Aula 7 - Do conselho tutelar
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Estatuto da Criança e do Adolescente \u2013 ECA
Aula 7: Do conselho tutelar
Apresentação
Estudaremos o Conselho Tutelar. Conheceremos suas atribuições e competências, aprenderemos como ocorre o
processo de escolha dos conselheiros tutelares, suas atribuições, prerrogativas e impedimentos. Abordaremos, também,
nesta aula, a suspensão ou a cassação do mandato de conselheiro pela via administrativa ou pela judicial e a Resolução
113/2006 do Conanda.
Objetivos
Identi\ufffdcar as funções do Conselho Tutelar;
Analisar a formação do Conselho Tutelar;
Examinar a possibilidade de cassação ou suspensão do mandato dos conselheiros.
Aspectos gerais
O art. 86 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) refere-se à necessidade de um conjunto articulado de ações
governamentais e não governamentais, e nem poderia ser diferente, pois é de responsabilidade de todos a promoção da defesa
da criança e do adolescente. Para isso, é necessária, portanto, uma ação conjunta do poder público e da sociedade organizada
para a efetividade da proteção integral.
A\ufffdrmando que apenas por meio da educação, do tratamento e da prevenção é que se terá uma redução da delinquência juvenil,
diversos órgãos foram criados com a intenção de implementar o ECA e efetivar os direitos das crianças e dos adolescentes.
Entre esses órgãos, podemos citar
os Conselhos de Direitos,
os Conselhos Tutelares,
os Fundos da Criança.
Além deles, há também a ação civil pública para a responsabilização de autoridades que, por ação ou omissão, descumprirem
o ECA.
Conselho Tutelar
\ue412 Por Puchong Art (Fonte: Shutterstock).
Segundo Liberati (2003), o Conselho Tutelar é caracterizado
por um espaço de proteção e garantia aos direitos da
criança e do adolescente, no âmbito municipal. Trata-se de
uma ferramenta e um instrumento de trabalho nas mãos da
comunidade, que \ufffdscalizará e tomará providências para
impedir a ocorrência de situações de risco pessoal e social
das crianças e dos adolescentes.
De acordo com o art. 131 do ECA, os Conselhos Tutelares apresentam três características principais:
1. Natureza institucional;
2. Autonomia;
3. Não jurisdicional.
Leiamos, a seguir, sobre cada uma dessas características:
\uf570 As três características principais dos Conselhos Tutelares
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As três características principais dos Conselhos Tutelares
1. Natureza Institucional
Por possuir natureza institucional, uma vez implementado, passará a ser órgão permanente e integrante do Sistema
de Direitos e Garantias da Criança e do Adolescente, competindo à municipalidade a sua manutenção. Diante da
omissão, no sentido de instituir o Conselho Tutelar, poderá o Poder Judiciário tomar a frente, como se observa na
decisão proferida a seguir pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais:
2. Autonomia
Segundo o art. 137 do ECA, a autonomia como característica reside no fato de que possui independência funcional de
modo que suas deliberações e decisões não necessitam da aprovação de nenhum outro órgão e nem mesmo de
homologação por autoridade judiciária. Muito embora se possa a\ufffdrmar que possui liberdade de decisão, não está livre
de \ufffdscalização. A legalidade e a adequação das decisões tomadas pelo Conselho Tutelar poderão ser controladas pelo
Poder Judiciário, uma vez provocado pelo Ministério Público ou outro sujeito que possua legítimo interesse.
Ponderando que o Conselho Tutelar integra uma rede articulada de instituições e órgãos destinados à preservação e à
proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes, é salutar que o próprio município crie formas internas e
externas de \ufffdscalização e controle dos atos praticados pelos conselheiros e sanções administrativas a serem
aplicadas àqueles que descumprirem os deveres inerentes à função exercida.
3. Órgão não jurisdicional
A terceira característica do Conselho Tutelar ressaltada pelo ECA se refere ao fato de ele ser um órgão não
jurisdicional. Muito embora tenha competência para aplicar medidas de proteção às crianças e adolescentes, bem
como a seus pais e responsáveis, o Conselho não possui vinculação com o Poder Judiciário, até porque, como referido
anteriormente, ele se trata de um órgão independente, de natureza administrativa e não judicial.
"AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LIMINAR. IMPLANTAÇÃO DE CONSELHO TUTELAR.
REQUISITOS DEMONSTRADOS. Nos termos do Estatuto da Criança e do
Adolescente, em cada município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar
composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade local, devendo ser
compelido, através de Ação Civil Pública, aquele ente municipal que, a despeito de
publicar lei a respeito, não efetiva a implementação para efetivo funcionamento do
Conselho. (TJMG. 8ª C. Cív. A.I. n° 1.0133.05.027038-7/001. Rel. Teresa Cristina da
Cunha Peixoto. J. em 28/09/2006).<&quot;/p>
Saiba mais
\u201cDe acordo com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o Brasil tem 5.956 conselhos tutelares instalados em 5.559 municípios.
Somente seis municípios não têm conselhos instalados. Para cumprir a lei que protege os direitos de crianças e adolescentes, o
país tem o desa\ufffdo de criar mais 600 conselhos \u2013 para cada grupo de 100 mil habitantes, deve existir uma unidade com cinco
conselheiros.\u201d (RIBEIRO, 2015, on-line)
Função do Conselho Tutelar
Considerando a doutrina da proteção integral, podemos a\ufffdrmar que a
função primordial do Conselho Tutelar é salvaguardar que os direitos
e as garantias concedidas às crianças e aos adolescentes como
sujeitos de direitos sejam efetivamente preservados.
Muito embora, à primeira vista, possa parecer que as
funções do Conselho Tutelar sejam meramente
burocráticas, cabe ao órgão não apenas aplicar as medidas
protetivas, mas encaminhar os sujeitos para programas de
atendimento, \ufffdscalizar o atendimento nos mais diversos
órgãos e promover efetivamente a solução dos problemas
vivenciados pelas crianças e pelos adolescentes, seja
individual ou coletivamente, de forma que esses sujeitos em
desenvolvimento possam participar da sociedade de forma
digna e salutar.
\ue412 Por Luciano Cosmo (Fonte: Shutterstock).
Ainda que a atuação do Conselho Tutelar não seja isolada, pois, por diversas vezes, necessita da atuação de outros órgãos,
programas e instituições, sua natureza resolutiva se evidencia, já que a ele compete a obrigação de concretizar o princípio da
proteção integral e o princípio da prioridade absoluta da criança e do adolescente previstos no texto constitucional (art. 37,
CF).
O ECA estabelece, no art. 136, diversas atribuições ao Conselho Tutelar. Porém, além das elencadas no dispositivo, podem ser
acrescidos o dever de \ufffdscalizar as entidades de atendimento, de\ufffdagrar o procedimento para apuração de irregularidade nas
entidades de atendimento e infração às normas administrativas acerca das crianças e dos adolescentes (art. 95, 191, ECA).
Leitura
\uf570 Leia as atribuições previstas no art. 136 do ECA.
\uf0a6 Clique no botão acima.
Atribuições previstas no art. 136 do ECA:
a) Atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no
art. 101, I a VII;
b) Atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII;
c) Promover a execução de suas decisões, podendo tanto requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação,
serviço social, previdência, trabalho e segurança; e representar junto à autoridade judiciária nos casos de
descumprimento injusti\ufffdcado de suas deliberações;
d) Encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da
criança ou adolescente;
e) Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
f) Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o
adolescente autor de ato infracional;
g) Expedir noti\ufffdcações;
h) Requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
i) Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de