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Jeremias 
 
 
 
 
 
 
 
Silvio Dutra 
 
 
 
 
 
DEZ/2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A474 
 
 Alves, Silvio Dutra 
 Jeremias./ Silvio Dutra Alves. – Rio de Janeiro, 
 2015. 
 343p.; 14,8x21cm 
 
 1. Teologia. 2. Comentário Bíblico. 3. Profecia. 
 4. Justificação. 5. Redenção. 6. Jesus. I. Título. 
 
 CDD 230.224 
 
3 
 Sumário 
 
Jeremias 1..................................................... 5 
Jeremias 2..................................................... 20 
Jeremias 3..................................................... 33 
Jeremias 4..................................................... 40 
Jeremias 5..................................................... 48 
Jeremias 6..................................................... 55 
Jeremias 7..................................................... 63 
Jeremias 8..................................................... 69 
Jeremias 9..................................................... 77 
Jeremias 10................................................... 85 
Jeremias 11................................................... 91 
Jeremias 12................................................... 96 
Jeremias 13................................................... 101 
Jeremias 14................................................... 108 
Jeremias 15................................................... 117 
Jeremias 16................................................... 124 
Jeremias 17................................................... 129 
Jeremias 18................................................... 136 
Jeremias 19................................................... 141 
Jeremias 20................................................... 146 
Jeremias 21................................................... 152 
Jeremias 22................................................... 157 
Jeremias 23................................................... 162 
Jeremias 24................................................... 171 
Jeremias 25................................................... 175 
Jeremias 26................................................... 183 
Jeremias 27................................................... 188 
Jeremias 28................................................... 193 
Jeremias 29................................................... 197 
Jeremias 30................................................... 203 
Jeremias 31................................................... 208 
Jeremias 32................................................... 225 
Jeremias 33................................................... 236 
Jeremias 34................................................... 242 
4 
Jeremias 35................................................... 247 
Jeremias 36................................................... 251 
Jeremias 37................................................... 258 
Jeremias 38................................................... 262 
Jeremias 39................................................... 269 
Jeremias 40................................................... 273 
Jeremias 41................................................... 276 
Jeremias 42................................................... 280 
Jeremias 43................................................... 284 
Jeremias 44................................................... 287 
Jeremias 45................................................... 293 
Jeremias 46................................................... 295 
Jeremias 47................................................... 300 
Jeremias 48................................................... 304 
Jeremias 49................................................... 311 
Jeremias 50................................................... 319 
Jeremias 51................................................... 327 
Jeremias 52................................................... 339 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Jeremias 1 
 
A Boca de Deus nos Profetas 
 
O pai de Jeremias era sacerdote, e como este 
era um cargo vitalício passado de pai para filho, 
na descendência de Arão, então Jeremias 
também estava sendo preparado para o 
sacerdócio quando lhe veio a palavra do Senhor, 
dando-lhe como profeta às nações. 
O próprio nome Jeremias era um nome 
profético, porque significa “chamado pelo 
Senhor” ou “a quem o Senhor designou”, ou 
ainda, “levantado pelo Senhor”, tal como foi 
profetizado acerca de Jesus como o Profeta que 
seria levantado do meio de Israel (Dt 18.15,18). 
Ninguém se faz profeta, pastor, evangelista, 
missionário, a não ser por um chamado, por 
uma designação, por um levantamento 
realizados pelo Senhor. 
O profeta, pastor, evangelista ou missionário 
receberá também mensagens da parte do 
Senhor para que sejam pregadas e ensinadas às 
pessoas às quais forem enviados por Ele. Tal 
como sucedeu com Jeremias, como se afirma no 
verso 9: 
“Então estendeu o Senhor a mão, e tocou-me na 
boca; e disse-me o Senhor: Eis que ponho as 
minhas palavras na tua boca.” 
Estas palavras que foram colocadas na boca de 
Jeremias, seriam as revelações que lhes seriam 
dadas da parte de Deus, especialmente os juízos 
contra o pecado de Judá e das nações. 
6 
O motivo desta chamada e desta ação divina em 
relação a Jeremias, foi também declarado pelo 
Senhor ao profeta, quando lhe disse que velava 
sobre a sua Palavra para a cumprir. 
O Senhor havia afirmado na Lei de Moisés que 
traria juízos sobre Israel e sobre as nações, no 
período da dispensação da Antiga Aliança, caso 
andassem desviados dos seus caminhos, e 
agora, tal como a vara de amendoeira era uma 
planta temporã, que florescia sem falta, antes 
das demais árvores, o juízo do Senhor também 
estava amadurecido e seria cumprido tal como 
Ele havia prometido. 
Este juízo contra Judá viria como um vapor 
fervente que sai de uma panela e que vinha 
desde a direção do Norte, porque seria de lá, de 
Babilônia, que viria a ruína de Judá, porque 
seriam levados para o cativeiro pelos babilônios 
e teriam suas cidades e o templo destruídos por 
eles. 
Jeremias conhecia a Palavra do Senhor, porque 
vivia numa cidade de sacerdotes (Anatote), e 
bem conhecia as ameaças de juízos da Lei contra 
a infidelidade de Israel, mas não contava que 
fosse exatamente ele um dos instrumentos 
chamados pelo Senhor para protestar 
diretamente contra as nações o cumprimento 
de todas aquelas ameaças previstas na Lei, e se 
sentiu pequeno demais para a grandeza e 
importância da tarefa que teria que realizar. 
 
Jeremias começou o seu ministério no décimo 
segundo ano do reinado de Josias, o qual 
começou a reinar cerca de 638 a. C., quando era 
7 
ainda menino, com apenas oito anos de idade, 
tendo reinado durante 31 anos. 
Então, Jeremias começou seu ministério por 
volta de 626 a. C., ou seja, treze anos após Josias 
ter começado a reinar. 
Como seu ministério se estendeu até Judá ter 
sido levado para o cativeiro em 586 a. C. e se 
prolongando ainda por um pequeno tempo 
depois disto, então temos um tempo superior a 
40 anos para a sua duração total. 
Foi somente no décimo oitavo ano do seu 
reinado que o rei Josias começou a empreender 
suas reformas religiosas em Judá, depois de ter 
sido achado o original do livro da Lei no templo 
(II Reis 22.3, 10). 
Nesta ocasião, Jeremias se encontrava no sexto 
ano do seu ministério, mas ainda não tinha sido 
feito notório ao rei, porque em vez de mandar 
consultá-lo acerca das ameaças contidas no 
livro da Lei, o rei mandou que fosse consultada 
a profetiza Hulda (II Reis 22.13,14). 
Nesta altura do nosso comentário nós 
lembramos das palavras proferidas pelo profeta 
Samuel ao rei Saul, quando este desobedecendo 
à ordem doSenhor poupou o rei Agague dos 
amalequitas, e os animais do seu rebanho sob o 
pretexto de que pretendia oferecê-los como 
sacrifício a Deus: 
“Tem porventura o Senhor tanto prazer em 
holocaustos e sacrifícios quanto em que se 
obedeça à sua Palavra?” (I Sm 15.22 a). 
Realmente este é o único modo de se servir e 
agradar ao Senhor, a saber, honrar e cumprir a 
sua Palavra. 
8 
Foi isto que o rei Josias se dispôs a fazer quando 
o livro da lei foi achado no templo pelo sacerdote 
Hilquias. 
Por que havia tantos altares espalhados em 
todas as nações, como também em Israel e Judá? 
Por que eram oferecidos tantos sacrifícios e 
tanto incenso era queimado nestes altares? 
Não era porque eles queriam alcançar o favor 
dos seus deuses? 
Sim, não há dúvida. Eram dias de muitas 
guerras, muitas enfermidades e poucos 
recursos médicos, e não eram raras as mortes 
por simples infecções. 
Então tudo isto chamava a necessidade da 
proteção de um ser superior, de uma divindade 
à qual se pudesse recorrer, não somente na hora 
da necessidade, mas em todo o tempo para se 
prevenir do mal. 
Mas, por que os israelitas faziam isto sabendo 
que o Senhor o havia proibido expressamente 
na Lei de Moisés e mostrava o seu desagrado 
pelas palavras dos profetas e de todos os juízos 
que trazia sobre eles? 
Simplesmente porque lhes era mais cômodo 
seguir os costumes das nações pagãs e 
continuarem fazendo a própria vontade 
pecaminosa e supersticiosa deles do que se 
submeterem aos mandamentos e à vontade do 
Senhor. 
Este é basicamente o problema com a maioria 
da humanidade até os dias de hoje, porque não 
consegue entender que não é possível ter as 
bênçãos de Deus e agradar-Lhe quando não se 
9 
vive para obedecer a sua Palavra, tal como o 
profeta Samuel havia dito ao rei Saul. 
Nós podemos assim entender porque não há 
qualquer eficácia diante do Senhor no simples 
fato de alguém entrar num templo e se 
submeter aos ritos religiosos que ali se 
praticam, quando não se tem este caminhar na 
sua presença, por um desejo de se cumprir os 
seus mandamentos, sabendo que não é o mero 
rito religioso que lhe agrada, senão a verdadeira 
obediência da sua Palavra. 
Isto não mudou na dispensação da graça, 
porque tanto no Antigo, quanto no Novo 
Testamento, se aprende sobre a vontade 
imutável de um Deus imutável quanto à 
obediência que é devida à sua Palavra. 
“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas 
palavras e as põe em prática, será comparado a 
um homem prudente, que edificou a casa sobre 
a rocha.” (Mt 7.24). 
“E assim por causa da vossa tradição 
invalidastes a palavra de Deus.”Mt 15.6). 
“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras 
não passarão.” (Mc 13.31). 
“Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e 
meus irmãos são estes que ouvem a palavra de 
Deus e a observam.” (Lc 8.21). 
“Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os 
que ouvem a palavra de Deus, e a observam.” (Lc 
11.28). 
“Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: 
Se vós permanecerdes na minha palavra, 
verdadeiramente sois meus discípulos;” (Jo 
8.31). 
10 
“Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por 
isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus.” 
(Jo 8.47). 
“Quem me rejeita, e não recebe as minhas 
palavras, já tem quem o julgue; a palavra que 
tenho pregado, essa o julgará no último dia.” (Jo 
12.48). 
“Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, 
guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e 
viremos a ele, e faremos nele morada.” (Jo 14.23). 
“Se vós permanecerdes em mim, e as minhas 
palavras permanecerem em vós, pedi o que 
quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7). 
“Santifica-os na verdade, a tua palavra é a 
verdade.” (Jo 17.17). 
 “E sede cumpridores da palavra e não somente 
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tg 
1.22). 
“mas qualquer que guarda a sua palavra, nele 
realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. 
“Aquele que tem os meus mandamentos e os 
guarda, esse é o que me ama; e aquele que me 
ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me 
manifestarei a ele.” (Jo 14.21). 
Quando lemos todos estes textos bíblicos 
sacados do Novo Testamento sobre a 
necessidade de se guardar a Palavra de Deus, é 
que nós podemos entender melhor de que 
espírito estava imbuído o rei Josias. 
Ele queria agradar ao Senhor completamente, e 
percebeu que havia somente um modo de fazê-
lo: por uma estrita obediência aos seus 
mandamentos. 
11 
Por um desejo intenso de guardá-los em todas as 
suas minúcias, sabendo que eles expressam a 
vontade do Deus Altíssimo para todos os seus 
filhos. 
Não faz justiça à piedade de Josias pensar que ele 
se dispôs a guardar a Palavra de Deus somente 
porque temeu os juízos que estavam proferidos 
na Lei de Moisés sobre o pecado que Deus traria 
sobre os judeus, por terem transgredido os seus 
mandamentos, e em razão das ameaças dos 
castigos previstos na Lei. 
Obviamente que tais juízos encheram de temor 
o seu coração mas foi por um genuíno amor à 
vontade do Senhor revelada na sua Palavra que 
ele se dispôs completamente a praticá-la. 
Por que então teria o Senhor determinado o 
cativeiro de Judá, mesmo nos dias em que Josias 
empreendia suas reformas religiosas, e de estar 
se agradando tanto da vida deste rei piedoso? 
Nós achamos a resposta para esta pergunta em 
II Reis 23, no qual podemos ver quantas 
abominações havia em Judá quando o rei Josias 
começou a destruí-las; e ao mesmo tempo, o 
quanto os judeus estavam negligenciando as 
ordenanças da Lei de Moisés, como por 
exemplo o terem deixado de celebrar a páscoa; 
da qual se diz no verso 22, que não vinha sendo 
celebrada desde os dias dos Juízes. 
O fato de Deus ter suportado por tanto tempo as 
transgressões da sua Lei pelos israelitas, a par 
dos juízos que trouxe sobre eles por causa destas 
transgressões, demonstra quão grandes são 
realmente a sua misericórdia e longanimidade, 
pois não estamos falando de dias, mas de 
12 
séculos, porque desde Moisés até Josias, nós 
temos cerca de 800 anos. 
Deve ser considerado que a par de que eles 
seriam levados para o cativeiro, e até mesmo de 
terem ficado sem profetas durante os 400 anos 
do período interbíblico, e ainda, depois de terem 
sido espalhados pelo mundo após 70 d. C., Deus 
não havia rejeitado definitivamente os judeus, 
conforme é afirmado pelo apóstolo Paulo no 11º 
capítulo da epístola aos Romanos (v. 1 a 6); e nos 
versículos 11 e 12 deste mesmo capítulo, ele 
expõe que o motivo de os israelitas terem 
tropeçado já havia sido previsto por Deus de 
maneira a poder se voltar também para os 
gentios, mas não deixando a Israel de lado, 
porque foi este povo que Ele havia plantado para 
trazer através dele a salvação a todo o mundo. 
Como poderia então o Senhor rejeitar 
definitivamente a quem havia formado e 
elegido para tão grande vocação de ser bênção 
para o mundo? 
E sem qualquer outra consideração somente o 
fato de termos recebido através deles as 
Escrituras já justifica a importância desta nação 
para Deus. 
Por isso, a salvação em Cristo sempre 
permanecerá aberta para eles, e até mesmo com 
prioridade, conforme o próprio Deus 
estabeleceu no princípio da pregação do 
evangelho, porque o mundo tem uma dívida 
para com os judeus, e não admira portanto que 
esta porta para a salvação esteja aberta para eles 
para serem enxertados de novo na oliveira santa 
e na videira verdadeira que é o Senhor Jesus 
13 
(Rom 11.23), da qual, na verdade, eles nunca 
teriam sido cortados se permanecessem na 
fidelidade que é devida ao Senhor. 
Então, nós só podemos entender que o brasume 
da sua ira demonstrado contra os judeus nos 
dias de Josias, mesmo em meio às reformas que 
aquele rei estava empreendendo tinha a ver 
com a visitação dos pecados deles para serem 
purificados da sua idolatria, como efetivamente 
foram depois de terem sido levados cativos para 
Babilônia, porque os que retornaram de 
Babilônia para Jerusalém 70 anos depois do 
cativeiro, podemser chamados de fato de 
judeus novos, porque demonstravam agora um 
grande apreço pela Palavra do Senhor e haviam 
sido curados definitivamente do pecado da 
idolatria, que era tão comum nos dias dos Juízes 
e dos Reis de Israel. 
De sorte que a afirmação que se lê nos versos 26 
e 27 de II Reis 23, que o Senhor, apesar de toda a 
fidelidade de Josias, não se demoveu do ardor da 
sua grande ira, com que ardia contra Judá, e que 
o levara a decidir por expulsá-los da terra, tanto 
como fizera ao reino de Israel, não significava 
que não estivesse se agradando das coisas que 
Josias e muitos do povo estavam fazendo para 
obedecer a sua Palavra, mas que não seria isto 
que suspenderia os juízos previstos na Lei, 
quanto a serem expulsos da terra, porque na sua 
presciência o Senhor sabia que sempre 
continuariam idolatrando, e somente seriam 
convencidos de que foi a idolatria deles a causa 
do seu desagrado e juízos, quando fossem 
conduzidos para o cativeiro, onde aprenderiam 
14 
definitivamente que é uma vida reta com Deus 
que livra do mal, e não altares, templos etc, 
porque Ele permitiria que o próprio templo de 
Jerusalém fosse totalmente destruído e 
saqueado pelos babilônios. 
Foi por isso que antes de fazê-lo Ele lhos 
anunciou pelos profetas, dizendo que não 
somente rejeitaria ao seu povo como ao seu 
próprio templo que ele mandara edificar nos 
dias de Salomão, e para este propósito Jeremias 
havia sido também levantado por Deus. 
Ele havia sido separado (santificado – v. 5) por 
Deus para o ofício profético desde antes de ter 
sido formado no ventre, ou seja, desde antes da 
fundação do mundo, conforme seu conselho 
eterno. 
A incapacidade que Jeremias sentiu para o 
exercício da função para a qual estava sendo 
designado, confirmava que de fato aquele era 
um trabalho para ser feito pelo próprio poder de 
Deus através dele, de maneira que ao dizer que 
não sabia falar porque era um menino (v. 6), não 
foi duramente repreendido pelo Senhor, mas 
apenas advertido para que não dissesse que era 
um menino, porque deveria ir a todos aos quais 
fosse enviado por Ele, e lhes dizer tudo quanto 
Lhe ordenasse para ser dito (v. 7), e que não 
deveria temer a face do homem, porque seria 
com ele para livrá-lo deles (v. 8). 
Jeremias foi capacitado e ungido por Deus para 
o ministério, quando o Senhor estendeu a sua 
mão e lhe tocou a boca dizendo que estava 
colocando as suas palavras na sua boca (v. 9). E 
lhe instruiu quanto à autoridade que lhe estava 
15 
conferindo para arrancar e derrubar nações, 
porque seria por sua boca, que o Senhor 
profetizaria sobre a queda de Judá, de Babilônia 
e de outros reinos, bem como acerca daqueles 
que passariam a exercer domínio na terra. 
Não somente isto, ele também receberia 
autoridade para profetizar o que seria destruído 
e arruinado nas nações, como consequência dos 
juízos de Deus, bem como proferiria promessas 
consoladoras quanto ao que haveria de ser 
restaurado e plantado pelo Senhor no futuro, 
especialmente a restauração de Judá, depois de 
cumpridos os setenta anos determinados para o 
seu cativeiro, conforme foi revelado a Jeremias 
(v. 10). 
Não foi um ancião que Deus chamou para 
protestar contra o pecado das nações, e 
especialmente de Judá, mas um jovem, porque 
os últimos quarenta anos de existência do reino 
de Judá, antes do cativeiro, deveriam ser 
acompanhados pelo profeta. Ele envelheceria 
durante a realização do seu ministério sendo 
um sinal de Deus que o juízo seria amadurecido 
também até o ponto de ser cumprido sobre toda 
a nação pecadora. 
Jeremias não deveria portanto temer ser 
menosprezado por sua juventude porque o 
poder do Senhor seria com ele, revelando a Judá 
que jovens tais como Jeremias e o próprio rei 
Josias, podiam e deviam viver uma vida 
consagrada a Ele, coisa que estava sendo 
rejeitada pela grande maioria dos judeus, 
quando isto era um dever de todos eles, na 
condição de povo da aliança. 
16 
De tal maneira Jeremias foi fiel no cumprimento 
da missão de falar as palavras que Deus 
colocasse em sua boca, que tudo o que recebera 
da parte dele se encontra registrado na Bíblia 
como Escritura eterna. 
A Palavra de Deus continuava sendo produzida 
nesta época, e seria fechada no Antigo 
Testamento somente com o profeta Malaquias. 
É importante trazer isto em lembrança, para 
sabermos que o caráter da chamada de Jeremias 
era algo diferente da chamada comum de 
pastores e outros ministros do evangelho, 
porque somente a eles (profetas) e aos apóstolos 
de Cristo, foi dada a honra de receberem as 
revelações de Deus que são imutáveis, e que 
foram registradas por escrito para a instrução 
do seu povo na verdade, vindo a ser 
reconhecidas como a sua Palavra autorizada e 
canônica, para todas as gerações, Palavra esta 
que temos a incumbência de pregar, ensinar e 
defender, porque é questão fechada que a 
ninguém mais Deus estará revelando qualquer 
nova verdade que já não se encontre registrada 
na Bíblia. 
Uma vez comissionado o profeta, Deus lhe deu 
instruções quanto ao posicionamento que 
deveria ter dali por diante. 
Ele deveria ser achado cingido e firmemente de 
pé, para lhes dizer tudo quanto lhe ordenasse, e 
que não ficasse espantado diante deles, porque 
senão ele próprio seria espantado por Deus 
diante deles, ou seja, não Lhe daria a graça e 
autoridade necessárias para o desempenho da 
sua função, de maneira que viria então a ser 
17 
menosprezado e envergonhado diante daqueles 
contra os quais pronunciaria os juízos de Deus 
(v. 17). 
Todavia, não deveria temer porque o Senhor 
havia feito dele uma cidade fortificada com 
colunas de ferro e muros de bronze, capaz de 
suportar os ataques que lhes viessem de todas as 
partes da terra, e especialmente dos reis de 
Judá, seus príncipes, sacerdotes, bem como de 
todo o povo, que não andasse debaixo do temor 
do Senhor e que se voltasse contra Jeremias com 
fúria, para pelejar contra ele. 
Contudo o Senhor lhe fez a promessa que eles 
lutariam contra ele e o perseguiriam mas não 
poderiam prevalecer, porque o Senhor estaria 
com ele para livrá-lo (v. 19). 
O mesmo que Deus fez com Jeremias fez com 
Paulo, e com todos os servos que tem chamado 
para pregarem o evangelho e protestarem 
contra os pecados dos homens e das nações, 
para que se arrependam e se convertam a Jesus 
Cristo. 
 
“1 Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um 
dos sacerdotes que estavam em Anatote, na 
terra de Benjamim; 
2 ao qual veio a palavra do Senhor, nos dias de 
Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo 
terceiro ano do seu reinado; 
3 e lhe veio também nos dias de Jeoiaquim, filho 
de Josias, rei de Judá, até o fim do ano undécimo 
de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que 
Jerusalém foi levada em cativeiro no quinto 
mês. 
18 
4 Ora veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
5 Antes que eu te formasse no ventre te conheci, 
e antes que saísses da madre te santifiquei; e às 
nações te dei por profeta. 
6 Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não 
sei falar; porque sou um menino. 
7 Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou 
um menino; porque a todos a quem eu te enviar, 
irás; e tudo quanto te mandar dirás. 
8 Não temas diante deles; pois eu seu contigo 
para te livrar, diz o Senhor. 
9 Então estendeu o Senhor a mão, e tocou-me na 
boca; e disse-me o Senhor: Eis que ponho as 
minhas palavras na tua boca. 
10 Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e 
sobre os reinos, para arrancares e derribares, 
para destruíres e arruinares; e também para 
edificares e plantares. 
11 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
Que é que vês, Jeremias? Eu respondi: Vejo uma 
vara de amendoeira. 
12 Então me disse o Senhor: Viste bem; porque 
eu velo sobre a minha palavra para a cumprir. 
13 Veio a mim a palavra do Senhor segunda vez, 
dizendo: Que é que vês? E eu disse: Vejo uma 
panela a ferver, que se apresenta da banda do 
norte.14 Ao que me disse o Senhor: Do norte se 
estenderá o mal sobre todos os habitantes da 
terra. 
15 Pois estou convocando todas as famílias dos 
reinos do norte, diz o Senhor; e, vindo, porá cada 
um o seu trono à entrada das portas de 
19 
Jerusalém, e contra todos os seus muros em 
redor e contra todas as cidades de Judá. 
16 E pronunciarei contra eles os meus juízos, por 
causa de toda a sua malícia; pois me deixaram a 
mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, 
e adoraram as obras das suas mãos. 
17 Tu, pois, cinge os teus lombos, e levanta-te, e 
dize-lhes tudo quanto eu te ordenar; não te 
espantes diante deles, para que eu não te 
infunda espanto diante deles. 
18 Eis que hoje te ponho como cidade fortificada, 
e como coluna de ferro e muros de bronze 
contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra 
os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e 
contra o povo da terra. 
19 E eles pelejarão contra ti, mas não 
prevalecerão; porque eu sou contigo, diz o 
Senhor, para te livrar.”. (Jeremias 1.1-19) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
Jeremias 2 
 
As Batalhas do Amor 
 
Se não tivermos diante de nossos olhos o 
propósito principal para o qual Deus criou o 
homem, que é o de adorá-lo, de estar em 
comunhão com Ele, em amor, e em plena 
alegria, e santidade, jamais poderemos 
entender o teor das palavras de repreensão 
dirigidas ao povo de Judá, no segundo capítulo 
de Jeremias, que mais parecem um lamento do 
que uma repreensão. 
Não poderemos também entender esta 
mensagem se nos falta a devida santidade de 
vida, e espiritualidade, porque as coisas aqui 
tratadas são espirituais e não carnais, 
sobrenaturais e não naturais. 
A expressão da alegria espiritual que se vê na 
face de Deus quando está em comunhão com o 
seu povo, quando este anda em seus caminhos, 
não pode ser vista a não ser por uma experiência 
real e pessoal disto, senão veremos ao Senhor 
como um Deus carrancudo e impaciente com 
nossas fraquezas, quando isto não é verdade e 
não corresponde ao seu caráter. 
Deus é bom, puro, alegre, amável, gentil, 
amoroso, mas não pode, por causa da sua 
perfeita justiça, ser conivente com o erro 
deliberado, com o espírito de rebeldia que 
endurece o coração do homem e que o leva a 
viver por escolha, debaixo da escravidão do 
pecado. 
21 
Deus quer manifestar sua alegria, seu amor, sua 
misericórdia e bondade, mas como poderá fazê-
lo para com aqueles que lutam contra Ele e 
contra sua vontade, como inimigos ferrenhos? 
Podemos dizer que Deus criou o homem para se 
alegrarem mutuamente. Mas que alegria pode 
ter um pai com um filho rebelde? Este é o ponto, 
para que possamos entender não apenas as 
repreensões do segundo capítulo de Jeremias, 
bem como as que permeiam toda a Bíblia. 
Então é basicamente a tristeza de Deus por 
causa dos pecados do seu povo, que impediam a 
comunhão com eles, o que encontramos em 
Jeremias 2. 
Por isso somos exortados na Igreja de Cristo a 
também não entristecermos o Espírito Santo 
com os nossos pecados, porque é o pecado que 
quebra a nossa comunhão com Deus, e por 
conseguinte, a possibilidade de nos alegrarmos 
nele, e Ele em nós. 
“mas as vossas iniquidades fazem separação 
entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados 
esconderam o seu rosto de vós, de modo que não 
vos ouça.” (Is 59.2) 
Quanto os judeus haviam desprezado ao Senhor 
com as suas idolatrias e injustiças! 
Quanto haviam desprezado a aliança que havia 
feito com eles! 
Ele lhes havia dado esta grande honra, e no 
entanto, eles a haviam desprezado totalmente. 
Deus tem proposto uma aliança com os homens 
de todas as nações, por meio do sangue de 
Cristo, mas a grande maioria da humanidade 
tem desprezado este sangue precioso, e tão 
22 
maravilhosa aliança, que livra da morte eterna 
para a vida eterna; das trevas para a luz; da 
escravidão para a liberdade. 
Deveríamos aprender então, desta primeira 
mensagem que foi dada por Deus para ser 
proclamada aos judeus, para não incorrermos 
nos mesmos erros deles, e consequentemente, 
cairmos no desagrado de Deus, em vez de 
agradá-lo. 
Primeiro, devemos evitar a ingratidão por todo o 
amor que o Senhor tem por nós, e por todos os 
livramentos que nos tem dado, tal como fizera 
com Israel no passado, e os judeus dos dias de 
Jeremias haviam esquecido de trazer isto em 
lembrança (v. Jer 2.2; 3). 
Em segundo lugar, o Senhor jamais fará 
qualquer injustiça, especialmente no tocante ao 
seu povo. Então porque deixamos Aquele que é 
perfeitamente justo, para seguirmos nossos 
caminhos e pensamentos de vaidade? (v. 5) 
Além disso, por que não buscamos o Senhor 
todos os dias de nossas vidas, lembrando os seus 
poderosos feitos relativos à sua Igreja, tal como 
havia feito com Israel no passado? (v. 6) 
Como podemos esquecer que ainda que 
tenhamos que trabalhar, semeando, juntando 
em celeiros, comendo o pão com o suor do rosto, 
no entanto, não é o Senhor que faz brotar o pão 
da terra? 
Como podemos dar as costas para um Deus 
provedor que garante a nossa subsistência? 
Usaremos a terra que ele nos tem dado por 
herança, para praticarmos nela abominações, 
contaminando-a com os nossos pecados? (v. 7) 
23 
Nos dias de Jeremias, até mesmo os sacerdotes 
haviam deixado de buscar ao Senhor, e apesar 
de terem o encargo de ensinarem a sua Palavra, 
não O conheciam, de modo que os governantes 
não eram justos e prevaricavam contra o 
Senhor, e falsos profetas profetizaram por Baal, 
e falando de coisas que não são de qualquer 
proveito (v. 8). 
Portanto, o Senhor tinha uma contenda com 
eles, e até mesmo com as gerações que se 
levantariam depois deles, porque Ele, o Senhor, 
não muda (v. 9). 
Nenhuma nação pagã da terra havia renegado 
os seus falsos deuses e continuavam adorando 
fielmente as obras das suas próprias mãos, 
contudo, Israel havia abandonado o único Deus 
verdadeiro, que havia entrado em aliança 
somente com eles, e não com qualquer outra 
nação da terra (v. 10,11). 
Como eles não poderiam ficar espantados com 
o horror desta realidade, por causa do 
endurecimento no pecado, então o Senhor 
apelou para os céus, onde há somente verdade, 
e seres santos, para que ficassem horrorizados e 
desolados com tal impiedade dos judeus, 
porque não somente haviam abandonado o 
Senhor, o manancial da vida eterna, como 
estavam tentando fazer valer a sua própria 
forma de adoração de Deus, baseada nas 
idolatrias e abominações que eles praticavam, e 
que haviam adotado no lugar da Palavra do 
Senhor (v. 12,13). 
Israel fora libertado do Egito para não mais ser 
servo, no entanto, haviam escolhido 
24 
permanecer debaixo de escravidão, tal como os 
crentes gálatas nos dias de Paulo (Gál 5.1). 
Então os de Judá, deveriam aprender com os 
juízos que vieram sobre Israel (Reino do Norte), 
cujas terras se encontravam desoladas nos dias 
de Jeremias, por que haviam sido levados para o 
cativeiro pelos assírios desde 722 a. C., ou seja, 
cerca de 100 anos antes de Jeremias ter 
começado o seu ministério (v. 14-16). 
Como Judá havia abandonado ao Senhor, tanto 
como havia feito Israel, então seriam também 
alvo do mesmo tipo de juízo que eles haviam 
sofrido, porque seriam castigados por causa da 
sua malícia, e repreendidos por causa das suas 
apostasias, de modo que pudessem entender 
quão duro e amargo é o povo de Deus lhe voltar 
as costas, porque Ele não deixará de castigá-lo, 
assim como um pai faz com o seu filho. 
Eles veriam quão amargo é não ter o temor de 
Deus diante de si, porque quando se perde o 
temor do Senhor, automaticamente se deixa de 
andar nos seus caminhos, porque Ele passa a ser 
tido por nada, por aqueles que se deixam 
enredar pelo pecado. 
Judá, de há muito, havia quebrado o jugo da 
obediência devida ao Senhor, e tudo o que o 
ligava a Ele, decidindo voluntariamente não 
servi-lo mais, para poder se entregar às suas 
práticas idolátricas (v. 20). 
Como puderam fazer uma talcoisa, uma vez que 
haviam sido plantados pelo próprio Senhor, de 
uma semente inteiramente fiel, ou seja, dos 
seus patriarcas, que eram homens de fé, e em 
vez de permanecerem na sua vocação, 
25 
acabaram se tornando numa planta degenerada 
(v. 21). 
Judá não poderia purificar a si mesma, e ainda 
que o tentasse, a mancha da iniquidade deles 
permaneceria diante de Deus (v. 22). 
Somente a justiça do Senhor, quando nos é 
concedida por graça e misericórdia, pode nos 
purificar de nossas impurezas (v. 22). 
Se tal era a grandeza do pecado de Judá, como 
podiam continuar afirmando que não estavam 
contaminados, e mentindo que não haviam 
andado após Baal? 
No entanto, nada escapa aos olhos do Senhor, e 
ele conhecia todos os lugares escondidos do 
vales onde fizeram suas ofertas aos demônios, 
pensando que não sendo vistos pelos homens, 
não estavam sendo vistos pelo Deus onisciente, 
que tudo sabe e vê (v. 23). 
Judá não vivia pelo espírito, mas pelos instintos 
naturais, de modo que sempre estaria pronta 
para o pecado, e para toda adoração de natureza 
carnal (v. 24). Qualquer tentação que lhes viesse 
não poderia ser, portanto, vencida por eles. 
Judá estava correndo para os seus amantes 
espirituais (ídolos e falsos deuses) mas é 
lembrada que deveria evitar a que viesse a andar 
descalço e com sede, porque quando fosse 
levado para o cativeiro por causa dos seus 
pecados, já não correria mais com os pés 
calçados para os seus ídolos, e saciada em sua 
sede, porque seriam conduzidos para uma terra 
estranha com os pés descalços e teriam sede na 
longa caminhada que teriam que fazer à pé, para 
a terra do cativeiro (v. 25). 
26 
Eles seriam surpreendidos, como alguém que 
tem a sua casa arrombada inesperadamente por 
um ladrão. Assim ficariam os reis, os príncipes, 
os sacerdotes e os profetas de Judá que estavam 
idolatrando e chamando ao pau e à pedra de seu 
pai. 
Quando o juízo lhes sobreviesse e se 
encontrando em angústia se voltariam para o 
Senhor lhe pedindo que os livrasse, mas teriam 
como resposta da parte dele que fossem buscar 
tal auxílio nos deuses que vinham adorando (v. 
26-28). 
Ninguém poderia livrar Judá dos juízos 
pronunciados pelo Senhor, nem mesmo as 
nações com as quais tentariam entrar em 
aliança para serem livrados de Babilônia, como 
por exemplo a Assíria e o Egito. 
Eles haviam desprezado as correções do Senhor, 
e lhe haviam abandonado por inumeráveis dias, 
de modo que nada poderia lhes livrar da 
sentença do cativeiro, nem mesmo as reformas 
que o rei Josias estava empreendendo no país. 
Deus conhece o coração, e sabia que eles 
estavam somente se sujeitando externamente 
às ordenanças do citado rei. 
Eles estavam se arrependendo 
superficialmente, mas não de coração, 
conforme podemos ver em todo o livro do 
profeta Jeremias, que ultrapassou em muitos 
anos o período de reinado de Josias. 
Judá se proclamava um povo livre, e portanto 
não queria se submeter aos mandamentos de 
Deus. Isto nos faz lembrar muito aqueles na 
Igreja que a pretexto de estarem debaixo da 
27 
graça, são, no entanto, livres para continuarem 
pecando. 
Até mesmo as vestes de muitos em Judá 
estavam manchadas pelo sangue de crianças 
inocentes, que haviam sido oferecidas como 
sacrifício à divindade moabita, chamada 
Moloque, e apesar disso ainda se diziam 
inocentes, e que não haveria nenhuma ira de 
qualquer juízo de Deus sobre eles. 
Todavia o Senhor entraria em juízo com eles, 
exatamente porque estavam afirmando que não 
haviam pecado (v. 34, 35). Quando o homem se 
endurece e considera que não necessita de 
arrependimento, como poderá ser perdoado 
por Deus? 
 
UMA BREVE REFLEXÃO PARA ENTENDER AS 
CONTENDAS DE DEUS COM O HOMEM 
PECADOR 
 
Não se trata de uma batalha física. Não é uma 
guerra ao molde humano, com canhões e 
mísseis. 
Se fosse algo de ordem de mera conquista de 
territórios, ou de se submeter uma nação ao 
jugo da servidão, Deus poderia fazê-lo com um 
simples sopro de sua boca. 
Se quisesse destruir toda a humanidade de 
sobre a face da terra, poderia fazê-lo num único 
instante. 
Mas nunca foi este o seu objetivo na contenda 
que tem com a humanidade pecaminosa. 
Sua guerra é de cunho moral e de santidade. 
28 
Sua vitória está em conduzir o homem decaído 
no pecado, à sua própria santidade. 
As batalhas desta guerra são empreendidas para 
submeter o mal e estabelecer o bem, não no 
exterior, mas no coração de cada pessoa. 
As armas são espirituais: oração, louvor, 
pregação da verdade. 
O campo de batalha é o coração humano. 
O motivo da guerra é o amor de Deus pela 
humanidade criada por Ele, para viver no amor, 
na justiça e na verdade. 
 
“1 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
2 Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, 
dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me, a 
favor de ti, da devoção da tua mocidade, do teu 
amor quando noiva, de como me seguiste no 
deserto, numa terra não semeada. 
3 Então Israel era santo para o Senhor, primícias 
da sua novidade; todos os que o devoravam eram 
tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o 
Senhor. 
4 Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e 
todas as famílias da casa de Israel; 
5 assim diz o Senhor: Que injustiça acharam em 
mim vossos pais, para se afastarem de mim, 
indo após a vaidade, e tornando-se levianos? 
6 Eles não perguntaram: Onde está o Senhor, 
que nos fez subir da terra do Egito? que nos 
enviou através do deserto, por uma terra de 
ermos e de covas, por uma terra de sequidão e 
densas trevas, por uma terra em que ninguém 
transitava, nem morava? 
29 
7 E eu vos introduzi numa terra fértil, para 
comerdes o seu fruto e o seu bem; mas quando 
nela entrastes, contaminastes a minha terra, e 
da minha herança fizestes uma abominação. 
8 Os sacerdotes não disseram: Onde está o 
Senhor? E os que tratavam da lei não me 
conheceram, e os governadores prevaricaram 
contra mim, e os profetas profetizaram por Baal, 
e andaram após o que é de nenhum proveito. 
9 Portanto ainda contenderei convosco, diz o 
Senhor; e até com os filhos de vossos filhos 
contenderei. 
10 Pois passai às ilhas de Quitim, e vede; enviai a 
Quedar, e atentai bem; vede se jamais sucedeu 
coisa semelhante. 
11 Acaso trocou alguma nação os seus deuses, 
que contudo não são deuses? Mas o meu povo 
trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum 
proveito. 
12 Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! 
ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. 
13 Porque o meu povo fez duas maldades: a mim 
me deixaram, o manancial de águas vivas, e 
cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que 
não retêm as águas. 
14 Acaso é Israel um servo? É ele um escravo 
nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? 
15 Os leões novos rugiram sobre ele, e 
levantaram a sua voz; e fizeram da terra dele 
uma desolação; as suas cidades se queimaram, e 
ninguém habita nelas. 
16 Até os filhos de Mênfis e de Tapanes te 
quebraram o alto da cabeça. 
30 
17 Porventura não trouxeste isso sobre ti 
mesmo, deixando o Senhor teu Deus no tempo 
em que ele te guiava pelo caminho? 
18 Agora, pois, que te importa a ti o caminho do 
Egito, para beberes as águas do Nilo? e que te 
importa a ti o caminho da Assíria, para beberes 
as águas do Eufrates? 
19 A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias 
te repreenderão; sabe, pois, e vê, que má e 
amarga coisa é o teres deixado o Senhor teu 
Deus, e o não haver em ti o temor de mim, diz o 
Senhor Deus dos exércitos. 
20 Já há muito quebraste o teu jugo, e rompeste 
as tuas ataduras, e disseste: Não servirei: Pois 
em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore 
frondosa te deitaste, fazendo-te prostituta. 
21 Todavia eu mesmo te plantei como vide 
excelente, uma semente inteiramente fiel; 
como, pois, te tornaste para mim uma planta 
degenerada, de vida estranha? 
22 Pelo que, ainda que te laves com salitre, e 
uses muito sabão, a mancha da tua iniquidade 
está diante de mim,diz o Senhor Deus. 
23 Como dizes logo: Não estou contaminada 
nem andei após Baal? Vê o teu caminho no vale, 
conhece o que fizeste; dromedária ligeira és, 
que anda torcendo os seus caminhos; 
24 asna selvagem acostumada ao deserto e que 
no ardor do cio sorve o vento; quem lhe pode 
impedir o desejo? Dos que a buscarem, nenhum 
precisa cansar-se; pois no mês dela, achá-la-ão. 
25 Evita que o teu pé ande descalço, e que a tua 
garganta tenha sede. Mas tu dizes: Não há 
31 
esperança; porque tenho amado os estranhos, e 
após eles andarei. 
26 Como fica confundido o ladrão quando o 
apanham, assim se confundem os da casa de 
Israel; eles, os seus reis, os seus príncipes, e os 
seus sacerdotes, e os seus profetas, 
27 que dizem ao pau: Tu és meu pai; e à pedra: Tu 
me geraste. Porque me viraram as costas, e não 
o rosto; mas no tempo da sua angústia dir-me-
ão: Levanta-te, e livra-nos. 
28 Mas onde estão os teus deuses que fizeste 
para ti? Que se levantem eles, se te podem livrar 
no tempo da tua tribulação; porque os teus 
deuses, ó Judá, são tão numerosos como as tuas 
cidades. 
29 Por que disputais comigo? Todos vós 
transgredistes contra mim diz o Senhor. 
30 Em vão castiguei os vossos filhos; eles não 
aceitaram a correção; a vossa espada devorou os 
vossos profetas como um leão destruidor. 
31 Oh! Que geração! Considerai vós a palavra do 
Senhor: Porventura tenho eu sido para Israel 
um deserto? ou uma terra de espessa 
escuridão? Por que pois diz o meu povo: somos 
livres; jamais tornaremos a ti? 
32 Porventura esquece-se a virgem dos seus 
enfeites, ou a esposa do seu cinto? todavia o meu 
povo se esqueceu de mim por inumeráveis dias. 
33 Como ornamentas o teu caminho, para 
buscares o amor! de sorte que até às malignas 
ensinaste os teus caminhos. 
34 Até nas orlas dos teus vestidos se achou o 
sangue dos pobres inocentes; e não foi no lugar 
32 
do arrombamento que os achaste; mas apesar 
de todas estas coisas, 
35 ainda dizes: Eu sou inocente; certamente a 
sua ira se desviou de mim. Eis que entrarei em 
juízo contigo, porquanto dizes: Não pequei. 
36 Por que te desvias tanto, mudando o teu 
caminho? Também pelo Egito serás 
envergonhada, como já foste envergonhada 
pela Assíria. 
37 Também daquele sairás com as mãos sobre a 
tua cabeça; porque o Senhor rejeitou aqueles 
em quem confiaste, e não prosperarás com 
eles.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
Jeremias 3 
 
Volta Para Mim Esposa Infiel 
 
O terceiro capítulo de Jeremias revela quão 
compassivo, longânimo, misericordioso e 
perdoador é o Senhor. 
Apesar de toda a grande maldade de Judá, 
conforme descrita por Ele próprio no capítulo 
anterior, nós o vemos no segundo capítulo 
estendendo sua mão, não para castigar, mas 
para chamar, para convidar Judá ao 
arrependimento. 
Ele o faz, não em base de desconsideração para 
com o pecado, porque protesta que estava 
estendendo as mãos para uma nação infiel que 
estava se prostituindo. 
Era como um marido traído se dispondo a 
perdoar uma esposa infiel. 
Somente pelo apelo deste capítulo se vê quão 
endurecido estava o povo de Judá, porque seria 
impossível, recusar a um tal convite. 
Com isto nós vemos quão excessivamente 
maligno é o pecado, quanto a nos impedir de 
receber a graça e o perdão de Deus. 
Não é exatamente isto o que ocorre com a 
pessoas que recusam a graça do evangelho que 
lhes está sendo oferecida em Cristo Jesus? 
É a mesma base quanto ao convite para a 
aproximação, porque não são pessoas justas que 
Deus está chamando, mas pecadores que têm 
transgredido os seus mandamentos e vontade. 
34 
Pessoas que têm uma natureza que é inimiga de 
Deus e dos seus santos e justos mandamentos. 
Pessoas que têm deliberadamente voltado as 
suas costas para Ele, apesar de lhes estar 
oferecendo gratuitamente um perdão infinito, 
que lhe custou um preço terrível e infinito: a 
morte de seu Filho Jesus Cristo na cruz, 
carregando sobre Si os nossos pecados. 
O rei Josias estava empreendendo as suas 
reformas religiosas em Judá, e o Senhor 
interpôs com esta mensagem de Jeremias, para 
que os judeus se voltassem realmente de 
coração para Ele, e não apenas externamente, 
em cumprimento de ritos religiosos, e por 
destruírem os ídolos de madeira e de pedra que 
haviam feito para si. 
Além disso, não basta destruir os ídolos no 
coração, porque é necessário adorar ao Senhor 
em espírito e em verdade. 
O rei Josias não podia saber o que ia na verdade 
no coração do povo, mas o Senhor conhece 
perfeitamente a corrupção do coração, e por 
isso disse para ilustrar tal dureza no pecado, o 
fato de Judá não ter aprendido com os juízos que 
haviam sido trazidos por Ele sobre Israel; ao 
contrário, se entregaram às mesmas práticas 
idolátricas deles, e agora estavam fingindo nos 
dias de Josias, ter deixado a idolatria, que na 
verdade continuava em seus corações (v. 10). 
Eles fingiram que estavam voltando para o 
Senhor, e portanto, não o estavam fazendo de 
todo o coração. 
Se o rei não podia ver isto, no entanto, era 
perfeitamente conhecido por Deus. 
35 
O pecado de Judá era maior do que o de Israel, 
porque não tiveram a oportunidade de 
aprenderem com qualquer juízo de cativeiro 
que Deus tivesse trazido sobre Judá, porque 
foram para o cativeiro antes deles (Jer 3.11). 
Então, o Senhor se voltou em misericórdias 
também para os próprios israelitas que tinham 
sido levados em cativeiro pelos assírios, lhes 
rogando que voltassem para Ele, não 
necessariamente que saíssem da terra do 
cativeiro, onde estavam obrigados a se 
encontrar, mas que o fizessem em espírito, de 
coração, que Ele os receberia (v. 11-13), e no 
tempo próprio, o Senhor, libertaria os que se 
arrependessem e os traria a Sião, quando esta 
fosse restaurada depois do cativeiro babilônico, 
e ali lhes daria pastores segundo o seu coração, 
que lhes apascentariam com conhecimento e 
com inteligência das coisas divinas (v. 15). 
Esta profecia relativa aos pastores devotados ao 
Senhor se aplica mais especificamente ao 
tempo do evangelho, porque se diz no verso 
seguinte (Jer 3.16) que não haveria mais 
necessidade de se cultuar a Deus com uma arca 
da aliança, que representava a sua presença no 
meio do seu povo, tal como sucedia nos dias do 
Antigo Testamento, e nem haveria necessidade 
de que se construísse outra, porque isto não 
seria necessário nem ordenado por Ele. 
Os adoradores do Senhor no Novo Pacto não o 
fariam tendo a arca da aliança em seus 
pensamentos, senão ao próprio Cristo, a quem 
representava em figura aquela arca. 
36 
No reino do Messias, o seu trono estará 
em Jerusalém, e Ele regerá sobre as nações, de 
maneira que o povo do Senhor não andará mais 
disperso e segundo o propósito maligno dos 
seus corações, porque terão sido purificados de 
todo pecado, e serão aperfeiçoados por Deus, 
para que estejam para sempre com Ele, em 
completa santidade de vida (v. 17). 
O remanescente fiel de Judá juntamente com o 
de Israel estarão juntos nestes dias de glória do 
reino do Messias (v. 18). 
Assim, seria cumprido o propósito eterno de 
Deus para o seu povo, de ser a mais formosa 
terra e herança desejável entre as nações, sendo 
reconhecido como Pai do seu povo, e dele jamais 
se desviarão (v. 19). Veja que estas palavras 
tinham o propósito de fixar a esperança no 
coração dos israelitas, mesmo em cativeiro, 
para que não deixassem morrer a esperança 
messiânica, porque Deus tem feito boas e fiéis 
promessas para Israel, que se cumprirão no 
Messias. 
O propósito eterno de Deus em relação a eles 
não pode ser frustrado, e portanto, por maiores 
que sejam as suas apostasias, o Senhor sempre 
terá um remanescente fiel entre eles, porque a 
sua promessa, a sua Palavra, não podem falhar. 
Por causa disso, Deus estava chamando a 
mulher infiel para com o seu marido, que havia 
sido o seu povo, para que voltasse para Ele, emarrependimento, com confissão de pecados, de 
maneira que pudessem participar desta gloriosa 
vocação que Ele havia planejado para os 
israelitas. 
37 
“1 Eles dizem: Se um homem despedir sua 
mulher, e ela se desligar dele, e se ajuntar a 
outro homem, porventura tornará ele mais para 
ela? Não se poluiria de todo aquela terra? Ora, tu 
te maculaste com muitos amantes; mas ainda 
assim, torna para mim, diz o Senhor. 
2 Levanta os teus olhos aos altos escalvados, e 
vê: onde é o lugar em que não te prostituíste? 
Nos caminhos te assentavas, esperando-os, 
como o árabe no deserto. Manchaste a terra 
com as tuas devassidões e com a tua malícia. 
3 Pelo que foram retidas as chuvas copiosas, e 
não houve chuva tardia; contudo tens a fronte 
de uma prostituta, e não queres ter vergonha. 
4 Não me invocaste há pouco, dizendo: Pai meu, 
tu és o guia da minha mocidade; 
5 Reterá ele para sempre a sua ira? ou indignar-
se-á continuamente? Eis que assim tens dito; 
porém tens feito todo o mal que pudeste. 
6 Disse-me mais o Senhor nos dias do rei Josias: 
Viste, porventura, o que fez a apóstata Israel, 
como se foi a todo monte alto, e debaixo de toda 
árvore frondosa, e ali andou prostituindo-se? 
7 E eu disse: Depois que ela tiver feito tudo isso, 
voltará para mim. Mas não voltou; e viu isso a 
sua aleivosa irmã Judá. 
8 Sim viu que, por causa de tudo isso, por ter 
cometido adultério a pérfida Israel, a despedi, e 
lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa 
Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também 
ela mesma se prostituiu. 
9 E pela leviandade da sua prostituição 
contaminou a terra, porque adulterou com a 
pedra e com o pau. 
38 
10 Contudo, apesar de tudo isso a sua aleivosa 
irmã Judá não voltou para mim de todo o seu 
coração, mas fingidamente, diz o Senhor. 
11 E o Senhor me disse: A pérfida Israel mostrou-
se mais justa do que a aleivosa Judá. 
12 Vai, pois, e apregoa estas palavras para a 
banda do norte, e diz: Volta, ó pérfida Israel, diz 
o Senhor. E não farei cair a minha ira sobre ti; 
porque misericordioso sou, diz o Senhor, e não 
conservarei para sempre a minha ira. 
13 Somente reconhece a tua iniquidade: que 
contra o Senhor teu Deus transgrediste, e 
estendeste os teus favores para os estranhos 
debaixo de toda árvore frondosa, e não deste 
ouvidos à minha voz, diz o Senhor. 
14 Voltai, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; porque 
eu sou como esposo para vós; e vos tomarei, a 
um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos 
levarei a Sião; 
15 e vos darei pastores segundo o meu coração, 
os quais vos apascentarão com conhecimento e 
com inteligência. 
16 E quando vos tiverdes multiplicado e 
frutificado na terra, naqueles dias, diz o Senhor, 
nunca mais se dirá: A arca do pacto do Senhor; 
nem lhes virá ela ao pensamento; nem dela se 
lembrarão; nem a visitarão; nem se fará outra. 
17 Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono 
do Senhor; e todas as nações se ajuntarão a ela, 
em nome do Senhor, a Jerusalém; e não mais 
andarão obstinadamente segundo o propósito 
do seu coração maligno. 
39 
18 Naqueles dias andará a casa de Judá com a 
casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, 
para a terra que dei em herança a vossos pais. 
19 Pensei como te poria entre os filhos, e te daria 
a terra desejável, a mais formosa herança das 
nações. Também pensei que me chamarias meu 
Pai, e que de mim não te desviarias. 
20 Deveras, como a mulher se aparta 
aleivosamente do seu marido, assim 
aleivosamente te houveste comigo, ó casa de 
Israel, diz o Senhor. 
21 Nos lugares altos se ouve uma voz, o pranto e 
as súplicas dos filhos de Israel; porque 
perverteram o seu caminho, e se esqueceram do 
Senhor seu Deus. 
22 Voltai, ó filhos infiéis, eu curarei a vossa 
infidelidade. Responderam eles: Eis-nos aqui, 
vimos a ti, porque tu és o Senhor nosso Deus. 
23 Certamente em vão se confia nos outeiros e 
nas orgias nas montanhas; deveras no Senhor 
nosso Deus está a salvação de Israel. 
24 A coisa vergonhosa, porém, devorou o 
trabalho de nossos pais desde a nossa mocidade 
os seus rebanhos e os seus gados os seus filhos e 
as suas filhas. 
25 Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-
nos a nossa confusão, porque temos pecado 
contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos pais, 
desde a nossa mocidade até o dia de hoje; e não 
demos ouvidos à voz do Senhor nosso Deus.”. 
(Jeremias 3.1-25) 
 
 
 
40 
Jeremias 4 
 
O Leão Alado Assassino 
 
A bênção de todas as nações gentias dependia 
da obediência de Israel, para que se trouxesse 
por meio deles o Messias ao mundo, através do 
qual os gentios seriam alcançados, e se 
gloriariam nele. 
Por isso lemos o que se diz em Jeremias 4.2, e o 
apelo do Senhor dirigido aos judeus para que se 
voltassem para Ele, tirando todas as suas 
abominações de diante dele, e não andando 
mais por caminhos tortuosos (Jer 4.1). 
Para que pudessem cumprir o propósito de Deus 
a ser realizado no mundo inteiro a partir deles, 
os israelitas deveriam lavrar num coração novo, 
e não semearem a Palavra de Deus nele, entre os 
espinhos dos cuidados do mundo, do fascínio 
das riquezas, e de todos os pecados e interesses 
mundanos (Jer 4.3). 
Além disso, mais do que circuncidarem seus 
prepúcios, deveriam circuncidar os seus 
corações, ou seja, mortificar as paixões da 
carne, despojar-se do velho homem, e assim 
seriam considerados de fato, circuncidados 
para o Senhor; ou seja, este seria o sinal de 
pertencerem verdadeiramente a Ele, de 
estarem aliançados, conforme a promessa que 
havia feito a Abraão. 
Somente agindo de tal forma, não 
experimentariam o fogo do brasume da 
indignação do Senhor vindo sobre eles, por 
41 
causa da maldades das suas obras, tal como 
havia irrompido anteriormente contra a casa de 
Israel (Reino do Norte – v. 4), depois de esperar 
por séculos seguidos, que se arrependessem. 
Isto deveria ser anunciado em toda a terra de 
Judá, especialmente em Jerusalém, sua capital, 
onde se encontrava o templo e a maior parte dos 
principais sacerdotes e anciãos de Israel. 
Eles deveriam gritar em voz alta dizendo que se 
ajuntassem para entrarem nas cidades 
fortificadas, ou seja, nas cidades de refúgio, para 
acharem proteção contra a invasão iminente de 
Babilônia, que em poucos anos os alcançaria. 
O símbolo de Babilônia era um leão alado, e por 
isso se diz no verso 7 que um leão já havia partido 
do seu bosque, que era um destruidor de nações 
(porque Babilônia subjugaria muitas nações 
além de Judá), e que faria com que suas cidades 
ficassem assoladas e desabitadas. 
O profeta convocou portanto o povo de Judá a se 
vestir de saco, lamentar e uivar, porque o ardor 
da ira de Deus não tinha se desviado deles, por 
causa dos seus pecados, dos quais não haviam se 
arrependido (v. 8). 
No dia em que Babilônia viesse sobre Judá o 
coração do rei e dos príncipes desfaleceria, os 
sacerdotes ficariam pasmos, porque não criam 
que Deus permitiria a destruição do seu templo, 
e por isso confiavam que estariam para sempre 
seguros em Jerusalém, independentemente do 
modo como vivessem. 
E além disso é dito que os profetas ficariam 
maravilhados, ou seja, eles não entenderiam 
como lhes sobreviera tamanha ruína, quando 
42 
pensavam que a mensagem de paz que 
pregavam em nome do Senhor era verdadeira 
(v. 9). 
Jeremias estava no início do seu ministério 
quando proferiu as palavras do verso 10 do 
quarto capítulo. 
Ele não conhecia ainda muito bem os juízos do 
Senhor, que se misturam às suas misericórdias, 
mas somente em face do arrependimento. 
Então suas promessas de paz não eram 
enganosas, conforme havia pensado o profeta, 
primeiro que não eram destinadas a todos os 
israelitas, senão somente aos que se 
arrependessem, conforme havia dito 
anteriormente pelo próprio profeta, e também 
que o juízo estava penetrando como uma espada 
na alma dos judeus, não propriamente por seu 
desejo, mas pelas próprias iniquidadesdeles e 
endurecimento no pecado. 
O vento forte abrasador que viria sobre os 
judeus, não seria para remover a palha da 
vaidade do meio do povo (cirandar), nem para 
limpá-los de seus pecados, mas seria um vento 
de juízo, na pessoa dos cavalos e carros dos 
babilônios, que viriam para produzir destruição 
de muitos ímpios do seu povo. 
Para estes não havia de fato nenhuma promessa 
de paz, ou de futura restauração, senão de 
destruição por causa das suas iniquidades, das 
quais não queriam se desviar (v. 18). 
Então, em face deste juízo pronunciado direta e 
claramente por Deus, o profeta convoca 
Jerusalém a lavar o seu coração da maldade, 
43 
deixando os seus maus pensamentos, para que 
pudesse ser salva (v. 14). 
Porque a calamidade que viria sobre eles era 
certa, e estava sendo proclamada desde Dã, que 
era a extremidade norte de Israel, até os montes 
de Efraim, a saber, o território da tribo principal 
do Reino do Norte, que já não mais existia, por 
causa do cativeiro assírio. Ou seja, até mesmo 
fora dos termos de Judá estava sendo 
proclamada a ruína que viria sobre os judeus. 
Todavia este juízo seria proclamado a todas as 
nações antes que sucedesse, para que todos 
soubessem que isto viera da parte do Senhor, 
por causa da iniquidade deles (v. 16). Para que se 
soubesse que o povo do Senhor havia se 
rebelado contra Ele (v. 17). 
O coração do profeta estava acelerado e aflito, e 
era grande a angústia da sua alma, porque ficara 
alarmado com tais declarações, e não poderia 
ficar calado, porque ouvira o som de alerta da 
trombeta de Deus, e já podia ouvir o alarido da 
guerra que se aproximava (v. 19). 
O profeta via somente destruição sobre 
destruição sendo apregoada e via toda a terra 
assolada, bem como as suas moradas, 
repentinamente (v. 20). 
Ele indagava em seu espírito até quando veria o 
estandarte de guerra levantado, e o toque de 
alerta da trombeta de Deus? 
Então conclui que realmente Judá era um povo 
insensato que não conhecia a Deus, porque 
eram filhos ignorantes e que não entendiam os 
caminhos do Senhor. Eles eram sábios apenas 
44 
para praticarem o mal, e não sabiam fazer o bem 
(v. 22). 
O profeta viu somente desolação na terra, como 
ela era no princípio, sem forma e vazia, e o 
mesmo ele viu em relação aos céus que não 
tinham luz. 
Até todos os montes e colinas estavam 
tremendo e estremecendo diante dos juízos de 
Deus. 
A terra estava vazia, sem que houvesse nela 
qualquer pessoa, como também não havia aves 
no céu. 
O pecado de Judá havia atingido toda a criação. 
A criação estava gemendo e sofrendo por causa 
do pecado do povo de Deus, e da ira que seria 
manifestada sobre eles. 
De modo que as terras férteis se transformaram 
em desertos, e todas as cidades estavam 
derrubadas diante do Senhor, por causa do furor 
da sua ira (v. 26). 
Então o Senhor pronunciou a sentença dos 
versos 27 a 29, onde afirmou que a sua sentença 
já havia sido lavrada e que não voltaria atrás, no 
entanto não consumiria a terra de todo. 
Diante da sentença final do Senhor, o profeta 
indaga o que Judá faria agora, chamando-a de 
assolada. 
Eles seriam desamparados por todas as nações 
com as quais buscassem se aliançar para fugir 
da destruição de Babilônia, que fora sentenciada 
sobre eles, mas por mais que tentassem lhes 
agradar, de nada adiantaria, porque o profeta 
havia ouvido uma voz, como a de uma mulher 
que está em trabalhos de parto, angustiada para 
45 
dar à luz o seu primogênito, e esta era a voz de 
Judá ofegante, porque a dor que sentia era como 
a de parto, mas não geraria nenhum filho, 
porque esta seria a dor que sentiria em sua alma 
por causa dos assassinos que dariam contra ela. 
 
 
“1 Se voltares, ó Israel, diz o Senhor, se voltares 
para mim e tirares as tuas abominações de 
diante de mim, e não andares mais vagueando; 
2 e se jurares: Como vive o Senhor, na verdade, 
na justiça e na retidão; então nele se bendirão as 
nações, e nele se gloriarão. 
3 Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá 
e a Jerusalém: Lavrai o vosso terreno 
alqueivado, e não semeeis entre espinhos. 
4 Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios 
do vosso coração, ó homens de Judá e 
habitadores de Jerusalém, para que a minha 
indignação não venha a sair como fogo, e arda 
de modo que ninguém o possa apagar, por causa 
da maldade das vossas obras. 
5 Anunciai em Judá, e publicai em Jerusalém; e 
dizei: Tocai a trombeta na terra; gritai em alta 
voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas 
cidades fortificadas. 
6 Arvorai um estandarte no caminho para Sião; 
buscai refúgio, não demoreis; porque eu trago 
do norte um mal, sim, uma grande destruição. 
7 Subiu um leão da sua ramada, um destruidor 
de nações; ele já partiu, saiu do seu lugar para 
fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as 
tuas cidades sejam assoladas, e ninguém habite 
nelas. 
46 
8 Por isso cingi-vos de saco, lamentai, e uivai, 
porque o ardor da ira do Senhor não se desviou 
de nós. 
9 Naquele dia, diz o Senhor, desfalecerá o 
coração do rei e o coração dos príncipes; os 
sacerdotes pasmarão, e os profetas se 
maravilharão. 
10 Então disse eu: Ah, Senhor Deus! 
verdadeiramente trouxeste grande ilusão a este 
povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; 
entretanto a espada penetra-lhe até a alma. 
11 Naquele tempo se dirá a este povo e a 
Jerusalém: Um vento abrasador, vindo dos altos 
escalvados no deserto, aproxima-se da filha do 
meu povo, não para cirandar, nem para alimpar, 
12 mas um vento forte demais para isto virá da 
minha parte; agora também pronunciarei eu 
juízos contra eles. 
13 Eis que vem subindo como nuvens, como o 
redemoinho são os seus carros; os seus cavalos 
são mais ligeiros do que as águias. Ai de nós! pois 
estamos arruinados! 
14 Lava o teu coração da maldade, ó Jerusalém, 
para que sejas salva; até quando permanecerão 
em ti os teus maus pensamentos? 
15 Porque uma voz anuncia desde Dã, e 
proclama a calamidade desde o monte de 
Efraim. 
16 Anunciai isto às nações; eis, proclamai contra 
Jerusalém que vigias vêm de uma terra remota; 
eles levantam a voz contra as cidades de Judá. 
 
47 
17 Como guardas de campo estão contra ela ao 
redor; porquanto ela se rebelou contra mim, diz 
o Senhor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
Jeremias 5 
 
O Escassear da Justiça Abrevia o Juízo 
 
A geração de Judá dos dias do profeta Jeremias 
havia se tornado como a geração de ímpios que 
foi destruída nos dias de Noé, ou então como a 
geração de incrédulos que tombou no deserto 
nos dias de Moisés, com a agravante, de que eles 
tinham diante de si, séculos de testemunhos dos 
poderosos feitos do Senhor, e dos juízos que Ele 
havia trazido sobre o seu povo no passado, 
especialmente no período dos Juízes. 
Todavia, não se arrependeram e se fizeram 
piores do que eles. 
Daí o rigor das repreensões e das sentenças de 
juízos que receberam da parte de Deus. 
Eles faziam jus a tudo o que o Senhor disse deles 
no final do quinto capítulo de Jeremias (v. 25 a 
31). 
O que foi resumido pelo Senhor em poucas 
palavras no início do capítulo, bem expressa que 
tais atos de iniquidade eram a consequência de 
não se achar nas ruas de Jerusalém uma só 
pessoa que praticasse a justiça e buscasse a 
verdade, e mesmo aqueles que diziam viver para 
o Senhor com juramento, faziam isto com lábios 
falsos. Eram falsos religiosos e não pessoas 
justas que O amassem de fato (Jer 5.1,2). 
Deus lhes havia ferido com os seus castigos, mas 
eles não emendaram os seus caminhos, porque 
estavam insensíveis para os seus juízos; e 
mesmo quando eram consumidos se 
49 
recusavam a receber a correção, e tendo 
endurecido as suas faces se recusavam a voltar 
para o Senhor. 
É aqui que devemos entender que não basta 
pregar aos homens que Jesus é o Salvador, que a 
sua graça está disponível para todos os que 
crerem nele, eque é pela graça, mediante a fé 
nele que somos salvos. 
Porque não faz sentido Deus declarar que uma 
pessoa é justa pela graça por causa da sua fé 
(justificação) quando esta pessoa continua na 
prática dos seus antigos pecados e não se volta 
para o Senhor para uma verdadeira santificação 
da sua vida. 
Por isso, Ele não somente justifica quando a 
pessoa crê de fato, Ele também regenera, isto é, 
Ele faz com que tal pessoa nasça de novo do 
Espírito, e além disso, o mesmo Espírito haverá 
de impulsionar o crente à perseverança, porque 
é pela evidência da santificação, que se pode ter 
a certeza da salvação. 
Veja o caso de Judá que dizia pertencer ao 
Senhor, que eram descendentes de Abraão, que 
tinham o templo, e a Lei de Deus e a aliança com 
Ele. 
No entanto, o que encontramos sendo proferido 
pelo próprio Deus contra eles no livro de 
Jeremias? 
São meras afirmações dos lábios, como eles 
faziam, que podem ser falsas, que podem 
garantir a salvação de uma pessoa? 
Certamente não. 
Deus requer vida transformada e santificada. 
Testemunho de uma nova vida. 
50 
Por isso nos justifica pela graça, mediante a fé, 
com base na obra que Cristo fez em nosso favor. 
Para que possamos viver de modo digno dele, e 
conforme a sua vontade. 
Por isso, lemos em Jeremias 5.4 que os olhos de 
Deus atentam para a verdade, e que Ele nos 
corrige com o fim de nos voltarmos para Ele. 
Tanto os pequenos quanto os grandes do povo 
de Judá se encontravam na mesma condição de 
falta de conhecimento dos caminhos do Senhor, 
e entregues ao pecado (Jer 5.4,5). 
Então, eles haviam sido colocados no cerco do 
Senhor para serem destruídos, porque eram 
muitas as suas transgressões, e haviam 
multiplicado sobremaneira as suas apostasias, e 
caso tentassem fugir de Judá seriam destruídos 
pelos animais selvagens (Jer 5.6). 
Eles não mostravam sinais de arrependimento e 
assim não poderiam ser perdoados, porque a 
condição básica para o perdão é o 
arrependimento (mudança de mente e de vida). 
Eles não somente se entregaram à prática da 
idolatria, como à do adultério, e não poderiam 
portanto, deixar de receber o justo castigo do 
Senhor, por causa das suas práticas (v. 7 a 9). 
O Senhor os castigaria porque se recusavam a 
reconhecê-lo como o Deus deles, e afirmavam 
descaradamente que não lhes sobreviria 
qualquer juízo da parte dele, quer sob a forma de 
fome ou de guerra contra as nações inimigas de 
Judá. 
Como eles haviam desprezado ao Senhor e à sua 
Palavra, dando ouvidos a falsos profetas, então 
Deus faria com que a sua Palavra fosse como 
51 
fogo na boca de Jeremias, e eles como lenha, 
para serem consumidos por ela. 
Então foram declaradas as assolações que os 
babilônios fariam na terra de Judá. 
Todavia, o Senhor manteria um remanescente 
no meio do seu povo (v. 18). 
Contudo, os que fossem para o cativeiro, e que 
não fossem mortos em Judá, saberiam que 
foram enviados a servir um povo estrangeiro 
numa terra que não lhes pertencia, porque 
haviam servido a deuses estranhos na sua 
própria terra (v. 19). 
Este juízo deveria ser proclamado não somente 
em Judá, mas ao remanescente de Israel, que 
havia permanecido no que sobrou do Reino do 
Norte. 
Mais uma vez Deus chamou Judá de povo 
insensato, porque não tinha o seu temor, porque 
sem temer o Senhor é impossível chegar a ter a 
verdadeira sabedoria, que é o real 
conhecimento pessoal de Deus, porque Ele a 
concede somente aos que O temem (v. 21-24). 
 
“1 Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, 
e informai-vos, e buscai pelas suas praças a ver 
se podeis achar um homem, se há alguém que 
pratique a justiça, que busque a verdade; e eu 
lhe perdoarei a ela. 
2 E ainda que digam: Vive o Senhor; de certo 
falsamente juram. 
3 Ó Senhor, acaso não atentam os teus olhos 
para a verdade? feriste-os, porém não lhes doeu; 
consumiste-os, porém recusaram receber a 
52 
correção; endureceram as suas faces mais do 
que uma rocha; recusaram-se a voltar. 
4 Então disse eu: Deveras eles são uns pobres; 
são insensatos, pois não sabem o caminho do 
Senhor, nem a justiça do seu Deus. 
5 Irei aos grandes, e falarei com eles; porque 
eles sabem o caminho do Senhor, e a justiça do 
seu Deus; mas aqueles de comum acordo 
quebraram o jugo, e romperam as ataduras. 
6 Por isso um leão do bosque os matará, um lobo 
dos desertos os destruirá; um leopardo vigia 
contra as suas cidades; todo aquele que delas 
sair será despedaçado; porque são muitas as 
suas transgressões, e multiplicadas as suas 
apostasias. 
7 Como poderei perdoar-te? pois teus filhos me 
abandonaram a mim, e juraram pelos que não 
são deuses; quando eu os tinha fartado, 
adulteraram, e em casa de meretrizes se 
ajuntaram em bandos. 
8 Como cavalos bem nutridos, andavam 
rinchando cada um à mulher do seu próximo. 
9 Acaso não hei de castigá-los por causa destas 
coisas? diz o Senhor; ou não hei de vingar-me de 
uma nação como esta? 
10 Subi aos seus muros, e destruí-os; não façais, 
porém, uma destruição final; tirai os seus 
ramos; porque não são do Senhor. 
11 Porque aleivosissimamente se houveram 
contra mim a casa de Israel e a casa de Judá, diz 
o Senhor. 
12 Negaram ao Senhor, e disseram: Não é ele; 
nenhum mal nos sobrevirá; nem veremos 
espada nem fome. 
53 
13 E até os profetas se farão como vento, e a 
palavra não está com eles; assim se lhes fará. 
14 Portanto assim diz o Senhor, o Deus dos 
exércitos: Porquanto proferis tal palavra, eis que 
converterei em fogo as minhas palavras na tua 
boca, e este povo em lenha, de modo que o fogo 
o consumirá. 
15 Eis que trago sobre vós uma nação de longe, ó 
casa de Israel, diz o Senhor; é uma nação forte, 
uma nação antiga, uma nação cuja língua 
ignoras, e não entenderás o que ela falar. 
16 A sua aljava é como uma sepultura aberta; 
todos eles são valentes. 
17 E comerão a tua sega e o teu pão, que teus 
filhos e tuas filhas haviam de comer; comerão os 
teus rebanhos e o teu gado; comerão a tua vide e 
a tua figueira; as tuas cidades fortificadas, em 
que confias, abatê-las-ão à espada. 
18 Contudo, ainda naqueles dias, diz o Senhor, 
não farei de vós uma destruição final. 
19 E quando disserdes: Por que nos fez o Senhor 
nosso Deus todas estas coisas? então lhes dirás: 
Como vós me deixastes, e servistes deuses 
estranhos na vossa terra, assim servireis 
estrangeiros, em terra que não é vossa. 
20 Anunciai isto na casa de Jacó, e proclamai-o 
em Judá, dizendo: 
21 Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem 
entendimento, que tendes olhos e não vedes, 
que tendes ouvidos e não ouvis: 
22 Não me temeis a mim? diz o Senhor; não 
tremeis diante de mim, que pus a areia por 
limite ao mar, por ordenança eterna, que ele 
não pode passar? Ainda que se levantem as suas 
54 
ondas, não podem prevalecer; ainda que 
bramem, não a podem traspassar. 
23 Mas este povo é de coração obstinado e 
rebelde; rebelaram-se e foram-se. 
24 E não dizem no seu coração: Temamos agora 
ao Senhor nosso Deus, que dá chuva, tanto a 
temporã como a tardia, a seu tempo, e nos 
conserva as semanas determinadas da sega. 
25 As vossas iniquidades desviaram estas coisas, 
e os vossos pecados apartaram de vós o bem. 
26 Porque ímpios se acham entre o meu povo; 
andam espiando, como espreitam os 
passarinheiros. Armam laços, apanham os 
homens. 
27 Qual gaiola cheia de pássaros, assim as suas 
casas estão cheias de dolo; por isso se 
engrandeceram, e enriqueceram. 
28 Engordaram-se, estão nédios; também 
excedem o limite da maldade; não julgam com 
justiça a causa dos órfãos, para que prospere, 
nem defendem o direito dos necessitados. 
29 Acaso não hei de trazer o castigo por causa 
destas coisas? diz o senhor; ou não hei de vingar-
me de uma nação como esta? 
30 Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na 
terra: 
31 os profetas profetizam falsamente, e os 
sacerdotes dominam por intermédio deles; e o 
meu povo assim o deseja. Mas que fareis no fim 
disso?”.(Jeremias 5.1-31) 
 
 
 
 
55 
Jeremias 6 
 
Não Ajuntou na Verdade se Espalhou na 
Mentira 
 
O nono capítulo de Jeremias descreve a que 
nível havia chegado a iniquidade dos judeus nos 
dias de Jeremias. 
Deus havia formado Israel para ser um povo 
pelo qual pudesse ser conhecido por todas as 
nações da terra, pelo que vissem neles. 
Esta é a mesma missão da Igreja no mundo: 
tornar Deus conhecido pelo testemunho de vida 
dos cristãos. 
Como haviam perdido totalmente a finalidade 
para a qual haviam sido formados, então o 
Senhor passaria a peneira no meio deles e 
pouparia somente aqueles poucos que eram 
grãos e não palha. Até estes seriam provados 
pelo fogo, para serem purificados, para que 
pudessem vir a dar um real testemunho de 
santidade. 
Quando Deus é abandonado pelo seu povo, tal 
como se deu com os judeus, o resultado disto 
será o que lemos nos primeiros versículos de 
Jeremias 9, onde o Senhor ordena que ninguém 
confiasse no próprio irmão, porque o que 
prevalecia era o perjurar, o mentir, o caluniar, a 
falsidade. 
Armavam armadilhas contra o seu próximo, e 
com a mesma língua que lisonjeavam 
produziam feridas terríveis na reputação destas 
mesmas pessoas que haviam elogiado (v. 8). 
56 
Para quem não anda no Espírito, isto pode 
parecer exagerado, mas é a mais pura realidade, 
para aqueles que têm discernimento espiritual 
para perceberem tal estado de corrupção, 
quando até mesmo cristãos deixam de andar no 
temor de Deus. 
Tal era o estado repulsivo da nação de Judá por 
causa de tais pecados, que o profeta gostaria que 
a sua cabeça se tornasse em águas, para que 
seus olhos derramassem lágrimas 
continuamente como uma fonte, por causa do 
pecado de seus irmãos israelitas, e por causa das 
muitas mortes que o Senhor produziria no meio 
deles, quando consumasse os seus juízos 
através dos babilônios (Jer 9.1). 
Todavia, a par de tais sentimentos da mais 
profunda tristeza, o profeta deseja se afastar de 
Israel, não por causa dos juízos que lhes 
sobreviriam, mas em razão do modo como eles 
viviam, apesar de serem o povo do Senhor. Eram 
um bando de adúlteros e de aleivosos (Jer 9.2). 
Eles não tinham um conhecimento pessoal do 
Senhor, porque viviam para fortalecer as suas 
línguas, não para a verdade, mas para a mentira 
(v. 3). 
Por amarem o engano se recusavam a conhecer 
ao Senhor. 
Quem ama o erro não pode desejar conhecer ao 
Senhor porque Ele é a verdade. 
Então o Senhor os fundiria como se faz ao ouro, 
para remover do seu povo a grande quantidade 
de escória que eram muitos deles, e reservaria 
para si somente aqueles que fossem achados 
fiéis (v. 7). 
57 
Deus disse que não poderia deixar sem castigo 
um tal estado de coisas, e se vingaria da nação de 
Israel, porque havia sido traído por eles (v. 9). 
Quem fosse sábio entre eles, veria a ruína de 
Judá como já executada, porque dali a poucos 
anos lhes sobreviria tudo o que o Senhor havia 
pronunciado contra eles pelos seus profetas, e 
não apenas através de Jeremias. 
Por que Deus levanta mestres na Igreja? São 
meros professores de teologia? Não. Eles têm o 
encargo de torná-lo conhecido, bem como a sua 
vontade, conforme revelada na sua Palavra. 
Tal era o ministério dos sacerdotes e dos levitas, 
mas como se corromperam na sua função, e 
amaram a avareza, as suas cobiças carnais, Deus 
levantou os profetas para falar diretamente ao 
povo através deles, quanto aos seus juízos. 
Se o povo andasse nos caminhos do Senhor, não 
haveria necessidade de profetas para 
repreendê-los e exortá-los. 
Os judeus em vez de servirem ao Senhor, 
voltaram-se para os baalins, porque não 
conheciam os juízos terríveis da sua Palavra 
contra aqueles que praticam a idolatria (v. 13,14), 
ou então, os conhecendo, consideravam que 
eram ameaças mortas de uma letra morta. 
A propósito, muitos pensam que não haverá 
juízo final, e gracejam acerca da volta do Senhor 
Jesus como Juiz (II Pedro 3.3-10). 
Todavia, o Senhor revelaria aos judeus que a sua 
Palavra é viva, trazendo sobre eles todas as 
ameaças previstas na Lei, especialmente a do 
cativeiro, e a morte pela espada das nações 
inimigas. 
58 
Então, conheceriam o temor que lhe é devido e 
à sua Palavra, pelo preço altíssimo que teriam 
que pagar como nação, de modo que tal temor 
fosse achado nas gerações seguintes, quando 
retornassem do cativeiro em Babilônia, 
passados os setenta anos determinados, que 
pela vontade de Deus, deveriam lá permanecer. 
Tantos seriam os mortos da parte do Senhor, até 
mesmo jovens e velhos, que ficariam insepultos, 
porque não haveria nem tempo, nem condições 
para sepultá-los, e isto seria para eles um sinal 
que até mesmo na morte foram desonrados por 
Deus. 
As nações saberiam que Deus é santo, e nada 
tinha a ver com as iniquidades praticadas pelo 
seu povo, tanto que Ele próprio os vendera por 
nada, e os entregara à destruição. 
Por isso, ninguém deveria se gloriar em Judá na 
sua própria sabedoria, ou na sua força, ou nas 
suas riquezas, porque nada disto lhes poderia 
livrar dos juízos de Deus, e nada disto pode levar 
uma pessoa a agradar ao Senhor (v. 23). 
O único motivo que temos para nos gloriar é o 
próprio Deus, e o conhecimento que temos dele 
e da sua vontade, especialmente quanto a 
sabermos que ele faz benevolência, juízo e 
justiça na terra, coisas estas que são todo o seu 
agrado, e que, pelo conhecimento e prática das 
mesmas, somos livrados dos seus juízos . 
Então, quem quiser agradar a Deus deve imitá-
lo na prática da misericórdia, do juízo e da 
justiça. 
59 
É por tal critério de misericórdia, justiça e juízo, 
que Deus julga toda a carne, e não por se ser 
circuncidado ou não no prepúcio. 
Judá pensava que era diferente das demais 
nações por causa da circuncisão. 
Mas o Senhor está dizendo que diante dele não 
há nenhum justo, a não ser aqueles que são 
circuncidados de coração, ou seja aqueles que 
são justificados pela graça, mediante a fé, e que 
andam na prática da justiça, que é segundo a 
santificação (v. 25, 26). 
 
“1 Quem dera a minha cabeça se tornasse em 
águas, e os meus olhos numa fonte de lágrimas, 
para que eu chorasse de dia e de noite os mortos 
da filha do meu povo! 
2 Quem dera que eu tivesse no deserto uma 
estalagem de viandantes, para poder deixar o 
meu povo, e me apartar dele! porque todos eles 
são adúlteros, um bando de aleivosos. 
3 E encurvam a língua, como se fosse o seu arco, 
para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não 
para a verdade; porque avançam de malícia em 
malícia, e a mim me não conhecem, diz o 
Senhor. 
4 Guardai-vos cada um do seu próximo, e de 
irmão nenhum vos fieis; porque todo irmão não 
faz mais do que enganar, e todo próximo anda 
caluniando. 
5 E engana cada um a seu próximo, e nunca fala 
a verdade; ensinaram a sua língua a falar a 
mentira; andam se cansando em praticar a 
iniquidade. 
60 
6 A tua habitação está no meio do engano; pelo 
engano recusam-se a conhecer-me, diz o 
Senhor. 
7 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos: Eis 
que eu os fundirei e os provarei; pois, de que 
outra maneira poderia proceder com a filha do 
meu povo? 
8 uma flecha mortífera é a língua deles; fala 
engano; com a sua boca fala cada um de paz com 
o seu próximo, mas no coração arma-lhe ciladas. 
9 Não hei de castigá-los por estas coisas? diz o 
Senhor; ou não me vingarei de uma nação tal 
como esta? 
10 Pelos montes levantai choro e pranto, e pelas 
pastagens do deserto lamentação; porque já 
estão queimadas, de modo que ninguém passa 
por elas; nem se ouve mugido de gado; desde as 
aves dos céus até os animais, fugiram e se foram. 
11 E farei de Jerusalém montões de pedras, 
morada de chacais, e das cidades de Judá farei 
uma desolação, de sorte que fiquem sem 
habitantes. 
12 Quem é o homem sábio, que entenda isto? e a 
quem falou a boca do Senhor, para que o possa 
anunciar? Por que razão pereceu a terra, e se 
queimou como um deserto,de sorte que 
ninguém passa por ela? 
13 E diz o Senhor: porque deixaram a minha lei, 
que lhes pus diante, e não deram ouvidos à 
minha voz, nem andaram nela, 
14 antes andaram obstinadamente segundo o 
seu próprio coração, e após baalins, como lhes 
ensinaram os seus pais. 
61 
15 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos, 
Deus de Israel: Eis que darei de comer losna a 
este povo, e lhe darei a beber água de fel. 
16 Também os espalharei por entre nações que 
nem eles nem seus pais conheceram; e 
mandarei a espada após eles, até que venha a 
consumi-los. 
17 Assim diz o Senhor dos exércitos: Considerai, 
e chamai as carpideiras, para que venham; e 
mandai procurar mulheres hábeis, para que 
venham também; 
18 e se apressem, e levantem o seu lamento 
sobre nós, para que se desfaçam em lágrimas os 
nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem 
águas. 
19 Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: 
Como estamos arruinados! Estamos mui 
envergonhados, por termos deixado a terra, e 
por terem eles transtornado as nossas moradas. 
20 Contudo ouvi, vós, mulheres, a palavra do 
Senhor, e recebam os vossos ouvidos a palavra 
da sua boca; e ensinai a vossas filhas o pranto, e 
cada uma à sua vizinha a lamentação. 
21 Pois a morte subiu pelas nossas janelas, e 
entrou em nossos palácios, para exterminar das 
ruas as crianças, e das praças os mancebos. 
22 Fala: Assim diz o Senhor: Até os cadáveres dos 
homens cairão como esterco sobre a face do 
campo, e como gavela atrás do segador, e não há 
quem a recolha. 
23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na 
sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; 
não se glorie o rico nas suas riquezas; 
62 
24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em 
entender, e em me conhecer, que eu sou o 
Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na 
terra; porque destas coisas me agrado, diz o 
Senhor. 
25 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que 
castigarei a todo circuncidado juntamente com 
os incircuncisos: 
26 ao Egito, a Judá e a Edom, aos filhos de Amom 
e a Moabe, e a todos os que cortam os cantos da 
sua cabeleira e habitam no deserto; pois todas as 
nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel 
é incircuncisa de coração.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
Jeremias 7 
 
Mais uma vez o Senhor apelou aos judeus para 
que não confiassem em mero ritualismo 
religioso, e nem mesmo nos sacrifícios e nas 
edificações do próprio templo de Jerusalém, 
porque não poderiam livrá-los da destruição, 
caso não emendassem os seus caminhos. 
Eles pensavam erroneamente que Deus estava 
obrigado a defender Jerusalém porque o templo 
se situava nela. Entretanto o Senhor, lhes 
lembrou do que havia feito em Siló, nos dias do 
sumo sacerdote Eli, quando o tabernáculo se 
encontrava naquela cidade, como permitiu que 
fosse destruída, e também removeu o 
tabernáculo de lá, por causa dos pecados de 
Israel. 
Mais do que holocaustos e sacrifícios 
apresentados no templo Ele queria 
misericórdia, justiça, santidade. Queria não 
uma religião que se baseasse em práticas 
meramente externas, mas uma religião que 
partisse de corações transformados e 
santificados pela sua Palavra. 
Por isso lhes disse as seguintes palavras: 
“22 Pois não falei a vossos pais no dia em que os 
tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa 
alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. 
23 Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha 
voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu 
povo; andai em todo o caminho que eu vos 
mandar, para que vos vá bem. 
64 
24 Mas não ouviram, nem inclinaram os seus 
ouvidos; porém andaram nos seus próprios 
conselhos, no propósito do seu coração 
malvado; e andaram para trás, e não para diante. 
25 Desde o dia em que vossos pais saíram da 
terra do Egito, até hoje, tenho-vos enviado 
insistentemente todos os meus servos, os 
profetas, dia após dia; 
26 contudo não me deram ouvidos, nem 
inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a 
sua cerviz. Fizeram pior do que seus pais.” (v. 22 
a 26). 
Como a prática religiosa dos judeus não se 
harmonizava com o testemunho de vida deles, 
então o Senhor lhes disse as seguintes palavras, 
e por causa disto, reafirmou os juízos contra as 
idolatrias, injustiças e impiedades que eles 
vinham praticando, e a pior delas, a de se 
recusarem a ouvir a Palavra que lhes enviava 
pela boca dos seus profetas: 
“9 Furtareis vós, e matareis, e cometereis 
adultério, e jurareis falsamente, e queimareis 
incenso a Baal, e andareis após outros deuses 
que não conhecestes, 
10 e então vireis, e vos apresentareis diante de 
mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, 
e direis: Somos livres para praticardes ainda 
todas essas abominações? 
11 Tornou-se, pois, esta casa, que se chama pelo 
meu nome, uma caverna de salteadores aos 
vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz 
o Senhor.” (v. 9 a 11). 
 
65 
“1 A palavra que da parte do Senhor veio a 
Jeremias, dizendo: 
2 Põe-te à porta da casa do Senhor, e proclama 
ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do Senhor, 
todos de Judá, os que entrais por estas portas, 
para adorardes ao Senhor. 
3 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Emendai os vossos caminhos e as vossas 
obras, e vos farei habitar neste lugar. 
4 Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: 
Templo do Senhor, templo do Senhor, templo 
do Senhor é este. 
5 Mas, se deveras emendardes os vossos 
caminhos e as vossas obras; se deveras 
executardes a justiça entre um homem e o seu 
próximo; 
6 se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a 
viúva, nem derramardes sangue inocente neste 
lugar, nem andardes após outros deuses para 
vosso próprio mal, 
7 então eu vos farei habitar neste lugar, na terra 
que dei a vossos pais desde os tempos antigos e 
para sempre. 
8 Eis que vós confiais em palavras falsas, que 
para nada são proveitosas. 
9 Furtareis vós, e matareis, e cometereis 
adultério, e jurareis falsamente, e queimareis 
incenso a Baal, e andareis após outros deuses 
que não conhecestes, 
10 e então vireis, e vos apresentareis diante de 
mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, 
e direis: Somos livres para praticardes ainda 
todas essas abominações? 
66 
11 Tornou-se, pois, esta casa, que se chama pelo 
meu nome, uma caverna de salteadores aos 
vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz 
o Senhor. 
12 Mas ide agora ao meu lugar, que estava em 
Siló, onde, ao princípio, fiz habitar o meu nome, 
e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do 
meu povo Israel. 
13 Agora, pois, porquanto fizestes todas estas 
obras, diz o Senhor, e quando eu vos falei 
insistentemente, vós não ouvistes, e quando vos 
chamei, não respondestes, 
14 farei também a esta casa, que se chama pelo 
meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que 
vos dei a vós e a vossos pais, como fiz a Siló. 
15 E eu vos lançarei da minha presença, como 
lancei todos os vossos irmãos, toda a linhagem 
de Efraim. 
16 Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes 
por ele clamor ou oração, nem me importunes; 
pois eu não te ouvirei. 
17 Não vês tu o que eles andam fazendo nas 
cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? 
18 Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem 
o fogo, e as mulheres amassam a farinha para 
fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem 
libações a outros deuses, a fim de me 
provocarem à ira. 
19 Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o 
Senhor; não se provocam a si mesmos, para a 
sua própria confusão? 
20 Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que a 
minha ira e o meu furor se derramarão sobre 
este lugar, sobre os homens e sobre os animais, 
67 
sobre as árvores do campo e sobre os frutos da 
terra; sim, acender-se-á, e não se apagará. 
21 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos 
sacrifícios, e comei a carne. 
22 Pois não falei a vossos pais no dia em que os 
tirei da terra do Egito, nemlhes ordenei coisa 
alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. 
23 Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha 
voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu 
povo; andai em todo o caminho que eu vos 
mandar, para que vos vá bem. 
24 Mas não ouviram, nem inclinaram os seus 
ouvidos; porém andaram nos seus próprios 
conselhos, no propósito do seu coração 
malvado; e andaram para trás, e não para diante. 
25 Desde o dia em que vossos pais saíram da 
terra do Egito, até hoje, tenho-vos enviado 
insistentemente todos os meus servos, os 
profetas, dia após dia; 
26 contudo não me deram ouvidos, nem 
inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a 
sua cerviz. Fizeram pior do que seus pais. 
27 Dir-lhes-ás pois todas estas palavras, mas não 
te darão ouvidos; chama-los-ás, mas não te 
responderão. 
28 E lhes dirás: Esta é a nação que não obedeceu 
a voz do Senhor seu Deus e não aceitou a 
correção; já pereceu a verdade, e está 
exterminada da sua boca. 
29 Corta os teus cabelos, Jerusalém, e lança-os 
fora, e levanta um pranto sobre os altos 
escalvados; porque o Senhor já rejeitou e 
desamparou esta geração, objeto do seu furor. 
68 
30 Porque os filhos de Judá fizeram o que era 
mau aos meus olhos, diz o Senhor; puseram as 
suas abominações na casa que se chama pelo 
meu nome, para a contaminarem. 
31 E edificaram os altos de Tofete, que está no 
Vale do filho de Hinom, para queimarem no 
fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca 
ordenei, nem me veio à mente. 
32 Portanto, eis que vêm os dias, diz o Senhor, 
em que não se chamará mais Tofete, nem Vale 
do filho de Hinom, mas o Vale da Matança; pois 
enterrarão em Tofete, por não haver mais outro 
lugar. 
33 E os cadáveres deste povo servirão de pasto às 
aves do céu e aos animais da terra; e ninguém os 
enxotará. 
34 E farei cessar nas cidades de Judá, e nas ruas 
de Jerusalém, a voz de gozo e a voz de alegria, a 
voz de noivo e a voz de noiva; porque a terra se 
tornará em desolação.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
Jeremias 8 
 
Tão grande seria a desonra que o Senhor traria 
sobre o seu povo quando os babilônios 
invadissem as suas terras, que até mesmo os 
ossos dos príncipes, dos sacerdotes, dos falsos 
profetas e dos demais moradores de Jerusalém, 
que haviam morrido, seriam arrancados de seus 
túmulos por eles, à busca de tesouros, e com isto 
suas sepulturas seriam profanadas e seus ossos 
e demais restos mortais ficariam expostos ao 
tempo, servindo de pasto às aves do céu (v. 1), 
porque não haveria tempo e nem condições 
para serem novamente sepultados, debaixo da 
pressão que os babilônios fariam sobre o povo 
da terra, quando fossem vencidos por eles (v. 2). 
Tal seria a angústia daquela hora que mesmo os 
que escapassem da morte pela espada dos 
babilônios prefeririam ter morrido também, 
porque seriam expulsos de suas casas e de sua 
própria nação (v. 3). 
O Senhor enviou o profeta com a seguinte 
mensagem ao povo, para que refletissem sobre 
a condição espiritual deles, porque estavam 
caídos e não se levantavam; haviam se desviado 
e não retornaram ao caminho. No entanto, 
quanto ao que é natural, é normal que aquele 
que cai, torne imediatamente a se levantar. 
Aquele que se perde no caminho, volta para 
onde deveria estar (v. 4). 
Então, o Senhor indagou através do profeta, a 
razão pela qual o seu povo não havia se 
levantado dos seus pecados, e por que não havia 
70 
retornado ao caminho da verdade e da justiça, e 
por que continuavam a se desviar 
continuamente dele? E o próprio Deus deu a 
resposta: era porque estavam retendo o engano, 
o motivo de se recusarem a voltar para Ele (v.5). 
A Igreja de Cristo deve aprender este 
diagnóstico perfeito para ser curada de suas 
possíveis apostasias. Porque é impossível voltar 
para Deus, depois de Lhe ter dado as costas, por 
permanecer no engano do pecado. 
Se não houver um posicionamento decidido 
voltado para um sincero arrependimento, pelo 
abandono da prática do pecado, de um viver 
carnal e mundano, não pode haver esperança de 
cura, pelo ser levantado espiritualmente e pelo 
retorno ao Senhor. 
As nossas conversações revelarão o que somos 
de fato, e onde se encontra o nosso coração, 
quando não falamos o que é reto, e quando não 
nos arrependemos da nossa maldade. O 
endurecimento no pecado nos cegará e não 
veremos o que somos de fato. E tal como os 
judeus diremos: “Que fiz eu?”. E 
prosseguiremos nosso caminho em disparada 
carreira, prosseguindo após o pecado, com o 
mesmo ímpeto dos cavalos que arremetem na 
batalha (v. 6). 
O mesmo pecado dos judeus é achado na Igreja 
de Laodiceia, que necessitada de 
arrependimento, por não conhecer os 
caminhos do Senhor, por causa do seu orgulho 
espiritual, e por se considerar sábia a seus 
próprios olhos, considera que pelo simples fato 
de participar das ordenações do culto do 
71 
Senhor, por ler a Bíblia, mas interpretando-a 
conforme a conveniência da carne, pensam que 
têm feito a vontade de Deus (v. 7,8). 
Contudo estes sábios segundo o mundo serão 
envergonhados, espantados e presos, porque 
têm rejeitado a verdadeira sabedoria e a Palavra 
do Senhor. 
O Anticristo aguarda por todos aqueles que 
entre estes crentes não se arrependerem de 
seus pecados e da vaidade em que têm vivido, 
segundo as ordenações de um culto carnal, e 
não onde haja verdadeiro temor e reverência ao 
Senhor, num culto que seja verdadeiramente 
em espírito e em verdade; e assim, serão por fim 
vomitados da boca do Senhor, conforme Ele lhes 
tem ameaçado, caso não se arrependam (v. 9). 
O juízo de Deus começa pela sua própria casa, 
quando os crentes começam a andar de modo 
desordenado, e a aumentar e muito a iniquidade 
em seus corações. Tal como o Senhor fizera aos 
judeus no passado. 
Que pode então esperar o mundo de ímpios, 
quando o Senhor vier com grande poder e 
glória, visitar as maldades das suas ações? 
Deus tinha uma contenda especialmente com 
os sacerdotes e com os profetas de Israel, que 
haviam se desviado de suas funções, por causa 
da avareza, e o povo tinha se acomodado à 
impiedade deles, e se fizera tal como eles, 
usando de falsidade mutuamente (v. 10). 
Especialmente os sacerdotes e profetas que 
prometiam paz, quando não havia nenhuma paz, 
senão juízos por causa do pecado, não se 
envergonhavam de suas abominações. 
72 
Eles curavam as angústias dos israelitas dizendo 
que havia paz da parte de Deus para eles, mas o 
Senhor diz que isto era o mesmo que fechar um 
ferida externamente, enquanto a infecção 
continua corroendo profundamente as partes 
internas do corpo. 
Havia então uma aparência de pessoas 
saudáveis e religiosamente santas. Mas o 
Senhor que conhece o coração, sabia que não 
passavam de um bando de falsos que estavam 
cheios de podridão em seu interior, tal como os 
fariseus e escribas dos dias de Jesus, que se 
assemelhavam a sepulcros caiados. 
Então, como se recusavam a reconhecer a 
vergonha em que viviam, o Senhor os 
envergonharia quando os fizesse cair sob o jugo 
de Babilônia, e quebraria assim toda a altivez 
que eles tinham, quando na verdade deveriam 
viver envergonhados por Lhe terem voltado as 
costas, envergonhando-se dele e da sua Palavra. 
Então, pela falta dos devidos frutos em suas 
vidas, na condição de povo de Deus, Ele os 
entregaria à destruição. Ele destruiria a sua 
vinha, porque se recusava a produzir os frutos 
espirituais de justiça e de comunhão, esperados 
por Ele. 
Em face dos juízos anunciados, o profeta 
convocou o povo a se reunir e a aguardar a 
morte que lhes sobreviria da parte de Deus, 
porquanto haviam pecado contra Ele. 
A paz que eles aguardavam não chegaria lhes 
trazendo bem algum, e em vez de cura lhes 
alcançaria o terror. Ele podia ouvir o estrondo 
dos exércitos de Babilônia arremetendo contra 
73 
Judá, já se encontrando em Dã, que era o 
extremo norte de Israel, e devorariam a terra de 
Judá e tudo quantonela havia. 
Deus lhes estava enviando os babilônios como 
serpentes venenosas que não poderiam ser 
detidas por qualquer tipo de encantamento, e 
certamente morderiam os judeus. Isto é o que 
sucede ao crente ou Igreja infiel que se recusa a 
servir ao Senhor em santidade de vida: são por 
fim entregues ao domínio da Serpente, Satanás, 
o diabo, para destruição da carne, ou para serem 
oprimidos por ele. 
Em face deste quadro terrível o profeta declara 
a sua tristeza e dor de coração, pelo abandono de 
Sião pelo Senhor, e por terem os próprios judeus 
abandonado ao seu Deus para servirem aos 
ídolos. Ele passou a andar de luto como que as 
mortes pronunciadas já tivessem sido 
consumadas, e o espanto passou a se apoderar 
dele, porque sabia que não haveria cura para os 
judeus, embora houvesse bálsamo e médicos 
em Israel. 
 
“1 Naquele tempo, diz o Senhor, tirarão para fora 
das suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, e 
os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos 
sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos 
dos habitantes de Jerusalém; 
2 e serão expostos ao sol, e à lua, e a todo o 
exército do céu, a quem eles amaram, e a quem 
serviram, e após quem andaram, e a quem 
buscaram, e a quem adoraram; não serão 
recolhidos nem sepultados; serão como esterco 
sobre a face da terra. 
74 
3 E será escolhida antes a morte do que a vida 
por todos os que restarem desta raça maligna, 
que ficarem em todos os lugares onde os lancei, 
diz o senhor dos exércitos. 
4 Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: 
porventura cairão os homens, e não se 
levantarão? desviar-se-ão, e não voltarão? 
5 Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém 
com uma apostasia contínua? ele retém o 
engano, recusa-se a voltar. 
6 Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto; 
ninguém há que se arrependa da sua maldade, 
dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua 
carreira, como um cavalo que arremete com 
ímpeto na batalha. 
7 Até a cegonha no céu conhece os seus tempos 
determinados; e a rola, a andorinha, e o grou 
observam o tempo da sua arribação; mas o meu 
povo não conhece a ordenança do Senhor. 
8 Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do 
Senhor está conosco? Mas eis que a falsa pena 
dos escribas a converteu em mentira. 
9 Os sábios são envergonhados, espantados e 
presos; rejeitaram a palavra do Senhor; que 
sabedoria, pois, têm eles? 
10 Portanto darei suas mulheres a outros, e os 
seus campos aos conquistadores; porque desde 
o menor até o maior, cada um deles se dá à 
avareza; desde o profeta até o sacerdote, cada 
qual usa de falsidade. 
11 E curam a ferida da filha de meu povo 
levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há 
paz. 
75 
12 Porventura se envergonham de terem 
cometido abominação? Não; de maneira alguma 
se envergonham, nem sabem que coisa é 
envergonhar-se. Portanto cairão entre os que 
caem; e no tempo em que eu os visitar, serão 
derribados, diz o Senhor. 
13 Quando eu os colheria, diz o Senhor, já não há 
uvas na vide, nem figos na figueira; até a folha 
está caída; e aquilo mesmo que lhes dei se foi 
deles. 
14 Por que nos assentamos ainda? juntai-vos e 
entremos nas cidades fortes, e ali pereçamos; 
pois o Senhor nosso Deus nos destinou a 
perecer e nos deu a beber água de fel; porquanto 
pecamos contra o Senhor. 
15 Esperamos a paz, porém não chegou bem 
algum; e o tempo da cura, e eis o terror. 
16 Já desde Dã se ouve o resfolegar dos seus 
cavalos; a terra toda estremece à voz dos rinchos 
dos seus ginetes; porque vêm e devoram a terra 
e quanto nela há, a cidade e os que nela habitam. 
17 Pois eis que envio entre vós serpentes, 
basiliscos, contra os quais não há 
encantamento; e eles vos morderão, diz o 
Senhor. 
18 Quem dera que eu pudesse consolar-me na 
minha tristeza! O meu coração desfalece dentro 
de mim. 
19 Eis o clamor da filha do meu povo, de toda a 
extensão da terra; Não está o Senhor em Sião? 
Não está nela o seu rei? Por que me provocaram 
a ira com as suas imagens esculpidas, com 
vaidades estranhas? 
76 
20 Passou a sega, findou o verão, e nós não 
estamos salvos. 
21 Estou quebrantado pela ferida da filha do meu 
povo; ando de luto; o espanto apoderou-se de 
mim. 
22 Porventura não há bálsamo em Gileade? ou 
não se acha lá médico? Por que, pois, não se 
realizou a cura da filha do meu povo?”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
Jeremias 9 
 
Este capítulo descreve a que nível havia 
chegado a iniquidade dos judeus nos dias de 
Jeremias. 
Deus havia formado Israel para ser um povo 
pelo qual pudesse ser conhecido por todas as 
nações da terra, pelo que vissem neles. 
Esta é a mesma missão da Igreja no mundo, 
tornar Deus conhecido pelo testemunho de vida 
dos crentes. 
Como haviam perdido totalmente a finalidade 
para a qual haviam sido formados, então o 
Senhor passaria a peneira no meio deles e 
pouparia somente aqueles poucos que eram 
grãos e não palha. Até estes seriam provados 
pelo fogo, para serem purificados, para que 
pudessem vir a dar um real testemunho de 
santidade. 
“8 Em toda a terra, diz o Senhor, as duas partes 
dela serão exterminadas, e expirarão; mas a 
terceira parte restará nela. 
9 E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a 
purificarei, como se purifica a prata, e a 
provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o 
meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e 
ela dirá: O Senhor é meu Deus.” (Zac 13.8,9) 
Quando Deus é abandonado pelo seu povo, tal 
como se deu com os judeus, o resultado disto 
será o que lemos nos primeiros versículos deste 
capítulo, no qual o próprio Senhor ordena que 
ninguém confiasse no próprio irmão, porque o 
78 
que prevalecia era o perjurar, o mentir, o 
caluniar, a falsidade. 
Armavam armadilhas contra o seu próximo, e 
com a mesma língua que lisonjeavam 
produziam feridas terríveis na reputação destas 
mesmas pessoas que haviam elogiado (v. 8). 
Para quem não anda no Espírito, isto pode 
parecer exagerado, mas é a mais pura realidade, 
para aqueles que têm discernimento espiritual 
para perceberem tal estado de corrupção, 
quando mesmo crentes deixam de andar no 
temor de Deus. 
Tal era o estado repulsivo da nação de Judá por 
causa de tais pecados, que o profeta gostaria que 
a sua cabeça se tornasse em águas para que seus 
olhos derramassem lágrimas continuamente 
como uma fonte, por causa do pecado de seus 
irmãos israelitas, e por causa das muitas mortes 
que o Senhor produziria no meio deles quando 
consumasse os seus juízos através dos 
babilônios (v. 1). 
Todavia, a par de tais sentimentos da mais 
profunda tristeza, o profeta deseja se afastar de 
Israel, não pelo temor dos juízos que lhes 
sobreviriam, mas por causa da forma como eles 
viviam sendo o povo do Senhor. Eram um bando 
de adúlteros e de aleivosos (v. 2). E ninguém que 
esteja santificado tem prazer em tal companhia. 
Eles não conheciam o Senhor porque viviam a 
fortalecer as suas línguas, não para a verdade, 
mas para a mentira (v. 3). 
Por amarem o engano se recusavam a conhecer 
ao Senhor. Quem ama o erro não pode desejar 
conhecer ao Senhor porque Ele é a verdade. 
79 
Então o Senhor os fundiria como se faz ao ouro, 
para remover do seu povo a grande quantidade 
de escória que eram muitos deles, e reservaria 
para si somente aqueles que fossem achados 
fiéis (v. 7). 
Deus não poderia deixar sem castigo um tal 
estado de coisas, e se vingaria da nação de Israel 
porque havia sido traído por eles (v. 9). 
Quem fosse sábio entre eles, veria a ruína de 
Judá como já executada, porque dali a poucos 
anos lhes sobreviria tudo o que o Senhor havia 
pronunciado contra eles pelos seus profetas, e 
não apenas através de Jeremias. 
Por que Deus levanta mestres na Igreja? São 
meros professores de teologia? Não. Eles têm o 
encargo de torná-lo conhecido, bem como a sua 
vontade, conforme revelada na sua Palavra. Tal 
era o ministério dos sacerdotes e dos levitas,mas como eles se corromperam na sua função, 
e amaram a avareza, as suas cobiças carnais, 
Deus levantou os profetas para falar 
diretamente ao povo através deles, quanto aos 
seus juízos. 
Se o povo andasse nos caminhos do Senhor, não 
haveria necessidade de profetas para 
repreendê-los e exortá-los. 
Há grande perigo, portanto, quando se deixa de 
lado a Palavra revelada do Senhor, no caso dos 
judeus, a Lei de Moisés (v. 13), e da Igreja, toda a 
Bíblia, porque com isto estaremos deixando de 
dar ouvidos à sua voz, e assim não poderemos 
andar segundo a sua Palavra, senão de acordo 
com a obstinação do nosso próprio coração 
corrompido pelo pecado, que é mais enganoso 
80 
do que todas as coisas. Por isso os judeus em vez 
de servirem ao Senhor, voltaram-se para os 
baalins, porque não conheciam os juízos 
terríveis da sua Palavra contra aqueles que 
praticam a idolatria (v. 13,14), ou então, os 
conhecendo, consideravam que eram ameaças 
mortas de uma letra morta. 
Todavia, o Senhor revelaria a eles que a sua 
Palavra é viva, trazendo sobre eles todas as 
ameaças previstas na Lei, especialmente a do 
cativeiro, e a morte pela espada das nações 
inimigas. Então saberiam o temor que é devido 
ao Senhor e à sua Palavra, pelo preço altíssimo 
que eles teriam que pagar como nação, de modo 
que tal temor fosse achado nas gerações 
seguintes, quando retornassem do cativeiro em 
Babilônia, passados os setenta anos 
determinados, em que pela vontade de Deus, 
deveriam lá permanecer. 
Tantos seriam os mortos da parte do Senhor, até 
mesmo jovens e velhos, que ficariam insepultos, 
porque não haveria nem tempo, nem condições 
para sepultá-los, e isto seria para eles um sinal 
que até mesmo na morte foram desonrados por 
Deus. E as nações saberiam que Deus é santo, e 
nada tinha a ver com as iniquidades praticadas 
pelo seu povo, tanto que Ele próprio os vendera 
por nada, e os entregara à destruição. 
Por isso ninguém deveria se gloriar em Judá na 
sua própria sabedoria, ou na sua força, ou nas 
suas riquezas, porque nada disto os poderia 
livrar dos juízos de Deus, e nada disto pode levar 
uma pessoa a agradar ao Senhor (v. 23). 
81 
O único motivo que temos para nos gloriar é o 
próprio Deus, e o conhecimento que temos dele 
e da sua vontade, especialmente quanto a 
sabermos que Ele faz benevolência, juízo e 
justiça na terra, coisas estas que são todo o seu 
agrado. Então quem quiser agradar a Deus deve 
imitá-lo na prática da misericórdia, do juízo e da 
justiça. 
É por tal critério de misericórdia, justiça e juízo, 
que Deus julga toda a carne, e não por se ser 
circuncidado ou não no prepúcio. Judá pensava 
que era diferente das demais nações por causa 
da circuncisão. Mas o Senhor está dizendo que 
diante dele não há nenhum justo, a não ser 
aqueles que são circuncidados de coração, ou 
seja aqueles que são justificados pela graça, 
mediante a fé, e que andam na prática da justiça, 
que é segundo a santificação (v. 25, 26). 
 
“1 Quem dera a minha cabeça se tornasse em 
águas, e os meus olhos numa fonte de lágrimas, 
para que eu chorasse de dia e de noite os mortos 
da filha do meu povo! 
2 Quem dera que eu tivesse no deserto uma 
estalagem de viandantes, para poder deixar o 
meu povo, e me apartar dele! porque todos eles 
são adúlteros, um bando de aleivosos. 
3 E encurvam a língua, como se fosse o seu arco, 
para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não 
para a verdade; porque avançam de malícia em 
malícia, e a mim me não conhecem, diz o 
Senhor. 
4 Guardai-vos cada um do seu próximo, e de 
irmão nenhum vos fieis; porque todo irmão não 
82 
faz mais do que enganar, e todo próximo anda 
caluniando. 
5 E engana cada um a seu próximo, e nunca fala 
a verdade; ensinaram a sua língua a falar a 
mentira; andam-se cansando em praticar a 
iniquidade. 
6 A tua habitação está no meio do engano; pelo 
engano recusam-se a conhecer-me, diz o 
Senhor. 
7 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos: Eis 
que eu os fundirei e os provarei; pois, de que 
outra maneira poderia proceder com a filha do 
meu povo? 
8 uma flecha mortífera é a língua deles; fala 
engano; com a sua boca fala cada um de paz com 
o seu próximo, mas no coração arma-lhe ciladas. 
9 Não hei de castigá-los por estas coisas? diz o 
Senhor; ou não me vingarei de uma nação tal 
como esta? 
10 Pelos montes levantai choro e pranto, e pelas 
pastagens do deserto lamentação; porque já 
estão queimadas, de modo que ninguém passa 
por elas; nem se ouve mugido de gado; desde as 
aves dos céus até os animais, fugiram e se foram. 
11 E farei de Jerusalém montões de pedras, 
morada de chacais, e das cidades de Judá farei 
uma desolação, de sorte que fiquem sem 
habitantes. 
12 Quem é o homem sábio, que entenda isto? e a 
quem falou a boca do Senhor, para que o possa 
anunciar? Por que razão pereceu a terra, e se 
queimou como um deserto, de sorte que 
ninguém passa por ela? 
83 
13 E diz o Senhor: porque deixaram a minha lei, 
que lhes pus diante, e não deram ouvidos à 
minha voz, nem andaram nela, 
14 antes andaram obstinadamente segundo o 
seu próprio coração, e após baalins, como lhes 
ensinaram os seus pais. 
15 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos, 
Deus de Israel: Eis que darei de comer losna a 
este povo, e lhe darei a beber água de fel. 
16 Também os espalharei por entre nações que 
nem eles nem seus pais conheceram; e 
mandarei a espada após eles, até que venha a 
consumi-los. 
17 Assim diz o Senhor dos exércitos: Considerai, 
e chamai as carpideiras, para que venham; e 
mandai procurar mulheres hábeis, para que 
venham também; 
18 e se apressem, e levantem o seu lamento 
sobre nós, para que se desfaçam em lágrimas os 
nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem 
águas. 
19 Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: 
Como estamos arruinados! Estamos mui 
envergonhados, por termos deixado a terra, e 
por terem eles transtornado as nossas moradas. 
20 Contudo ouvi, vós, mulheres, a palavra do 
Senhor, e recebam os vossos ouvidos a palavra 
da sua boca; e ensinai a vossas filhas o pranto, e 
cada uma à sua vizinha a lamentação. 
21 Pois a morte subiu pelas nossas janelas, e 
entrou em nossos palácios, para exterminar das 
ruas as crianças, e das praças os mancebos. 
22 Fala: Assim diz o Senhor: Até os cadáveres dos 
homens cairão como esterco sobre a face do 
84 
campo, e como gavela atrás do segador, e não há 
quem a recolha. 
23 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na 
sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; 
não se glorie o rico nas suas riquezas; 
24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em 
entender, e em me conhecer, que eu sou o 
Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na 
terra; porque destas coisas me agrado, diz o 
Senhor. 
25 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que 
castigarei a todo circuncidado juntamente com 
os incircuncisos: 
26 ao Egito, a Judá e a Edom, aos filhos de Amom 
e a Moabe, e a todos os que cortam os cantos da 
sua cabeleira e habitam no deserto; pois todas as 
nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel 
é incircuncisa de coração.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
Jeremias 10 
 
Não podemos esquecer que Jeremias era ainda 
muito jovem quando o Senhor o chamou para o 
exercício do ministério profético. Já dissemos 
que seu ministério durou mais de quarenta 
anos. E nós o vemos neste capítulo, depois da 
experiência que tivera com a maldade dirigida 
contra ele pelos seus próprios conhecidos e 
parentes de Anatote, bem como de todos os 
sacerdotes que viviam na sua cidade natal, 
Jeremias estava amadurecendo nos caminhos 
do conhecimento não apenas da vontade do 
Senhor, como também do que há nos corações 
dos próprios homens. Todavia não havia 
amadurecido o bastante para compreender o 
motivo da grande longanimidade de Deus para 
com os ímpios, e até para com os piores deles, tal 
como ele próprio tivera oportunidade de 
constatar entreos seus próprios irmãos e toda a 
casa de seu pai (v. 6), de modo que o Senhor lhe 
advertiu para que não confiasse neles ainda que 
lhes dissessem coisas boas. 
Isto não significa que devemos desconfiar de 
todos os nossos irmãos em Cristo, mas daqueles 
que têm rejeitado os caminhos do Senhor, 
faremos bem em nos guardar deles, tal como 
Deus havia aconselhado Jeremias a fazer em 
seus dias. 
Jeremias havia aprendido a discernir que é 
possível ter o nome de Deus nos lábios enquanto 
o coração permanece distante dele, tal como 
observara nos judeus (v. 2). 
86 
Então ele clamou para que o Senhor exercesse 
logo a sua justiça contra os ímpios, tal a 
grandeza da maldade que vira em seus corações. 
Mas como Deus não é o homem, Ele instruiu 
Jeremias que ele deveria aprender a ter a 
tenacidade espiritual que lhe permitisse correr 
não somente com homens que vão a pé, mas a 
correr até mesmo com cavalos, porque as suas 
tribulações não diminuiriam, mas 
aumentariam e muito, dali por diante. Ele não 
deveria fugir da batalha contra o mal, numa 
terra onde os juízos do Senhor não haviam ainda 
sido despejados. Ele deveria ser longânimo tal 
qual o Senhor e aguardar o tempo próprio do 
juízo. Ainda que não orasse pelo povo, conforme 
lhe havia sido ordenado, isto não significava que 
deveria clamar a Deus então para apressar logo 
a destruição deles. 
Israel havia se rebelado contra Deus, e 
levantado sua voz contra Ele, e por isso, em vez 
de receberem a demonstração do seu amor, 
receberiam a da sua vingança (v. 8). 
O estado a que Israel havia chegado foi o 
resultado da ação de maus e muitos pastores 
que haviam destruído a vinha do Senhor, e que 
fizeram de um quinhão antes aprazível, um 
deserto desolado, onde não havia mais a 
presença e a glória de Deus (v. 10). Então o 
Senhor seria o Pastor do seu povo, e tentaria 
restaurar aqueles que dentre eles ainda tinham 
esperança de cura, e não somente eles, até 
mesmo as nações que lhes haviam assolado e 
que haviam ensinado Israel a adorar a Baal, 
poderiam ser edificadas no meio de Judá, 
87 
quando fosse restaurada por Ele, no entanto, 
caso o recusassem também seriam totalmente 
arrancados, e os Senhor lhes faria perecer. Isto 
tem se cumprido especialmente nos dias da 
Igreja, quando muitas nações gentias têm sido 
enxertadas no ramo de oliveira de Israel, por 
meio de quem receberam as Escrituras, os 
profetas, os apóstolos, e o principal de tudo, o 
Messias. Assim, Israel ainda cumpriria a missão 
que lhe havia sido destinada por Deus, e isto 
explicava porque não destruiria todos os ímpios 
da terra, conforme desejava Jeremias. 
 
“1 Ouvi a palavra que o Senhor vos fala a vós, ó 
casa de Israel. 
2 Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho 
das nações, nem vos espanteis com os sinais do 
céu; porque deles se espantam as nações, 
3 pois os costumes dos povos são vaidade; corta-
se do bosque um madeiro e se lavra com 
machado pelas mãos do artífice. 
4 Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos 
e com martelos o firmam, para que não se mova. 
5 São como o espantalho num pepinal, e não 
podem falar; necessitam de quem os leve, 
porquanto não podem andar. Não tenhais receio 
deles, pois não podem fazer o mal, nem 
tampouco têm poder de fazer o bem. 
6 Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; és 
grande, e grande é o teu nome em poder. 
7 Quem te não temeria a ti, ó Rei das nações? 
pois a ti se deve o temor; porquanto entre todos 
os sábios das nações, e em todos os seus reinos 
ninguém há semelhante a ti. 
88 
8 Mas eles todos são embrutecidos e loucos; a 
instrução dos ídolos é como o madeiro. 
9 Trazem de Társis prata em chapas, e ouro de 
Ufaz, trabalho do artífice, e das mãos do 
fundidor; seus vestidos são de azul e púrpura; 
obra de peritos são todos eles. 
10 Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o 
Deus vivo e o Rei eterno, ao seu furor estremece 
a terra, e as nações não podem suportar a sua 
indignação. 
11 Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram 
os céus e a terra, esses perecerão da terra e de 
debaixo dos céus. 
12 Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu 
o mundo por sua sabedoria e com a sua 
inteligência estendeu os céus. 
13 Quando ele faz soar a sua voz, logo há tumulto 
de águas nos céus, e ele faz subir das 
extremidades da terra os vapores; faz os 
relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz 
sair o vento. 
14 Todo homem se embruteceu e não tem 
conhecimento; da sua imagem esculpida 
envergonha-se todo fundidor; pois as suas 
imagens fundidas são falsas, e nelas não há 
fôlego. 
15 Vaidade são, obra de enganos; no tempo da 
sua visitação virão a perecer. 
16 Não é semelhante a estes aquele que é a 
porção de Jacó; porque ele é o que forma todas 
as coisas, e Israel é a tribo da sua herança. 
Senhor dos exércitos é o seu nome. 
17 Tira do chão a tua trouxa, ó tu que habitas em 
lugar sitiado. 
89 
18 Pois assim diz o Senhor: Eis que desta vez 
arrojarei como se fora com uma funda os 
moradores da terra, e os angustiarei, para que 
venham a senti-lo. 
19 Ai de mim, por causa do meu 
quebrantamento! a minha chaga me causa 
grande dor; mas eu havia dito: Certamente isto é 
minha enfermidade, e eu devo suportá-la. 
20 A minha tenda está destruída, e todas as 
minhas cordas estão rompidas; os meus filhos 
foram-se de mim, e não existem; ninguém há 
mais que estire a minha tenda, e que levante as 
minhas lonas. 
21 Pois os pastores se embruteceram, e não 
buscaram ao Senhor; por isso não prosperaram, 
e todos os seus rebanhos se acham dispersos. 
22 Eis que vem uma voz de rumor, um grande 
tumulto da terra do norte, para fazer das cidades 
de Judá uma assolação, uma morada de chacais. 
23 Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu 
caminho; nem é do homem que caminha o 
dirigir os seus passos. 
24 Corrige-me, ó Senhor, mas com medida 
justa; não na tua ira, para que não me reduzas a 
nada. 
25 Derrama a tua indignação sobre as nações 
que não te conhecem, e sobre as famílias que 
não invocam o teu nome; porque devoraram a 
Jacó; sim, devoraram-no e consumiram-no, e 
assolaram a sua morada.”. 
 
Este capítulo tem o principal propósito de 
convencer os judeus que o fato de serem 
subjugados por Babilônia não significava que os 
90 
falsos deuses deles fossem mais poderosos do 
que o Deus de Israel. 
Tais deuses não passam de obras das mãos dos 
homens, e por isso sequer devem ser temidos. 
Os judeus estariam em Babilônia, mas são 
instruídos por este capítulo a não ficarem 
impressionados com nenhuma das 
mistificações deles, e com os muitos magos e 
feiticeiros que existiam naquela terra. Então 
mesmo na terra do cativeiro, eles deveriam se 
voltar para o Senhor de todo o seu coração, 
porque Ele é o Criador tanto dos céus quanto da 
terra, e não está preso a nenhum lugar, e pode 
ser achado em espírito por aqueles que o 
invocam em espírito, e que andam na prática da 
verdade. Os judeus não deveriam portanto, 
assimilar os costumes de Babilônia, porque 
também havia da parte do Senhor um juízo que 
seria lavrado sobre eles no tempo oportuno, 
bem como sobre todas as suas imagens de 
escultura, que seriam destruídas por Ele, 
quando os entregasse ao poder dos medos e 
dos persas, mostrando quão impotentes são tais 
ídolos para livrarem a si mesmos, quanto mais 
aqueles que lhes prestam culto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
Jeremias 11 
 
Promessa Feita Promessa Cumprida 
 
Nós vemos no capítulo 11 de Jeremias, que o 
Senhor vindicou a sua fidelidade, santidade e 
justiça com esta mensagem que mandou 
Jeremias pregar em todas as cidades de Judá, 
lendo-lhes as palavras da aliança que havia feito 
com eles desde os dias de Moisés, na qual 
estavam previstos todos os juízos que viriam 
sobre eles, inclusive o do cativeiro, em caso de 
desobediência aos termos da aliança, que eles 
haviam voluntariamente feito com o Senhor. 
Deus não muda. A sua vontade não muda. A sua 
Leinão muda. Mas a aliança seria mudada 
porque eles haviam violado a mesma. O Senhor 
faria uma nova aliança com a casa de Israel e de 
Judá, conforme está profetizado no trigésimo 
primeiro capítulo do livro de Jeremias, nos 
versos 31 a 34. 
Mas antes de revogar a antiga aliança ela seria 
lida a todos os judeus para que soubessem que 
eles a haviam violado servindo a outros deuses e 
não somente ao Senhor. 
Como um profeta não tem honra na sua própria 
terra, e entre os seus, foi justamente em 
Anatote, sua cidade natal, cidade de sacerdotes, 
que Jeremias sofreu grande oposição e 
resistência a ponto de terem intentado tirarem 
a sua própria vida, quando lhes proclamou, 
como em todas as cidades de Judá, que eles 
haviam quebrado a aliança do Senhor. 
92 
Então Deus ordenou a Jeremias que não mais 
orasse em favor daquele povo, porque Ele não os 
ouviria quando clamassem a Ele no dia da sua 
calamidade (v. 14). 
Deus havia revelado, havia mostrado ao profeta 
a profundidade da iniquidade do coração de 
todos eles (v. 18); todavia o profeta continuava 
como um manso cordeiro em seu meio, sem 
saber que era contra ele próprio que estavam 
maquinando, com o intento de matá-lo (v. 19). 
Mas o Senhor, justo Juiz que é, e que prova os 
corações e a mente, conhecia os intentos deles, 
que às ocultas armavam contra o seu profeta, e 
por isso tomou a sua causa em suas mãos, e 
proferiu um juízo terrível de morte contra os 
habitantes de Anatote. 
Aqueles que estavam procurando a morte do 
justo, encontrariam a própria morte deles. 
Eles haviam proibido Jeremias de lhes profetizar 
em nome do Senhor (v. 21), para que não 
morresse nas mãos deles, mas o Senhor mataria 
os seus jovens à espada e os seus filhos e filhas 
morreriam de fome, e não deixaria que ficasse 
qualquer resto deles em Anatote, no ano da sua 
punição (v. 23). 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias, da parte do 
Senhor, dizendo: 
2 Ouvi as palavras deste pacto, e falai aos 
homens de Judá, e aos habitantes de Jerusalém. 
 
 
93 
3 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor, o Deus de 
Israel: Maldito o homem que não ouvir as 
palavras deste pacto, 
4 que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei 
da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: 
Ouvi a minha voz, e fazei conforme a tudo que 
vos mando; assim vós sereis o meu povo, e eu 
serei o vosso Deus; 
5 para que eu confirme o juramento que fiz a 
vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse 
leite e mel, como se vê neste dia. Então eu 
respondi, e disse: Amém, ó Senhor. 
6 Disse-me, pois, o Senhor: Proclama todas estas 
palavras nas cidades de Judá, e nas ruas de 
Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras deste 
pacto, e cumpri-as. 
7 Porque com instância admoestei a vossos pais, 
no dia em que os tirei da terra do Egito, até o 
dia de hoje, 
protestando persistentemente e dizendo: Ouvi a 
minha voz. 
8 Mas não ouviram, nem inclinaram os seus 
ouvidos; antes andaram cada um na obstinação 
do seu coração malvado; pelo que eu trouxe 
sobre eles todas as palavras deste pacto, as quais 
lhes ordenei que cumprissem, mas não o 
fizeram. 
9 Disse-me mais o Senhor: Uma conspiração se 
achou entre os homens de Judá, e entre os 
habitantes de Jerusalém. 
10 Tornaram às iniquidades de seus primeiros 
pais, que recusaram ouvir as minhas palavras; 
até se foram após outros deuses para os servir; a 
94 
casa de Israel e a casa de Judá quebrantaram o 
meu pacto, que fiz com seus pais. 
11 Portanto assim diz o Senhor: Eis que estou 
trazendo sobre eles uma calamidade de que não 
poderão escapar; clamarão a mim, mas eu não 
os ouvirei. 
12 Então irão as cidades de Judá e os habitantes 
de Jerusalém e clamarão aos deuses a que eles 
queimam incenso; estes, porém, de maneira 
alguma os livrarão no tempo da sua calamidade. 
13 Pois, segundo o número das tuas cidades, são 
os teus deuses, ó Judá; e, segundo o número das 
ruas de Jerusalém, tendes levantado altares à 
impudência, altares para queimardes incenso a 
Baal. 
14 Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes 
por eles clamor nem oração; porque não os 
ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim 
por causa da sua calamidade. 
15 Que direito tem a minha amada na minha 
casa, visto que com muitos tem cometido 
grande abominação, e as 
carnes santas se desviaram de ti? Quando tu 
fazes mal, então andas saltando de prazer. 
16 Denominou-te o Senhor oliveira verde, 
formosa por seus deliciosos frutos; mas agora, à 
voz dum grande tumulto, acendeu fogo nela, e 
se quebraram os seus ramos. 
17 Porque o Senhor dos exércitos, que te 
plantou, pronunciou contra ti uma calamidade, 
por causa do grande mal que a casa de Israel e a 
casa de Judá fizeram, pois me provocaram à ira, 
queimando incenso a Baal. 
95 
18 E o Senhor mo fez saber, e eu o soube; então 
me fizeste ver as suas ações. 
19 Mas eu era como um manso cordeiro, que se 
leva à matança; não sabia que era contra mim 
que maquinavam, dizendo: Destruamos a árvore 
com o seu fruto, e cortemo-lo da terra dos 
viventes, para que não haja mais memória do 
seu nome. 
20 Mas, ó Senhor dos exércitos, justo Juiz, que 
provas o coração e a mente, permite que eu veja 
a tua vingança sobre eles; pois a ti descobri a 
minha causa. 
21 Portanto assim diz o Senhor acerca dos 
homens de Anatote, que procuram a tua vida, 
dizendo: Não profetizes no nome do Senhor, 
para que não morras às nossas mãos; 
22 por isso assim diz o Senhor dos exércitos: Eis 
que eu os punirei; os mancebos morrerão à 
espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão 
de fome. 
23 E não ficará deles um resto; pois farei vir 
sobre os homens de Anatote uma calamidade, 
sim, o ano da sua punição.”. (Jeremias 11.1-23) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
96 
Jeremias 12 
 
Não podemos esquecer que Jeremias era ainda 
muito jovem quando o Senhor o chamou para o 
exercício do ministério profético. Já dissemos 
que seu ministério durou mais de quarenta 
anos. E nós o vemos neste capítulo, depois da 
experiência que tivera com a maldade dirigida 
contra ele pelos seus próprios conhecidos e 
parentes de Anatote, bem como de todos os 
sacerdotes que viviam na sua cidade natal, 
Jeremias estava amadurecendo nos caminhos 
do conhecimento não apenas da vontade do 
Senhor, como também do que há nos corações 
dos próprios homens. Todavia não havia 
amadurecido o bastante para compreender o 
motivo da grande longanimidade de Deus para 
com os ímpios, e até para com os piores deles, tal 
como ele próprio tivera oportunidade de 
constatar entre os seus próprios irmãos e toda a 
casa de seu pai (v. 6), de modo que o Senhor lhe 
advertiu para que não confiasse neles ainda que 
lhes dissessem coisas boas. 
Isto não significa que devemos desconfiar de 
todos os nossos irmãos em Cristo, mas daqueles 
que têm rejeitado os caminhos do Senhor, 
faremos bem em nos guardar deles, tal como 
Deus havia aconselhado Jeremias a fazer em 
seus dias. 
Jeremias havia aprendido a discernir que é 
possível ter o nome de Deus nos lábios enquanto 
o coração permanece distante dele, tal como 
observara nos judeus (v. 2). 
97 
Então ele clamou para que o Senhor exercesse 
logo a sua justiça contra os ímpios, tal a 
grandeza da maldade que vira em seus corações. 
Mas como Deus não é o homem, Ele instruiu 
Jeremias que ele deveria aprender a ter a 
tenacidade espiritual que lhe permitisse correr 
não somente com homens que vão a pé, mas a 
correr até mesmo com cavalos, porque as suas 
tribulações não diminuiriam, mas 
aumentariam e muito, dali por diante. Ele não 
deveria fugir da batalha contra o mal, numa 
terra onde os juízos do Senhor não haviam ainda 
sido despejados. Ele deveria ser longânimo tal 
qual o Senhor e aguardar o tempo próprio do 
juízo. Ainda que não orasse pelo povo, conforme 
lhe havia sido ordenado, isto não significava que 
deveria clamar a Deus então para apressar logo 
a destruição deles. 
Israel havia se rebelado contra Deus,e 
levantado sua voz contra Ele, e por isso, em vez 
de receberem a demonstração do seu amor, 
receberiam a da sua vingança (v. 8). 
O estado a que Israel havia chegado foi o 
resultado da ação de maus e muitos pastores 
que haviam destruído a vinha do Senhor, e que 
fizeram de um quinhão dantes aprazível, um 
deserto desolado, onde não havia mais a 
presença e a glória de Deus (v. 10). 
Então o Senhor seria o Pastor do seu povo, e 
tentaria restaurar aqueles que dentre eles ainda 
tinham esperança de cura, e não somente eles, 
até mesmo as nações que lhes haviam assolado 
e que haviam ensinado Israel a adorar a Baal, 
poderiam ser edificadas no meio de Judá, 
98 
quando fosse restaurada por Ele, no entanto, 
caso o recusassem também seriam totalmente 
arrancados, e os Senhor lhes faria perecer. 
Isto tem se cumprido especialmente nos dias da 
Igreja, quando muitas nações gentias têm sido 
enxertadas no ramo de oliveira de Israel, por 
meio de quem receberam as Escrituras, os 
profetas, os apóstolos, e o principal de tudo, o 
Messias. Assim, Israel ainda cumpriria a missão 
que lhe havia sido destinada por Deus, e isto 
explicava porque não destruiria todos os ímpios 
da terra, conforme desejava Jeremias. 
 
“1 Justo és, ó Senhor, ainda quando eu pleiteio 
contigo; contudo pleitearei a minha causa 
diante de ti. Por que prospera o caminho dos 
ímpios? Por que vivem em paz todos os que 
procedem aleivosamente? 
2 Plantaste-os, e eles se arraigaram; medram, 
dão também fruto; chegado estás à sua boca, 
porém longe do seu coração. 
3 Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês, e 
provas o meu coração para contigo; tira-os como 
a ovelhas para o matadouro, e separa-os para o 
dia da matança. 
4 Até quando lamentará a terra, e se secará a 
erva de todo o campo? Por causa da maldade dos 
que nela habitam, perecem os animais e as aves; 
porquanto disseram: Ele não verá o nosso fim. 
5 Se te fatigas correndo com homens que vão a 
pé, então como poderás competir com cavalos? 
Se foges numa terra de paz, como hás de fazer na 
soberba do Jordão? 
99 
6 Pois até os teus irmãos, e a casa de teu pai, eles 
mesmos se houveram aleivosamente contigo; 
eles mesmos clamam após ti em altas vozes. Não 
te fies neles, ainda que te digam coisas boas. 
7 Desamparei a minha casa, abandonei a minha 
herança; entreguei a amada da minha alma na 
mão de seus inimigos. 
8 Tornou-se a minha herança para mim como 
leão numa floresta; levantou a sua voz contra 
mim, por isso eu a odeio. 
9 Acaso é para mim a minha herança como uma 
ave de rapina de várias cores? Andam as aves de 
rapina contra ela em redor? Ide, pois, ajuntai a 
todos os animais do campo, trazei-os para a 
devorarem. 
10 Muitos pastores destruíram a minha vinha, 
pisaram o meu quinhão; tornaram em desolado 
deserto o meu quinhão aprazível. 
11 Em assolação o tornaram; ele, desolado, 
clama a mim. Toda a terra está assolada, mas 
ninguém toma isso a peito. 
12 Sobre todos os altos escalvados do deserto 
vieram destruidores, porque a espada do 
Senhor devora desde uma até outra 
extremidade da terra; não há paz para nenhuma 
carne. 
13 Semearam trigo, mas segaram espinhos; 
cansaram-se, mas de nada se aproveitaram; 
haveis de ser envergonhados das vossas 
colheitas, por causa do ardor da ira do Senhor. 
14 Assim diz o Senhor acerca de todos os meus 
maus vizinhos, que tocam a minha herança que 
fiz herdar ao meu povo Israel: Eis que os 
100 
arrancarei da sua terra, e a casa de Judá 
arrancarei do meio deles. 
15 E depois de os haver eu arrancado, tornarei, e 
me compadecerei deles, e os farei voltar cada 
um à sua herança, e cada um à sua terra. 
16 E será que, se diligentemente aprenderem os 
caminhos do meu povo, jurando pelo meu 
nome: Vive o Senhor; como ensinaram o meu 
povo a jurar por Baal; então edificar-se-ão no 
meio do meu povo. 
17 Mas, se não quiserem ouvir, totalmente 
arrancarei a tal nação, e a farei perecer, diz o 
Senhor.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
Jeremias 13 
 
O Ramo Que Não Dá Fruto É Cortado 
 
O Senhor ordenou a Jeremias que comprasse 
um cinto e que depois de usá-lo o conduzisse 
para o rio Eufrates, um dos rios que regava 
Babilônia e que lá o deixasse enterrado num 
determinado lugar. 
Passado certo tempo Deus ordenou a Jeremias 
que fosse buscar o cinto, e quando este o 
desenterrou, encontrava-se apodrecido, sem 
qualquer serventia. 
Então o Senhor lhe disse que tal como aquele 
cinto Judá havia se tornado para Ele, ou seja, 
imprestável. 
Eles ficariam portanto apodrecidos em 
Babilônia, o novo lugar deles, porque o Senhor 
não os traria mais presos ao seu quadril, porque 
haviam deixado de ser o cinto de justiça que 
deveriam ser para Ele. 
Assim como a corrupção natural havia 
estragado o cinto de Jeremias, de igual modo a 
corrupção moral havia estragado Judá para os 
propósitos de Deus. 
Eles deveriam ser o cinto do Senhor, com o qual 
Ele sustentaria a sua justiça na terra, mas 
corrompidos como se achavam pelo pecado, 
não poderiam cumprir tal função. 
Além disso, o apodrecimento do cinto 
representava o fato de que o Senhor faria 
apodrecer a soberba de Judá, e a ainda maior 
soberba de Jerusalém, porque era nela que se 
102 
encontravam concentrados os principais 
sacerdotes, anciãos e nobres da nação (v. 9). 
O Senhor apanharia os israelitas na própria 
sabedoria deles, pela proposição de um símile 
muito simples que lhes seria dito por Jeremias, 
dizendo que todo odre seria enchido de vinho. E 
eles responderiam obviamente que é este o 
propósito de todo odre de vinho, ou seja, ser 
enchido de tal bebida (v. 12). 
Só que não sabiam que eles eram os odres, e que 
seriam enchidos não de vinho natural, mas do 
vinho do furor da ira do Senhor, e eles ficariam 
embriagados e cheios de violência, porque se 
atrairiam uns aos outros, e seriam deixados 
entregues a seus próprios instintos violentos, 
porque o Senhor não se compadeceria deles, e 
então chegariam ao ponto de se atirarem uns 
contra os outros, até mesmo os pais com seus 
filhos. 
Eles deveriam então deixar a soberba e 
inclinarem seus ouvidos para ouvirem o que o 
Senhor lhes estava dizendo por meio do seu 
profeta. 
E deveriam dar glória ao Senhor como o único 
Deus deles, antes que chegasse o dia da 
escuridão, no qual os seus pés tropeçariam nos 
montes em trevas, quando fossem conduzidos 
para Babilônia. 
Todavia, se permanecessem endurecidos em 
sua soberba a alma do Senhor choraria, mas o 
faria em oculto, por causa da soberba deles, e os 
seus olhos se desfariam em lágrimas, porque o 
rebanho do Senhor seria levado em cativeiro. 
103 
A nação deveria se humilhar perante o Senhor, 
e isto a partir do rei e da rainha-mãe, porque aos 
olhos do Senhor já não havia nenhuma coroa 
sobre as cabeças deles, porque seriam tratados 
como o povo comum da terra. 
Eles não poderiam achar refúgio nas cidades do 
Neguebe, porque estariam fechadas para eles, e 
não haveria quem as abrisse. 
O destino deles seria o cativeiro em Babilônia, e 
seria para lá que seriam conduzidos, lhes 
revelando que os propósitos do Senhor não 
podem ser frustrados. 
Quando os judeus indagassem em seus 
corações qual foi o motivo de tão terrível 
castigo, eles deveriam saber que isto foi devido 
às suas iniquidades (v. 22). 
Isto deveria ficar na memória deles e das 
gerações futuras para que temessem voltar a se 
rebelar contra o Senhor, para não sofrerem os 
mesmos castigos. 
Todavia, não aprenderam a lição em algumas de 
suas gerações, como nos próprios dias de nosso 
Senhor, quando foram espalhados pelos 
romanos por todas as nações da terra, por 
terem-no rejeitado como enviado por Deus a 
eles, e não somente a ele, como as palavras que 
ele lhes transmitiu da parte do Pai. 
Os judeus deveriam mudar a sua natureza, 
deveriam ser transformados, porque é 
impossível que alguém possa fazer o bem, 
estando acostumadoa fazer o mal, tal como o 
etíope não pode mudar a cor da sua pele negra 
em branca, nem o leopardo as suas manchas. 
104 
É preciso que haja uma disposição para deixar 
que o Senhor nos dê uma nova natureza, que 
seja inclinada a fazer a sua vontade. 
Porque se isto não ocorrer seremos espalhados 
como a moinha que é espalhada pelo vento, 
porque aquele que não se ajunta a Ele, em sua 
santidade, é espalhado. 
É preciso se purificar do mal, para que se possa 
escapar do juízo do Senhor, e isto só pode ser 
feito por uma verdadeira santificação do 
coração, por meio da fé em Cristo, e por se 
submeter ao trabalho de disciplina que é 
operado pelo Espírito Santo. 
 
“1 Assim me disse o Senhor: Vai, e compra-te um 
cinto de linho, e põe-no sobre os teus lombos, 
mas não o metas na água. 
2 E comprei o cinto, conforme a palavra do 
Senhor, e o pus sobre os meus lombos. 
3 Então me veio a palavra do Senhor pela 
segunda vez, dizendo: 
4 Toma o cinto que compraste e que trazes sobre 
os teus lombos, e levanta-te, vai ao Eufrates, e 
esconde-o ali na fenda duma rocha. 
5 Fui, pois, e escondi-o junto ao Eufrates, como 
o Senhor me havia ordenado. 
6 E passados muitos dias, me disse o Senhor: 
Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto 
que te ordenei que escondesses ali. 
7 Então fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto 
do lugar onde e havia escondido; e eis que o 
cinto tinha apodrecido, e para nada prestava. 
8 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
105 
9 Assim diz o Senhor: Do mesmo modo farei 
apodrecer a soberba de Judá, e a grande soberba 
de Jerusalém. 
10 Este povo maligno, que se recusa a ouvir as 
minhas palavras, que caminha segundo a 
teimosia do seu coração, e que anda após deuses 
alheios, para os servir, e para os adorar, será tal 
como este cinto, que para nada presta. 
11 Pois, assim como se liga o cinto aos lombos do 
homem, assim eu liguei a mim toda a casa de 
Israel, e toda a casa de Judá, diz o Senhor, para 
me serem por povo, e por nome, e por louvor, e 
por glória; mas não quiseram ouvir: 
12 Pelo que lhes dirás esta palavra: Assim diz o 
Senhor Deus de Israel: Todo o odre se encherá 
de vinho. E dir-te-ão: Acaso não sabemos nós 
muito bem que todo o odre se encherá de vinho? 
13 Então lhes dirás: Assim diz o Senhor: Eis que 
eu encherei de embriaguez a todos os 
habitantes desta terra, mesmo aos reis que se 
assentam sobre o trono de Davi, e aos 
sacerdotes, e aos profetas, e a todos os 
habitantes de Jerusalém. 
14 E atira-los-ei uns contra os outros, mesmo os 
pais juntamente com os filhos, diz o Senhor; não 
terei pena nem pouparei, nem terei deles 
compaixão para não os destruir. 
15 Escutai, e inclinai os ouvidos; não vos 
ensoberbeçais, porque o Senhor falou. 
16 Dai glória ao Senhor vosso Deus, antes que 
venha a escuridão e antes que tropecem vossos 
pés nos montes tenebrosos; antes que, 
esperando vós luz, ele a mude em densas trevas, 
e a reduza a profunda escuridão. 
106 
17 Mas, se não ouvirdes, a minha alma chorará 
em oculto, por causa da vossa soberba; e 
amargamente chorarão os meus olhos, e se 
desfarão em lágrimas, porque o rebanho do 
Senhor se vai levado cativo. 
18 Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, 
sentai-vos no chão; porque de vossas cabeças já 
caiu a coroa de vossa glória. 
19 As cidades do Negebe estão fechadas, e não 
há quem as abra; todo o Judá é levado cativo, sim, 
inteiramente cativo. 
20 Levantai os vossos olhos, e vede os que vêm 
do norte; onde está o rebanho que se te deu, o 
teu lindo rebanho? 
21 Que dirás, quando ele puser sobre ti como 
cabeça os que ensinaste a serem teus amigos? 
Não te tomarão as dores, como as duma mulher 
que está de parto? 
22 Se disseres no teu coração: Por que me 
sobrevieram estas coisas? Pela multidão das 
tuas iniquidades se descobriram as tuas fraldas, 
e os teus calcanhares sofrem violência. 
23 pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo 
as suas malhas? então podereis também vós 
fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal. 
24 Pelo que os espalharei como o restolho que 
passa arrebatado pelo vento do deserto. 
25 Esta é a tua sorte, a porção que te é medida 
por mim, diz o Senhor; porque te esqueceste de 
mim, e confiaste em mentiras. 
26 Assim também eu levantarei as tuas fraldas 
sobre o teu rosto, e aparecerá a tua ignominia. 
27 Os teus adultérios, e os teus rinchos, e a 
enormidade da tua prostituição, essas 
107 
abominações tuas, eu as tenho visto sobre os 
outeiros no campo. Ai de ti, Jerusalém! até 
quando não te purificarás?”. (Jeremias 13.1-17) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
108 
Jeremias 14 
 
Deus estava enviando sinais a Judá de que o 
cativeiro seria cumprido, como forma final de 
castigo da impenitência deles, tal como previsto 
na Lei de Moisés. 
Ele estava revelando o cumprimento dos juízos 
previstos na sua Palavra, em caso de 
desobediência à sua Lei, enviando uma grande 
seca sobre a terra, que estava castigando não 
somente as pessoas como até mesmo os 
animais. Inclusive os grandes da terra estavam 
sofrendo pela extrema falta de água (v. 1). 
Nós estamos apresentando a seguir, as ameaças 
dos juízos de Deus contra Israel, em caso de 
desobediência à aliança, conforme previsto na 
Lei: 
“14 Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes 
todos estes mandamentos, 
15 e se rejeitardes os meus estatutos, e a vossa 
alma desprezar os meus preceitos, de modo que 
não cumprais todos os meus mandamentos, 
mas violeis o meu pacto, 
16 então eu, com efeito, vos farei isto: porei 
sobre vós o terror, a tísica e a febre ardente, que 
consumirão os olhos e farão definhar a vida; em 
vão semeareis a vossa semente, pois os vossos 
inimigos a comerão. 
17 Porei o meu rosto contra vós, e sereis feridos 
diante de vossos inimigos; os que vos odiarem 
dominarão sobre vós, e fugireis sem que 
ninguém vos persiga. 
109 
18 Se nem ainda com isto me ouvirdes, 
prosseguirei em castigar-vos sete vezes mais, 
por causa dos vossos pecados. 
19 Pois quebrarei a soberba do vosso poder, e vos 
farei o céu como ferro e a terra como bronze. 
20 Em vão se gastará a vossa força, porquanto a 
vossa terra não dará o seu produto, nem as 
árvores da terra darão os seus frutos. 
21 Ora, se andardes contrariamente para 
comigo, e não me quiseres ouvir, trarei sobre 
vos pragas sete vezes mais, conforme os vossos 
pecados. 
22 Enviarei para o meio de vós as feras do campo, 
as quais vos desfilharão, e destruirão o vosso 
gado, e vos reduzirão a pequeno número; e os 
vossos caminhos se tornarão desertos. 
23 Se nem ainda com isto quiserdes voltar a 
mim, mas continuardes a andar contrariamente 
para comigo, 
24 eu também andarei contrariamente para 
convosco; e eu, eu mesmo, vos ferirei sete vezes 
mais, por causa dos vossos pecados. 
25 Trarei sobre vós a espada, que executará a 
vingança do pacto, e vos aglomerareis nas 
vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, 
e sereis entregues na mão do inimigo. 
26 Quando eu vos quebrar o sustento do pão, dez 
mulheres cozerão o vosso pão num só forno, e 
de novo vo-lo entregarão por peso; e comereis, 
mas não vos fartareis. 
27 Se nem ainda com isto me ouvirdes, mas 
continuardes a andar contrariamente para 
comigo, 
110 
28 também eu andarei contrariamente para 
convosco com furor; e vos castigarei sete vezes 
mais, por causa dos vossos pecados. 
29 E comereis a carne de vossos filhos e a carne 
de vossas filhas. 
30 Destruirei os vossos altos, derrubarei as 
vossas imagens do sol, e lançarei os vossos 
cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; 
e a minha alma vos abominará. 
31 Reduzirei as vossas cidades a deserto, e 
assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o 
vosso cheiro suave. 
32 Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os 
vossos inimigos que nela habitam. 
33 Espalhar-vos-ei por entre as nações e, 
desembainhando a espada,vos perseguirei; a 
vossa terra será assolada, e as vossas cidades se 
tornarão em deserto. 
34 Então a terra folgará nos seus sábados, todos 
os dias da sua assolação, e vós estareis na terra 
dos vossos inimigos; nesse tempo a terra 
descansará, e folgará nos seus sábados. 
35 Por todos os dias da assolação descansará, 
pelos dias que não descansou nos vossos 
sábados, quando nela habitáveis. 
36 E, quanto aos que de vós ficarem, eu lhes 
meterei pavor no coração nas terras dos seus 
inimigos; e o ruído de uma folha agitada os porá 
em fuga; fugirão como quem foge da espada, e 
cairão sem que ninguém os persiga; 
37 sim, embora não haja quem os persiga, 
tropeçarão uns sobre os outros como diante da 
espada; e não podereis resistir aos vossos 
inimigos. 
111 
38 Assim perecereis entre as nações, e a terra 
dos vossos inimigos vos devorará; 
39 e os que de vós ficarem definharão pela sua 
iniquidade nas terras dos vossos inimigos, como 
também pela iniquidade de seus pais. 
40 Então confessarão a sua iniquidade, e a 
iniquidade de seus pais, com as suas 
transgressões, com que transgrediram contra 
mim; igualmente confessarão que, por terem 
andado contrariamente para comigo, 
41 eu também andei contrariamente para com 
eles, e os trouxe para a terra dos seus inimigos. 
Se então o seu coração incircunciso se 
humilhar, e tomarem por bem o castigo da sua 
iniquidade, 
42 eu me lembrarei do meu pacto com Jacó, do 
meu pacto com Isaque, e do meu pacto com 
Abraão; e bem assim da terra me lembrarei. 
43 A terra também será deixada por eles e 
folgará nos seus sábados, sendo assolada por 
causa deles; e eles tomarão por bem o castigo da 
sua iniquidade, em razão mesmo de que 
rejeitaram os meus preceitos e a sua alma 
desprezou os meus estatutos. 
44 Todavia, ainda assim, quando eles estiverem 
na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem 
os abominarei a ponto de consumi-los 
totalmente e quebrar o meu pacto com eles; 
porque eu sou o Senhor seu Deus. 
45 Antes por amor deles me lembrarei do pacto 
com os seus antepassados, que tirei da terra do 
Egito perante os olhos das nações, para ser o seu 
Deus. Eu sou o Senhor. 
112 
46 São esses os estatutos, os preceitos e as leis 
que o Senhor firmou entre si e os filhos de Israel, 
no monte Sinai, por intermédio de Moisés.” (Lev 
26.14-46). 
Deus estava sendo fiel à Palavra que havia 
proferido há mais de oitocentos anos antes de 
Jeremias. Ao lermos este texto de Levítico, 
podemos compreender melhor os juízos que 
estavam sendo pronunciados pelo profeta. 
Jeremias estava sofrendo juntamente com os 
judeus pelos efeitos daquela grande seca, então 
levantou um clamor ao Senhor confessando os 
pecados da nação, e pedindo-Lhe que os 
libertasse daquele grande sofrimento porque 
era o Redentor de Israel. Ele apelou pelo fato de 
serem conhecidos pelo nome do Senhor. 
Todavia o Senhor respondeu ao profeta que 
aquilo lhes foi enviado porque gostaram muito 
de andar errantes e não detiveram os seus pés 
para a prática da maldade, e por isso lhes havia 
rejeitado e estava trazendo em lembrança as 
iniquidades deles, de modo que ordenou a 
Jeremias, mais uma vez, que não orasse pelo 
bem daquele povo, porque já estava lavrada a 
sentença dos juízos que deveriam sofrer e que 
culminariam com a ida deles para o cativeiro. 
E quando o próprio povo jejuasse, não ouviria o 
clamor deles, e faria o mesmo quando eles 
oferecessem holocaustos e oblações, porque 
não se agradaria deles; antes os consumiria pela 
espada, e pela fome e pela peste, conforme 
estava previsto na Lei de Moisés, 
particularmente no vigésimo sexto capítulo do 
livro de Levítico. 
113 
Muitos profetas haviam se levantado no meio 
daquela calamidade, daquela grande seca, e 
procuraram consolar os judeus dizendo-lhes 
que não veriam espada, nem fome, e que Deus 
lhes daria a verdadeira paz na terra deles (v. 13). 
O próprio Jeremias, no meio de todo aquele 
sofrimento se deixou influenciar pela 
mensagem deles, e disse ao Senhor o que eles 
estavam profetizando. Mas Deus lhe deu a 
seguinte resposta: 
“14 E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam 
mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes 
dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, 
adivinhação, vaidade e o engano do seu coração 
é o que eles vos profetizam. 
15 Portanto assim diz o Senhor acerca dos 
profetas que profetizam em meu nome, sem que 
eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, 
nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome 
serão consumidos esses profetas. 
16 E o povo a quem eles profetizam será lançado 
nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da 
espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a 
suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; 
porque derramarei sobre eles a sua maldade. 
17 Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus 
olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e 
não cessem; porque a virgem filha do meu povo 
está gravemente ferida, de mui dolorosa chaga. 
18 Se eu saio ao campo, eis os mortos à espada, 
e, se entro na cidade, eis os debilitados pela 
fome; o profeta e o sacerdote percorrem a terra, 
e nada sabem.” 
 
114 
Mesmo com esta resposta que recebera do 
Senhor quanto aos falsos profetas, Jeremias, de 
tão compadecido que estava, ainda clamou por 
misericórdia a Deus em favor de Judá, porque o 
próprio Senhor lhe dissera da grande dor que 
sentia em ter que estar tratando Judá daquela 
maneira, e por fim, pediu ao Senhor que 
tornasse a lhes dar chuva porque tal poder não 
se encontrava nos falsos deuses nem mesmo 
nos céus, mas no próprio Senhor (v. 19 a 22). 
 
“1 A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, a 
respeito da seca. 
2 Judá chora, e as suas portas estão 
enfraquecidas; eles se sentam de luto no chão; e 
o clamor de Jerusalém já vai subindo. 
3 E os seus nobres mandam os seus inferiores 
buscar água; estes vão às cisternas, e não acham 
água; voltam com os seus cântaros vazios; ficam 
envergonhados e confundidos, e cobrem as suas 
cabeças. 
4 Por causa do solo ressecado, pois que não 
havia chuva sobre a terra, os lavradores ficam 
envergonhados e cobrem as suas cabeças. 
5 Pois até a cerva no campo pare, e abandona sua 
cria, porquanto não há erva. 
6 E os asnos selvagens se põem nos altos 
escalvados e, ofegantes, sorvem o ar como os 
chacais; desfalecem os seus olhos, porquanto 
não há erva. 
7 Posto que as nossas iniquidades testifiquem 
contra nós, ó Senhor, opera tu por amor do teu 
nome; porque muitas são as nossas rebeldias; 
contra ti havemos pecado. 
115 
8 Ó esperança de Israel, e Redentor seu no 
tempo da angústia! por que serias como um 
estrangeiro na terra? e como o viandante que 
arma a sua tenda para passar a noite? 
9 Por que serias como homem surpreendido, 
como valoroso que não pode livrar? Mas tu estás 
no meio de nós, Senhor, e nós somos chamados 
pelo teu nome; não nos desampares. 
10 Assim diz o Senhor acerca deste povo: Pois 
que tanto gostaram de andar errantes, e não 
detiveram os seus pés, por isso o Senhor não os 
aceita, mas agora se lembrará da iniquidade 
deles, e visitará os seus pecados. 
11 Disse-me ainda o Senhor: Não rogues por este 
povo para seu bem. 
12 Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e 
quando oferecerem holocaustos e oblações, não 
me agradarei deles; antes eu os consumirei pela 
espada, e pela fome e pela peste. 
13 Então disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os 
profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não 
tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste 
lugar. 
14 E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam 
mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes 
dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, 
adivinhação, vaidade e o engano do seu coração 
é o que eles vos profetizam. 
15 Portanto assim diz o Senhor acerca dos 
profetas que profetizam em meu nome, sem que 
eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, 
nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome 
serão consumidos esses profetas. 
116 
16 E o povo a quemeles profetizam será lançado 
nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da 
espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a 
suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; 
porque derramarei sobre eles a sua maldade. 
17 Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus 
olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e 
não cessem; porque a virgem filha do meu povo 
está gravemente ferida, de mui dolorosa chaga. 
18 Se eu saio ao campo, eis os mortos à espada, 
e, se entro na cidade, eis os debilitados pela 
fome; o profeta e o sacerdote percorrem a terra, 
e nada sabem. 
19 Porventura já de todo rejeitaste a Judá? 
Aborrece a tua alma a Sião? Por que nos feriste, 
de modo que não há cura para nós? Aguardamos 
a paz, e não chegou bem algum; e o tempo da 
cura, e eis o pavor! 
20 Ah, Senhor! reconhecemos a nossa 
impiedade e a iniquidade de nossos pais; pois 
contra ti havemos pecado. 
21 Não nos desprezes, por amor do teu nome; 
não tragas opróbrio sobre o trono da tua glória; 
lembra-te, e não anules o teu pacto conosco. 
22 Há, porventura, entre os deuses falsos das 
nações, algum que faça chover? Ou podem os 
céus dar chuvas? Não és tu, ó Senhor, nosso 
Deus? Portanto em ti esperaremos; pois tu tens 
feito todas estas coisas.” 
 
 
 
 
 
117 
Jeremias 15 
 
O Senhor tem sentimentos gentis e amorosos, 
e sofre em todo a angústia de seu povo, mas não 
é governado por seus sentimentos, senão pela 
sua Palavra, pela sua justiça e verdade. Ele havia 
dito a Jeremias no início do seu ministério 
quando lhe deu a visão da amendoeira, que Ele 
vela sobre a sua Palavra para a cumprir. Então 
não deixaria de cumpri-la por maiores que 
fossem as tristezas que sentisse pela ruína de 
Israel. 
Então ele disse a Jeremias que não ouviria nem 
mesmo a intercessão de Moisés ou de Samuel, 
que foram poderosos intercessores perante Ele, 
em favor de Israel. A tal ponto havia chegado a 
iniquidade dos judeus que nem mesmo a 
intercessão de Moisés ou de Samuel seria 
ouvida. 
Portanto, isto deveria servir para desencorajar 
Jeremias a continuar intercedendo em favor 
deles, porque o Senhor já lhe havia dito que não 
intercedesse por aquele povo maligno. 
O Senhor disse a Jeremias que a sua alma não 
poderia estar com aquele povo, então deveriam 
ser lançados de diante da sua face, e saírem, ou 
seja, Jeremias não deveria estar lhes 
apresentando diante da face justa do Senhor 
com suas intercessões. 
Quando eles perguntassem a Jeremias porque 
haviam sido rejeitados pelo Senhor e para onde 
iriam, a resposta que Deus mandou Jeremias 
lhes dar foi a seguinte: 
118 
“E quando te perguntarem: Para onde iremos? 
dir-lhes-ás: Assim diz o Senhor: Os que para a 
morte, para a morte; e os que para a espada, para 
a espada; e os que para a fome, para a fome; e os 
que para o cativeiro, para o cativeiro.” (v. 2) 
Como vimos anteriormente, haveria gradações 
de juízos, segundo Levítico 26, que 
aumentariam à medida que o povo não se 
mostrasse arrependido, tal como não haviam se 
arrependido na grande seca, e portanto, lhes 
viria um juízo pior em seguida. 
Por isso o Senhor disse a Jeremias que visitaria 
ainda os judeus com quatro tipos de juízos 
destruidores: morte pela espada; pelos cães, que 
nos dias do profeta não eram animais 
domésticos, mas selvagens; com as aves de 
rapina, e finalmente com os animais selvagens 
da terra, que os devorariam (v. 3). 
Assim, antes de irem para o cativeiro, seriam 
submetidos ainda a tais juízos, porque desde os 
dias do rei Manassés, filho do rei Ezequias, os 
pecados de Judá haviam se agravado muito, 
especialmente porque eles passaram a adotar 
depois de Manassés, o culto da divindade 
moabita, Moloque, para o qual era exigido o 
sacrifício de crianças vivas, que eram 
queimadas no colo do enorme ídolo de ferro, 
que representava o referido deus, e que era 
aceso por dentro como uma grande fornalha. 
Tais eram as abominações de Judá, 
especialmente em Jerusalém, ao lado do próprio 
templo do Senhor, que ninguém na terra se 
entristeceria por eles quando lhes viessem os 
juízos do Senhor, porque veriam que era justo 
119 
que aquele povo ímpio estivesse sendo 
arruinado daquela maneira (v. 5). 
Jeremias tinha sentido de perto a dor de coração 
que é produzida por aqueles que amamos. Ele 
tinha sido rejeitado pelos seus próprios 
familiares, pelos seus próprios amigos de 
Anatote, pelo povo de Judá como um todo. Eles 
estavam procurando pelo seu mal, a ponto de 
intentar matá-lo. 
Então o Senhor se valeu do que estava sentindo 
Jeremias para falar dos seus próprios 
sentimentos quanto à rejeição que Ele estava 
sofrendo da parte dos judeus, e por isso, 
Jeremias poderia agora entender o motivo de 
estar estendendo a sua mão para destruí-los, 
porque estava cansado de suspender os seus 
juízos e de abrandar o seu coração divino para 
com os erros deles (v. 6). 
Como podemos continuar confiando num 
amigo que sempre tem falhado conosco, e nos 
decepcionado, especialmente por nos rejeitar 
pelo que somos, por sermos santos? 
Os judeus não haviam emendado os seus 
caminhos mesmo depois de terem sido 
visitados pelos terríveis juízos do Senhor, que 
havia permitido que muitos judeus morressem 
nas guerras, inclusive jovens casados, cujas 
mulheres ficaram viúvas. 
Ao lamento de Deus Jeremias juntou o seu a 
partir do verso 10, porque estava sendo 
amaldiçoado pelos judeus, quando até mesmo 
vinha buscando o bem dos seus inimigos; sem 
nunca ter deixado de suplicar ao Senhor pelo 
120 
bem deles, para que os livrasse no tempo da 
angústia e da calamidade. 
Por isso o Senhor entregaria as riquezas e os 
tesouros dos judeus aos babilônios, sem que Ele 
recebesse qualquer pagamento por eles, porque 
venderia o seu próprio povo por nada, ou seja, 
sem nada esperar em troca, e faria com que 
servissem os seus próprios inimigos numa terra 
estranha, a saber, na dos inimigos babilônicos, 
porque o fogo da ira do Senhor havia se 
acendido contra o seu povo (v. 14). 
Jeremias então orou ao Senhor tanto para pedir-
lhe proteção contra os seus inimigos, como 
também para derramar a sua queixa perante ele, 
porque estava considerando que o Senhor lhe 
havia iludido quando disse que o livraria dos 
seus inimigos, porque ele estava se sentindo 
como alguém cuja ferida e dor eram perpétuas 
e incuráveis, porque sua alma estava em grande 
tribulação, e a sua sede de justiça não estava 
sendo saciada por Deus, porque Ele parecia a 
ele, Jeremias, como se fosse uma miragem, um 
rio que não podia matar a sede, porque existia tal 
livramento somente na sua imaginação (v. 18). 
Esta queixa recebeu a justa repreensão da parte 
do Senhor, porque não lhe havia prometido 
livrar de dores e tribulações quando o 
comissionou, mas sim de ser morto pelos seus 
inimigos, que resistiriam grandemente à sua 
mensagem. 
Então Jeremias foi convocado pelo Senhor a se 
converter a Ele, deixando tais pensamentos e 
amargura em sua alma para ser restaurado, e 
para que pudesse estar diante dele, e caso 
121 
separasse o que é precioso do que é vil, seria 
como a boca do próprio Senhor, e assim faria 
com que o povo viesse para ouvi-lo, e Jeremias 
deveria parar de ir até eles, como vinha fazendo 
até então, na expectativa de que se 
arrependessem com a sua mensagem, porque 
os que fossem justos viriam a Jeremias sem que 
ele necessitasse ir até eles (v. 19). 
Então o Senhor colocaria Jeremias contra o povo 
rebelde como um forte muro de bronze, de 
modo que eles continuariam pelejando contra 
ele, mas não poderiam prevalecer, porque o 
Senhor seria com ele para livrá-lo e salvá-lo. E 
também o arrebataria da mão dos iníquos e o 
livraria da mão dos cruéis (v. 20,. 21). 
 
“1 Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés 
e Samuel se pusessem diante de mim, não 
poderia estar a minha alma com este povo. 
Lança-os de diante da minha face, e saiam eles. 
2 E quando te perguntarem: Para onde iremos? 
dir-lhes-ás: Assimdiz o Senhor: Os que para a 
morte, para a morte; e os que para a espada, para 
a espada; e os que para a fome, para a fome; e os 
que para o cativeiro, para o cativeiro. 
3 Pois os visitarei com quatro gêneros de 
destruidores, diz o Senhor: com espada para 
matar, e com cães, para os dilacerarem, e com 
as aves do céu e os animais da terra, para os 
devorarem e destruírem. 
4 Entregá-los-ei para serem um mostra 
horrendo perante todos os reinos da terra, por 
causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de 
Judá, por tudo quanto fez em Jerusalém. 
122 
5 Pois quem se compadecerá de ti, ó Jerusalém? 
ou quem se entristecerá por ti? Quem se 
desviará para perguntar pela tua paz? 
6 Tu me rejeitaste, diz o Senhor, voltaste para 
trás; por isso estenderei a minha mão contra ti, 
e te destruirei; estou cansado de me abrandar. 
7 E os padejei com a pá nas portas da terra; 
desfilhei, destruí o meu povo; não voltaram dos 
seus caminhos. 
8 As suas viúvas mais se me têm multiplicado do 
que a areia dos mares; trouxe ao meio-dia um 
destruidor sobre eles, até sobre a mãe de jovens; 
fiz que caísse de repente sobre ela angústia e 
terrores. 
9 A que dava à luz sete se enfraqueceu: expirou 
a sua alma; pôs-se-lhe o sol sendo ainda dia; ela 
se confundiu, e se envergonhou; e os que 
ficarem deles eu os livrarei à espada, diante dos 
seus inimigos, diz o Senhor. 
10 Ai de mim, minha mãe! porque me deste à 
luz, homem de rixas e homem de contendas 
para toda a terra. Nunca lhes emprestei com 
usura, nem eles me emprestaram a mim com 
usura, todavia cada um deles me amaldiçoa. 
11 Assim seja, ó Senhor, se jamais deixei de 
suplicar-te pelo bem deles, ou de rogar-te pelo 
inimigo no tempo da calamidade e no tempo da 
angústia. 
12 Pode alguém quebrar o ferro, o ferro do 
Norte, e o bronze? 
13 As tuas riquezas e os teus tesouros, eu os 
livrarei sem preço ao saque; e isso por todos os 
teus pecados, mesmo em todos os teus limites. 
123 
14 E farei que sirvas os teus inimigos numa terra 
que não conheces; porque o fogo se acendeu em 
minha ira, e sobre vós arderá. 
15 Tu, ó Senhor, me conheces; lembra-te de 
mim, visita-me, e vinga-me dos meus 
perseguidores; não me arrebates, por tua 
longanimidade. Sabe que por amor de ti tenho 
sofrido afronta. 
16 Acharam-se as tuas palavras, e eu as comi; e 
as tuas palavras eram para mim o gozo e alegria 
do meu coração; pois levo o teu nome, ó Senhor 
Deus dos exércitos. 
17 Não me assentei na roda dos que se alegram, 
nem me regozijei. Sentei-me a sós sob a tua mão, 
pois me encheste de indignação. 
18 Por que é perpétua a minha dor, e incurável a 
minha ferida, que se recusa a ser curada? Serás 
tu para mim como ribeiro ilusório e como águas 
inconstantes? 
19 Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, 
então te restaurarei, para estares diante de 
mim; e se apartares o precioso do vil, serás como 
a minha boca; tornem-se eles a ti, mas não voltes 
tu a eles. 
20 E eu te porei contra este povo como forte 
muro de bronze; eles pelejarão contra ti, mas 
não prevalecerão contra ti; porque eu sou 
contigo para te salvar, para te livrar, diz o 
Senhor. 
21 E arrebatar-te-ei da mão dos iníquos, e livrar-
te-ei da mão dos cruéis.”. 
 
 
 
124 
Jeremias 16 
 
Para que a própria vida do profeta Jeremias 
servisse de sinal para Judá que não valia a pena 
casar e ter filhos naqueles dias, porque o juízo 
logo viria sobre a nação e seriam muitos os 
mortos da parte do Senhor, então Ele proibiu 
que o profeta se casasse e tivesse filhos, para que 
os judeus soubessem que os filhos deles 
estavam destinados à matança tanto quanto 
eles. 
Jeremias foi proibido também de entrar na casa 
que estivesse de luto, para que não lamentasse a 
morte de nenhum destes que seriam mortos por 
causa dos juízos do Senhor, uma vez que Ele 
havia retirado deles a sua paz, benignidade e 
misericórdia. 
Nenhuma consolação deveria ser dada aos que 
estivessem de luto por causa dos seus mortos. 
Jeremias foi proibido também de ir a festas, 
porque os que se banqueteavam com alegria 
teriam todo motivo de comemoração retirados 
deles, mesmo a alegria de noivos em 
casamentos. 
Se alguém perguntasse a Jeremias a razão de tais 
palavras que pronunciavam um grande mal, e 
qual era a iniquidade deles para receberem um 
tal tratamento, e qual pecado tinham cometido 
contra o Senhor, Jeremias deveria lhes 
responder que o motivo foi que os seus pais 
haviam abandonado o Senhor, e adoraram e 
serviram a falsos deuses, e não guardaram a lei 
do Senhor. Além disso, eles haviam feito pior do 
125 
que os seus antepassados, com seus 
pensamentos obstinados que faziam com que 
recusassem ouvir ao Senhor. 
No entanto, apesar de serem levados para o 
cativeiro em Babilônia, eles seriam trazidos de 
volta no futuro para a sua própria terra, a terra 
que lhes fora dada pelo Senhor desde os seus 
patriarcas. 
Por isso, o Senhor os pescaria e os caçaria, e 
nenhum deles poderia escapar de seus olhos, e 
retribuiria em dobro a iniquidade e o pecado 
deles por causa das suas abomináveis idolatrias. 
Então eles saberiam que o ídolo nada é, e que são 
falsos deuses os ídolos que os homens adoram, 
porque quando desse a conhecer o seu grande 
poder, cumprindo tudo o que havia dito pelos 
profetas, então todos saberiam que o seu nome 
é Jeová, e que a Ele somente pertencem o poder 
e a força. 
 
“1 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
2 Não tomarás a ti mulher, nem terás filhos nem 
filhas neste lugar. 
3 Pois assim diz o Senhor acerca dos filhos e das 
filhas que nascerem neste lugar, acerca de suas 
mães, que os tiverem, e de seus pais que os 
gerarem nesta terra: 
4 Morrerão de enfermidades dolorosas, e não 
serão pranteados nem sepultados; serão como 
esterco sobre a face da terra; pela espada e pela 
fome serão consumidos, e os seus cadáveres 
servirão de pasto para as aves do céu e para os 
animais da terra. 
126 
5 Pois assim diz o Senhor: Não entres na casa que 
está de luto, nem vás a lamentá-los, nem te 
compadeças deles; porque deste povo, diz o 
Senhor, retirei a minha paz, benignidade e 
misericórdia. 
6 E morrerão nesta terra tanto grandes como 
pequenos; não serão sepultados, e não os 
prantearão, nem se farão por eles incisões, nem 
por eles se raparão os cabelos; 
7 nem pão se dará aos que estiverem de luto, 
para os consolar sobre os mortos; nem se lhes 
dará a beber o copo da consolação pelo pai ou 
pela mãe. 
8 Não entres na casa do banquete, para te 
assentares com eles a comer e a beber. 
9 Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus 
de Israel: Eis que perante os vossos olhos, e em 
vossos dias, farei cessar deste lugar a voz de gozo 
e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva. 
10 E quando anunciares a este povo todas estas 
palavras, e eles te disserem: Por que pronuncia 
o Senhor sobre nós todo este grande mal? Qual 
é a nossa iniquidade? Qual é o pecado que 
cometemos contra o Senhor nosso Deus? 
11 Então lhes dirás: Porquanto vossos pais me 
deixaram, diz o Senhor, e se foram após outros 
deuses, e os serviram e adoraram, e a mim me 
deixaram, e não guardaram a minha lei; 
12 e vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis 
que andais, cada um de vós, após o pensamento 
obstinado do seu mau coração, recusando 
ouvir-me a mim; 
13 portanto eu vos lançarei fora desta terra, para 
uma terra que não conhecestes, nem vós nem 
127 
vossos pais; e ali servireis a deuses estranhos de 
dia e de noite; pois não vos concederei favor 
algum. 
14 Portanto, eis que dias vêm, diz o Senhor, em 
que não se dirá mais: Vive o Senhor: que fez 
subir os filhos de Israel da terra do Egito; 
15 mas sim: Vive o Senhor, que fez subir os filhos 
de Israel da terra do norte, e de todas as terras 
para onde os tinha lançado; porque eu os farei 
voltar à sua terra, que dei a seus pais. 
16 Eis que mandarei vir muitos pescadores, diz o 
Senhor, os quais os pescarão; e depois mandareivir muitos caçadores, os quais os caçarão de 
todo monte, e de todo outeiro, e até das fendas 
das rochas. 
17 Pois os meus olhos estão sobre todos os seus 
caminhos; não se acham eles escondidos da 
minha face, nem está a sua iniquidade 
encoberta aos meus olhos. 
18 E eu retribuirei em dobro a sua iniquidade e o 
seu pecado, porque contaminaram a minha 
terra com os vultos inertes dos seus ídolos 
detestáveis, e das suas abominações encheram 
a minha herança. 
19 Ó Senhor, força minha e fortaleza minha, e 
refúgio meu no dia da angústia, a ti virão as 
nações desde as extremidades da terra, e dirão: 
Nossos pais herdaram só mentiras, e vaidade, 
em que não havia proveito. 
20 Pode um homem fazer para si deuses? Esses 
tais não são deuses! 
21 Portanto, eis que lhes farei conhecer, sim 
desta vez lhes farei conhecer o meu poder e a 
128 
minha força; e saberão que o meu nome é 
Jeová.”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
129 
Jeremias 17 
 
Maldito o Homem que Confia no Homem 
 
Este título não é para incentivar a 
desconfiança entre as pessoas, e nem sequer 
para proferir maldição a quem quer que seja. 
Nós veremos o significado correto desta 
expressão, no contexto em que foi proferida por 
Deus em Jeremias 17.5. 
Nós aprendemos do décimo sétimo capítulo de 
Jeremias, que nada agrada mais ao Senhor do 
que se guardar a sua Palavra. Ela deve ser o 
referencial da vida, tanto de grandes quanto de 
pequenos, tanto de ricos quanto de pobres. 
A exigência feita aos reis e príncipes de Judá 
para que não comerciassem no dia de sábado, 
como se vê no final deste 17º capítulo, é apenas 
um exemplo destacado pelo Senhor quanto ao 
respeito e obediência que os judeus deveriam 
ter pelos seus mandamentos, porque a guarda 
do sábado era uma das principais exigências no 
Antigo Testamento. 
Quantos líderes, em muitas igrejas espalhadas 
em toda a face da terra, dirigem suas vida e o 
povo debaixo do cuidado deles, pelos seus 
próprios critérios e não pelos previstos na 
Palavra de Deus? 
Eles costumam afirmar que obedecem a 
Palavra, mas na prática o que ocorre é algo 
muito diferente disto, e esta é a razão de não se 
ver a presença do Senhor entre eles. 
130 
O povo de Israel havia dado ouvido aos falsos 
profetas, e não deram crédito à Lei do Senhor e 
nem aos profetas que lhes anunciavam os juízos 
da Lei contra o pecado. 
Assim, permaneciam debaixo da maldição da 
Lei, que afirmava ser maldito todo aquele que 
não guardasse os seus mandamentos. 
Daí o “maldito o homem que confia no homem”. 
Os judeus estavam confiando na força do Egito, 
e das demais nações com as quais pensavam em 
se coligar para tentar deter o poder de Babilônia. 
Era isto que os falsos profetas lhes 
aconselhavam, para que não tivessem que se 
arrepender de suas más obras, e ao mesmo 
tempo se livrarem da opressão da nação 
inimiga. 
Por isso, o Senhor declara no verso 5 deste 17º 
capítulo de Jeremias: 
“Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia 
no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o 
seu coração do Senhor!” 
E nos versos 7 e 8: 
“7 Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja 
esperança é o Senhor. 8 Porque é como a árvore 
plantada junto às águas, que estende as suas 
raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o 
calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de 
sequidão não se afadiga, nem deixa de dar 
fruto.” 
O motivo disto, como temos fartamente 
comentado é o que Ele afirma no verso 9: 
“Enganoso é o coração, mais do que todas as 
coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” 
131 
Ora, se o coração humano é enganoso e 
perverso, em razão de possuirmos uma 
natureza decaída no pecado, que está 
naturalmente indisposta contra a vontade de 
Deus, então não será nele que acharemos as 
respostas de vida eterna e abençoada. 
Não será consultando e sendo guiado pelo 
sentimento do coração que toparemos com a 
verdade relativa à nossa condição e 
necessidade. 
Então, devemos confiar no Senhor e buscando 
direção nele e na sua Palavra, porque Ele afirma 
no verso 10: 
“Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o 
coração; e isso para dar a cada um segundo os 
seus caminhos e segundo o fruto das suas 
ações.” 
Devemos ter a mesma humildade do profeta, 
que apesar de estar na plenitude do exercício de 
um ministério com a marca da chamada de 
Deus, reconhecia que necessitava do Senhor 
para tudo, até mesmo para andar nos seus 
caminhos, e não se desviar deles, e ser curado e 
livrado (v. 14). 
Somente o Senhor é a fonte de águas vivas (v. 13) 
então não será nenhum homem que poderá 
saciar a nossa sede de justiça. 
Jeremias não havia pedido ao Senhor que 
trouxesse qualquer mal sobre os judeus, mas 
eles estavam atribuindo a ele todo o mal que 
lhes estava sucedendo, e consideravam como 
suas próprias maldições todos os juízos que 
estava proferindo contra o pecado deles. 
132 
Todavia, ele lhes falara da parte do Senhor, com 
temor e tremor, de maneira que lhe pediu que 
fosse o seu refúgio no dia da calamidade como 
vinha sendo até então, e que não fosse achado 
tal como eles, digno de estar sob o espanto das 
ameaças de Deus. 
 
“1 O pecado de Judá está escrito com um 
ponteiro de ferro; com ponta de diamante está 
gravado na tábua do seu coração e nas pontas 
dos seus altares; 
2 enquanto seus filhos se lembram dos seus 
altares, e dos seus aserins, junto às árvores 
frondosas, sobre os altos outeiros, 
3 nas montanhas no campo aberto, a tua riqueza 
e todos os teus tesouros dá-los-ei como despojo 
por causa do pecado, em todos os teus termos. 
4 Assim tu, por ti mesmo, te privarás da tua 
herança que te dei; e far-te-ei servir os teus 
inimigos, na terra que não conheces; porque 
acendeste um fogo na minha ira, o qual arderá 
para sempre. 
5 Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia 
no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o 
seu coração do Senhor! 
6 Pois é como o junípero no deserto, e não verá 
vir bem algum; antes morará nos lugares secos 
do deserto, em terra salgada e inabitada. 
7 Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja 
esperança é o Senhor. 
8 Porque é como a árvore plantada junto às 
águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, 
e não receia quando vem o calor, mas a sua folha 
133 
fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, 
nem deixa de dar fruto. 
9 Enganoso é o coração, mais do que todas as 
coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? 
10 Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo 
o coração; e isso para dar a cada um segundo os 
seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. 
11 Como a perdiz que ajunta pintainhos que não 
são do seu ninho, assim é aquele que ajunta 
riquezas, mas não retamente; no meio de seus 
dias as deixará, e no seu fim se mostrará 
insensato. 
12 Um trono glorioso, posto bem alto desde o 
princípio, é o lugar do nosso santuário. 
13 Ó Senhor, esperança de Israel, todos aqueles 
que te abandonarem serão envergonhados. Os 
que se apartam de ti serão escritos sobre a terra; 
porque abandonam o Senhor, a fonte das águas 
vivas. 
14 Cura-me, ó Senhor, e serei curado; salva-me, 
e serei salvo; pois tu és o meu louvor. 
15 Eis que eles me dizem: Onde está a palavra do 
Senhor? venha agora. 
16 Quanto a mim, não instei contigo para 
enviares sobre eles o mal, nem tampouco 
desejei o dia calamitoso; tu o sabes; o que saiu 
dos meus lábios estava diante de tua face. 
17 Não me sejas por espanto; meu refúgio és tu 
no dia da calamidade. 
18 Envergonhem-se os que me perseguem, mas 
não me envergonhe eu; assombrem-se eles, 
mas não me assombre eu; traze sobre eles o dia 
da calamidade, e destrói-os com dobrada 
destruição. 
134 
19 Assim me disse o Senhor: Vai, e põe-te na 
porta de Benjamim, pela qual entram os reis de 
Judá, e pela qual saem, como também em todas 
as portas de Jerusalém. 
20 E dize-lhes: Ouvi a palavra do Senhor, vós, reis 
de Judá e todoo Judá, e todos os moradores de 
Jerusalém, que entrais por estas portas; 
21 assim diz o Senhor: Guardai-vos a vós 
mesmos, e não tragais cargas no dia de sábado, 
nem as introduzais pelas portas de Jerusalém; 
22 nem tireis cargas de vossas casas no dia de 
sábado, nem façais trabalho algum; antes 
santificai o dia de sábado, como eu ordenei a 
vossos pais. 
23 Mas eles não escutaram, nem inclinaram os 
seus ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, 
para não ouvirem, e para não receberem 
instrução. 
24 Mas se vós diligentemente me ouvirdes, diz o 
Senhor, não introduzindo cargas pelas portas 
desta cidade no dia de sábado, e santificardes o 
dia de sábado, não fazendo nele trabalho algum, 
25 então entrarão pelas portas desta cidade reis 
e príncipes, que se assentem sobre o trono de 
Davi, andando em carros e montados em 
cavalos, eles e seus príncipes, os homens de 
Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade 
será para sempre habitada. 
26 E virão das cidades de Judá, e dos arredores 
de Jerusalém, e da terra de Benjamim, e da 
planície, e da região montanhosa, e do e sul, 
trazendo à casa do Senhor holocaustos, e 
sacrifícios, e ofertas de cereais, e incenso, 
trazendo também sacrifícios de ação de graças. 
135 
27 Mas, se não me ouvirdes, para santificardes o 
dia de sábado, e para não trazerdes carga 
alguma, quando entrardes pelas portas de 
Jerusalém no dia de sábado, então acenderei 
fogo nas suas portas, o qual consumirá os 
palácios de Jerusalém, e não se apagará.”. 
(Jeremias 17.1-27) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
136 
Jeremias 18 
 
O Vaso do Oleiro em seu Contexto 
 
Desde o início do ministério de Jeremias Deus 
estava falando sobre destruição, e Jeremias 
sobre livramento e misericórdia. 
Então, à medida que lhe foi sendo revelada pelo 
Senhor qual era o caráter da sua nação, e como 
conspiravam contra a verdade, contra Deus e 
contra o próprio Jeremias, para lhe fazer mal e 
até matá-lo, apesar dele estar procurando 
somente o bem dos judeus, então ele passou a 
entrar em sintonia com a vontade de Deus, 
desde o capítulo anterior, falando também em 
destruição. 
Ele não estava mais pedindo por livramento 
para os judeus, mas a destruição dos ímpios que 
havia no povo do Senhor. 
Para muitos pastores, o exercício da disciplina 
ordenada por Cristo para ser realizada por eles 
na Igreja parece uma coisa estranha e muito 
dura por algum tempo, senão ao longo de todo o 
ministério deles. 
Mas à medida que amadurecem no Senhor, e 
percebem o quanto é necessária a disciplina e a 
correção dos cristãos, através da admoestação, 
repreensão, e até mesmo da exclusão, então 
passam a sintonizar com a vontade do Senhor 
para o seu povo, que não deve ser deixado 
entregue a si mesmo e às suas luxúrias. 
137 
A única condição para a reconciliação com o 
Senhor, para a obtenção do seu favor, bênção e 
perdão é o arrependimento. 
Isto vale não somente para Israel como para 
qualquer nação. 
Porque se o Senhor anunciasse juízos contra 
uma nação só haveria um modo de escapar de 
tais juízos, a saber, pelo arrependimento, tal 
como haviam feito os ninivitas nos dias de Jonas. 
Todavia, como poderia se mostrar favorável 
para com Israel, que apesar de serem o povo da 
aliança, recusavam se arrepender de suas más 
obras, e não somente isto, a matarem os 
profetas que lhes eram enviados por Deus? 
Porventura os assírios intentaram tirar a vida de 
Jonas, tal como os judeus estavam tencionando 
fazer com Jeremias? 
Como poderiam então ser perdoados pelo 
Senhor? 
Por isso Jeremias foi levado por ordem de Deus 
à casa do oleiro, e quando lá chegou viu um vaso 
que havia sido quebrado em suas mãos, ser 
refeito por ele. 
Ora, se um oleiro podia refazer um vaso de barro 
que se quebrou, quanto mais o Senhor não é 
poderosos para restaurar os vasos de barro que 
somos nós? 
Então se Judá não estava sendo restaurado não 
era por falta de vontade ou de poder da parte de 
Deus, mas porque eles próprios se recusavam a 
se arrepender, e diferentemente do barro que 
permaneceu submisso nas mãos do oleiro para 
ser refeito, eles fugiam da presença do grande 
Oleiro para não serem restaurados por Ele. 
138 
“1 A palavra que veio do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
2 Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei 
ouvir as minhas palavras. 
3 Desci, pois, à casa do oleiro, e eis que ele estava 
ocupado com a sua obra sobre as rodas. 
4 Como o vaso, que ele fazia de barro, se 
estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele 
outro vaso, conforme pareceu bem aos seus 
olhos fazer. 
5 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
6 Não poderei eu fazer de vós como fez este 
oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, 
como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na 
minha mão, ó casa de Israel. 
7 Se em qualquer tempo eu falar acerca duma 
nação, e acerca dum reino, para arrancar, para 
derribar e para destruir, 
8 e se aquela nação, contra a qual falar, se 
converter da sua maldade, também eu me 
arrependerei do mal que intentava fazer-lhe. 
9 E se em qualquer tempo eu falar acerca duma 
nação e acerca dum reino, para edificar e para 
plantar, 
10 se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não 
dando ouvidos à minha voz, então me 
arrependerei do bem que lhe intentava fazer. 
11 Ora pois, fala agora aos homens de Judá, e aos 
moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o 
senhor: Eis que estou forjando mal contra vós, e 
projeto um plano contra vós; convertei-vos pois 
agora cada um do seu mau caminho, e emendai 
os vossos caminhos e as vossas ações. 
139 
12 Mas eles dizem: Não há esperança; porque 
após os nossos projetos andaremos, e cada um 
fará segundo o propósito obstinado do seu mau 
coração. 
13 Portanto assim diz o Senhor: Perguntai agora 
entre as nações quem ouviu tais coisas? coisa 
mui horrenda fez a virgem de Israel! 
14 Acaso desaparece a neve do Líbano dos 
penhascos do Siriom? Serão esgotadas as águas 
frias que vêm dos montes? 
15 Contudo o meu povo se tem esquecido de 
mim, queimando incenso a deuses falsos; 
fizeram-se tropeçar nos seus caminhos, e nas 
veredas antigas, para que andassem por atalhos 
não aplainados; 
16 para fazerem da sua terra objeto de espanto e 
de perpétuos assobios; todo aquele que passa 
por ela se espanta, e meneia a cabeça. 
17 Com vento oriental os espalharei diante do 
inimigo; mostrar-lhes-ei as costas e não o rosto, 
no dia da sua calamidade. 
18 Então disseram: Vinde, e maquinemos 
projetos contra Jeremias; pois não perecerá a lei 
do sacerdote, nem o conselho do sábio, nem a 
palavra do profeta. Vinde, e ataquemo-lo com a 
língua, e não atendamos a nenhuma das suas 
palavras. 
19 Atende-me, ó Senhor, e ouve a voz dos que 
contendem comigo. 
20 Porventura pagar-se-á mal por bem? 
Contudo cavaram uma cova para a minha vida. 
Lembra-te de que eu compareci na tua 
presença, para falar a favor deles, para desviar 
deles a tua indignação. 
140 
21 Portanto entrega seus filhos à fome, e 
entrega-os ao poder da espada, e sejam suas 
mulheres roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; 
e sejam seus maridos feridos de morte, e os seus 
jovens mortos à espada na peleja. 
22 Seja ouvido o clamor que vem de suas casas, 
quando de repente trouxeres tropas sobre eles; 
porque cavaram uma cova para prender-me e 
armaram laços aos meus pés. 
23 Mas tu, ó Senhor, sabes todo o seu conselho 
contra mim para matar-me. Não perdoes a sua 
iniquidade, nem apagues o seu pecado de diante 
da tua face; mas sejam transtornados diante de 
ti; trata-os assim no tempo da tua ira.”. (Jeremias 
18.1-23) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
141 
Jeremias 19 
 
Como os israelitas estavam oferecendo suas 
crianças em sacrifício a Moloque no vale de 
Hinom (v. 4,5), então o Senhor ordenou a 
Jeremias que comprasse um vaso de oleiro, e 
que se dirigisse a HInom, também conhecido 
porTofete, e que se fizesse acompanhar por 
alguns dos anciãos de Judá, e que protestasse 
contra eles contra o sangue destes inocentes 
que estavam sendo oferecidos em holocausto 
naquele vale, e que por isso o Senhor faria uma 
matança terrível naquele lugar, de maneira que 
não seria mais chamado de Hinom ou Tofete, 
mas vale da Matança, porque encheria aquele 
vale com os corpos dos judeus que seriam 
mortos pelos babilônios. 
Além disso, durante o longo cerco que eles 
fariam sitiando Jerusalém, antes de conquistá-
la, a forme seria tanta que comeriam a carne de 
seus próprios filhos. Já que aqueles anciãos 
estavam sendo indiferentes para as 
abominações que eram praticadas naquele vale 
contra a vida de criancinhas inocentes, então 
eles mesmos experimentariam o horror de 
terem que se devorar uns aos outros, comendo 
carne humana para que alguns pudessem 
sobreviver. 
Depois de pronunciadas tais sentenças, o 
Senhor ordenou a Jeremias que lançasse o vaso 
de barro no precipício, na direção do vale, para 
que ele se quebrasse em vários pedaços que se 
142 
espalhariam por todas as partes do vale, porque 
o mesmo seria feito com aqueles judeus 
idólatras e ímpios que se recusavam a se 
arrepender de suas más obras. 
Eles não seriam jamais restaurados pelo 
Senhor, tal como não poderia ser feito em 
relação àquele vaso que foi quebrado à vista de 
todos eles. 
Assim como os pedaços daquele vaso quebrado 
ficariam para sempre em Tofete, de igual modo 
seria para lá que os babilônios levariam os 
corpos dos judeus que seriam mortos por eles, 
porque não haveria onde sepultá-los, e aquele 
lugar se tornaria imundo perante o Senhor, 
cheio de cadáveres, que ficariam naquele vale 
para sempre tal como o vaso que havia sido 
quebrado. 
Seus corpos seriam levados de Jerusalém para 
aquele local, tal como Jeremias havia feito com 
o vaso que havia sido levado de Jerusalém para 
Tofete para ali ser quebrado e deixado. 
Quando Jeremias retornou de Tofete para 
Jerusalém, ele se pôs de pé no átrio do templo, e 
pregou a seguinte mensagem ao povo: 
“Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Eis que trarei sobre esta cidade, e sobre 
todas as suas cercanias, todo o mal que 
pronunciei contra ela, porquanto endureceram 
a sua cerviz, para não ouvirem as minhas 
palavras.” (v. 15). 
A proclamação não era uma chamada ao 
arrependimento, mas a promulgação de uma 
sentença inapelável, porque os judeus haviam 
143 
endurecido a sua cerviz e se recusavam a ouvir 
as palavras do Senhor. 
 
“1 Assim disse o Senhor: Vai, e compra uma 
botija de oleiro, e leva contigo alguns anciãos do 
povo e alguns anciãos dos sacerdotes; 
2 e sai ao vale do filho de Hinom, que está à 
entrada da Porta Harsite, e apregoa ali as 
palavras que eu te disser; 
3 e dirás: Ouvi a palavra do Senhor, ó reis de 
Judá, e moradores de Jerusalém. Assim diz o 
Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis que 
trarei sobre este lugar uma calamidade tal que 
fará retinir os ouvidos de quem quer que dela 
ouvir. 
4 Porquanto me deixaram, e profanaram este 
lugar, queimando nele incenso a outros deuses, 
que nunca conheceram, nem eles nem seus 
pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar 
de sangue de inocentes. 
5 E edificaram os altos de Baal, para queimarem 
seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que 
nunca lhes ordenei, nem falei, nem entrou no 
meu pensamento. 
6 Por isso eis que dias vêm, diz o Senhor, em que 
este lugar não se chamará mais Tofete, nem o 
vale do filho de Hinom, mas o vale da matança. 
7 E tornarei vão o conselho de Judá e de 
Jerusalém neste lugar, e os farei cair à espada 
diante de seus inimigos e pela mão dos que 
procuram tirar-lhes a vida. Darei os seus 
cadáveres por pasto as aves do céu e aos animais 
da terra. 
144 
8 E farei esta cidade objeto de espanto e de 
assobios; todo aquele que passar por ela se 
espantará, e assobiará, por causa de todas as 
suas pragas. 
9 E lhes farei comer a carne de seus filhos, e a 
carne de suas filhas, e comerá cada um a carne 
do seu próximo, no cerco e no aperto em que os 
apertarão os seus inimigos, e os que procuram 
tirar-lhes a vida. 
10 Então quebrarás a botija à vista dos homens 
que foram contigo, 
11 e lhes dirás: Assim diz o Senhor dos exércitos: 
Deste modo quebrarei eu a este povo, e a esta 
cidade, como se quebra o vaso do oleiro, de sorte 
que não pode mais refazer-se; e os enterrarão 
em Tofete, porque não haverá outro lugar para 
os enterrar. 
12 Assim farei a este lugar e aos seus moradores, 
diz o Senhor; sim, porei esta cidade como Tofete. 
13 E as casas de Jerusalém, e as casas dos reis de 
Judá, serão imundas como o lugar de Tofete, 
como também todas as casas, sobre cujos 
terraços queimaram incenso a todo o exército 
dos céus, e ofereceram libações a deuses 
estranhos. 
14 Então voltou Jeremias de Tofete, aonde o 
tinha enviado o Senhor a profetizar; e pôs-se em 
pé no átrio da casa do Senhor, e disse a todo o 
povo: 
15 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Eis que trarei sobre esta cidade, e sobre 
todas as suas cercanias, todo o mal que 
pronunciei contra ela, porquanto endureceram 
145 
a sua cerviz, para não ouvirem as minhas 
palavras.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
146 
Jeremias 20 
 
Preservado no Meio do Fogaréu 
 
Quando Jeremias profetizou contra Judá no 
átrio do templo, conforme registro no capítulo 
19, Pasur, que era o sacerdote administrador do 
templo prendeu Jeremias num tronco e só o 
soltou de lá no dia seguinte. 
Então Jeremias lhe disse que o seu nome não 
seria mais Pasur, que significa liberdade, mas 
Magor-Missabibe, que significa terror por todos 
os lados. 
Ele lhe deu aquele nome por ordem do Senhor, 
porque Ele faria de Pasur um terror para si 
mesmo, e para todos os seus amigos, porque 
eles cairiam à espada de seus inimigos, e os 
olhos dele veriam isto. 
Ele veria também Judá sendo entregue na mão 
do rei de Babilônia para serem cativos, e muitos 
serem mortos à espada, bem como as riquezas 
da cidade de Jerusalém, e o próprio Pasur e 
todos os da sua casa iriam para o cativeiro, para 
ser morto longe da sua própria terra, e ali seria 
sepultado com todos os seus amigos, aos quais 
havia profetizado falsamente que sempre 
haveria paz em Jerusalém. 
Com isto saberia que a palavra de Deus na boca 
de Jeremias era a verdade. 
Ele seria obrigado a ver todas estas coisas, e não 
lhe seria permitido ter uma morte rápida em 
Jerusalém, quando a cidade fosse tomada pelos 
babilônios. 
147 
Jeremias mais uma vez se queixou ao Senhor das 
tribulações que estava sofrendo por causa das 
mensagens que lhe estava dando para serem 
proferidas contra Judá. 
Acabara de ser preso num tronco e de ser 
escarnecido pelos judeus. 
O Senhor disse que o livraria dos seus 
adversários, e no entanto estava se tornando 
não somente objeto do escárnio deles, como até 
mesmo Deus estava permitindo que ele fosse 
preso. 
Ele não estava inteirado tanto quanto o apóstolo 
Paulo, por exemplo, que estava previsto por 
Deus que a sua obra avançaria no mundo no 
meio de resistências e perseguições, que seriam 
levantadas por Satanás, para tentar paralisar a 
perda de pessoas sob o seu domínio, em razão da 
pregação da verdade do evangelho. 
Todavia, tal como Paulo, Jeremias, a par de todos 
os sofrimentos e tribulações que estivesse 
padecendo, não conseguia deixar de proclamar 
a Palavra do Senhor, que apesar de fazer dele um 
objeto de escárnio e vergonha para os seus 
perseguidores, era como um fogo que queimava 
de forma ardente no seu coração, e como 
estivesse apegado aos seus ossos, e estava 
cansado em contê-lo, de maneira que só acharia 
descanso para a sua alma quando liberasse a 
Palavra que lhe fosse dada por Deus. 
Então ele começou a amadurecer quanto ao 
desígnio de Deus, e a aceitá-lo, porque apesar de 
ouvir que muitosestavam conspirando contra a 
sua vida, podia afirmar agora que o Senhor 
estava com ele como um guerreiro valente, e 
148 
por isso os seus perseguidores é que 
tropeçariam e não poderiam prevalecer contra 
ele, porque ficariam confundidos, de forma que 
não poderiam ter êxito, de modo que entregou a 
sua causa nas mãos do Senhor, para que fosse o 
seu vingador contra aqueles que intentavam o 
mal contra a sua vida, quando estava buscando 
somente o bem para eles. 
Então pôde entoar no Espírito o seguinte cântico 
de louvor e livramento, porque como o Senhor 
lhe havia dito, caso fosse paciente na tribulação, 
e separasse o precioso do vil, se convertendo a 
Ele, seria a sua própria boca: 
 “Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou 
a alma do necessitado da mão dos malfeitores.” 
(v. 13) 
Todavia ainda se achava muito desconfortado 
pelas tribulações e angústias que estava 
sofrendo, e não conseguiu abafar a queixa que 
havia no seu peito. 
Só que agora não estava murmurando porque 
não estava se queixando de Deus, mas a Deus, 
considerando que maldito tinha sido o dia em 
que ele havia nascido, e que não fosse portanto, 
bendito o dia em que sua mãe lho dera à luz. 
E considerou também maldito quem havia dado 
as novas do seu nascimento a seu pai, se 
alegrando grandemente com isto, porque não 
sabia, todo o sofrimento que lhe estava 
reservado para experimentar em sua vida, como 
profeta do Senhor. 
Tal era a angústia do profeta quando proferiu 
estas palavras que alegou preferir ter morrido 
como um aborto no ventre de sua mãe. 
149 
O fato de ter sido dado à luz só serviu para que 
experimentasse trabalho e tristeza e para que se 
consumissem na vergonha os seus dias. 
Desta vez o Senhor não repreendeu Jeremias e 
permaneceu em silêncio diante do desabafo de 
sua alma, porque era a sinceridade daquilo que 
estava realmente sentindo, e não atribuiu ao 
Senhor nenhuma falta ou injustiça, por tudo o 
que estava sofrendo. 
Ele estava sendo experimentado nos 
sofrimentos que aperfeiçoam a fé. 
E à medida que esta aumentasse ele aprenderia 
tal como Paulo a se regozijar na tribulação. 
Com isto aprendemos que experiências são 
intransferíveis, e cada um levará o seu próprio 
fardo diante do Senhor, e aprenderá dele, a seu 
próprio tempo, o que for necessário ao seu 
crescimento espiritual. 
 
“1 Ora Pasur, filho de Imer, o sacerdote, que era 
superintendente da casa do Senhor, ouviu 
Jeremias profetizar estas coisas. 
2 Então feriu Pasur ao profeta Jeremias, e o 
meteu no tronco que está na porta superior de 
Benjamim, na casa do Senhor. 
3 No dia seguinte, quando Pasur o tirou do 
tronco Jeremias lhe disse: O Senhor não te 
chama Pasur, mas Magor-Missabibe. 
4 Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti 
um terror para ti mesmo, e para todos os teus 
amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e 
teus olhos o verão. Entregarei Judá todo na mão 
do rei de Babilônia; ele os levará cativos para 
Babilônia, e mata-los-á à espada. 
150 
5 Também entregarei todas as riquezas desta 
cidade, todos os seus lucros, e todas as suas 
coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis 
de Judá na mão de seus inimigos, que os 
saquearão e, tomando-os, os levarão a Babilônia. 
6 E tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa 
ireis para o cativeiro; e virás para Babilônia, e ali 
morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos os 
teus amigos, aos quais profetizaste falsamente. 
7 Persuadiste-me, ó Senhor, e deixei-me 
persuadir; mais forte foste do que eu, e 
prevaleceste; sirvo de escárnio o dia todo; cada 
um deles zomba de mim. 
8 Pois sempre que falo, grito, clamo: Violência e 
destruição; porque se tornou a palavra do 
Senhor um opróbrio para mim, e um ludíbrio o 
dia todo. 
9 Se eu disser: Não farei menção dele, e não 
falarei mais no seu nome, então há no meu 
coração um como fogo ardente, encerrado nos 
meus ossos, e estou fatigado de contê-lo, e não 
posso mais. 
10 Pois ouço a difamação de muitos, terror por 
todos os lados! Denunciai-o! Denunciemo-lo! 
dizem todos os meus íntimos amigos, 
aguardando o meu manquejar; bem pode ser 
que se deixe enganar; então prevaleceremos 
contra ele e nos vingaremos dele. 
11 Mas o Senhor está comigo como um 
guerreiro valente; por isso tropeçarão os meus 
perseguidores, e não prevalecerão; ficarão 
muito confundidos, porque não alcançarão 
êxito, sim, terão uma confusão perpétua que 
nunca será esquecida. 
151 
12 Tu pois, ó Senhor dos exércitos, que provas o 
justo, e vês os pensamentos e o coração, permite 
que eu veja a tua vingança sobre eles; porque te 
confiei a minha causa. 
13 Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois 
livrou a alma do necessitado da mão dos 
malfeitores. 
14 Maldito o dia em que nasci; não seja bendito 
o dia em que minha mãe me deu à luz. 
15 Maldito o homem que deu as novas a meu pai, 
dizendo: Nasceu-te um filho, alegrando-o com 
isso grandemente. 
16 E seja esse homem como as cidades que o 
senhor destruiu sem piedade; e ouça ele um 
clamor pela manhã, e um alarido ao meio-dia. 
17 Por que não me matou na madre? assim 
minha mãe teria sido a minha sepultura, e teria 
ficado grávida perpetuamente! 
18 Por que saí da madre, para ver trabalho e 
tristeza, e para que se consumam na vergonha 
os meus dias?”. (Jeremias 20.1-18) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
152 
Jeremias 21 
 
Este capítulo foi escrito quando os babilônios 
haviam começado a sitiar a cidade de Jerusalém 
nos dias do rei Zedequias. Este foi o último rei de 
Judá, porque foi nos seus dias que ocorreu a 
última leva de cativeiros para Babilônia, e a 
destruição de Jerusalém, e do templo. 
Jeremias havia começado o seu ministério nos 
dias do rei Josias, e o reinado deste, foi seguido 
por estes reis, na seguinte ordem: Jeoacaz, 
Jeoaquim, Joaquim e Zedequias. 
Jeoacaz, filho de Josias reinou apenas três 
meses, porque faraó Neco o prendeu e o levou 
para o Egito, colocando para reinar em seu 
lugar, o outro filho de Josias, chamado 
Jeoaquim. Foi nos dias deste Jeoaquim, que 
Nabucodonosor fizera a primeira leva de cativos 
para Babilônia, em 605 a. C. Foi durante esta 
primeira leva de cativos que os profetas Daniel e 
Ezequiel, e muitos nobres de Judá foram levados 
para Babilônia. 
Jeoaquim foi morto, e passou a reinar no seu 
lugar, o seu filho Joaquim, mas o babilônios o 
deixaram no poder por apenas três meses, 
porque o deportaram para Babilônia com os 
nobres de Judá, porque ele se rendeu a 
Nabucodonosor. 
No seu lugar foi constituído rei, seu tio paterno, 
chamado Matanias, cujo nome, Nabucodonosor 
mudou para Zedequias. Ele reinou doze anos 
debaixo do poder de Nabucodonozor, mas tendo 
este descoberto que estava conspirando contra 
153 
ele, especialmente com o Egito, veio novamente 
contra Jerusalém para destruí-la. Contudo, 
impôs um sítio à cidade que durou cerca de dois 
anos, e por isso nós vemos Zedequias 
consultando o profeta Jeremias se Deus lhe 
livraria da destruição, porque pensava que o 
longo tempo de cerco tinha algo a ver com o 
poder da cidade para resistir, no entanto, era um 
juízo de Deus para que a forme, a sede e a peste 
se agravassem e muito no interior de Jerusalém. 
Estas informações históricas podem ser lidas 
em II Reis 24, 25. 
Então, nós vemos neste capítulo, o rei 
Zedequias, enviando Pasur e Sofonias (não o 
profeta) a Jeremais, para perguntar-lhe se Deus 
livraria Judá do cerco que estava sofrendo da 
parte do rei Nabucodonosor, de Babilônia, 
fazendo com que ele voltasse para a sua terra (v. 
2). 
É provável que o Pasur aqui citado não se trate 
do mesmo que havia prendido Jeremias no 
tronco, como vimos no capítulo anterior (20), 
porque deste se diz ser filho de Malquias, e 
aquele, filho de Imer. 
A resposta que Deus mandou dar a Zedequias 
era que não haveria livramento porque era Ele 
próprio que estava incitando as armas de guerra 
de Babilônia contra eles, e feriria os habitantes 
deJerusalém, até mesmo os animais que nela 
havia. 
Além da morte pela espada dos babilônios, 
haveria peste e fome na cidade, e os que 
escapassem da morte seriam entregues na mão 
de Nabucodonosor, e das nações inimigas que 
154 
estavam coligadas a ele, como por exemplo os 
edomitas, seriam mortos por eles. Entretanto, 
aqueles que saíssem da cidade se rendendo 
voluntariamente a Nabucodonosor, inclusive o 
próprio rei, teriam suas vidas poupadas por ele. 
Quanto à soberba do rei de Judá, que julgava que 
as muralhas de Jerusalém o protegeriam, o 
Senhor lhe ordenou que se humilhasse e 
passasse a praticar a justiça livrando o espoliado 
da mão do opressor, porque em caso contrário, 
o Senhor castigaria o rei e a sua corte ímpia, por 
causa do fruto mau das ações deles. 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias da parte do 
Senhor, quando o rei Zedequias lhe enviou 
Pasur, filho de Malquias, e Sofonias, filho de 
Maaseias, o sacerdote, dizendo: 
2 Pergunta agora por nós ao Senhor, por que 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, guerreia 
contra nós; porventura o Senhor nos tratará 
segundo todas as suas maravilhas, e fará que o 
rei se retire de nós. 
3 Então Jeremias lhes respondeu: Assim direis a 
Zedequias: 
4 Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eis que 
virarei contra vos as armas de guerra, que estão 
nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o 
rei de Babilônia e contra os caldeus, que vos 
estão sitiando ao redor dos muros, e ajunta-los-
ei no meio desta cidade. 
5 E eu mesmo pelejarei contra vós com mão 
estendida, e com braço forte, e em ira, e em 
furor, e em grande indignação. 
 
155 
6 E ferirei os habitantes desta cidade, tanto os 
homens como os animais; de grande peste 
morrerão. 
7 E depois disso, diz o Senhor, entregarei 
Zedequias, rei de Judá, e seus servos, e o povo, e 
os que desta cidade restarem da peste, e da 
espada, e da fome, sim entrega-los-ei na mão de 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão de 
seus inimigos, e na mão dos que procuram tirar-
lhes a vida; e ele os passará ao fio da espada; não 
os poupará, nem se compadecerá, nem terá 
misericórdia. 
8 E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que 
ponho diante de vós o caminho da vida e o 
caminho da morte. 
9 O que ficar nesta cidade há de morrer à 
espada, ou de fome, ou de peste; mas o que sair, 
e se render aos caldeus, que vos cercam, viverá, 
e terá a sua vida por despojo. 
10 Porque pus o meu rosto contra esta cidade 
para mal, e não para bem, diz o Senhor; na mão 
do rei de Babilônia se entregará, e ele a 
queimará a fogo. 
11 E à casa do rei de Judá dirás: Ouvi a palavra do 
Senhor: 
12 O casa de Davi, assim diz o Senhor: Executai 
justiça pela manhã, e livrai o espoliado da mão 
do opressor, para que não saia o meu furor como 
fogo, e se acenda, sem que haja quem o apague, 
por causa da maldade de vossas ações. 
13 Eis que eu sou contra ti, ó moradora do vale, ó 
rocha da campina, diz o Senhor; contra vós que 
dizeis: Quem descerá contra nós? ou: Quem 
entrará nas nossas moradas? 
156 
14 E eu vos castigarei segundo o fruto das vossas 
ações, diz o Senhor; e no seu bosque acenderei 
fogo que consumirá a tudo o que está em redor 
dela.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
157 
Jeremias 22 
 
Os juízos pronunciados neste capítulo contra 
Salum, ou Conias, que se trata da mesma pessoa, 
a saber, o rei Joaquim que foi levado cativo para 
Babilônia, receberam tal destaque porque ele foi 
o último descendente direto de Davi a ocupar o 
trono de Judá, e por isso foi também poupado da 
morte pela misericórdia do Senhor, mas foi 
levado em cativeiro para Babilônia, e de lá nunca 
mais voltaria para Jerusalém, conforme 
pronunciado contra ele pelo Senhor. 
Como se vê em II Reis 25, Deus foi 
misericordioso para com ele no final da sua 
vida, conforme podemos ver no registro dos 
versos 27 a 30, nos quais é descrita a bondade 
que o novo rei de Babilônia, Evil-Merodaque, 
filho de Nabudodonosor, tivera para com o rei 
Joaquim que se encontrava no cativeiro há 37 
anos, sendo libertado por este da sua prisão 
domiciliar e sendo conduzido a uma posição de 
honra no reino de Babilônia, recebeu um trono 
que estava acima de todos os demais tronos dos 
reis vassalos das demais nações, que se 
encontravam em Babilônia, e é dito que ele se 
sentou à mesa da corte real até o último dia da 
sua vida. 
Todavia, como enquanto reinava, tanto ele, 
quanto seu pai Jeoaquim, antes dele, não 
andaram nos caminhos do Senhor, por isso lhes 
sobreveio tal juízo da sua parte, sendo que em 
relação a Jeoaquim, não foi permitido pelo 
Senhor que tivesse um funeral honrado de um 
158 
rei, e sequer deveria ser pranteado, e haver luta 
em Judá por causa dele. 
Da maldade de Jeoaquim, disse o Senhor: 
“Falei contigo no tempo da tua prosperidade; 
mas tu disseste: Não escutarei. Este tem sido o 
teu caminho, desde a tua mocidade, o não 
obedeceres à minha voz.” (v. 21) 
Foi este rei que lançou o livro escrito por 
Jeremias no fogo para ser queimado, depois de 
tê-lo rasgado, tendo que ser reescrito por 
Baruque (Jer 36.22-31). 
De Joaquim, se diz que não teria sucessor no 
trono de Judá, como de fato nunca mais ocorreu, 
porque a linha sucessória de pai para filho ficara 
interrompida a partir dele, de modo que 
Zedequias, seu tio paterno, seria o último rei de 
Judá. 
Ora, tudo isto deixaria os judeus que ainda 
ficassem na terra de Judá, depois das assolações 
produzidas por Babilônia, e não somente eles, 
como os que estavam no cativeiro, desolados, 
porque já não haveria mais reis em Judá. 
Todavia, para consolá-los, nós veremos no 
capítulo seguinte (23,5,6) a promessa que Deus 
lhes fizera de que seria levantado um Rei justo 
sobre os judeus no futuro, que seria o Salvador 
deles, e sob o qual estariam seguros. 
 
“1 Assim diz o Senhor: Desce à casa do rei de 
Judá, e anuncia ali esta palavra. 
2 E dize: Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, 
que te assentas no trono de Davi; ouvi, tu, e os 
teus servos, e o teu povo, que entrais por estas 
portas. 
159 
3 Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, 
e livrai o espoliado da mão do opressor. Não 
façais nenhum mal ou violência ao estrangeiro, 
nem ao órfão, nem a viúva; não derrameis 
sangue inocente neste lugar. 
4 Pois se deveras cumprirdes esta palavra, 
entrarão pelas portas desta casa reis que se 
assentem sobre o trono de Davi, andando em 
carros e montados em cavalos, eles, e os seus 
servos, e o seu povo. 
5 Mas se não derdes ouvidos a estas palavras, 
por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que 
esta casa se tornará em assolação. 
6 Pois assim diz o Senhor acerca da casa do rei 
de Judá: Tu és para mim Gileade, e a cabeça do 
Líbano; todavia certamente farei de ti um 
deserto e cidades desabitadas. 
7 E prepararei contra ti destruidores, cada um 
com as suas armas; os quais cortarão os teus 
cedros escolhidos, e os lançarão no fogo. 
8 E muitas nações passarão por esta cidade, e 
dirá cada um ao seu companheiro: Por que 
procedeu o Senhor assim com esta grande 
cidade? 
9 Então responderão: Porque deixaram o pacto 
do Senhor seu Deus, e adoraram a outros 
deuses, e os serviram. 
10 Não choreis o morto, nem o lastimeis; mas 
chorai amargamente aquele que sai; porque não 
voltará mais, nem verá a terra onde nasceu. 
11 Pois assim diz o Senhor acerca de Salum, filho 
de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de 
Josias seu pai, que saiu deste lugar: Nunca mais 
voltará para cá, 
160 
12 mas no lugar para onde o levaram cativo 
morrerá, e nunca mais verá esta terra. 
13 Ai daquele que edifica a sua casa com 
iniquidade, e os seus aposentos com injustiça; 
que se serve do trabalho do seu próximo sem 
remunerá-lo, e não lhe dá o salário; 
14 que diz: Edificarei para mim uma casa 
espaçosa, e aposentos largos; e que lhe abre 
janelas, forrando-a de cedro, e pintando-a de 
vermelhão. 
15 Acasoreinarás tu, porque procuras exceder 
no uso de cedro? O teu pai não comeu e bebeu, 
e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso lhe 
sucedeu bem. 
16 Julgou a causa do pobre e necessitado; então 
lhe sucedeu bem. Porventura não é isso 
conhecer-me? diz o Senhor. 
17 Mas os teus olhos e o teu coração não atentam 
senão para a tua ganância, e para derramar 
sangue inocente, e para praticar a opressão e a 
violência. 
18 Portanto assim diz o Senhor acerca de 
Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não o 
lamentarão, dizendo: Ai, meu irmão! ou: Ai, 
minha irmã! nem o lamentarão, dizendo: Ai, 
Senhor! ou: Ai, sua majestade! 
19 Com a sepultura de jumento será sepultado, 
sendo arrastado e lançado fora das portas de 
Jerusalém. 
20 Sobe ao Líbano, e clama, e levanta a tua voz 
em Basã, e clama desde Abarim; porque são 
destruídos todos os teus namorados. 
21 Falei contigo no tempo da tua prosperidade; 
mas tu disseste: Não escutarei. Este tem sido o 
161 
teu caminho, desde a tua mocidade, o não 
obedeceres à minha voz. 
22 O vento apascentará todos os teus pastores, e 
os teus namorados irão para o cativeiro; 
certamente então te confundirás, 
23 e tu, que habitas no Líbano, aninhada nos 
cedros, como hás de gemer, quando te vierem as 
dores, os ais como da que está de parto! 
24 Vivo eu, diz o Senhor, ainda que Conias, filho 
de Jeoaquim, rei de Judá, fosse o anel do selo da 
minha mão direita, contudo eu dali te 
arrancaria; 
25 e te entregaria na mão dos que procuram 
tirar-te a vida, e na mão daqueles diante dos 
quais tu temes, a saber, na mão de 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, e na mão dos 
caldeus. 
26 A ti e a tua mãe, que te deu à luz, lançar-vos-
ei para uma terra estranha, em que não 
nascestes, e ali morrereis. 
27 Mas à terra para a qual eles almejam voltar, 
para lá não voltarão. 
28 E este homem Conias algum vaso desprezado 
e quebrado, um vaso de que ninguém se agrada? 
Por que razão foram ele e a sua linhagem 
arremessados e arrojados para uma terra que 
não conhecem? 
29 Ó terra, terra, terra; ouve a palavra do Senhor. 
30 Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem 
fica sem filhos, homem que não prosperará nos 
seus dias; pois nenhum da sua linhagem 
prosperará para assentar-se sobre o trono de 
Davi e reinar daqui em diante em Judá.” 
 
162 
Jeremias 23 
 
Senhor Justiça Nossa 
 
No capítulo 23 de Jeremias o Senhor repreende 
a infidelidade e a corrupção dos sacerdotes e 
anciãos de Israel (pastores do povo naquela 
dispensação) e os profetas que falavam em seu 
nome sem terem sido levantados por Ele, os 
quais haviam feito o seu povo se desviar da sua 
presença. 
O protesto de Deus se fundamenta no fato deles 
nunca terem ensinado a sua Palavra, conforme 
fora revelada e escrita para eles, senão, aquilo 
que eles afirmavam ser a sua Palavra, quando na 
verdade, era a própria palavra deles, ensinada 
para atender aos seus propósitos cobiçosos, 
interesseiros, carnais e egoístas. 
Isto pode ser visto claramente nas palavras de 
repreensão dirigidas contra eles como as da 
seguinte passagem: 
“28 O profeta que tem um sonho conte o sonho; 
e aquele que tem a minha palavra, fale fielmente 
a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? 
diz o Senhor. 
29 Não é a minha palavra como fogo, diz o 
Senhor, e como um martelo que esmiúça a 
pedra? 
30 Portanto, eis que eu sou contra os profetas, 
diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, 
cada um ao seu próximo. 
163 
31 Eis que eu sou contra os profetas, diz o 
Senhor, que usam de sua própria linguagem, e 
dizem: Ele disse.” (Jer 23.28-31). 
O efeito que era produzido no povo, de andarem 
contrariamente com o Senhor, era uma prova 
evidente de que a vida e o ensino destes pastores 
e profetas não eram segundo a verdadeira 
Palavra de Deus, porque o efeito dela é sempre o 
de produzir temor e santidade no seu povo, 
como o próprio Senhor se expressou em relação 
a isto da seguinte maneira: 
“21 Não mandei esses profetas, contudo eles 
foram correndo; não lhes falei a eles, todavia 
eles profetizaram. 
22 Mas se tivessem assistido ao meu conselho, 
então teriam feito o meu povo ouvir as minhas 
palavras, e o teriam desviado do seu mau 
caminho, e da maldade das suas ações.” (v. 
21,22). 
O que eles ensinavam e profetizavam não 
provinha do céu senão dos seus próprios 
corações enganosos e corrompidos: 
“25 Tenho ouvido o que dizem esses profetas 
que profetizam mentiras em meu nome, 
dizendo: Sonhei, sonhei. 
26 Até quando se achará isso no coração dos 
profetas que profetizam mentiras, e que 
profetizam do engano do seu próprio coração? 
27 Os quais cuidam fazer com que o meu povo se 
esqueça do meu nome pelos seus sonhos que 
cada um conta ao seu próximo, assim como seus 
pais se esqueceram do meu nome por causa de 
Baal.” 
164 
Isto é um grande alerta para os ministros do 
evangelho, para que não incorram no mesmo 
erro deles, deixando de pregar a genuína 
Palavra do Senhor, no poder do Espírito. 
Quando se desvia deste rumo os resultados 
sempre serão funestos. 
Há muitos sonhadores que desejam conduzir a 
Igreja de Cristo pelas visões do seu próprio 
coração, afirmando que são revelações 
recebidas da parte de Deus. 
Se estas visões não estiverem de acordo com a 
Palavra revelada na Bíblia, em gênero, número e 
grau, em vez de serem proclamadas, devem ser 
esquecidas e abominadas, porque não será 
apenas o povo que será prejudicado por elas, 
mas o próprio Deus terá a sua ira despertada 
contra tais pastores ou profetas, como se vê 
neste capítulo de Jeremias. 
Como o quadro que havia prevalecido em Israel 
por séculos, sempre foi este de o povo não 
receber a devida instrução por parte da grande 
maioria de seus pastores e profetas, então o 
Senhor mesmo seria o Pastor do seu povo, e o 
faria através de pastores que estariam debaixo 
da justiça de um Rei justo que procederia da 
descendência de Davi, nosso Senhor Jesus 
Cristo, e estando assim justificados por Ele, 
tanto eles, seus pastores, quanto o rebanho de 
Deus sobre o qual seriam constituídos, seriam 
conhecidos pelo nome de O SENHOR JUSTIÇA 
NOSSA. 
Este Rei justo viria então a se manifestar em dias 
futuros para buscar as ovelhas perdidas da casa 
de Israel que haviam sido dispersadas por todos 
165 
os maus pastores e profetas que haviam 
presidido sobre elas. 
“3 E eu mesmo recolherei o resto das minhas 
ovelhas de todas as terras para onde as tiver 
afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e 
frutificarão, e se multiplicarão. 
4 E levantarei sobre elas pastores que as 
apascentem, e nunca mais temerão, nem se 
assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o 
Senhor. 
5 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que 
levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, 
reinará e procederá sabiamente, executando o 
juízo e a justiça na terra. 
6 Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará 
seguro; e este é o nome de que será chamado: O 
SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” (v.3 a 6). 
Esta promessa está vinculada à da Nova Aliança, 
constante do capítulo 31. 
 
“1 Ai dos pastores que destroem e dispersam as 
ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. 
2 Portanto assim diz o Senhor, o Deus de Israel, 
acerca dos pastores que apascentam o meu 
povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as 
afugentastes, e não as visitastes. Eis que visitarei 
sobre vós a maldade das vossas ações, diz o 
Senhor. 
3 E eu mesmo recolherei o resto das minhas 
ovelhas de todas as terras para onde as tiver 
afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e 
frutificarão, e se multiplicarão. 
4 E levantarei sobre elas pastores que as 
apascentem, e nunca mais temerão, nem se 
166 
assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o 
Senhor. 
5 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que 
levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, 
reinará e procederá sabiamente, executando o 
juízo e a justiça na terra. 
6 Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará 
seguro; e este é o nomede que será chamado: O 
SENHOR JUSTIÇA NOSSA. 
7 Portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em 
que nunca mais dirão: Vive o Senhor, que tirou 
os filhos de Israel da terra do Egito; 
8 mas: Vive o Senhor, que tirou e que trouxe a 
linhagem da casa de Israel da terra do norte, e 
de todas as terras para onde os tinha arrojado; e 
eles habitarão na sua terra. 
9 Quanto aos profetas. O meu coração está 
quebrantado dentro de mim; todos os meus 
ossos estremecem; sou como um homem 
embriagado, e como um homem vencido do 
vinho, por causa do Senhor, e por causa das suas 
santas palavras. 
10 Pois a terra está cheia de adúlteros; por causa 
da maldição a terra chora, e os pastos do deserto 
se secam. A sua carreira é má, e a sua força não 
é reta. 
11 Porque tanto o profeta como o sacerdote são 
profanos; até na minha casa achei a sua 
maldade, diz o Senhor. 
12 Portanto o seu caminho lhes será como 
veredas escorregadias na escuridão; serão 
empurrados e cairão nele; porque trarei sobre 
eles mal, o ano mesmo da sua punição, diz o 
Senhor. 
167 
13 Nos profetas de Samaria bem vi eu insensatez; 
profetizavam da parte de Baal, e faziam errar o 
meu povo Israel. 
14 Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa 
horrenda: cometem adultérios, e andam com 
falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, 
de sorte que não se convertam da sua maldade; 
eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e 
os moradores dela como Gomorra. 
15 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos 
acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer 
losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos 
profetas de Jerusalém saiu a contaminação 
sobre toda a terra. 
16 Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis 
ouvidos as palavras dos profetas, que vos 
profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam 
da visão do seu coração, não da boca do Senhor. 
17 Dizem continuamente aos que desprezam a 
palavra do Senhor: Paz tereis; e a todo o que anda 
na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal 
sobre vós. 
18 Pois quem dentre eles esteve no concílio do 
Senhor, para que percebesse e ouvisse a sua 
palavra, ou quem esteve atento e escutou a sua 
palavra? 
19 Eis a tempestade do Senhor! A sua 
indignação, qual tempestade devastadora, já 
saiu; descarregar-se-á sobre a cabeça dos 
ímpios. 
20 Não retrocederá a ira do Senhor, até que ele 
tenha executado e cumprido os seus desígnios. 
Nos últimos dias entendereis isso claramente. 
168 
21 Não mandei esses profetas, contudo eles 
foram correndo; não lhes falei a eles, todavia 
eles profetizaram. 
22 Mas se tivessem assistido ao meu conselho, 
então teriam feito o meu povo ouvir as minhas 
palavras, e o teriam desviado do seu mau 
caminho, e da maldade das suas ações. 
23 Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e 
não também Deus de longe? 
24 Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de 
modo que eu não o veja? diz o Senhor. 
Porventura não encho eu o céu e a terra? diz o 
Senhor. 
25 Tenho ouvido o que dizem esses profetas que 
profetizam mentiras em meu nome, dizendo: 
Sonhei, sonhei. 
26 Até quando se achará isso no coração dos 
profetas que profetizam mentiras, e que 
profetizam do engano do seu próprio coração? 
27 Os quais cuidam fazer com que o meu povo se 
esqueça do meu nome pelos seus sonhos que 
cada um conta ao seu próximo, assim como seus 
pais se esqueceram do meu nome por causa de 
Baal. 
28 O profeta que tem um sonho conte o sonho; e 
aquele que tem a minha palavra, fale fielmente 
a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? 
diz o Senhor. 
29 Não é a minha palavra como fogo, diz o 
Senhor, e como um martelo que esmiúça a 
pedra? 
30 Portanto, eis que eu sou contra os profetas, 
diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, 
cada um ao seu próximo. 
169 
31 Eis que eu sou contra os profetas, diz o 
Senhor, que usam de sua própria linguagem, e 
dizem: Ele disse. 
32 Eis que eu sou contra os que profetizam 
sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e 
fazem errar o meu povo com as suas mentiras e 
com a sua vã jactância; pois eu não os enviei, 
nem lhes dei ordem; e eles não trazem proveito 
algum a este povo, diz o Senhor. 
33 Quando pois te perguntar este povo, ou um 
profeta, ou um sacerdote, dizendo: Qual é a 
profecia do Senhor? Então lhes dirás: Qual a 
profecia! que eu vos arrojarei, diz o Senhor. 
34 E, quanto ao profeta, e ao sacerdote, e ao 
povo, que disser: A profecia do Senhor; eu 
castigarei aquele homem e a sua casa. 
35 Assim direis, cada um ao seu próximo, e cada 
um ao seu irmão: Que respondeu o Senhor? e: 
Que falou o Senhor? 
36 Mas nunca mais fareis menção da profecia do 
Senhor, porque a cada um lhe servirá de 
profecia a sua própria palavra; pois torceis as 
palavras do Deus vivo, do Senhor dos exércitos, 
o nosso Deus. 
37 Assim dirás ao profeta: Que te respondeu o 
Senhor? e: Que falou o Senhor? 
38 Se, porém, disserdes: A profecia do Senhor; 
assim diz o Senhor: Porque dizeis esta palavra: A 
profecia do Senhor, quando eu mandei dizer-
vos: Não direis: A profecia do Senhor; 
39 por isso, eis que certamente eu vos 
levantarei, e vos lançarei fora da minha 
presença, a vós e a cidade que vos dei a vós e a 
vossos pais; 
170 
40 e porei sobre vós perpétuo opróbrio, e eterna 
vergonha, que não será esquecida.” (Jeremias 
23.1-40) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
171 
Jeremias 24 
 
Obedecer a Deus é Vida 
 
A visão e profecia de Jeremias 24 foi dada por 
Deus ao profeta quando Zedequias começou a 
reinar no lugar de Joaquim, seu sobrinho, que 
havia sido levado preso para Babilônia. 
Destas se aprende que há vida quando se 
obedece a Deus mesmo na terra do cativeiro e da 
provação, e que há morte quando se lhe 
desobedece, ainda que se esteja liberdade na 
sua própria terra. 
Deus mostrou em visão a Jeremias, dois cestos 
de figos bem à frente do templo de Jerusalém, 
sendo que um deles continha figos bons para 
serem consumidos, e o outro figos 
completamente estragados. 
E o Senhor disse ao profeta que o cesto com os 
figos bons representava o povo que se 
encontrava no cativeiro em Babilônia, porque 
alguns entre eles, e toda a sua descendência 
seria poupada e retornariam a habitar em Judá, 
depois de passados os setenta anos de cativeiro. 
Todavia, o cesto com os figos ruins representava 
o rei Zedequias, os seus príncipes e o povo que 
ainda havia ficado em Jerusalém, porque o 
Senhor os rejeitaria de todo, tal como se faz com 
figos estragados, que para nada servem, e que 
por isso são lançados fora. 
A providência de Deus havia agido para que 
houvesse uma primeira leva de cativos para 
Babilônia em 605 a. C., para que pessoas retas 
172 
como Daniel e seus três amigos, Mesaque, 
Sadraque e Abdnego, bem como Ezequiel e 
tantos outros que se encontravam com eles, e 
que descenderiam deles, fossem poupados para 
retornarem para Judá, quando Babilônia caísse 
debaixo do poder dos medos e dos persas em 537 
a. C. 
Todavia, os que haviam ficado em Jerusalém, 
era a pior parte da nação, os que haviam 
conspirado com Zedequias, para 
permanecerem em Judá e em Jerusalém, 
pensando que estariam em segurança e debaixo 
do favor do rei de Babilônia. 
Contudo, eles haviam caído com as suas 
próprias artimanhas políticas e insídias na 
armadilha que o Senhor havia preparado para 
eles, porque ficariam sitiados e não somente 
viriam a ser mortos pela espada dos babilônios, 
como também passariam fome, sede, comeriam 
a seus próprios filhos para sobreviverem e 
também morreriam pela peste que tomaria 
conta da cidade de Jerusalém, que ficaria por 
longo tempo cercada pelos babilônios. 
Mas dos que seriam poupados pela misericórdia 
do Senhor, no cativeiro em Babilônia, é dito o 
seguinte: 
“6 Porei os meus olhos sobre eles, para seu bem, 
e os farei voltar a esta terra. Edifica-los-ei, e não 
os demolirei; e planta-los-ei, e não os arrancarei. 
7 E dar-lhes-ei coraçãopara que me conheçam, 
que eu sou o Senhor; e eles serão o meu povo, e 
eu serei o seu Deus; pois se voltarão para mim de 
todo o seu coração.” 
173 
O Senhor havia prometido que faria o bem a 
todos que se submetessem ao rei de Babilônia, 
se sujeitando ao juízo do cativeiro, que Ele havia 
determinado. 
Desta forma, aqueles que agissem contra esta 
vontade específica do Senhor, por procurarem 
fazer a própria vontade, tentando manter o 
status quo de suas vidas, não poderiam portanto, 
esperar o bem, senão males. 
Por isso nosso Senhor Jesus Cristo disse que 
aquele que estiver apegado à sua vida neste 
mundo, e por conseguinte, rejeitar a vida do céu 
por não amar o estilo de vida celestial, senão o 
mundano, há de perdê-la, mas todo aquele que 
desprezar este estilo de vida mundano, 
reconhecendo que convém se sujeitar ao que 
vem de Deus, que é puro e santo, há de preservar 
a sua vida. 
 
“1 Fez-me o Senhor ver, e vi dois cestos de figos, 
postos diante do templo do Senhor. Sucedeu 
isso depois que Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, levara em cativeiro a Jeconias, filho 
de Jeoaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, 
e os carpinteiros, e os ferreiros de Jerusalém, e 
os trouxera a Babilônia. 
2 Um cesto tinha figos muito bons, como os figos 
temporãos; mas o outro cesto tinha figos muito 
ruins, que não se podiam comer, de ruins que 
eram. 
3 E perguntou-me o Senhor: Que vês tu, 
Jeremias? E eu respondi: Figos; os figos bons, 
muito bons, e os ruins, muito ruins, que não se 
podem comer, de ruins que são. 
174 
4 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
5 Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Como a 
estes bons figos, assim atentarei com favor para 
os exilados de Judá, os quais eu enviei deste 
lugar para a terra dos caldeus. 
6 Porei os meus olhos sobre eles, para seu bem, 
e os farei voltar a esta terra. Edifica-los-ei, e não 
os demolirei; e planta-los-ei, e não os arrancarei. 
7 E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, 
que eu sou o Senhor; e eles serão o meu povo, e 
eu serei o seu Deus; pois se voltarão para mim de 
todo o seu coração. 
8 E como os figos ruins, que não se podem 
comer, de ruins que são, certamente assim diz o 
Senhor: Do mesmo modo entregarei Zedequias, 
rei de Judá, e os seus príncipes, e o resto de 
Jerusalém, que ficou de resto nesta terra, e os 
que habitam na terra do Egito; 
9 eu farei que sejam espetáculo horrendo, uma 
ofensa para todos os reinos da terra, um 
opróbrio e provérbio, um escárnio, e uma 
maldição em todos os lugares para onde os 
arrojarei. 
10 E enviarei entre eles a espada, a fome e a 
peste, até que sejam consumidos de sobre a 
terra que lhes dei a eles e a seus pais.” (Jeremias 
24.1-10) 
 
 
 
 
 
 
 
175 
Jeremias 25 
 
Esta profecia havia sido dada a Jeremias antes 
da visão que ele tivera nos dias do rei Ezequias, e 
que se encontra registrada no capítulo anterior, 
porque se refere aos dias do rei Jeoaquim, mais 
especificamente, o quarto ano do seu reinado, 
que correspondia ao primeiro ano em que 
Nabucodonosor começou a reinar em Babilônia 
(v. 1). 
Há vinte e três anos Jeremias vinha 
profetizando, como ele próprio afirma no verso 
3, e que eles não haviam escutado a Palavra do 
Senhor que estava sendo falada através da sua 
boca. 
Não somente ele havia profetizado aos judeus 
como outros profetas, como por exemplo Isaías, 
Sofonias, Oseias, Miqueias, dentre outros, mas 
também não deram ouvidos ao que eles lhes 
haviam profetizado, especialmente quanto a 
chamá-los ao arrependimento, para que 
continuassem habitando em paz na terra que 
Deus lhes havia dado por promessa (v. 5). 
Como não tinham escutado as palavras do 
Senhor, então Ele os entregaria, conforme havia 
prometido fazer, na mão do rei de Babilônia, que 
agiria como estando a seu serviço, para o 
propósito de castigar a impiedade das nações, 
especialmente do seu próprio povo, os judeus. 
Durante setenta anos Babilônia dominaria 
sobre as nações da terra, porque este seria o 
tempo determinado por Deus para a existência 
176 
daquele reino, que seria dominado no final dos 
setenta anos, pelos medos e pelos persas. 
Durante a dominação dos babilônias, as nações 
seriam desoladas, e cessaria entre elas a voz de 
alegria, especialmente de suas festas, inclusive 
de casamentos. 
A própria Babilônia, cumpridos os setenta anos, 
seria também submetida ao mesmo juízo do 
Senhor, porque seria feito dela uma desolação, 
por causa da sua iniquidade. Sendo que no caso 
de Babilônia, deixaria de ser nação, conforme o 
conselho determinado do Senhor. Todavia, 
Israel, permaneceria perante Ele para sempre. 
Conforme o Senhor havia dito a Jeremias no 
início do seu ministério que ele estava sendo 
chamado a profetizar sobre muitas nações, para 
levantar e para derrubar, para plantar e para 
arrancar, estava ocorrendo de fato, porque pela 
sua palavra na boca de Jeremias, tudo o que foi 
profetizado contra Babilônia sucedeu tal como 
havia sido profetizado, e não somente contra 
ela, bem como a todas as demais nações contra 
as quais pronunciou os seus juízos através do 
profeta. 
Então, além de Judá e Babilônia, foram 
nomeados os reinos que tomariam do cálice do 
furor do Senhor que havia sido colocado na mão 
de Jeremias para ser derramado sobre eles, com 
as palavras desta profecia, como se vê nos 
seguintes versículos: 
“19 a Faraó, rei do Egito, e a seus servos, e a seus 
príncipes, e a todo o seu povo; 
20 e a todo o povo misto, e a todos os reis da terra 
de Uz, e a todos os reis da terra dos filisteus, a 
177 
Asquelom, a Gaza, a Ecrom, e ao que resta de 
Asdode; 
21 e a Edom, a Moabe, e aos filhos de Amom; 
22 e a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de 
Sidom, e aos reis das terras dalém do mar; 
23 a Dedã, a Tema, a Buz e a todos os que habitam 
nos últimos cantos da terra; 
24 a todos os reis da Arábia, e a todos os reis do 
povo misto que habita no deserto; 
25 a todos os reis de Zinri, a todos os reis de Elão, 
e a todos os reis da Média; 
26 a todos os reis do Norte, os de perto e os de 
longe, tanto um como o outro, e a todos os 
reinos da terra, que estão sobre a face da terra; e 
o rei de Sesaque beberá depois deles. 
27 Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos 
exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embebedai-
vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar, por 
causa da espada que eu vos enviarei. 
28 Se recusarem tomar o copo da tua mão para 
beber, então lhes dirás: Assim diz o Senhor dos 
exércitos: Certamente bebereis. 
29 Pois eis que sobre a cidade que se chama pelo 
meu nome, eu começo a trazer a calamidade; e 
haveis vós de ficar totalmente impunes? Não 
ficareis impunes; porque eu chamo a espada 
sobre todos os moradores da terra, diz o Senhor 
dos exércitos.” 
O leão que seria levantado por Deus, Babilônia, 
sairia do seu covil e destruiria tanto os maus 
pastores como o próprio rebanho de Judá, que 
havia se corrompido juntamente com eles, e isto 
ocorreria nos dias do rei Zedequias, que viria 
178 
ainda a reinar depois de Jeoaquim, durante cujo 
reinado foi dada esta profecia a Jeremias. 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o 
povo de Judá, no ano quarto de Jeoaquim, filho 
de Josias, rei de Judá (que era o primeiro ano de 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, 
2 a qual anunciou o profeta Jeremias a todo o 
povo de Judá, e a todos os habitantes de 
Jerusalém, dizendo: 
3 Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei 
de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três 
anos, tem vindo a mim a palavra do Senhor, e vo-
la tenho anunciado, falando-vos 
insistentemente; mas vós não tendes escutado. 
4 Também o Senhor vos tem enviado com 
insistência todos os seus servos, os profetas mas 
vós não escutastes, nem inclinastes os vossos 
ouvidos para ouvir, 
5 quando vos diziam: Convertei-vos agora cada 
um do seu mau caminho, e da maldade das suas 
ações, e habitai na terra que o Senhor vos deu ea vossos pais, desde os tempos antigos e para 
sempre; 
6 e não andeis após deuses alheios para os 
servirdes, e para os adorardes, nem me 
provoqueis à ira com a obra de vossas mãos; e 
não vos farei mal algum. 
7 Todavia não me escutastes, diz o Senhor, mas 
me provocastes à ira com a obra de vossas mãos, 
para vosso mal. 
8 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos: 
Visto que não escutastes as minhas palavras 
179 
9 eis que eu enviarei, e tomarei a todas as 
famílias do Norte, diz o Senhor, como também a 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e 
os trarei sobre esta terra, e sobre os seus 
moradores, e sobre todas estas nações em redor. 
e os destruirei totalmente, e farei que sejam 
objeto de espanto, e de assobio, e de perpétuo 
opróbrio. 
10 E farei cessar dentre eles a voz de gozo e a voz 
de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, o som 
das mós e a luz do candeeiro. 
11 E toda esta terra virá a ser uma desolação e um 
espanto; e estas nações servirão ao rei de 
Babilônia setenta anos. 
12 Acontecerá, porém, que quando se 
cumprirem os setenta anos, castigarei o rei de 
Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando 
a sua iniquidade, e a terra dos caldeus; farei dela 
uma desolação perpetua. 
13 E trarei sobre aquela terra todas as minhas 
palavras, que tenho proferido contra ela, tudo 
quanto está escrito neste livro, que profetizou 
Jeremias contra todas as nações. 
14 Porque deles, sim, deles mesmos muitas 
nações e grandes reis farão escravos; assim lhes 
retribuirei segundo os seus feitos, e segundo as 
obras das suas mãos. 
15 Pois assim me disse o Senhor, o Deus de 
Israel: Toma da minha mão este cálice do vinho 
de furor, e faze que dele bebam todas as nações, 
às quais eu te enviar. 
16 Beberão, e cambalearão, e enlouquecerão, 
por causa da espada, que eu enviarei entre eles. 
180 
17 Então tomei o cálice da mão do Senhor, e fiz 
que bebessem todas as nações, às quais o 
Senhor me enviou: 
18 a Jerusalém, e às cidades de Judá, e aos seus 
reis, e aos seus príncipes, para fazer deles uma 
desolação, um espanto, um assobio e uma 
maldição, como hoje se vê; 
19 a Faraó, rei do Egito, e a seus servos, e a seus 
príncipes, e a todo o seu povo; 
20 e a todo o povo misto, e a todos os reis da terra 
de Uz, e a todos os reis da terra dos filisteus, a 
Asquelom, a Gaza, a Ecrom, e ao que resta de 
Asdode; 
21 e a Edom, a Moabe, e aos filhos de Amom; 
22 e a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de 
Sidom, e aos reis das terras dalém do mar; 
23 a Dedã, a Tema, a Buz e a todos os que habitam 
nos últimos cantos da terra; 
24 a todos os reis da Arábia, e a todos os reis do 
povo misto que habita no deserto; 
25 a todos os reis de Zinri, a todos os reis de Elão, 
e a todos os reis da Média; 
26 a todos os reis do Norte, os de perto e os de 
longe, tanto um como o outro, e a todos os 
reinos da terra, que estão sobre a face da terra; e 
o rei de Sesaque beberá depois deles. 
27 Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos 
exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embebedai-
vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar, por 
causa da espada que eu vos enviarei. 
28 Se recusarem tomar o copo da tua mão para 
beber, então lhes dirás: Assim diz o Senhor dos 
exércitos: Certamente bebereis. 
181 
29 Pois eis que sobre a cidade que se chama pelo 
meu nome, eu começo a trazer a calamidade; e 
haveis vós de ficar totalmente impunes? Não 
ficareis impunes; porque eu chamo a espada 
sobre todos os moradores da terra, diz o Senhor 
dos exércitos. 
30 Tu pois lhes profetizarás todas estas palavras, 
e lhes dirás: O Senhor desde o alto bramirá, e 
fará ouvir a sua voz desde a sua santa morada; 
bramirá fortemente contra a sua habitação; dará 
brados, como os que pisam as uvas, contra todos 
os moradores da terra. 
31 Chegará o estrondo até a extremidade da 
terra, porque o Senhor tem contenda com as 
nações, entrará em juízo com toda a carne; 
quanto aos ímpios, ele os entregará a espada, diz 
o Senhor. 
32 Assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que o 
mal passa de nação para nação, e grande 
tempestade se levantará dos confins da terra. 
33 E os mortos do Senhor naquele dia se 
encontrarão desde uma extremidade da terra 
até a outra; não serão pranteados, nem 
recolhidos, nem sepultados; mas serão como 
esterco sobre a superfície da terra. 
34 Uivai, pastores, e clamai; e revolvei-vos na 
cinza, vós que sois os principais do rebanho; pois 
já se cumpriram os vossos dias para serdes 
mortos, e eu vos despedaçarei, e vós então 
caireis como carneiros escolhidos. 
35 E não haverá refúgio para os pastores, nem 
lugar para onde escaparem os principais do 
rebanho. 
182 
36 Eis a voz de grito dos pastores, o uivo dos 
principais do rebanho; porque o Senhor está 
devastando o pasto deles. 
37 E as suas malhadas pacíficas são reduzidas a 
silêncio, por causa do furor da ira do Senhor. 
38 Deixou como leão o seu covil; porque a sua 
terra se tornou em desolação, por causa do furor 
do opressor, e por causa do furor da sua ira.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
183 
Jeremias 26 
 
Os fatos narrados neste capítulo sucederam no 
início do reinado de Jeoaquim, quando o Senhor 
enviou Jeremias a pregar no átrio do templo 
contra Jerusalém e contra o próprio templo, e o 
prenderam conduzindo-o à presença do rei para 
que fosse morto, por ter proferido tais palavras. 
E os principais sacerdotes e anciãos, bem como 
todo o povo queriam matar Jeremias porque 
havia dito que Deus faria a Jerusalém e ao 
templo, o mesmo que fizera a Siló, nos dias do 
sumo sacerdote Eli. 
Todavia, Jeremias sustentou corajosamente 
diante de todos eles o que havia proferido, e que 
deveriam emendar as suas más ações para que 
achassem misericórdia da parte do Senhor. 
Então eles passaram a refletir com prudência, 
em favor de Jeremias, lembrando o perigo que 
haveria para todos eles se derramassem o 
sangue inocente de um profeta do Senhor, e 
lembraram de que o rei Ezequias nada fizera 
contra Miqueias quando profetizou contra a 
maldade dos judeus, antes, eles ouviram suas 
palavras. 
Um outro profeta chamado Urias, que estava 
sendo guardado pelo rei Jeoaquim para ser 
morto, não teve a mesma proteção da parte de 
Deus, que estava sobre Jeremias, porque não 
confirmou o que estava pregando, tal como 
Jeremias fizera, e mesmo tendo fugido para o 
Egito, o rei mandou que fossem em perseguição 
184 
dele, e conseguindo capturá-lo matou-o à 
espada. 
Mas Aicão, agiu de modo nobre, e estando na 
mesma condição de Jeremias e Urias, não fugiu 
à responsabilidade e à coragem de defender a 
verdade, e ficou do lado de Jeremias, e por isso 
não foi morto, porque achou favor da parte do 
Senhor (v. 21 a 24). 
Urias tentou salvar a sua vida e morreu. Aicão se 
dispôs a perder a vida por amor à verdade e foi 
poupado. Isto nos faz lembrar das palavras de 
nosso Senhor: 
“pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; 
mas quem perder a sua vida por amor de mim, 
acha-la-á.” (Mt 16.25) 
A fuga de Urias para poupar a própria vida 
poderia comprometer o que havia dito, porque 
não é comum que profetas do Senhor não 
afirmem a verdade que pregaram em face do 
perigo da morte, e isto colocaria a Palavra 
proferida em dúvida, como tendo sido 
procedente de fato da parte do Senhor, e por isso 
foi permitido por Deus que lhe viesse tal juízo, de 
maneira a demonstrar que não havia aprovado a 
atitude do profeta. 
 
“1 No princípio do reino de Jeoaquim, filho de 
Josias, rei de Judá, veio da parte do Senhor esta 
palavra, dizendo: 
2 Assim diz o Senhor: Põe-te no átrio da casa do 
Senhor e dize a todas as cidades de Judá que vêm 
adorar na casa do Senhor, todas as palavras que 
te mando que lhes fales; não omitas uma só 
palavra. 
185 
3 Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada 
um do seu mau caminho, para que eu desista do 
mal que intento fazer-lhes por causa damaldade 
das suas ações. 
4 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor: Se não me 
derdes ouvidos para andardes na minha lei, que 
pus diante de vós, 
5 e para ouvirdes as palavras dos meus servos, os 
profetas, que eu com insistência vos envio, mas 
não ouvistes; 
6 então farei que esta casa seja como Siló, e farei 
desta cidade uma maldição para todas as nações 
da terra. 
7 E ouviram os sacerdotes, e os profetas, e todo o 
povo, a Jeremias, anunciando estas palavras na 
casa do Senhor. 
8 Tendo Jeremias acabado de dizer tudo quanto 
o Senhor lhe havia ordenado que dissesse a todo 
o povo, pegaram nele os sacerdotes, e os 
profetas, e todo o povo, dizendo: Certamente 
morrerás. 
9 Por que profetizaste em nome do Senhor, 
dizendo: Será como Siló esta casa, e esta cidade 
ficará assolada e desabitada? E ajuntou-se todo o 
povo contra Jeremias, na casa do Senhor. 
10 Quando os príncipes de Judá ouviram estas 
coisas, subiram da casa do rei à casa do Senhor, 
e se assentaram à entrada da porta nova do 
Senhor. 
11 Então falaram os sacerdotes e os profetas aos 
príncipes e a todo povo, dizendo: Este homem é 
réu de morte, porque profetizou contra esta 
cidade, como ouvistes com os vossos próprios 
ouvidos. 
186 
12 E falou Jeremias a todos os príncipes e a todo 
o povo, dizendo: O Senhor enviou-me a 
profetizar contra esta casa, e contra esta cidade, 
todas as palavras que ouvistes. 
13 Agora, pois, melhorai os vossos caminhos e as 
vossas ações, e ouvi a voz do Senhor vosso Deus, 
e o Senhor desistirá do mal que falou contra vós. 
14 Quanto a mim, eis que estou nas vossas mãos; 
fazei de mim conforme o que for bom e reto aos 
vossos olhos. 
15 Sabei, porém, com certeza que, se me 
matardes a mim, trareis sangue inocente sobre 
vós, e sobre esta cidade, e sobre os seus 
habitantes; porque, na verdade, o Senhor me 
enviou a vós, para dizer aos vossos ouvidos todas 
estas palavras. 
16 Então disseram os príncipes e todo o povo aos 
sacerdotes e aos profetas: Este homem não é réu 
de morte, porque em nome do Senhor, nosso 
Deus, nos falou. 
17 Também se levantaram alguns dos anciãos da 
terra, e falaram a toda a assembleia do povo, 
dizendo: 
18 Miqueias, o morastita, profetizou nos dias de 
Ezequias, rei de Judá, e falou a todo o povo de 
Judá, dizendo: Assim diz o Senhor dos exércitos: 
Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém 
se tornará em montões de ruínas, e o monte 
desta casa como os altos de um bosque. 
19 Mataram-no, porventura, Ezequias, rei de 
Judá, e todo o Judá? Antes não temeu este ao 
Senhor, e não implorou o favor do Senhor? e não 
se arrependeu o Senhor do mal que falara 
187 
contra eles? Mas nós estamos fazendo um 
grande mal contra as nossas almas. 
20 Também houve outro homem que 
profetizava em nome do Senhor: Urias, filho de 
Semaías, de Quiriate-Jearim, o qual profetizou 
contra esta cidade, e contra esta terra, conforme 
todas as palavras de Jeremias; 
21 e quando o rei Jeoaquim, e todos os seus 
valentes, e todos os príncipes, ouviram as 
palavras dele, procurou o rei matá-lo; mas 
quando Urias o ouviu, temeu, e fugiu, e foi para 
o Egito; 
22 mas o rei Jeoaquim enviou ao Egito certos 
homens; Elnatã, filho de Acbor, e outros com 
ele, 
23 os quais tiraram a Urias do Egito, e o 
trouxeram ao rei Jeoaquim, que o matou à 
espada, e lançou o seu cadáver nas sepulturas da 
plebe. 
24 Porém Aicão, filho de Safã, deu apoio a 
Jeremias, de sorte que não foi entregue na mão 
do povo, para ser morto.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
188 
Jeremias 27 
 
Esta profecia foi dada no início do reinado de 
Zedequias, quando uma embaixada de Edom, 
Moabe, Amon, Tiro e Sidom, viera ter com ele 
em Jerusalém, provavelmente na ocasião das 
cerimônias da sua entronização, e quando 
procuraram conspirar contra o rei de Babilônia, 
porque falsos profetas estavam profetizando 
para estes reis as visões e oráculos de que eles 
sacudiriam o jugo do rei de Babilônia que estava 
sobre eles. 
Então o Senhor ordenou a Jeremias que 
preparasse correias e canzis, e mandou que ele 
os desse àqueles embaixadores para que fossem 
levados aos respectivos reis, dizendo-lhes que 
usassem o jugo do rei de Babilônia, porque toda 
a nação que se recusasse a servi-lo, seria 
destruída. 
É importante observar que estas mesmas 
nações que tentaram conspirar com Zedequias 
contra Babilônia, haviam se juntado a ela para 
virem contra Jerusalém, no cerco de quase dois 
anos que eles fizeram contra a referida cidade. 
Eles fizeram isto não por terem dado crédito à 
profecia de Jeremias, mas por motivo de 
dissimulação, para que não chegasse ao 
conhecimento do rei de Babilônia que estavam 
conspirando contra ele. 
Entretanto, de nada adiantou se coligarem a ele, 
porque, conforme estava determinado pelo 
Senhor, eles viriam também a ser destruídos 
por ele, depois de ter dominado Jerusalém e ter 
189 
feito contra ela, tudo o que o Senhor dissera 
através de Jeremias, especialmente quanto à 
destruição do templo, e da remoção do demais 
utensílios sagrados que haviam sido lá deixados, 
por terem sido poupados quando os vasos do 
templo foram destruído na primeira leva de 
cativos em 605 a. C. nos dias de Jeoaquim, como 
uma forma de retribuição do Senhor às 
perversidades do referido rei. 
Tão grande é a misericórdia do Senhor, que nós 
vemos que logo no início do reinado de 
Zedequias, Ele tentou ainda fazer com que 
muitos fossem poupados em Jerusalém, por 
ouvirem a sua palavra, rendendo-se 
voluntariamente ao rei de Babilônia para serem 
poupados, mas o orgulho deles e 
endurecimento no pecado, e apego às suas 
riquezas que haviam juntado em Jerusalém não 
lhes permitiria uma tal coisa, e assim correram 
com seus próprios pés de encontro à destruição, 
quando poderiam ter-se poupado dela. 
De igual modo, quando um crente rebelde é 
admoestado e repreendido por seus líderes, que 
lhes falam pelo Espírito, para se arrepender e a 
voltar para o Senhor, e não lhes dá ouvidos, ele 
fica sujeito à correção da Aliança, sem a qual o 
Senhor não deixará a nenhum de seus filhos, até 
o ponto extremo de serem considerados gentios 
e publicanos, ou serem entregues a Satanás 
para a destruição da carne, para que o espírito 
seja salvo no dia do Senhor. 
 
190 
“1 No princípio do reinado de Zedequias, filho de 
Josias, rei de Judá, veio esta palavra a Jeremias da 
parte do Senhor, dizendo: 
2 Assim me disse o Senhor: Faze-te correias e 
canzis e põe-nos ao teu pescoço. 
3 Depois envia-os ao rei de Edom, e ao rei de 
Moabe, e ao rei dos filhos de Amom, e ao rei de 
Tiro, e ao rei de Sidom, pela mão dos 
mensageiros que são vindos a Jerusalém a ter 
com zedequias, rei de Judá; 
4 e lhes darás uma mensagem para seus 
senhores, dizendo: Assim diz o Senhor dos 
exércitos, o Deus de Israel: Assim direis a vossos 
senhores: 
5 Sou eu que, com o meu grande poder e o meu 
braço estendido, fiz a terra com os homens e os 
animais que estão sobre a face da terra; e a dou a 
quem me apraz. 
6 E agora eu entreguei todas estas terras na mão 
de Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo; 
e ainda até os animais do campo lhe dei, para 
que o sirvam. 
7 Todas as nações o servirão a ele, e a seu filho, e 
ao filho de seu filho, até que venha o tempo da 
sua própria terra; e então muitas nações e 
grandes reis se servirão dele. 
8 A nação e o reino que não servirem a 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, e que não 
puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de 
Babilônia, punirei com a espada, com a fome, e 
com a peste a essa nação, diz o Senhor, até que 
eu os tenha consumido pela mão dele. 
9 Não deis ouvidos, pois, aos vossos profetas, e 
aos vossos adivinhadores, e aos vossos sonhos, e 
191 
aos vossos agoureiros, e aos vossos 
encantadores, que vos dizem: Não servireis o rei 
de Babilônia; 
10 porque vos profetizam a mentira, para serdes 
removidos para longe da vossa terra, e eu vos 
expulsarei dela, e vós perecereis.11 Mas a nação que meter o seu pescoço sob o 
jugo do rei de Babilônia, e o servir, eu a deixarei 
na sua terra, diz o Senhor; e lavra-la-á e habitará 
nela. 
12 E falei com Zedequias, rei de Judá, conforme 
todas estas palavras: Metei os vossos pescoços 
no jugo do rei de Babilônia, e servi-o, a ele e ao 
seu povo, e vivei. 
13 Por que morrereis tu e o teu povo, à espada, 
de fome, e de peste, como o Senhor disse acerca 
da nação que não servir ao rei de Babilônia? 
14 Não deis ouvidos às palavras dos profetas que 
vos dizem: Não servireis ao rei de Babilônia; 
porque vos profetizam a mentira. 
15 Pois não os enviei, diz o Senhor, mas eles 
profetizam falsamente em meu nome; para que 
eu vos lance fora, e venhais a perecer, vós e os 
profetas que vos profetizam. 
16 Então falei aos sacerdotes, e a todo este povo, 
dizendo: Assim diz o Senhor: Não deis ouvidos às 
palavras dos vossos profetas, que vos profetizam 
dizendo: Eis que os utensílios da casa do senhor 
cedo voltarão de Babilônia; pois eles vos 
profetizam a mentira. 
17 Não lhes deis ouvidos; servi ao rei de 
Babilônia, e vivei. Por que se tornaria esta cidade 
em assolação? 
192 
18 Se, porém, são profetas, e se está com eles a 
palavra do Senhor, intercedam agora junto ao 
Senhor dos exércitos, para que os utensílios que 
ficaram na casa do Senhor, e na casa do rei de 
Judá, e em Jerusalém, não vão para Babilônia. 
19 Pois assim diz o Senhor dos exércitos acerca 
das colunas, e do mar, e das bases, e dos demais 
utensílios que ficaram na cidade, 
20 os quais Nabucodonosor, rei de Babilônia, 
não levou, quando transportou de Jerusalém 
para Babilônia a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei 
de Judá, como também a todos os nobres de Judá 
e de Jerusalém; 
21 assim pois diz o Senhor dos exércitos, o Deus 
de Israel, acerca dos utensílios que ficaram na 
casa do Senhor, e na casa do rei de Judá, e em 
Jerusalém: 
22 Para Babilônia serão levados, e ali ficarão até 
o dia em que eu os visitar, diz o Senhor; então os 
farei subir, e os restituirei a este lugar.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
193 
Jeremias 28 
 
A narrativa deste capítulo é uma continuação 
da narrativa do capítulo anterior, porque 
Jeremias ainda se encontrava com um dos 
canzis em seu próprio pescoço, quando veio ter 
com ele o profeta Hananias, desdizendo tudo o 
que Jeremias havia profetizado e fazendo 
promessas falsas de paz para Jerusalém, e ao 
tirar o jugo de madeira que estava no pescoço de 
Jeremias, o quebrou, dizendo que era aquilo que 
o Senhor faria dentro de dois anos a Babilônia, 
porque quebraria o jugo que ela estava impondo 
às nações, e que os utensílios do templo seriam 
trazidos de volta, bem como o rei Joaquim e 
todos os que se encontravam com ele no 
cativeiro. 
A resposta de Deus para Hananias, foi a de que 
não lhe havia enviado, e que portanto, não 
somente a palavra que dissera por Jeremias 
seria mantida, porque em vez de jugo de 
madeira, faria um jugo de ferro para as nações 
sob o domínio de Babilônia, e que Hananias 
morreria naquele mesmo ano, e isto ocorreu 
apenas dois meses depois de ter sido proferido 
contra ele tal juízo. 
Tais evidências que o Senhor estava dando aos 
judeus de que estava de fato falando através de 
Jeremias seria o suficiente para que eles se 
arrependessem e atendessem à sua palavra 
relativa a que se rendessem ao rei de Babilônia 
para que fossem poupados, mas eles estavam 
endurecidos o bastante para fazê-lo. 
194 
Não é incomum que isto ocorra a crentes que 
permaneçam durante muito tempo afastados de 
Deus, porque por maiores que sejam os 
milagres e as evidências de que Deus é com os 
servos que lhes tem enviado para a restauração 
deles, geralmente permanecem cegos e 
endurecidos, por causa do pecado do orgulho 
que não permite que se humilhem perante o 
Senhor e se arrependam dos seus pecados 
convertendo-se a Ele. 
 
“1 E sucedeu no mesmo ano, no princípio do 
reinado de Zedequias, rei de Judá, no ano quarto, 
no mês quinto, que Hananias, filho de Azur, o 
profeta de Gibeão, me falou, na casa do Senhor, 
na presença dos sacerdotes e de todo o povo 
dizendo: 
2 Assim fala o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel, dizendo: Eu quebrarei o jugo do rei de 
Babilônia. 
3 Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este 
lugar todos os utensílios da casa do Senhor, que 
deste lugar tomou Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, levando-os para Babilônia. 
4 Também a Jeconias, filho de Jeoaquim rei de 
Judá, e a todos os do cativeiro de, Judá, que 
entraram em Babilônia, eu os tornarei a trazer a 
este lugar, diz o Senhor; porque hei de quebrar o 
jugo do rei de Babilônia. 
5 Então falou o profeta Jeremias ao profeta 
Hananias, na presença dos sacerdotes, e na 
presença de todo o povo que estava na casa do 
Senhor. 
195 
6 Disse pois Jeremias, o profeta: Amém! assim 
faça o Senhor; cumpra o Senhor as tuas 
palavras, que profetizaste, e torne ele a trazer os 
utensílios da casa do Senhor, e todos os do 
cativeiro, de Babilônia para este lugar. 
7 Mas ouve agora esta palavra, que eu falo aos 
teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: 
8 Os profetas que houve antes de mim e antes de 
ti, desde a antiguidade, profetizaram contra 
muitos países e contra grandes reinos, acerca de 
guerra, de fome e de peste. 
9 Quanto ao profeta que profetizar de paz, 
quando se cumprir a palavra desse profeta, 
então será conhecido que o Senhor na verdade 
enviou o profeta. 
10 Então o profeta Hananias tomou o canzil do 
pescoço do profeta Jeremias e o quebrou. 
11 E falou Hananias na presença de todo o povo, 
dizendo: Isto diz o Senhor: Assim dentro de dois 
anos quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, de sobre o pescoço de todas as 
nações. E Jeremias, o profeta, se foi seu 
caminho. 
12 Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
depois de ter o profeta Hananias quebrado o 
jugo de sobre o pescoço do profeta Jeremias, 
dizendo: 
13 Vai, e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o 
Senhor: Jugos de madeira quebraste, mas em 
vez deles farei jugos de ferro 
14 Pois assim diz o Senhor dos exércitos o Deus 
de Israel Jugo de ferro pus sobre o, pescoço de 
todas estas nações, para servirem a 
196 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, e o servirão; e 
até os animais do campo lhe dei. 
15 Então disse o profeta Jeremias ao profeta 
Hananias: Ouve agora, Hananias: O Senhor não 
te enviou, mas tu fazes que este povo confie 
numa mentira. 
16 Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te 
lançarei de sobre a face da terra. Este ano 
morrerás, porque pregaste rebelião contra o 
Senhor. 
17 Morreu, pois, Hananias, o profeta, no mesmo 
ano, no sétimo mês.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
197 
Jeremias 29 
 
Nos dias do rei Ezequias, o Senhor deu a 
Jeremias as palavras que deveriam ser 
registradas numa carta para ser enviada aos 
judeus que se encontravam no cativeiro em 
Babilônia, palavras estas que se encontram nos 
versos 4 a 28. 
O propósito principal da carta era o de 
demonstrar que a condição dos judeus que se 
encontravam em Babilônia não era sem 
esperança, e nem pior do que a dos que ainda se 
encontravam em Judá e Jerusalém, porque o 
Senhor visitaria a estes, com fome, peste e 
espada. 
Deste modo, não deveriam dar ouvidos às 
mensagens de falsos profetas no meio deles em 
Babilônia, que procuravam instigá-los contra o 
governo da nação dominadora, pelas falsas 
promessas de que seriam libertados. 
Ao contrário, eles teriam que permanecer por 
setenta anos em Babilônia, e por isso deveriam 
viver normalmente na cidade, tanto quanto lhes 
fosse possível, construindo suas casas, dando-se 
em casamento, e principalmente orando ao 
Senhor para que houvesse paz na cidade, em vez 
de insurreição, porque na paz da cidade, eles 
encontrariam a própria paz deles. 
E para confirmar que isto era a verdade, 
conforme a revelara a Jeremias, o Senhor citou 
os nomes de dois falsos profetasque estavam 
entre eles, chamados Acabe e Zedequias, que 
seriam um sinal para eles, porque o Senhor os 
198 
entregaria na mão de Nabucodonosor, que os 
mataria diante dos olhos deles, e o faria não pela 
espada, mas pelo fogo. Além de falsos profetas 
estes homens eram adúlteros, e como poderiam 
falar em nome do Senhor vivendo em adultério? 
Tal seria a desgraça de ambos, que Judá 
levantaria um provérbio depois deles como 
fórmula de maldição dizendo que o Senhor 
fizesse a tais amaldiçoados o que fizera a Acabe 
e a Zedequias, que foram assados no fogo pelo 
rei de Babilônia (v. 21 a 23). 
Além disso, a carta enviada a eles continha um 
juízo contra Semaías, que estava enviando 
cartas em seu próprio nome, de Babilônia para 
todo o povo que se encontrava em Jerusalém, e 
especialmente ao sacerdote Sofonias, e aos 
demais sacerdotes dizendo-lhes que O Senhor 
lhe havia colocado por sacerdote no lugar de 
Jeoiada, para lançar na prisão e no tronco a todo 
homem que profetizasse, querendo com isto 
atingir a Jeremias, mas o profeta, 
corajosamente, inspirado por Deus, perguntou-
lhe na carta porque ele não havia sido 
repreendido até então porque continuava 
profetizando que o cativeiro duraria muito 
tempo, e que então edificassem casas em 
Babilônia e habitassem nelas, e plantassem 
pomares e comessem do seu fruto. 
A pedido de Jeremias o próprio sacerdote 
Sofonias leu o teor desta carta em voz alta (v. 29), 
e depois de tê-la lido, veio a palavra do Senhor a 
Jeremias mandando dizer a todos os do cativeiro 
em Babilônia que porquanto Semaías profetizou 
o que Ele não havia ordenado, fazendo-lhes 
199 
confiar em mentira, então o castigaria, bem 
como a sua descendência, e não haveria 
ninguém da descendência dele que retornaria a 
Judá, quando o Senhor trouxesse o seu povo de 
volta de Babilônia. 
 
“1 Ora, são estas as palavras da carta que 
Jeremias, o profeta, enviou de Jerusalém, aos 
que restavam dos anciãos do cativeiro, como 
também aos sacerdotes, e aos profetas, e a todo 
o povo, que Nabucodonosor levara cativos de 
Jerusalém para Babilônia, 
2 depois de terem saído de Jerusalém o rei 
Jeconias, e a rainha-mãe, e os eunucos, e os 
príncipes de Judá e Jerusalém e os artífices e os 
ferreiros. 
3 Veio por mão de Elasa, filho de Safã, e de 
Gemarias, filho de Hilquias, os quais Zedequias, 
rei de Judá, enviou a Babilônia, a 
Nabucodonosor, rei de Babilônia; eis as palavras 
da carta: 
4 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel, a todos os do cativeiro, que eu fiz levar 
cativos de Jerusalém para Babilônia: 
5 Edificai casas e habitai-as; plantai jardins, e 
comei o seu fruto. 
6 Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; 
também tomai mulheres para vossos filhos, e 
dai vossas filhas a maridos, para que tenham 
filhos e filhas; assim multiplicai-vos ali, e não 
vos diminuais. 
7 E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que 
fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor: 
porque na sua paz vós tereis paz. 
200 
8 Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus 
de Israel: Não vos enganem os vossos profetas 
que estão no meio de vós, nem os vossos 
adivinhadores; nem deis ouvidos aos vossos 
sonhos, que vós sonhais; 
9 porque eles vos profetizam falsamente em 
meu nome; não os enviei, diz o Senhor. 
10 Porque assim diz o Senhor: Certamente que 
passados setenta anos em Babilônia, eu vos 
visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa 
palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. 
11 Pois eu bem sei os planos que estou 
projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, 
e não de mal, para vos dar um futuro e uma 
esperança. 
12 Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e 
eu vos ouvirei. 
13 Buscar-me-eis, e me achareis, quando me 
buscardes de todo o vosso coração. 
14 E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei 
voltar os vossos cativos, e congregar-vos-ei de 
todas as nações, e de todos os lugares para onde 
vos lancei, diz o Senhor; e tornarei a trazer-vos 
ao lugar de onde vos transportei. 
15 Porque dizeis: O Senhor nos levantou profetas 
em Babilônia; 
16 portanto assim diz o Senhor a respeito do rei 
que se assenta no trono de Davi, e de todo o povo 
que habita nesta cidade, vossos irmãos, que não 
saíram convosco para o cativeiro; 
17 assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que 
enviarei entre eles a espada, a fome e a peste e 
fa-los-ei como a figos péssimos, que não se 
podem comer, de ruins que são. 
201 
18 E persegui-los-ei com a espada, com a fome e 
com a peste; farei que sejam um espetáculo de 
terror para todos os reinos da terra, e para 
serem um motivo de execração, de espanto, de 
assobio, e de opróbrio entre todas as nações 
para onde os tiver lançado, 
19 porque não deram ouvidos às minhas 
palavras, diz o Senhor, as quais lhes enviei com 
insistência pelos meus servos, os profetas; mas 
vós não escutastes, diz o Senhor. 
20 Ouvi, pois, a palavra do Senhor, vós todos os 
do cativeiro que enviei de Jerusalém para 
Babilônia. 
21 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel, acerca de Acabe, filho de Colaías, e de 
Zedequias, filho de Maaseias, que vos 
profetizam falsamente em meu nome: Eis que 
os entregarei na mão de Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, e ele os matará diante dos vossos 
olhos. 
22 E por causa deles será formulada uma 
maldição por todos os exilados de Judá que estão 
em Babilônia, dizendo: O Senhor te faça como a 
Zedequias, e como a Acabe, os quais o rei de 
Babilônia assou no fogo; 
23 porque fizeram insensatez em Israel, 
cometendo adultério com as mulheres de seus 
próximos, e anunciando falsamente em meu 
nome palavras que não lhes mandei. Eu o sei, e 
sou testemunha disso, diz o Senhor. 
24 E a Semaías, o neelamita, falarás, dizendo: 
25 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Porquanto enviaste em teu próprio nome 
cartas a todo o povo que está em Jerusalém, 
202 
como também a Sofonias, filho de Maaseias, o 
sacerdote, e a todos os sacerdotes, dizendo: 
26 O Senhor te pôs por sacerdote em lugar de 
Jeoiada, o sacerdote, para que fosses 
encarregado da casa do Senhor, sobre todo 
homem obsesso que profetiza, para o lançares 
na prisão e no tronco; 
27 agora, pois, por que não repreendeste a 
Jeremias, o anatotita, que vos profetiza? 
28 Pois que até nos mandou dizer em Babilônia: 
O cativeiro muito há de durar; edificai casas, e 
habitai-as; e plantai jardins, e comei do seu 
fruto. 
29 E lera Sofonias, o sacerdote, esta carta aos 
ouvidos de Jeremias, o profeta. 
30 Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
31 Manda a todos os do cativeiro, dizendo: Assim 
diz o Senhor acerca de Semaías, o neelamita: 
Porquanto Semaías vos profetizou, quando eu 
não o enviei, e vos fez confiar numa mentira, 
32 portanto assim diz o Senhor: Eis que 
castigarei a Semaías, o neelamita, e a sua 
descendência; ele não terá varão que habite 
entre este povo, nem verá ele o bem que hei de 
fazer ao meu povo, diz o Senhor, porque pregou 
rebelião contra o Senhor.” 
 
 
 
 
 
 
 
203 
Jeremias 30 
 
Nossa Necessidade Vital de Jesus Cristo 
 
Cheio de indignação e de zelo por causa dos 
muitos falsos profetas que estavam se 
levantando no meio de Judá tanto em Babilônia, 
quanto em Jerusalém, profetizando uma falsa 
paz, pelo simples retorno do cativeiro, o Senhor 
se levantou para pronunciar não meras palavras 
de esperança e de consolação para Judá, mas 
palavras verdadeiras, relativas ao bem que 
constava em seus planos em relação a eles, 
desde antes da fundação do mundo, porque 
ainda os colocaria por objeto de louvor na terra, 
e destruiria as nações que lhes haviam 
oprimido, porque não as pouparia como faria 
em relação ao seu povo de Israel, porque não 
somente tinha uma aliança com eles, como 
também, tinha um plano de verdadeira paz e 
glória para várias pessoas de todas as nações do 
mundo, que cumpriria por meio deles, no Rei 
(Jesus) que lhes daria, que foi chamado na 
profeciade Davi (v. 9), porque seria da sua 
descendência. 
Por isso é dito no verso 24, no final desta 
profecia, que os judeus entenderiam o 
significado desta profecia somente nos últimos 
dias. 
Então haveria um retorno do cativeiro para Judá 
como os falsos profetas estavam anunciando, 
mas não no tempo reduzido que eles falavam, e 
204 
nem na condição do povo de estar ainda 
apegado à idolatria. 
Eles teriam que ser purificados. Eles teriam que 
sentir a dor de terem desprezado a terra que o 
Senhor lhes dera por herança. 
Por isso o tempo da cura seria longo, e é isto o 
que o Senhor lhes estava dizendo através de 
Jeremias neste capítulo 30. 
Eles não tinham porque reclamar das dores que 
estavam sofrendo porque foram eles próprios 
que deram ocasião a elas, com as suas 
iniquidades. 
Todavia, o Senhor proveria um meio para que 
fossem curados até mesmo de suas 
transgressões, para perdoá-las, de forma que 
estivessem para sempre na sua presença, e isto 
nós veremos mais detalhadamente no capítulo 
seguinte, no qual Ele fez a promessa da Nova 
Aliança. 
É dito no verso 9 que eles serviriam a Deus Pai, 
como também a Davi (Deus Filho), que lhes seria 
levantado pelo Pai, porque aquele que não honra 
o Filho não tem o Pai, e aquele que não tem o 
Filho, não tem também o Pai. 
Em seus dias, o verdadeiro Israel estaria seguro 
e não teria mais o que temer, porque seria 
libertado de toda forma de cativeiro (do pecado, 
do diabo, da morte, do mundo), do qual o de 
Babilônia era apenas uma figura. 
A ferida de Judá se chamava pecado, e não havia 
quem pudesse curar tal ferida, senão somente o 
próprio Senhor, e Ele o faria depois de tê-los 
castigado em justa medida, porque não poderia 
tê-los como inocentes. 
205 
Ele não pode declarar o culpado inocente, mas 
pode perdoá-lo, e por isso seria esta a base da 
Nova Aliança, que faria com Israel e com Judá, 
para que pudessem estar perante Ele para 
sempre. 
Não tivesse o Senhor visitado o seu povo de 
Israel com a correção do cativeiro, eles teriam 
se corrompido totalmente, como a geração dos 
dias de Noé, e assim, não haveria esperança nem 
para eles, e nem para o mundo dos gentios, 
porque isto não permitiria que o Messias viesse 
para o seu próprio povo, conforme estava 
determinado nos conselhos eternos de Deus, 
porque seriam apenas adoradores de falsos 
deuses, como todas as demais nações pagãs do 
seu tempo. 
 
“1 A palavra que do Senhor veio a Jeremias, 
dizendo: 
2 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve 
num livro todas as palavras que te falei; 
3 pois eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que 
farei voltar do cativeiro o meu povo Israel e Judá, 
diz o Senhor; e tornarei a trazê-los à terra que dei 
a seus pais, e a possuirão. 
4 E estas são as palavras que disse o Senhor, 
acerca de Israel e de Judá. 
5 Assim, pois, diz o Senhor: Ouvimos uma voz de 
tremor, de temor mas não de paz. 
6 Perguntai, pois, e vede, se um homem pode 
dar à luz. Por que, pois, vejo a cada homem com 
as mãos sobre os lombos como a que está de 
parto? Por que empalideceram todos os rostos? 
206 
7 Ah! porque aquele dia é tão grande, que não 
houve outro semelhante! É tempo de angústia 
para Jacó; todavia, há de ser livre dela. 
8 E será naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, 
que eu quebrarei o jugo de sobre o seu pescoço, 
e romperei as suas correias. Nunca mais se 
servirão dele os estrangeiros; 
9 mas ele servirá ao Senhor, seu Deus, como 
também a Davi, seu rei, que lhe levantarei. 
10 Não temas pois tu, servo meu, Jacó, diz o 
Senhor, nem te espantes, ó Israel; pois eis que te 
livrarei de terras longínquas, e à tua 
descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó 
voltará, e ficará tranquilo e sossegado, e não 
haverá quem o atemorize. 
11 Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te 
salvar; porquanto darei fim cabal a todas as 
nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, 
não darei fim, mas castigar-te-ei com medida 
justa, e de maneira alguma te terei por inocente. 
12 Porque assim diz o Senhor: Incurável é a tua 
fratura, e gravíssima a tua ferida. 
13 Não há quem defenda a tua causa; para a tua 
ferida não há remédio nem cura. 
14 Todos os teus amantes se esqueceram de ti; 
não te procuram; pois te feri com ferida de 
inimigo, e com castigo de quem é cruel, porque 
é grande a tua culpa, e têm-se multiplicado os 
teus pecados. 
15 Por que gritas por causa da tua fratura? tua 
dor é incurável. Por ser grande a tua culpa, e por 
se terem multiplicado os teus pecados, é que te 
fiz estas coisas. 
207 
16 Portanto todos os que te devoram serão 
devorados, e todos os teus adversários irão, 
todos eles, para o cativeiro; e os que te roubam 
serão roubados, e a todos os que te saqueiam 
entregarei ao saque. 
17 Pois te restaurarei a saúde e te sararei as 
feridas, diz o Senhor; porque te chamaram a 
repudiada, dizendo: É Sião, à qual já ninguém 
procura. 
18 Assim diz o Senhor: Eis que acabarei o 
cativeiro das tendas de Jacó, e apiedar-me-ei das 
suas moradas; e a cidade será reedificada sobre 
o seu montão, e o palácio permanecerá como 
habitualmente. 
19 E sairá deles ação de graças e a voz dos que se 
alegram; e multiplica-los-ei, e não serão 
diminuídos; glorifica-los-ei, e não serão 
apoucados. 
20 E seus filhos serão como na antiguidade, e a 
sua congregação será estabelecida diante de 
mim, e castigarei todos os seus opressores. 
21 E o seu príncipe será deles, e o seu governador 
sairá do meio deles; e o farei aproximar, e ele se 
chegará a mim. Pois quem por si mesmo ousaria 
chegar-se a mim? diz o Senhor. 
22 E vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso 
Deus. 
23 Eis a tempestade do Senhor! A sua indignação 
já saiu, uma tempestade varredora; cairá 
cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. 
24 Não retrocederá o furor da ira do Senhor, até 
que ele tenha executado, e até que tenha 
cumprido os desígnios do seu coração. Nos 
últimos dias entendereis isso.” 
208 
Jeremias 31 
 
A Promessa da Nova Aliança 
 
Um dos textos mais citados em toda a história 
da Igreja, especialmente depois da Reforma, é o 
que encontramos nos versículos 31 a 34 do 
capítulo 31 de Jeremias, que se refere à 
promessa da Nova Aliança. 
É importante, para uma interpretação correta 
de todas as palavras da citada passagem, 
considerá-la no contexto de toda a mensagem 
do livro de Jeremias, especialmente à luz da 
sentença inapelável de que muitos seriam 
mortos em Judá e o restante do povo seria levado 
para o cativeiro em Babilônia por causa dos seus 
pecados. 
Então, a promessa da Nova Aliança foi dirigida 
originalmente às casas de Israel e de Judá, que 
tinham sido duramente castigadas pelo Senhor, 
e levadas para o cativeiro, para que tivessem 
confiança que o remanescente do povo que 
fosse poupado por Deus, poderia ter a plena 
confiança de que os antigos pecados e 
iniquidades que eles haviam praticado, seriam 
totalmente esquecidos, porque o Senhor 
tornaria a lhes fazer o bem, nos dias desta Nova 
Aliança que ainda seria inaugurada. 
O Novo Testamento cita esta promessa, 
especialmente o autor de Hebreus, para afirmar 
que a condição de se estar aliançado com Cristo, 
é de perdão total de pecados, por causa do 
sangue deste novo pacto que foi derramado por 
209 
Ele justamente para a remissão de pecados de 
muitos. 
A nova aliança que seria feita com Israel e Judá 
seria estendida também aos gentios, porque 
a promessa do Messias, do Redentor, que foi 
dado aos judeus para apartá-los dos seus 
pecados, alcançaria também os gentios, para 
que uma vez remidos de seus pecados 
(perdoados, livrados, justificados) por causa da 
obra deste Redentor, que tomaria sobre Si 
mesmo as nossas iniquidades, para que 
pudéssemos ser livrados da ira de Deus contra o 
pecado, tal como Ele a havia manifestado contra 
Israel e Judá, conforme vemos no livro de 
Jeremias. 
Esta Nova Aliança seria firmada para que 
pudéssemos receber a implantação dasua Lei 
em nossas mentes e corações, pela habitação do 
Espírito Santo, que é Aquele que implanta a 
Palavra de Deus em nós, de modo que sejamos 
admitidos como participantes do verdadeiro 
povo de Deus, que jamais será condenado por 
Ele, e que habitará com Ele por toda a 
eternidade. 
Então, está claro que a promessa da Nova 
Aliança não tem em vista nos dar um salvo 
conduto para continuarmos na prática do 
pecado, enquanto temos a certeza de que 
iremos para o céu, por terem sido perdoadas as 
nossas iniquidades em Cristo, ou seja, vivermos 
tal como viveram os israelitas do passado, e 
sobre os quais viera a ira de Deus nos dias de 
Jeremias. 
210 
Evidentemente, não poderia ser este, de modo 
algum, o significado da promessa da Nova 
Aliança e dos seus benefícios. 
Porque está bastante claro no contexto de 
Jeremias que Deus não ficou cansado de exigir 
santidade de seu povo, por julgar que isto seja 
algo impossível de ser alcançado, mas nos 
proveu de um meio eficaz na Nova Aliança, para 
que possamos alcançar este propósito da nossa 
santificação, no qual Ele está interessado tão de 
perto, tanto que o autor de Hebreus não cita 
simplesmente o perdão das iniquidades e o 
esquecimento dos pecados dos cristãos por 
Deus, por causa da Nova Aliança, como também 
os exorta ao progresso em santificação, dizendo 
que sem esta evidência ninguém verá o Senhor. 
Isto significa que o sangue derramado por 
Cristo tem o propósito de nos santificar, de 
modo que possa ser cumprido o desígnio eterno 
de Deus em relação aos que nele creem. 
Esta passagem de Jeremias relativa à Nova 
Aliança requer uma reflexão especial porque 
trata de algo realmente inteiramente novo que 
Deus providenciaria para que aqueles que 
fossem admitidos por Ele como integrantes do 
seu povo pudessem receber um auxílio especial, 
na pessoa e obra do Messias, do Rei Justo 
prometido no vigésimo terceiro capítulo deste 
livro de Jeremias. 
“5 Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que 
levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, 
reinará e procederá sabiamente, executando o 
juízo e a justiça na terra. 
211 
6 Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará 
seguro; e este é o nome de que será chamado: O 
SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” (Jer 23.5,6). 
Nos dias da Antiga Aliança, Deus havia 
levantado governantes, juízes e reis justos e 
piedosos para conduzirem o povo, tais como 
Moisés, Josué, Samuel, Davi, Josafá, Ezequias, 
Josias, dentre outros, entretanto, nenhum deles 
poderia garantir que um só israelita vivesse em 
santidade diante de Deus. 
Mas este Rei procederia como um renovo de 
Davi, um ramo que brotaria do tronco-raiz seco 
e morto de Jessé, pai de Davi, na plenitude do 
tempo, depois de Deus ter demonstrado 
fartamente, que sem a sua ajuda, e sem que Ele 
nos fosse dado, Ele não poderia ter um povo que 
andasse na prática da justiça e da piedade. 
Isto foi demonstrado de modo prático durante 
séculos na vida da nação de Israel, antes que 
Jesus se manifestasse e inaugurasse a Nova 
Aliança, que está sendo prometida no trigésimo 
primeiro capítulo de Jeremias. 
Deus teve no antigo pacto pessoas que foram 
justificadas e andaram na justiça como Moisés e 
outros, e até mesmo antes deles, outros como 
Abel, Enoque e Abraão, mas nunca se viu todo o 
povo de Deus andando nos seus caminhos, e 
conhecendo a sua vontade. 
Por isso as bases do pacto puderam ser 
mudadas, para que não fosse conforme o que 
fora feito por meio de Moisés, porque o Rei do 
povo de Deus, que lhes seria dado, seria 
poderoso para garantir o andar de todos eles na 
justiça, e fazer com que todos eles também 
212 
conhecessem a Deus, diferentemente dos 
judeus nos dias do Antigo Testamento, que em 
sua grande maioria, apesar de fazerem parte da 
aliança, de serem do povo de Deus, não O 
conheciam e não andavam em seus caminhos. 
Como o seu governo é efetivo no coração, na 
alma, no espírito, e no próprio corpo dos súditos 
do seu reino, então não haveria mais 
necessidade de se promulgar uma lei que 
ameaçasse com destruição, com seca, com 
morte pela espada, pela doença, e com cativeiro, 
a qualquer dos aliançados que viessem a 
transgredir os mandamentos de Deus, porque 
eles não seriam lançados fora da aliança, porque 
seria garantido por este Rei que seria a própria 
JUSTIÇA deles, que os seus pecados todos e 
todas as suas iniquidades, fossem perdoados e 
esquecidos, porque carregaria os pecados e a 
culpa do seu povo sobre Si mesmo, quando 
morresse no lugar deles na cruz. 
Por isso se diz que o nome que o seu povo seria 
conhecido é o de SENHOR JUSTIÇA NOSSA, 
porque Ele próprio seria a justiça deles, com a 
qual estariam justificados de seus pecados 
diante de Deus. 
Deste modo, se afirma que já não há nenhuma 
condenação, acusação, ou maldição para quem 
está em Cristo Jesus. 
Porque foram resgatados da maldição da Lei por 
Ele, e também da escravidão ao pecado e ao 
diabo, e do poder da morte. 
Então os cristãos não se encontram debaixo das 
maldições previstas na Lei de Moisés, porque 
eram inerentes à Antiga Aliança, mas debaixo 
213 
de uma Nova Aliança, que substituiu 
inteiramente a Antiga. 
A Justiça deste Rei Justo com a qual somos 
justificados é a base do seu reino, ao qual fomos 
chamados a participar pela misericórdia de 
Deus, nos associando a Ele, de um modo vital, de 
modo que se diz que: “sendo Rei, reinará e 
procederá sabiamente, executando o juízo e a 
justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e 
Israel habitará seguro; e este é o nome de que 
será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.”. 
Então é esta Justiça que é dele, e não 
propriamente nossa, que nos salva e nos faz 
habitar em segurança, conforme a promessa 
constante da profecia deste texto citado de Jer 
23.5b,6. 
Esta justificação não pode significar que nos 
tornamos perfeitamente justos desde que 
tivemos um encontro pessoal com Cristo, pois 
que ainda permanecemos sujeitos à ação do 
pecado e nem se pode dizer de nós, enquanto 
neste mundo, que chegaremos à plenitude da 
perfeição das virtudes de Deus. 
Ora, isto ocorrerá no porvir. Mas não se declara 
na Palavra que seremos justificados no porvir, 
porque a justiça do Rei Justo será implantada 
progressivamente em nós pela santificação, e 
também nos aperfeiçoará perfeitamente no 
porvir, porque isto terá sido possível por causa 
da justificação que nos foi atribuída de uma vez 
para sempre desde que passamos a pertencer a 
Ele, e consequentemente ao seu reino de justiça. 
É por isso que o Senhor afirma que não lança 
fora a nenhum que vem a Ele, e que a vontade do 
214 
Pai é que não perca a nenhum dos que lhes 
foram dados por Ele. 
Ora, isto significa sobretudo que enquanto 
permanecermos nele, nada poderá nos separar 
do seu amor, porque a obra de expiação que 
fizera em nosso favor, para o perdão do nosso 
pecado, foi completa, perfeita e segura; assim, 
como a nossa justificação por estarmos nele 
possui também tais características, porque é 
impossível que Ele possa ser vencido, e sua vida 
é eterna e inabalável. 
Em Cristo temos sido aperfeiçoados. 
Podemos ser ainda imperfeitos, mas seremos 
perfeitos como Ele é perfeito, se 
permanecermos firmes na fé e nele mesmo. 
Somos chamados de justos, ainda que 
imperfeitos, porque estamos naquele que é 
perfeitamente Justo. 
O capítulo 31 de Jeremias é introduzido pela 
citação “Naquele tempo”, ou seja, nos dias da 
Nova Aliança, da dispensação da graça. 
E o Senhor diz que na referida época, Ele seria o 
Deus de todas as famílias de Israel e elas seriam 
o seu povo (v. 1), isto, sabemos agora, por causa 
da promessa de que todo cristão seria um 
verdadeiro israelita, conhecido e conhecedor de 
Deus, integrante de sua família, porque de outro 
modo, seria impossível o cumprimento de uma 
tal promessa em que todas as famílias de Israel 
pudessem ser consideradas integrantes do 
verdadeiro povo de Deus. 
Deus fariaisto por causa do seu grande amor 
que é eterno, e da sua benignidade que atrairia 
aqueles que salvaria pela sua misericórdia a Si 
215 
mesmo, e hoje sabemos que Ele o faz, nos 
atraindo a Jesus Cristo para sermos salvos por 
Ele (v. 3). 
Haveria nestes dias futuros de bênçãos quem 
gritasse como sentinelas no monte de Efraim, 
que se subisse ao monte Sião, à presença do 
Senhor, porque haveria cânticos de alegria, e 
haveria exultação por causa de Israel, que seria 
posta como a principal das nações, e o que se 
proclamaria seria o seguinte: “Salva, Senhor, o 
teu povo, o resto de Israel.”. Este resto de Israel, 
é o remanescente fiel deste povo que será salvo 
por Cristo. 
O Senhor havia falado antes somente em 
destruir, mas agora Ele está falando de uma 
edificação que ocorreria no futuro. 
Já não falaria mais em destruição, mas em 
edificação, por isso Jesus disse que não veio 
condenar o mundo, ou julgá-lo, mas salvá-lo, ou 
seja, na presente dispensação da graça, Ele está 
sendo inteiramente longânimo para com todos 
os pecadores, na expectativa de que se 
arrependam e vivam. 
Ele estará convocando, através da Igreja, as 
pessoas de todos os recantos da terra, para que 
se arrependam e creiam nele para que vivam, 
em vez de destruí-las por causa dos seus 
pecados. 
Então, em face de tal graça e misericórdia, os de 
Israel, que haviam sido espalhados pelas 
nações, por causa dos juízos de Deus, tornariam 
a ser reunidos por Ele em sua própria terra, 
assim como o pastor ajunta o seu rebanho para 
guardá-lo. 
216 
O pecado e o diabo que eram mais fortes do que 
Israel e que continuamente o levava a pecar e a 
se desviar de Deus, seriam vencidos por Jesus, 
que é mais forte do que ambos, de modo que 
uma vez sendo amarrados por Ele esses 
valentes, Israel poderia ser libertado (v. 11). 
E então o Senhor passou a proclamar as bênçãos 
que viriam não somente sobre os judeus, que 
haviam sido deportados para Babilônia, como 
também para os israelitas que haviam sido 
levados em cativeiro pelos assírios, ou seja, para 
os descendentes deles, especialmente sob o 
governo de Jesus, quando fossem reunidos a Ele. 
Haveria um clamor em Ramá, por causa da 
matança de meninos de dois anos para baixo em 
Belém e seus arredores, por ordem do Rei 
Herodes, que tentaria impedir o cumprimento 
da promessa de Deus, de dar a seu povo o Rei que 
o salvaria dos seus pecados (v. 15, Mt 2.16-18). 
Todavia, o propósito eterno de Deus não poderia 
ser frustrado, e Herodes nada poderia fazer para 
impedir a chegada a este mundo do Rei dos reis, 
e Senhor dos senhores, por causa de quem o 
povo de Deus canta com júbilo e fica radiante 
com os benefícios do Senhor, em todas as suas 
provisões, e também por quem suas vidas se 
tornam como jardins regados, de modo que 
nunca mais desfalecerão. 
Além disso, por causa da Nova Aliança em 
Cristo, haverá cântico de júbilo nos altos de Sião, 
que simbolizam a condição elevada da alma na 
presença de Deus nas regiões celestiais (v. 12 a). 
Jovens e velhos dançariam alegremente quando 
o Senhor edificasse o seu povo, e o pranto deles 
217 
seria transformado em alegria, porque seriam 
consolados pelo Espírito Santo, e o Senhor lhes 
daria alegria no lugar da tristeza (v. 13). 
Todo o choro pelas tribulações e aflições, 
especialmente as produzidas pelo Inimigo, 
deveria ser reprimido, bem como todas as 
lágrimas dos olhos, porque o Senhor 
recompensaria o trabalho dos seu povo, e o 
livraria da opressão do Inimigo (v. 16). 
Os que haviam sido castigados deveriam 
abandonar as suas queixas, e pedirem ao Senhor 
para serem restaurados, porque estava 
preparando uma nova dispensação onde 
prevaleceria mais a sua misericórdia do que os 
seus juízos (a da graça), e portanto, os que se 
achavam desviados poderiam regressar a Ele 
com confiança, porque saciaria toda alma 
cansada e fartaria toda alma desfalecida (v. 25). 
Tudo isto fora dado em sonho a Jeremias (v. 26), 
para que o Senhor o confirmasse logo depois ao 
profeta com a promessa relativa à Nova Aliança, 
na qual se cumpririam todas estas bênçãos que 
ele vira em sonho. 
Deus disse que no passado havia falado em 
arrancar e derrubar, transtornar, destruir, e 
afligir, relativamente às casas de Israel e de 
Judá, como vemos nas suas ameaças em quase 
todo o Velho Testamento, mas disse que nos 
dias que ainda viriam (dispensação da graça), 
Ele agora vigiaria para edificar e para plantar. (v. 
28). 
Por isso o apóstolo Paulo diz que a Igreja é a 
lavoura de Deus, referindo-se a ela como uma 
plantação, e também como o edifício de Deus, 
218 
porque o Senhor prometeu plantar e edificar, e 
não arrancar e destruir o seu povo nos dias da 
Nova Aliança. 
Nós vemos também o apóstolo se dirigindo à 
Igreja carnal de Corinto, dizendo que os 
repreenderia pelos seus pecados, mas que não 
os destruiria porque o ministério que havia 
recebido do Senhor era para edificação e não 
para destruição (II Cor 13.10). 
Deus revogaria também o princípio da 
iniquidade dos pais ser visitada nos filhos até a 
terceira e quarta geração, conforme previsto na 
Antiga Aliança, porque na Nova, cada um 
responderia pelos seus próprios pecados 
perante Ele (v.29, 30). 
E depois de ter feito esta introdução de 
promessas de bênçãos, revelou ao profeta como 
elas se cumpririam, a saber: com a entrada em 
vigor da Nova Aliança no lugar da Antiga, 
conforme já comentamos anteriormente (v. 31 a 
34). 
Para ratificar a imutabilidade deste seu 
propósito que se cumpriria em Cristo, o Senhor 
afirmou que se tal promessa pudesse ser 
revogada, então Israel deixaria também de ser 
uma nação diante dele para sempre, porque não 
há outro modo de existir um povo para Deus, 
senão na união dos seus filhos com Jesus Cristo, 
sendo salvos por Ele, pela justificação da Nova 
Aliança, com a qual o próprio Abraão havia sido 
justificado, antes mesmo da Lei, para que se 
soubesse, que é por tal justificação em Cristo 
que se tem vida eterna, e não pela Lei de Moisés 
(v. 35, 36). 
219 
Deus não rejeitaria Israel apesar de tudo quanto 
haviam feito, porque usaria de misericórdia e 
salvaria o remanescente da referida nação, e 
não deixaria de fazer isto de modo algum, e por 
isso afirmou que o faria somente caso alguém 
pudesse medir os céus e os fundamentos da 
terra (v. 37). 
Assim, os judeus deveriam ter confiança, 
enquanto estivessem no cativeiro, que o Senhor 
visava ao bem do seu povo, e não à sua 
destruição, e que deveriam voltar com alegria e 
com confiança para a sua própria terra, depois 
que fossem libertados por Ele do cativeiro em 
Babilônia, porque o seu propósito para Israel é o 
de que seja colocado como cabeça das nações na 
terra para sempre, sem que possa ser jamais 
derrubado, e isto terá cumprimento por ocasião 
da volta de Jesus (v. 38 a 40). 
 
“1 Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de 
todas as famílias de Israel, e elas serão o meu 
povo. 
2 Assim diz o Senhor: O povo que escapou da 
espada achou graça no deserto. Eu irei e darei 
descanso a Israel. 
3 De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois 
que com amor eterno te amei, também com 
benignidade te atraí. 
4 De novo te edificarei, e serás edificada ó 
virgem de Israel! ainda serás adornada com os 
teus adufes, e sairás nas danças dos que se 
alegram. 
220 
5 Ainda plantarás vinhas nos montes de 
Samaria; os plantadores plantarão e gozarão dos 
frutos. 
6 Pois haverá um dia em que gritarão os vigias 
sobre o monte de Efraim: Levantai-vos, e 
subamos a Sião, ao Senhor nosso Deus. 
7 Pois assim diz o Senhor: Cantai sobre Jacó com 
alegria, e exultai por causa da principal das 
nações; proclamai, cantai louvores, e dizei: 
Salva, Senhor, o teu povo, o resto de Israel. 
8 Eis que os trarei da terra do norte e os 
congregarei das extremidades da terra; e com 
eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e 
as de parto juntamente; em grande companhia 
voltarão paracá. 
9 Virão com choro, e com súplicas os levarei; 
guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho 
direito em que não tropeçarão; porque sou um 
pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito. 
10 Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e 
anunciai-a nas longínquas terras marítimas, e 
dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará 
e o guardará, como o pastor ao seu rebanho. 
11 Pois o Senhor resgatou a Jacó, e o livrou da 
mão do que era mais forte do que ele. 
12 E virão, e cantarão de júbilo nos altos de Sião, 
e ficarão radiantes pelos bens do Senhor, pelo 
trigo, o mosto, e o azeite, pelos cordeiros e os 
bezerros; e a sua vida será como um jardim 
regado, e nunca mais desfalecerão. 
13 Então a virgem se alegrará na dança, como 
também os mancebos e os velhos juntamente; 
porque tornarei o seu pranto em alegria, e os 
221 
consolarei, e lhes darei alegria em lugar de 
tristeza. 
14 E saciarei de gordura a alma dos sacerdotes, e 
o meu povo se fartará dos meus bens, diz o 
Senhor. 
15 Assim diz o Senhor: Ouviu-se um clamor em 
Ramá, lamentação e choro amargo. Raquel 
chora a seus filhos, e não se deixa consolar a 
respeito deles, porque já não existem. 
16 Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz do 
choro, e das lágrimas os teus olhos; porque há 
galardão para o teu trabalho, diz o Senhor, e eles 
voltarão da terra do inimigo. 
17 E há esperança para o teu futuro, diz o Senhor; 
pois teus filhos voltarão para os seus termos. 
18 Bem ouvi eu que Efraim se queixava, dizendo: 
Castigaste-me e fui castigado, como novilho 
ainda não domado; restaura-me, para que eu 
seja restaurado, pois tu és o Senhor meu Deus. 
19 Na verdade depois que me desviei, arrependi-
me; e depois que fui instruído, bati na minha 
coxa; fiquei confundido e envergonhado, 
porque suportei o opróbrio da minha mocidade. 
20 Não é Efraim meu filho querido? filhinho em 
quem me deleito? Pois quantas vezes falo contra 
ele, tantas vezes me lembro dele solicitamente; 
por isso se comovem por ele as minhas 
entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o 
Senhor. 
21 Põe-te marcos, faze postes que te guiem; 
dirige a tua atenção à estrada, ao caminho pelo 
qual foste; regressa, ó virgem de Israel, regressa 
a estas tuas cidades. 
222 
22 Até quando andarás errante, ó filha rebelde? 
pois o senhor criou uma coisa nova na terra: 
uma mulher protege a um varão. 
23 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: 
Ainda dirão esta palavra na terra de Judá, e nas 
suas cidades, quando eu acabar o seu cativeiro: 
O Senhor te abençoe, ó morada de justiça, ó 
monte de santidade! 
24 E nela habitarão Judá, e todas as suas cidades 
juntamente; como também os lavradores e os 
que pastoreiam os rebanhos. 
25 Pois saciarei a alma cansada, e fartarei toda 
alma desfalecida. 
26 Nisto acordei, e olhei; e o meu sono foi doce 
para mim. 
27 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que 
semearei de homens e de animais a casa de 
Israel e a casa de Judá. 
28 E será que, como vigiei sobre eles para 
arrancar e derribar, para transtornar, destruir, e 
afligir, assim vigiarei sobre eles para edificar e 
para plantar, diz o Senhor. 
29 Naqueles dias não dirão mais: Os pais 
comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se 
embotaram. 
30 Pelo contrário, cada um morrerá pela sua 
própria iniquidade; de todo homem que comer 
uvas verdes, é que os dentes se embotarão. 
31 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei 
um pacto novo com a casa de Israel e com a casa 
de Judá, 
32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, 
no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da 
223 
terra do Egito, esse meu pacto que eles 
invalidaram, apesar de eu os haver desposado, 
diz o Senhor. 
33 Mas este é o pacto que farei com a casa de 
Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a 
minha lei no seu interior, e a escreverei no seu 
coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu 
povo. 
34 E não ensinarão mais cada um a seu próximo, 
nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao 
Senhor; porque todos me conhecerão, desde o 
menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes 
perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei 
mais dos seus pecados. 
35 Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do 
dia, e a ordem estabelecida da lua e das estrelas 
para luz da noite, que agita o mar, de modo que 
bramem as suas ondas; o Senhor dos exércitos é 
o seu nome: 
36 Se esta ordem estabelecida falhar diante de 
mim, diz o Senhor, deixará também a linhagem 
de Israel de ser uma nação diante de mim para 
sempre. 
37 Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos 
os céus lá em cima, e sondados os fundamentos 
da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda 
a linhagem de Israel, por tudo quanto eles têm 
feito, diz o Senhor. 
38 Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que esta 
cidade será reedificada para o Senhor, desde a 
torre de Hananel até a porta da esquina. 
39 E a linha de medir estender-se-á para diante, 
até o outeiro de Garebe, e dará volta até Goa. 
224 
40 E o vale inteiro dos cadáveres e da cinza, e 
todos os campos até o ribeiro de Cedrom, até a 
esquina da porta dos cavalos para o oriente, tudo 
será santo ao Senhor; nunca mais será 
arrancado nem derribado.” (Jeremias 31.1-40) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
225 
Jeremias 32 
 
Neste e no próximo capítulo, nós encontramos 
ainda promessas do Senhor relativas à Nova 
Aliança, como a que se encontra registrada nos 
versos 37 a 40: 
“37 Eis que eu os congregarei de todos os países 
para onde os tenho lançado na minha ira, e no 
meu furor e na minha grande indignação; e os 
tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem 
nele seguramente. 
38 E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 
39 E lhes darei um só coração, e um só caminho, 
para que me temam para sempre, para seu bem 
e o bem de seus filhos, depois deles; 
40 e farei com eles um pacto eterno de não me 
desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor 
no seu coração, para que nunca se apartem de 
mim.” 
Veja que aqui não se diz apenas que Deus lhes 
faria regressar de Babilônia, mas de todas as 
nações para onde haviam sido lançados por 
causa da ira do Senhor, para voltarem a habitar 
na sua própria terra de Israel, e que lhes faria 
habitar nela seguramente. 
Agora seriam o povo que o Senhor sempre 
intentou que eles fossem, ou seja, tendo-Lhe 
para sempre como o seu Deus, e para tal 
propósito lhes daria um só coração, um só 
caminho, de modo que fosse temido por eles 
 
 
226 
eternamente, para o próprio bem deles e de sua 
descendência; e isto seria possível porque faria 
uma aliança eterna, ou seja, a Nova Aliança, 
pela qual nunca poderá se desviar de fazer o bem 
a seu povo, por causa da justificação em Cristo, 
pela qual o temor do Senhor é colocado 
sobrenaturalmente no nosso coração, pelo 
Espírito Santo, de forma que jamais poderiam 
ser separados de Deus, porque o vínculo desta 
Nova Aliança, nos faz estar ligados a Ele para 
sempre de modo que se afirma em Rom 8.35-39 
o seguinte: 
“35 quem nos separará do amor de Cristo? a 
tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a 
fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? 
36 Como está escrito: Por amor de ti somos 
entregues à morte o dia todo; fomos 
considerados como ovelhas para o matadouro. 
37 Mas em todas estas coisas somos mais que 
vencedores, por aquele que nos amou. 
38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem 
a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas 
presentes, nem futuras, nem potestades, 
39 nem a altura, nem a profundidade, nem 
qualquer outra criatura nos poderá separar do 
amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso 
Senhor.” 
Por este motivo, foi ordenado a Jeremias que 
comprasse em resgate o campo de seu tio 
Hanamel, na sua terra de Anatote, e que 
lavrasse a escritura da compra, em sinal de que 
terras voltariam a ser compradas em Judá, 
depois que os judeusvoltassem do cativeiro. 
227 
Isto era uma garantia de que Deus tornaria a 
trazê-los de volta da terra para onde os levara em 
cativeiro. 
O Senhor dera tal ordem quando 
Nabucodonosor estava prestes a tomar 
Jerusalém, no décimo ano do reinado de 
Zedequias, e a cidade foi tomada no quarto mês 
do décimo primeiro ano do reinado do citado 
rei. 
Nesta ocasião Jeremias encontrava-se 
encarcerado no pátio da guarda da casa real, por 
ordem de Zedequias, porque estava 
profetizando que Deus entregaria a cidade de 
Jerusalém na mão do rei de Babilônia, e que o rei 
Zedequias não escaparia das mãos dos 
babilônios, e o próprio Nabucodonosor o 
conduziria cativo para Babilônia. 
Então a assinatura da escritura da compra do 
campo de seu tio em Anatote, foi feita no pátio 
da prisão onde Jeremias se encontrava, à vista de 
todos os judeus que estavam sentados no pátio 
da guarda. 
As duas escrituras, uma selada, e outra aberta, 
por ordem do Senhor, deveriam ser colocadas 
num vaso de barro, para que ficassem 
conservadas por muitos dias, porque seriam um 
sinal de que ainda se comprariam casas, campos 
e vinhas na terra de Israel, depois de ficar 
desolada no período do cativeiro. 
Isto não foi feito em relação a Edom, Amom, 
Moabe, e outras nações que tinham buscado a 
destruição de Judá, e no entanto elas é que 
foram destruídas, porque Deus tem um 
propósito eterno com Israel, a nação que Ele 
228 
próprio formou com a chamada de Abraão, para 
ter um povo que guarde os seus mandamentos e 
que O ame e o Sirva para todo o sempre. 
Deus faria isto porque como Ele próprio disse a 
Jeremias, quando fez a promessa de que se 
comprariam casas, campos e vinhas em Judá, 
depois do cativeiro, que não há nada demasiado 
difícil para Ele, porque a perplexidade do profeta 
era grande por ser muito grave a iniquidade de 
Judá. A dificuldade não seria o fato de voltarem 
do cativeiro e comprarem terras, mas o fato de 
Deus perdoar tantas e graves iniquidades e 
tornar a fazer o bem ao seu povo, e com 
promessas de que se uniria a eles para sempre. 
O Senhor mais uma vez havia declarado o 
motivo de estar entregando os judeus nas mãos 
dos babilônios, e destacou especialmente o fato 
de estarem sacrificando seus próprios filhinhos 
a Moloque, queimando-os em holocausto nos 
braços de Moloque, no vale de Hinom, mas 
ainda voltaria a fazer o bem a Judá depois de tê-
los purificado destas idolatrias. 
Nós encontramos nos versos 28 a 35 o registro 
das abominações que os judeus haviam 
praticado, e pelas quais estavam sendo 
castigados por Deus. 
“28 Portanto assim diz o Senhor: Eis que eu 
entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na 
mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a 
tomará. 
29 E os caldeus que pelejam contra esta cidade 
entrarão nela, e lhe porão fogo, e a queimarão, 
juntamente com as casas sobre cujos terraços 
queimaram incenso a Baal e ofereceram 
229 
libações a outros deuses, para me provocarem a 
ira. 
30 Pois os filhos de Israel e os filhos de Judá têm 
feito desde a sua mocidade tão somente o que 
era mau aos meus olhos; pois os filhos de Israel 
nada têm feito senão provocar-me à ira com as 
obras das suas mãos, diz o Senhor. 
31 Na verdade esta cidade, desde o dia em que a 
edificaram e até o dia de hoje, tem provocado a 
minha ira e o meu furor, de sorte que eu a 
removerei de diante de mim, 
32 por causa de toda a maldade dos filhos de 
Israel e dos filhos de Judá, que fizeram para me 
provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus 
príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas, 
como também os homens de Judá e os 
moradores de Jerusalém. 
33 E viraram para mim as costas, e não o rosto; 
ainda que eu os ensinava, com insistência, eles 
não deram ouvidos para receberem instrução. 
34 Mas puseram as suas abominações na casa 
que se chama pelo meu nome, para a 
profanarem. 
35 Também edificaram os altos de Baal, que 
estão no vale do filho de Hinom, para fazerem 
passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a 
Moloque; o que nunca lhes ordenei, nem me 
passou pela mente, que fizessem tal 
abominação, para fazerem pecar a Judá.” 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias da parte do 
Senhor, no ano décimo de Zedequias, rei de 
Judá, o qual foi o ano dezoito de Nabucodonosor. 
230 
2 Ora, cercava então o exército do rei de 
Babilônia a Jerusalém; e Jeremias, o profeta, se 
achava encerrado no pátio da guarda que estava 
na casa do rei de Judá; 
3 pois Zedequias, rei de Judá, o havia 
encarcerado, dizendo: Por que profetizas , 
dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que entrego 
esta cidade na mão do rei de Babilônia, e ele a 
tomará; 
4 e Zedequias, rei de Judá, não escapará das 
mãos dos caldeus, mas certamente será 
entregue na mão do rei de Babilônia, e com ele 
falará boca a boca, e os seus olhos verão os olhos 
dele; 
5 e ele levará para Babilônia a Zedequias, que ali 
estará até que eu o visite, diz o Senhor, e, ainda 
que pelejeis contra os caldeus, não ganhareis? 
6 Disse pois Jeremias: Veio a mim a palavra do 
Senhor, dizendo: 
7 Eis que Hanamel, filho de Salum, teu tio, virá a 
ti, dizendo: Compra o meu campo que está em 
Anatote, pois tens o direito de resgate; a ti 
compete comprá-lo. 
8 Veio, pois, a mim Hanamel, filho de meu tio, 
segundo a palavra do Senhor, ao pátio da guarda, 
e me disse: Compra o meu campo que está em 
Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o 
direito de herança e teu é o de resgate; compra-
o para ti. Então entendi que isto era a palavra do 
Senhor. 
9 Comprei, pois, de Hanamel, filho de meu tio, o 
campo que está em Anatote; e pesei-lhe o 
dinheiro, dezessete siclos de prata. 
231 
10 Assinei a escritura e a selei, chamei 
testemunhas, e pesei-lhe o dinheiro numa 
balança. 
11 E tomei a escritura da compra, que continha 
os termos e as condições, tanto a que estava 
selada, como a cópia que estava aberta, 
12 e as dei a Baruque, filho de Nerias, filho de 
Maseias, na presença de Hanamel, filho de meu 
tio, e na presença das testemunhas que 
subscreveram a escritura da compra, à vista de 
todos os judeus que estavam sentados no pátio 
da guarda. 
13 E dei ordem a Banique, na presença deles, 
dizendo: 
14 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Toma estas escrituras de compra, tanto a 
selada, como a aberta, e mete-as num vaso de 
barro, para que se possam conservar muitos 
dias; 
15 pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus 
de Israel: Ainda se comprarão casas, e campos, e 
vinhas nesta terra. 
16 E depois que dei a escritura da compra a 
Banique, filho de Nerias, orei ao Senhor, 
dizendo: 
17 Ah! Senhor Deus! És tu que fizeste os céus e a 
terra com o teu grande poder, e com o teu braço 
estendido! Nada há que te seja demasiado difícil! 
18 Usas de benignidade para com milhares e 
tornas a iniquidade dos pais ao seio dos filhos 
depois deles; tu és o grande, o poderoso Deus 
cujo nome é o Senhor dos exércitos. 
19 Grande em conselho, e poderoso em obras, 
cujos olhos estão abertos sobre todos os 
232 
caminhos dos filhos dos homens, para dares a 
cada um segundo os seus caminhos e segundo o 
fruto das suas obras; 
20 puseste sinais e maravilhas na terra do Egito 
até o dia de hoje, tanto em Israel, como entre os 
outros homens; e te fizeste um nome, qual tu 
tens neste dia. 
21 E tiraste o teu povo Israel da terra do Egito, 
com sinais e com maravilhas, e com mão forte, 
e com braço estendido, e com grande terror; 
22 e lhes deste esta terra, que juraste a seus pais 
que lhes havias de dar, terra que mana leite e 
mel. 
23 E entraram nela, e a possuíram; mas não 
obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; 
de tudo o que lhes mandaste fazer, eles não 
fizeram nada; pelo que ordenaste lhes 
sucedesse todo este mal. 
24 Eis aqui os valados! já vieram contra a cidade 
para tomá-la e a cidade está entregue na mão 
dos caldeus que pelejam contra ela, pela espada, 
pela fome e pela peste. O que disseste se 
cumpriu,e eis aqui o estás presenciando. 
25 Contudo tu me disseste, ó Senhor Deus: 
Compra-te o campo por dinheiro, e chama 
testemunhas, embora a cidade já esteja dada na 
mão dos caldeus: 
26 Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
27 Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a 
carne; acaso há alguma coisa demasiado difícil 
para mim? 
28 Portanto assim diz o Senhor: Eis que eu 
entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na 
233 
mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a 
tomará. 
29 E os caldeus que pelejam contra esta cidade 
entrarão nela, e lhe porão fogo, e a queimarão, 
juntamente com as casas sobre cujos terraços 
queimaram incenso a Baal e ofereceram 
libações a outros deuses, para me provocarem a 
ira. 
30 Pois os filhos de Israel e os filhos de Judá têm 
feito desde a sua mocidade tão somente o que 
era mau aos meus olhos; pois os filhos de Israel 
nada têm feito senão provocar-me à ira com as 
obras das suas mãos, diz o Senhor. 
31 Na verdade esta cidade, desde o dia em que a 
edificaram e até o dia de hoje, tem provocado a 
minha ira e o meu furor, de sorte que eu a 
removerei de diante de mim, 
32 por causa de toda a maldade dos filhos de 
Israel e dos filhos de Judá, que fizeram para me 
provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus 
príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas, 
como também os homens de Judá e os 
moradores de Jerusalém. 
33 E viraram para mim as costas, e não o rosto; 
ainda que eu os ensinava, com insistência, eles 
não deram ouvidos para receberem instrução. 
34 Mas puseram as suas abominações na casa 
que se chama pelo meu nome, para a 
profanarem. 
35 Também edificaram os altos de Baal, que 
estão no vale do filho de Hinom, para fazerem 
passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a 
Moloque; o que nunca lhes ordenei, nem me 
234 
passou pela mente, que fizessem tal 
abominação, para fazerem pecar a Judá. 
36 E por isso agora assim diz o Senhor, o Deus de 
Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já 
está dada na mão do rei de Babilônia, pela 
espada, e pela fome, e pela peste: 
37 Eis que eu os congregarei de todos os países 
para onde os tenho lançado na minha ira, e no 
meu furor e na minha grande indignação; e os 
tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem 
nele seguramente. 
38 E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 
39 E lhes darei um só coração, e um só caminho, 
para que me temam para sempre, para seu bem 
e o bem de seus filhos, depois deles; 
40 e farei com eles um pacto eterno de não me 
desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor 
no seu coração, para que nunca se apartem de 
mim. 
41 E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes 
o bem; e os plantarei nesta terra, com toda a 
fidelidade do meu coração e da minha alma. 
42 Pois assim diz o Senhor: Como eu trouxe 
sobre este povo todo este grande mal, assim eu 
trarei sobre eles todo o bem que lhes tenho 
prometido. 
43 E comprar-se-ão campos nesta terra, da qual 
vós dizeis: E uma desolação, sem homens nem 
animais; está entregue na mão dos caldeus. 
44 Comprarão campos por dinheiro, assinarão 
escrituras e as selarão, e chamarão 
testemunhas, na terra de Benjamim, e nos 
lugares ao redor de Jerusalém, e nas cidades de 
Judá e nas cidades da região montanhosa, e nas 
235 
cidades das planícies e nas cidades do Sul 
porque os farei voltar do cativeiro, diz o Senhor.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
236 
Jeremias 33 
 
Enquanto Houver Dia e Noite Haverá Salvação 
 
Nós encontramos Jeremias, no capítulo 33 do 
seu livro, ainda preso no pátio da guarda, por 
ordem do rei Zedequias, e mesmo ali, 
encarcerado, o Senhor continuou lhe dando as 
grandes e preciosas revelações e promessas 
relativas à Nova Aliança. 
 Então Ele encorajou o seu profeta a não ficar 
intimidado pelas circunstâncias em que se 
encontrava, mas que continuasse na sua 
presença, clamando a Ele, porque lhe 
responderia ao clamor e lhe anunciaria, ou seja, 
lhe revelaria as coisas grandes e ocultas 
relativas ao futuro glorioso do seu povo, que 
Jeremias ainda não conhecia, e que não se 
cumpririam nos seus dias de vida na terra. 
Jerusalém estava sendo invadida pelos 
babilônios, mas o Senhor ainda faria com os 
judeus, no futuro, tudo o que está escrito a partir 
do verso 6, no qual afirma o seguinte: 
“Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os 
sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e 
de segurança.” (v. 6) 
Deus formou Israel para ser um povo santo, e Ele 
teria este povo santo, quando lhes desse o 
Messias, porque não somente faria com que 
voltassem do exílio em Babilônia, mas os 
edificaria, purificando-os de toda a iniquidade 
do seu pecado contra ele, e perdoaria todas as 
suas iniquidades com que haviam pecado e 
237 
transgredido contra Ele, conforme promessa 
que já havia feito através do profeta em Jer 31.27-
34 (Jer 33.7, 8). 
Jerusalém serviria então, conforme a vocação 
que lhe fora dada por Deus, de nome de júbilo, 
de louvor e de glória diante de todas as nações 
da terra, por verem todo o bem e paz que o 
Senhor daria ao seu povo (Jer 33.9). 
Uma demonstração desta bem-aventurança 
eterna, quando estivessem reunidos ao 
Messias, seria o fato de trazê-los de volta de 
Babilônia para a sua própria terra, na qual eles 
seriam alegrados novamente por Ele (v. 10 a 14). 
E depois disto, ainda lhes daria o Rei justo 
prometido em Jer 23.5,6, pelo qual seria 
cumprida a promessa de inauguração de uma 
Nova Aliança com o seu povo, conforme 
reafirmou tal promessa neste 33º capítulo. 
É importante lembrar que mesmo depois da 
volta dos judeus de Babilônia em 537. a. C, eles 
tiveram que esperar ainda 570 anos, até a morte 
e ressurreição de Jesus, quando foi finalmente 
inaugurada a Nova Aliança prometida. 
Por isso o Senhor se referiu ao cumprimento 
desta promessa como sendo relativa a dias 
futuros, com a expressão “Eis que vêm os dias, 
diz o Senhor, em que cumprirei...”. 
Ele chamou a Nova Aliança em Cristo, como 
sendo o cumprimento da boa promessa que 
havia dado a Israel e a Judá (v. 14). É boa palavra 
porque se refere à boa nova, ao evangelho, que é 
o seu poder para salvar os que creem. 
 
238 
O enfoque da promessa da Nova Aliança não 
está no povo, mas no Renovo de justiça, que 
brotaria a Davi e que executaria juízo e justiça na 
terra, porque é a Ele que o Pai tem dado o poder 
de julgar tanto a vivos quanto mortos, como 
também de justificar os pecadores que se 
arrependem e que nele creem. 
É por isso que o povo que se acha debaixo do 
governo deste Rei justo será chamado pelo 
nome: O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA. Porque é 
por causa da sua justiça em nós que temos 
salvação e segurança eternas (v. 15,16), a saber a 
sua justiça eterna e perfeita com a qual somos 
justificados. 
É nele que se cumpriria a promessa feita por 
Deus a Davi no passado de que não lhe faltaria 
varão que se assentasse sobre o trono da casa de 
Israel, e que seria da sua descendência. 
Este varão que nunca faltará a Davi, assentado 
em seu trono, é Cristo (v. 17). 
A segurança deste pacto firmado com Davi é 
eterna, do mesmo modo que ninguém pode 
fazer com que deixe de existir dia e noite (v. 20 a 
26). 
 
“1 E veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
segunda vez, estando ele ainda encarcerado no 
pátio da guarda, dizendo: 
2 Assim diz o Senhor que faz isto, o Senhor que 
forma isto, para o estabelecer; o Senhor é o seu 
nome. 
3 Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-
ei coisas grandes e ocultas, que não sabes. 
 
239 
4 Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel, 
acerca das casas desta cidade, e acerca das casas 
dos reis de Judá, que foram demolidas para fazer 
delas uma defesa contra os valados e contra a 
espada; 
5 entrementes os caldeus estão entrando a 
pelejar para os encher de cadáveres de homens 
que ferirei na minha ira e no meu furor; 
porquanto escondi o meu rostodesta cidade, 
por causa de toda a sua maldade. 
6 Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os 
sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e 
de segurança. 
7 E farei voltar do cativeiro os exilados de Judá e 
de Israel, e os edificarei como ao princípio. 
8 E os purificarei de toda a iniquidade do seu 
pecado contra mim; e perdoarei todas as suas 
iniquidades, com que pecaram e transgrediram 
contra mim. 
9 E esta cidade me servirá de nome de júbilo, de 
louvor e de glória, diante de todas as nações da 
terra que ouvirem de todo o bem que eu lhe faço; 
e espantar-se-ão e perturbar-se-ão por causa de 
todo o bem, e por causa de toda a paz que eu lhe 
dou. 
10 Assim diz o Senhor: Neste lugar do qual vós 
dizeis: E uma desolação, sem homens nem 
animais, sim, nas cidades de Judá, e nas ruas de 
Jerusalém, que estão assoladas, sem homens, 
sem moradores e sem animais, ainda se ouvirá 
11 a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz de noivo 
e a voz de noiva, e a voz dos que dizem: Dai graças 
ao Senhor dos exércitos, porque bom é o 
Senhor, porque a sua benignidade dura para 
240 
sempre; também se ouvirá a voz dos que trazem 
à casa do Senhor sacrifícios de ação de graças. 
Pois farei voltar a esta terra os seus exilados 
como no princípio, diz o Senhor. 
12 Assim diz o Senhor dos exércitos: Ainda neste 
lugar, que está deserto, sem homens, e sem 
animais, e em todas as suas cidades, haverá uma 
morada de pastores que façam repousar aos 
seus rebanhos. 
13 Nas cidades da região montanhosa, nas 
cidades das planícies, e nas cidades do sul, e na 
terra de Benjamim, e nos contornos de 
Jerusalém, e nas cidades de Judá, ainda passarão 
os rebanhos pelas mãos dos contadores, diz o 
Senhor. 
14 Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que 
cumprirei a boa palavra que falei acerca da casa 
de Israel e acerca da casa de Judá. 
15 Naqueles dias e naquele tempo farei que 
brote a Davi um Renovo de justiça; ele executará 
juízo e justiça na terra. 
16 Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém 
habitará em segurança; e este é o nome que lhe 
chamarão: O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA. 
17 Pois assim diz o Senhor: Nunca faltará a Davi 
varão que se assente sobre o trono da casa de 
Israel; 
18 nem aos sacerdotes levíticos faltará varão 
diante de mim para oferecer holocaustos, e 
queimar ofertas de cereais e oferecer sacrifícios 
continuamente. 
19 E veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
241 
20 Assim diz o Senhor: se puderdes invalidar o 
meu pacto com o dia, e o meu pacto com a noite, 
de tal modo que não haja dia e noite a seu tempo, 
21 também se poderá invalidar o meu pacto com 
Davi, meu servo, para que não tenha filho que 
reine no seu trono; como também o pacto com 
os sacerdotes levíticos, meus ministros. 
22 Assim como não se pode contar o exército dos 
céus, nem medir-se a areia do mar, assim 
multiplicarei a descendência de Davi, meu 
servo, e os levitas, que ministram diante de 
mim. 
23 E veio ainda a palavra do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
24 Acaso não observaste o que este povo está 
dizendo: As duas famílias que o Senhor 
escolheu, agora as rejeitou? Assim desprezam o 
meu povo, como se não fora um povo diante 
deles. 
25 Assim diz o Senhor: Se o meu pacto com o dia 
e com a noite não permanecer, e se eu não tiver 
determinado as ordenanças dos céus e da terra, 
26 também rejeitarei a descendência de Jacó, e 
de Davi, meu servo, de modo que não tome da 
sua descendência os que dominem sobre a 
descendência de Abraão, Isaque, e Jacó; pois eu 
os farei voltar do seu cativeiro, e apiedar-me-ei 
deles.” (Jeremias 33.1-26) 
 
 
 
 
 
 
242 
Jeremias 34 
 
Deus havia enviado Jeremias ao rei Zedequias 
com uma palavra boa para ele, de poupá-lo de 
ser morto à espada por Nabucodonosor, ainda 
que Jerusalém viesse a ser tomada e queimada a 
fogo. 
Ao ouvir esta palavra Zedequias reuniu os 
príncipes e fizeram um pacto, assim como todo 
o povo que tinha escravos que eram irmãos 
judeus, e os soltariam em cumprimento à lei do 
ano sabático da Lei de Moisés. 
Para confirmarem o pacto ofereceram um 
bezerro em sacrifício na presença do Senhor, o 
qual foi partido ao meio, e eles passaram no 
meio das duas partes, significando que estavam 
oferecendo a sua própria vida, por aquela vítima 
vicária, em símbolo de que cumpririam o que 
haviam feito. 
Deus se agradou tanto do que eles fizeram, que 
em vez de entrar em Jerusalém, Nabucodonosor 
começou a se retirar com o seu exército e todas 
as tropas confederadas das nações que ele havia 
dominado, e que se encontravam com ele 
sitiando a cidade de Jerusalém. 
Como eles perceberam que tiveram alívio, 
voltaram a se endurecer, tal qual faraó no 
passado, e tornaram a escravizar seus irmãos 
judeus aos quais haviam libertado. 
Isto fez com que a ira do Senhor se acendesse 
contra eles, porque de Deus não se zomba, e 
estavam desprezando não somente o 
mandamento que tinham a obrigação de 
243 
cumprir, como quebrando um voto que haviam 
feito na presença de Deus, com o oferecimento 
de um bezerro em sacrifício. 
Então, o Senhor faria com que os babilônios 
dessem meia volta e tomassem e queimassem a 
cidade, e Deus disse pelo profeta, que entregaria 
Zedequias na mão de Nabucodonosr, e que 
todos aqueles príncipes e o povo da terra que 
haviam quebrado o voto que fizeram de 
libertarem seus irmãos, seriam também 
entregues na sua mão para serem mortos, e os 
seus cadáveres serviriam de pasto às aves do céu 
e aos animais da terra. 
 
“1 A palavra que da parte do Senhor veio a 
Jeremias, quando Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos 
da terra que estavam sob o domínio da sua mão, 
e todos os povos, pelejavam contra Jerusalém, e 
contra todas as suas cidades, dizendo: 
2 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vai, e fala a 
Zedequias, rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz o 
Senhor: Eis que estou prestes a entregar esta 
cidade na mão do rei de Babilônia, o qual a 
queimará a fogo. 
3 E tu não escaparás da sua mão; mas 
certamente serás preso e entregue na sua mão; 
e teus olhos verão os olhos do rei de Babilônia, e 
ele te falará boca a boca, e irás a Babilônia. 
4 Todavia ouve a palavra do Senhor, ó 
Zedequias, rei de Judá; assim diz o Senhor acerca 
de ti: Não morrerás à espada; 
5 em paz morrerás, e como queimavam 
perfumes a teus pais, os reis precedentes, que 
244 
foram antes de ti, assim tos queimarão a ti; e te 
prantearão, dizendo: Ah Senhor! Pois eu disse a 
palavra, diz o Senhor. 
6 E anunciou Jeremias, o profeta, a Zedequias, 
rei de Judá, todas estas palavras, em Jerusalém, 
7 quando o exército do rei de Babilônia pelejava 
contra Jerusalém, e contra todas as cidades de 
Judá, que ficaram de resto, contra Laquis e 
contra Azeca; porque dentre as cidades de Judá, 
só estas haviam ficado como cidades 
fortificadas. 
8 A palavra que da parte do Senhor veio a 
Jeremias, depois que o rei Zedequias fez um 
pacto com todo o povo que estava em Jerusalém, 
para lhe fazer proclamação de liberdade, 
9 para que cada um libertasse o seu escravo, e 
cada um a sua escrava, hebreu ou hebreia, de 
maneira que ninguém se servisse mais dos 
judeus, seus irmãos, como escravos. 
10 E obedeceram todos os príncipes e todo o 
povo que haviam entrado no pacto de 
libertarem cada qual o seu escravo, e cada qual 
a sua escrava, de maneira a não se servirem 
mais deles, sim, obedeceram e os libertaram. 
11 Mas depois se arrependeram, e fizeram voltar 
os escravos e as escravas que haviam libertado, 
e tornaram a escravizá-los. 
12 Veio, pois, a palavra do Senhor a Jeremias, da 
parte do Senhor, dizendo: 
13 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu fiz um 
pacto com vossos pais, no dia em que os tirei da 
terra do Egito, da casa da servidão, dizendo: 
14 Ao fim de sete anos libertareis cada um a seu 
irmão hebreu, que te for vendido, e te houver 
245 
servido seis anos, e despedi-lo-ás livre de ti; mas 
vossos paisnão me ouviram, nem inclinaram os 
seus ouvidos. 
15 E vos havíeis hoje arrependido, e tínheis feito 
o que é reto aos meus olhos, proclamando 
liberdade cada um ao seu próximo; e tínheis 
feito diante de mim um pacto, na casa que se 
chama pelo meu nome; 
16 mudastes, porém, e profanastes o meu nome, 
e fizestes voltar cada um o seu escravo, e cada 
um a sua escrava, que havíeis deixado ir livres à 
vontade deles; e os sujeitastes de novo à 
servidão. 
17 Portanto assim diz o Senhor: Vós não me 
ouvistes a mim, para proclamardes a liberdade, 
cada um ao seu irmão, e cada um ao seu 
próximo. Eis, pois, que eu vos proclamo a 
liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a 
peste e para a fome; e farei que sejais um 
espetáculo de terror a todos os reinos da terra. 
18 Entregarei os homens que traspassaram o 
meu pacto, e não cumpriram as palavras do 
pacto que fizeram diante de mim com o bezerro 
que dividiram em duas partes, passando pelo 
meio das duas porções. 
19 Os príncipes de Judá, os príncipes de 
Jerusalém, os eunucos, os sacerdotes, e todo o 
povo da terra, os mesmos que passaram pelo 
meio das porções do bezerro, 
20 entrega-los-ei, digo, na mão de seus 
inimigos, e na mão dos que procuram a sua 
morte. Os cadáveres deles servirão de pasto para 
as aves do céu e para os animais da terra. 
246 
21 E a Zedequias, rei de Judá, e seus príncipes 
entregarei na mão de seus inimigos e na mão 
dos que procuram a sua morte, e na mão do 
exército do rei de Babilônia, os quais já se 
retiraram de vós. 
22 Eis que eu darei ordem, diz o Senhor, e os 
farei tornar a esta cidade, e pelejarão contra ela, 
e a tomarão, e a queimarão a fogo; e das cidades 
de Judá farei uma assolação, de sorte que 
ninguém habite nelas.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
247 
Jeremias 35 
 
A narrativa deste capítulo pertence a um 
período anterior à dos capítulos anteriores 
referentes ao tempo do rei Zedequias, porque os 
fatos aqui narradas ocorreram antes dele, nos 
dias do rei Jeoaquim. 
Por ordem do Senhor, Jeremias trouxe a uma 
das câmaras do templo os filhos de Jonadabe, 
filho de Recabe, que havia dado ordem aos seus 
filhos que não tomassem vinho, e nem sequer 
plantassem vinhas, mas que vivessem em 
tendas, para prolongarem seus dias na terra. 
Com isto, ele estava se prevenindo de que 
houvesse problemas de alcoolismo em sua 
família, e deu um passo além da própria lei de 
Deus quanto ao uso do vinho que era proibido 
somente aos que fizessem voto de nazireado, 
bem como todo produto da vide. 
Todavia, o que Deus queria comparar era o fato 
dos filhos de Jonadabe terem obedecido 
totalmente à ordem do seu pai, enquanto os 
judeus se recusavam a obedecer ao Deus deles. 
Porque Jeremias colocou taças cheias de vinho 
na presença deles, seguindo as instruções que 
lhes haviam sido dadas pelo Senhor, e lhes 
ordenou que bebessem, mas eles se recusaram 
terminantemente a fazê-lo porque não queriam 
quebrar a promessa de obediência que haviam 
feito a Jonadabe, filho de Recabe. 
Por isso, o Senhor fez acerca deles, a promessa 
de nunca deixar faltar varões na descendência 
248 
deles, porque haviam honrado a seu pai, 
conforme era ordenado pela Lei. 
Mas, dos judeus rebeldes que se recusavam a 
obedecê-lO, disse que lhes traria todo o mal que 
havia profetizado contra eles. 
 
“1 A palavra que da parte do Senhor veio a 
Jeremias, nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, 
rei de Judá, dizendo: 
2 Vai à casa dos recabitas, e fala com eles, 
introduzindo-os na casa do Senhor, em uma das 
câmaras, e lhes oferece vinho a beber. 
3 Então tomei a Jaazanias, filho de Jeremias, filho 
de Habazínias, e a seus irmãos, e a todos os seus 
filhos, e a toda a casa dos recabitas, 
4 e os introduzi na casa do Senhor, na câmara 
dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de 
Deus, a qual estava junto à câmara dos príncipes 
que ficava sobre a câmara de Maaseias, filho de 
Salum, guarda do vestíbulo; 
5 e pus diante dos filhos da casa dos recabitas 
taças cheias de vinho, e copos, e disse-lhes: 
Bebei vinho. 
6 Eles, porém, disseram: Não beberemos vinho, 
porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos 
ordenou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, 
nem vós nem vossos filhos; 
7 não edificareis casa, nem semeareis semente, 
nem plantareis vinha, nem a possuireis; mas 
habitareis em tendas todos os vossos dias; para 
que vivais muitos dias na terra em que andais 
peregrinando. 
8 Obedecemos pois à voz de Jonadabe, filho de 
Recabe, nosso pai, em tudo quanto nos ordenou, 
249 
de não bebermos vinho em todos os nossos dias, 
nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos 
filhos, nem nossas filhas; 
9 nem de edificarmos casas para nossa 
habitação; nem de possuirmos vinha, nem 
campo, nem semente; 
10 mas habitamos em tendas, e assim 
obedecemos e fazemos conforme tudo quanto 
nos ordenou Jonadabe, nosso pai. 
11 Sucedeu, porém, que, quando subia 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, contra esta 
terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalém, 
por causa do exército dos caldeus, e por causa do 
exército dos sírios; e assim habitamos em 
Jerusalém. 
12 Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, 
dizendo: 
13 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de 
Israel: Vai, e dize aos homens de Judá e aos 
moradores de Jerusalém: Acaso não aceitareis 
instrução, para ouvirdes as minhas palavras? diz 
o Senhor. 
14 As palavras de Jonadabe, filho de Recabe, 
pelas quais ordenou a seus filhos que não 
bebessem vinho, foram guardadas; pois não o 
têm bebido até o dia de hoje, porque obedecem 
o mandamento de seu pai; a mim, porém, que 
vos tenho falado a vós, com insistência, vós não 
me ouvistes. 
15 Também vos tenho enviado, 
insistentemente, todos os meus servos, os 
profetas, dizendo: Convertei-vos agora, cada um 
do seu mau caminho, e emendai as vossas ações, 
e não vades após outros deuses para os servir, e 
250 
assim habitareis na terra que vos dei a vós e a 
vossos pais; mas não inclinastes o vosso ouvido, 
nem me obedecestes a mim. 
16 Os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, 
guardaram o mandamento de seu pai que ele 
lhes ordenou, mas este povo não me obedeceu; 
17 por isso assim diz o Senhor, o Deus dos 
exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre 
Judá, e sobre todos os moradores de Jerusalém, 
todo o mal que pronunciei contra eles; pois lhes 
tenho falado, e não ouviram; e clamei a eles, e 
não responderam. 
18 E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim 
diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Pois 
que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, 
vosso pai, guardando todos os seus 
mandamentos e fazendo conforme tudo quanto 
vos ordenou; 
19 portanto assim diz o Senhor dos exércitos, 
Deus de Israel: Nunca jamais faltará varão a 
Jonadabe, filho de Recabe, que assista diante de 
mim.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
251 
Jeremias 36 
 
Baruque era o amanuense de Jeremias, ou seja, 
quem escrevia no rolo todas as profecias que 
lhes eram dadas pelo Senhor. 
A pedido do Senhor a Jeremias, Baruque leu no 
templo de Jerusalém, na presença dos escribas 
que ali trabalhavam, bem como de todos que ali 
se encontravam, todas as profecias que Jeremias 
havia recebido desde os dias do rei Josias, e que 
Baruque havia escrito no rolo, que lera na 
presença dos judeus que iam ao templo, porque 
o Senhor tinha em vista produzir 
arrependimento neles, para que fossem 
poupados dos juízos que estavam sendo 
pronunciados por ele, e que se encontravam 
registrados no rolo que fora redigido por 
Baruque. 
Os escribas temeram em princípio ao ouvirem 
aquelas palavras e pediram a Baruque que lhes 
entregasse o rolo e que procurasse um abrigo 
juntamente com Jeremias para estarem em 
segurança, porque não sabiam qual seria a 
reação do rei e dos príncipes contra eles, ao 
ouvirem tais palavras. 
Quando o rolo foi entregue na mão do rei, ele se 
indignou antes mesmo de ter completadoa 
leitura da sua terceira coluna, e não somente o 
cortou como o lançou num braseiro para ser 
queimado, não atendendo ao pedido de alguns 
dos seus servos, que insistiram com ele para que 
não o fizesse. 
 
252 
Isto me traz à mente e ao coração o pensamento 
que não poucos ministros do evangelho e outros 
servos do Senhor, têm em relação à Palavra do 
Senhor a mesma atitude do rei Jeoaquim. Eles 
não a temem. Eles a desprezam. Eles não levam 
em conta os juízos ali pronunciados contra o 
pecado e não se arrependem de suas más obras. 
E o pior de tudo, eles fazem como fizera o rei, 
porque ainda que sejam admoestados por 
servos mais prudentes do que eles, não somente 
desconsideram suas repreensões, como dão um 
passo mais além, cortando a Palavra do Senhor 
de suas vidas, e a consideram como algo 
desprezível próprio para ser destruído pelo fogo. 
Todavia, como é possível acabar com uma 
Palavra que jamais passará, mesmo quando 
passarem os céus e a terra? Eles a desprezam e a 
desconsideram para a própria ruína deles, 
porque em vez de se fazer favorável àqueles que 
havia ordenado a leitura da sua Palavra, o 
Senhor erigiu um tribunal para condená-los, 
porque desprezar a sua Palavra é o mesmo que 
desprezá-lo. Eles não se arrependeram, e 
portanto, o Senhor não se arrependeria de 
trazer sobre eles todo o mal que havia 
profetizado. 
Como a Palavra do Senhor não pode ser 
destruída, foi dado ordem a Baruque que 
reescrevesse noutro rolo, tudo o que havia 
escrito no que fora queimado. 
Quanto ao rei Jeoaquim, não lhe seria permitido 
ter um descendente que se assentasse no trono 
de Judá, e seria morto pelos babilônios e o seu 
cadáver ficaria exposto na rua, sem receber a 
253 
honra de um funeral digno, e assim ele seria 
castigado, e não somente ele como a sua 
descendência e os seus servos por causa da sua 
iniquidade, que havia culminado com esta 
última gota que havia completado a medida da 
sua iniquidade, a saber, a do sacrilégio que ele 
havia praticado. 
 
“1 Sucedeu pois no ano quarto de Jeoaquim, 
filho de Josias, rei de Judá, que da parte do 
Senhor veio esta palavra a Jeremias, dizendo: 
2 Toma o rolo dum livro, e escreve nele todas as 
palavras que te hei falado contra Israel, contra 
Judá e contra todas as nações, desde o dia em 
que eu te falei, desde os dias de Josias até o dia 
de hoje. 
3 Ouvirão talvez os da casa de Judá todo o mal 
que eu intento fazer-lhes; para que cada qual se 
converta do seu mau caminho, a fim de que eu 
perdoe a sua iniquidade e o seu pecado. 
4 Então Jeremias chamou a Baruque, filho de 
Nerias; e escreveu Baruque, no rolo dum livro, 
enquanto Jeremias lhas ditava, todas as palavras 
que o Senhor lhe havia falado. 
5 E Jeremias deu ordem a Baruque, dizendo: Eu 
estou impedido; não posso entrar na casa do 
Senhor. 
6 Entra pois tu e, pelo rolo que escreveste 
enquanto eu ditava, lê as palavras do Senhor aos 
ouvidos do povo, na casa do Senhor, no dia de 
jejum; e também as lerás aos ouvidos de todo o 
Judá que vem das suas cidades. 
7 Pode ser que caia a sua súplica diante do 
Senhor, e se converta cada um do seu mau 
254 
caminho; pois grande é a ira e o furor que o 
Senhor tem manifestado contra este povo. 
8 E fez Baruque, filho de Nerias, conforme tudo 
quanto lhe havia ordenado Jeremias, o profeta, 
lendo no livro as palavras do Senhor na casa do 
Senhor. 
9 No quinto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei 
de Judá, no mês nono, todo o povo em 
Jerusalém, como também todo o povo que vinha 
das cidades de Judá a Jerusalém, apregoaram 
um jejum diante do Senhor. 
10 Leu, pois, Baruque no livro as palavras de 
Jeremias, na casa do Senhor, na câmara de 
Gemarias, filho de Safã, o escriba, no átrio 
superior, à entrada da porta nova da casa do 
Senhor, aos ouvidos de todo o povo. 
11 E, ouvindo Micaías, filho de Gemarias, filho de 
Safã, todas as palavras do Senhor, naquele livro, 
12 desceu à casa do rei, à câmara do escriba. E eis 
que todos os príncipes estavam ali assentados: 
Elisama, o escriba, e Delaías, filho de Semaías, e 
Elnatã, filho de Acbor, e Gemarias, filho de Safã, 
e Zedequias, filho de Hananias, e todos os outros 
príncipes. 
13 E Micaías anunciou-lhes todas as palavras 
que ouvira, quando Baruque leu o livro aos 
ouvidos do povo. 
14 Então todos os príncipes mandaram Jeúdi, 
filho de Netanias, filho Selemias, filho de Cuche, 
a Baruque, para lhe dizer: O rolo que leste aos 
ouvidos do povo, toma-o na tua mão, e vem. E 
Baruque, filho de Nerias, tomou o rolo na sua 
mão, e foi ter com eles. 
255 
15 E disseram-lhe: Assenta-te agora, e lê-o aos 
nossos ouvidos. E Baruque o leu aos ouvidos 
deles. 
16 Ouvindo eles todas aquelas palavras, 
voltaram-se temerosos uns para os outros, e 
disseram a Baruque: Sem dúvida alguma temos 
que anunciar ao rei todas estas palavras. 
17 E disseram a Baruque: Declara-nos agora 
como escreveste todas estas palavras. Ele as 
ditava? 
18 E disse-lhes Baruque: Sim, da sua boca ele me 
ditava todas estas palavras, e eu com tinta as 
escrevia no livro. 
19 Então disseram os príncipes a Baruque: Vai, 
esconde-te tu e Jeremias; e ninguém saiba onde 
estais. 
20 E foram ter com o rei ao átrio; mas 
depositaram o rolo na câmara de Elisama, o 
escriba, e anunciaram aos ouvidos do rei todas 
aquelas palavras. 
21 Então enviou o rei a Jeúdi para trazer o rolo; e 
Jeúdi tomou-o da câmara de Elisama, o escriba, 
e o leu aos ouvidos do rei e aos ouvidos de todos 
os príncipes que estavam em torno do rei. 
22 Ora, era o nono mês e o rei estava assentado 
na casa de inverno, e diante dele estava um 
braseiro aceso. 
23 E havendo Jeúdi lido três ou quatro colunas, o 
rei as cortava com o canivete do escrivão, e as 
lançava no fogo que havia no braseiro, até que 
todo o rolo se consumiu no fogo que estava 
sobre o braseiro. 
256 
24 E não temeram, nem rasgaram os seus 
vestidos, nem o rei nem nenhum dos seus 
servos que ouviram todas aquelas palavras 
25 e, posto que Elnatã, Delaías e Gemarias 
tivessem insistido com o rei que não queimasse 
o rolo, contudo ele não lhes deu ouvidos. 
26 Antes deu ordem o rei a Jerameel, filho do rei, 
e a Seraías, filho de Azriel, e a Selemias, filho de 
Abdeel, que prendessem a Baruque, o escrivão, 
e a Jeremias, o profeta; mas o Senhor os 
escondera. 
27 Depois que o rei queimara o rolo com as 
palavras que Baruque escrevera da boca de 
Jeremias, veio a Jeremias a palavra do Senhor, 
dizendo: 
28 Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas 
aquelas palavras que estavam no primeiro rolo, 
que Jeoaquim, rei de Judá, queimou. 
29 E a Jeoaquim, rei de Judá, dirás: Assim diz o 
Senhor: Tu queimaste este rolo, dizendo: Por 
que escreveste nele anunciando: Certamente 
virá o rei da Babilônia, e destruirá esta terra e 
fará cessar nela homens e animais? 
30 Portanto assim diz o Senhor acerca de 
Jeoaquim, rei de Judá: Não terá quem se assente 
sobre o trono de Davi, e será lançado o seu 
cadáver ao calor de dia, e à geada de noite. 
31 E castiga-lo-ei a ele, e a sua descendência e os 
seus servos, por causa da sua iniquidade; e trarei 
sobre ele e sobre os moradores de Jerusalém, e 
sobre os homens de Judá, todo o mal que tenho 
pronunciado contra eles, e que não ouviram. 
32 Tomou, pois, Jeremias outro rolo, e o deu a 
Baruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual 
257 
escreveu nele, enquanto Jeremias ditava, todas 
as palavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, 
tinha queimado no fogo; e ainda se lhes 
acrescentaram muitas palavras semelhantes.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
258 
Jeremias 37 
 
Este capítulo retoma a narrativa do capítulo 
34, no qual nós vimos que os babilônios estavam 
retrocedendo do cerco à cidade de Jerusalém, e 
neste presente capítulo nós vemos o motivo 
disto: os egípcios, possivelmente por terem 
recebido um pedido de socorro de Zedequias 
para livrá-los do cerco dos babilônios,à custa de 
lhes dar grandes riquezas, estavam subindo na 
direção de Jerusalém. 
Como Jeremias pretendia se dirigir à sua terra 
na tribo de Benjamin, quando estava para deixar 
a cidade de Jerusalém, um capitão da guarda o 
prendeu sob a falsa acusação que estava 
desertando para o lado dos babilônios, e levou o 
profeta à presença dos príncipes, e estes ficaram 
muito irados contra Jeremias e o açoitaram e 
prenderam na casa do escrivão chamado 
Jônatas, que eles tinham transformado em 
prisão, e Jeremias ficou por muitos dias 
encerrado num calabouço. 
Empolgado com a notícia de que os babilônios 
estavam se retirando o rei Zedequias mandou 
chamar a Jeremias para lhe perguntar em 
segredo se havia alguma palavra da parte do 
Senhor confirmando a derrota dos babilônios 
para os egípcios. 
Todavia, para sua decepção, o profeta lhe disse 
que ele seria entregue na mão do rei de 
Babilônia, e protestou contra a sua prisão injusta 
por parte do rei e dos seus servos, e lhe pediu 
que não o fizesse retornar à prisão na 
259 
 
casa de Jônatas porque viria a morrer ali, de 
modo que Zedequias ordenou que o pusessem 
no átrio da guarda e que lhe dessem um bolo de 
pão diariamente, mas chegou o dia em que já 
não havia mais pão na cidade por causa do cerco 
dos babilônios. Mas Jeremias permaneceu 
preso no átrio da guarda, por ordem do rei. 
O Senhor fizera com que os egípcios 
retornassem para a sua terra, de modo que os 
babilônios voltaram a apertar o sítio que vinham 
fazendo contra Jerusalém. 
 
“1 E Zedequias, filho de Josias, a quem 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, constituiu rei 
na terra de Judá, reinou em lugar de Conias, 
filho de Jeoaquim. 
2 Mas nem ele, nem os seus servos, nem o povo 
da terra escutaram as palavras do Senhor que 
este falou por intermédio de Jeremias o profeta. 
3 Contudo mandou o rei Zedequias a Jeucal filho 
de Selemias, e a Sofonias, filho de Maaseias, o 
sacerdote, ao profeta Jeremias, para lhe 
dizerem: Roga agora por nós ao Senhor nosso 
Deus, 
4 Ora, Jeremias entrava e saía entre o povo; pois 
ainda não o tinham encerrado na prisão. 
5 E o exército de Faraó saíra do Egito; quando, 
pois, os caldeus que estavam sitiando 
Jerusalém, ouviram esta notícia, retiraram-se 
de Jerusalém. 
6 Então veio a Jeremias, o profeta, a palavra do 
Senhor, dizendo: 
260 
7 Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Assim 
direis ao rei de Judá, que vos enviou a mim, para 
me consultar: Eis que o exército de Faraó, que 
saiu em vosso socorro, voltará para a sua terra 
no Egito. 
8 E voltarão os caldeus, e pelejarão contra esta 
cidade, e a tomarão, e a queimarão a fogo. 
9 Assim diz o Senhor: Não vos enganeis a vós 
mesmos, dizendo: Sem dúvida os caldeus se 
retirarão de nós; pois não se retirarão. 
10 Porque ainda que derrotásseis a todo o 
exército dos caldeus que peleja contra vós, e 
entre eles só ficassem homens feridos, contudo 
se levantariam, cada um na sua tenda, e 
queimariam a fogo esta cidade. 
11 Ora, quando se retirou de Jerusalém o 
exército dos caldeus, por causa do exército de 
faraó, 
12 saiu Jeremias de Jerusalém, a fim de ir à terra 
de Benjamim, para receber ali a sua parte no 
meio do povo. 
13 E quando ele estava à porta de Benjamim, 
achava-se ali um capitão da guarda, cujo nome 
era Jurias, filho de Selemias, filho de Hananias, 
o qual prendeu a Jeremias, o profeta, dizendo: 
Tu estás desertando para os caldeus. 
14 E Jeremias disse: Isso é falso, não estou 
desertando para os caldeus. Mas ele não lhe deu 
ouvidos, de modo que prendeu a Jeremias e o 
levou aos príncipes. 
15 E os príncipes ficaram muito irados contra 
Jeremias, de sorte que o açoitaram e o meteram 
no cárcere, na casa de Jônatas, o escrivão, 
porquanto a tinham transformado em cárcere. 
261 
16 Tendo Jeremias entrado nas celas do 
calabouço, e havendo ficado ali muitos dias, 
17 o rei Zedequias mandou soltá-lo e lhe 
perguntou em sua casa, em segredo: Há alguma 
palavra da parte do Senhor? Respondeu 
Jeremias: Há. E acrescentou: Na mão do rei de 
Babilônia serás entregue. 
18 Disse mais Jeremias ao rei Zedequias: Em que 
tenho pecado contra ti, e contra os teus servos, 
e contra este povo, para que me pusésseis na 
prisão? 
19 Onde estão agora os vossos profetas que vos 
profetizavam, dizendo: O rei de Babilônia não 
virá contra vós nem contra esta terra? 
20 Ora, pois, ouve agora, ó rei, meu senhor: seja 
aceita agora a minha súplica diante de ti; não me 
faças tornar à casa de Jônatas, o escriba, para 
que eu não venha a morrer ali. 
21 Então ordenou o rei Zedequias que pusessem 
a Jeremias no átrio da guarda; e deram-lhe um 
bolo de pão cada dia, da rua dos padeiros, até que 
se gastou todo o pão da cidade. Assim ficou 
Jeremias no átrio da guarda.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
262 
Jeremias 38 
 
Jeremias estava preso no átrio da guarda mas 
não deixou de proclamar as palavras do Senhor 
contra Jerusalém. 
Isto fez com que os principais sacerdotes 
ficassem irados com ele, e se dirigiram ao rei 
pedindo que o matassem, e o rei covardemente, 
disse que não era da sua alçada tal decisão, 
senão dos próprios sacerdotes, porque segundo 
ele o assunto era de interesse religioso. 
Então eles pegaram o profeta e o colocaram 
num poço em cujo fundo não havia água senão 
somente lama, na qual o profeta ficou atolado e 
sem comida e água para beber, de modo que 
deviam pensar com isto justificar uma possível 
morte acidental, porque diriam ao povo que 
Jeremias havia caído no poço, e que ali viera a 
morrer, e com isso, deveriam pensar também, 
que não seriam culpados do sangue de Jeremias 
diante de Deus, porque afinal, não tiraram 
diretamente a sua vida, mas o deixaram numa 
condição na qual certamente viria a morrer. 
A que ponto chega o endurecimento e a 
perversidade do coração do homem. 
Para vergonha dos judeus, e confirmar a 
impiedade deles, não foi nenhum judeu que 
intercedeu em favor de Jeremias junto ao rei, 
para que não morresse, mas um etíope de nome 
Ebede-Meleque. 
A seu pedido, o rei consentiu em tirar Jeremias 
do poço, mas o manteve preso no átrio da 
guarda. 
263 
O orgulhoso rei Zedequias, que estava 
endurecido tal qual faraó no passado, e que se 
recusava a se render a Nabucodonosor, para 
poupar não somente a si mesmo como todo o 
povo do sofrimento que estavam enfrentando 
por causa do sítio dos babilônios, fez com que 
Jeremias viesse à sua presença, à terceira 
entrada do templo, porque temia ser visto pelos 
seus servos, e lhe disse que desejava fazer-lhe 
uma pergunta e que não deixasse de lhe dizer a 
verdade. 
Como o Senhor sabia o que estava no 
pensamento do rei, e o revelou ao seu profeta, 
Jeremias lhe disse que temia passar-lhe a 
revelação porque ele o mataria, e caso o 
aconselhasse, sabia que ele não o ouviria. 
Então o rei jurou a Jeremias em segredo que não 
o mataria e nem o entregaria na mão dos 
príncipes para ser morto. 
Jeremias falou então ao rei, as seguintes 
palavras: 
“17 Então Jeremias disse a Zedequias: Assim diz 
o Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Se 
te renderes aos príncipes do rei de Babilônia, 
será poupada a tua vida, e esta cidade não se 
queimará a fogo, e viverás tu e a tua casa. 
18 Mas, se não saíres aos príncipes do rei de 
Babilônia, então será entregue esta cidade na 
mão dos caldeus, e eles a queimarão a fogo, e tu 
não escaparás da sua mão.” 
Apesar de ter percebido que a palavra que 
Jeremias lhe dera era a verdade, Zedequias, que 
não era um homem de fé, mas um ímpio, não 
poderia confiar que seria poupado por Deus, e 
264 
nem pelos homens, porque julgava que os 
judeus que haviam passado para o lado dos 
babilônios aproveitariam a oportunidade para 
se vingarem dele. 
Nem mesmo sob a palavra afiançada pelo 
profeta de que eles não lançariam mão dele, o 
rei confiou que sua vida seria poupada bem 
como a cidade, caso eles se rendessem, porque 
não tinha fé que grande é a misericórdia deDeus, apesar de que eles merecessem somente 
a destruição por toda a maldade que haviam 
praticado. 
Jeremias ainda acrescentou quais seriam as 
consequências de o rei não dar ouvido ao que 
lhe havia falado da parte do Senhor, conforme 
estão descritas nos versos 22 e 23: 
“22 Eis que todas as mulheres que ficaram na 
casa do rei de Judá serão levadas aos príncipes 
do rei de Babilônia, e elas mesmas dirão: Os teus 
pacificadores te incitaram e prevaleceram 
contra ti; e agora que se atolaram os teus pés na 
lama, voltaram atrás. 
23 Todas as tuas mulheres e os teus filhos serão 
levados para fora aos caldeus; e tu não escaparás 
da sua mão, mas pela mão do rei de Babilônia 
serás preso, e esta cidade será queimada a fogo.” 
Como Zedequias não se disporia a se render, 
então pediu a Jeremias que não dissesse aos 
principais sacerdotes as terríveis 
consequências que viriam sobre eles, de modo 
que não intentassem contra a vida do profeta. 
Zedequias não fizera tal pedido a Jeremias por 
motivo de piedade ou por ter misericórdia do 
profeta, mas porque não queria que soubessem 
265 
que quando o mal lhes sobreviesse, que ele, o 
rei, poderia ter evitado tudo aquilo, caso se 
rendesse aos babilônios, coisa que ele estava 
determinado a não fazer de modo algum. 
Então quando os príncipes vieram ter com 
Jeremias ele lhes encobriu o que havia 
conversado com o rei, e lhes disse que havia 
suplicado ao rei que não o lançasse na prisão da 
casa de Jônatas para que ali não morresse, 
conforme o próprio rei havia aconselhado ao 
profeta que o fizesse. 
 
“1 Ouviram, pois, Sefatias, filho de Matã, e 
Gedalias, filho de Pasur, e Jeucal, filho de 
Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras 
que anunciava Jeremias a todo o povo, dizendo: 
2 Assim diz o Senhor: O que ficar nesta cidade 
morrerá à espada, de fome e de peste; mas o que 
sair para os caldeus viverá; pois a sua vida lhe 
será por despojo, e vivera. 
3 Assim diz o Senhor: Esta cidade infalivelmente 
será entregue na mão do exército do rei de 
Babilônia, e ele a tomará. 
4 E disseram os príncipes ao rei: Morra este 
homem, visto que ele assim enfraquece as mãos 
dos homens de guerra que restam nesta cidade, 
e as mãos de todo o povo, dizendo-lhes tais 
palavras; porque este homem não busca a paz 
para este povo, porem o seu mal. 
5 E disse o rei Zedequias: Eis que ele está na 
vossa mão; porque não é o rei que possa coisa 
alguma contra vós. 
6 Então tomaram a Jeremias, e o lançaram na 
cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no 
266 
átrio da guarda; e desceram Jeremias com 
cordas; mas na cisterna não havia água, senão 
lama, e atolou-se Jeremias na lama. 
7 Quando Ebede-Meleque, o etíope, um eunuco 
que então estava na casa do rei, ouviu que 
tinham metido Jeremias na cisterna, o rei estava 
assentado à porta de Benjamim. 
8 Saiu, pois, Ebede-Meleque da casa do rei, e 
falou ao rei, dizendo: 
9 ó rei, senhor meu, estes homens fizeram mal 
em tudo quanto fizeram a Jeremias, o profeta, 
lançando-o na cisterna; de certo morrerá no 
lugar onde se acha, por causa da fome, pois não 
há mais pão na cidade. 
10 Deu ordem, então, o rei a Ebede-Meleque, o 
etíope, dizendo: Toma contigo daqui três 
homens, e tira Jeremias, o profeta, da cisterna, 
antes que morra. 
11 Assim Ebede-Meleque tomou consigo os 
homens, e entrou na casa do rei, debaixo da 
tesouraria, e tomou dali uns trapos velhos e 
rotos, e roupas velhas, e desceu-os a Jeremias na 
cisterna por meio de cordas. 
12 E disse Ebede-Meleque, o etíope, a Jeremias: 
Põe agora estes trapos velhos e rotos, debaixo 
dos teus sovacos, entre os braços e as cordas. E 
Jeremias assim o fez. 
13 E tiraram Jeremias com as cordas, e o alçaram 
da cisterna; e ficou Jeremias no átrio da guarda. 
14 Então mandou o rei Zedequias e fez vir à sua 
presença Jeremias, o profeta, à terceira entrada 
do templo do Senhor; e disse o rei a Jeremias: 
Vou perguntar-te uma coisa; não me encubras 
nada. 
267 
15 E disse Jeremias a Zedequias: Se eu te 
declarar, acaso não me matarás? E se eu te 
aconselhar, não me ouvirás. 
16 Então jurou o rei Zedequias a Jeremias, em 
segredo, dizendo: Vive o Senhor, que nos fez esta 
alma, que não te matarei nem te entregarei na 
mão destes homens que procuram a tua morte. 
17 Então Jeremias disse a Zedequias: Assim diz o 
Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Se te 
renderes aos príncipes do rei de Babilônia, será 
poupada a tua vida, e esta cidade não se 
queimará a fogo, e viverás tu e a tua casa. 
18 Mas, se não saíres aos príncipes do rei de 
Babilônia, então será entregue esta cidade na 
mão dos caldeus, e eles a queimarão a fogo, e tu 
não escaparás da sua mão. 
19 E disse o rei Zedequias a Jeremias: Receio-me 
dos judeus que se passaram para os caldeus, que 
seja entregue na mão deles, e escarneçam de 
mim. 
20 Jeremias, porém, disse: Não te entregarão. 
Ouve, peço-te, a voz do Senhor, conforme a qual 
eu te falo; e bem te irá, e poupar-se-á a tua vida. 
21 Mas, se tu recusares sair, esta é a palavra que 
me mostrou o Senhor: 
22 Eis que todas as mulheres que ficaram na 
casa do rei de Judá serão levadas aos príncipes 
do rei de Babilônia, e elas mesmas dirão: Os teus 
pacificadores te incitaram e prevaleceram 
contra ti; e agora que se atolaram os teus pés na 
lama, voltaram atrás. 
23 Todas as tuas mulheres e os teus filhos serão 
levados para fora aos caldeus; e tu não escaparás 
268 
da sua mão, mas pela mão do rei de Babilônia 
serás preso, e esta cidade será queimada a fogo. 
24 Então disse Zedequias a Jeremias: Ninguém 
saiba estas palavras, e não morrerás. 
25 Se os príncipes ouvirem que falei contigo, e 
vierem ter contigo e te disserem: Declara-nos 
agora o que disseste ao rei e o que o rei te disse; 
não no-lo encubras, e não te mataremos; 
26 então lhes dirás: Eu lancei a minha súplica 
diante do rei, que não me fizesse tornar à casa de 
Jônatas, para morrer ali. 
27 Então vieram todos os príncipes a Jeremias, e 
o interrogaram; e ele lhes respondeu conforme 
todas as palavras que o rei lhe havia ordenado; 
assim cessaram de falar com ele, pois a coisa 
não foi percebida. 
28 E ficou Jeremias no átrio da guarda, até o dia 
em que Jerusalém foi tomada.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
269 
Jeremias 39 
 
Este capítulo nos dá conta que depois de 
dezoito meses de sítio, Jerusalém caiu 
finalmente no domínio dos babilônios. 
Somente as pessoas muito pobres que nada 
possuíam foram deixadas em Judá, que 
receberam de Babilônia vinhas e campos, sendo 
todos os demais levados em cativeiro. 
O rei Zedequias e todos os seus 
guerreiros tentaram fugir à noite, quando os 
babilônios tomaram Jerusalém, mas foram 
alcançados pelo exército babilônico nas 
campinas de Jericó, e levaram Zedequias à 
presença de Nabucodonosor, que se encontrava 
na terra de Hamate, tendo o rei de Babilônia 
matado os filhos de Zedequias à sua vista, e 
todos os nobres de Judá, e também cegou os 
olhos de Zedequias, e o conduziu como um 
troféu da sua conquista, para Babilônia, atando-
o em cadeias de bronze. 
O palácio de Zedequias foi incendiado pelos 
babilônios, bem como as residências de 
Jerusalém, e derrubaram os muros da cidade, 
que Neemias reconstruiria cerca de cem anos 
depois. 
O próprio rei Nabucodonosor deu ordens a 
respeito de Jeremias, para que fosse livrado da 
prisão do pátio da guarda, na qual fora colocado 
por Zedequias, e que o tratassem com 
humanidade, e que lhe fizessem conforme tudo 
o que fosse do seu desejo. 
270 
Inicialmente, Jeremias foi deixado aos cuidados 
de Gedalias, um dos opositores de Zedequias, 
que havia se juntado a Babilônia, e que agora 
estava sendo colocado pelo rei Nabucodonosor 
como governador do que restara em Judá. 
Quando Jeremias ainda se encontrava preso no 
átrio da guarda, o Senhor lhe dera uma boa 
palavra relativa a Ebede-Meleque, o etíope que 
havia enfrentado os príncipes e orei, para apelar 
em favor de Jeremias quando havia sido 
colocado num poço para ser morto. 
Deus lhe confortou dizendo que não temesse o 
que ainda viria suceder a Jerusalém, e que 
estava ocorrendo agora, porque não o 
entregaria na mão dos babilônios, porque o 
Senhor o salvaria, e não morreria à espada, 
porque havia confiado nele, quando expôs sua 
vida a risco de morte para defender o profeta 
Jeremias. 
Todos os que lutam pela causa da justiça 
haverão de ser poupados da morte eterna, e 
serão protegidos pelo Senhor, enquanto 
viverem neste mundo, e nada lhes sucederá 
sem a sua permissão, porque se agrada dos 
justos, e os seus olhos estão sobre eles para lhes 
fazer o bem. 
 
“1 No ano nono de Zedequias, rei de Judá, no 
décimo mês, veio Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, e todo o seu exército contra 
Jerusalém, e a cercaram. 
2 No ano undécimo de Zedequias, no quarto 
mês, aos nove do mês, fez-se uma brecha na 
cidade. 
271 
3 E entraram todos os príncipes do rei de 
Babilônia, e sentaram-se na porta do meio, os 
quais eram Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, 
Sarsequim, Rabe-Sáris Nergal Sarezer, Rabe-
Maque, juntamente, com todo o resto dos 
príncipes do rei de Babilônia 
4 E sucedeu que, vendo-os Zedequias, rei de 
Judá, e todos os homens de guerra, fugiram, 
saindo da cidade de noite pelo caminho do 
jardim do rei, pela porta entre os dois muros; e 
seguiram pelo caminho da Arabá. 
5 Mas o exército dos caldeus os perseguiu; e eles 
alcançaram a Zedequias nas campinas de Jericó; 
e, prendendo-o, levaram-no a Nabucodonosor 
rei de Babilônia, a Ribla, na terra de Hamate; e o 
rei o sentenciou. 
6 E o rei de Babilônia matou os filhos de 
Zedequias em Ribla, à sua vista; também matou 
o rei de Babilônia a todos os nobres de Judá. 
7 Cegou os olhos a Zedequias, e o atou com 
cadeias de bronze, para levá-lo a Babilônia. 
8 Os caldeus incendiaram a casa do rei e as casas 
do povo, e derribaram os muros de Jerusalém. 
9 Então, ao resto do povo, que ficara na cidade, 
aos desertores que se tinham passado para ele e 
ao resto do povo que havia ficado, levou-os 
Nebuzaradão, capitão da guarda, para Babilônia. 
10 Mas aos pobres dentre o povo, que não 
tinham nada, Nebuzaradão, capitão da guarda, 
deixou-os ficar na terra de Judá; e ao mesmo 
tempo lhes deu vinhas e campos. 
11 Ora Nabucodonosor, rei de Babilônia, havia 
ordenado acerca de Jeremias, a Nebuzaradão, 
capitão dos da guarda, dizendo: 
272 
12 Toma-o, e trata-o bem, e não lhe faças mal 
algum; mas como ele te disser, assim 
procederás para com ele. 
13 Pelo que Nebuzaradão, capitão da guarda, 
Nebusazbã, Rabe-Sáris, Nergal-Sarezer, Rabe-
Maeue, e todos os príncipes do rei de Babilônia 
14 mandaram retirar Jeremias do átrio da 
guarda, e o entregaram a Gedalias, filho de 
Aicão, filho de Safã, para que o levasse para casa; 
assim ele habitou entre o povo. 
15 Ora, a palavra do Senhor viera a Jeremias, 
estando ele ainda encarcerado no átrio da 
guarda, dizendo: 
16 Vai, e fala a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: 
Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: 
Eis que eu cumprirei as minhas palavras sobre 
esta cidade para mal e não para bem; e se 
cumprirão diante de ti naquele dia. 
17 A ti, porém, eu livrarei naquele dia, diz o 
Senhor, e não serás entregue na mão dos 
homens a quem temes. 
18 Pois certamente te salvarei, e não cairás à 
espada, mas a tua vida terás por despojo, 
porquanto confiaste em mim, diz o Senhor.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
273 
Jeremias 40 
 
Nós comentaremos este capítulo em conexão 
com o capítulo seguinte, porque consiste na 
continuação da narrativa deste. 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias da parte do 
Senhor, depois que Nebuzaradão, capitão da 
guarda, o deixara ir de Ramá, quando o havia 
tomado, estando ele atado com cadeias no meio 
de todos os do cativeiro de Jerusalém e de Judá, 
que estavam sendo levados cativos para 
Babilônia. 
2 Ora o capitão da guarda levou Jeremias, e lhe 
disse: O Senhor teu Deus pronunciou este mal 
contra este lugar; 
3 e o Senhor o trouxe, e fez como havia dito; 
porque pecastes contra o Senhor, e não 
obedecestes à sua voz, portanto vos sucedeu 
tudo isto. 
4 Agora pois, eis que te solto hoje das cadeias 
que estão sobre as tuas mãos. Se te apraz vir 
comigo para Babilônia, vem, e eu velarei por ti; 
mas, se não te apraz vir comigo para Babilônia, 
deixa de vir. Olha, toda a terra está diante 
de ti; para onde te parecer bem e conveniente ir, 
para ali vai. 
5 Se assim quiseres, volta a Gedalias, filho de 
Aicão filho de Safã e a quem o rei de Babilônia 
constituiu governador das cidades de Judá, e 
habita com ele no meio do povo; ou vai para 
qualquer outra parte que te aprouver ir. E deu-
274 
lhe o capitão da guarda sustento para o 
caminho, e um presente, e o deixou ir. 
6 Assim veio Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, 
a Mizpá, e habitou com ele no meio do povo que 
havia ficado na terra. 
7 Ouvindo pois todos os chefes das forças que 
estavam no campo, eles e os seus homens, que o 
rei de Babilônia havia constituído a Gedalias, 
filho de Aicão, governador da terra, e que lhe 
havia confiado homens, mulheres e crianças, os 
mais pobres da terra, que não foram levados 
cativos para Babilônia, 
8 vieram ter com Gedalias, a Mizpá; e eram: 
Ismael, filho de Netanias, e Joanã e Jônatas, 
filhos de Careá, e Seraías, filho de Tanumete, e 
os filhos de Efai, o netofatita, e Jezanias, filho do 
maacatita, eles e os seus homens. 
9 E jurou Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, 
eles e pôs seus homens, dizendo: Não temais 
servir aos caldeus; habitai na terra, e servi o rei 
de Babilônia, e bem vos irá. 
10 Quanto a mim, eis que habito em Mizpá, para 
vos representar diante dos caldeus que vierem a 
nós; vós, porém, colhei o vinho e os frutos de 
verão, e o azeite, e metei-os nos vossos vasos, e 
habitai nas vossas cidades, que tomastes. 
11 Do mesmo modo, quando todos os judeus que 
estavam em Moabe, e entre os filhos de Amom, 
e em Edom, e os que havia em todos os países, 
ouviram que o rei de Babilônia havia deixado um 
resto em Judá, e que havia posto sobre eles a 
Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã; 
12 voltaram, então, todos os judeus de todos os 
lugares para onde foram arrojados, e vieram 
275 
para a terra de Judá, a Gedalias, a Mizpá, e 
colheram vinho e frutos do verão com muita 
abundância. 
13 Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das 
forças que estavam no campo vieram ter com 
Gedalias, a Mizpá, 
14 e disseram-lhe: Sabes que Baalis, rei dos 
filhos de Amom, enviou a Ismael, filho de 
Netanias, para te tirar a vida? Mas não lhes deu 
crédito Gedalias, filho de Aicão. 
15 Todavia Joanã, filho de Careá, falou a Gedalias 
em segredo, em Mizpá, dizendo: Deixa, peço-te, 
que eu vá e mate a Ismael, filho de Netanias, sem 
que ninguém o saiba. Por que razão te tiraria ele 
a vida, de modo que fossem dispersos todos os 
judeus que se têm congregado a ti, e perecesse 
o resto de Judá? 
16 Mas disse Gedalias, filho de Aicão, a Joanã, 
filho de Careá: Não faças tal coisa; pois falas 
falsamente contra Ismael.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
276 
Jeremias 41 
 
Nós vemos neste e no capítulo anterior, os 
amonitas buscando mais uma vez o mal para os 
judeus, porque o rei de Amon, preparou uma 
insurreição contra Babilônia, comissionando a 
um certo Ismael, para matar a Gedalias, a quem 
o rei de Babilônia havia nomeado governador 
sobre os pobres que haviam sido deixados em 
Judá. 
Além de matar Gedalias, Ismael matou a 
guarnição de babilônios que havia sido deixada 
em Judá, como também oitenta homens que 
viam pagar seus votos no que havia sobrado do 
templo em Jerusalém, tendo deixado escapar 
apenas a dez deles, porque lhe disseram que 
sabiam onde havia uma reserva de comida 
escondida. 
Muita gente havia se juntado a Gedalias, sendo 
na maior parte judeus que haviam fugido para 
várias partes fora de Judá,por temerem a 
invasão dos babilônios. 
Um comandante de tropas judaicas, chamado 
Joanã, veio no encalço de Ismael, e quando 
aqueles que haviam sido sequestrados por 
Ismael viram Joanã se aproximando deles, 
abandonaram Ismael e passaram para o lado de 
Joanã, tendo apenas oito homens seguido 
juntamente com Ismael para a terra dos 
amonitas. 
Temendo o que os babilônios poderiam lhes 
fazer por causa da morte de Gedalias, ainda que 
não tivessem tomado parte em tal insurreição, 
277 
Joanã estacionou na altura do caminho para 
Belém, pensando em buscar refúgio com 
aqueles que com ele se encontravam, no Egito. 
 
“1 Sucedeu, porém, no mês sétimo, que veio 
Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, de 
sangue real, e um dos nobres do rei, e dez 
homens com ele, a Gedalias, filho de Aicão, a 
Mizpá; e eles comeram pão juntos ali em Mizpá. 
2 E levantou-se Ismael, filho de Netanias, com os 
dez homens que estavam com ele, e feriram a 
Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, à espada, 
matando assim aquele que o rei de Babilônia 
havia posto por governador sobre a terra. 
3 Matou também Ismael a todos os judeus que 
estavam com Gedalias, em Mizpá, como 
também aos soldados caldeus que se achavam 
ali. 
4 Sucedeu pois no dia seguinte, depois que ele 
matara a Gedalias, sem ninguém o saber, 
5 que vieram de Siquém, de Siló e de Samaria, 
oitenta homens, com a barba rapada, e os 
vestidos rasgados e tendo as carnes retalhadas, 
trazendo nas mãos ofertas de cereais e incenso, 
para os levarem à casa do Senhor. 
6 E, saindo-lhes ao encontro Ismael, filho de 
Netanias, desde Mizpá, ia chorando; e sucedeu 
que, encontrando-os, lhes disse: Vinde a 
Gedalias, filho de Aicão. 
7 Chegando eles, porém, até o meio da cidade, 
Ismael, filho de Netanias, e os homens que 
estavam com ele mataram-nos e os lançaram 
num poço. 
278 
8 Mas entre eles se acharam dez homens que 
disseram a Ismael: Não nos mates a nós, porque 
temos escondidos no campo depósitos de trigo, 
cevada, azeite e mel. E ele por isso os deixou, e 
não os matou entre seus irmãos. 
9 E o poço em que Ismael lançou todos os 
cadáveres dos homens que matara por causa de 
Gedalias é o mesmo que fez o rei Asa, por causa 
de Baasa, rei de Israel; foi esse mesmo que 
Ismael, filho de Netanias, encheu de mortos. 
10 E Ismael levou cativo a todo o resto do povo 
que estava em Mizpá: as filhas do rei, e todo o 
povo que ficara em Mizpá, que Nebuzaradão, 
capitão da guarda, havia confiado a Gedalias, 
filho de Aicão; e levou-os cativos Ismael, filho de 
Netanias, e se foi para passar aos filhos de 
Amom. 
11 Ouvindo, porém, Joanã, filho de Careá, e todos 
os chefes das forças que estavam com ele, todo 
o mal que havia feito Ismael, filho de Netanias, 
12 tomaram todos os seus homens e foram 
pelejar contra Ismael, filho de Netanias; e o 
acharam ao pé das grandes águas que há em 
Gibeão. 
13 E todo o povo que estava com Ismael se 
alegrou quando viu a Joanã, filho de Careá, e a 
todos os chefes das forças, que vinham com ele. 
14 E todo o povo que Ismael levara cativo de 
Mizpá virou as costas, e voltou, e foi para Joanã, 
filho de Careá. 
15 Mas Ismael, filho de Netanias, com oito 
homens, escapou de Joanã e se foi para os filhos 
de Amom. 
279 
16 Então Joanã, filho de Careá, e todos os chefes 
das forças que estavam com ele, tomaram a todo 
o resto do povo que Ismael, filho de Netanias, 
tinha levado cativo de Mizpá, depois que matara 
Gedalias, filho de Aicão, a saber, aos soldados, as 
mulheres, aos meninos e aos eunucos, que 
Joanã havia recobrado de Gibeão, 
17 e partiram, indo habitar em Gerute-Quimã, 
que está perto de Belém, para dali entrarem no 
Egito, 
18 por causa dos caldeus; pois os temiam, por ter 
Ismael, filho de Netanias, matado a Gedalias, 
filho de Aicão, a quem o rei de Babilônia tinha 
posto por governador sobre a terra.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
280 
Jeremias 42 
 
Conhecendo o que já estava determinado no 
coração deles, Jeremias lhes disse que apesar de 
terem dito que tudo o que ele lhes falasse da 
parte do Senhor eles fariam, na verdade 
estavam mentindo, e então poderiam estar 
certos de que morreriam à espada, de fome e de 
peste no lugar mesmo para onde desejavam 
peregrinar. 
 
“1 Então chegaram todos os chefes das forças, e 
Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de 
Hosaías, e todo o povo, desde o menor até o 
maior, 
2 e disseram a Jeremias, o profeta: Seja aceita, 
pedimos-te, a nossa súplica diante de ti, e roga 
ao Senhor teu Deus, por nós e por todo este 
resto; porque de muitos restamos somente uns 
poucos, assim como nos veem os teus olhos; 
3 para que o Senhor teu Deus nos ensine o 
caminho por onde havemos de andar e aquilo 
que havemos de fazer. 
4 Respondeu-lhes Jeremias o profeta: Eu vos 
tenho ouvido; eis que orarei ao Senhor vosso 
Deus conforme as vossas palavras; e o que o 
Senhor vos responder, eu vo-lo declararei; não 
vos ocultarei nada. 
5 Então eles disseram a Jeremias: Seja o Senhor 
entre nós testemunha verdadeira e fiel, se assim 
não fizermos conforme toda a palavra com que 
te enviar a nós o Senhor teu Deus. 
281 
6 Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor nosso 
Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para 
que nos suceda bem, obedecendo à voz do 
Senhor nosso Deus. 
7 Ao fim de dez dias veio a palavra do Senhor a 
Jeremias. 
8 Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos 
os chefes das forças que havia com ele, e a todo 
o povo, desde o menor até o maior, 
9 e lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de 
Israel, a quem me enviastes para apresentar a 
vossa súplica diante dele: 
10 Se de boa mente habitardes nesta terra, então 
vos edificarei, e não vos derrubarei; e vos 
plantarei, e não vos arrancarei; porque estou 
arrependido do mal que vos tenho feito. 
11 Não temais o rei de Babilônia, a quem vós 
temeis; não o temais, diz o Senhor; pois eu sou 
convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua 
mão. 
12 E vos concederei misericórdia, para que ele 
tenha misericórdia de vós, e vos faça habitar na 
vossa terra. 
13 Mas se vós disserdes: Não habitaremos nesta 
terra; não obedecendo à voz do Senhor vosso 
Deus, 
14 e dizendo: Não; antes iremos para a terra do 
Egito, onde não veremos guerra, nem 
ouviremos o som de trombeta, nem teremos 
fome de pão, e ali habitaremos; 
15 nesse caso ouvi a palavra do Senhor, ó resto 
de Judá: Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus 
de Israel: Se vós de todo vos propuserdes a 
entrar no Egito, e entrardes para lá peregrinar, 
282 
16 então a espada que vós temeis vos alcançará 
ali na terra do Egito, e a fome que vós receais vos 
seguirá de perto mesmo no Egito, e ali 
morrereis. 
17 Assim sucederá a todos os homens que se 
propuserem a entrar no Egito, a fim de lá 
peregrinarem: morrerão à espada, de fome, e de 
peste; e deles não haverá quem reste ou escape 
do mal que eu trarei sobre eles. 
18 Pois assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de 
Israel: Como se derramou a minha ira e a minha 
indignação sobre os habitantes de Jerusalém, 
assim se derramará a minha indignação sobre 
vós, quando entrardes no Egito. Sereis um 
espetáculo de execração, e de espanto, e de 
maldição, e de opróbrio; e não vereis mais este 
lugar. 
19 Falou o Senhor acerca de vós, ó resto de Judá: 
Não entreis no Egito. Tende por certo que hoje 
vos tenho avisado. 
20 Porque vós vos enganastes a vós mesmos; 
pois me enviastes ao Senhor vosso Deus, 
dizendo: Roga por nós ao Senhor nosso Deus, e 
conforme tudo o que disser o Senhor Deus 
nosso, declara-no-lo assim, e o faremos. 
21 E vo-lo tenho declarado hoje, mas não destes 
ouvidos à voz do Senhor vosso Deus em coisa 
alguma pela qual ele me enviou a vos. 
22 Agora pois sabei por certo que morrereis à 
espada, de fome e de peste no mesmo lugar 
onde desejais ir para lá peregrinardes.” 
Joanã e os que com ele se achavam pediram a 
Jeremias que consultassea Deus por eles, para 
283 
saber o que deveriam fazer, e que tudo o que o 
Senhor dissesse a Jeremias eles fariam. 
Somente depois de passados dez dias que a 
palavra do Senhor veio a Jeremias, e lhes dissera 
para que não descessem ao Egito para que não 
fossem destruídos, mas que permanecessem 
em Judá, porque lhes faria bem, e também faria 
com que achassem misericórdia junto ao rei de 
Babilônia (uma vez que eles estavam inocentes 
no negócio da morte de Gedalias). 
Todavia, caso não lhe dessem ouvidos e fossem 
para o Egito, não somente morreriam à espada, 
mas todo que pensasse lograr permanecer lá 
com vida, seria alcançado pelo juízo do próprio 
Senhor que o mataria pela peste. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
284 
Jeremias 43 
 
Depois de terem ouvido a palavra do Senhor 
através de Jeremias, Joanã e todos os que se 
encontravam com ele disseram que Jeremias 
estava mentindo, e que estava sendo instigado 
por Baruque, seu amanuense, para que eles 
fossem entregues nas mãos dos babilônios. 
Eles fizeram isto por motivo de soberba, e 
também porque a desconfiança maligna havia 
sido instalada em seus corações, por pensarem 
mal de Jeremias e Baruque, julgando que eles 
estariam tentando ganhar vantagem da 
situação, para continuarem no agrado do rei de 
Babilônia. 
Então começaram a peregrinar através de Judá 
em direção ao Egito, tendo chegado à cidade de 
Tapanes. 
Quando todos se encontravam nesta cidade, 
inclusive Jeremias, o Senhor lhe ordenou que 
pegasse pedras grandes e que as escondesse 
com barro no pavimento de acesso à entrada da 
casa de faraó, e que o fizesse à vista de todos os 
de Judá, e lhes dissesse que Nabucodonor viria e 
estabeleceria o seu trono real sobre aquelas 
pedras, e que destruiria a terra do Egito e as suas 
imagens de escultura que representavam os 
seus muitos deuses. 
 
“1 Tendo Jeremias acabado de falar a todo o povo 
todas as palavras do Senhor seu Deus, aquelas 
palavras com as quais o Senhor seu Deus lho 
havia enviado, 
285 
2 então falaram Azarias, filho de Hosaías, e 
Joanã, filho de Careá, e todos os homens 
soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; 
o Senhor nosso Deus não te enviou a dizer: Não 
entreis no Egito para ali peregrinardes; 
3 mas Baruque, filho de Nerias, é que te incita 
contra nós, para nos entregar na mão dos 
caldeus, para eles nos matarem, ou para nos 
levarem cativos para Babilônia. 
4 Não obedeceu pois Joanã, filho de Careá, nem 
nenhum de todos os príncipes dos exércitos, 
nem o povo todo, à voz do Senhor, para ficarem 
na terra de Judá. 
5 Mas Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das 
forças tomaram a todo o resto de Judá, que havia 
voltado dentre todas as nações, para onde 
haviam sido arrojados, com o fim de 
peregrinarem na terra de Judá; 
6 aos homens, às mulheres, às crianças, e às 
filhas do rei, e a toda pessoa que Nebuzaradão, 
capitão da guarda, deixara com Gedalias, filho 
de Aicão, filho de Safã, como também a 
Jeremias, o profeta, e a Baruque, filho de Nerias; 
7 e entraram na terra do Egito; pois não 
obedeceram à voz do Senhor; assim vieram até 
Tapanes. 
8 Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, em 
Tapanes, dizendo: 
9 Toma na tua mão pedras grandes, e esconde-
as com barro no pavimento que está à entrada da 
casa de Faraó em Tapanes, à vista dos homens 
de Judá; 
10 e dize-lhes: Assim diz o Senhor dos exércitos, 
Deus de Israel: Eis que eu enviarei, e tomarei a 
286 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e 
porei o seu trono sobre estas pedras que 
escondi; e ele estenderá o seu pavilhão real 
sobre elas. 
11 Virá, e ferirá a terra do Egito, entregando à 
morte quem é para a morte, ao cativeiro quem é 
para o cativeiro, e à espada. 
12 E lançarei fogo às casas dos deuses do Egito; e 
ele os queimará e os levará cativos; e ornar-se-á 
da terra do Egito, como se veste o pastor com a 
sua roupa; e sairá dali em paz. 
13 E quebrará as colunas de Bete-Semes, que 
está na terra do Egito; e as casas dos deuses do 
Egito queimará a fogo.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
287 
Jeremias 44 
 
Deus havia operado através das circunstâncias 
do que havia ocorrido a Gedalias, para passar a 
sua peneira em todo o povo que havia sido 
deixado por Nabucodonosor em Judá. 
Nós vemos neste capítulo que eles estavam 
arraigados à idolatria, tanto quanto os que 
haviam sido destruídos pela espada em Judá. 
Eles haviam descido em grande número para o 
Egito, e foram provados pela Palavra do Senhor 
através de Jeremias, protestando contra eles 
tanto quanto havia feito antes do cativeiro, 
dizendo que foi pela transgressão dos 
mandamentos da lei, e por causa da idolatria 
que todo aquele mal havia sucedido a Judá, e que 
então deveriam deixar os seus maus caminhos e 
se voltarem para o Senhor, senão seria 
cumprida contra eles toda a palavra de 
destruição que lhes havia sido proferida da parte 
de Deus. 
Todavia, não somente deixaram de temer ao 
Senhor, ao ouvirem isto, como descaradamente 
disseram que a palavra que eles cumpririam 
seria a deles próprios, a saber, a de 
permanecerem queimando incenso e 
apresentando ofertas à rainha do céu que eles e 
seus pais vinham adorando em Judá, e que 
segundo eles, o mal que lhes sobreviera foi 
porque haviam deixado de ser fiéis no culto 
idolátrico à referida deusa, deixando de lhe 
apresentar as ofertas que estavam dispostos a 
oferecer agora fielmente no Egito. 
288 
Diante de tamanha insolência o Senhor lhes 
disse que não seria a palavra deles que 
prevaleceria, mas a sua, dada pela boca de 
Jeremias, e que somente pouquíssimos deles 
seriam poupados e retornariam a Judá, 
certamente os que se arrependessem e se 
voltassem para o Senhor, quando vissem o sinal 
que Deus lhes daria, quando entregasse Faraó-
Hofra na mão de seus inimigos e na mão dos que 
procuravam a sua morte, tal como havia 
entregue o rei Zedequias de Judá, na mão de 
Nabucodonosor. 
 
“1 A palavra que veio a Jeremias, acerca de todos 
os judeus, que habitavam na terra do Egito, em 
Migdol, em Tapanes, em Mênfis, e no país de 
Patros: 
2 Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de 
Israel: Vós vistes todo o mal que fiz cair sobre 
Jerusalém, e sobre todas as cidades de Judá; e eis 
que elas são hoje uma desolação, e ninguém 
nelas habita; 
3 por causa da sua maldade que fizeram, para me 
irarem, indo queimar incenso, e servir a outros 
deuses, a quem eles nunca conheceram, nem 
eles, nem vós, nem vossos pais. 
4 Todavia eu vos enviei persistentemente todos 
os meus servos, os profetas, para vos dizer: Ora, 
não façais esta coisa abominável que odeio! 
5 Mas eles não escutaram, nem inclinaram os 
seus ouvidos, para se converterem da sua 
maldade, para não queimarem incenso a outros 
deuses. 
289 
6 Pelo que se derramou a minha indignação e a 
minha ira, e acendeu-se nas cidades de Judá, e 
nas ruas de Jerusalém; e elas tornaram-se em 
deserto e em desolação, como hoje se vê. 
7 Agora, pois, assim diz o Senhor, Deus dos 
exércitos, Deus de Israel: Por que fazeis vós tão 
grande mal contra vós mesmos, para 
desarraigardes o homem e a mulher, a criança e 
o que mama, dentre vós, do meio de Judá, a fim 
de não vos deixardes ali resto algum; 
8 irando-me com as obras de vossas mãos, 
queimando incenso a outros deuses na terra do 
Egito, aonde vós entrastes para lá 
peregrinardes, para que sejais exterminados, e 
para que sirvais de maldição e de opróbrio entre 
todas as nações da terra? 
9 Esquecestes já as maldades de vossos pais, as 
maldades dos reis de Judá, as maldades das suas 
mulheres, as vossas maldades e as maldades das 
vossas mulheres, cometidas na terra de Judá e 
nas ruas de Jerusalém? 
10 Não se humilharam até o dia de hoje, nem 
temeram, nem andaram na minha lei, nem nos 
meus estatutos, que pus diante de vós e diante 
de vossos pais. 
11 Portanto assim diz o Senhor dos exércitos, 
Deus de Israel:Eis que eu ponho o meu rosto 
contra vós para mal, e para desarraigar todo o 
Judá. 
12 E tomarei os que restam de Judá, os quais 
puseram o seu rosto para entrar na terra do 
Egito, a fim de lá peregrinarem, e todos eles 
serão consumidos; na terra do Egito cairão; à 
espada, e de fome serão consumidos; desde o 
290 
menor até o maior morrerão à espada e de fome; 
e tornar-se-ão um espetáculo de execração, de 
espanto, de maldição e de opróbrio. 
13 Pois castigarei os que habitam na terra do 
Egito, como castiguei Jerusalém, com a espada, 
a fome e a peste. 
14 De maneira que, da parte remanescente de 
Judá que entrou na terra do Egito a fim de lá 
peregrinar, não haverá quem escape e fique 
para tornar à terra de Judá, à qual era seu grande 
desejo voltar, para ali habitar; mas não voltarão, 
senão alguns fugitivos. 
15 Então responderam a Jeremias todos os 
homens que sabiam que suas mulheres 
queimavam incenso a outros deuses, e todas as 
mulheres que estavam presentes, uma grande 
multidão, a saber, todo o povo que habitava na 
terra do Egito, em Patros, dizendo: 
16 Quanto à palavra que nos anunciaste em 
nome do Senhor, não te obedeceremos a ti; 
17 mas certamente cumpriremos toda a palavra 
que saiu da nossa boca, de queimarmos incenso 
à rainha do céu, e de lhe oferecermos libações, 
como nós e nossos pais, nossos reis e nossos 
príncipes, temos feito, nas cidades de Judá, e nas 
ruas de Jerusalém; então tínhamos fartura de 
pão, e prosperávamos, e não vimos mal algum. 
18 Mas desde que cessamos de queimar incenso 
à rainha do céu, e de lhe oferecer libações, 
temos tido falta de tudo, e temos sido 
consumidos pela espada e pela fome. 
19 E nós, as mulheres, quando queimávamos 
incenso à rainha do céu, e lhe oferecíamos 
291 
libações, acaso lhe fizemos bolos para a adorar e 
lhe oferecemos libações sem nossos maridos? 
20 Então disse Jeremias a todo o povo, aos 
homens e às mulheres, e a todo o povo que lhe 
havia dado essa resposta, dizendo: 
21 Porventura não se lembrou o Senhor, e não 
lhe veio à mente o incenso que queimastes nas 
cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vós e 
vossos pais, vossos reis e vossos príncipes, como 
também o povo da terra? 
22 O Senhor não podia por mais tempo suportar 
a maldade das vossas ações, as abominações que 
cometestes; pelo que se tornou a vossa terra em 
desolação, e em espanto, e em maldição, sem 
habitantes, como hoje se vê. 
23 Porquanto queimastes incenso, e pecastes 
contra o Senhor, não obedecendo à voz do 
Senhor, nem andando na sua lei, nos seus 
estatutos e nos seus testemunhos; por isso vos 
sobreveio este mal, como se vê neste dia. 
24 Disse mais Jeremias a todo o povo e a todas as 
mulheres: Ouvi a palavra do Senhor, vós, todo o 
Judá, que estais na terra do Egito. 
25 Assim fala o Senhor dos exércitos, Deus de 
Israel, dizendo: Vós e vossas mulheres falastes 
por vossa boca, e com as vossas mãos o 
cumpristes, dizendo: Certamente cumpriremos 
os nossos votos que fizemos, de queimarmos 
incenso à rainha do céu e de lhe derramarmos 
libações; confirmai, pois, os vossos votos, e 
cumpri-os! 
26 Ouvi, pois, a palavra do Senhor, todos os de 
Judá que habitais na terra do Egito: Eis que eu 
juro pelo meu grande nome, diz o Senhor, que 
292 
nunca mais será pronunciado o meu nome pela 
boca de nenhum homem de Judá em toda a terra 
do Egito, dizendo: Como vive o Senhor Deus! 
27 Eis que velarei sobre eles para o mal, e não 
para o bem; e serão consumidos todos os 
homens de Judá que estão na terra do Egito, pela 
espada e pela fome, até que de todo se acabem. 
28 E os que escaparem da espada voltarão da 
terra do Egito para a terra de Judá, poucos em 
número; e saberá todo o resto de Judá que 
entrou na terra do Egito para peregrinar ali, se 
subsistirá a minha palavra ou a sua. 
29 E isto vos servirá de sinal, diz o Senhor, de que 
eu vos castigarei neste lugar, para que saibais 
que certamente subsistirão as minhas palavras 
contra vós para o mal: 
30 Assim diz o Senhor: Eis que eu entregarei 
Faraó-Hofra, rei do Egito, na mão de seus 
inimigos, e na mão dos que procuram a sua 
morte; como entreguei Zedequias, rei de Judá, 
na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, seu 
inimigo, e que procurava a sua morte.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
293 
Jeremias 45 
 
Nós vimos nos capítulos anteriores, que 
relatam os acontecimentos que se sucederam à 
queda de Jerusalém, que Baruque continuava ao 
lado de Jeremias, e continuaria, porque o motivo 
da segurança da sua vida em todas aquelas 
circunstâncias de grande perigo, havia sido 
garantida pelo Senhor, conforme se vê neste 
capítulo, que remonta, muitos dias antes, 
quando ainda reinava Jeoaquim, que havia 
queimado o rolo de profecias de Jeremias. 
Este capítulo registra qual foi o sentimento de 
contrariedade que havia dominado Baruque na 
ocasião, principalmente em razão da tarefa que 
lhe foi dada de ter que reescrever todo o texto 
que havia sido destruído por Jeoaquim. 
Ele considerava que o Senhor estava 
acrescentado tristeza à sua dor, e estava cansado 
de gemer sem achar descanso (v. 3). 
Então o Senhor mandou Jeremias lhe dizer que 
refletisse sobre toda a destruição que Ele traria 
sobre aquele lugar, e que estava demolindo o 
que havia edificado, e arrancando o que havia 
plantado, e isso em toda a terra. E como poderia 
Baruque estar pensando em glória, sucesso, 
grandeza pessoal? Ele não deveria lamentar até 
mesmo pelas coisas que viesse a perder, porque 
o que havia de mais precioso lhe seria 
preservado pelo Senhor, que era a sua própria 
vida, conforme estava lhe fazendo tal promessa 
por Jeremias, aonde quer que ele fosse. 
294 
Nós o vimos nos capítulos anteriores, no Egito, 
em companhia de Jeremias, e certamente 
daqueles pouquíssimos que retornariam do 
Egito para Judá, pela permissão de Deus, depois 
de executar seus juízos sobre os judeus 
idólatras, Baruque seria certamente um deles, 
juntamente com Jeremias, e daí a razão de ser do 
registro deste capítulo, aparentemente inserido 
fora de ordem. 
 
“1 A palavra que Jeremias, o profeta, falou a 
Baruque, filho de Nerias, quando este escrevia 
num livro as palavras ditadas por Jeremias, no 
quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de 
Judá: 
2 Assim diz o Senhor, Deus de Israel, acerca de ti 
ó Baruque. 
3 Disseste: Ai de mim agora! porque me 
acrescentou o Senhor tristeza à minha dor; 
estou cansado do meu gemer, e não acho 
descanso. 
4 Isto lhe dirás: Assim diz o Senhor: Eis que estou 
a demolir o que edifiquei, e a arrancar o que 
plantei, e isso em toda esta terra. 
5 E procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as 
busques; pois eis que estou trazendo o mal sobre 
toda a raça, diz o Senhor; porém te darei a tua 
vida por despojo, em todos os lugares para onde 
fores.” 
 
 
 
 
 
295 
Jeremias 46 
 
O início deste capítulo cita a Faraó-Neco, o que 
havia matado o rei Josias que subira contra ele 
para se lhe opor, quando Faraó-Neco se 
encontrava na ocasião a mando de Deus para 
lutar contra os assírios, porque o Senhor estava 
reduzindo o poder da Assíria, para que Babilônia 
assumisse a supremacia das nações. Ele é citado 
aqui como sendo derrotado por Nabucodonosor 
no quarto ano do reinado de Jeoaquim, quando 
subiu para lutar contra os babilônios junto ao rio 
Eufrates. 
Então isto era já um sinal para aqueles judeus 
insolentes e idólatras que haviam decidido 
permanecer no Egito, que a força desta nação 
estava sendo quebrada pelo Senhor desde 
Faraó-Neco, e como poderiam estar colocando a 
sua confiança numa nação idólatra que estava 
sendo entregue também, tanto quanto havia 
sido Judá, ao seu juízo, pelo braço forte de 
Babilônia? 
Assim, na primeira metade deste capítulo, o 
Senhor descreveu graficamente através do 
profeta as ações de guerra pelas quais foi 
quebrado o poder do Egito nos dias de Faraó-
Neco. 
Na segunda metade, a partir do verso 18, o 
Senhorafirma a sua soberania divina, e quem na 
verdade estava determinando o cativeiro de 
todas aquelas nações sob Babilônia, num 
período de setenta anos, de sorte que a 
esperança do Egito era também a de ir para o 
296 
cativeiro juntamente com as nações que 
estavam se aliançando com eles, como os de 
Amom, e de Tebas. Todos os mercenários que 
eles haviam contratado para enfrentarem 
Babilônia fugiriam no dia da batalha, e viria 
sobre o Egito um exército inumerável, e seriam 
entregues na mão de Nabucodonosor, mas não 
seriam destruídos de todo, porque se 
recuperariam no futuro, porque o Senhor faria 
isto com eles por causa da sua misericórdia. 
Nações como Amom, Edom e Moabe seriam 
destruídas, mas o povo de Israel não deveria 
ficar espantado, porque o Senhor traria a sua 
descendência da terra do cativeiro, e eles 
habitariam tranquilos no futuro em sua própria 
terra, porque o Senhor era com eles e não os 
destruiria de todo, como faria com as nações 
para as quais os havia arrojado, como a Assíria e 
a própria Babilônia. Todavia faria isto depois de 
castigá-los porque não deixaria o seu povo 
impune. 
 
“1 A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, o 
profeta, acerca das nações. 
2 Acerca do Egito: a respeito do exército de 
Faraó-Neco, rei do Egito, que estava junto ao rio 
Eufrates em Carquêmis, ao qual 
Nabucodonosor, rei de Babilônia, derrotou no 
quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de 
Judá. 
3 Preparai o escudo e o pavês, e chegai-vos para 
a peleja. 
297 
4 Aparelhai os cavalos, e montai, cavaleiros! 
Apresentai-vos com elmos; açacalai as lanças; 
vesti-vos de couraças. 
5 Por que razão os vejo espantados e voltando as 
costas? Os seus heróis estão abatidos, e vão 
fugindo, sem olharem para trás; terror há por 
todos os lados, diz o Senhor. 
6 Não pode fugir o ligeiro, nem escapar o herói; 
para a banda do norte, junto ao rio Eufrates, 
tropeçaram e caíram. 
7 Quem é este que vem subindo como o Nilo, 
como rios cujas águas se agitam? 
8 O Egito é que vem subindo como o Nilo, e 
como rios cujas águas se agitam; e ele diz: 
Subirei, cobrirei a terra; destruirei a cidade e os 
que nela habitam. 
9 Subi, ó cavalos; e estrondeai, ó carros; e saiam 
valentes: Cuche e Pute, que manejam o escudo, 
e os de Lude, que manejam e entesam o arco. 
10 Porque aquele dia é o dia do Senhor Deus dos 
exércitos, dia de vingança para ele se vingar dos 
seus adversários. A espada devorará, e se 
fartará, e se embriagará com o sangue deles; 
pois o Senhor Deus dos exércitos tem um 
sacrifício na terra do Norte junto ao rio Eufrates. 
11 Sobe a Gileade, e toma bálsamo, ó virgem filha 
do Egito; debalde multiplicas remédios; não há 
cura para ti. 
12 As nações ouviram falar da tua vergonha, e a 
terra está cheia do teu clamor; porque o valente 
tropeçou no valente e ambos juntos caíram. 
13 A palavra que falou o Senhor a Jeremias, o 
profeta, acerca da vinda de Nabucodonosor, rei 
de Babilônia, para ferir a terra do Egito. 
298 
14 Anunciai-o no Egito, proclamai isto em 
Migdol; proclamai-o também em Mênfis, e em 
Tapanes; dizei: Apresenta-te, e prepara-te; 
porque a espada devorará o que está ao redor de 
ti. 
15 Por que está derribado o teu valente? Ele não 
ficou em pé, porque o Senhor o abateu. 
16 Fez tropeçar a multidão; caíram uns sobre os 
outros, e disseram: Levanta-te, e voltemos para 
o nosso povo, para a terra do nosso nascimento, 
por causa da espada que oprime. 
17 Clamaram ali: Faraó, rei do Egito, é apenas um 
som; deixou passar o tempo assinalado. 
18 Vivo eu, diz o Rei, cujo nome é o Senhor dos 
exércitos, que certamente como o Tabor entre 
os montes, e como o Carmelo junto ao mar, 
assim ele vira. 
19 Prepara-te para ires para o cativeiro, ó 
moradora filha do Egito; porque Mênfis será 
tornada em desolação, e será incendiada, até 
que ninguém mais aí more. 
20 Novilha mui formosa é o Egito; mas já lhe vem 
do Norte um tavão. 
21 Até os seus mercenários no meio dela são 
como bezerros cevados; mas também eles 
viraram as costas, fugiram juntos, não ficaram 
firmes; porque veio sobre eles o dia da sua ruína 
e o tempo da sua punição. 
22 A sua voz irá como a da serpente; porque 
marcharão com um exército, e virão contra ela 
com machados, como cortadores de lenha. 
23 Cortarão o seu bosque, diz o Senhor, embora 
seja impenetrável; porque se multiplicaram 
mais do que os gafanhotos; são inumeráveis. 
299 
24 A filha do Egito será envergonhada; será 
entregue na mão do povo do Norte. 
25 Diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: 
Eis que eu castigarei a Amom de Tebas, e a 
Faraó, e ao Egito, juntamente com os seus 
deuses e os seus reis, sim, ao próprio Faraó, e 
aos que nele confiam. 
26 E os entregarei na mão dos que procuram a 
sua morte, na mão de Nabucodonosor, rei de 
Babilônia, e na mão dos seus servos; mas depois 
será habitada, como nos dias antigos, diz o 
Senhor. 
27 Mas não temas tu, servo meu, Jacó, nem te 
espantes, ó Israel; pois eis que te livrarei mesmo 
de longe, e a tua descendência da terra do seu 
cativeiro; e Jacó voltará, e ficará tranquilo e 
sossegado, e não haverá quem o atemorize. 
28 Tu não temas, servo meu, Jacó, diz o senhor; 
porque estou contigo; pois destruirei 
totalmente todas as nações para onde te arrojei; 
mas a ti não te destruirei de todo, mas castigar-
te-ei com justiça, e de modo algum te deixarei 
impune.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
300 
Jeremias 47 
 
O Senhor havia chamado Jeremias, e disse 
desde o início do seu ministério que lhe havia 
dado como profeta às nações tanto para ruína, 
quanto para edificação, e aqui nós vemos o 
cumprimento cabal da sua comissão, com as 
profecias que foram dirigidas à destruição dos 
filisteus, e das cidades de Tiro e Sidom, da 
Fenícia, e nos capítulos seguintes, de Moabe 
(cap 48); Amom, Edom, Síria, Arábia (Hazor e 
Quedar), e Elão (cap 49); e da própria Babilônia 
(cap 50 e 51). 
“Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e 
sobre os reinos, para arrancares e derribares, 
para destruíres e arruinares; e também para 
edificares e plantares.” (Jer 1.10) 
Os filisteus haviam sido enfraquecidos em suas 
cidades confederadas de Asquelom, Gate, 
Ecrom, Asdode e Gaza, nos dias do rei Davi, mas 
receberiam o golpe mortal das mãos de 
Nabucodonozor, rei de Babilônia, no mesmo 
período em que estava dominando outras 
nações, como as citadas nos capítulos 48 e 49. 
A espada que estava retalhando os filisteus e 
dando cabo de suas vidas era a própria espada de 
juízo do Senhor, que ordenara a Babilônia a 
execução de tais juízos; e depois ela própria 
também seria julgada pelo Senhor, sob a espada 
dos medos e dos persas, uma vez concluído o 
trabalho que lhe havia sido designado para fazer. 
Toda aquela destruição que estava sendo 
realizada nos dias de Jeremias vinha da parte do 
301 
próprio Senhor, especialmente sobre a grande e 
desenfreada idolatria que havia em todas estas 
nações, a ponto de Israel e Judá terem se 
tornado como qualquer uma delas. 
Se uma pessoa de bom senso lesse estes juízos 
da Bíblia, em nossos dias, e entendesse o que 
Deus fez por causa da idolatria em quase todo o 
mundo conhecido de então, logo deixaria os 
seus ídolos, ainda que não se voltasse para Deus, 
porque Ele manifestou com os juízos que trouxe 
sobre o mundo nos dias de Jeremias o quanto Ele 
detesta a idolatria, porque é uma grande 
desonra e ingratidão à sua pessoa divina em ser 
desprezado como o Criador de todas as coisas, e 
ser substituído nos corações dos homens que 
criou, por ídolos que são obras de suas próprias 
mãos humanas, ou então criaturas que o próprio 
Deus trouxe à existência, como o sol, a lua, as 
estrelas, animais etc. 
“18 Pois do céu é revelada a ira de Deus contra 
toda a impiedade e injustiça dos homens que 
detêm a verdade em injustiça. 
19 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, 
neles se manifesta, porque Deus lho 
manifestou. 
20 Pois os seus atributosinvisíveis, o seu eterno 
poder e divindade, são claramente vistos desde 
a criação do mundo, sendo percebidos 
mediante as coisas criadas, de modo que eles 
são inescusáveis; 
21 porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo 
não o glorificaram como Deus, nem lhe deram 
graças, antes nas suas especulações se 
302 
desvaneceram, e o seu coração insensato se 
obscureceu. 
22 Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, 
23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em 
semelhança da imagem de homem corruptível, 
e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 
24 Por isso Deus os entregou, nas 
concupiscências de seus corações, à imundícia, 
para serem os seus corpos desonrados entre si; 
25 pois trocaram a verdade de Deus pela 
mentira, e adoraram e serviram à criatura antes 
que ao Criador, que é bendito eternamente. 
Amém.” (Rom 1.18-25) 
 
“1 A palavra do Senhor que veio a Jeremias, o 
profeta, acerca dos filisteus, antes que Faraó 
ferisse a Gaza. 
2 Assim diz o Senhor: Eis que do Norte se 
levantam as águas, e tornar-se-ão em torrente 
trasbordante, e alagarão a terra e quanto há 
nela, a cidade e os que nela habitam; os homens 
clamarão, e todos os habitantes da terra uivarão, 
3 ao ruído estrepitoso das unhas dos seus fortes 
cavalos, ao barulho de seus carros, ao estrondo 
das suas rodas; os pais não atendem aos filhos, 
por causa da fraqueza das mãos, 
4 por causa do dia que vem para destruir a todos 
os filisteus, para cortar de Tiro e de Sidom todo 
o resto que os socorra; pois o Senhor destruirá 
os filisteus, o resto da ilha de Caftor. 
5 A calvície é vinda sobre Gaza; foi desarraigada 
Asquelom, bem como o resto do seu vale; até 
quando vos retalhareis? 
303 
6 Ah espada do Senhor! até quando deixarás de 
repousar? volta para a tua bainha; descansa, e 
aquieta-te. 
7 Como podes estar quieta, se o Senhor te deu 
uma ordem? Contra Asquelom, e contra o 
litoral, é que ele a enviou.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
304 
Jeremias 48 
 
As profecias de Is 15 e 16, e de Amós 2, contra 
Moabe, se cumpriram nos dias dos assírios, sob 
o rei Salmanasar, que havia invadido Moabe 
muito antes dos dias de Jeremias. 
Mas as profecias aqui descritas contra todas as 
cidades de Moabe, e a sentença do Senhor de 
que deixaria de ser nação, foram cumpridas por 
Nabucodonosor de Babilônia, cerca de 5 anos 
depois da destruição de Judá. 
É importante lembrar que os moabitas, 
juntamente com os amonitas, haviam se 
juntado a Babilônia para a ajudarem no cerco de 
Jerusalém, porque era historicamente, grande o 
ódio que estas duas nações tinham contra os 
israelitas, e isto desde os dias de Moisés. 
Então é profetizado aqui o dia de ajuste de 
contas, especialmente pelo modo como 
desprezavam a Israel, sendo os moabitas e 
amonitas, descendentes de Ló, o sobrinho de 
Abraão, o que servia somente para agravar ainda 
mais o juízo deles. 
Tal como os árabes que são descendentes de 
Ismael, e que têm grande ódio de Israel, podem 
ter como certo o juízo que o Senhor trará sobre 
eles quando se coligarem com as nações nos 
dias do Anticristo para tentarem riscar Israel do 
mapa. 
Devemos dar um destaque especial em nosso 
comentário à citação do verso 10 no qual se 
afirma o seguinte: 
 
305 
“Maldito aquele que fizer a obra do Senhor 
negligentemente, e maldito aquele que vedar do 
sangue a sua espada!” (v.10) 
Este versículo tem sido muito mal empregado 
na Igreja, onde se afirma que qualquer pessoa 
que fizer a obra do Senhor negligentemente é 
maldita, como forma de ameaça e incentivo a 
levar os crentes a trabalharem com perfeição na 
obra de Deus, o que de fato deve ser buscado, 
mas nunca, jamais, debaixo de tal ameaça de 
maldição, porque a citação deste versículo pode 
ser entendida no contexto imediato e seguinte 
do próprio versículo, no qual se afirma a quem 
se aplicaria a maldição proferida pelo profeta: 
“aquele que vedar do sangue a sua espada!”, ou 
seja, todo babilônio que estava sendo levantado 
por Deus para uma destruição em todas as 
cidades de Moabe pela espada. Então o soldado 
de Babilônia que embainhasse a sua espada e 
não a sujasse com o sangue dos moabitas, seria 
considerado maldito. 
O maior pecado de Moabe ao lado da idolatria ao 
seu deus Quemós, era a soberba daquela nação 
que havia enriquecido muito, e que pensava que 
como toda a fortuna que havia acumulado 
poderia se livrar de possíveis ameaças de 
destruição, por fazer alianças com outras 
nações, confiando em suas riquezas. 
Então o Senhor lhes traria uma completa ruína 
e deixaria uns poucos remanescentes daquela 
nação, mas que ficariam espalhados pelo 
mundo, mas jamais poderiam se reorganizar 
futuramente como uma nação sob o nome do 
306 
patriarca deles, a saber, Moabe, assim, como os 
dos judeus é Israel, o nome que Deus dera a Jacó. 
 
"1 Acerca de Moabe. Assim diz o Senhor dos 
exércitos, Deus de Israel: Ai de Nebo, porque foi 
destruída; envergonhada está Quiriataim, já é 
tomada; Misgabe está envergonhada e 
espantada. 
2 O louvor de Moabe já não existe mais; em 
Hesbom projetaram mal contra ela, dizendo: 
Vinde, e exterminemo-la, para que não mais 
seja nação; também tu, ó Madmém, serás 
destruída; a espada te perseguirá. 
3 Voz de grito de Horonaim, ruína e grande 
destruição! 
4 Está destruído Moabe; seus filhinhos fizeram 
ouvir um clamor. 
5 Pois pela subida de Luíte eles vão subindo com 
choro contínuo; porque na descida de 
Horonaim, ouviram a angústia do grito da 
destruição. 
6 Fugi, salvai a vossa vida! Sede como o asno 
selvagem no deserto. 
7 Pois, porquanto confiaste nas tuas obras e nos 
teus tesouros, também tu serás tomada; e 
Quemós sairá para o cativeiro, os seus 
sacerdotes e os seus príncipes juntamente. 
8 Porque virá o destruidor sobre cada uma das 
cidades e nenhuma escapará, e perecerá o vale, 
e destruir-se-á a planície, como disse o Senhor. 
9 Dai asas a Moabe, porque voando sairá; e as 
suas cidades se tornarão em desolação, sem 
habitante. 
307 
10 Maldito aquele que fizer a obra do Senhor 
negligentemente, e maldito aquele que vedar do 
sangue a sua espada! 
11 Moabe tem estado sossegado desde a sua 
mocidade, e tem repousado como vinho sobre 
as fezes; não foi deitado de vasilha em vasilha, 
nem foi para o cativeiro; por isso permanece 
nele o seu sabor, e o seu cheiro não se altera. 
12 Portanto, eis que os dias vêm, diz o Senhor, 
em que lhe enviarei derramadores que o 
derramarão; e despejarão as suas vasilhas, e 
despedaçarão os seus jarros. 
13 E Moabe terá vergonha de Quemós, como se 
envergonhou a casa de Israel de Betel, sua 
confiança. 
14 Como direis: Somos valentes e homens fortes 
para a guerra? 
15 Já subiu o destruidor de Moabe e das suas 
cidades, e os seus mancebos escolhidos 
desceram à matança, diz o Rei, cujo nome é o 
Senhor dos exércitos. 
16 A calamidade de Moabe está perto e muito se 
apressa o seu mal. 
17 Condoei-vos dele todos os que estais em seu 
redor, e todos os que sabeis o seu nome; dizei: 
Como se quebrou a vara forte, o cajado formoso! 
18 Desce da tua glória, e senta-te no pó, ó 
moradora, filha de Dibom; porque o destruidor 
de Moabe subiu contra ti, e desfez as tuas 
fortalezas. 
19 Põe-te junto ao caminho, e espia, ó moradora 
do Aroer; pergunta ao que foge, e à que escapa: 
Que sucedeu? 
308 
20 Moabe está envergonhado, porque foi 
quebrantado; uivai e gritai; anunciai em Arnom 
que Moabe está destruído. 
21 Também o julgamento é vindo sobre a terra 
da planície; sobre Holom, Jaza, e Mefaate; 
22 sobre Dibom, Nebo, e Bete-Diblataim; 
23 sobre Quiriataim, Bete-Gamul, e BeteMeom; 
24 sobre Queriote, e Bozra, e todas as cidades da 
terra de Moabe, as de longe e as de perto. 
25 Está cortado o poder de Moabe, e 
quebrantado o seu braço, diz o senhor. 
26 Embriagai-o, porque contra o Senhor se 
engrandeceu; e Moabe se revolverá no seu 
vômito, e ele também se tornará objeto

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