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Tarefa 5 ITAMAR

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Tarefa 5 - Anotação de Leitura do texto base 5
Vence 23 de setembro de 2020 23:59 / Fecha 30 de setembro de 2020 23:59
Instruções
Ler o texto base 5 e fazer uma Anotação de Leitura com seu entendimento sobre o texto. 
TEXTO BASE 5:  HALL, Stuart. A identidade cultural na pós modernidade.
Hall, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade / Stuart Hall; tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro – 11 ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006. 102 p.
A modernidade trouxe diversas mudanças em âmbito global, tanto no que diz respeito aos adventos tecnológicos, quanto à mudanças simbólicas e intrínsecas ao indivíduo. A chamada “crise de identidade”, intimamente ligada a modernidade, é hoje tema recorrente em debates sobre a cultura e as sociedades devido a sua complexidade e as incertezas que a cercam.
Essas mudanças, características da modernidade tardia, expõem também, o declínio de noções antes propagadas sobre tradição e homogeneização da cultura. Stuart Hall, teórico e sociólogo Jamaicano, analisou essa e outras questões em seu livro A identidade cultural na pós-modernidade, refletindo sobre as identidades no contexto da globalização, suas consequências e a validade de noções antes vigentes.
Ex-professor de sociologia na Universidade Open University, e um dos fundadores da escola de pensamento “Estudos Culturais Britânicos”, Hall expandiu a área de análise dos estudos culturais, aderindo conceitos de raça e gênero à sua pesquisa. Entre suas principais obras destacam-se New Ethnicities (1988) e Identidades e mediações culturais (traduzido pela Editora UFMG).
O livro em questão, composto de seis capítulos, é escrito a partir de “uma posição simpática” a declaração de que as identidades modernas estão se descentralizando, ou seja, estão sendo fragmentadas. Com o propósito de explorar tal declaração, o autor analisa suas implicações, busca qualifica-las e ponderar suas possíveis consequências socioculturais.
O primeiro capítulo, intitulado A identidade em questão trata do conceito de identidade e sua relevância na teoria social.
É onde ele apresenta um contexto geral da obra e expõe suas características. Inicialmente Hall conceitua identidade e indivíduo e as mudanças em suas formas e como o vemos. Como base para seu argumento, ele trata de três concepções de identidade: a do sujeito do iluminismo-individualista; sujeito sociológico – formado na relação com outras pessoas; sujeito pós-moderno – que não possui uma identidade fixa, aquele que segundo Hall, efetiva a “celebração móvel”. Em seguida, analisa essas mudanças na perspectiva da globalização, expondo a constância e a velocidade com que elas ocorrem e distinguindo as sociedade tradicionais das pós-modernas.
No capítulo dois, “Nascimento e morte do sujeito moderno” o autor discorre sobre o surgimento desse sujeito, baseado no individualismo. É neste capítulo que Hall insere a questão do “descentramento” do sujeito cartesiano, o que estaria levando ao fim da noção de identidade até então vigente – com identidades fixas. Para apresentar esse evento, ele esboça “cinco grandes avanços na teoria social e nas ciências humanas” diretamente ligados a essa descentração. São eles: As releituras do pensamento Marxista nos anos 60; a descoberta do inconsciente por Freud – que possibilitou a reflexão sobre a origem contraditória da identidade; os pensamentos de Saussure acerca língua como um sistema social e não individual; a noção de “poder disciplinar” apresentada por Michel Foucault; e o impacto do feminismo ao abrir espaço para questões políticas e sociais. Obras que segundo Hall, permitiram o descentramento dos sujeitos por descreverem fundamentos do seu deslocamento, de sujeito iluminista para sujeito pós-moderno.
Ao longo do terceiro capítulo ele analisa esse “sujeito fragmentado” e sua definição no que se refere a identidade nacional. Aqui Hall trata particularmente a questão de como as identidades culturais nacionais estão sendo deslocadas na globalização, assumindo-as como “híbridos culturais”. Para isso ele põe a cultura nacional como fonte de significados culturais, ponderando a ideia de nação e sua contribuição na criação de padrões e homogeneização nacionais, considerando que apesar da supressão forçada das diferenças culturais existente em uma nação, as culturas nacionais ainda são atravessadas por profundas diferenças internas e o deslocamento gerado pela globalização é nítido.
A globalização é o foco do quarto capítulo, onde o autor examina os motivos do deslocamento das identidades culturais nacionais na modernidade. A globalização, sendo um “complexo de forças de mudanças”, está, invariavelmente, deslocando as identidades culturais nacionais. Nesta parte, Hall descreve três possíveis consequências desse contexto sobre as identidades: A homogeneização das identidades – como elas estão se desintegrando; o fortalecimento das identidades locais; a produção de novas identidades – híbridas. Para ele, o que está sendo discutido é a questão entre o “global” e o “local” na transformação das identidades, e considera que o efeito geral desses processos globais tem sido o enfraquecimento de formas nacionais de identidade cultural.
No quinto capítulo: O global, o local e o retorno da etnia, Hall examina a globalização em suas formas mais recentes, refletindo sobre a chamada “homogeneização cultural”, que considera exagerada e simplista, de forma que não avalia adequadamente a gama de processos que estão acontecendo na modernidade tardia. Em seu argumento ele apresenta três contra tendências ao quadro unilateral da homogeneização. A primeira contra tendência, originada do argumento de Kevin Robin diz que, o global não está substituindo o local, mas articulando-se a ele; a segunda diz que a globalização é um processo desigual, e tem uma “geometria de poder” própria, não podendo, desta forma, ser completamente homogênea; a terceira contra tendência refere-se a dominação global do Ocidente, onde trata da desigualdade de poder cultural entre espaços. Essas contra tendências tornam a sociedade mais plural e diversificada.
A globalização, portanto, tem um efeito de deslocamento das identidades de uma cultura nacional, porém seu efeito geral permanece contraditório graças a duas vertentes, analisadas por Robin: A tradução – incorporação de identidades, e a tradição – tentativa de recuperar a “pureza anterior”, o que aumenta o grau de complexidade na concepção das identidades culturais.
O sexto, e último capítulo, Fundamentalismo, diáspora e hibridismo, descreve as contradições entre Tradição e Tradução em um quadro global, refletindo sobre a forma como as identidades devem ser conceptualizadas. Hall se aprofunda no conceito de hibridismo e sua relevância no contexto sociocultural pós-moderno analisando o descentramento no Ocidente. Para ele, a globalização não está produzindo uma dominação do “global”, ou mesmo uma persistência das noções nacionais – “local”. Os deslocamentos, originados pela globalização são plurais e complexos. Sua tese é concluída com a perspectiva de variedade da globalização, tendo-a como um possível descentramento do Ocidente, marcado pela desigualdade de fomentação cultural e pela contradição.
Ao longo do livro, Hall passeia pela tese de diferentes autores, dialogando com eles e inserindo novos focos de análise, que não só complementam, mas abrem espaço para novas áreas de pesquisa, tais como as questões de gênero. Trazendo percepções contrastantes sobre as identidades culturais, ele insere seus argumentos de forma didática, buscando não tomar notas conclusivas sobre o tema, mas acrescentar, como base para outros.
A identidade cultural na pós-modernidade, portanto, responde uma série de perguntas que as análises culturais, em suas formas mais simplificadas, não se atentam. O debate sobre o deslocamento das identidades produzido pela globalização é de extrema relevância para a compreensão das sociedades contemporâneas, principalmente no que diz respeito à comunicação social, por sua análise do meio social, e necessidade de compreensão