CRIMINOLOGIA A MISERIA GOVERNADA ATRAVES DO SISTEMA PENAL ALESSANDRO DE GIORGI
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CRIMINOLOGIA A MISERIA GOVERNADA ATRAVES DO SISTEMA PENAL ALESSANDRO DE GIORGI


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tg.J!iWPensamento 
Criminológico 
VOLUME 1 
VOLUME 2 
VOLUME 3 
VOLUME 4 
VOLUME 5 
VOLUMf6 
VOLUME 7 
VOLUME 8 
VOLUME 9 
VOLUME 10 
VOLUME 11 
Crimino~a Cri1Q~",'1: 
Introdução à Cri~,_; 
A/essandro Baratta 
Difíceis GanhQs ·f_~f;.:<'t;· 
Drogas e Juv1erm.-e&quot;1'OIRi 
Vera Ma/aguti B~ti:Sf4.11 
Punição e~EstII_.5. 
Georg 
numinismo &quot;~_ 
a·i!R'·fPensamento 
Criminológico 12 
Coleção Pensamento Crüninológico 
Alessandro De Giorgi 
A lniséria governada através 
do sistema penal 
Tradução 
Sérgio Lamarão 
~ Instituto Carioca de Criminologia 
Editora Revan 
M!Uili'Pensamento 
Criminológico 
Direção 
Prof. Dr. Nilo Batista 
© 2006 Instituto Carioca de Criminologia 
Rua Aprazível, 85 
Rio de Janeiro - RJ 20241-270 
tel. (21)2221-1663 
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criminologia@icc-rio.org.br 
Edição e distribuição 
Editora Revan S.A. 
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editora@revan.com.br 
www.revan.com.br 
Projeto gráfico 
Luiz Fernando Gerhardt 
Revisão 
Sylvia Moretzsohn 
Díagramação 
lido Nascimento 
Giorgi, Alessandro De. 
A miséria governada através do sistema penal. 
Alessandro De Giorgi. - Rio de Janeiro: Revan: ICC, 
2006. (Pensamento criminológico; v. 12). 
128p. 
Inclui bibliografia 
ISBN 85-7106-336-2 
.1-. Direito penal 
SUlnário 
Prefácio à edição brasileira ......................................................... 5 
Discussão à guisa de prefácio 
Cárcere, pôs-fordismo e ciclo de produção da &quot;canalha&quot; 
Dario Melossi ................................................................... 9 
Introdução ................................................................................. 25 
1 
Regime disciplinar e proletariado fordista .............................. 33 
Economia política do controle social ..................................... 33 
Nascimento da sociedade industrial 
e disciplinalTlento do proletariado .......................................... 39 
Pena e subsunção real do trabalho ao capital ........................ 43 
Encarceramento e desemprego na época fordista ................. 47 
O limite da economia política da penalidade fordista .............. 55 
Capítulo 2 
Excesso pós-fordista e trabalho da multidão .......................... 63 
Pôs-fordismo: o regime do excesso ...................................... 63 
O excesso negativo ............................................................. 66 
O excesso positivo .............................................................. 71 
Multidão ............................................................................. 77 
Capítulo 3 
Governo do excesso e controle da multidão .......................... 83 
Da disciplina da carência ao governo do excesso .................. 83 
O controle como &quot;não-saber&quot; .............................................. 89 
o controle da multidão ......................... ~ .............................. 92 
O risco aprisionado ..................................................... 94 
A metrópole punitiva ....... ...... ..... .... ........ ...... ........ ...... 102 
A rede imbricada ........................................................ 105 
Novas resistências ............................................................ 109 
Bibliografia ................................................................................ 115 
Prefácio à edição brasileira 
Vera Malaguti Batista 
Este livro de Alessandro De Giorgi atualiza o conjunto de reflexões que 
oInstituto Carioca de Criminologia vem publicando ao longo dos últimos 
dez anos. A Coleção Pensamento Criminológico tem como elo de articula-
ção a produção {eórica acerca da questão criminal que se opõe ao grande 
movimento de criminalização da pobreza, gerado pelo processo de acumu-
lação de capital ao longo dos séculos. 
Na etapa em que nos encontramos, de capitalismo de barbárie, pode-
mos observar a expansão do mercado em todas as direções, mas principal-
mente no esfacelamento das redes sociais de proteção coletiva do capitalis-··· 
mo industrial, do Estado Previdenciário ou Welfare State. No âmbito penal 
há uma expansão análoga, no sentido de um crescimento sem precedentes 
da pena de prisão. Como diria LOlc Wacquant, o outrora denominado mun-
do livre está sendo encarcerado ... 
Alessandro De Giorgi aprofunda esta reflexão crítica acerca do 
encarceramento em massa da força de trabalho excedente utilizando a eco-
nomia política da pena no desemprego pós-fordista. Uma das principais 
qualidades deste livro é aproximar o marxismo do pensamento de Michel 
Foucault. Aqui no Brasil ergueu-se uma parede entre essas duas escolas de 
pensamento; esta parede é, a meu ver, ilusória. Tenho dito que, sem a 
militância no Partido Comunista Francês1 Foucault não poderia ter efetua-
do a reflexão que fez. A partir do marxismo frankfurtiano de Georg Rusche, 
Foucault mergulha na integração histórica do sistema penal com o 
disciplinamento do mercado de mão-de-obra. 
Foucault investe no corpo como centro nevrálgico do poder, e também 
do podê'r punitivo. Percebe-se em Vigiar e punir a apropriação da descrição 
de Rusche acerca dos mecanismos de disciplinamento dos cárceres, suas 
normas para a regulamentação do cotidiano na direção da constituição dos 
corpos dóceis. Mais adiante, Foucault vai trabalhar com a idéia de biopoder, 
este colossal dispositivo de apropriação e disciplinamento dos corpos, que 
caminha junto ao assujeitamento massivo das almas. 
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De Gíorgi aposta nessa crítica materialista da pena: &quot;o fio condutor da 
economia política da pena é construído pela hipótese geral segundo a qual a 
evolução das formas de repressão só pode ser entendida se as legitimações 
ideológicas historicamente atribuídas à pena forem deixadas de lado&quot;. Seu 
trabalho cumpre, então, a função fundamental de desativar o dispositivo do 
dogma da pena. Existe nos dias de hoje uma polissemia de discursos, uma 
saturação de informações que conduzem à transformação de toda a con-
flitividade social em problema penaL A discursividade vai acompanhando 
então a pauta da reprodução deste capital de barbárie: a imigração é crimina-
lizada, bem como as estratégias de sobrevivência da pobreza em todas as 
partes do mundo. As políticas criminais de droga, as operações &quot;anti-cor-
rupção&quot;, as cruzadas contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro são 
nada mais nada menos do que expansão dos territórios de ocupação física e 
virtual pelo capital financeiro soberano. 
O autor avança também na crítica à contradição estrutural da sociedade 
capitalista, a partir de Marx: o paradoxo entre a idéia da igualdade formal em 
relação a uma desigualdade fundamental: &quot;o objetivo, coerentemente, é o de 
reproduzir um proletariado que considere (r sn~rio Como justa retribuição 
do próprio trabalho e a pena como justa medida dos seus próprios crimes&quot;, 
diz ele acerca da ideologia retributiva-legalista do fordismo. 
O trabalho de De Giorgi ultrapassa os limites da economia política da 
penalidade fordista, quando a pós-industrialização se apresenta como uma 
explicitação do excesso de mão-de-obra, o regime do excesso. Isto quer 
dizer que temos que nos livrar das permanências subjetivas, da maneira de 
pensar o mercado de trabalho e o sistema penal e encarar as transformações 
a que o capital submete a mão-de-obra, o trabalho da multidão l . O demônlo 
que o capital vídeo-financeiro persegue é o tempo livre da força de trabalho, 
num modo de produção quejá descartou completamente as ilusões do pleno 
emprego. É aí que o dogma da pena e a criminalização da pobreza e dos 
conflitos sociais, da luta de classes, são discursos estratégicos à reprodu-
ção desse capital. 
Nessa direção, a análise de De Giorgi aponta para os novos dispositivos 
dirigidos &quot;à contenção de uma população excedente e de um surplus de 
I O conceito de multidão aqui utilizado, na trilha de Negri, abre espaço para uma 
longa discussão a ser tomada no campo marxista. Pessoalmente, acredito