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Estudo dirigido Psicoterapias corporais

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Psicoterapias corporais - Estudo dirigido Unidade 1
	Luke Ribeiro Mazzei França Barros
Data: 18/04/2020
1. Freud começa a estudar a histeria e a hipnose como possível tratamento para essa doença. Ele pensa uma projeção mental da superfície corporal, um corpo manipulado para uma satisfação de demanda. Ele então, nos estudos, separa a dimensão econômica – desejos infantis proibidos e a dimensão simbólica- lugar do corpo/fantasias recalcadas. Todavia, Reich começa a se interessar e a pesquisar sobre essa dimensão simbólica, qual é essa resistência, o que o corpo está falando além dos desejos, o que essa defesa têm de tão importante no ser em questão. Freud então, dispensa a hipnose pois entende que o objetivo é superficial e encontra a associação livre. Reich, nas suas sessões como psicanalista, começa a observar que o que fala no verbo, diz outra coisa no corpo. Percebe a importância do corpo, e uma certa semelhança entre alguns pacientes, uma postura diante da transferência, muito além da associação livre. Ele então, denomina de transferência negativa pois é uma transferência que traz o que é mais doloroso do paciente, trabalhando o fenômeno e a hostilidade oculta que na terapia pode ser mostrada. É a partir desse momento que Reich começa a fazer uma ruptura brusca com Freud pensando em uma postura ativa do analista e começando a elaborar sua teoria do orgasmo e análise do caráter. 
A primeira é que Reich dava ênfase as resistências, já Freud, não. Reich partia do princípio que não dá para olhar o processo, se você ignora as resistências. Outra grande mudança das duas abordagens é o uso do divã na dinâmica de transferência. Reich teorizava que o uso do divã não expressava o todo e por isso não havia uma transferência entre paciente e terapeuta eficaz. E por último é a esfera das cargas que investimos, Freud denominou de Libido como energia sexual e Reich como Orgone, uma caga energética/vegetativa que está em nós e não no mundo, move-se no mundo, explicitando que toda energia tem pulsação. Ao longo da sua busca teórica, Reich deixa a psicanálise de vez e se detém a sua teoria do orgasmo. 
2. A couraça muscular faz parte do sistema de carga e descarga, ela está ligada a uma mobilização muscular (uma demanda de obrigação de mobilização da situação resposta). Ela aparece e se atenua por ela mesma por isso, podemos dizer que ela é acionada em uma estresse/situação conflitante do aqui e agora e é respondida por esse mesmo processo do aqui e agora. Já a couraça caracteriológica é a resposta do meu sintoma e processos psíquicos, é ligado com a história da pessoa e a um padrão de alarme interno relacionado com fantasias e ansiedade do sujeito. Uma couraça muscular pode se tornar caracteriológica se houver um conflito psíquico, obstruindo o acesso para a pessoa não precisar lidar com aquilo. 
3. O primeiro, o segmento ocular, diz respeito a o couro cabeludo, testa e olhos. É por meio desse segmento que percebemos a realidade. Caso ele não se estabeleça plenamente, teremos uma pessoa que acaba perdendo o contato com a realidade. O encouraçamento desse segmento significa repetições de distorção da realidade como defesa. É o sujeito que têm o olhar vazio, uma falta de contato, um sentimento de não pertencimento que pode ou não ocasionar em alucinações e delírios. O bloqueio total do segmento causa o sujeito psicótico, e já o parcial o sujeito com núcleo psicótico. O primeiro referente a apesar de estar vendo o mundo, não está olhando, já o segundo refere-se a atitude de ficar ausente através do olhar. 
O segmento oral, começa na boca e se estende ao queixo, mandíbula e faringe. É por meio desse segmento que podemos ver, as expressões do ato de chorar, gritar, morder etc. Ele diz respeito a fase da amamentação, a qual, se houver o bloqueio parcial justifica-se por um desmame ríspido ou precoce e bloqueio total, se houver uma amamentação inadequada. O encouraçamento dessa região traz como efeitos compulsões orais, perturbações alimentares etc. 
O terceiro segmento, o cervical é o segmento dos músculos das costas e dos ombros. Está ligado ao medo da castração e com seu bloqueio cria o sujeito psiconeurótico. A couraça/ defesa, é criada pelo sujeito para segurar o choro ou a raiva. O encoraçamento desse segmento se reverbera quando estamos com ansiedade de queda, medo de entrega etc. Quando o segmento está bloqueando, pode-se sentir a sensação de sufocamento. 
O segmento torácico envolve as regiões do peito, abdômen e braços. A couraça/defesa é criada para não demonstrar o riso, raiva, desejo, tristeza, capacidade desejante etc. Nesse segmento temos com principal demonstradora de encouraçamento a respiração, pois ela que irá suprir todas essas emoções bloqueadas. É um segmento que demonstra o centro da afetividade humana. O encouraçamento desse segmento mostra-se com perturbações respiratórias e capacidade pulmonar. Há uma relação do bloqueio do choro com o medo de morrer e viver. 
O quinto segmento, o diafragmático é o segmento que começa no diafragma se estendendo até o abdômen. O curioso desse segmento é que ele tem relação com todos os outros segmentos. A flexibilidade é uma das chaves centrais, sendo divididas em hipotônico (diafragma flácido) e hipertônico (diafragma tenso). A couraça pode-se ser vista sobre a postura do paciente, pois ele tende a ter uma curvatura da espinha para frente. A emoção mais presente é a raiva associada ao medo, subdividindo medo em medo primitivo (medo de ser abandonado pelo outro – ligado ao período neonatal) e o medo de punição. 
O segmento abdominal envolve os músculos abdominais e o intestino. Esse segmento tem ligação direta com o período anal de desenvolvimento e com o medo. Se houver o bloqueio nesse período acarreta em sujeitos organizados, detalhistas, mesquinhos. Essa região está associada com a determinação disponibilidade do prazer, noção de limite etc.
O último segmento, o pélvico, é o segmento que diz respeito a todas as estruturas pélvicas e do “baixo ventre”. A couraça/defesa é criada para disfarçar a ansiedade, raiva, prazer demonstrada pela pelve puxada para trás. Pode haver também o encouraçamento das genitais, com conteúdos ligados a sexualidade. 
 
4. O primeiro objetivo é a observação e o afrouxamento ou atenuação das couraças pelo corpo. Seria então, o reestabelecimento da auto regulação, construindo soluções e reinventando a forma de viver no mundo, uma parada da prisão da própria fantasia. O segundo objetivo é refazer as expressões de afetos que estavam em estase, as emoções. Logo, o contato com as memórias, afeto congelado, descarga e couraças. O terceiro objetivo é uma melhora na elaboração psíquica do paciente, no campo das emoções. O próprio cliente elaborar questionamentos do porque continuar agir daquela tal forma e porque as memórias entrelaçam com o aqui e agora. 
5. No começo ele achava que deveríamos “atacar” as couraças de um modo mais ativo, porém Reich pensou em seguida, em uma melhora neurótica não só na esfera dos sintomas, mas o que mantém esses sintomas. Ir a fundo nessa neurose que se apresenta. Ele disserta que, o caráter deve ser modificado em grau, no caso, um caráter esquizoide não podemos ver como meta se tornar um caráter masoquista ou genital, mas eles podem mudar em número, quantitativamente para atenuar as couraças. Isso quer dizer que, o nosso foco não é direcionar a transformação, mas poder diminuir a sua “condenação” a esse caráter neurótico e se tornar menos rígido, mais espontâneo, uma certa liberdade interna, uma liberdade de expressão. 
6. O caráter é um conjunto de atitudes e hábitos com um certo padrão de resposta para as situações. Ele é composto por atitudes e valores, como um estilo comportamental. O caráter neurótico está aprisionado nos seus padrões defensivos, um pensamento mais restrito e uma forma limitada de ver o mundo e uma redenção as nossas fantasias. Já o genital está em acordo com os o ambiente e os impulsos, é uma postura mais madura nos estados psicossexuais, se responsabiliza por suas “culpas.