A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
1 pág.
Os trotes universitários violentos

Pré-visualização | Página 1 de 1

Tema: Os trotes universitários violentos
	Os índios Mandan praticam um ritual de iniciação atípico, no qual realizam vários tipos de torturas diferentes para que seus guerreiros demonstrem sua força física, coragem e consigam a aprovação dos espíritos. Assim como esses e vários outros povos, também faz parte da tradição das universidades brasileiras “rituais de iniciação”: os trotes. Essas comemorações têm deixado de promover a integração entre calouros tornando-se um evento violento e perigoso. Diante dessa perspectiva, convém analisar a influência do uso do álcool e a falta de impunidade como propulsores da problemática.
	De fato, o uso irregular de bebidas alcoólicas é presente em trotes universitários e contribui para que as práticas de violência e abuso sejam concretizadas. Da mesma forma, a necessidade de aceitação dos calouros naquele contexto leva ao cumprimento de brincadeiras humilhantes e ofensivas que, certamente, emergem o sentimento de hierarquia dos veteranos e, consequentemente, essa diversão de mal gosto pode trazer consequências negativas a quem sofre. Logo, é essencial que medidas para exclusão desses atos sejam adotadas no meio acadêmico.
	Outrossim, a inocuidade jurídica e de fiscalização nas universidades contribuí para a persistência da problemática. Um exemplo marcante foi o ocorrido em 1999, quando a recepção aos calouros do curso de Medicina da USP terminou com a morte de um estudante e com a absolvição, posteriormente, dos culpados. Nota-se, novamente, que brincadeiras irresponsáveis e abuso de poder por parte dos realizadores do trote provoca danos permanentes aos envolvidos. É inadmissível, portanto, que o descaso das universidades e dos órgãos jurídicos e de segurança admitam a impunidade da violência e a continuidade das práticas ilegais nesses eventos.
	Infere-se, destarte, que medidas devem ser adotadas para a extinção dos trotes universitários violentos. Para isso, convém as Universidades a adoção generalizada dos “trotes solidários”, por meio de campanhas de doação de sangue e alimentos, entre outras práticas, a fim de promover ações sociais e de conscientização para com os estudantes. Ademais, cabe aos órgãos de segurança das universidades a fiscalização dos trotes, por meio de canais de denúncia acessíveis nas reitorias universitárias, a fim de que práticas abusivas sejam identificadas e punidas. Com essas medidas, a iniciação da vida acadêmica poderá afastar-se de prática tortuosas como dos índios Mandan, e ir de encontro à integração pacífica.