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Desapropriação e indenização - Administrativo II

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CASO CONCRETO 4 
ALUNA: NATHALIA BEATRIZ DA SILVEIRA SANTOS FERNANDES – MAT. 201401343155 
“Uma determinada microempresa de gêneros alimentícios explora seu estabelecimento 
comercial, por meio de contrato de locação não residencial, fixado pelo prazo de 10 (dez) anos, 
com término em abril de 2011. Entretanto, em maio do ano de 2009, a referida empresa recebe 
uma notificação do Poder Público municipal com a ordem de que deveria desocupar o imóvel 
no prazo de 3 (três) meses a partir do recebimento da citada notificação, sob pena de imissão 
na posse a ser realizada pelo Poder Público do município. Após o término do prazo concedido, 
agentes públicos municipais compareceram ao imóvel e avisaram que a imissão na posse pelo 
Poder Público iria ocorrer em uma semana. Desesperado com a situação, o presidente da 
sociedade empresária resolve entrar em contato imediato com o proprietário do imóvel, um 
fazendeiro da região, que lhe informa que já recebeu o valor da indenização por parte do 
Município, por meio de acordo administrativo celebrado um mês após o decreto 
expropriatório editado pelo Senhor Prefeito. Indignado, o presidente da sociedade resolve 
ajuizar uma ação judicial em face do Município, com o objetivo de manter a vigência do contrato 
até o prazo de seu término, estipulado no respectivo contrato de locação comercial, ou seja, 
abril de 2011; e, de forma subsidiária, uma indenização pelos danos que lhe foram causados. A 
partir da narrativa fática descrita acima, responda aos itens a seguir, utilizando os argumentos 
jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
A). É juridicamente correta a pretensão do locatário (microempresa) de impor ao Poder Público 
a manutenção da vigência do contrato de locação até o seu termo final? 
B). Levando-se em consideração o acordo administrativo realizado com o proprietário do imóvel, 
é juridicamente correta a pretensão do locatário (microempresa) em requerer ao Poder Público 
municipal indenização pelos danos causados? ” 
Resposta 
 Primeiramente, é interessante mencionar que se trata de intervenção supressiva pelo 
poder público na iniciativa privada através da Desapropriação, prévio procedimento com 
indenização justa ao proprietário, em razão de uma necessidade ou utilidade pública, ou ainda 
diante de interesse social, com base legal no artigo 5º, Inciso XXIV, Art. 182, § 4º, III, Art. 183 e 
Art. 243 da CF/88. 
 Assim, para responder a alternativa A, com base na citação e no plano de Aula 
elaborado, por se tratar de modalidade de aquisição de propriedade, ocasionando a perda deste 
ao proprietário. Em virtude dessas considerações, não é possível a manutenção da locação, haja 
vista que o Poder Público adquire o bem livre de qualquer ônus real ou pessoal que incidia sobre 
a propriedade anteriormente. 
 No que tange a questão B e indenização do locatário, este possui os mesmos direitos 
à indenização justa, conforme a Constituição Federal no dispositivo 5º, XXIV. Por fim, o STJ, com 
base em precedentes, firmou jurisprudência no sentido de que o inquilino comercial tem amplo 
direito de ser ressarcido, independentemente das relações jurídicas entre ele e o proprietário, 
inclusive por perdas e danos causados pelo Poder Público. 
 O cálculo deve levar em consideração aspectos como: i) o valor do bem expropriado, 
incluindo-se aqui as benfeitorias que já existiam no imóvel antes do ato expropriatório; ii) lucros 
cessantes e danos emergentes; e iii) juros compensatórios, merecendo destaque aqui as 
súmulas 164 e 618 do Supremo Tribunal Federal. 
Doutrina e Jurisprudência 
 In casu, para a solução dos casos concretos, trago também o raciocínio de Marçal 
Justen Filho, que discorda parcialmente do conceito previsto do Instituto da Desapropriação, 
vez que se trata de um ato estatal unilateral. É unilateral, pois a vontade do poder público se 
impõe a do proprietário do bem, que poderá apenas discordar quanto ao valor da 
desapropriação, mas não dela em si, podendo tal entrave ser resolvido na esfera judicial. 
Ressalva, ainda, que a desapropriação é um ato de duplo efeito, sendo causa de extinção e 
aquisição de domínio, o que não pode ser confundido com transferência do direito de 
propriedade. Em outras palavras, o expropriado perde o seu direito de propriedade, enquanto 
o poder público adquire um novo direito sobre este mesmo objeto sem que, entretanto, 
eventuais defeitos ou direitos relativos à relação jurídica anterior se transfiram. Para tal, 
indeniza-se o expropriado, e com isso, mesmo sendo um ato unilateral, visa se a menor lesão ao 
expropriado. 
 Entretanto, Cretella Júnior afirma que tanto por ser necessidade, utilidade pública ou 
interesse social, o fundamento que prevalece sobre o ato expropriatório é o interesse coletivo 
sobre o individual, pilar da nossa vida e Constituição. 
 No sentido da Desapropriação e Indenização é a Jurisprudência: 
(TJ-SP - APL: 10047017120138260053 SP 1004701-71.2013.8.26.0053, Relator: Décio 
Notarangeli, Data de Julgamento: 04/08/2016, 9ª Câmara de Direito Público, Data de 
Publicação: 04/08/2016)