FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
8 pág.

FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO


DisciplinaFarmacologia I43.740 materiais854.918 seguidores
Pré-visualização3 páginas
Giovanna Bittencourt \u2013 69B 
FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
É fundamental começar nesses sistemas, pois eles são a base pelo qual os demais medicamentos vão atuar ou de forma intencional ou por meio de efeitos colaterais. São poucos os fármacos que são utilizados na prática atualmente e vão interferir nesse sistema, mas vários medicamentos, representados principalmente pelos antidepressivos, ao olhar na bula, veremos que trazem como efeitos colaterais sinais e sintomas anticolinérgicos. Então, vamos começar a entender isso. 
Nicotínicos receptores ionotrópicos
Muscarínicos metabotrópicos
A divisão do sistema nervoso é basicamente em central (cérebro e medula espinhal) e periférico (tecidos neuronais fora do SNC). O sistema nervoso periférico tem vias aferentes e vias eferentes. As aferentes vão transmitir sinais de dor, propriocepção e temperatura. E a via eferente pode ter uma outra subdivisão, que é o SN somático (voluntário), que é aquele que a gente tem controle sobre a ação como o movimento muscular, e o SN autonômico (involuntário), porque ele é autônomo, age por si só. Há uma integração entre periférico e central.
O SNA pode ser dividido em entérico, simpático e parassimpático. No sistema nervoso entérico, por exemplo, temos a gastrina, que é produzida no antro e é liberada toda vez que tem a presença do alimento, da pepsina. No entanto, iremos concentrar no SNS e SNP. 
PARASSIMPÁTICO
- Craniossacral 
- Sai dos núcleos do SNC e dá origem a fibras eferentes pré-ganglionares que terminam em neurônios motores. 
- Pré-ganglionar longa e pós-ganglionar curta 
- Principal nervo é o vago (par craniano X)
- A maioria dos neurônios pós-sinápticos parassimpáticos secreta acetilcolina em receptor colinérgico muscarínico situados nas células-alvo
 - Receptores muscarínicos: M1, M2, M3, M4, M5 
SIMPÁTICO
- Toracolombar T1 até L1/L2
- Sai dos núcleos do SNC e dá origem a fibras eferentes pré-ganglionares que terminam em neurônios motores. 
- Pré-ganglionar curta (na proximidade do órgão) e pós-ganglionar longa (tem que chegar mais rápido)
- A maioria dos neurónios pós-sinápticos simpáticos secreta noradrenalina em receptores adrenérgicos situados nas células alvo, do tipo metabotrópico. 
 - Receptores adrenérgicos: \u3b11, \u3b12, \u3b21, \u3b22, \u3b23 e dopamina 
- Ambos pré-ganglionares liberam acetilcolina (AC) em receptores colinérgicos nicotínicos, dessa forma, está acoplado à receptor ionotrópico. 
- Receptores nicotínicos só existem na junção neuromuscular e nos gânglios autonômicos. 
- A glândula sudorípara, apesar de ser considerada uma fibra simpática, o neurotransmissor é a acetilcolina e liga em receptor muscarínico.
Os neurotransmissores controlam a abertura de canais iônicos na célula pós-sináptica de maneira direta ou indireta. Os receptores que abrem ou fecham os canais iônicos de modo direto, como o aceptor de acetilcolina na junção neuromuscular, são do tipo ionotrópico. Os receptores que abrem ou fecham os canais iônicos de modo indireto, como receptores de noradrenalina e dopamina, possuem 7 alças transmembranas e são chamados de metabotrópicos. 
Se eu usar um medicamento que bloqueia receptor muscarínico, que é acoplado a proteína G (metabotrópico), temos que descobrir qual das proteínas G ele deve interferir (S,I,Q). Gs aumenta AMPc, Gi diminui AMPc e Gq aumenta fosfolipase C, que aumenta Ca+. Para saber em qual proteína G o medicamento vai atuar, tem o macete: ímpares (M1, M3, M5) vão atuar na proteína Gq e os pares (M2, M4) vão atuar na proteína Gi. 
Nas outras terminações simpáticas, é liberada a noradrenalina (não é adrenalina), com exceção da glândula sudorípara (ACh) e em alguns locais onde é liberado dopamina (rins, intestino e alguns vasos). Adrenal libera adrenalina e noradrenalina, mas nesse caso ele é um hormônio, pois não é liberado numa transmissão sináptica nesse caso, e sim na corrente sanguínea. 
No sistema nervoso parassimpático, todos os receptores pós-ganglionares são muscarínicos e todos os pré ganglionares são nicotínicos. Outro local que tem liberação de acetilcolina, mas que não faz parte do sistema nervoso parassimpático é o músculo esquelético. Ele é um sistema colinérgico, pois a acetilcolina é o neurotransmissor, mas ele não pertence ao parassimpático, pois ele é um sistema voluntário. 
A dopamina é liberada em alguns vasos (terminações dopaminérgicas) e é considerada parte do sistema nervoso simpático, pois seu precursor é a noradrenalina. 
Qual o nosso sistema dominante, que controla nossas ações involuntárias? Parassimpático. O sistema simpático é dominante APENAS em vasos e nas glândulas sudoríparas. Existe terminação parassimpática em glândula sudorípara? Não, apesar de ela liberar acetilcolina. 
Taquicardia libera adrenalina da suprarrenal FC aumenta estimulou receptor dopaminérgico. 
Estou pálido estimulou receptor alfa 1, que está nos vasos (dominante é o simpático). 
Midríase: simpático 
Miose: parassimpático 
Broncodilatação: simpático
Broncoconstrição e aumento das secreções: parassimpático 
Motilidade intestinal aumentada: parassimpático
Motilidade intestinal reduzida: simpático
Sudorese aumentada: simpático
Abrir esfíncter e contrai a bexiga (incontinência urinária): parassimpático 
Fecha o esfíncter e relaxa a bexiga (retenção urinária): simpático 
O que um fármaco anticolinérgico muscarínico faz? Reduz a sudorese; aumenta a FC, pois está bloqueando o sistema parassimpático, que é o sistema dominante. O calibre dos brônquios aumenta. Salivação é o único local em que simpático e parassimpático atuam de forma sinérgica, os dois aumentam a secreção, mas o tipo de secreção é diferente. O simpático tem uma secreção seca, viscosa, enquanto a do parassimpático é uma secreção bem fluida, copiosa. Então, como estou bloqueando o parassimpático, a salivação irá diminuir (xerostomia). 
Quem tem asma, costuma tomar o salbutamol, que é um beta2 agonista e atua nos músculos dos brônquios. Não tem nervo simpático chegando no brônquio, mas tem nervo parassimpático, então como fazemos broncodilatação? No brônquio há receptores beta 2, então a adrenalina liberada pela suprarrenal irá agir, fazendo a broncodilatação (é a resposta de luta ou fuga precisa respirar para fugir). Além disso, possui receptores parassimpáticos muscarínicos, que irão fazer a broncoconstrição. 
*No sistema reprodutor masculino, simpático e parassimpático atuam de forma complementar: parassimpático promove a ereção e o simpático a ejaculação. 
Não é só a acetilcolina ou noradrenalina que podem ser liberadas na fibra pós-ganglionar. Existem outras substâncias que potencializam a ação. O óxido nítrico é um co-transmissor da acetilcolina, potencializando sua ação. Já o ATP e o neuropeptídeo Y são substâncias liberadas junto com a noradrenalina. 
A glândula suprarrenal também libera acetilcolina em receptores nicotínicos. Mas na circulação, ela libera adrenalina e noradrenalina. 
Algumas particularidades:
· Nos vasos não há terminação parassimpática, mas há receptor muscarínico (mesmo na ausência de inervação).
· Receptores beta 2 no pulmão salbutamol é administrado pela via inalatória. Funciona se tomar um comprimido? Sim, mas vai demorar mais e vai ter mais efeitos sistêmicos, pois existe receptor beta 2 em outros locais. Por exemplo, um dos efeitos colaterais do salbutamol é tremor e taquicardia. Então, uma estratégia para reduzir os efeitos colaterais e aumentar a eficácia é utilizar o medicamento perto do órgão alvo. 
· Receptores pré-sinápticos não tem uma fibra, pois o receptor está no próprio nervo. Pra que servem? Para interferir no funcionamento da fibra pós-ganglionar, num mecanismo de feedback, evitando exagero do neurotransmissor. 
No coração, há fibras simpáticas e parassimpáticas, então há noradrenalina e acetilcolina. A noradrenalina vai atuar nos receptores \u3b21 e um pouco de \u3b22. \u3b21 e 2 são acoplados à proteína Gs, que estimula a adenilil ciclase, que aumenta a conversão em AMPc, logo aumenta