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espaço, pois se o mesmo ocorrer, as próteses podem perder a estabilidade e o 
paciente não conseguir usá-la. Por este motivo, devemos utilizar um artifício que 
compense este espaço formado. Para tal, os dentes deverão ser dispostos em uma 
curva no sentido ântero-posterior, chamada de “Curva de compensação” (Figura 8) 
O mesmo fenômeno ocorre durante os movimentos de lateralidade. Em virtude da 
inclinação da cavidade articular no sentido lateral (de cima para baixo e de fora para 
dentro), os planos perdem contato entre si. Assim sendo, não há possibilidade de se 
conseguir estabilidade para a dentadura. Por este motivo, os dentes são dispostos de 
maneira tal a compensar este espaço com o fim de prover uma Articulação bilateral 
balanceada (Figura 8). 
 
Figura 8. Curvas de compensação lateral e ântero-posterior 
 
Existem dois métodos para o estabelecimento da Curva de Compensação: o 
Fisiológico e o Mecânico. 
No método Fisiológico, o próprio paciente individualiza esta curva. Para isto, são 
abertas canaletas, uma no plano de orientação superior e outra no plano de orientação 
inferior, e ambas são preenchidas com uma mistura de pó abrasivo. Os planos são 
levados à boca do paciente e o mesmo executa movimentos de lateralidade e de 
protrusão. Pelo desgaste dos planos individualizar-se-á, a Curva de compensação. A 
seguir, os dentes são montados em relação a esta curva estabelecida. 
No método Mecânico, (adotado pela disciplina), o estabelecimento da Curva de 
Compensação é dado pela inclinação dos dentes no sentido vestíbulo-palatino e 
mésio-distal, que se inicia no 1º molar superior. Assim, a técnica para a montagem 
dos dentes posteriores superiores é a seguinte: 
 45 
PRÉ-MOLARES SUPERIORES 
 
 Os pré-molares são colocados de modo a ficarem: 
a) o seu longo eixo na vertical 
b) as cúspides vestibulares e palatinas tocam o plano inferior 
c) faces vestibulares ao nível do canino ou ligeiramente para dentro 
d) cúspides palatinas sobre a linha principal de esforço mastigatório. 
 
 
Figura 9. Montagem dos Pré-molares Superiores. 
 
MOLARES SUPERIORES 
 
 Os molares são colocados de modo a ficarem: 
a) suas cúspides palatinas deverão incidir sobre a linha principal do 
esforço mastigatório 
b) o 1º molar situar-se-á em contato com o plano oclusal inferior, somente 
por sua cúspide mésio-palatina. Inicia-se aqui a curva de compensação. 
A cúspide mésio-vestibular distará 0,5 mm aproximadamente do plano 
oclusal e a disto-vestibular a quase 1 mm. 
c) O 2º molar acompanha a inclinação do 1º molar, porém suas cúspides 
vestibulares são mais altas em relação ao plano oclusal inferior. 
Levantam-se para trás, em direção às cabeças da mandíbula 
completando a Curva de Compensação. 
 
Figura 10. Montagem dos Molares superiores. 
 
 46 
MO+TAGEM DOS DE+TES POSTERIORES I+FERIORES 
 
A ordem de montagem dos dentes inferiores varia segundo os autores. 
Tamaki inicia pelos incisivos e segue, pela ordem, para posterior. Saizar, e a 
Disciplina de Prótese Total, depois de concluída a montagem dos dentes superiores, 
iniciam pelo primeiro molar inferior, já que esse dente, na dentição natural, é 
considerado (segundo Angle) a chave de oclusão. 
 Marca-se na cera, no plano de orientação inferior, com o articulador 
fechado, dois traços: um ao nível da cúspide vestibular do segundo pré-molar 
superior, e outro ao nível da cúspide disto-vestibular do primeiro molar superior, que 
corresponde ao posicionamento do primeiro molar inferior. Observar, pela foto, que 
foi removido a metade do plano de cera, para que o menor volume facilite a 
montagem. Plastifica-se a cera na região compreendida entre os dois traços, prende-se 
o primeiro molar inferior com cera plastificada, e fecha-se o articulador 
cuidadosamente, para que a pressão de fechamento faça chegar o molar em oclusão 
central; observando se a cúspide mésio-vestibular incide no centro das cristas 
marginais proximais do segundo pré-molar e primeiro molar superior e se a cúspide 
disto-vestibular do molar inferior incide sob a fossa principal do molar superior 
(Figura 11). 
 
 
 
 
Figura 11. Montagem do primeiro Molar Inferior de ambos os lados 
 
Montado o molar de um lado, monta-se o do lado oposto seguindo o mesmo 
procedimento. Segue-se, agora, o ajuste da mesa incisal. Inicialmente ela é inclinada 
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no sentido sagital, de 0º a 20º dependendo da reabsorção do rebordo. Esta inclinação 
é determinada pelo profissional e corresponde à inclinação da trajetória incisiva. Para 
rebordos muito reabsorvidos a inclinação ântero-posterior deverá ser diminuída 
podendo chegar até 0º (neste caso usamos dentes artificiais sem cúspides ou dentes 
0º). 
As aletas laterais da mesa incisal são levantadas, para compensar a altura da 
cúspide, se houver, movimentando-se lateralmente o ramo superior do articulador. 
Leva-se o ramo superior do articulador para a direita, mantendo o contato do dente 
superior com o dente inferior e inclina-se a aleta esquerda até que o pino guia incisal 
toque a mesa novamente (Figura 12). 
 
 
 
 Figura 12. Movimentos para o ajuste da Mesa Incisal. 
 
Procede-se igualmente para o outro lado (quando a montagem dos dentes 
inicia-se pelos incisivos a mesa incisal é ajustada, no sentido transversal, pelas 
vertentes dos caninos). Acertada a mesa nos dois planos voltamos a movimentar o 
ramo superior do articulador em lateralidade direita, esquerda e, agora, também no 
sentido de protrusão para verificarmos se os dentes mantêm contato por suas cúspides 
a fim de se conseguir uma oclusão bilateral balanceada. 
Na posição de trabalho, as cúspides vestibulares superiores e inferiores 
tocam-se, ocorrendo o mesmo com a palatina superior e a lingual Inferior. Na posição 
de balanceio, a cúspide palatina superior deverá tocar a vestibular inferior. Na 
posição de protrusão as cúspides vestibulares e linguais dos dentes inferiores tocam 
as cúspides vestibulares e linguais dos dentes superiores ao mesmo tempo, porém 
mais a frente. Considerada satisfatória a montagem dos primeiros molares inferiores 
passaremos a montar os segundos molares, e depois, os segundos pré-molares, com o 
Lado de 
trabalho 
Lado de 
Balanceio 
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mesmo procedimento, tendo-se o cuidado de movimentar o ramo superior do 
articulador, sempre após a montagem de cada dente, nas três situações já descritas. 
Ocorre, às vezes, que para conseguir bom “engrenamento” dos dentes nas suas 
excursões de lateralidade e protrusão, temos a necessidade de movimentar o dente 
superior já montado, ou mesmo desgastar com uma broca esférica nº 8 ou 10, 
determinada vertente de cúspide para conseguir o contato desejado. 
 
 
MO+TAGEM DOS DE+TES A+TERIORES I+FERIORES 
 
 
I+CISIVOS CE+TRAIS 
 
a) face mesial toca a linha mediana 
b) face vestibular acompanha o contorno do plano de cera 
c) longo eixo na vertical 
d) não tocam os incisivos mesiais superiores quando as dentaduras estão em 
oclusão central (Figura 13) 
Durante a montagem dos incisivos centrais inferiores realiza-se movimentos 
protrusivos e laterais, para observar os contatos que devem ocorrer com os incisivos 
superiores (Figura 14). 
 
 
Figura 13. Montagem dos incisivos centrais inferiores em oclusão. 
 
Figura 14. Movimentos protrusivos com contacto nos superiores. 
 
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I+CISIVOS LATERAIS 
 
a) face mesial mantem contato com a distal dos centrais 
b) face vestibular acompanha o contorno do plano de orientação 
c) longo eixo na vertical 
d) não tocam os superiores em oclusão central. 
 
CA+I+OS 
 
a) face mesial contatando a face distal do lateral 
b) cúspide localizada na linha do ponto de contato do incisivo lateral e do 
canino superior 
c) longo eixo, no sentido mésio-distal, ligeiramente inclinado