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Violência religiosa na Nigéria
Violência religiosa na Nigéria
VIOLÊNCIA
NA
N I G É R I A
Os conflitos intercomunitários na Nigéria podem ser divididos em:
conflitos étnicos, atribuídos a atores divididos principalmente por comunidades e identidades culturais, étnicas ou religiosas, como casos de violência religiosa entre comunidades cristãs e muçulmanas;
conflitos de pastores e fazendeiros, que geralmente envolvem disputas por terras e/ou gado entre pastores (em particular os fulanis ou hauçás) e fazendeiros (em particular tives ou tarok).
Os estados mais afetados são os do Cinturão médio da Nigéria como Benue, Taraba e Plateau. [1]
A violência atingiu dois picos em 2004 e 2011 com cerca de 2.000 mortes nesses anos
Conflito entre Fazendeiros e Pastores
Desde o estabelecimento da Quarta República da Nigéria em 1999, a violência entre pastores e fazendeiros matou milhares de pessoas e deslocou outras dezenas de milhares. Seguiu-se uma tendência no aumento dos conflitos entre pastores e fazendeiros em grande parte do Sahel ocidental, devido à expansão da população agrícola e das terras cultivadas à custa de pastagens; deterioração das condições ambientais, desertificação e degradação do solo; colapso dos mecanismos tradicionais de resolução de conflitos de disputas terrestres e hídricas; e proliferação de armas de pequeno porte e crimes nas áreas rurais. [3] A insegurança e a violência levaram muitas populações a criar forças de autodefesa e milícias étnicas, que se envolveram em mais violência. A maioria dos confrontos ocorrem entre pastores fulanis muçulmanos e camponeses cristãos, exacerbando hostilidades etnorreligiosas.[4] Esses conflitos entre grupos armados cada vez mais sofisticados provocaram centenas de mortes em 2016. [5]
De acordo com o Global Terrorism Index, os militantes fulanis foram o quarto grupo terrorista mais mortal em 2014, usando metralhadoras e ataques às aldeias para assaltar e intimidar os agricultores. Depois de matar cerca de 80 pessoas no total de 2010 a 2013, eles mataram 1.229 em 2014. A maioria das mortes ocorreu no Cinturão Médio da Nigéria, em particular nos estados de Benue, Kaduna, Nasarawa, Plateau e Taraba, que registrou 847 mortes. O estado de Zamfara, no cinturão do norte, registrou 229 mortes. Além dos ataques, militantes fulanis também estiveram envolvidos em conflitos armados não estatais com grupos de comunidades agrícolas dos Eggon, Jucuns e Tives. Estes conflitos resultaram em 712 mortes. [6]
A violência religiosa na Nigéria se refere aos conflitos entre cristãos e mulçumanos na Nigéria moderna, acontece desde 1953. Atualmente a violência religiosa é dominada pela insurgência do grupo jihadista Boko Haram, que visa impor a sharia no país.
HISTÓRIA
A década de 1980 viu um surto de violência devido à morte de Mohammed Marwa ("Maitatsine"). Na mesma década, o antigo governante militar da Nigéria, General Ibrahim Babangida inscreveu a Nigéria na Organização para a Cooperação Islâmica. Foi uma iniciativa que agravou as tensões religiosas no país, especialmente entre a comunidade cristã.
Desde o retorno da democracia na Nigéria em 1999, a sharia foi instituída como o principal corpo do direito civil e penal em 9 estados de maioria muçulmana e em algumas partes de 3 estados de pluralidade muçulmana, quando o então governador do Estado de Zamfara Ahmad Rufai Sani iniciou o impulso para a instituição da sharia em nível estadual de governo.
Década de 1980
Na década de 1980, graves surtos de violência entre cristãos e muçulmanos ocorreram em Kafanchan no sul do estado de Kaduna, em uma área fronteiriça entre as duas religiões, propagados por líderes radicais que conseguiram reunir um grupo de jovens instruídos por indivíduos que receavam que a nação não seria capaz de proteger o seu grupo religioso. Os líderes conseguiram polarizar seus adeptos através de discursos e manifestações públicas.
Estas campanhas religiosas registraram um aumento de tiroteios entre os membros dessas seitas e as forças de segurança com perda de vidas presenciadas em ambos os lados.] Quando ambos os grupos se radicalizaram, começou a gerar mais violência.
Houve confrontos em outubro de 1982, quando fanáticos muçulmanos em Kano conseguiram reforçar seu poder, de modo a reter a Anglican House Church de expandir seu tamanho e base de poder. Consideraram que constituía uma ameaça à mesquita nas proximidades, embora a Anglican House Church estivesse lá 40 anos antes da construção da mesquita. Além disso, houve dois grupos de estudantes na Nigéria que entraram em contestação, a Fellowship of Christian Students e a Muslim Student Society. Em um dos casos houve uma campanha evangélica organizada pela FCS e posta em causa porque uma seita deveria dominar o campus da faculdade de Kafanchan. Esta querela aumentou até o ponto onde os estudantes muçulmanos organizaram protestos em torno da cidade e culminou com a queima de uma mesquita na faculdade. Doze pessoas morreram, várias mesquitas foram queimadas e um clima de terror foi criado.
A exploração dos meios de comunicação usados para propagar as opiniões do conflito, radicalizou, assim, ainda mais cada uma das forças. A mídia foi tendenciosa em ambos os lados, o conceito de defender o Islã durante este breve momento de terror, não informava sobre as mortes e danos causados por muçulmanos, excitando a população muçulmana. Da mesma forma, os jornais cristãos não relataram os danos e mortes causadas por cristãos, mas sim focaram no terror islâmico. Outros indivíduos que lideravam esses movimentos religiosos usaram a mídia para espalhar mensagens que gradualmente se tornaram mais intolerantes com as outras religiões.
Década de 1990
Em 1991, o evangelista alemão Reinhard Bonnke tentou uma cruzada em Kano, provocando uma revolta religiosa que causou a morte de cerca de uma dezena de pessoas.
Década de 2000 - década de 2010
Desde a restauração da democracia em 1999, os governos cristãos têm dominado o país, a nível federal, enquanto os estados do norte da Nigéria dominados pelos muçulmanos têm implementado lei estrita da sharia. O conflito religioso entre muçulmanos e cristãos eclodiu várias vezes desde 2000, por várias razões, muitas vezes causando tumultos com milhares de vítimas de ambos os lados. Desde 2009, o movimento islâmico Boko Haram tem promovido uma rebelião armada contra os militares nigerianos, saqueando vilas e cidades e tirando milhares de vidas em batalhas e massacres contra os cristãos, estudantes e outros considerados inimigos do Islã.
Conflito da Nigéria Atualmente:
Atualmente a Nigéria ainda se encontra em uma situação difícil, apresentando diversos
fatores para isso, dentre eles é possível encontrar a heterogeneidade cultural, a atuação do grupo terrorista Boko Haram e outros grupos radicais que são na maioria das vezes de origem islâmica, além disso, a Nigéria ainda sofre com uma grande instabilidade econômica, pois depende da exportação do petróleo, sofrendo também com a corrupção e alguns efeitos causados pela colonização inglesa. E em relação ao petróleo a sua extração beneficia mais as empresas que realizam esse trabalho do que a própria população. À Nigéria possui também uma das piores rendas per capta e uma baixa expectativa de vida.
No ano 2019 em uma entrevista o presidente nigeriano Mohammed Buari anunciou
que interditou a atuação do Movimento Islâmico da Nigéria (IMN), após uma série de
ataques mortíferos em Abuja.
Dados estatísticos do
Conflito
A disputa por terra, recursos naturais e conflitos religiosos cresce na Nigéria ao passar dos anos.
Desde o ando de 1999 conflitos envolvendo cristãos e muçulmanos deixaram mais 12 mil mortos, quando foi implantada a sharia (lei islâmica) em 12 Estados do norte do país.
No ano de 1966 ocorreu um conflito intercomunitário, com uma serie de massacres dirigidos aos igbos e outros povos de origem do sul na Nigéria, que vivem no norte da Nigéria, onde estimasse que 30,000 nigerianos do sul foram massacrados,e milhares conseguiram fugir do norte da Nigéria.
Em outubro de 2001 no Estado de Kano mais de 100 pessoas foram mortas em um conflito entre cristãos e muçulmanos.
Em 2014, mais de 2,000 garotas foram sequestradas por frequentarem a escola em uma região onde a educação foi terminantemente proibida.
Violência religiosa na Nigéria