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Livro Gestão e Análise de Custos

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os 
cenários de produção são diferentes de empresa para empresa. A Contabilidade 
de Custos vai aplicar a base de rateio que combine com as operações, aquela 
que fornecer informações próximas da realidade referente a custos e aquela 
que for útil para a análise do desempenho das operações.
Para Martins (1998), setores cujos custos sejam predominantemente 
fixos devem ser rateados à base de potencial de uso, e departamentos cujos 
custos sejam predominantemente variáveis devem ser rateados à base dos 
serviços realmente prestados. Se não houver predominância de um ou outro e 
o valor do custo total, em reais, for grande, pode haver um rateio misto.
FONTE: Adaptado de: <http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/
handle/123456789/197/Custos%20e%20forma%C3%A7%C3%A3o%20do%20
pre%C3%A7o%20de%20venda.pdf?sequence=1>. Acesso em: 24 set. 2015.
UNI
A organização pode realizar a distribuição de custos de diversas maneiras, 
porém, por ser um critério subjetivo e impreciso, qualquer tipo escolhido poderá favorecer 
mais um produto e prejudicar outro, ou seja, não há um método mais correto, mas sim um 
que seja mais próximo da realidade possível.
3.2 DEPARTAMENTALIZAÇÃO
Conforme Vieira (2008), podemos definir departamento como sendo uma 
unidade operacional representada por um conjunto de homens e/ou máquinas de 
características semelhantes, que desenvolvem atividades homogêneas dentro de 
uma mesma área.
A departamentalização é a subdivisão da empresa em áreas diferentes 
e distintas, de acordo com as atividades desenvolvidas em cada um desses 
setores. Podemos verificar tais setores como: financeiro, marketing industrial, 
administrativo, comercial, entre outros. Esses setores recebem nomes de acordo 
com suas atividades desempenhadas diretamente no sistema produtivo ou não, 
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UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS
como é o caso dos setores de serviços, conhecidos como auxiliares, pois prestam 
serviço a outros setores e possuem seus custos transferidos para aqueles que 
deles se beneficiam.
Não podemos dizer que há departamentalização ideal, todos os 
tipos apresentam vantagens e desvantagens. É necessário que ao definir os 
departamentos que é na verdade o processo de agrupar as atividades com mesmo 
fim em divisões organizacionais buscar maneiras onde a eficiência e a eficácia 
sejam otimizadas.
Portanto, departamento é a menor unidade administrativa dentro de uma 
empresa industrial. Assim, a departamentalização consiste na apropriação dos 
CIFs desde os departamentos não produtivos até encerrar nos departamentos de 
produção, sendo eles distribuídos no produto.
Exemplo:
Vamos supor que durante um determinado mês uma panificadora 
produza bolos de laranja e bolos de limão sabendo que seu consumo de água foi 
de R$ 2.000,00 e de energia de R$ 5.000,00. Realize os cálculos abaixo conforme 
descrito.
a) Distribuir os custos de água: 10% comercial, 40% montagem, 20% financeiro e 
30% produção;
Comercial  R$ 2.000,00 x 0,10 = R$ 200,00
Montagem  R$ 2.000,00 x 0,40 = R$ 800,00
Financeiro  R$ 2.000,00 x 0,20 = R$ 400,00
Produção R$ 2.000,00 x 0,30 = R$ 600,00
b) Distribuir os custos de energia: 5% comercial, 45% montagem, 10% financeiro 
e 40% produção;
Comercial  R$ 5.000,00 x 0,05 = R$ 250,00
Montagem  R$ 5.000,00 x 0,45 = R$ 2.250,00
Financeiro  R$ 5.000,00 x 0,10 = R$ 500,00
Produção  R$ 5.000,00 x 0,40 = R$ 2.000,00
c) Do resultado, distribuir os custos comercial e financeiro em 60% para a 
montagem e 40% para a produção;
Comercial + Financeiro =
450,00 + 900,00 = R$ 1.350,00
Montagem R$ 1.350,00 x 0,60 = R$ 810,00
Produção  R$ 1.350,00 x 0,40 = R$ 540,00
TÓPICO 4 | CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS
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d) Do resultado, distribuir 40% para bolo de limão e 60% para bolo de laranja.
Produção  600,00 + 2.000,00 + 540,00 = R$ 3.140,00
Montagem 800,00 + 2250,00 + 810,00 = R$ 3.860,00
Limão:
Produção  R$ 3.140,00 x 0,40 = R$ 1.256,00
Montagem  R$ 3.860,00 x 0,40 = R$ 1.544,00
Total  R$ 1.256,00 + R$ 1.544,00 = R$ 2.800,00
Laranja
Produção  R$ 3.140,00 x 0,60 = R$ 1.884,00
Montagem  R$ 3.860,00 x 0,60 = R$ 2.316,00
Total  R$ 1.884,00 + R$ 2.316,00 = R$ 4.200,00
Podemos concatenar os cálculos anteriores em uma tabela para melhor 
visualização, conforme segue abaixo:
 Produção Montagem Comercial Financeiro Total
(a) Água 600,00 800,00 200,00 400,00 2.000,00
(b) Energia 2.000,00 2.250,00 250,00 500,00 5.000,00
Subtotal 2.600,00 3.050,00 450,00 900,00 7.000,00
(c) Rateio Financeiro e 
comercial
540,00 810,00 
Total dos CIFs Deptos. 3.140,00 3.860,00 7.000,00
(d) Limão 40% 1.256,00 1.544,00 2.800,00
(d) Laranja 60% 1.884,00 2.316,00 4.200,00
Total dos CIFs Produto 3.140,00 3.860,00 7.000,00
3.3 CENTRO DE CUSTOS
Ao definir a estrutura departamental da empresa, é possível perceber 
que quase sempre um departamento é um centro de custos, ou seja, nele serão 
apropriados os custos indiretos para que em seguida seja possível realizar o 
rateio aos produtos produzidos.
O Centro de custos é a menor unidade onde são alocados os custos 
indiretos dentro da empresa, um departamento é um centro de custos, e dentro 
desse departamento podem se subdividir outros centros de custos.
Portanto, o centro de custos é um sistema organizacional de atividades 
que são integradas às unidades de trabalho, que busca cumprir os objetivos 
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UNIDADE 1 | CONCEITOS INICIAIS
estabelecidos pelo departamento de produção. O que integra as partes é o fluxo 
de informações.
• Centro de Custos: é a menor unidade de acumulação de custos, podendo ser 
representada por colaboradores, máquinas e equipamentos de características 
semelhantes que desenvolvem atividades homogêneas relacionadas com o 
processo de produção.
• Centros de Custos Produtivos (CCP): são os centros de custo onde são alocados 
os custos por onde os produtos passam durante o seu processo de produção 
e nos quais sofrem transformação ou beneficiamento. Exemplo: corte, costura, 
pintura, acabamento etc.
• Centros de Custos Auxiliares (CCA): são centros de custos que fazem parte 
do processo produtivo, porém atuam indiretamente sobre o produto a 
ser produzido, ou seja, prestam serviços ou dão apoio aos CCP. Exemplo: 
manutenção, planejamento, refeitório, administração, almoxarifado etc.
UNI
Ao utilizar os rateios, a empresa deve optar por um método de distribuição de 
custos indiretos que mais se aproxime de sua realidade, lembrando que qualquer método de 
rateio é injusto.
3.4 BASE PARA RATEIO
Conforme verificamos anteriormente, os gastos gerais de comercialização 
são todas as despesas que ocorrem no processo de produção, exceto o material 
e mão de obra. Podem ser classificados em diretos, indiretos, fixos e variáveis. 
Para Schier (2006), “a apropriação do custo exige a determinação dos gastos 
em períodos mensais, para sua inclusão entre os elementos de custo do mês 
correspondente”. 
Os gastos gerais serão rateados pelas seções produtivas com base em 
critérios diferentes definidos pela empresa, de acordo com a natureza de cada 
gasto e sua forma de atuação sobre a produção.
Podemos exemplificar alguns gastos que são comuns e seus respectivos 
rateios:
a) Amortização e depreciação: do imobilizado da área produtiva em relação à 
proporcionalidade percentual do ativo imobilizado num todo.
TÓPICO 4 | CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS
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b) Energia elétrica: pode ser rateado por meio do metro quadrado que nem 
sempre retrata o correto ou ainda a empresa instalar medidor de energia em 
cada setor produtivo.
c) Combustíveis e lubrificantes: podendo sofrer seu rateio de acordo com o 
consumo de cada setor produtivo.
d) Aluguel e IPTU: pode ser feito pelo metro quadrado na área de ocupação de 
cada setor.
e) Despesas com conservação e reforma: podem ser rateados de acordo com a 
área ocupada por cada