A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
43 pág.
TCC AUTISMO

Pré-visualização | Página 9 de 12

de competência social é muitas vezes utilizado para nos 
referirmos as habilidades sócias, porém a habilidade social se refere a descrição do 
desenvolvimento do individuo, já a competência é entendida como uma avaliação da ação 
de um individuo em uma determinada situação. Isso pressupõe que crianças com maiores 
habilidades sociais são socialmente mais competentes. 
Estudos desenvolvidos por Lordelo e Carvalho (1998) com crianças pequenas 
em creche identificaram notáveis ganhos no desenvolvimento social dessas crianças a partir 
da oportunidade de interação com os pares, proporcionado pelo ambiente, e isso vale 
também para os portadores de autismo. Almeida (1997) parte da noção de que o ser 
humano está inatamente programado para estabelecer vínculos sociais, mais que o 
desenvolvimento social só se constrói na sequência de interações em qualquer estágio da 
vida. Concluímos então que proporcionar as crianças autistas oportunidades de conviver 
com outras crianças da mesma faixa etária possibilita o estímulo ás suas capacidades 
interativas impedindo o isolamento contínuo. A oportunidade de convívio com crianças 
normais é a base para o seu desenvolvimento. Esse convívio em escolas regulares 
oportuniza os contatos sociais enriquecendo os desenvolvimentos delas. É importante ao 
lidar com a criança autista o segmento de regras, pois é através delas que os pais preparam 
o filho para serem inseridos na sociedade. Devemos sempre ter em mente que, embora a 
convivência do autista na sociedade seja algo difícil, há diversas técnicas para eles se 
socializarem e cada um têm um nível de eficiência de acordo com o perfil psicosocial. 
Conforme Weschenfelder (1996) a integração social é quem constrói a identidade sócio-
cultural. E para que haja oportunidade de construção social é preciso que as escolas 
quebrem o estigma de excluir essas crianças. 
A família como peça fundamental nesse processo deverá receber um 
treinamento afim de que saibam utilizar técnicas comportamentais que auxiliem na 
 
 
adequação dessa criança na sociedade. É fato que nossa organização social impõe muitas 
barreiras culturais que necessitam ser modificadas a fim de assegurar a igualdade de 
possibilidades a todos os cidadãos. De um modo geral, ignoramos tudo o que não esteja no 
padrão considerado normal. Devemos nos esforçar (família, escola, estado) a fim de trazer 
do isolamento os estigmatizados, para que não sejam mais condenados a inviabilidade de 
políticas retrogradas e para expor os obstáculos enfrentados pelos autistas. 
A verdade é que na prática pouco foi feito. Temos que sair do mundo do papel 
para o operacional, no entanto a mudança nas leis da inclusão já foi o primeiro importante 
passo para a concretização dos direitos sociais dos autistas, faltando porém, colocá-las em 
prática o mais rápido possível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo III 
A Sexualidade da Criança Autista, a Intervenção nos 
Comportamentos Inadequados e Tratamento 
 
A pessoa com Autismo tem necessidade de expressar seus sentimentos de modo 
próprio e único. A repressão da sexualidade é usualmente encontrada e entendida nestes 
grupos, como consequência de um desequilíbrio interno, dos afetos, dos comportamentos, 
da maneira de se relacionar no mundo, diminuindo assim as possibilidades de se tornarem 
seres psiquicamente saudáveis. 
Observamos nos casos em que a sexualidade é bem encaminhada na vida destas 
pessoas: melhora o seu desenvolvimento afetivo, transcurso da 
puberdade/adolescência/vida adulta mais tranquila e feliz, facilita a capacidade de se 
relacionar, melhora a auto-estima, permite a construção da identidade adulta e a adequação 
à sociedade. 
O tema sexualidade em nossa cultura vem sempre acompanhado de 
preconceitos e discriminações, e quando se trata de pessoas com necessidades especiais a 
repercussão é bem maior. Notamos que a sobrecarga de valores morais e preconceitos 
aumentam quando o tema passa a ser sexualidade da pessoa autista, gerando polêmica 
quanto às diferentes formas de abordá-lo, isto acontece na sociedade, na família, com os 
pais e na escola. 
 
3.1 A sexualidade da criança autista: 
 
A dificuldade de expressão e a falta de habilidade social são as características 
mais difíceis de serem eliminadas no autismo o que torna o grande obstáculo em suas vidas 
para o desenvolvimento da sua sexualidade. 
O fato dos autistas não conseguirem interagir socialmente acarreta uma grande 
frustração. Essa rejeição gera muita ansiedade e tristeza, não só nos autistas como em toda 
a família. Na verdade é muito difícil lidar com o sentimento de rejeição principalmente a 
 
 
“afetiva sexual”. Para o autista isso se torna ainda mais complexo, pois apesar deles não 
conseguirem demonstrar de forma convencional seus interesses por outras pessoas, eles 
existem ainda em que um grau e uma lógica diferente da comumente assistida em outras 
pessoas. Porém a falta de experiência de comunicação e interação que deveria ter sido 
vivenciada na infância fará toda a diferença nesse momento da vida, principalmente no que 
diz respeito a lidar com os estados mentais e emoções dos outros. 
De acordo com a psicóloga Vera Soares: “O ideal é eles terem uma vida sexual 
saudável, mas as convenções como namoro, casamento e constituição familiar são de difícil 
assimilação. Geralmente desenvolve afeições por pessoas do seu meio, o que é 
recomendável, pois a aceitação é mais favorável.” 
Muitas teorias qualificam os autistas como serem hermético, ou seja, sem 
interesse pela sexualidade, porém na prática vemos justamente o oposto, com uma 
revelação de um instinto sexual bem aflorado, fato esse que acarreta muita preocupação em 
toda família. Na verdade os psicólogos defendem a tese de que a questão não é de que eles 
sejam mais impulsivos do que as outras pessoas, é que eles têm muita dificuldade em 
estabelecer uma censura para os seus impulsos. 
É necessário que aqueles que lidam com uma pessoa autista tenham em mente 
que a sexualidade faz parte do desenvolvimento do organismo e do processo normal de 
maturação. A puberdade, caracterizada pelo crescimento repentino e mudanças no corpo 
físico, acarreta ansiedade na pessoa autista. Sendo assim é importante que pais e 
educadores estejam preparados para enfrentar essa fase inevitável do desenvolvimento 
orgânico. Nesse momento toda a família necessita ser orientada em como lidar com essa 
situação. Independente do grau do autismo, a instrução sexual deverá ser uma realidade de 
preferência antes das primeiras manifestações (toques dos próprios órgãos genitais, ereção 
perceptível no caso dos meninos) e da ansiedade que possa acompanhá-los. Deve-se ter em 
mente a necessidade de focar-se em toda a família nesse processo e não somente no 
indivíduo com transtorno invasivo do desenvolvimento, pois o problema persiste e 
desenvolve de acordo com o desenvolvimento da criança autista. Ou seja, outros problemas 
aparecem com a chegada da adolescência e da puberdade. Surge então o desejo sexual e 
todos os transtornos que isso pode causar, pois o desenvolvimento sexual humano é muito 
mais complexo que em outros seres, já que não depende apenas da maturação orgânica. 
Depende também do intelecto, o que dificulta a aceitação no jovem autista. 
O jovem autista de médio a alto funcionamento deverá ser instruído 
verbalmente do mesmo modo que se faz em um adolescente normal, pois provavelmente as 
instruções do orientador sexual serão assimiladas por ele. O importante nesse processo é