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Inquérito Policial Características I

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PROCESSO
PENAL
P R O F . T A S S I O D U D A
2020
Processo Penal 
Tema: Características do Inquérito Policial I 
Prof. Tassio Duda 
 
 
 
 
Fala pessoal, tudo bem? 
Na parte I, iremos abordar o caráter sigilo e inquisitivo do Inquérito Policial (IP). 
 
 
A doutrina costuma dizer que o inquérito policial é inquisitivo. 
Significa que NÃO é permitido ao investigado produzir ou indicar provas, 
apresentar alegações, atividades comuns durante a fase judicial. Por essa razão, 
costuma-se afirmar que NÃO há contraditório e ampla defesa durante a fase 
investigativa. 
Nesse sentido, Nucci (2020, pg. 361) expõe que: 
 
 
 
 
 
No mesmo sentido, Renato Brasileiro (2020, pg. 188) elucida que: 
 
 
 
 
. 
As atividades de investigação são concentradas no Delegado de Polícia, o qual 
irá conduzir a apuração, de maneira discricionária (e não arbitrária), dos elementos de 
autoria e materialidade do fato delituoso, não havendo oportunidade para o exercício do 
contraditório ou da ampla defesa. 
 
 
A regra é a publicidade ampla no curso do processo penal, sendo ressalvadas as 
hipóteses em que se justificar a restrição da publicidade, como a defesa da intimidade, 
interesse social no sigilo e imprescindibilidade à segurança da sociedade e do Estado 
(CF, art. 5º, incisos XXXIII e LX, c/c art. 93, IX), dentre outros. 
 
1. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL 
2. PROCEDIMENTO INQUISITIVO 
O inquérito é, por sua própria natureza, inquisitivo, ou seja, não permite ao indiciado ou suspeito a 
ampla oportunidade de defesa, produzindo e indicando provas, oferecendo recursos, apresentado 
alegações, entre outras atividades que, como regra, possui durante a instrução judicial. O inquérito 
destina-se, fundamentalmente, ao órgão acusatório, para formar a sua convicção acerca da 
materialidade e da autoria da infração penal, motivo pelo qual não necessita ser contraditório e com 
ampla garantia de defesa eficiente. Esta se desenvolverá, posteriormente, se for o caso, em juízo. 
 
3. PROCEDIMENTO SIGILOSO 
Cuida-se, a investigação preliminar, de mero procedimento de natureza administrativa, com caráter 
instrumental, e não de processo judicial ou administrativo. Dessa fase pré-processual não resulta a 
aplicação de uma sanção, destinando-se tão somente a fornecer elementos para que o titular da ação 
penal possa dar início ao processo penal. Logo, ante a impossibilidade de aplicação de uma sanção 
como resultado imediato das investigações criminais, como ocorre, por exemplo, em um processo 
administrativo disciplinar, não se pode exigir a observância do contraditório e da ampla defesa nesse 
momento inicial da persecução penal. 
Processo Penal 
Tema: Características do Inquérito Policial I 
Prof. Tassio Duda 
 
 
No inquérito policial, o objetivo é investigar infrações penais, identificar fontes de 
provas, além de coletar informações quanto aos elementos de autoria e materialidade 
dos delitos. É natural que os inquéritos policiais sejam cobertos pelo sigilo, pois torna o 
trabalho investigativo mais eficaz na maioria dos casos. 
Nas palavras de Renato Brasileiro (2020, pg. 183): 
 
 
 
 
 
 
Importante destacar que o sigilo do inquérito policial NÃO atinge o magistrado, nem 
o Ministério Público. 
 
Nucci (2020, pg. 363) também ilustra que: 
 
 
 
 
Uma dúvida recorrente é se o sigilo atinge o advogado do investigado. 
 
Tem prevalecido o entendimento na doutrina e jurisprudência de que o advogado 
deve ter acesso aos autos do procedimento investigatório, caso a diligência realizada 
pela autoridade policial já tenha sido documentada. 
Contudo, em se tratando de diligências que ainda NÃO foram realizadas ou que 
estão em andamento, não há prévia comunicação ao advogado, nem tampouco ao 
investigado, pois o sigilo da diligência é inerente à própria eficácia da medida 
investigatória. 
Segundo Nucci (2020, pg 364): 
 
 
 
Deve-se compreender então que o elemento da surpresa é, na grande maioria dos casos, essencial à 
própria efetividade das investigações policiais. (...) por natureza, o inquérito policial está sob a égide 
do segredo externo, nos termos do art. 20 do Código de Processo Penal, que dispõe que a autoridade 
assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. 
Se a autoridade policial verificar que a publicidade das investigações pode causar prejuízo à elucidação 
do fato delituoso, deve decretar o sigilo do inquérito policial com base no art. 20 do CPP, sigilo este 
que não atinge a autoridade judiciária e nem o Ministério Público. 
O sigilo do inquérito policial atinge o advogado? 
O inquérito policial, por ser peça de natureza administrativa, inquisitiva e preliminar à ação penal, deve 
ser sigiloso, não submetido, pois, à publicidade regente do processo. Não cabe a incursão na delegacia, 
de qualquer do povo, desejando acesso aos autos do inquérito policial, a pretexto de fiscalizar e 
acompanhar o trabalho do Estado-investigação, como se pode fazer quanto ao processo-crime em 
juízo. 
Por certo, o inquérito é sigiloso (ausente a publicidade a qualquer pessoa do povo), não significando a 
exclusão da participação do advogado como ouvinte e fiscal da regularidade da produção das provas, 
caso deseje estar presente. As provas de natureza sigilosa, quanto à sua produção, como uma 
interceptação telefônica, por exemplo, não comportam o acompanhamento do advogado. Este 
somente tomará conhecimento quando finda e juntada aos autos do inquérito. 
 
Processo Penal 
Tema: Características do Inquérito Policial I 
Prof. Tassio Duda 
 
 
Renato Brasileiro (2020, pg. 184) denomina esse sigilo de sigilo interno do IP, 
que visa assegurar a eficiência da investigação que poderia ser seriamente prejudicada 
com a ciência prévia de determinadas diligências pelo investigado e por seu advogado. 
O STF, inclusive, editou a súmula vinculante n. 14 a respeito do tema, dispondo 
que: 
 
 
 
 
 
 
 
Súmula Vinculante n. 14. “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos 
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com 
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. 
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