FARMACOLOGIA - CARDIOVASCULAR
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FARMACOLOGIA - CARDIOVASCULAR


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FARMACOLOGIA - SISTEMA CARDIOVASCULAR
O sangue, a medula óssea, os linfonodos e o timo são os principais componentes do sistema hematopoiético, que tem como órgãos auxiliares o baço, o fígado e os rins. O sangue representa cerca de 8% do peso corpóreo total e é composto de plasma sanguíneo, glóbulos vermelhos (ou hemácias e eritrócitos), glóbulos brancos (ou leucócitos) e plaquetas (ou trombócitos). Todos os vários componentes do sangue contribuem para a manutenção da homeostasia no organismo. As hemácias representam mais de 99% das células sanguíneas e sua principal função é transportar a hemoglobina, que por sua vez, transporta o oxigênio dos pulmões para os diversos tecidos. A medula óssea deve formar continuamente grandes quantidades destas células (eritropoese), além das outras células do sangue (hematopoese). Por outro lado, a manutenção do sangue dentro dos vasos sanguíneos é vital para a integridade do organismo. Dessa forma, a hemostasia é uma função fisiológica caracterizada por um conjunto de mecanismos necessários para a função de contenção do sangue nos vasos, bem como para a manutenção da sua fluidez. Essa hemostasia é desenvolvida através do mecanismo de coagulação sanguínea (evitar hemorragias) e fibrinólise, importante para impedir a formação de trombos ou coágulos sanguíneos no organismo.
MECANISMO GERAL DA HEMATOPOESE (OU ERITROPOESE): processo fisiológico responsável pela produção das células do sangue e, como consequência, pela manutenção da homeostase dos níveis de oxigênio corpóreo. Este processo é regulado primariamente pela eritropoetina, fator de crescimento hematopoético produzido pelos rins. 
As hemácias têm vida bastante limitada, sendo nos mamíferos entre 50 e 120 dias. 
A velocidade de produção de hemácias no organismo aumenta em qualquer condição em que há redução na quantidade de oxigênio que chega aos tecidos, ou seja, em um estado de hipóxia ou anemia, a medula óssea é estimulada a aumentar a produção de hemácias para serem lançadas na circulação. A hipóxia dos centros eritropoéticos da medula óssea não é um estimulo direto para o aumento da eritropoese, mas depende ativamente da eritropoetina, liberado principalmente em resposta à hipóxia renal.
COMPONENTES ESSENCIAIS PARA A HEMATOPOESE (OU ERITROPOESE)
- Eritropoetina (EPO): Cerca de 90% da eritropoetina são sintetizados pelas células corticais renais, sendo o fígado o principal local extrarrenal desta síntese. A hipóxia renal provoca a liberação da enzima denominada fator eritropoético renal que penetra na circulação e interage com o eritropoetinogênio (precursor inativo de origem hepática). Desta forma-se a eritropoetina ativa (principalmente nos rins), que é liberada no sangue. A eritropoetina liberada atinge a medula óssea, de onde induz a liberação de reticulócitos na corrente sanguínea, local da sua maturação a eritrócitos (ou hemácias).
Agentes que aumentam a secreção:
· Agonistas de receptores A2 de adenosina
· Agonistas \u3b22-adrenérgicos
· Radicais livres
· Prostanoides
· Vasopressina
· Serotonina
· Prolactina
· Hormônio do crescimento
· Tiroxina
Agentes que diminuem a secreção:
· Inibidores da ciclo-oxigenase (anti-inflamatórios)
· Estrógenos
· Agentes alquilantes
· Bloqueadores \u3b22-adrenérgicos
· Bloqueadores de canais de cálcio
Situações clínicas caracterizadas por IRC podem diminuir a produção de eritropoietina, pois as células renais são destruídas. Em medicina veterinária, a eritropoietina tem especial utilização na anemia associada a distúrbio renal crônico.
A eritropoese é, ainda, dependente de outros componentes essenciais para a formação de hemácias, tais como o ferro, minerais e certas vitaminas. A deficiência destes nutrientes pode diminuir o número de hemácias ou produzir células incompletas, imaturas ou malformadas, causando anemia.
- Ferro: O ferro é necessário para a formação de hemoglobina e de outras proteínas envolvidas na produção de energia oxidativa, transporte de oxigênio, respiração mitocondrial, inativação dos radicais livres de oxigênio e para a síntese de DNA. Devido à sua baixa solubilidade, há mecanismos eficazes para o transporte e armazenamento de ferro no organismo vivo, através de proteínas transportadoras.
A hemoglobina é formada pela união de uma molécula de globina (proteína) com 4 moléculas de grupo heme, o qual é constituído de ferro bivalente ou ferroso (Fe2+) capaz de fixar o O2 de forma reversível. O ferro do grupo heme é rapidamente absorvido a partir do trato gastrintestinal e sua absorção pode ser facilitada por outros nutrientes. Como o ferro não hêmico da dieta apresenta-se principalmente no estado férrico ou ferro trivalente (Fe3+), há necessidade de conversão para a forma ferrosa (Fe2+), o que pode ser estimulado pela ingestão de ácido ascórbico (vitamina C), que promove tanto a redução do ferro férrico como a formação de complexos solúveis de ferro-ascorbato, o que aumenta a absorção de ferro ferroso.
O ferro é armazenado em dois compartimentos do organismo: um deles é funcional, como parte integrante da hemoglobina, mioglobina e outras estruturas proteicas essenciais; a outra parte não é funcional, e está na forma complexada com a ferritina.
A ferritina está presente no organismo na forma de um monômero chamado apoferritina, ou na forma de um agregado chamado hemossiderina. A ferritina liga-se ao íon férrico (Fe3+) e controla o movimento deste elemento em vários pontos de ligação à ferritina localizados nas membranas das células plasmáticas. Este complexo ferro-ferritina penetra na célula através de endocitose e o ferro é então liberado intracelularmente, retornando a ferritina ao seu compartimento extracelular. 
À medida que as hemácias velhas são destruídas, a hemoglobina é rapidamente degradada pelas células do sistema reticuloendotelial, do baço, fígado e medula óssea e libera Fe2+, que se torna novamente disponível para as hemácias recém-formadas pela medula óssea. 
A anemia por deficiência de ferro (anemia ferropriva) é uma condição clinica comum em animais, sendo relatada como de maior ocorrência em leitões e bezerros. O uso de anti-inflamatórios que causam sangramento da mucosa gástrica e doenças gastrintestinais associadas a hemorragias podem levar à deficiência de ferro. Além disso, as carências nutricionais dos animais também podem causar a deficiência deste elemento. Em casos de pacientes sob diálise ocorre uma perda contínua de ferro, ocasionada, sobretudo, por hemorragias digestivas e hematêmese.
- Vitamina B12: A cianocobalamina (vitamina B12) contém cobalto e é um nutriente necessário para a maturação do núcleo e para a divisão celular, pela sua atividade na síntese de DNA e RNA. 
A deficiência dessa vitamina afeta os centros hematopoiéticos da medula óssea, causando uma diminuição de hemácias por maturação incorreta e inibição da proliferação destas células, manifestando uma anemia megaloblástica, com o aparecimento de células maiores, com núcleo imaturo e membranas finas e malformadas. Essas células são denominadas estas megaloblastos (precursoras), e os adultos correspondentes são os macrócitos. Pela sua imaturidade, ambas as células são muito frágeis, o que diminui sua vida-média para cerca de algumas semanas.
A vitamina B12 é absorvida a partir do trato gastrintestinal com o auxílio do chamado fator intrínseco (FI), uma glicoproteína que em condições ácidas no estômago facilita sua absorção. A anemia perniciosa ocorre por falha na produção deste fator intrínseco. O complexo FI-vitamina B12 alcança o intestino, onde é absorvido e penetra na circulação para ligar à \u3b2-globulina (proteína plasmática) e ser transportada até o fígado onde é estocada na forma de coenzima ativa. 
Os ruminantes adultos são animais que conseguem sintetizar a vitamina B12 através das bactérias do rúmen. Porém, uma dieta deficiente de cobalto nestes animais pode resultar em deficiência desta vitamina, pois este elemento é essencial aos microrganismos ruminais para a síntese da mesma. 
- Ácido fólico (ou folato): é primordial para a síntese de purinas e pirimidinas