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ATLS (ABCDE)

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1 Felipe Antônio Dal'Agnol 
ADVANCED TRAUMA LIFE SUPPORT – ATLS 
“O paciente politraumatizado é aquele que apresenta lesões em dois ou mais sistemas de órgãos (tórax, 
abdome, TCE, fratura de ossos longos, etc); é necessário que pelo menos uma, ou mais combinações dessas 
lesões, represente um risco vital para o paciente.” 
AVALIAÇÃO INICIAL 
a. Preparação; 
b. Triagem; 
c. Exame primário (A, B, C, D, E); 
d. Reanimação; 
e. Medidas auxiliares ao exame primário e à reanimação; 
f. Exame secundário (da cabeça aos pés) e história; 
g. Medidas auxiliares ao exame secundário; 
h. Reavaliação e monitoração contínua após a reanimação; 
i. Cuidados definitivos. 
 
ATENÇÃO PRÉ-HOSPITALAR 
 Prioridades: salvar a vida, salvar os membros. Cerca de 50% das pessoas morrem na hora ou na primeira hora 
seguinte ao trauma (hora dourada – período crítico de morte saliente). 
 Objetivos: 
 Otimizar o atendimento; 
 Transportar para hospital adequado próximo; 
 Não exceder 10 minutos na cena. 
ATENÇÃO INTRA-HOSPITALAR 
 Todo pessoal que está/estará em contato com o doente deve estar protegido contra doenças transmissíveis, 
como a hepatite e a AIDS. Para isso, são usados os EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) que 
correspondem a máscaras, proteção dos olhos, avental impermeável, perneiras e luvas. 
TRIAGEM 
 Classificação dos doentes de acordo com o tipo de tratamento necessário e os recursos disponíveis. O 
tratamento prestado deve ser baseado nas prioridades ABC. 
o Vítimas múltiplas: doentes com risco da vida iminente e os doentes com traumatismo multissistêmicos 
serão atendidos primeiro (gradiente não excede a capacidade do hospital). 
o Situações de desastres/Vítimas em massa: doentes com maiores possibilidades de sobrevida, cujo 
atendimento implica em menor gasto de tempo, de equipamentos, de recursos e de pessoal serão 
atendidos primeiro (número de vítimas e/ou gravidade das lesões excedem a capacidade do hospital). 
PRIMEIRA FALA: “Eu e minha equipe estamos paramentados segundo as normas internacionais. Sou o médico 
(nome) e vou lhe atender, como o/a sr./sra. se chama?” 
 Nesse momento (resposta), analisamos: via aérea livre, nível de consciência e ventilação. Uma resposta 
compreensível indica boa perfusão cerebral e via aérea pérvia. 
 PRIORIDADES NA CENA: 
 Segurança da equipe; 
 Avaliação da cena; 
 Avaliação da situação de cada paciente; 
 Coletar informações biomecânicas; 
 Cena segura/precaução padrão; 
 Assumir a vítima/falar com o paciente. 
 
 
2 Felipe Antônio Dal'Agnol 
EXAME PRIMÁRIO 
A. AIRWAY: via aérea com proteção da coluna cervical; 
B. BREATHING: ventilação e respiração; 
C. CIRCULATION: circulação com controle da hemorragia; 
D. DISABILITY: disfunção neurológica; 
E. EXPOSURE: exposição e controle da hipotermia. 
*História AMPLA: Alergias / Medicamentos em uso / Passado Médico e Prenhez / Líquidos e alimentos / Ambiente e 
eventos relacionados ao trauma. 
A (AIRWAY) 
Inspeção da cavidade oral: 
Corpos estranhos: retirar com pinça de Maguil (não esquecer de tirar a prótese); 
Líquido: aspirar com aspirador rígido ou aspirador Fraser. 
Para estabelecer a via aérea: elevação do mento ou tração da mandíbula (em todos os pacientes). 
Ofertar 10-12L/min de O2 a 100% a todos os politraumatizados com Máscara de Venturi (com reservatório). 
O comprometimento da via aérea pode ocorrer de maneira súbita. 
Hipóxia: agitação → diminuição da disponibilidade de O2 para “x” órgão. 
Hipercapnia: letargia (inconsciência, como se fosse um sono profundo) → aumento de CO2 no sangue arterial. 
Se ainda houver dificuldade/insuficiência respiratória, utilizar tubo orofaríngeo (Cânula de Guedel – somente em 
pacientes inconsciente) ou nasofaríngea (contraindicado se houver suspeita de fratura da base de crânio – paciente 
tem que estar consciente e cooperativo). 
OBS: Guedel é contraindicada para crianças. 
Se a ventilação ainda não for garantida com as medidas anteriores: via aérea definitiva (tudo endotraqueal, com 
balão insuflado abaixo das cordas vocais, devidamente fixado, conectado a uma fonte de oxigênio). 
Intubação Orotraqueal 
Indicações: queimados, apneia, trauma facial grave, risco de aspiração, TCE com necessidade de hiperventilação, 
risco de obstrução iminente ou potencial (lesão de traqueia ou laringe, queimadura, hematoma cervical), 
impossibilidade de manter a VA permeável de outra forma, comprometimento iminente ou potencial da VA, 
Glasgow ≤ 8, proteção contra risco de aspiração de sangue ou vômito, convulsões persistentes. 
1. Testar o balonete; 
2. Pré-oxigenação a 100%; 
3. Manobra de Celic (compressão da cricoide); 
4. Sedar – etomidato 0,3 mg/kg ou midazolan (dormonid); 
5. Relaxante muscular – succinilcolina 1 a 2 mg/kg; 
6. Imobilização manual da cabeça; 
7. Intubar – laringoscópio posicionado e inserção do tudo entre as pregas vocais; 
8. Insuflar balonete; 
9. Confirmar posição do tubo – ausculta pulmonar e em epigástrio, capnografia e posterior RX; 
10. Interromper Celic; 
11. Fixar tubo; 
12. Ventilar – conexão com fonte de O2. 
 
Quando a intubação não puder ser realizada: 
Cricotireoidostomia (mais indicado por ser mais 
rápido, mas fácil e poder ser feito na sala de 
emergência) ou Traqueostomia (no bloco cirúrgico). 
 
3 Felipe Antônio Dal'Agnol 
Via aérea cirúrgica 
Indicações: impossibilidade de intubação endotraqueal; edema de glote; fratura de laringe – rouquidão, enfisema 
subcutâneo e fratura palpável; hemorragia orofaríngea grave; tubo endotraqueal não pode ser posicionado entre as 
cordas vocais; distorção anatômica do pescoço pelo trauma; impossibilidade de visualizar as cordas vocais. 
CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA 
1. Antissepsia local; 
2. Anestesia local se doente consciente; 
3. Estabilizar a cartilagem tiroide até o final da intubação; 
4. Incisão na pele que se estende pela membrana cricotireoidea; 
5. Dilatação da abertura com uma pinça hemostática; 
6. Inserir tudo endotraqueal; 
7. Insuflar o balonete; 
8. Conectar com fonte de O2; 
9. Fixar o tubo. 
CRICOTIREOIDOSTOMIA POR PUNÇÃO 
Paciente em posição supina; montar um cateter agulhado de calibre número 12 ou 14 em uma seringa de 5-10 mL; 
palpar a membrana cricotireoidea e estabilizar a traqueia; puncionar a pele na linha média sagital (diretamente 
sobre a membrana) e direcioná-la em ângulo de 45 graus caudalmente, aplicando pressão negativa na seringa, 
aspirando a medida que a agulha avança; remover a agulha e a seringa ao mesmo tempo que se avança o cateter par 
abaixo e conectar o tubo de oxigênio ao cateter. 
Preferível à traqueostomia pois sangra menos, mais fácil e mais rápida. Contraindicação: fratura de laringe e crianças 
menores de 12 anos, pois a cartilagem cricoide é o único suporte do pescoço. 
TRAQUEOSTOMIA 
Em últimos casos – fratura de laringe e crianças menores de 12 anos. 
CERVICAL 
Quando tirar o colar cervical? 
 Em ambiente hospitalar, paciente alerta, sem dor cervical, sem abuso de álcool ou drogas e com exame 
neurológico normal. Se não preencher algum dos critérios = raio X. 
Cerca de 80% dos óbitos por lesão traumática devem-se a luxações atlas-occipital e fraturas C1-C2. 
 
1. Abrir o colar cervical – duas pessoas. 
2. Inspeção: procurar por hematomas, escoriações, sangramentos, ferimentos, lacerações, orifícios de entrada e 
saída, tiro, faca, abaulamentos, desvio de traqueia, turgência jugular. 
3. Palpação: buscar dor, enfisema subcutâneo, crepitação óssea. 
4. Fechar colar cervical. 
 
 
4 Felipe Antônio Dal'Agnol 
B (BREATHING) 
INSPEÇÃO: avalia-se a simetria do tórax, se há orifícios de entrada/saída, turgência da jugular, abaulamentos ou 
retrações. 
PALPAÇÃO: comparativa, bilateral, ascendente; busca-se crepitações ósseas, dor e enfisema. 
PERCUSSÃO: comparativa, bilateral, ascendente. Há três possíveis achados percussórios: timpanismo normal, 
hipertimpanismo sugestivo de pneumotórax e macicez, indicando