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Excercício - Beatriz Silva

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (...) VARA FEDERAIS DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE...
EMPRESA..., pessoa jurídica de direito privado, estabelecida na Rua..., nº..., Bairro..., Município de..., Estado de..., inscrita no CPJ sob o nº..., por meio de seu advogado (instrumento em anexo) vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 38, da Lei 6.830/80 e demais disposições legais aplicáveis, ajuizar a presente 
AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL COM PEDIDO DE DEPÓSITO
em face da União Federal, pessoa jurídica de direito público interno, na pessoa de seu representante legal, situada no endereço, rua/av..., nº..., bairro..., cidade..., CEP..., pelos motivos de fato e de direito abaixo aduzidos:
I - DOS FATOS
A Empresa supracitada fora autuada pelo IBAMA alegando o não pagamento da Taxa de Fiscalização Ambiental no valor de R$ 3.000,00, sem sequer ter sido realizada tal atividade. No mais, além do valor do tributo, fora cobrado também multa moratória e punitiva. 
Tal conduta não merece prosperar, pelos motivos que serão expostos em seguida. 
II - DO DIREITO
Conforme estabelece o art. 145, II, da Constituição Federal, a cobrança só é permitida nos casos em que há a efetiva fiscalização por parte do poder público, vejamos:
Art. 145 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
§ 2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
Destaca-se ainda que, a exigência fiscal indevida vem criando dificuldades financeiras expressivas ao Impetrante, resultando o pagamento de taxas que não são devidas.
Sendo assim, no caso concreto, o princípio da legalidade fora violado, haja vista que no caso em epígrafe não há qualquer fiscalização por parte da união.
Na mesma vertente, tem-se o entendimento do STF abaixo transcrito:
Anotação Vinculada - art. 145, inc. II da Constituição Federal - "A hipótese de incidência da taxa é a fiscalização de atividades poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais, exercida pelo Ibama (Lei 6.938/1981, art. 17-B, com a redação da Lei 10.165/2000). Tem-se, pois, taxa que remunera o exercício do poder de polícia do Estado. Não há invocar o argumento no sentido de que a taxa decorrente do poder de polícia fica "restrita aos contribuintes cujos estabelecimentos tivessem sido efetivamente visitados pela fiscalização", por isso que, registra Sacha Calmon – parecer, fl. 377 –, essa questão "já foi resolvida, pela negativa, pelo STF, que deixou assentada em diversos julgados a suficiência da manutenção, pelo sujeito ativo, de órgão de controle em funcionamento (cf., inter plures, RE 116.518 e RE 230.973). Andou bem a Suprema Corte brasileira em não aferrar-se ao método antiquado da vistoria porta a porta, abrindo as portas do Direito às inovações tecnológicas que caracterizam a nossa era". Destarte, os que exercem atividades de impacto ambiental tipificadas na lei sujeitam-se à fiscalização do Ibama, pelo que são contribuintes da taxa decorrente dessa fiscalização, fiscalização que consubstancia, vale repetir, o poder de polícia estatal.<br>[RE 416.601, voto do rel. min. Carlos Velloso, j. 10-8-2005, P, DJ de 30-9-2005.]<br>= RE 603.513 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 28-8-2012, 1ª T, DJE de 12-9-2012"
Portanto, diante dos argumentos expostos e à luz da ordem jurídica pátria resta comprovada que a exigência fiscal é indevida.
III - DO DIREITO AO DEPÓSITO
De acordo com o artigo 585, § 1° do CPC, "a propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título executivo não inibe o credor de promover a execução".
Por este motivo, e com base no artigo 151, II do CTN, vem a autora requerer, preliminarmente, que lhe seja deferido o direito de realizar o depósito judicial com o escopo de se suspender a exigibilidade do crédito tributário.
Diz o artigo 151 do CTN:
"Art. 151 - Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
II - o depósito do seu montante integral";
Como nos ensina o professor Hugo de Brito Machado, em seu livro "Temas de Direito Tributário II", Revista dos Tribunais, página 65 e seguintes:
"A efetivação do depósito de que trata o art. 151, II, do CTN, todavia, não fica a depender do deferimento, pelo Juiz, de medida cautelar. Por isto mesmo preferimos sustentar a desnecessidade de ação cautelar, como já decidiu o antigo Tribunal Federal de Recursos", decisão esta da TRF - 4ª Turma, EDAC 109.487-SP, julgado em 13.08.86, rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJU de 11.09.86.
Deste modo, com o fim específico de se suspender a exigibilidade do crédito tributário, pretende a autora, após deferido por V. Exa., realizar seu direito de depositar o montante integral do valor exigido na quantia de R$ .... 
IV - DOS PEDIDOS 
Ante o exposto, requer:
1. A concessão da tutela antecipada para fins de suspensão da cobrança dos infundados e inexistentes débitos. 
2. Seja julgada procedente a ação, confirmando a tutela antecipada;
3. A citação da Ré para contestar o feito; 
4. A condenação em custas e honorários; 
5. Seja deferida a juntada de documentos que instruem a Inicial. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito. 
Dá-se à causa o valor de R$ ...
Nestes Termos,
Pede deferimento.
Local, data
ADVOGADO
OAB nº

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