A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
39 pág.
Capítulo 12 - Desenvolvimento das células do sangue, do coração e do sistema vascular - Embriologia Veterinária Poul Hyttel

Pré-visualização | Página 8 de 9

ducto arterioso
conectando o tronco pulmonar ao arco aórtico.
As aortas dorsais gradualmente se fundem e dão origem às artérias segmentares.
As artérias segmentares dorsais suprem o tubo neural e os componentes do corpo
axial. As artérias segmentares laterais suprem o sistema urogenital, e as artérias
segmentares ventrais suprem o sistema gastrointestinal e formam as artérias
313
celíaca, mesentérica cranial e mesentérica caudal.
O sistema venoso do corpo se desenvolve de três componentes principais: as
veias vitelinas, as veias umbilicais e as veias cardinais. As veias vitelinas
formam a porção hepatocardíaca da veia cava caudal, os sinusoides hepáticos e a
veia portal. A veia umbilical direita é obliterada, porém a veia umbilical esquerda
tem uma importante função durante a gestação no transporte do sangue oxigenado
proveniente da placenta para o embrião. As veias cardinais e duas gerações de
sucessoras, a subcardinal e a supracardinal, formam o restante da veia cava
caudal, a veia ilíaca interna e a veia ilíaca externa bem como as veias ázigos e
hemiázigos. Na região anterior do embrião, as veias cardinais formam as veias
jugular interna direita e esquerda bem como as veias braquicefálicas.
A formação das células sanguíneas, a hematopoiese, é iniciada no saco vitelino
durante o período mesoblástico, e essa função é assumida pelo fígado e o baço
durante o período hepatolienal. Finalmente, durante o período medular a
hematopoiese ocorre na medula óssea.
Durante a vida fetal, o sangue oxigenado deixa a veia umbilical esquerda e entra
no átrio direito onde a maioria do sangue passa pelo forame oval para o átrio
esquerdo. Daí, o sangue entra no ventrículo esquerdo e é expelido pela aorta. O
sangue que passa pelo átrio direito e para o ventrículo direito e para o tronco
pulmonar pode ser desviado para a aorta pelo ducto arterioso. As artérias
umbilicais, por sua vez, transportam o sangue desoxigenado para a placenta. Após o
nascimento, ocorrem mudanças drásticas na circulação: a veia umbilical esquerda é
obliterada e persiste como o ligamento redondo do fígado, o forame oval é
fechado, e o ducto arterioso é obliterado e persiste como o ligamento arterioso, e as
artérias umbilicais são obliteradas e persistem como o ligamento redondo vesical.
Quadro 12-1 Regulação molecular do desenvolvimento do sistema vascular
Durante o processo de gastrulação, a placa mesodérmica lateral é dividida em duas porções,
somática (parietal) e esplâncnica (visceral). O mesoderma visceral, junto com o endoderma
subjacente, forma a pleura visceral ou esplancnopleura. O primeiro mesoderma
hemangiogênico é formado na parede do saco vitelino que dá origem ao sangue e aos vasos
sanguíneos. Sistemas de células-tronco hematopoiéticas definitivas em peixes, anfíbios,
pássaros e mamíferos são, no entanto, formadas intraembrionariamente, na placa
mesodérmica visceral próxima a aorta. Esta região é também chamada região aorta-
gônada-mesonefro (AGM). As células-tronco hematopoiéticas dentro da região AGM
expressam genes que codificam importantes reguladores de sua formação, como SCL, Runx-1,
c-Myb e LMO-2, genes que codificam marcadores de superfície como CD34 e o receptor da
molécula c-Kit. O pró-oncogene c-Myb afeta especificamente a hematopoiese na região para-
314
aórtica da região AGM. As células-tronco hematopoiéticas da região AGM mais tarde
colonizam o fígado fetal e provavelmente também a medula óssea, que é o sítio de formação
de sangue na vida adulta. Um enigma paradoxal, no entanto, reside no fato de que células
pluripotentes hematopoiéticas presentes da região AGM são muito pequenas. Dados recentes
têm mostrado que a placenta é uma fonte adicional de células-tronco em mamíferos. A
placenta murina contém células-tronco hematopoiéticas dentro da região labiríntica vascular.
As células-tronco hematopoiéticas pluripotentes parecem ser geradas ao longo do endotélio
dos vasos sanguíneos da placenta, bem como do saco vitelino. Essas células aparecem em
número suficiente para formar a população de células-tronco encontradas mais tarde no
fígado. O fígado pode então receber células-tronco tanto da região AGM como da placenta,
com uma potencial contribuição dos hemangioblastos provenientes do saco vitelino.
As células hemangiogênicas se tornam especificadas por meio das vias de sinalização do
BMP e FGF originada no hipoblasto e endoderma subjacente. Sinais inibitórios da crista
neural (as proteínas Wnt) e da notocorda (Noggin e Chordin) previnem a formação das
regiões cardiogênicas na região posterior do embrião. Na porção anterior do embrião, ao
contrário as células endodérmicas e o hipoblasto dentro do intestino anterior produzem
moléculas de sinalização, incluindo Cerberus, Dickkopf e Crescent, antagonizando a via de
sinalização Wnt do tubo neural. O mesoderma cardiogênico se torna mais específico por meio
da BMP (e FGF) sinalizando a ausência de Wnt. Isto leva à expressão de Nkx2.5, um gene
crucial para o desenvolvimento cardíaco.
Em galinhas e camundongos, tem sido demonstrado que os domínios cardíacos
posteriores (o seio venoso e o átrio) se estabelecem pela exposição de altas concentrações de
ácido retinoico, o acúmulo local deste é finalmente controlado pelos genes Hox. Aos
domínios cardíacos anteriores são especificados pela ação da transcrição do fator Tbx5 que
mais tarde também possui um importante papel na septação cardíaca. A volta e a formação
das câmaras cardíacas do coração é dependente da expressão de proteínas da direita para
esquerda (Nodal, Lefty-2; Cap. 7). Recentemente, a proteína Hand1 se torna restrita ao
ventrículo esquerdo (sobrepondo a expressão do Tbx5) e as proteínas Hand2 à direita. O
tronco arterioso é derivado inicialmente das células da crista neural expressando Pax3.
Os vasos sanguíneos se formam independentemente do coração, e por fim se conectam a
ele. Na primeira fase da vasculogênese, as células mesodérmicas na pleura visceral originam
os hemangioblastos sob o controle inibitório da via de sinalização Wnt originada do tubo
neural. Durante a segunda fase da vasculogênese, os hemangioblastos são condensados, e dão
origem a ilhas vasculares nas quais há o desenvolvimento das células progenitoras de sangue
e células endoteliais. Os fatores endoteliais de crescimento vascular (VEGFs), um grupo de
sete proteínas (das quais cinco são expressas em mamíferos) está envolvido na formação de
células endoteliais, o que resulta na formação de plexos capilares primários, e as subsequentes
fases da angiogênese. Três receptores tirosina-quinase para VEGF foram identificados:
315
VEGFR1 (Flt1), VEGFR2 (Flk1) e VEGFR3. VEGFA, também é conhecido como um fator de
permeabilidade vascular (FPV), que liga em ambos VEGFR1 e VEGFR2. VEGFR2 está
envolvido na formação, proliferação e migração das células endoteliais, enquanto VEGFR1
está envolvido na formação de tubos capilares. VEGFB e o fator de crescimento
placentário (do inglês: placental growth factor – PIGF) somente se liga ao VEGFR1. VEGFC
e VEGFD são, particularmente, conhecidos por agir como fator de crescimento
linfoangiogênico agindo por meio do VEGFR3.
Os plexos capilares primários contêm dois tipos de células endoteliais: as células
endoteliais arteriais expressando ephrin-B2 e as células endoteliais venosas expressando
EphB4. EphB4 é um receptor para ephrin-B2, e, durante a angiogênese, essa interação entre
ligante receptor garante a fusão dos capilares venosos com os capilares arteriais. A maturação
dos vasos recém-formados envolve o recrutamento de pericitos que formam uma camada de
células musculares envolvendo as artérias. Angiopoietinas e o fator de crescimento
derivado de plaquetas (PGDF) são conhecidos por estarem envolvidos neste processo.
Leituras adicionais
Broccoli F., Carinci P. Histological and histochemical analysis of the obliteration processes of ductus
arteriosus Botalli. Acta Anat. 1973;85:69–83.
Canfield P.J., Johnson R.S. Morphological aspects of prenatal haematopoietic development in the cat. Zbl.
Vet. Med. C.