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Teorias do Envelhecimento O envelhecimento foi definido cronologicamente pela passagem do tempo — subjetivamente, da maneira pela qual a pessoa se sente, e funcionalmente, como nas alterações na capacidade física ou mental. As muitas teorias do envelhecimento tentam fornecer uma estrutura para que se compreenda o envelhecimento a partir de diferentes perspectivas. Cada teoria é útil para o clínico porque fornece uma estrutura e a visão sobre as diferenças entre os pacientes idosos. Além das teorias biológica, de desenvolvimento e sociológica do envelhecimento, Miller (2009) desenvolveu a teoria das consequências funcionais, que desafia as enfermeiras a considerar os efeitos das alterações normais relacionadas com a idade, bem como o dano decorrente da doença ou fatores de risco ambientais e comportamentais, quando do planejamento do cuidado. Miller sugere que as enfermeiras podem alterar o resultado para os pacientes através de intervenções de enfermagem que abordem as consequências dessas alterações. As alterações relacionadas com a idade e os fatores de risco podem interferir negativamente nos resultados do paciente e, na realidade, podem comprometer a atividade e a qualidade de vida do paciente. Por exemplo, as alterações normais na visão relacionadas com a idade podem aumentar a sensibilidade ao ofuscamento. As alterações no ambiente que reduzem o ofuscamento podem aumentar o conforto e a segurança do paciente. Em contraste, o desenvolvimento da catarata, que não é uma alteração normal relacionada com a idade, também pode aumentar a sensibilidade ao ofuscamento. A enfermeira deve diferenciar entre as alterações normais relacionadas com a idade que não podem ser revertidas e os fatores de risco que podem ser modificados. Fazer isso é útil na idealização das intervenções de enfermagem apropriadas que possuem um impacto positivo sobre os resultados do paciente no caso de idosos — de modo mais importante, para a qualidade de vida. Alterações Relacionadas com a Idade O bem-estar das pessoas idosas depende de fatores físicos, psicossociais, mentais, sociais, econômicos e ambientais. Um exame completo inclui uma avaliação de todos os principais sistemas orgânicos, dos estados social e mental, e da capacidade de uma pessoa para funcionar de maneira independente, apesar de ter uma doença crônica ou incapacidade. Aspectos Físicos do Envelhecimento Conforme já mencionado, o envelhecimento intrínseco (a partir do interior da pessoa) refere-se àquelas alterações causadas pelo processo de envelhecimento normal, as quais são geneticamente programadas e quase universais dentro de uma espécie. A universalidade é o principal critério empregado para diferenciar o envelhecimento normal a partir das alterações patológicas associadas à doença. No entanto, as pessoas envelhecem de modo bastante diferente e em ritmos diferentes, de modo que a idade cronológica é, com frequência, menos preditiva das características de envelhecimento óbvias que outros fatores, como a genética e o estilo de vida da pessoa. Por exemplo, o envelhecimento extrínseco resulta de influências externas à pessoa. A poluição do ar e a exposição excessiva à luz solar são exemplos de fatores extrínsecos que aceleram o processo de envelhecimento e que podem ser eliminados ou reduzidos. As alterações celulares e extracelulares da velhice provocam uma mudança na aparência física e um declínio na função. Ocorrem alterações mensuráveis no formato e constituição do corpo. A capacidade do corpo para manter a homeostasia torna-se cada vez mais diminuída com o envelhecimento celular, e os sistemas orgânicos não conseguem funcionar com eficiência plena por causa dos déficits celulares e teciduais. As células tornam-se menos capazes de se substituir, e acumulam um pigmento chamado de lipofuscina. Uma degradação da elastina e do colágeno faz com que o tecido conjuntivo se torne mais rígido e menos elástico. Essas alterações resultam em capacidade diminuída para a função do órgão e vulnerabilidade aumentada à doença e ao estresse. A Tabela 12.2 resume os sinais e sintomas das alterações no funcionamento dos sistemas orgânicos relacionadas com a idade. Informações mais aprofundadas sobre as alterações relacionadas com a idade podem ser encontradas nos capítulos relativos a cada sistema orgânico. As especificações das doenças, tratamentos clínicos e cirúrgicos, bem como as intervenções de enfermagem, também são apresentados nos capítulos correlatos. Sistema Cardiovascular A cardiopatia é a principal causa de morte nos idosos. A insuficiência cardíaca é a principal causa da hospitalização entre os usuários do Medicare, e também é uma causa importante de morbidade e mortalidade entre a população idosa nos EUA. As alterações relacionadas com a idade reduzem a eficiência do coração e contribuem para a complacência diminuída do músculo cardíaco. Essas alterações incluem a hipertrofia miocárdica, que altera a força e a função ventricular esquerda; fibrose e estenose das valvas; e células marca-passo diminuídas (Neal-Boylan, 2007). Em consequência disso, as valvas cardíacas tornam-se mais espessas e mais rígidas, e o músculo cardíaco e as artérias perdem sua elasticidade, resultando em um volume sistólico reduzido. Os depósitos de cálcio e gordura acumulam- se dentro das paredes arteriais, e as veias se tornam cada vez mais tortuosas, aumentando a resistência arterial; isso aumenta o esforço cardíaco. É difícil diferenciar entre as alterações na função cardiovascular relacionadas com a idade e aquelas relacionadas com a doença por causa da influência significativa dos fatores comportamentais sobre a saúde cardiovascular. Quando são realizados estudos culturais cruzados, as alterações cardiovasculares que, no passado, eram creditadas como relacionadas com a idade não aparecem de maneira consistente. Por exemplo, a pressão arterial mais elevada encontrada em idosos nas sociedades ocidentais não acontece em países menos desenvolvidos e podem ser uma consequência de diferentes comportamentos de estilo de vida em lugar de alterações normais relacionadas com a idade (Miller, 2009). Sob circunstâncias normais, o sistema cardiovascular pode adaptar-se às alterações normais relacionadas com a idade, e uma pessoa idosa não está ciente de nenhum declínio significativo no desempenho cardiovascular. No entanto, quando solicitado, o sistema cardiovascular de uma pessoa idosa é menos eficiente sob condições de estresse e exercício e quando há necessidade de atividades de sustentação da vida. A avaliação cuidadosa das pessoas idosas é necessária porque elas frequentemente se apresentam com sintomas diferentes daqueles observados nos pacientes mais jovens. É mais provável que as pessoas idosas tenham dispneia ou sintomas neurológicos associados à cardiopatia, podendo elas experimentar alterações no estado mental ou relatar sintomas vagos, como fadiga, náuseas e síncope. Em lugar da dor torácica subesternal típica associada à isquemia miocárdica, os pacientes idosos podem relatar dor em queimação ou dor ou desconforto agudo em uma área da parte superior do corpo. O fato de que muitos pacientes idosos apresentam mais de uma doença subjacente complica a avaliação. Quando um paciente se queixa de sintomas relacionados com a digestão e respiração e de dor no membro superior, a doença cardíaca deve ser considerada. A ausência de dor torácica em um paciente idoso não constitui um indicador confiável da ausência de cardiopatia. A hipotensão pode ser um problema. O risco de hipotensão ortostática e pós-prandial aumenta muito depois de 75 anos deidade (Miller, 2009). Um paciente que experimenta hipotensão deve ser aconselhado a se levantar lentamente (a partir de uma posição de decúbito para a posição sentada e para a posição em pé), evitar fazer força quando defeca e considerar a realização de cinco ou seis pequenas refeições por dia, em lugar de três, a fim de minimizar a hipotensão que pode ocorrer depois de uma grande refeição. Os extremos na temperatura, incluindo banhos quentes de chuveiro e banhos de hidromassagem quentes, devem ser evitados. Tabela 12.2 ALTERAÇÕES NOS SISTEMAS ORGÂNICOS RELACIONADAS COM A IDADE E ESTRATÉGIAS DE PROMOÇÃO DA SAÚDE Alterações Achados Objetivos e Subjetivos Estratégias de Promoção da Saúde Sistema Cardiovascular Débito cardíaco diminuído; capacidade diminuída para responder ao estresse; frequência cardíaca e volume sistólico não aumentam com a demanda máxima; taxa de recuperação cardíaca mais lenta; pressão arterial aumentada Queixas de fadiga com o aumento da atividade Maior tempo de recuperação da frequência cardíaca Pressão arterial ótima # 120/80 mmHg Pré-hipertensão > 120 a 139/80 a 89 mmHg Hipertensão $ 140/90 mmHg Exercitar-se regularmente; compassar as atividades; evitar fumar; ingerir dieta hipolipídica e hipossódica; participar nas atividades de redução do estresse; verificar regularmente a pressão arterial; adesão à medicação; controle de peso Sistema Respiratório Aumento no volume pulmonar residual; diminuição na força muscular, resistência e capacidade vital; troca gasosa e capacidade de difusão diminuída; eficiência da tosse diminuída Fadiga e falta de ar com a atividade sustentada; excursão respiratória e expansão tórax/pulmão diminuídas com menos expiração efetiva; dificuldade de expectorar as secreções Exercitar-se regularmente; evitar fumar; ingerir os líquidos adequados para liquefazer as secreções; receber a vacina anual contra gripe e vacina pneumocócica com 65 anos de idade; evitar a exposição às infecções do trato respiratório superior Sistema Tegumentar Tecido adiposo, líquido intersticial, tônus muscular, atividade glandular, receptores sensoriais diminuídos resultando em redução da proteção contra o trauma e exposição solar, e extremos de temperatura; secreção diminuída dos óleos naturais e da sudorese; fragilidade capilar Pele seca, enrugada e fina; queixas de lesões, equimoses e queimadura solar; queixas de intolerância ao calor; a estrutura óssea é proeminente Limitar a exposição solar a 10 a 15 min diários para a vitamina D (usar roupas de proteção e filtro solar); vestir-se adequadamente para a temperatura; manter uma temperatura segura em ambientes fechados; tomar banho de chuveiro, em vez de banho de banheira, quando possível; lubrificar a pele com loções que contenham óleo mineral ou petrolato Sistema Reprodutor Feminino: Estreitamento vaginal e elasticidade diminuída; secreções vaginais diminuídas Masculino: Testículos menos firmes e produção de espermatozoide diminuída Masculino e Feminino: Resposta sexual mais lenta Feminino: Relação sexual dolorosa; sangramento vaginal após o intercurso; prurido e irritação vaginais; orgasmo retardado Masculino: Ereção e obtenção do orgasmo retardadas Pode precisar de reposição de estrogênio vaginal; acompanhamento ginecológico/urológico; usar um lubrificante na relação sexual Sistema Musculoesquelético Perda da densidade óssea; perda da força e tamanho musculares; cartilagem articular degenerada Perda de peso; propenso a fraturas; cifose; dor nas costas; perda da força, flexibilidade e resistência; dor articular Exercitar-se com regularidade; ingerir uma dieta rica em cálcio; limitar a ingestão de fósforo; tomar suplementos de cálcio e vitamina D, quando prescritos Sistema Geniturinário Masculino: Hiperplasia benigna da próstata Retenção urinária; sintomas miccionais irritativos, incluindo frequência, sensação de esvaziamento vesical incompleto; múltiplas micções noturnas Masculino: Limitar a ingestão de líquidos à noite (p. ex., bebidas cafeinadas, álcool); não esperar longos períodos entre a micção e esvaziar a bexiga por completo quando eliminar a urina Feminino: Músculos perineais relaxados, instabilidade do detrusor (incontinência de Síndrome da urgência/frequência, “tempo de advertência” diminuído, Feminino: Usar roupas fáceis de manipular; ingerir os líquidos adequados; evitar irritantes vesicais (p. ex., bebidas cafeinadas, urgência), disfunção uretral (incontinência urinária por estresse) gotas de urina eliminadas com a tosse, riso, mudança de posição álcool, adoçantes artificiais); exercícios da musculatura pélvica, aprendidos preferivelmente por meio de biofeedback; considerar a pesquisa urológica Sistema Gastrintestinal Sensações de sede, olfato e paladar diminuídas; salivação diminuída; dificuldade de deglutir o alimento; esvaziamento esofágico e gástrico retardado; motilidade gastrintestinal reduzida Risco de desidratação, distúrbios eletrolíticos e de ingestão nutricional deficiente; queixas de ressecamento da boca; queixas de plenitude, pirose e indigestão; constipação intestinal, flatulência e desconforto abdominal Usar lascas de gelo, colutório; escovar, passar fio dental e massagear as gengivas diariamente; receber os cuidados dentários regulares; ingerir refeições pequenas e frequentes; sentar e evitar a atividade intensa depois da alimentação; limitar os antiácidos; ingerir uma dieta rica em fibras e pobre em gorduras; limitar os laxativos; fazer a higiene íntima regular; ingerir líquidos adequados Sistema Nervoso Velocidade reduzida na condução nervosa; confusão aumentada com a doença física e perda dos indícios ambientais; circulação cerebral reduzida (fica tonto, perde o equilíbrio) Mais lento para responder e reagir; o aprendizado demora mais tempo; fica confuso com a internação; vertigem; quedas frequentes Compassar a velocidade do ensino; com a hospitalização, incentivar as visitas; aumentar a estimulação sensorial; com a confusão súbita, investigar a causa; incentivar levantar-se lentamente da posição de repouso Sentidos Especiais Visão: Capacidade diminuída de focalizar em objetos próximos; incapacidade de tolerar o ofuscamento; dificuldade de ajustar-se às alterações da intensidade da luz; capacidade diminuída de diferenciar as cores Segura objetos em um ponto afastado da face; queixa-se de ofuscamento; visão noturna ruim; confunde as cores Usar óculos, usar óculos de sol quando em ambiente externo; evitar mudanças súbitas do escuro para o iluminado; usar a iluminação adequada em ambientes fechados com luzes de área e luzes noturnas; usar livros com letras grandes; usar lupa para a leitura; evitar dirigir à noite; usar cores contrastantes para a codificação por cores; evitar o ofuscamento de superfícies brilhosas e a luz solar direta Audição: Capacidade diminuída de ouvir sons de alta frequência; afilamento da membrana timpânica e perda de sua elasticidade Fornece respostas inadequadas; pede às pessoas que repitam palavras; esforça-se para ouvir Recomendar um exame da acuidade auditiva; reduzir o ruído ambiental; ficar de frente para a pessoa; pronunciar com clareza; falar com tom de voz baixo; usar indícios não verbais Paladar e olfato: Capacidade diminuída do paladar e olfato Usa açúcar e sal em excesso Incentivar o uso de limão, condimentos, ervas Recomendar a cessação do tabagismo Sistema Respiratório O sistema respiratório é o sistema que parece ser o mais capacitado a compensar as alterações funcionais do envelhecimento. Em geral, idosos saudáveis, não tabagistas, mostram muito pouco declínio na função respiratória; no entanto, existem variações individuais substanciais. As alterações relacionadas com a idade que realmente acontecem são sutis e graduais, sendo os idosos saudáveis capazes de compensar essas alterações. A eficiência respiratória diminuída, bem como as forças inspiratória e expiratória máximas diminuídas, pode acontecer como uma consequênciada calcificação e enfraquecimento dos músculos da parede torácica. A massa pulmonar diminui e aumenta o volume residual (Bickley, 2007). As condições de estresse, como a doença, podem aumentar a demanda por oxigênio e afetar a função global de outros sistemas. Como as doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias manifestam-se de forma mais sutil nos idosos que nos adultos jovens e não seguem necessariamente o padrão típico de tosse, calafrios e febre. Os idosos podem exibir cefaleia, fraqueza, letargia, anorexia, desidratação e alterações do estado mental (Miller, 2009). O tabagismo é o fator de risco mais significativo para as doenças respiratórias e para outras doenças. Portanto, um importante foco das atividades de promoção da saúde deve ser sobre a cessação do tabagismo e prevenção do fumo passivo. A pneumonia e a gripe, juntas, constituem a quinta causa principal de morte em pessoas com mais de 65 anos de idade (NCHS, 2006). A educação para promover o uso das vacinas recomendadas é uma intervenção de enfermagem essencial. Está disponível uma vacina pneumocócica que impede 85 a 90% de todos os casos de pneumonia e é efetiva na prevenção de 75% dos casos nas pessoas com 65 anos de idade ou mais. A vacinação para influenza é menos efetiva na prevenção da influenza nos idosos que na população mais jovem, mas ela reduz as mortes, hospitalizações e outras complicações relacionadas com a influenza (Miller, 2009). As atividades que ajudam as pessoas idosas a manter a função respiratória adequada incluem o exercício regular, a ingestão de líquido adequada, a vacinação pneumocócica, as vacinações anuais para influenza, e evita a hospitalização das pessoas que adoecem. Os idosos hospitalizados devem ser frequentemente lembrados de tossir e realizar respirações profundas, principalmente no período pós- operatório, porque sua capacidade pulmonar diminuída e a eficiência da tosse diminuída são fatores que os predispõem à atelectasia e às infecções respiratórias. Sistema Tegumentar As funções da pele incluem a proteção, regulação da temperatura, sensibilidade e excreção. Com o envelhecimento, ocorrem alterações que afetam a função e a aparência da pele. Há uma diminuição da proliferação epidérmica, e a derme torna-se mais delgada. As fibras elásticas são reduzidas em número e o colágeno torna-se mais rígido. O tecido adiposo subcutâneo diminui, principalmente nos membros, mas aumenta de forma gradual em outras regiões, como no abdome (homens) e nas coxas (mulheres), levando a um aumento global na gordura corporal nas pessoas idosas (Tabloski, 2006). As quantidades diminuídas de capilares na pele resultam em aporte sanguíneo diminuído. Essas alterações provocam uma perda da maleabilidade e o enrugamento e flacidez da pele. A pele torna-se mais seca e mais suscetível a queimaduras, lesão e infecção. A pigmentação dos pelos pode modificar-se e ocorrer a calvície; os fatores genéticos influenciam fortemente essas alterações. Tais mudanças no tegumento reduzem a tolerância aos extremos de temperatura e à exposição ao sol. É provável que as práticas do estilo de vida tenham um grande impacto sobre as alterações cutâneas. Por conseguinte, as estratégias para promover a função da pele incluem não fumar; evitar a exposição ao sol; usar um fator de proteção solar (FPS) de 15 ou mais; usar cremes cutâneos emolientes, contendo vaselina ou óleo mineral; evitar embebições quentes na banheira; e manter a nutrição e a hidratação ótimas. Os idosos devem ser incentivados a passar por exame de qualquer alteração na pele, porque a detecção e o tratamento precoces de lesões pré-cancerosas ou cancerosas são essenciais para o melhor resultado. Sistema Reprodutor A sexualidade não é mais considerada como pertinente apenas ao jovem. No entanto, a pesquisa sobre a sexualidade entre os idosos, em especial nas mulheres, não foi extensa. A produção ovariana de estrogênio e progesterona cessa com a menopausa. As alterações que acontecem no sistema reprodutor feminino incluem o adelgaçamento da parede vaginal, juntamente com um encurtamento e uma perda de elasticidade da vagina; diminuição das secreções vaginais, resultando em ressecamento vaginal, prurido e acidez diminuída; a involução (atrofia) do útero e dos ovários; e a diminuição do tônus do músculo pubococcígeo, resultando em relaxamento da vagina e períneo. Sem o uso de lubrificantes hidrossolúveis, essas alterações podem contribuir para o sangramento vaginal e para o intercurso doloroso. Nos homens idosos, o testículo torna-se menos firme, mas homens até 90 anos de idade continuam a produzir espermatozoides viáveis. Em torno de 50 anos de idade, a produção de testosterona começa a diminuir (Tabloski, 2006). A libido diminuída e a disfunção erétil podem desenvolver-se, mas são mais prováveis de se associar a fatores diferentes das alterações relacionadas com a idade. Esses fatores de risco incluem a doença cardiovascular, distúrbios neurológicos; diabetes; doença respiratória; dor; e medicamentos, como vasodilatadores, agentes anti-hipertensivos e antidepressivos tricíclicos. Nos homens e mulheres idosos, pode levar mais tempo para que ocorra o despertar sexual, mais tempo para completar a relação sexual e mais tempo antes que o despertar sexual possa acontecer novamente. Embora uma resposta menos intensa à estimulação sexual e um declínio na atividade sexual ocorram com o avançar da idade, o desejo sexual não desaparece. Os homens podem experimentar um declínio na função sexual relacionado com as patologias ou com a interferência decorrente das medicações. As mulheres podem perder seu parceiro; a ausência de um parceiro é, com frequência, o principal fator causador da falta de atividade sexual. Muitos casais não estão cientes das causas da diminuição da libido ou da disfunção erétil e, com frequência, relutam em discutir a função sexual diminuída. Existem muitos métodos para melhorar a qualidade das interações sexuais, mas a avaliação e a comunicação requerem sensibilidade e o conhecimento especializado no campo da disfunção sexual. Quando a disfunção sexual está presente, pode estar assegurada a referência para um ginecologista, urologista ou terapeuta sexual. Sistema Geniturinário O sistema geniturinário continua a funcionar adequadamente nas pessoas idosas, embora exista uma diminuição na massa renal, principalmente por causa de uma perda dos néfrons. No entanto, a perda de néfrons geralmente não se torna significativa até em torno de 90 anos de idade, e as alterações na função renal variam muito; cerca de um terço das pessoas idosas não exibem diminuição na função renal (Tabloski, 2006). As alterações na função renal podem decorrer de uma combinação de envelhecimento e condições patológicas, como a hipertensão. As alterações observadas com maior frequência incluem uma taxa de filtração diminuída, função tubular diminuída, com menos eficiência em reabsorver e concentrar a urina, e uma restauração mais lenta do equilíbrio acidobásico na resposta ao estresse. Além disso, os idosos que recebem medicamentos podem experimentar graves consequências devido ao declínio na função renal por causa da absorção comprometida, redução da capacidade de manter o equilíbrio hidreletrolítico e diminuição da capacidade de concentrar a urina. Determinados distúrbios geniturinários são mais comuns em idosos que na população em geral. Pelo menos 1 em cada 10 adultos idosos nos EUA sofre de incontinência urinária, e as mulheres têm maior probabilidade que os homens de apresentar essedistúrbio. Infelizmente, essa condição é frequentemente visualizada de maneira errônea como uma consequência normal do envelhecimento. De modo dispendioso e incômodo, ela deve ser avaliada, porque, em muitos casos, é reversível ou pode ser tratada (Specht, 2005). A incontinência urinária é discutida em maiores detalhes no Capítulo 45. A hiperplasia benigna da próstata (próstata aumentada), um achado comum nos idosos, provoca um aumento gradual na retenção urinária e a incontinência por hiperfluxo. As alterações no trato urinário aumentam a suscetibilidade às infecções do trato urinário. O consumo adequado dos líquidos é uma importante intervenção de enfermagem que reduz o risco de infecções vesicais e também ajuda a diminuir a incontinência urinária. Sistema Gastrintestinal A digestão do alimento é menos influenciada pelas alterações relacionadas com a idade que pelo risco da nutrição deficiente. As pessoas idosas podem ajustar-se às alterações relacionadas com a idade, mas podem ter dificuldade de adquirir, preparar e apreciar suas refeições. A sensação do olfato diminui em consequência das alterações neurológicas e dos fatores ambientais, como tabaco, medicamentos e deficiências de vitamina B12. A capacidade de reconhecer alimentos doces, azedos, amargos ou salgados diminui com o passar do tempo, mudando o prazer de alimentar-se. O fluxo salivar não diminui nos adultos saudáveis, mas aproximadamente 30% das pessoas idosas podem experimentar boca seca em consequência de medicamentos e doenças (Miller, 2009). As dificuldades com a mastigação e deglutição geralmente estão associadas à doença. Os especialistas discordam da extensão das alterações gástricas que acontecem como resultado do envelhecimento normal. No entanto, parece haver um discreto retardo da motilidade gástrica, a qual resulta em esvaziamento retardado do conteúdo gástrico e saciedade precoce (sensação de plenitude). A secreção diminuída de ácido gástrico e pepsina, aparentemente o resultado de condições patológicas em lugar do envelhecimento normal, reduz a absorção de ferro, cálcio e vitamina B12. A absorção de nutrientes no intestino delgado, principalmente de cálcio e vitamina D, parece diminuir com a idade. As funções do fígado, vesícula biliar e pâncreas geralmente são mantidas, embora a absorção e a tolerância à gordura possam diminuir. A incidência de cálculos biliares e de cálculos no ducto biliar comum aumenta progressivamente com o avançar da idade. A dificuldade na deglutição, ou disfagia, aumenta com a idade e é um problema de saúde importante nos pacientes idosos. O envelhecimento normal altera alguns aspectos da função de deglutição e é uma complicação frequente do acidente vascular cerebral e um fator de risco significativo para o desenvolvimento da pneumonia. Essa grave patologia pode comportar risco de vida. É causada pela interrupção ou disfunção das vias neurais, como pode acontecer com o acidente vascular cerebral. A disfagia também pode resultar da disfunção dos músculos estriados e lisos do trato gastrintestinal nos pacientes com doença de Parkinson e naqueles com transtornos como a esclerose múltipla, poliomielite e esclerose lateral amiotrófica (p. ex., doença de Lou Gehrig). A broncoaspiração de alimento ou líquido é a complicação mais grave e pode acontecer na ausência da tosse ou asfixia. A constipação intestinal é uma condição patológica comum que afeta até 80% das pessoas idosas institucionalizadas e 45% dos idosos moradores na comunidade (Miller, 2009). Os sintomas da constipação intestinal branda são o desconforto abdominal e flatulência; a constipação intestinal mais grave leva à impactação fecal que contribui para a diarreia ao redor da impactação, incontinência fecal e obstrução. Os fatores predisponentes para a constipação intestinal incluem a falta de volume na dieta, uso prolongado de laxativos, uso de alguns medicamentos, inatividade, ingesta insuficiente de líquidos e gordura excessiva na dieta. Ignorar a urgência para defecar também pode ser um fator contribuinte. As práticas que promovem a saúde gastrintestinal incluem a escovação regular dos dentes e a utilização de fio dental; receber cuidados dentários regulares; ingerir refeições pequenas e frequentes; evitar a atividade intensa depois da alimentação; ingerir uma dieta rica em fibras e hipolipídica; ingerir líquidos suficientes; e evitar o uso de laxativos e antiácidos. Compreender que existe uma correlação direta entre a perda da percepção de olfato e paladar e que a ingesta alimentar ajuda os cuidadores a intervir para manter a saúde nutricional dos pacientes idosos. Saúde Nutricional As funções social, psicológica e fisiológica da alimentação influenciam os hábitos nutricionais das pessoas idosas. A idade crescente altera os requisitos de nutrientes; o idoso precisa de menos calorias e uma dieta mais saudável, rica em nutrientes, em resposta às alterações na massa corporal e a um estilo de vida mais sedentário. As recomendações incluem reduzir a ingestão de gorduras, enquanto consome proteína, vitaminas, minerais e fibras nutricionais suficientes para a saúde e prevenção da doença. A atividade física diminuída e uma taxa metabólica mais lenta reduzem a quantidade de calorias necessárias pelos idosos para manter um peso ideal. Conforme dito anteriormente, as alterações relacionadas com a idade que modificam o prazer na alimentação incluem uma diminuição no paladar e olfato. É provável que as pessoas idosas mantenham um paladar para doce, mas exijam mais açúcar para um sabor doce. Elas também podem perder a capacidade de diferenciar os sabores azedo, salgado e amargo. Apatia, imobilidade, depressão, solidão, pobreza, conhecimento inadequado e a saúde oral deficiente também contribuem para a ingesta subótima de nutrientes. As restrições orçamentárias e as limitações físicas podem interferir com a compra do alimento e a preparação da refeição. A promoção da saúde inclui incentivar uma dieta variada, a qual seja pobre em sódio e lipídios saturados e rica em vegetais, frutas e peixe. A educação relacionada com os alimentos saudáveis versus alimentos com nutrientes inadequados é valiosa. A incidência da obesidade em norte-americanos com 80 anos de idade alcançou proporções epidêmicas, e isso aumenta muito a incidência de doença crônica, como o diabetes e as doenças cardiovasculares. Não mais que 30% das calorias da dieta devem ser consumidas como gordura. A ingesta proteica pode precisar ser aumentada em um período mais tardio na vida adulta, de modo a manter o equilíbrio nitrogenado adequado (DiMaria-Ghalili & Amella, 2005). Os carboidratos, uma fonte de energia importante, devem suprir 55 a 60% das calorias diárias. Os açúcares simples devem ser evitados, sendo incentivados os carboidratos complexos. Batatas, cereais integrais, arroz integral e frutas são fontes de minerais, vitaminas e fibras, devendo ser incentivados. Recomenda-se a ingestão de 2 a 2,5 ℓ de água por dia, a menos que contraindicado por uma condição médica. Um multivitamínico diário ajuda a satisfazer às necessidades nutricionais diárias. Adultos com mais de 50 anos de idade devem ter uma ingesta diária de cálcio de 1.200 g e de 600 UI de vitamina D para manter a saúde óssea (Miller, 2009). A subnutrição também pode ser um problema para os idosos; tanto quanto 40 a 60% dos pacientes hospitalizados e 40 a 85% daqueles em clínicas de repouso estão desnutridos. Uma perda de peso recente não planejada pode ser consequência de uma doença ou de outros fatores, como a depressão, que podem ter graves consequências e afetar a capacidade de uma pessoa para mantera saúde e combater a doença (Martin, Kayser-Jones, Stotts, et al., 2007). Muitas pessoas não estão cientes dos déficits nutricionais. As enfermeiras se encontram em uma posição ideal para identificar os problemas nutricionais entre seus pacientes e para trabalhar dentro da estrutura de conhecimento do próprio paciente a respeito de seu estado de saúde para melhorar os comportamentos de saúde. O Capítulo 5 fornece mais informações sobre a avaliação nutricional. Sono Os distúrbios do sono afetam mais de 50% dos adultos com 65 anos de idade ou mais. Os idosos tendem a precisar de mais tempo para adormecer, despertam com mais facilidade e frequência, e passam menos tempo em sono profundo. Por conseguinte, podem achar que seu sono é menos satisfatório (Miller, 2009). Embora os idosos precisem de tanto sono quanto as pessoas mais jovens, eles podem experimentar variações em seus ciclos de sono-vigília normais, e a falta do sono de qualidade à noite frequentemente cria a necessidade de cochilos durante o dia. As pessoas idosas são mais prováveis de despertar por causa de fatores como ruído, dor ou noctúria. A incidência da apneia do sono (um transtorno do sono caracterizado por breves períodos em que as respirações estão ausentes) aumenta com a idade. A combinação de sintomas de insônia e um transtorno relacionado com o sono (ronco, sufocação ou pausas na respiração) está associada a comprometimento significativo do funcionamento diurno e a tempos de reação psicomotora mais prolongados do que cada uma dessas condições isoladamente (Cole & Richards, 2007; Gooneratne, Gehrman, Nkwuo, et al., 2006). A apneia do sono é discutida em maiores detalhes no Capítulo 22. A enfermeira é o cuidador que observa os pacientes enquanto eles estão dormindo. A enfermeira pode observar problemas e também recomendar os comportamentos de higiene do sono, como evitar a utilização do leito para atividades diferentes de dormir (ou sexo), manter uma rotina de horário de dormir consistente, evitar ou limitar os cochilos diurnos, limitar a ingestão de álcool a um ou dois drinques por dia, e evitar a cafeína e a nicotina durante a noite. Sistema Musculoesquelético Os sistemas neurológico e musculoesquelético intactos são essenciais para a manutenção da mobilidade segura, desempenho das atividades de vida diária (AVD) (atividades de cuidados pessoais básicos) e das atividades instrumentais de vida diária (AIVD) (atividades que são essenciais para a vida independente), permitindo assim que os idosos permaneçam seguros e vivam de maneira independente na comunidade. As alterações relacionadas com a idade que afetam a mobilidade incluem alterações na remodelação óssea, levando à densidade óssea diminuída, perda da massa muscular, deterioração das fibras musculares e membranas celulares, e a degeneração na função e eficiência das articulações. Esses fatores são discutidos em detalhes na Unidade 15. Sem exercício, uma diminuição gradual e progressiva na massa óssea começa antes de 40 anos de idade. A cartilagem das articulações também deteriora de modo progressivo na meia-idade. A doença articular degenerativa é encontrada na maioria dos adultos com mais de 70 anos de idade, e a dor na articulação de sustentação de peso e nas costas constitui uma queixa comum. A perda excessiva de densidade óssea resulta em osteoporose, o que leva a fraturas vertebrais e de quadril com potencial para a alteração da vida. A osteoporose é passível de prevenção. O axioma “use ou perca” é muito relevante para a capacidade física dos idosos. As enfermeiras desempenham um importante papel ao incentivar os idosos a participar em um programa de exercício regular (Quadro 12.1). Não podem ser subestimados os benefícios do exercício regular. Os exercícios aeróbicos constituem a base dos programas de condicionamento cardiovascular, mas os treinamentos de resistência e força, bem como os exercícios de flexibilidade são componentes essenciais de um programa de exercícios. Mesmo tardiamente na vida, nos adultos que são muito idosos ou frágeis, geralmente se acredita que o exercício tem os benefícios de aumentar a força, a capacidade aeróbica, a flexibilidade e o equilíbrio (Fahlman, Topp, McNevin, et al., 2007). QUADRO 12.1 PESQUISA DE ENFERMAGEM Exercício Estruturado Fahlman, M. M., Topp, R., McNevin, N., et al. (2007). Assessing the benefits of an aerobic plus resistance training program. Journal of Gerontological Nursing, 33(6), 33–39. Finalidade Esse estudo examinou os efeitos de um programa de exercícios de 16 semanas destinado a aumentar a capacidade aeróbica, força muscular e a resistência entre adultos idosos residentes na comunidade. Os participantes relataram e demonstraram capacidade funcional limitada, como ser incapaz de subir 26 degraus em menos de 12,6 s (a velocidade média para pessoas com 65 anos de idade ou mais). Metodologia Os 79 adultos, com uma idade média de 75 anos (faixa de 65 a 92 anos), não tinham participado anteriormente em um programa de exercícios. Eles foram divididos aleatoriamente em um grupo de exercício e um grupo-controle. No grupo- controle, o programa de exercício estava atrasado, enquanto no grupo de exercício os participantes empreendiam uma caminhada em grupo por 25 min e dois conjuntos de 12 repetições de 13 exercícios de resistência diferentes, 3 vezes/semana durante 16 semanas. A distância que os participantes eram capazes de caminhar em um período de 6 min foi empregada para medir a resistência e o teste de força foi realizado nas pernas e nos braços. Achados Os achados demonstraram que um programa de exercícios estruturado de 16 semanas nos idosos com capacidade funcional limitada levou a um aumento na capacidade funcional, como a resistência e força, quando comparados com o grupo-controle. Os participantes no grupo de exercício aumentaram sua distância de caminhada em 6 min em 12%, sua força nas pernas em 9% e sua força nos braços em 6% na comparação com as medições basais. Implicações de Enfermagem Esse estudo sustenta o valor do exercício para manter a capacidade funcional basal e demonstra que os idosos podem aumentar sua capacidade funcional para a força muscular e para a resistência com um programa de exercícios estruturado regular. Manter a força muscular, a resistência cardiovascular e o equilíbrio possibilita que a pessoa idosa mantenha a independência na velhice. As enfermeiras podem ser proativas mantendo os pacientes fora do leito e movimentando-se, recomendando o exercício continuado para pacientes idosos e identificando os pacientes que estão demonstrando um declínio funcional e referindo-os para os programas de exercício moderado produzidos visando os idosos. Sistema Nervoso A homeostasia é difícil de manter com o envelhecimento, porém a maioria das pessoas idosas funciona adequadamente e retém sua capacidade cognitiva e intelectual na ausência das alterações patológicas; no entanto, as alterações do envelhecimento normal no sistema nervoso podem afetar todas as partes do corpo. A estrutura e a função do sistema nervoso mudam com a idade avançada, e uma redução no fluxo sanguíneo cerebral acompanha as alterações no sistema nervoso. Os relatos da perda das células nervosas são altamente variados, com variações na perda de neurônios em diferentes regiões encefálicas (Mauk, 2006). A perda de células nervosas contribui para uma perda progressiva da massa encefálica. Além disso, a síntese e o metabolismo dos principais neurotransmissores também são reduzidos. Como os impulsos nervosos são conduzidos de forma mais lenta, as pessoas idosas demoram mais tempo para responder e reagir. O sistemanervoso autônomo atua de modo menos eficiente, podendo acontecer a hipotensão postural, que faz com que as pessoas percam a consciência ou se sintam tontas quando se levantam rapidamente. As alterações neurológicas podem afetar a marcha e o equilíbrio, o que pode interferir com a mobilidade e a segurança. As enfermeiras devem aconselhar as pessoas idosas a permitir mais tempo para responder a um estímulo e para se mover de forma mais deliberada. Esse tempo de reação lentificada coloca os idosos em risco para quedas e lesões, bem como para erros ao dirigir veículos. Ainda que os idosos passem menos tempo dirigindo em comparação com as pessoas mais jovens, os idosos são igualmente mais prováveis de envolver-se em colisões de veículos motorizados que resultem em lesão grave ou morte. As pessoas idosas que dirigem de forma insegura devem passar por uma avaliação sobre sua adequação para conduzir veículos (Miller, 2009). Com frequência, esta é administrada por um terapeuta ocupacional em conjunto com um neurofisiologista, o qual realiza os exames cognitivos mais detalhados. A função mental é ameaçada por estresses físicos ou emocionais. Um início súbito da confusão pode ser o primeiro sintoma de uma infecção ou alteração na condição física (p. ex., pneumonia, infecção do trato urinário, interações medicamentosas e desidratação). Sistema Sensorial As pessoas interagem com o mundo por meio de seus sentidos. As perdas sensoriais associadas ao envelhecimento afetam todos os órgãos sensoriais, podendo ser devastador não ser capaz de enxergar para ler ou ver televisão, ouvir uma conversa suficientemente bem para se comunicar, ou discriminar bem o paladar para apreciar o alimento. Quase metade dos homens idosos e 33% das mulheres idosas relatam dificuldade de audição, sem um aparelho auditivo. Dezesseis por cento dos homens idosos e 19% das mulheres idosas relatam dificuldade de visão, mesmo com lentes corretoras (Federal Interagency Forum on Aging-Related Statistics, 2008). Uma alteração da perda sensorial não compensada afeta negativamente a capacidade funcional e a qualidade de vida do idoso. Perda Sensorial versus Privação Sensorial A perda sensorial pode ser frequentemente compensada por dispositivo assistivo, como óculos e aparelhos auditivos. Em contrapartida, a privação sensorial é a ausência de estímulos ambientais ou a incapacidade de interpretar os estímulos existentes (talvez em consequência de uma perda sensorial). A privação sensorial pode levar ao tédio, confusão, irritabilidade, desorientação e ansiedade. Um declínio no estímulo sensorial pode imitar um declínio na cognição, o qual, na realidade, não está presente. A estimulação sensorial significativa fornecida ao idoso é, com frequência, valiosa para corrigir esse problema. Em algumas situações, um sentido pode substituir outro na observação e interpretação dos estímulos. As enfermeiras podem aumentar a estimulação sensorial no ambiente com cores, quadros, texturas, sabores, odores e sons. Os estímulos são mais significativos quando eles são interpretados para os idosos e quando são mudados com frequência. As pessoas com comprometimento cognitivo tendem a responder bem ao tato e à música que lhes são familiares. Visão À medida que novas células se formam na superfície externa do cristalino do olho, as células centrais mais antigas se acumulam e ficam amareladas, rígidas, densas e turvas, deixando apenas a porção externa do cristalino com elasticidade suficiente para a mudança de formato (acomodação) e focalização para as distâncias próximas e afastadas. À medida que o cristalino se torna menos flexível, o ponto próximo do foco fica cada vez mais distante. Essa condição, presbiopia, em geral começa na quinta década de vida e exige que a pessoa use óculos de leitura para ampliar os objetos. Além disso, o cristalino amarelado e turvo faz com que a luz se espalhe e torna a pessoa idosa mais sensível ao ofuscamento. A capacidade de diferenciar o azul do verde diminui. A pupila dilata-se lentamente e de maneira menos completa por causa da rigidez aumentada dos músculos da íris, de tal modo que a pessoa idosa leva mais tempo para se ajustar ao entrar em ambientes iluminados e escurecidos e ao sair, além de precisar de iluminação mais intensa para a visão próxima. As condições visuais patológicas não fazem parte do envelhecimento normal, mas a incidência de doença ocular (com maior frequência catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada com a idade) aumenta nas pessoas idosas. A degeneração macular relacionada com a idade é a principal causa de perda da visão no idoso. Mais de 25% das pessoas com mais de 75 anos de idade exibem alguns sinais dessa doença, e 6 a 8% possuem doença avançada associada à perda grave da visão. A degeneração macular não afeta a visão periférica, o que significa que ela não causa cegueira. No entanto, ela afeta a visão central, a percepção da cor e o detalhamento fino, comprometendo gravemente as habilidades visuais comuns, como a leitura, dirigir veículos e observar faces. Os fatores de risco incluem a exposição à luz solar, tabagismo e hereditariedade, podendo as pessoas de pele clara e olhos azuis estar em risco aumentado. Os óculos de sol e bonés com visores proporcionam alguma proteção, e a cessação do tabagismo é primordial para a prevenção da doença. Embora não exista tratamento definitivo e nenhuma cura que restaure a visão, há disponibilidade de diversas opções de tratamento, dependendo de certos fatores, como a localização de vasos sanguíneos anormais. O medicamento injetado em conjunto com a terapia fotodinâmica demonstrou resultados melhorados em estudos clínicos para o tipo úmido de degeneração macular aguda (Blick, Keating & Wagstaff, 2007). Quanto mais precocemente essa condição for diagnosticada, maiores serão as possibilidades de preservação da visão. Mais informações sobre a visão alterada podem ser encontradas no Capítulo 58. Audição As alterações auditivas começam a ser percebidas em torno de 40 anos de idade. Os fatores ambientais, como a exposição a ruídos, medicamentos e infecções, bem como a genética, podem contribuir para a perda auditiva tanto quanto as alterações relacionadas com a idade. A presbiacusia é uma perda sensorineural gradual, a qual progride desde a perda da capacidade de ouvir tons de alta frequência até uma perda auditiva generalizada. É atribuída a alterações irreversíveis do orelha interna. Com frequência, as pessoas idosas não conseguem acompanhar a conversação porque os tons de consoantes de alta frequência (os sons de f, s, v, b, t, p) parecem iguais. A perda auditiva pode fazer com que as pessoas idosas respondam de maneira inadequada, compreendam erroneamente a conversação e evitem a interação social. Esse comportamento pode ser erroneamente interpretado como confusão. O acúmulo de cera ou outros problemas passíveis de correção também podem ser responsáveis pelas dificuldades auditivas. Um aparelho auditivo adequadamente prescrito e adaptado pode ser útil na redução de alguns tipos de déficit de audição. O Capítulo 59 discute as alterações na audição. Paladar e Olfato Dos quatro sabores básicos (doce, azedo, salgado, amargo), os sabores doces são particularmente turvados nas pessoas idosas. O paladar ofuscado pode contribuir para a preferência por alimentos salgados, intensamente temperados, mas ervas, cebola, alho e limão podem ser utilizados como substitutos para dar sabor ao alimento. As alterações sensoriais do olfato estão relacionadas com a perda celular nas passagens nasais e no bulbo olfatório no encéfalo. Fatores ambientais como a exposiçãoa longo prazo a toxinas (p. ex., poeira, pólen e do tabaco) contribuem para o dano celular. Aspectos Psicossociais do Envelhecimento O envelhecimento psicológico bem-sucedido reflete-se na capacidade das pessoas idosas de se adaptar às perdas físicas, sociais e emocionais e de alcançar a satisfação com a vida. Como as alterações nos padrões de vida são inevitáveis com o passar do tempo, as pessoas idosas precisam de maleabilidade e habilidades de enfrentamento quando lidam com estresses e com a mudança. Uma autoimagem positiva aumenta a assunção de risco e a participação em papéis novos e desconhecidos. Embora as atitudes no sentido das pessoas idosas difiram em subculturas étnicas, um tema sutil do ageísmo — preconceito ou discriminação contra o idoso — predomina em nossa sociedade e muitos mitos circundam o envelhecimento. O ageísmo baseia-se em estereótipos, crenças simplificadas e, com frequência, inverídicas que reforçam a imagem negativa da sociedade a respeito dos idosos. Embora as pessoas idosas constituam um grupo extremamente heterogêneo e cada vez mais racial e etnicamente diversificado, os estereótipos negativos são atribuídos a todos os idosos. O medo de envelhecer e a incapacidade de muitos de se confrontar com seu próprio processo de envelhecimento podem deflagrar crenças ageístas. A aposentadoria e a falta de produtividade percebida também são responsáveis pelos sentimentos negativos, porque uma pessoa trabalhadora mais jovem pode visualizar falsamente as pessoas idosas como não contribuintes para a sociedade, como drenadoras dos recursos econômicos, e podem, na realidade, achar que elas estão competindo com as crianças pelos recursos. A preocupação sobre o grande número de idosos que deixam a força de trabalho (a geração do baby-boom começará a atingir 65 anos de idade em 2011) está incentivando esse debate. Muitas imagens negativas são tão comuns na sociedade que os próprios idosos frequentemente acreditam nelas e as perpetuam. Uma compreensão do processo de envelhecimento e o respeito por cada pessoa como um indivíduo podem dirimir os mitos do envelhecimento. Quando os idosos são tratados com dignidade e incentivados a manter a autonomia, sua qualidade de vida irá melhorar. Estresse e Enfrentamento no Idoso Os padrões de enfrentamento e a capacidade de adaptação ao estresse desenvolvem-se com o transcurso da vida e permanecem consistentes em um período mais tardio na vida. Experimentar o sucesso na fase de adulto jovem ajuda uma pessoa a desenvolver uma autoimagem positiva que permanece sólida na velhice. A capacidade de uma pessoa para se adaptar às mudanças, tomar decisões e responder de maneira previsível também é determinada pelas experiências pregressas. Uma pessoa flexível e com bom funcionamento provavelmente continuará a ser assim. No entanto, as perdas podem