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PARASITOLOGIA - Aula 1 A 10

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Aula 1: Relação parasito-hospedeiro
Apresentação
Nesta aula, estudaremos a relação entre os parasitos e os hospedeiros e o conceito de parasitismo e doença.
Veremos também importância do sistema imunológico e do estado nutricional do hospedeiro, a necessidade dos estudos epidemiológicos nas doenças parasitárias e conceitos como ciclos biológicos dos parasitos. Além disso, analisaremos parasitos facultativos e obrigatórios, parasitos monóxenos e heteróxenos, hospedeiro definitivo e intermediário, vetor e tipos de ciclos biológicos.
Por fim, compreenderemos a patologia, o tratamento e a profilaxia para cada doença parasitária.
Objetivo
· Reconhecer a importância do estudo de parasitologia;
· Descrever a classificação dos parasitos;
· Identificar as formas de transmissão dos parasitas.
Introdução à parasitologia
A parasitologia é uma ciência que estuda as relações entre o hospedeiro (aquele que abriga) e os parasitos.
Os parasitos são aqueles que dependem do hospedeiro para viver, causando-lhe injúrias e prejuízos que podem afetar seu desempenho orgânico, físico e mental e até levar à morte.
Podem viver no interior ou exterior do seu hospedeiro e podem, ou não, ter mais de um hospedeiro para completar o seu ciclo de vida.
Qual a importância de estudar parasitologia?
As doenças parasitárias evoluíram com os humanos e continuam em constante evolução.
Podem impactar a vida de uma comunidade inteira, assim como a malária fez na África, mudando o perfil sanguíneo da população que precisava sobreviver às recorrentes infecções.
Atualmente, o estudo da parasitologia vem ganhando destaque, principalmente devido ao movimento de globalização, pois doenças que antes não ocorriam em determinada região passaram a fazer vítimas.
Exemplo: A Doença de Chagas é um bom exemplo, pois, por 9.000 anos, ficou restrita às populações da América do Sul, mas hoje ganhou regiões como o norte dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.
Dessa maneira, novas fronteiras epidemiológicas estão se abrindo e o estudo da parasitologia humana se faz cada vez mais necessário para o diagnóstico e tratamento adequado dessas parasitoses.
Mesmo os países desenvolvidos que apresentam grande avanço tecnológico, alto padrão educacional, boa nutrição e boas condições sanitárias, estão sujeitos a doenças parasitárias.
E é claro que países onde a população tem condições precárias de higienização e de nutrição estão mais propensos à contaminação por parasitoses.
Em geral, esses países encontram-se em zonas tropicais, que possuem elementos ambientais, como a temperatura, que ajudam na propagação de muitas parasitoses.
Formas de transmissão dos parasitas
O parasita é capaz de se reproduzir disseminando seus ovos, e estes costumam infectar outros hospedeiros, dos quais eles retirarão seus meios de sobrevivência por meio do parasitismo.
Veja as formas como são transmitidos:
Classificação dos parasitas
A parasitologia abrange o estudo de parasitos de importância médica e veterinária que são classificados em grandes grupos.
Os principais são:
Classificação das relações
Independentemente do hospedeiro a ser contaminado, o parasito tem como objetivo sobreviver, se multiplicar e se propagar para outros hospedeiros, garantindo a manutenção da sua própria espécie.
Portanto, um parasito ideal é aquele que está em constante evolução com o seu hospedeiro, que não causa danos letais ou provoque doenças severas, evitando, assim, colocar a vida do hospedeiro em risco, já que isso levaria à extinção do próprio parasito, que não teria tempo hábil para se multiplicar e se expandir.
Podemos classificar as relações entre os seres vivos inicialmente em dois grupos:
Relações harmônicas ou positivas
Ocorrem entre organismos de espécies diferentes. São elas:
incapazes1 : Nesse tipo de associação, as espécies realizam funções complementares, indispensáveis a vida de cada uma.
Relações desarmônicas ou negativas
COMPETIÇÃO: Trata-se de uma relação desarmônica em que exemplares da mesma espécie (competição intraespecífica) ou de espécies diferentes (competição interespecífica) lutam pelo mesmo alimento ou abrigo.  A competição é um importante fator de regulação do nível ou número populacional de certas espécies, como, por exemplo, moscas Calliphoridae e Sarcophagidae.
CANIBALISMO: Quando um animal mais ativo ou mais forte se alimenta de outro menor ou mais fraco da mesma espécie ou da mesma família.  É uma associação desarmônica que quase sempre ocorre devido à superpopulação e à deficiência alimentar no criadouro.
PREDATISMO: Quando uma espécie se alimenta de outra espécie, de forma que a sobrevivência de uma dependa da morte da outra (cadeia alimentar).
PARASITISMO: Trata-se da relação ecológica desenvolvida entre indivíduos de espécies diferentes em que se observa uma associação íntima e duradoura, uma dependência metabólica de grau variável, em que o hospedeiro é espoliado pelo parasito, fornecendo alimento e abrigo para este.
É o caso, da Entamoeba histolytica, no intestino grosso humano.
Critérios de classificação
Os parasitas podem ser classificados segundo vários critérios:
· QUANTO AO MÚMERO DE HOSPEDEIROS: 
· Monóxenos ou monogenéticos
Realizam os seus ciclos evolutivos em um único hospedeiro.
Exemplos: Ascaris lumbricoides (lombriga) e Enterobius vermicularis (oxiúrio).
· Heteróxenos ou digenéticos
 Só completam os seus ciclos evolutivos passando pelo menos em dois hospedeiros.
Exemplos: Schistossoma sp e o Trypanosoma cruzi.
· QUANTO A LOCALIZAÇÃO NOS HOSPEDEIROS:
· Ectoparasitas
Localiza-se nas partes externas dos hospedeiros.
Exemplos: sanguessuga, piolho, pulga etc.
· Endoparasitas
 Localizam-se nas partes internas dos hospedeiros.
Exemplos: tênia (solitária), lombriga, esquistossomo etc.
· QUANTO AO NÚMERO DE CÉLULAS:
· Unicelulares
 Possuem uma única célula que apresenta o núcleo organizado, ou seja, está separado do citoplasma pela membrana nuclear. São, portanto, organismos eucariontes.
Exemplos: protozoários.
· Pluricelulares
 Organismos formados por conjuntos de células semelhantes e interdependentes que desempenham uma ou mais funções. São, portanto, também, organismos eucariontes.
Exemplos: helmintos.
Características biológicas
Veja as principais características biológicas dos parasitos:
Modalidades de parasitismo
O parasitismo pode ser:
 
 
Habitat
É o ecossistema, local ou órgão, onde determinada espécie ou população vive.
Nesses locais, esses animais têm abrigo e alimento.
O Giardia lamblia tem por hábitat o intestino delgado humano. | Fonte: shutterstock
Principais tipos de habitat dos parasitos
· Aparelho digestório principalmente luz2 e órgãos anexos;
· Sistema vascular sanguíneo, temporário ou permanente;
· Sistema linfático;
· Pele;
· Aparelho respiratório;
· Aparelho geniturinário;
· Diferentes tecidos - Sistema Fagocítico Mononuclear (SFM).
luz2 : Lúmen (em latim: lūmen, abertura ou luz) é um espaço interno ou cavidade dentro de uma estrutura com formato de tubo em um corpo, como as artérias e o intestino.
Tipos de hospedeiros
FORMAS DO PARASITO QUE O HOSPEDEIRO ALBERGA:
· Hospedeiros intermediários
Alberga formas imaturas ou assexuadas do parasito.
Exemplo: Homem para o Plasmodium.
· Hospedeiros definitivos
Alberga formas mais maduras, desenvolvidas ou sexuadas do parasito.
Exemplo: Anopheles para o Plasmodium.
FUNÇÃO DO HOSPEDEIRO:
· Reservatório
Garante a sobrevivência do parasito na natureza.
Exemplo: roedores para o T. cruzi.
· Transmissão
· Vetores mecânicos
Participa ativamente na transferência do parasito de um reservatório para outro.
Exemplo: Moscas, baratas para cisto de protozoários.
· Vetores biológicos
Participam ativamente na evolução do ciclo de vida do parasito.
Exemplo: Triatomíneo para o T. cruzi.
Relação parasito-hospedeiro
Existem diversos tipos de interação entre os parasitos e seus hospedeiros. Mas, com frequência, provocam uma resposta do sistema imunológico com diferentes resultados, como
Nem sempre a presença de um parasito em um hospedeiro indica que está havendo
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