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Cap16_2005

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Não utilize linhas de pesca muito fortes e anzóis grandes, o que poderá
trazer dificuldade no caso de fisgar um peixe muito grande. Não amarre linhas fortes
em partes frágeis da balsa ou no próprio corpo.
Evite deixar os pés e as mãos para fora, pois algum peixe – não
necessariamente um tubarão – poderá abocanhá-los.
Peixes de maior porte devem ser capturados sem que haja riscos. Mate-os
com uma pancada na cabeça ou com a faca antes de puxá-los para o interior da
embarcação. Não procure fisgar ou arpoar tubarões ou peixes muito grandes.
A quase totalidade dos peixes impróprios à alimentação vive em águas pouco
profundas. Quase todos são da família do baiacu, têm o corpo arredondado, com
pele dura parecendo crosta, ou cobertos de placas ósseas ou espinhas. Não é
aconselhável também comer vísceras de peixes e aves, bem como ovas de peixes
desconhecidos. Essas partes serão mais úteis se empregadas como iscas. Não
procure, em circunstância alguma, examinar ou comer medusas, águas-vivas ou
caravelas. São difíceis de pegar e podem produzir queimaduras e intoxicação por
vezes fatais. Atenção com os peixes venenosos: peixe-escorpião, peixe-porco-
espinho, baiacu, peixe-pedra e peixe-zebra.
Todas as aves constituem alimentos em potencial. Podem ser capturadas
por meio de laços ou mesmo com a mão, dependendo da habilidade de cada um.
SOBREVIVÊNCIA NO MAR 823
Utilizar como isca os pequenos peixes ou pedaços de metal brilhante em formato
aproximado de peixe.
Muitas aves são atraídas pelas embarcações como ponto de pouso e
descanso. Quando as avistar, conserve-se imóvel, pois algumas delas ou mesmo
todas do bando podem vir pousar na balsa ou até sobre alguém. É possível agarrá-
las logo que tenham fechado as asas.
Apenas duas entre as 225 ou 250 espécies de tubarões conhecidas são
dignas de confiança. As demais são constituídas de carnívoros predadores, das
quais 12 podem ser consideradas como verdadeiras e constantes ameaças ao
homem. Não há certeza do que pode exatamente levar um tubarão a atacar um ser
humano. A existência de sangue na água é inegavelmente o principal estímulo,
assim como o fato de o tubarão estar excepcionalmente faminto. Em outras
situações, porém, o fato de o tubarão atacar ou não atacar parece condicionado a
causas pouco definidas.
Até agora, ninguém pôde estabelecer o que realmente deve ser feito para
desencorajar o ataque de um tubarão. Gritar com a cabeça dentro da água, bater
com os pés e as mãos na água, golpeá-lo no focinho são ações recomendadas em
várias ocasiões, que podem dar certo em alguns casos e em outros não; é provável
até que o tubarão se enfureça quando se tentar intimidá-lo. Por outro lado, se ele
não fizer qualquer movimento declarado de ataque, uma retirada (se possível) tranqüila
ou uma atitude calma e imobilidade podem ser suficientes para que ele se afaste.
Se ocorrer o ataque por um tubarão solitário, contra-atacar pode ser o último
recurso e uma faca ou um bastão de madeira representam uma possibilidade a
mais de dissuadi-lo. Os repelentes de tubarão têm uma longa história de fracassos,
inclusive aqueles utilizados pela Marinha americana durante a Segunda Guerra
Mundial. Em alguns casos, os repelentes parecem atuar sobre os tubarões solitários;
em outros casos, os tubarões chegaram mesmo a comê-los. Diante de grupos de
tubarões excitados, nada deu certo até agora.
16.7. Navegação e arribada – A não ser que estejam sendo avistados
pontos de terra ou que haja absoluta certeza de sua proximidade e da possibilidade
de alcançá-la, não deve ser feita qualquer tentativa de navegação com as
embarcações de salvamento. É praticamente impossível fazer navegar a balsa por
longas distâncias e com recursos próprios em rumo diferente daquele que lhe é
dado pelo vento e pela corrente. As lanchas, por sua vez, possuem limitado raio de
ação e pequena potência para reboque das balsas, cuja resistência estrutural não
aconselha maiores esforços de tração, os quais estariam certamente presentes no
reboque de várias balsas em série.
Todos os planos de busca a embarcação à deriva têm como ponto básico de
referência a posição informada ou estimada do local do acidente. Assim, a menos
que o vento e a corrente estejam conduzindo para terra sabidamente próxima, a
deriva deve ser evitada tanto quanto possível, embora esteja ela também prevista
nos planos de busca. As âncoras flutuantes das balsas devem, então, ser mantidas
na água, visando a reduzir a deriva.
A eventual arribada à costa pode conter ainda alguns problemas até o efetivo
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desembarque. As principais dificuldades estão nas fortes arrebentações,
especialmente em costas rochosas, as quais devem ser evitadas, na medida do
possível. Atravessar a linha de arrebentação das ondas com uma balsa não é tarefa
das mais fáceis. Procure descobrir um local em que a linha de arrebentação apresente
descontinuidade e, se houver, aproveite esse local como de entrada.
Se houver necessidade de nadar para chegar à terra, é conveniente conservar
os sapatos e as roupas, além, logicamente, do colete salva-vidas ou outro recurso
para auxiliar a flutuação. As roupas e os sapatos servem como proteção contra
cortes e esfoladuras que podem ser causados por pedras, mexilhões e corais.
Se a arrebentação for moderada, procure cavalgar a crista de uma onda
pequena nadando na direção em que ela se desloca. Em grande arrebentação, nade
para a terra na depressão entre duas ondas. Ao ser alcançado por uma onda, mergulhe
sob ela, deixando-a passar.
Se tiver de alcançar a terra em costa rochosa, procure um ponto da costa
onde as ondas subam pela rocha inclinada. Evite os pontos em que as vagas
arrebentam com violência. Uma vez escolhido o ponto de contato com a terra, adiante-
se seguindo de perto uma grande vaga, até penetrar na área da arrebentação.
Mantenha-se de frente para a costa, tome posição de quem está sentado, com os
pés para a frente. Nessa posição, os pés podem amortecer os choques quando
você, finalmente, fizer contato com a terra.

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