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TCC AUTISMO

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social. O Capitulo III dará ênfase a 
sexualidade dos autistas e a necessidade de uma orientação específica relacionado a esse 
tema no sentido de orientá-los a um comportamento social adequado. Abordaremos 
também os diversos tipos de tratamentos e terapias indicadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo I: 
Autismo na Educação Infantil 
 
1.1 Um breve conceito 
 
Considerando o fato de que atualmente o autismo não é mais considerado uma 
patologia que estigmatiza a criança para aprender, é possível que a criança autista faça parte 
do universo pedagógico junto a crianças ditas “normais”. Para isso professores estão sendo 
preparados para inserir essas crianças no ambiente escolar principalmente através da 
adaptação curricular. É imprescindível que essas crianças sejam alfabetizadas em escolas 
normais para que não haja segregação ou isolamento em escolas especializadas. O 
professor é peça fundamental em desmistificar todo o preconceito que existe em relação à 
capacidade cognitiva do aluno autista. Muito pode ser feito por essas crianças, mas o 
principal é acreditar que elas têm potencial para aprender. O papel do professor na pré-
escola é bastante relevante, pois através de uma avaliação diagnóstica ele classificará o 
aluno autista segundo o seu grau de dificuldade para aprendizagem e conseqüentemente 
criara estratégias de facilitação de forma que o aluno se sinta inserido no contexto escolar. 
A atenção especial deve ser dada as deficiências que essas crianças possuem em 
comunicação, interação, linguagem e do comportamento e a programação psicopedagógica 
ser traçada em cima dessas necessidades. Levando em consideração que a criança autista se 
caracteriza fundamentalmente pela falta de uniformidade em seu rendimento o professor 
precisa seguir uma programação educacional baseada na diagnose e na avaliação dos 
resultados, observando principalmente quais os canais de comunicação que o incapacita. É 
aconselhável que os professores tenham algum conhecimento de Psicologia do 
Desenvolvimento e que sejam orientados para uma atuação adequada nos graves distúrbios 
de comportamento que apresentam essas crianças. 
O diagnóstico precoce é apenas o primeiro desafio que o Brasil estava 
começando a utilizar, dando com isso um novo olhar para educação dessas crianças. É 
importante que esse diagnóstico seja realizado antes dos 36 meses de idade. Convém 
salientar que o autismo está presente também em algumas crianças que apresentam 
inteligência e fala preservadas. 
 
 
O autismo basicamente é mais conhecido como uma alteração que provoca um 
afastamento da criança do mudo exterior, encontrando-se sempre centrado em si mesmo o 
que evidencia sérias perturbações das relações afetivas com o meio. Quando desenvolve a 
linguagem essa é caracteristicamente descontextualizada em relação ao uso das palavras. O 
transtorno autista se apresenta como uma desordem que se manifesta desde o nascimento e 
por toda a vida. Esse transtorno acomete cerca de 20 entra cada 10 mil nascidos e é quatro 
vezes mais comum entre meninos do que meninas. Porém quando a menina é acometida os 
sintomas são mais graves. 
Devido a esse conjunto de sinais, o aluno autista, no contexto de inclusão 
escolar, necessita de um planejamento específico das práticas pedagógicas conforme o seu 
desenvolvimento, e o professor ao se deparar com uma criança autista poderá perceber 
certas características como: Ausência de linguagem verbal ou linguagem verbal pobre e 
inadequada (incapacidade de manter uma comunicação eficiente) ecolalia imediata ou 
tardia, hiperatividade ou passividade, contato visual deficiente (raramente olha nos olhos 
dos professores e dos pais), comunicação receptiva deficiente (apresenta grande dificuldade 
em compreender o que lhe é dito, não obedecem a ordens nem mesmo simples e muitas 
vezes também não atendem quando chamados pelo nome), problema de atenção e 
concentração, ausência de interação social, mudança de humor sem causa aparente, usar 
adultos como ferramenta, ausência de interesse por matérias ou atividades da sala de aula, 
interesse obsessivo por um determinado objeto ou coisa. 
Vale ressaltar que na Síndrome do Autismo estamos diante de uma criança com 
dificuldade para aprender e não com uma impossibilidade, sendo assim todos os recursos 
facilitários devem ser empregados na inclusão dessas crianças. Atualmente no Brasil vários 
eventos são realizados a fim de desmistificar e esclarecer vários pontos relacionados a essa 
síndrome. Podemos citar, por exemplo, a criação do dia da conscientização do autismo 
(dois de abril) e as leis Berenice Piana segundo a qual os portadores do autismo devem ser 
considerados deficientes, para fins legais isso foi um verdadeiro marco na conscientização 
da síndrome. É fundamental que haja uma preparação da sociedade para receber e aceitar os 
autistas e com isso exercitar a cidadania, pois isso só e possível quando manifestamos 
esforços para entender, tolerar e não discriminar. 
A inclusão do aluno autista em escola regular passa necessariamente pela 
presença do mediador escolar que são profissionais devidamente habilitados para promover 
a saúde e a interação entre todos os alunos. Quando a convivência com o deficiente se 
transformar em um habito rotineiro e feito sem alardes, a sociedade será de fato inclusiva. 
Vale salientar o fato de que durante décadas, renomados médicos especialistas acreditavam 
que as pessoas com autismo possuíam algum tipo de limitação mental, sabemos que em 
 
 
alguns casos isso realmente acontece, porém esse fato se deve muito mais a razão da 
criança autista não ir para escola. A criança autista necessita aprender regras sociais, o que 
chamamos de “currículo oculto”. Isso pode parecer muito fácil para uma pessoa sã, porém 
para o aluno autista é um grande desafio. 
Luca Surian (2010) afirma que “A criança autista apresenta uma aderência 
inflexível a rotina ou rituais reagindo com intensa ansiedade a mudanças imprevistas no 
ambiente”; sendo assim cabe ao professor utilizar uma metodologia diferenciada ao lidar 
com esses alunos a fim de amenizar todo estresse causado na rotina escolar. Compreender e 
detectar o modo peculiar do aluno autista situar-se no mundo permite aos professores 
desenvolver sua pratica de modo a auxiliar o desenvolvimento infantil em consonância com 
os objetivos da educação infantil. 
 
1.2 A Etiologia do Autismo 
 
Ao longo de muito tempo, vários estudiosos se esforçaram e se aprofundaram 
em questões referentes às causas do autismo. Vários questionamentos a respeito das 
capacidades inatas que tornam o ser humano capaz de interagir com o outro foram 
realizados, e perguntas do tipo o que faz um ser humano se fechar sobre si mesmo foram 
feitas. Surgiram três teorias principais que procuram investigar quais os fatores que podem 
originar o autismo. São elas: 
 
1- Teoria Psicogenética ou Psicanalítica 
 
Na década de 50 e 60 o conceito de autismo estava direcionado a uma resposta 
desadaptada em face de um ambiente desfavorável e não a um déficit inato. Alguns autores 
consideravam o autismo como uma reação há relação parental, alegando que a criança 
poderia ser alvo de tratamento mecânico frio e obsessivo pelos pais. Outros autores 
sugeriram que a criança autista era vitima de falta de estimulação, rejeição e falta de amor 
ou de conflitos intrapsíquicos originados de interações desviantes da família. 
 
 
Em meados da década de 70 começaram a surgir