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livro educação inclusiva

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com deficiência produzem 
benefícios no âmbito das atitudes humanas, nas políticas públicas, nas 
Inclusão: ensinando 
e aprendendo na 
diversidade 2
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inovações tecnológicas, nos processos de gestão, nas concepções, no 
conhecimento do tempo, do ambiente e do ser humano.
Contudo, são notórias as barreiras ainda existentes em práticas 
pedagógicas não significativas, em processos avaliativos classificatórios. 
Isso significa que as dificuldades para beneficiar-se do conhecimento, 
dos saberes e valores sociais se localizam também no modo como se 
organizam a escola e a sociedade.
Dessa forma, se as condições estruturais, as expectativas e atitudes fo-
rem positivas, alteradas, adaptadas, a pessoa pertencerá à cultura, na qual 
se manifestam a identidade, as diferenças e as possibilidades de cada um.
Os avanços com relação às concepções adotadas não foram su-
ficientes para a libertação da deficiência de sua marca metafísica de 
maldição ou castigo do céu, do fatalismo clínico da hereditariedade 
inevitável, nem da segregação para a educação especial, além do fato 
dessas pessoas, do ponto de vista sensorial e motivacional, serem trata-
das como se fossem iguais e imutáveis.
Não há oferta de emprego, não há captação das competências des-
sa mão de obra pelo mercado de trabalho, e também não há trânsito 
social nas instituições básicas da cidadania, como saúde e educação. 
Ainda se pensa que a formação de professores deve ser específica (espe-
cializada) em pedagogia especial e que esses docentes devem ser remu-
nerados com gratificação especial por sua ocupação com pessoas que 
apresentam deficiências (CECCIM apud SKLIAR, 1997, p. 40).
Ainda que se pregue hoje a exigência de libertação das pessoas com 
deficiência do cárcere da segregação ou mesmo da reclusão, tal cárcere é 
mantido com relação às suas atitudes e decisões. À vida dessas pessoas é 
reservado um destino funesto, a negação da alteridade é expressa a par-
tir da exigência de que sejam pacatas, normais, saudáveis e adequadas 
às melhores relações sociais.
A sociedade proclamava a liberdade e a igualdade como bases para 
legitimar os empreendimentos capitalistas, o emprego pelo capitalismo 
das forças de trabalho, alimentando a ilusão e o sonho do enriqueci-
mento, da ascensão social, tornando as pessoas resignadas com o sofri-
mento, com a subserviência, evidenciando a desqualificação engendra-
da no próprio processo de trabalho, o conformismo com a alienação em 
relação ao conteúdo e ao produto do trabalho.
As pessoas com deficiência eram consideradas, a priori, inferiores, 
incapazes, indignas para travar as lutas pela liberdade, mas não lhes era 
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conferido um lugar digno para usufruirem dos benefícios humanos. 
Elas constituíam a negação, a marginalidade, a invisibilidade. Eram 
negadas e excluídas por fragilidade, empecilho aos propósitos de se for-
mar uma sociedade harmonicamente funcional. Elas não eram tomadas 
como sujeitos merecedores de investimento de recursos e de atenção da 
sociedade para garantir-lhes a promoção da vida, o compartilhar dos 
afetos e saberes humanos.
Assim, não basta concentrarmos todos os esforços em um diagnós-
tico precoce, tratamento médico, reabilitação profissional e social dessas 
pessoas se não provocarmos mudanças na esfera do trabalho, na pesquisa 
científica e tecnológica, nas práticas educacionais e formativas, nas rela-
ções familiares e humanas em geral. Hoje alguns campos da ciência e da 
atividade humana se voltam para a seguinte questão: quais são os melho-
res procedimentos para acolher a pessoa com deficiência?
Nesse momento, as políticas inclusivas proclamam o seguinte 
princípio: toda pessoa tem o direito de ser ouvida, isto é, manifestar 
suas necessidades, preferências, aspirações e fazer escolhas, tomando 
decisões e participando em todos os projetos que afetem direta ou in-
diretamente suas vidas. Mas, para realizar o resultado de suas decisões, 
é necessário o segundo princípio: toda pessoa tem o direito de usufruir 
do acesso aos ambientes, às ações, às práticas culturais, econômicas e 
políticas que se organizam socialmente.
Desse modo, cabe à escola e às outras instituições sociais promover 
as condições de acessibilidade multidimensional, multicultural e poli-
técnica, isto é, um estado de plena oportunidade para quem se encontra 
em situação de desvantagem ou de desigualdade.
Para garantir a autonomia e a interdependência do aluno com deficiência, é 
necessário que a objetividade, isto é, os códigos, os currículos, as avaliações, 
os procedimentos, as linguagens, as crenças e os instrumentos avaliativos 
se apresentem flexíveis.
As avaliações podem ser mais formativas e menos classificatórias. As aulas po-
dem ser mais desafiadoras e exploratórias, provocando maior envolvimento e 
participação dos alunos, e menos centradas na memorização e na repetição.
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O professor pode ser mais acolhedor da diversidade de cada alu-
no e menos homogeneizador da turma. Ele pode conjugar mais ação 
e abstração, interação e autonomia, aprendizado da teoria e da ética, 
conceito e significado, ciência e arte, intelectualidade e política, com-
preensão e crítica ao existente, escrita e expressão dos sentimentos e da 
trajetória de cada um.
O professor pode ir além da transmissão do conhecimento, sem 
mais esperar a absorção homogênea por parte dos alunos; isso é educar 
para reproduzir. É preciso tornar-se um professor pesquisador, isto é, 
levantar hipóteses sobre o que trabalha e investigá-las. O professor pes-
quisador desafia os alunos a formular métodos, organizar experiências, 
compreender o sentido e o significado do que aprende.
Diante da necessidade de assumir a condição de quem repensa e 
recria o conteúdo do trabalho, o professor passa a construir sua iden-
tidade profissional. Ao realizar a verificação de hipóteses por meio de 
experiência, confrontação com outros autores e outras visões, sistemati-
zará o método, os resultados, tomará consciência desses procedimentos 
e retomará o sentido e o significado do exercício de ser professor. Refa-
zendo sua identidade, passará a compreender as diferenças com outros 
pares e buscará aquelas existentes em cada um de seus alunos.
Acreditando no valor das diferenças, o professor forma uma nova 
concepção de unidade e de coletivo, os fundamentos que orientam o 
próprio projeto político-pedagógico. Nessa concepção, a necessidade do 
docente ultrapassa a dimensão técnica, o fazer da sala de aula. Vincula-
do às demandas mais amplas, participa oferecendo alternativas à gestão 
política dos processos de formação, valorizando as iniciativas, as capa-
cidades de cada um de seus colegas. Diagnosticando as carências e os 
recursos existentes, o professor assume seu papel político, reivindicando 
o que falta, as condições estruturais que viabilizam melhor o processo 
de ensino, melhores condições para os alunos exercerem a autoria do 
conhecimento e da aprendizagem.
Para dar início a essa concepção de ensino e aprendizagem, é preciso 
acreditar no valor das diferenças, no valor dos confrontos e conflitos de 
pontos de vista, no valor educativo do erro, na riqueza das trajetórias de 
vida, na importância da crítica aos métodos, ao raciocínio preestabelecido, 
no caráter ontológico das falas e das experiências e saberes dos alunos.
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O aluno que é desafiado a