	no	idoso.	Mais
de	 25%	 das	 pessoas	 com	 mais	 de	 75	 anos	 de	 idade	 exibem	 alguns	 sinais	 dessa	 doença,	 e	 6	 a	 8%
possuem	doença	avançada	associada	à	perda	grave	da	visão.	A	degeneração	macular	não	afeta	a	visão
periférica,	o	que	significa	que	ela	não	causa	cegueira.	No	entanto,	ela	afeta	a	visão	central,	a	percepção
da	 cor	 e	 o	 detalhamento	 fino,	 comprometendo	 gravemente	 as	 habilidades	 visuais	 comuns,	 como	 a
leitura,	dirigir	veículos	e	observar	faces.	Os	fatores	de	risco	incluem	a	exposição	à	luz	solar,	tabagismo	e
hereditariedade,	podendo	as	pessoas	de	pele	clara	e	olhos	azuis	estar	em	risco	aumentado.	Os	óculos	de
sol	e	bonés	com	visores	proporcionam	alguma	proteção,	e	a	cessação	do	tabagismo	é	primordial	para	a
prevenção	da	doença.	Embora	não	exista	tratamento	definitivo	e	nenhuma	cura	que	restaure	a	visão,	há
disponibilidade	de	diversas	opções	de	tratamento,	dependendo	de	certos	fatores,	como	a	localização	de
vasos	 sanguíneos	 anormais.	 O	 medicamento	 injetado	 em	 conjunto	 com	 a	 terapia	 fotodinâmica
demonstrou	 resultados	 melhorados	 em	 estudos	 clínicos	 para	 o	 tipo	 úmido	 de	 degeneração	 macular
aguda	(Blick,	Keating	&	Wagstaff,	2007).	Quanto	mais	precocemente	essa	condição	 for	diagnosticada,
maiores	serão	as	possibilidades	de	preservação	da	visão.	Mais	informações	sobre	a	visão	alterada	podem
ser	encontradas	no	Capítulo	58.
Audição
As	alterações	auditivas	começam	a	ser	percebidas	em	torno	de	40	anos	de	idade.	Os	fatores	ambientais,
como	a	exposição	a	ruídos,	medicamentos	e	 infecções,	bem	como	a	genética,	podem	contribuir	para	a
perda	 auditiva	 tanto	 quanto	 as	 alterações	 relacionadas	 com	 a	 idade.	 A	 presbiacusia	 é	 uma	 perda
sensorineural	gradual,	a	qual	progride	desde	a	perda	da	capacidade	de	ouvir	tons	de	alta	frequência	até
uma	 perda	 auditiva	 generalizada.	 É	 atribuída	 a	 alterações	 irreversíveis	 do	 orelha	 interna.	 Com
frequência,	as	pessoas	idosas	não	conseguem	acompanhar	a	conversação	porque	os	tons	de	consoantes
de	alta	 frequência	 (os	 sons	de	 f,	 s,	v,	b,	 t,	p)	parecem	 iguais.	A	perda	auditiva	pode	 fazer	 com	que	as
pessoas	 idosas	 respondam	 de	 maneira	 inadequada,	 compreendam	 erroneamente	 a	 conversação	 e
evitem	a	 interação	social.	Esse	comportamento	pode	ser	erroneamente	 interpretado	como	confusão.	O
acúmulo	 de	 cera	 ou	 outros	 problemas	 passíveis	 de	 correção	 também	 podem	 ser	 responsáveis	 pelas
dificuldades	 auditivas.	 Um	 aparelho	 auditivo	 adequadamente	 prescrito	 e	 adaptado	 pode	 ser	 útil	 na
redução	de	alguns	tipos	de	déficit	de	audição.	O	Capítulo	59	discute	as	alterações	na	audição.
Paladar	e	Olfato
Dos	 quatro	 sabores	 básicos	 (doce,	 azedo,	 salgado,	 amargo),	 os	 sabores	 doces	 são	 particularmente
turvados	 nas	 pessoas	 idosas.	 O	 paladar	 ofuscado	 pode	 contribuir	 para	 a	 preferência	 por	 alimentos
salgados,	 intensamente	 temperados,	 mas	 ervas,	 cebola,	 alho	 e	 limão	 podem	 ser	 utilizados	 como
substitutos	para	dar	sabor	ao	alimento.
As	 alterações	 sensoriais	 do	 olfato	 estão	 relacionadas	 com	 a	 perda	 celular	 nas	 passagens	 nasais	 e	 no
bulbo	olfatório	no	encéfalo.	Fatores	ambientais	como	a	exposiçãoa	longo	prazo	a	toxinas	(p.	ex.,	poeira,
pólen	e	do	tabaco)	contribuem	para	o	dano	celular.
Aspectos	Psicossociais	do	Envelhecimento
O	envelhecimento	psicológico	bem-sucedido	reflete-se	na	capacidade	das	pessoas	 idosas	de	se	adaptar
às	 perdas	 físicas,	 sociais	 e	 emocionais	 e	 de	 alcançar	 a	 satisfação	 com	 a	 vida.	 Como	 as	 alterações	 nos
padrões	de	vida	são	 inevitáveis	com	o	passar	do	tempo,	as	pessoas	 idosas	precisam	de	maleabilidade	e
habilidades	 de	 enfrentamento	 quando	 lidam	 com	 estresses	 e	 com	 a	 mudança.	 Uma	 autoimagem
positiva	aumenta	a	assunção	de	risco	e	a	participação	em	papéis	novos	e	desconhecidos.
Embora	 as	 atitudes	 no	 sentido	 das	 pessoas	 idosas	 difiram	 em	 subculturas	 étnicas,	 um	 tema	 sutil	 do
ageísmo	—	preconceito	 ou	 discriminação	 contra	 o	 idoso	—	predomina	 em	nossa	 sociedade	 e	muitos
mitos	circundam	o	envelhecimento.	O	ageísmo	baseia-se	em	estereótipos,	crenças	simplificadas	e,	com
frequência,	inverídicas	que	reforçam	a	imagem	negativa	da	sociedade	a	respeito	dos	idosos.	Embora	as
pessoas	 idosas	 constituam	um	grupo	extremamente	heterogêneo	e	 cada	vez	mais	 racial	 e	 etnicamente
diversificado,	os	estereótipos	negativos	são	atribuídos	a	todos	os	idosos.
O	medo	 de	 envelhecer	 e	 a	 incapacidade	 de	 muitos	 de	 se	 confrontar	 com	 seu	 próprio	 processo	 de
envelhecimento	podem	deflagrar	crenças	ageístas.	A	aposentadoria	e	a	falta	de	produtividade	percebida
também	 são	 responsáveis	 pelos	 sentimentos	 negativos,	 porque	 uma	 pessoa	 trabalhadora	 mais	 jovem
pode	visualizar	falsamente	as	pessoas	idosas	como	não	contribuintes	para	a	sociedade,	como	drenadoras
dos	recursos	econômicos,	e	podem,	na	realidade,	achar	que	elas	estão	competindo	com	as	crianças	pelos
recursos.	A	preocupação	sobre	o	grande	número	de	 idosos	que	deixam	a	 força	de	 trabalho	(a	geração
do	baby-boom	começará	a	atingir	65	anos	de	idade	em	2011)	está	incentivando	esse	debate.
Muitas	 imagens	 negativas	 são	 tão	 comuns	 na	 sociedade	 que	 os	 próprios	 idosos	 frequentemente
acreditam	 nelas	 e	 as	 perpetuam.	Uma	 compreensão	 do	 processo	 de	 envelhecimento	 e	 o	 respeito	 por
cada	 pessoa	 como	 um	 indivíduo	 podem	 dirimir	 os	 mitos	 do	 envelhecimento.	 Quando	 os	 idosos	 são
tratados	com	dignidade	e	incentivados	a	manter	a	autonomia,	sua	qualidade	de	vida	irá	melhorar.
Estresse	e	Enfrentamento	no	Idoso
Os	 padrões	 de	 enfrentamento	 e	 a	 capacidade	 de	 adaptação	 ao	 estresse	 desenvolvem-se	 com	 o
transcurso	 da	 vida	 e	 permanecem	 consistentes	 em	 um	 período	 mais	 tardio	 na	 vida.	 Experimentar	 o
sucesso	 na	 fase	 de	 adulto	 jovem	 ajuda	 uma	 pessoa	 a	 desenvolver	 uma	 autoimagem	 positiva	 que
permanece	sólida	na	velhice.	A	capacidade	de	uma	pessoa	para	se	adaptar	às	mudanças,	tomar	decisões
e	 responder	 de	maneira	 previsível	 também	 é	 determinada	 pelas	 experiências	 pregressas.	 Uma	 pessoa
flexível	e	com	bom	funcionamento	provavelmente	continuará	a	ser	assim.	No	entanto,	as	perdas	podem

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