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livro educação inclusiva

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de esperar as oportunidades certas para desenvolver as ini-
ciativas internas dos alunos, e, a segunda, de saber aproveitá-las.
Em 1898, Maria Montessori propôs uma abordagem para o traba-
lho com a pessoa com deficiência intelectual, superando o tratamento 
dado pela medicina. A abordagem dada pela médica visava ao alcance 
da pessoa do educando, sua autoestima, autoafirmação, seus níveis de 
aspiração e sua autoconsciência (SKLIAR, 1997, p. 38).
Montessori foi a primeira mulher a formar-se em medicina, demonstrou 
interesse por crianças desequilibradas, o que a levou a conhecer os trabalhos 
do doutor Itard, passando posteriormente a Edward Seguin, que lhe forne-
ceu um material construído depois de anos de experiência, parecendo-lhe 
ser mais adaptado aos interesses da criança denominada anormal.
No ano de 1898, Montessori defendeu que as crianças “anormais” 
precisavam muito mais de métodos pedagógicos do que da medicina. 
Assegurava que a esperança no desenvolvimento estava no professor, não 
na clínica. Era preciso que se criasse em volta do aluno um ambiente 
que o ajudasse. Ela foi a primeira a se manifestar contra a internação de 
crianças com esse problema em casa de saúde, acreditando e propagando 
a criação de escolas que aperfeiçoassem os métodos de Seguin e que, ao 
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mesmo tempo, pudessem formar professores. Realizou grande esforço 
para que fosse fundada uma Escola Normal1 para mestres.
Maria Montessori dedicou-se a crianças com comprometimento, 
mas desenvolveu seu trabalho também com aquelas consideradas nor-
mais, percebendo que obtinha resultados positivos. Observou, ainda, 
crianças que brincavam na rua e criou espaços educacionais para elas. 
Como grande contribuidora da educação, criou o método Montessori 
de aprendizagem, composto, especialmente, por um material de apoio 
pelo qual a própria criança observava se estava fazendo as conexões 
corretas, baseado no uso sistemático de objetos concretos. Suas técnicas 
para o ensino de deficientes intelectuais foram experimentadas em vá-
rios países da Europa e da Ásia.
As metodologias desses três estudiosos, durante o século XIX, fo-
ram usadas para ensinar pessoas denominadas idiotas que estavam nas 
instituições, tentando chegar à cura e à eliminação das deficiências por 
meio da educação (SILVA apud POMBO, 1991).
Abolir o fatalismo teológico era a meta; com esse resultado foi 
extinto o dogmatismo clerical, mas não se inaugurou o enfoque realista 
científico da deficiência.
A característica altamente especulativa da medicina de então, 
ainda pré-científica, substituiu a autoridade do inquisidor ou 
do reformador pela do clínico, enquanto a argumentação ca-
nônica e teológica cedia lugar à afoita classificação anatomofi-
siológica dos pacientes, segundo quadros clínicos compostos, 
de costume, mais de acordo com a lógica e a semântica do que 
com a observação objetiva (PESSOTTI, 1984, p. 67).
No século XX, as experiências pedagógicas já realizadas por Pestalozzi 
(1746-1827), Fröebel (1782-1852), Itard (1774-1838), Seguin (1812-
1880) e Borneville (seguidor de Seguin), Binet (1905), Maria Montessori 
(1870-1922) e Decroly (1871-1922) fundamentaram uma tendência que 
comprova a necessidade de resgatar a educação especial do domínio estri-
tamente médico. A construção de um campo de responsabilidades, funda-
mentos e ideias relativos a essa área de desenvolvimento humano produz 
como consequência mais imediata o incremento de programas educativos 
para os alunos com necessidades especiais; tais programas, no entanto, são 
considerados enquanto entidade à parte do sistema educativo geral.
1 Escola para formar professores.
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O surgimento da educação especial é marcado, fundamentalmen-
te, mediante as contribuições desses autores. Tais estudos mostraram a 
relação existente entre o tipo de inteligência, o grau de capacidades e 
habilidades com os tipos de experiências ambientais a que o indivíduo 
foi submetido. Esses resultados conduziram ao questionamento da no-
ção estabelecida acerca da inteligência e do próprio ser humano como 
algo fixo e predeterminado hereditariamente em seu desenvolvimento.
É importante destacar a crença na educabilidade, nas possibilida-
des de a pessoa com deficiência aprender a comunicar-se, desenvolver 
hábitos, habilidades e atitudes para interagir socialmente e para pro-
duzir alguma modalidade de trabalho.
A distinção feita por Esquirol (1772-1840) entre loucura (perda 
irreversível da razão e suas funções, como doença) e idiotia revela um 
avanço em relação ao ponto de vista científico, pois confirma a ideia de 
educabilidade das pessoas com esses problemas, ao mesmo tempo em 
que abre caminho para uma nova forma de exclusão, na qual o rendi-
mento educacional passa a ser o critério para tal.
Alfred Binnet enfatizou a importância do diagnóstico psicológico, 
superando a importância dada anteriormente ao enfoque etiológico (es-
tudo das causas orgânicas das deficiências), contribuindo, com isso, para 
romper com a determinação causal entre lesão orgânica e deficiência 
intelectual, demovendo a concepção de que qualquer desvio é aberração. 
Binnet, por meio dos testes de QI, quantificou graus de desempenho 
em relação à média das crianças de mesma idade em sua significação 
pedagógica. O QI se presta à classificação e aos diagnósticos, mas não às 
proposições e desafios. Com Binnet, a deficiência intelectual deixou de 
pertencer à medicina e passou a pertencer à psicologia, o que significou 
tirar tal deficiência dos asilos e hospícios e dar passagem à escola, espe-
cial ou comum (PESSOTTI, 1984, p. 176-178).
ReflitaReflita
Você já abandonou a responsabilidade de buscar outras alternativas para 
a solução de problemas acreditando que não havia nada mais a fazer?
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Aparecimento da educação especial
A primeira movimentação política para a democratização da edu-
cação no Brasil teve início no século XIX (em 1824) quando foi pro-
mulgada a primeira Constituição brasileira, defendendo em seus artigos 
a gratuidade da instrução primária para todos. Essa mesma Constitui-
ção não explica de quem seria a responsabilidade pelo sistema e pelo 
processo educacional, eximindo o Poder Público desse compromisso.
A criação de instituições para abrigar pessoas com deficiência, lou-
cos, leprosos e outros doentes significava a materialização das formas 
mais avançadas de cuidar da nova ordem social. As pessoas que fugissem 
dos padrões biológicos da sociedade deveriam ser isoladas de modo a 
garantir o bom relacionamento entre as demais, nada poderia impe-
dir a manifestação das vontades particulares. Havia, na época, grande 
propagação da nova ideologia emergente, isto é, da ideia de que todo 
indivíduo é livre. Se todos são livres, todos são iguais. Para preservar 
a igualdade dos indivíduos era necessário isolar aqueles que pudessem 
causar distúrbio ou impedimento à manifestação da vontade particular.
Tanto a Igreja quanto a burguesia, no Brasil e no mundo, esfor-
çavam-se para a realização desse processo de isolamento e segregação 
das pessoas diferentes ou doentes. Com efeito, a Igreja se aproveitava 
da existência dessas instituições para colocar em prática suas ações 
caritativas e assistencialistas, logrando, desse modo, a ampliação de 
seu grau de influência na sociedade. Estendendo sua caridade e sua 
assistência, viabilizava a manutenção de seu poder. Nesse sentido, 
confundiam-se as ações de ajuda e a necessidade de reprimir, o dever 
de caridade