Toxicologia ambiental
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Toxicologia ambiental


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Toxicologia Ambiental 
 
 
 
 
 
 
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Toxicologia Ambiental 
 
1. Introdução à toxicologia: 
 
 
1.1 Introdução: 
Na natureza existem inúmeros de produtos químicos que podem exercer algum tipo 
de toxicidade. Além disso, vivenciamos um aumento no número de produtos químicos, 
sintetizados pelos seres humanos, que apresentam as mais variadas utilidades e, 
portanto, constituições químicas distintas, tais como: medicamentos, conservantes de 
alimentos, agroquímicos, produtos de limpeza, entre outros. A American Chemical 
Society mantém um registro de produtos químicos desde 1907, no qual estão 
atualmente registrados 43 milhões de substâncias orgânicas e inorgânicas. Um estudo 
realizado pela Agência de Proteção Ambiental Dinamarquesa calculou que, dos cerca 
de 4000 novos produtos químicos produzidos diariamente, 13,4% deles possuem 
toxicidade aguda, 2,5%, toxicidade reprodutiva, 3,9% são mutagênicos, 1,8%, 
cancerígenos e 3,5% são perigosos para o ambiente aquático. 
 
Adicione a isso as numerosas substâncias naturais, inorgânicas e orgânicas, que 
possuem potencial tóxico, e não é de se admirar que a sociedade manifeste 
preocupação e mesmo, às vezes, pânico sobre os efeitos nocivos que estes agentes 
podem exercer na sua saúde e no ambiente. Dezenas de milhares destes agentes 
nunca foram submetidos a um teste de toxicidade detalhado. 
 
Pode-se definir um veneno como um agente capaz de produzir uma resposta 
prejudicial em um sistema biológico. Praticamente todas as substâncias químicas 
conhecidas têm o potencial de produzir lesão ou morte caso estejam presentes em 
quantidade suficiente. Agentes tóxicos são classificados em função dos interesses e 
 
 
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das necessidades do classificador e podem ser discutidos em termos de seus órgãos-
alvo, origem, uso e efeitos: 
\u2022 O termo toxina geralmente se refere a uma substância tóxica produzida por 
sistemas biológicos, como plantas, animais, fungos ou bactérias. 
\u2022 O termo toxicante é usado para caracterizar substâncias tóxicas (ou seus 
subprodutos) produzidas em atividades antropogênicas. 
 
Agentes tóxicos podem ser classificados em termos de seu estado físico, da 
estabilidade química ou reatividade, da estrutura química geral ou de seu potencial de 
intoxicação da população investigada. 
A Tabela 1 abaixo mostra a dosagem de produtos químicos necessária para produzir 
a morte de 50% dos animais tratados (DL50). É necessário perceber que as medidas 
de letalidade aguda, como DL50, podem não refletir o espectro de toxicidade ou o 
perigo associados à exposição a uma substância química. Alguns produtos químicos 
com baixa toxicidade aguda, por exemplo, podem ter efeitos cancerígenos ou 
teratogênicos em doses que não produzem nenhuma evidência de toxicidade aguda. 
 
*DL50 = dose letal que se pressupõe que irá causar a morte de 50% da população 
investigada. 
 
 
 
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Tabela 1. Valores de DL 50 
 
1.2 Introdução à ecotoxicologia 
 
Os termos toxicologia, toxicologia ambiental e ecotoxicologia podem trazer a princípio 
certa confusão. Toxicologia é uma área da ciência que estuda os efeitos nocivos 
decorrentes das interações de substâncias químicas com o organismo. O termo 
Ecotoxicologia foi primeiramente proposto por René Truhaut, em 1969, como uma 
extensão natural da toxicologia, como a ciência dos efeitos ecológicos dos poluentes. 
Esta definição de Ecotoxicologia pode ser ampliada como a ciência de prever os efeitos 
de agentes potencialmente tóxicos sobre os ecossistemas naturais e espécies não alvo. 
Ecotoxicologia geralmente não inclui os campos que não fazem parte dos ecossistemas 
naturais, como toxicologia industrial, a saúde humana, animal doméstico e toxicologia 
de culturas agrícolas. No entanto, seus efeitos se impõem sobre estes. Assim sendo, 
mais recentemente, Newman definiu Ecotoxicologia como a ciência dos contaminantes 
na biosfera e seus efeitos sobre os componentes da biosfera, o que inclui os seres 
humanos. 
 
 
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Historicamente, algumas das primeiras observações sobre os efeitos antropogênicos 
ecotóxicos foram verificações de melanismo em mariposas (Figura 1 e 2), por volta de 
1850, provavelmente devido ao início da Revolução Industrial e o consequente 
lançamento de inúmeros poluentes na atmosfera. 
 
 
Figura 1. Mariposa 
 
 
Figura 2. Mariposa 
 
No campo da Toxicologia aquática, Forbes (ano) foi um dos primeiros pesquisadores 
a reconhecer a importância da presença ou ausência de espécies e comunidades de 
peixes dentro de um ecossistema aquático, com base na tolerância de espécie em 
zonas de poluição nos rios. Ao mesmo tempo em que alguns dos primeiros testes de 
toxicidade aquática aguda foram originalmente interpretadas por Penny e Adams 
 
 
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(1863) e Weigelt, Saare e Schwab (1885), que estavam preocupados com produtos 
químicos tóxicos nas águas residuárias industriais. O primeiro método "padrão" foi 
publicado por Hart et al. em 1945 e, posteriormente adotado pela sociedade americana 
para testes e materiais. No que diz respeito à ecotoxicologia terrestre de 
contaminantes antropogênicos que afetam a circulação livre dos animais selvagens, as 
evidências começaram a acumular-se durante a Revolução Industrial. Estas incluíram 
casos de poluição de arsênico e toxicidade de emissões de chaminé industrial. 
 
Os objetivos dos estudos ecotoxicológicos são: compreender em qual grandeza as 
substâncias químicas, isoladas ou em forma de misturas, são nocivas e, como e onde 
manifestam seus efeitos. 
 
Destino dos poluentes 
Os destinos dos poluentes são basicamente três: ar; água: receptor final dos poluentes 
e solos/sedimentos. 
 
Os poluentes podem entrar nos ecossistemas como consequência da atividade humana 
das seguintes formas: 
\u2022 Liberação não intencional em atividades humanas (acidentes nucleares, 
operações de mineração, naufrágios e incêndios); 
\u2022 Eliminação de resíduos (efluentes industriais e esgotos); 
\u2022 Aplicação deliberada de biocidas (por exemplo, controle de pragas e vetores). 
Como resultado natural de processos como a meteorização das rochas (metais 
e ânions inorgânicos) alguns dos produtos químicos lançados também podem 
alcançar altos níveis localmente; 
\u2022 /Atividade vulcânica com incêndios florestais associados (SO2, CO2 e 
hidrocarbonetos aromáticos). 
 
Como observado na introdução, é difícil definir o que constitui realmente a poluição. 
Algumas autoridades preferem restringir os termos poluição e poluentes para as 
consequências das atividades humanas. No entanto, em alguns casos é impossível 
 
 
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determinar as contribuições relativas dos processos humanos e naturais que afetam o 
ambiente em geral. 
 
1.3 Caracterização, distribuição e movimentação de tóxicos ambientais 
 
Os seres humanos podem ser expostos a um largo espectro de agentes tóxicos, desde 
os que ocorrem na natureza até aqueles sintetizados antropicamente. Devido à 
complexidade dos riscos ambientais típicos, avaliar a exposição humana a substâncias 
químicas ambientais não é um processo trivial. Existem várias técnicas para avaliar a 
exposição a tóxicos ambientais; no entanto, para compreender melhor o valor de cada 
técnica de avaliação de exposição, é importante entender o destino biológico e 
ambiental de um produto químico para que os procedimentos técnicos apropriados 
possam ser usados (Figura 3). 
 
Poluição de água, solo e ar 
Três componentes da biosfera, solo,