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Trauma torácico (pneumotórax hipertensivo e aberto)

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Trauma torácico
O trauma torácico é uma importante causa de morte no mundo. Muitas lesões no tórax causam 
morte durante os primeiros minutos ou horas após o trauma. Frequentemente podem ser 
tratadas à beira do leito com medidas definitivas ou para ganhar tempo e que não exigem 
treinamento cirúrgico avançado. 
Ele pode ser causado por uma ruptura aórtica, lesão cardíaca fechada, tamponamento cardíaco, 
tórax instável, hemotórax, pneumotórax (pneumotórax aberto, traumático ou hipertensivo) e 
contusão pulmonar. 
Observação: muitos pacientes têm hemotórax e pneumotórax simultâneos (hemopneumotórax). 
As lesões ósseas são comuns, geralmente envolvendo os arcos costais e a clavícula, mas podem 
ocorrer fraturas do esterno e das escápulas. O esôfago e o diafragma também podem ser 
lesionados no trauma de tórax. Como o diafragma pode se elevar até a linha mamilar durante 
a exalação, os traumas penetrantes no tórax ou abaixo do nível dos mamilos também podem 
causar lesões intra-abdominais. 
Quando se fala em trauma, é fundamental lembrar-se da avaliação primária, que tem como 
função identificar e tratar imediatamente as maiores ameaças à vida do paciente. Essa 
avaliação é esquematizada como: o ABCDE do trauma. 
• A – Airway: Vias aéreas e restrição da movimentação cervical 
• B – Breathing and Ventilation: Respiração e ventilação 
• C – Circulation with hemorrhage control: circulação com controle de hemorragia 
• D – Desability: Avaliação neurológica 
• E – Exposure and Enviroment Control: Exposição com controle de ambiente 
Observação: na versão mais recente do PHTLS, fala-se de XABCDE, onde o X representa 
hemorragia exsanguinante. Assim, no contexto pré-hospitalar, o primeiro passo da avaliação 
primária é procurar por lesões sangrentas com potencial exsanguinante. 
Ao abordar o paciente se identificando, perguntando a ele ou ela seu nome e o que aconteceu, o 
médico consegue avaliar superficialmente o ABCD. Uma resposta adequada vinda do paciente 
sugere que suas vias aéreas estão livres, que sua respiração não está gravemente comprometida 
e que não há uma redução grave do nível de consciência. 
AIRWAY: vias aéreas e restrição da movimentação cervical 
Se o paciente é capaz de se comunicar verbalmente, as vias aéreas provavelmente não estão em 
risco imediato, no entanto, devem ser reavaliadas constantemente. Além da capacidade de 
falar, é preciso observar a presença de ruídos respiratórios, pois sua presença pode 
indicar obstrução por secreções, corpos estranhos ou queda da base de língua. Nesse caso, 
medidas para desobstrução devem ser tomadas, como a aspiração das vias aéreas, remoção do 
corpo estranho ou a realização de manobras como “jaw-thrust” ou “chin-lift”. 
Além disso, pacientes com lesões graves na cabeça que têm um nível alterado de consciência ou 
um Glasgow igual ou inferior a 8, geralmente requerem a colocação de uma via aérea definitiva. 
De acordo com a última edição do ATLS, o colar cervical não é mais obrigatório em todos os 
casos, podendo realizar a restrição do movimento com as mãos. Para finalizar a primeira parte 
da avaliação e seguir para o “B”, deve-se avaliar a integridade do pescoço do paciente. 
 
A 
Avaliação do pescoço 
Restrição do movimento cervical 
Perviedade (permeabilidade) das vias aéreas 
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/les%C3%B5es-intoxica%C3%A7%C3%A3o/trauma-tor%C3%A1cico/fraturas-dos-arcos-costais
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/les%C3%B5es-intoxica%C3%A7%C3%A3o/fraturas/fraturas-claviculares
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BREATHING AND VENTILATION: respiração e ventilação 
Somente vias aéreas pérvias não garantem que o paciente esteja ventilando adequadamente. 
A ventilação exige o funcionamento adequado dos pulmões, das paredes torácicas e do 
diafragma. 
Para avaliar adequadamente a posição da traqueia, o estado da parede torácica e se há 
distensão venosa jugular, deve-se expor o pescoço e o peito do paciente. Depois, deve-se 
realizar a ausculta para garantir se há fluxo de ar indo para os pulmões. 
A inspeção visual e palpação podem detectar lesões na parede torácica que estejam 
comprometendo a ventilação. A percussão do tórax também pode identificar anormalidades, 
mas durante a situação de emergência, escutar os sons advindos da percussão pode ser difícil. 
 
B 
Inspeção do tórax 
Palpação do tórax 
Percussão do tórax 
Ausculta pulmonar e cardíaca 
CIRCULATION WITH HEMORRHAGE CONTROL: circulação com controle de hemorragia 
Nessa etapa, avalia-se “5 Ps e 1 H”: a pele, o pulso, a perfusão e hemorragias. 
No contexto do trauma é comum o paciente apresentar a pele fria, pulso filiforme, taquisfigmia 
e aumento do tempo de perfusão. Geralmente, esses achados são sinais de um choque 
hipovolêmico hemorrágico, sendo que os cinco locais de hemorragia mais comuns são: tórax, 
abdômen, retroperitônio, pelve e ossos longos. 
O local da hemorragia é descoberto pelo exame físico e exames de imagem, caso necessário. 
Medidas imediatas após a localização do sangramento podem incluir: descompressão torácica e 
aplicação de um dispositivo de estabilização pélvica e/ou talas nas extremidades. 
O controle definitivo do sangramento é essencial, juntamente com reposição 
adequada do volume intravascular. 
 
C 
Aspecto da pele 
Qualidade do pulso 
Tempo de enchimento capilar 
Hemorragia – 5 locais 
DESABILITY: avaliação neurológica 
Uma avaliação neurológica rápida e eficiente é capaz de estabelecer o nível de consciência 
do paciente, tamanho e a reação pupilar e identificar a presença de sinais de 
lateralização. Caso haja lesão medular, o exame neurológico pode identificar o nível. 
 
D 
Escala de coma de Gasglow 
Avaliação das pupilas 
Sinais de lateralização 
EXPOSURE AND ENVIROMENT CONTROL: exposição com controle de ambiente 
É preciso expor todo o paciente para avaliar o restante da superfície corporal, incluindo seu 
dorso. Depois de concluir a avaliação, cubra o paciente com cobertores quentes ou um dispositivo 
de aquecimento externo para prevenir hipotermia. É interessante aquecer líquidos 
intravenosos antes infundi-los e manter o ambiente quente. 
 
E 
Expor completamente o paciente 
Avaliação do dorso 
Prevenir hipotermia 
 
 
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A maior parte da morbidade e mortalidade por trauma torácico ocorre porque as lesões 
interferem na respiração, circulação ou ambas. A respiração pode ser comprometida por: 
• Lesão direta nos pulmões ou nas vias respiratórias – as lesões que comprometem 
diretamente o pulmão ou as vias respiratórias são a contusão pulmonar e ruptura 
traqueobrônquica. 
• Mecanismos alterados da respiração – as lesões que alteram a mecânica da respiração são 
o hemotórax, o pneumotórax e o tórax instável. A lesão pulmonar, na árvore brônquica 
ou, raramente, no esôfago pode permitir a entrada de ar nos tecidos moles do tórax e/ou 
pescoço (enfisema subcutâneo) ou mediastino (pneumomediastino). Esse ar por si só 
raramente tem consequências fisiológicas significativas, a lesão subjacente é o problema. 
O pneumotórax hipertensivo também prejudica a respiração, bem como a circulação. 
A circulação pode ser prejudicada por: 
• Sangramento – o sangramento, como ocorre no hemotórax, pode ser maciço, 
provocando choque (a respiração também é prejudicada se o hemotórax for extenso). 
• Diminuição do retorno venoso – a diminuição do retorno venoso prejudica o enchimento 
cardíaco, causando hipotensão. A diminuição do retorno venoso pode ocorrer devido ao 
aumento da pressão intratorácica no pneumotórax hipertensivo ou ao aumento da pressão 
intrapericárdica no tamponamento cardíaco. 
• Lesão cardíaca direta – a insuficiência

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