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Seminário VII - Teoria na prática - estratégias processuais

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MÓDULO: TRIBUTO E SEGURANÇA JURÍDICA
SEMINÁRIO VII – SANÇÕES, CRIMES E PRESUNÇÕES TRIBUTÁRIAS
Aluna: Marília Tófollis de Melo Ramos
QUESTÕES
1.	Conceituar e apresentar as principais diferenças (se existentes) entre: (i) tributo, (ii) ilícito tributário, (iii) infração tributária, (iv) multa tributária, (v) juros de mora; (vi) da correção monetária (vii) crime contra a ordem tributária e (viii) sanção penal tributária. 
Para apresentar as conceituações e distinções nesse estudo das infrações e sanções disporei do esquema metodológico da regra matriz, que a despeito de ser amplamente utilizado para análise da norma dispositiva, também será útil para colocar em minúcias o estudo da norma sancionadora. 
Tributo é, como explanado no seminário I, uma prestação pecuniária compulsória, instituída em lei e cobrada administrativamente. Se distingue da multa porque o tributo tem como pressuposto a realização de um fato lícito, enquanto a multa tributária tem por causa a realização de um fato ilícito, o descumprimento de um dever legal.
O ilícito tributário, posto em uma regra matriz da norma sancionadora, estaria contido no critério material no antecedente, correspondendo a uma conduta infringente do dever jurídico a qual pode ser a não-prestação do tributo ou o não-cumprimento do dever instrumental. O conceito de ilícito tributário não se destoa do de infração tributária, que segundo Paulo de Barros Carvalho é a toda ação ou omissão que direta ou indiretamente represente o descumprimento dos deveres jurídicos estatuídos em leis fiscais. 
A multa tributária e os juros de mora são espécies de sanção tributária. Ambos representam um consequência negativa prevista no ordenamento jurídico que corresponde à obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito ativo. As multas tributárias se classificam em multa moratória e multa formal, que se distinguem conforme a natureza da obrigação descumprida. A multa moratória decorre da não-prestação de tributo e a multa formal (ou isolada) decorre do descumprimento de um dever instrumental (ou obrigação acessória). Os juros de mora, por sua vez, só são aplicados quando houver o não pagamento da obrigação principal e se trata de reparação pelo efeito do não pagamento do tributo para as contas do país.
Correção monetária não é espécie de sanção, em verdade corresponde simplesmente à reconstituição do valor da moeda tendo em vista sua desvalorização. 
Crimes contra a ordem tributária são fatos jurídicos localizados no antecedente de normas penais tributárias individuais e concretas. O crime contra a ordem tributária tem como elemento central de diferenciação da infração tributária a presença indispensável do dolo naquele e a distinção no processo de positivação de ambos, enquanto a infração percorre o procedimento administrativo, o crime perpassa por processo judicial. A sanção penal tributária é a pena imposta em decorrência do crime contra a ordem tributária. Essa sanção, diferentemente da sanção tributária, se constitui juridicamente mediante ato judicial.
2.	Há limites constitucionais para a eleição de hipóteses sancionadoras? As sanções tributárias sujeitam-se aos princípios constitucionais tributários? Analisar especificamente a aplicabilidade dos princípios da legalidade, irretroatividade, não confisco, capacidade contributiva, tipicidade, segurança jurídica, proporcionalidade, razoabilidade e anterioridade.
Pela lição do professor Paulo de Barros Carvalho depreende-se que a liberdade para estabelecer sanções e fixar seus conteúdos não é ilimitada. Quaisquer imposições feitas pelo Estado sob os seus cidadãos deve observar as balizas impostas pelo ordenamento jurídico, mormente a Constituição Federal. Dentre esses primados a serem observados, o corolário da proporcionalidade exige conformidade entre a prescrição e o fim almejado. A razoabilidade deve ser observada pela adequação do ilícito praticado com a imposição da penalidade, se houver alguma distorção entre a medida exigida e o fim nela previsto, haverá inadmissível violação aos mencionados princípios. 
A legalidade e a tipicidade apontam para a obrigatoriedade de quaisquer penalidades estarem descritas em lei, bem como o detalhamento de sua aplicação, para que não haja excessos por parte do Estado. A capacidade contributiva guarda especial relação com os primados da proporcionalidade e razoabilidade, dado que não poderá ser instituída penalidade que sobrepuje a capacidade do contribuinte de cumpri-la. 
Sem analisar singularmente cada um dos princípios elencados no enunciado, observa-se que cada um desses primados confluem numa mesma diretriz: não surpreender o contribuinte com penalidade excessiva ou não prevista. 
3.	Diferençar infrações objetivas e infrações subjetivas. Qual a natureza jurídica da multa tributária aplicada em razão do não pagamento do tributo e/ou não cumprimento de dever instrumental? O descumprimento de norma tributária em decorrência de circunstâncias de força maior ou de caso fortuito excluem a antijuridicidade da conduta? 
As infrações objetivas são aquelas que não dependem da vontade do agente para a configuração do ilícito, bastando o descumprimento da obrigação. A subtração dos elementos dolo e culpa é justamente aquilo que atribui a qualidade objetiva a esse ilícito. É o caso do simples não pagamento do tributo, conquanto não é possível depreender porque o sujeito passivo não cumpriu com a prestação de pagar tributo, mas tampouco isso interessa para o direito. 
As infrações subjetivas, por sua vez, são aquelas que levam em consideração o dolo do agente para a configuração do ilícito, nesse sentido, a intenção do contribuinte é imprescindível para a materialização do fato infringente, a exemplo tem-se o conluio, a fraude e a sonegação. 
A natureza jurídica da multa tributária aplicada em razão da inobservância de um dever jurídico tem, incontestavelmente, natureza de sanção.
O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que os casos fortuitos ou de força maior serão excludentes de responsabilidade. O caso de força maior se verifica quando o acontecimento é suposto, porém inevitável, enquanto o caso fortuito, também acontecimento extraordinário, além de irresistível é imprevisível. Isso porque não há como juridicizar condutas impossíveis e assim, ocorrendo descumprimento de norma tributária em virtude de caso fortuito ou de força maior, consistente em fatos cujos efeitos não é possível evitar ou impedir, fica excluída a antijuridicidade da conduta.
4.	Quanto às multas tributárias: 
a)	Diferencie: (i) multa de mora, (ii) multa de ofício, (iii) multa agravada, (iv) multa qualificada e (v) multa isolada. 
Como já exposto, a multa de mora (ou multa moratória) decorre do não cumprimento da prestação de pagar tributo. É penalidade tributária pelo não cumprimento da obrigação principal, diferenciando-se da multa formal que decorre do não cumprimento do dever instrumental. 
Contemplando a conjunção dessas duas situações retro, ou seja, o contribuinte além de não pagar o tributo também não o declara, dá-se ensejo a aplicação da multa de ofício. Enlaçando o raciocínio, a multa de ofício tem como critério material (isso novamente criando-se uma regra matriz da norma sancionadora) os comportamentos concomitantes de não pagar e não declarar. Segundo as lições do professor Paulo de Barros Carvalho a multa de ofício é sanção aplicada pela autoridade administrativa mediante o lançamento de ofício ou auto de infração e imposição de multa.
As multas agravadas ou qualificadas são sub espécies das multas de ofício e, como o próprio nome revela, possuem um agravante ou um qualificativo na situação fática ensejadora da sanção pecuniária. A multa qualificada é aplicada quando as normas primárias sancionatórias descrevem em seus antecedentes infrações subjetivas, como as já mencionadas, ou seja, que possuem no dolo ou culpa do agente seu elemento central para a configuração do ilícito. São exemplos de infrações tributárias integradas pelo elemento volitivo doloso, a sonegação,