Tratamento e Disposição de Resíduos Sólidos
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Tratamento e Disposição de 
Resíduos Sólidos 
 
 
1- Resíduos Sólidos 
 
1.1 Introdução 
 
Hoje a questão de resíduos sólidos no Brasil é alarmante: dados do IBGE demonstram que a 
maior parte de nossos municípios não dispõe seus resíduos de forma adequada; eles são deixados 
em lixões sem nenhum controle ambiental. 
 
Dos 5.507 municípios brasileiros, 63,6% utilizam lixões a céu aberto, 18,4% aterros 
controlados e 13,8% destinam seus resíduos para aterros sanitários. 
 
Dessa forma, percebe-se a necessidade da inserção urgente de práticas e instrumentos que 
viabilizem a mudança do cenário atual de meio ambiente e cultura social. Aqui levantamos a 
reflexão sobre o desafio da humanidade atualmente: a menor produção de resíduos. 
 
Que tal conhecermos um pouco das definições de resíduos para que possamos mudar nossas 
práticas e assim colaborar com o nosso meio ambiente e melhorar nossa própria qualidade de 
vida? Vamos nessa? 
 
1.2 Aspectos fundamentais, planejamento e norma 
 
Em geral, encontram-se diferentes definições para o conceito de resíduos. Estas variações 
envolvem aspectos mais focados na construção textual e um maior grau de detalhamento 
normativo do que na base do conceito em si. Vejamos: 
 
A Norma ABNT número 10.004, de setembro de 1987 (reforçada na 12.305/2010), define resíduos 
sólidos como: 
 
Resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: 
industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varridão. 
 
Ficam incluídos nessa definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles 
gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos 
cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de 
água, ou exijam para isso soluções técnicas economicamente viáveis em face à melhor tecnologia 
disponível. 
 
Seguem outros conceitos de resíduos: 
 
São os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis 
ou descartáveis. Normalmente apresentam-se sob estado sólido, semissólido ou semilíquido 
(IPT/CEMPRE, 1995). 
 
Todo e qualquer resíduo resultante das atividades diárias do homem na sociedade. Estes resíduos 
são, basicamente, sobras de alimentos, papéis, papelões, plásticos, trapos, couros, madeiras, 
latas, vidros, lamas, gases, vapores, poeiras, sabões, detergentes e outras substâncias 
descartadas de forma consciente (PROSAB, 1999). 
 
Ainda do ponto de vista normativo, podemos citar a Diretiva Europeia 156/91/CE, que apresenta a 
seguinte definição: 
 
É qualquer substância ou objeto do qual se desfaça seu possuidor ou que tenha a obrigação de se 
desfazer em virtude das disposições nacionais vigentes. Em todo o caso, tem a definição de 
resíduo todos aqueles que figurem na lista europeia de resíduos (LER) aprovada pelas instituições 
comunitárias. 
 
Como se percebe, essas são definições amplas, porém, são elas que têm apoiado o 
estabelecimento de políticas de resíduos desenvolvidas por diversos países ao longo dos últimos 
anos. 
 
No contexto em que se estabelece uma crescente preocupação para a regulamentação, a gestão 
de resíduos está diretamente ligada à estreita relação que existe entre o crescimento econômico e 
a produção de resíduos. 
 
Isso ocorre principalmente quando esse crescimento está no desenvolvimento industrial e no 
resultante crescimento das cidades e, infelizmente, inversamente proporcional à melhoria da 
qualidade de educação nos países em desenvolvimento (que cada vez mais, torna-se pior: 
superficial, cheia de modismos e condicionada por interesses de poucos). 
 
Num primeiro momento, as políticas de resíduos preocupavam-se basicamente com a disposição 
final dos resíduos em aterros sanitários, visando minimizar sua carga contaminante. 
 
O pressuposto que regulava essa ação de gestão baseava-se na percepção de que o ambiente 
possuía uma capacidade ilimitada de receber os \u201csubprodutos\u201d da ação de produção e consumo 
da sociedade. 
 
Porém, o aumento dos níveis de qualidade de vida, associado com o crescimento demográfico da 
população, acabou por determinar também uma produção de resíduos mais elevada, tanto em 
qualidade como em quantidade, acrescentando novos problemas de espaço e de formas de 
tratamento das contaminações tóxicas e bioacumulativas dos resíduos. 
 
Os tipos de resíduos produzidos pela atividade humana são muitos. Fica até difícil de 
mensurarmos de forma precisa, mas de maneira geral, podemos falar em uma classificação 
consensual de autores como: 
 
- Resíduos sólidos urbanos 
a) Não perigosos; 
b) Perigosos; 
 
- Resíduos industriais 
a) Resíduos similares aos urbanos; 
b) Inertes; 
c) Perigosos. 
 
Existem outras classificações possíveis que observam critérios de riscos potenciais de 
contaminação do meio ambiente e quanto a sua natureza e origem. 
 
No Brasil, a classificação de resíduos quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio 
ambiente atende à normativa NBR 10.004/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas \u2013 
ABNT, atendendo às seguintes definições: 
 
 
 
 
Tipo de resíduo Definições 
Resíduos classe I - Perigosos São aqueles resíduos que, em função de suas 
propriedades físicas, químicas ou infecto-
contagiosas, apresentarem: 
 
- Risco à saúde pública, provocando mortalidade ou 
incidência de doenças ou acentuando seus índices; 
 
- Riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for 
gerenciado de forma inadequada. 
 
Propriedades que conferem periculosidade: 
 
a) Inflamabilidade; 
b) Corrosividade; 
c) Reatividade; 
d) Toxicidade; 
e) Patogenicidade. 
Resíduos classe II \u2013 Não perigosos Também tratados como resíduos classe II A \u2013 não 
inertes. 
 
São os resíduos que, por suas características, não 
se enquadram nas classificações de resíduos classe 
I perigosos ou classe II B \u2013 inertes. 
 
Esses resíduos podem apresentar propriedades 
como solubilidade em água, biodegradabilidade e 
combustibilidade. 
Resíduos classe III \u2013 Não perigosos Também tratados como resíduos classe II B \u2013 
inertes. 
 
Quaisquer resíduos que, quando amostrados de 
forma representativa, segundo a NBR 10.007, e 
submetidos a um contato dinâmico e estatístico 
com água destilada ou deionizada, a temperatura 
ambiente, conforme a NBR 10.006, não tiverem 
nenhum de seus constituintes solubilizados em 
concentrações superiores aos padrões de 
potabilidade da água, excetuando-se aspecto, cor, 
turbidez, dureza e sabor. 
 
Tabela 01: definições de resíduos segundo a NBR 10.004/ 2004 (reforçada pela 12.305/2010). 
 
Quanto a natureza ou origem, podemos agrupar os diversos tipos de resíduos em cinco classes: 
 
- Resíduos domésticos ou residenciais; 
- Comerciais; 
- Públicos; 
- Domiciliares especiais: 
a) Entulho de obras; 
b) Pilhas e baterias; 
c) Lâmpadas fluorescentes; 
d) Pneus. 
 
- Resíduos de fontes especiais: 
a) Industriais; 
b) Radioativos; 
c) Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários; 
d) Agrícolas; 
e) Resíduos de serviços de saúde. 
 
I \u2013 Resíduos sólidos urbanos 
 
Numa visão geral, os resíduos sólidos urbanos podem ser perigosos ou não perigosos, que para 
muitos autores são os gerados nos espaços urbanizados como consequência das atividades de 
consumo (habitações, hotelaria, hospitais, escritórios, comércio em geral, transportes etc.). 
 
a) Resíduos não perigosos 
 
Os resíduos não perigosos no meio urbano são os gerados pelas residências, pelo comércio em 
geral, pelos escritórios ou outras atividades de serviço, além daqueles que não tenham a 
classificação de perigosos e que, por sua natureza ou composição, podem ser similares aos não 
perigosos. 
 
Uma possível classificação dos resíduos não perigosos urbanos é a divisão em resíduos orgânicos 
e