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APS - MULHERES DE CONFORTO

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Universidade Paulista – UNIP
Thais Pereira Giora RA: D1831I-1
AS MULHERES DE CONFORTO COREANAS COMO UM CRIME DE GUERRA
Campinas,
2019
Thais Pereira Giora
AS MULHERES DE CONFORTO COREANAS COMO UM CRIME DE GUERRA
Trabalho de curso por meio de elaboração de artigo científico para o Instituto de Relações Internacionais na Universidade Paulista UNIP, para atender requisitos ao curso de graduação em Relações Internacionais.
 Orientadora: Profª. Helena Salim de Castro.
Campinas,
	2019	
AS MULHERES DE CONFORTO COREANAS COMO UM CRIME DE GUERRA
Resumo
A Guerra do Pacífico fez da Coréia uma colônia do Japão (1932-1945), e transformou mais de 200 mil mulheres e adolescentes de diferentes idades em “mulheres de conforto”, vítimas que foram tiradas de suas casas e famílias sob o pretexto de uma vida melhor. Enganadas e até mesmo sequestradas, elas serviram como o consolo sexual dos soldados japoneses em prédios abandonados que começaram a servir como bordéis. E, incentivados pelo governo japonês, os soldados do Império se aproveitavam das vítimas, as obrigando a manter relações por mais de 30 vezes ao dia durante todo o período da Guerra. Ao final, poucas foram as sobreviventes que puderam retornar as suas casas, mas, elas não tiveram a chance de serem reconhecidas pois, o Japão nunca assumiu a culpa e, traumatizadas e oprimidas pela sociedade não tiveram a oportunidade de ter uma vida normal e nenhum reparo psicológico pelo crime que ficou silenciado por mais de 70 anos. Mesmo com a ajuda da ONU que em 1996 interviu nas relações entre Japão e Coréia, o mesmo ainda não cumpre com sua responsabilidade moral e legal. Ainda no aguardo de justiça, as mulheres que não morreram nos dias atuais, se tornaram símbolo para muitos movimentos feministas na Coréia e viraram tópico para a discussão dos Direitos Humanos no âmbito da Segurança Internacional em uma guerra política que parece não haver fim. Este estudo procura explorar o lado histórico para explicitar o crime de guerra e suas consequências que foram omitidas e a influência no feminismo na Coréia do Sul atualmente.
Palavras-Chave: Mulheres de Conforto, Crime de Guerra, Segurança Internacional.
THE COREAN CONFORT WOMEN AS A WAR CRIME
Abstract
The Pacific War made Korea a colony of Japan (1932-1945), and turned more than 200,000 women and teenagers of different ages into “women of comfort,” victims who were taken from their homes and families under the guise of a better life. Deceived and even kidnapped, they served as the sexual consolation of Japanese soldiers in abandoned buildings that began to serve as brothels. Moreover, encouraged by the Japanese government, Empire soldiers took advantage of the victims, forcing them to maintain sexual relations more than 30 times a day throughout the war. In the end, few survivors were able to return home, but they were not given a chance to be recognized as Japan never took the blame and, traumatized and oppressed by society they had no chance to have a normal life and none psychological repair for the crime that has been silenced for over 70 years. Even with the help of the UN that intervened in relations between Japan and Korea in 1996, Japan still does not fulfill its moral and legal responsibility. Still awaiting justice, women who have not died until today have become a symbol for many feminist movements in Korea and have become a topic for the discussion of human rights within the framework of international security in a seemingly endless political war. This study seeks to explore the historical side to make explicit the war crime and its consequences that were omitted and the influence in South Korea’s feminist movements currently.
Key Words: Comfort Women, War Crime, International Security.
Sumário
I. Introdução..............................................................................................................................5
V. Contextualização histórica anterior à Guerra.................................................................. 6
VI. O Sistema de Conforto e o papel da mulher coreana......................................................7
VII. As Relações Diplomáticas com o Japão e o reconhecimento do crime.........................9
VIII. A Teoria Feminista e o encaixe no caso das Mulheres de Conforto.........................11
XIII. Considerações Finais.....................................................................................................13
XIV. Referências Bibliográficas.............................................................................................13 
I. Introdução
Apesar da colonização japonesa ter começado em 1905, foi apenas durante os anos de 1932 a 1945, em uma disputa com EUA e outros países asiáticos, que a Guerra do Pacífico deslanchou e trouxe um dos maiores casos de tráfico humano, as chamadas “mulheres de conforto”. De acordo com Okamoto (2013), o governo japonês enxergou uma necessidade de satisfazer seus soldados sexualmente, assim, criou-se as estações de conforto, os então locais onde as coreanas eram levadas e obrigadas a manter relações a qualquer momento do dia.
A partir deste fato, é possível determinar o abuso físico e mental sofrido por todas as mulheres que passaram por essa “experiência”, no entanto, ainda é um pouco complicado explicar o motivo de tantos anos de silêncio que se sucederam após o término da Guerra do Pacífico, tanto por parte do Governo Coreano quanto o Governo Japonês. Medidas só começaram a ser tomadas muito depois do ocorrido. Enquanto isso, as vítimas continuaram sozinhas, sem o apoio governamental e com vergonha de seu próprio passado em uma sociedade patriarcal que as considerou “impuras”, tanto para o casamento quanto para arranjar empregos, as obrigando viverem sem o reconhecimento que deveriam.
Até hoje, as Mulheres de Conforto são um assunto inacabado por parte dos Governos. Ao lado da Embaixada Japonesa na Coréia, há uma estatueta de uma mulher que representa as mais de 200 mil vidas (AZENHA, 2017), que foram perdidas ou interrompidas. Em 2015, no governo de Park (2013-2017), na Coréia do Sul, houve um acordo que ainda não foi bem aceito pela população, deixando que as negociações prossigam repletas de farpas, onde a culpa ainda não foi completamente reconhecida e o reparo moral também não foi concluído, conforme Brito e Vieira (2017).
Este artigo é elaborado por meio da metodologia qualitativa, de modo a abranger o papel da mulher coreana para que fosse discutido a invasão japonesa na Segunda Guerra Mundial, explicitando os crimes de guerra que ocorreram (estupro e escravidão sexual), que não foram reconhecidos pelo Japão até os dias atuais colocando a Relação Diplomática em risco e, como foi promovido a pressão dos movimentos feministas asiáticos e dos Direitos Humanos a partir deste fato. De acordo com Okamoto (2013), as coreanas representaram aproximadamente 80% do número de vítimas por toda a Ásia nesta época, sendo acompanhadas de perto pelo Governo Japonês. Também visa a discussão da influência que isto levou aos movimentos feministas atuais, como o maior exemplo da falta de reconhecimento da mulher como sujeito passível de proteção legal. A partir disso, este estudo está dividido em contextualização histórica e o funcionamento do Sistema de Conforto, abordando as relações diplomáticas que se seguiram para enfim, agrupar estes acontecimentos na Teoria Feminista nos estudos de Segurança Internacional. 
IV. Justificativa
O recrutamento de mulheres jovens em um trabalho que de início deveria ser voluntario e, que ajudaria ao sustento da família, acabou se tornando em um acontecimento humilhante e desumano para a história. No entanto, o mais chocante é entender que este foi silenciado pelos próprios governos em uma tentativa de fugir da culpa e vergonha internacional e, até mesmo, para manter valores machistas dentro de uma sociedade.
É impressionante descobrir que muitos não

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