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Inquérito Policial - Formas de Instauração I

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PROCESSO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Processo Penal 
Tema: Formas de instauração do IP
 Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
É importante saber as formas de instauração do inquérito policial (IP) nas 
diferentes espécies de ação penal. 
O tema merece especial atenção, pois, a depender da modalidade de ação, será 
necessária uma “autorização” para instauração do IP. 
Iremos tratar, no presento resumo, as formas de instauração do IP na ação penal 
pública incondicionada. 
 
 
Em regra, os crimes são de ação penal pública incondicionada. Nessa 
modalidade, o inquérito poderá ser instaurado de diversas formas: 
a) de ofício; 
É possível que a autoridade policial, sem ter sido provocada, instaure o inquérito. 
Imagine que o Delegado, durante duas atividades rotineiras – notícia veiculada na 
imprensa ou mesmo registro de ocorrência - se depare com a prática de um fato 
criminoso. Independentemente da provocação de qualquer pessoa, ele deverá instaurar 
o IP. 
b) requisição da autoridade judiciária; 
De acordo com o art. 5º, inciso II, do CPP, o inquérito policial será iniciado, nos 
crimes de ação pública, mediante requisição da autoridade judiciária. 
Com o advento do Pacote Anticrime, alguns doutrinadores, como Renato 
Brasileiro (2020, pg. 198), têm alertado que NÃO é mais possível ao juiz requisitar a 
instauração do IP, sob pena de violação ao sistema acusatório e à imparcialidade do 
magistrado. Veja: 
 
 
 
 
Sob a visão desse entendimento, ao se deparar com informações acerca da 
prática de um crime, cabe ao juiz, apenas, encaminhá-las ao Ministério Público, nos 
termos do art. 40 do CPP. 
c) requisição do Ministério Público; 
O art. 5º, inciso II, do CPP, também estabelece que o inquérito policial será 
iniciado, nos crimes de ação pública, mediante requisição do Ministério Público. 
1. INTRODUÇÃO 
2. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA 
Apesar de o art. 5º, inciso II, do CPP, prever que a autoridade judiciária pode requisitar a instauração 
de um inquérito policial, entende-se, majoritariamente, que essa possibilidade não se coaduna com o 
sistema acusatório adotado pelo art. 129, I, da CF. (...) Em um sistema acusatório como o nosso, onde 
há nítida separação das funções de investigar (e acusar), defender e julgar (CPP, art. 3º-A, incluído pela 
Lei n. 13.964/19), não se pode permitir que o juiz instaure ou requisite a instauração de um inquérito 
policial. 
 
 
 
Então. Renato Brasileiro (2020, pg. 197) defende que sim. Segundo o autor: 
 
 
 
Isso não significa, contudo, que diante de uma requisição ministerial 
manifestamente ilegal - investigar crime prescrito - a autoridade policial deverá instaurar 
o IP. O Delegado poderá abster-se de instaurar o inquérito policial, informando sua 
postura, de maneira justificada, ao Ministério Público, bem como às autoridades 
correcionais – corregedoria. 
d) requerimento do ofendido ou representante legal; 
Para que seja possível a instauração de inquérito policial a partir de requerimento 
do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo, o requerimento deverá, 
sempre que possível, conter: a narração do fato, com todas as suas circunstâncias; a 
individualização do indiciado ou seus sinais característicos; as razões de convicção ou 
de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de fazê-
lo; a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência, nos 
termos do art. 5º, § 1º, do CPP. 
 
Segundo Renato Brasileiro, o entendimento predominante é de que cabe ao 
delegado verificar a procedência das informações a ele trazidas, evitando-se, dessa 
forma, a instauração de investigações temerárias e abusivas. Veja: 
 
 
 
e) notícia oferecida por qualquer pessoa; 
Nos termos do art. 5º, § 3º, do CPP, qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento 
da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, seja verbalmente ou 
de maneira escrita, comunicar à autoridade policial. O delegado, após verificar a 
procedência das informações, caso confirme a prática de um crime, deverá instaurar o 
IP. 
f) auto de prisão em flagrante delito. 
 
Diante de requisição do Ministério Público, pensamos que a autoridade policial está obrigada a 
instaurar o inquérito policial: não que haja hierarquia entre promotores e delegados, mas sim por força 
do princípio da obrigatoriedade, que impõe às autoridades o dever de agir diante da notícia da prática 
de infração penal. 
Nessa situação, o Delegado está obrigado a 
instaurar o inquérito policial? 
Nessa situação, o Delegado também está 
obrigado a instaurar o inquérito policial? 
Convencendo-se que a notitia criminis é totalmente descabida, sem respaldo jurídico ou material, 
como, por exemplo, quando entender que o fato é manifestamente atípico, ou que a punibilidade 
esteja extinta, deve a autoridade policial indeferir o requerimento do ofendido para instauração de 
inquérito policial. 
Processo Penal 
Tema: Formas de instauração do IP
 Prof. Tassio Duda 
Processo Penal 
Tema: Formas de instauração do IP
Prof. Tassio Duda 
 
O auto de prisão em flagrante também é uma das formas de instauração do 
inquérito policial, sendo, na verdade, uma peça inaugural da investigação. 
A título de curiosidade, no processo penal militar, se o auto de prisão em flagrante 
delito, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, é possível que o 
Ministério Público Militar já ingresse com a ação penal, servindo de base apenas o auto 
de prisão em flagrante e as provas nele anexadas. 
No processo penal comum, Norberto Avena (2019, pg. 337) esclarece que: 
 
 
Considerando que o auto de prisão em flagrante é procedimento célere que formaliza o mínimo de 
elementos de convicção, ainda que a ele tenham sido angariadas provas suficientes para o 
oferecimento de denúncia, mesmo assim deverá o delegado realizar o inquérito policial visando 
aprofundar as investigações iniciadas com o APF. 
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