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Manual Caseiro - Direito Administrativo II - 2020

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Sumário 
Conteúdo 01: Intervenção do Estado na Propriedade .................................................................................................. 2 
Conteúdo 02: Intervenções Restritivas na Propriedade ............................................................................................. 23 
Conteúdo 03: Bens Públicos ...................................................................................................................................... 37 
Conteúdo 04: Responsabilidade Civil do Estado ....................................................................................................... 44 
Conteúdo 05: Agentes Públicos ................................................................................................................................. 77 
Conteúdo 05: Agentes Públicos ............................................................................................................................... 104 
Conteúdo 05: Agentes Públicos ............................................................................................................................... 115 
Conteúdo 05: Agentes Públicos ............................................................................................................................... 131 
Conteúdo 06: Improbidade Administrativa ............................................................................................................. 179 
Conteúdo 07: Lei Anticorrupção ............................................................................................................................. 216 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO ADMINISTRATIVO II 
Conteúdo 01: Intervenção do Estado na Propriedade 
1. Noções Introdutórias 
O direito de propriedade configura uma garantia constitucional que assegura ao seu detentor as prerrogativas de usar, fruir, 
dispor e reaver a coisa dominada, de modo absoluto, exclusivo e perpétuo (Matheus Carvalho). 
Inobstante todas as prerrogativas decorrentes do direito de propriedade, o Estado em virtude do princípio da supremacia do 
interesse público sobre o privado pode vim a intervir no direito constitucional fundamental da propriedade para fins de 
assegurar o bem-estar da coletividade. 
Nesse sentido, a intervenção do Estado na propriedade deve ser compreendida antes de tudo como desdobramento do princípio 
da supremacia do interesse público sobre o privado, isso porque o direito de propriedade (direito fundamental) o qual, em 
regra, é de uso exclusivo, poderá vim a sofrer restrições para atender o interesse de toda a sociedade. 
Corroborando ao exposto, ensina o Professor Matheus Carvalho, é indiscutível que a intervenção do Estado no direito de 
propriedade decorre do princípio basilar da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. Sendo assim, em virtude 
da possibilidade de limitar direitos individuais, na busca da satisfação de necessidades coletivas, o ente estatal poderá restringir 
o uso da propriedade ou, até mesmo, retirá-la do particular, desde que devidamente justificada a conduta estatal. 
Esquematizando 
→ A intervenção do Estado no direito de propriedade decorre do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse 
privado. 
2. Espécies de Intervenção 
A intervenção poderá ser de duas espécies: 
a) Intervenção Restritiva: o Estado impõe restrições e condicionamentos ao uso da propriedade pelo terceiro, sem, contudo, 
lhe retirar o direito de propriedade. 
Podemos citar como hipóteses de intervenção restritiva na propriedade: 
• Servidão Administrativa 
• Requisição Administrativa 
• Ocupação Temporária 
• Limitação Administrativa 
 
 
 
 
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• Tombamento 
b) Intervenção Supressiva: o Estado transfere para si a propriedade de terceiro, suprimindo o direito de propriedade 
anteriormente existente. 
• Desapropriação 
Intervenção 
Restritiva 
Intervenção 
Supressiva 
O direito de propriedade do particular que inicialmente era 
plena sofrerá restrições, porém, sem que lhe seja tomado a 
propriedade. 
O direito de propriedade do particular é suprimido pelo o 
Estado, o qual passará a ser o titular da propriedade. 
Ex.: Desapropriação 
 
3. Desapropriação 
3.1 Noções e Fundamento Constitucional 
A desapropriação possui previsão na Constituição Federal, a qual igualmente assegura o direito de propriedade. 
Nesse sentido, o texto constitucional: 
Art. 5°, XXIV. A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse 
social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição. 
Desse modo, contemplamos que a própria Constituição Federal, a qual consagra o direito de propriedade, expõe este direito 
poderá ser suprimido ou restringido em determinadas circunstâncias. 
3.2 Pressupostos da Desapropriação 
Nos termos da Constituição Federal, será possível desapropriar o bem, desde que seja: 
• por utilidade pública: regulamentado pelo Decreto-lei 3.365/41, e nesses casos, o Estado desapropria o bem para que 
ele mesmo faça uso desse bem. 
→ Situação em que o ente público terá necessidade de utilizar o bem diretamente. 
• necessidade pública: regulamentado pelo Decreto-lei 3.365/41, e nesses casos, o Estado desapropria o bem para que 
ele mesmo faça uso desse bem. 
• por interesse social: é cabível quando o Estado desapropria a propriedade para dar a ele função social. 
• mediante o pagamento de prévia e justa indenização em dinheiro. 
A indenização proveniente da desapropriação deverá ser feita de forma prévia, em dinheiro e justa. 
- O que deve ser compreendido como indenização justa? 
 
 
 
 
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A doutrina moderna e jurisprudência firmaram entendimento no sentido de que a indenização justa é aquela que abarca o 
valor de mercado do bem a ser expropriado, os danos emergentes decorrentes da perda da propriedade, assim como os lucros 
cessantes devidamente comprovados, sempre acrescidos de correção monetária, a partir da avaliação do bem, de forma a se 
evitar que a corrosão da moeda enseje perdas indevidas ao particular. 
A regra de que a indenização deve ser prévia, justa e em dinheiro contempla exceções, as quais estão estampadas no próprio 
texto constitucional. 
Regra: indenização prévia, justa, em dinheiro (valor venal do imóvel + indenizações). 
Segundo ensinamentos do Professor Matheus Carvalho, quando na desapropriação a indenização é prévia, justa e, em dinheiro, 
estamos diante do que a doutrina denomina de “desapropriação comum”. 
Contudo, além da desapropriação comum, o texto constitucional prevê três hipóteses de desapropriações especiais. 
3.3 Desapropriação Comum 
Trata-se da desapropriação regulamentada no art. 5°, XXIV da Constituição da República, dependendo sua licitude da 
existência de uma situação de utilidade ou necessidade pública, ou, ainda, da demonstração de uma hipótese de interesse social. 
A desapropriação comum deverá ser precedida de pagamento de valor indenizatório prévio, justo e em dinheiro. 
Na desapropriação comum, a indenização é: 
• Prévia; 
• Justa; e 
• Em dinheiro. 
3.4 Desapropriações Especiais 
O próprio texto constitucional estabelece, em seu bojo, três hipóteses de desapropriações especiais. São desapropriações cuja 
indenização não é paga em dinheiro. Nesse sentido, são formas de desapropriação especial: 
a) Desapropriação urbana (art. 182, CF) 
b) Desapropriação rural (art. 184 a 186, CF): regulamentado pelo estatuto da cidade. 
c) Desapropriação confisco (art. 243, CF). 
 
A) Desapropriação Urbana 
A desapropriação urbana encontra-se previsto no estatuto da cidade, o qual regulamenta o art. 182 da CF. 
 
 
 
 
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Nos termos do § 2º do art. 182 da Constituição Federal, a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às 
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento das